terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Como ficou a Bibliotheca por dentro

Biblioteca Pública Pelotense em 2009, recém restaurado, piso térreo, salão da claraboia
Durante 2007 e 2008, a Biblioteca Pública Pelotense passou por uma restauração, a primeira completa em sua história. Custou 2 milhões de reais, financiados pelo Ministério da Cultura, com patrocínio do Instituto Votorantim. Após a entrega oficial, há um mês e meio (veja o 1º post deste blogue), faltava ir ver como o prédio ficou por dentro.

Sala de leitura, vista da escada de acesso ao piso superior
E ficou como novo. Nem tudo o que há de antigo em Pelotas se perde; muitos prédios são renovados ou reaproveitados, deixando testemunho da riqueza que houve aqui no século XIX, que foi de onde nasceu tamanho nível cultural.

Dona Sônia (foto abaixo) é a funcionária mais antiga, que sabe tudo sobre a Biblioteca. Ela trabalhou aqui 30 anos, aposentou-se e logo voltou, por amor a este lugar. Com um sorriso e uma amabilidade sem fim, ela conta a todo visitante o que sabe deste lugar, por experiência própria.

Uma das coisas que ela sempre diz é que a Biblioteca, em seus 130 anos, nunca teve caráter público, muito embora o nome. Foi fundada e sempre administrada por particulares, gente de fama, riqueza e poder. E de pensamento político republicano. Queria-se uma biblioteca para a cidade, para a educação e a cultura de seus habitantes. Por isso até hoje seus serviços são gratuitos.

Dona Sônia na hemeroteca
Em 1875 foi decidida a construção da Biblioteca, inicialmente num terreno cedido por João Simões Lopes, o Barão da Graça (mais tarde, Visconde). Seu neto João foi um famoso escritor, cujas obras orgulham os pelotenses mas ainda estão muito arquivadas nas estantes, pouco conhecidas e pouco valorizadas.

Nenhuma rua central de Pelotas leva o nome de João Simões Lopes Neto (1865-1916). Não reconhecido por seus contemporâneos, ele assistiu durante sua breve vida à demorada construção da Biblioteca.

Foi de 1881 a 1888 que se edificou a Biblioteca no lugar atual. Portanto, ela tem realmente 120 anos, sendo 93 deles com dois pisos. O material aqui albergado é de grande valor histórico, com muitas obras do século XVIII e até mais antigas.

Na última foto abaixo, olhando para a praça Coronel Pedro Osório, vê-se ao fundo o grande Salão Nobre. Ele não é usado como biblioteca, mas como espaço de reuniões e exposições.

À direita, o corredor transversal onde se apoia a escadaria dupla. Caetano Casaretto foi o arquiteto que criou todo este andar superior, em 1915.

Por estes degraus transitaram os vereadores pelotenses, durante os anos em que a Câmara funcionou neste prédio. Sim, uma verdadeira ocupação do prédio histórico, autolegalizada pelo poder político (e até hoje os vereadores procuram uma sede para o Legislativo municipal).
Do piso superior pode ver-se a entrada e o Salão Nobre, ao fundo.
Fotos de F. A. Vidal.

2 comentários:

teresinha brandão disse...

Muito boas as fotos. Dá para se ter uma "visão", ainda que ampla, da Biblioteca pós-restaurada. Para conferir como ficou realmente, irei até lá.
Uma boa pedida!
Boa iniciativa essa parceria do setor público (Ministério) com a iniciativa privada (Grupo Votorantim). Quem sabe também outros prédios a serem restaurados em nossa cidade tenham a mesma sorte!
Bj, Francisco!
Tê!

Coca disse...

Gostei de saber que os pelotenses estao tratando de preservar uma parte do patrimônio. E agora que tu te lançaste nesta de falar da bibliotece de Pelotas a logica é que fales da irma mais velha e mais famosa, a de Rio Grande.Eu sei, eu sei, nao fica em Pelotas, mas a historia faz com que estejam ligadas nem que seja pelo ponto de vista da concorrência, onde uma representava o poder econômico com o porto e a outra o luxo, o fausto e a cultura. Nao sei ha quantas anda a de Rio Grande, mas ha dez anos atras a situaçao era periclitante...No mais parabéns pela perseverança e a diversidade de temas.