sábado, 29 de janeiro de 2011

Casa solitária


Em zona rural de Rio Grande próxima a Pelotas, Cristiane Neves fez este expressivo registro, em que a casa ermitã contrasta com seu coletivo ao fundo — uma cidade extensa e inalcançável — e todos os que habitam na terra se distanciam de um mundo superior imenso. Simbolismos universais que tocam a alma do espectador.
Foto: Flickr

2 comentários:

Manoel Magalhães disse...

As construções, humildes ou não, assim como os seres humanos, revelam aos olhares atentos as características mais sutis. Do imponente ao simples, não importa, a arte se faz presente, testemunhando que o entorno é singular, rico em simbologia, cuja escrita narra a aventura do homem, abastado ou pobre. As diferenças sociais são imensas, todavia a arte do olhar aproxima o que se supõe irreconciliável. A foto traduz a comunhão entre a cidade - habitada pelos "ricos" - e o universo simples - a casa pequenina, moradia dos "pobres", solitária meio ao campo. O olhar do artista, atento à magia da vida, aproximou esses dois mundos, que a realidade, dia após dia, sem exceção, trata de aumentar o já colossal abismo que os separa.

Francisco Antônio Vidal disse...

Um lúcido comentário, que traduz a profundidade do olhar da fotógrafa.

A imagem contém ao mesmo tempo a simbologia da exclusão (solidão negativa) e o direito à individualidade (solidão inevitável do espírito). As duas convivem, misturando-se a dor interna da carência e a felicidade da consciência mais ampla.

O mais interessante é que a fotografia foi tomada desde fora de Pelotas, incluindo o elemento rio-grandino para formar um conjunto mais universal.