segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O epigrama do poeta se cumpriu entre nós

O Supremo Castigo
Em todos os aeródromos, em todos os estádios, no ponto principal de todas as metrópoles, existe – quem é que não viu? – aquele cartaz..
De modo que, se esta civilização desaparecer e seus dispersos e bárbaros sobreviventes tiverem de recomeçar tudo desde o princípio - até que um dia também tenham os seus próprios arqueólogos - estes hão de sempre encontrar, nos mais diversos pontos do mundo inteiro, aquela mesma palavra.
E pensarão eles que Coca-Cola era o nome do nosso Deus!
Mário Quintana (Caderno H).

Ponto zero do Fragata. O cartaz sugere que todo o bairro pertence a um grande patrocinador (foto 2010).
Foto: F. A. Vidal

domingo, 30 de dezembro de 2012

Arco-íris rouba a cena da lua


O repórter fotográfico Nauro Machado Júnior mostrou quinta (27) no Facebook seu registro das duas pontas do arco-íris que se formou na Lagoa dos Patos ao entardecer.

Na primeira foto (acima), o espetáculo da natureza à esquerda do trapiche. Um arco-íris, que já é belo em si, se faz mais impressionante sobre as águas; poder observá-lo é um privilégio de quem vive perto de uma lagoa assim. O grande anel recorda a primeira Aliança de Deus com os homens após o dilúvio. A visão do mar nos questiona sobre a vigência daquela promessa, e se a humanidade hoje teria direito a um segundo dilúvio.

A segunda imagem mostra a segunda ponta do arco-íris, à direita do trapiche, e as nuvens em cumplicidade com as sete cores. Como explica o repórter das coisas de Deus, o céu queria mostrar-nos algo mais: o luar anunciado para as últimas horas do dia. Mas ficou para outra vez. O texto abaixo é de Nauro para as duas fotos.


A lua, que era a grande estrela da noite, esperada pelo público e pela crítica, ficou escondida por trás das cortinas, depressiva, e decepcionou a todos. 

O nosso amigo arco-íris, que era um personagem secundário, quase inexpressivo, viu o palco todo pra ele, cresceu no papel, encantou a todos e recebeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. 

E o Palco de todo este espetáculo foi nossa encantadora Praia do Laranjal em Pelotas.

Fotos: Nauro Jr

POST DATA
21h O fotógrafo Alexandre Neutzling postou foto do luar que se escondia no Laranjal e apareceu a noite seguinte (veja aqui).

sábado, 29 de dezembro de 2012

O palácio abandonado em pleno centro

Ex-sede do Banco do Brasil (1928-1972) pertence à Câmara, mas espera melhores dias
Hélio Freitag Jr. postou quinta (27) duas fotos do antigo prédio do Banco do Brasil em Pelotas, abandonado pelo poder público há pelo menos uns 15 anos, quando ali deixou de funcionar a Secretaria Municipal de Finanças.

Praça Coronel Pedro Osório 67
Segundo o relato histórico (clique para ler), a propriedade seria passada em 1972 à Câmara para que fosse a sede do Legislativo local, mas foi ocupada pela Prefeitura. Somente em 1997 ocorreu a efetiva posse, segundo consta em placa (dir.).

A imagem acima é, provavelmente, da década de 1990, quando ainda se encontrava na cúpula uma estrutura, a ponto de cair, que funcionava como cobertura do mirante da torre, e foi removida em 2003. O jornalista do Diário da Manhã propõe
que este patrimônio seja entregue restaurado aos pelotenses ainda em 2013. E que a Câmara de Vereadores, se não o ocupar, faça retornar à Prefeitura para que esta dê destino a ele.
A Câmara Municipal de Pelotas, que em seus 180 anos de existência até hoje não possui uma casa própria (veja histórico), não conseguiu o dinheiro e as licenças legais para restaurar este prédio, que a ela se destinava. Enquanto isso, aluga outro palacete que custa aos pelotenses 29 mil reais por mês (veja a nota Belo casarão restaurado).

Imagem maior:  em 2012, o prédio fechado e em progressiva deterioração.
Imagem menor:  fev. de 2003, quando da retirada da cúpula.  Onde estará hoje?
No mesmo espaço do Facebook de Hélio, o ex-vereador Otávio Martins Soares comentou ontem o seguinte:
Confesso que adoeço cada vez que olho o Prédio da Câmara de Vereadores se deteriorando e em completo abandono. Quando Presidente da Casa iniciamos uma negociação com o Banco do Brasil que iria restaurar o Prédio que um dia foi seu, tendo em vista que foi a Primeira Agência do Interior do Estado e a Trigésima Nona do País e ali instalar um Agência Vip no térreo da esquina, servindo os andares superiores para gabinetes e parte administrativa da Câmara. 
O custo seria zero, pois o Banco adiantaria o correspondente a 30 anos de aluguel, além de recursos que poderiam ser captados junto à Fundação Banco do Brasil e outros Programas governamentais. Juntamente com o Vereador José Sizenando, quando Presidente, desapropriamos e pagamos 2 imóveis pela Praça 7 de Julho. Além disso contratamos e pagamos um Escritório de Engenharia e Arquitetura que elaborou as plantas arquitetônica, sanitária e elétrica da Obra. Seguindo as normas que regem esse tipo de Prédio Histórico, seria construído um anexo de 4 andares moderníssimo revestido de vidro fumê, fotocromático, espelhado que refletiria a Imagem do nosso Mercado Público. Inclusive a execução da obra foi paga, pois o banco tinha um determinado tempo para que tudo fosse concretizado. 
Deixei de ser Vereador e vi o sonho acabar. Vibro agora com os novos Vereadores, como Marcos Ferreira que conhece o assunto e retoma a ideia. Senhores Edis, economizemos 30 mil mensais e tenhamos uma Câmara com um Prédio digno de nossa historia arquitetônica, antes que ele desabe.
Apesar das poucas referências visuais, esta foto é com certeza da década de 1930.
Fotos: H. Freitag Jr (1-2), F. A. Vidal (3), G. P. Almeida (4)

domingo, 23 de dezembro de 2012

"Nossa Senhora do Amor", livro sobre Locatelli

O pintor italiano Aldo Locatelli  é a inspiração central do novo livro de Manoel Soares Magalhães, a ser publicado em 2013. Hoje (23), em simbólico presente de Natal, o escritor pelotense antecipou, no seu blogue Cultive Lero primeiro capítulo desta obra, que é um romance fictício cheio de detalhes reais de Pelotas e seus personagens. 

O diálogo relatado ocorre entre Locatelli aos 34 anos de idade e Dom Antônio Zattera aos 50 (pessoas reais, situação imaginada, supostamente em 1949). Outros personagens históricos mencionados: Emilio Sessa, pintor assistente de Locatelli, e o padre Giordani, então pároco da Igreja de São Pelegrino.


Zattera (C) no Vaticano em 1950
O que se deve manter oculto é aquilo que não confessaríamos a nós próprios.

Com tal pensamento, Dom Antonio olhou pela janela o dia sombrio que se arrastava lá fora. Estatura mediana, rosto redondo, o religioso tinha nos olhos sua principal característica. Eram levemente piscos, denotando grande inteligência e perspicácia. À beira de completar cinquenta e cinco anos, Dom Antonio sentia-se em crise. De fé? Não necessariamente, afirmava de quando em quando. Parado à frente da janela, observava a chuva tamborilando nos telhados da vizinhança do Bispado. Chuva que começara forte às primeiras horas da manhã, mas àquela hora da tarde, pouco depois das quatorze horas, amainara.

O bispo esfregou as mãos frias, batendo levemente os pés no chão. O frio úmido subia-lhe pernas acima, entorpecendo-as. Não tinha na memória lembrança de inverno tão rigoroso em Pelotas. Coçou o queixo bem escanhoado, avaliando a situação na qual fora envolvido à revelia. Era o responsável pela vinda de Aldo Locatelli à cidade. Não podia, entretanto, responsabilizar-se pelos seus atos.

Seus dias na cidade talvez já estejam contados. O Pe. Eugênio Giordani ficou bastante impressionado com o trabalho de Locatelli, e por certo irá contratá-lo para decorar a Igreja de São Pelegrino, em Caxias do Sul. Isso seria formidável! Mão às costas, dirigiu-se à mesa de trabalho, sentando-se. Ouviu passos no corredor. Seria ele? Que bom que fosse, pois desejava resolver aquela situação com a máxima urgência. Os mexericos que corriam pela cidade o estavam incomodando.

A porta se abriu, dando passagem a um jovem padre de olhar malicioso.

— Senhor, ele está aqui.

— Que bom! Faça-o entrar.

Aldo Locatelli (1915-1962)
Padre Afonso, com um meneio de cabeça, observando o recém-chegado com o canto dos olhos, deu passagem ao pintor italiano, cujo brilho intenso do olhar nuançava forte personalidade. Alto, rosto enérgico, como que talhado em pedra, cabelo escuro penteado para trás, parou em frente à mesa de Dom Antonio, levando as mãos às costas.

— Sente-se — disse o bispo, apontando uma das duas cadeiras postas frente à escrivaninha. Locatelli acomodou-se, cruzando pernas.

— Que bom que o senhor veio — comentou o bispo, olhando o artista fixamente.

Não gostava muito de fixá-lo de frente. Não que tivesse medo. Não fora educado para temer os homens. Fora, antes, disciplinado para conduzi-los, orientá-los na vida, indicando-lhes caminho do Senhor. Porém, temia que o artista enxergasse em seus olhos o que tentava, ao longo dos dias, esconder de si mesmo. Havia, entretanto, outros motivos para recear aquele olhar. O mundo da arte, quem sabe, com seu viés, seus labirintos, seus caminhos perigosos... Não; não temia olhá-lo assim de frente; todavia, melhor não fazê-lo repetidas vezes, pois o não-dito, o não-sabido eram coisas que ele não estava disposto a considerar. Até porque seu mundo era muito claro, muito explícito. Os mistérios a considerar eram os mistérios de Deus. Sim; estava apto a discorrer acerca dos desígnios superiores. Acerca de coisas escorregadias... nem pensar.

— Estranhei seu convite, Dom Antonio — disse Locatelli.

O bispo acomodou-se melhor, pois sabia que sua tarefa seria espinhosa.

— Ora, um estranhamento sem motivo — volveu o religioso, usando de subterfúgio para aliviar a tensão.

Ponto para o pintor, obrigando-o a agir de forma não usual. Locatelli sorriu, descruzando as pernas, tornando a cruzá-las outra vez. Desde que recebera o convite de Dom Antonio para um encontro, encontro não programado, desconfiava de suas intenções. Gostava do religioso. Desde que o conhecera na Itália, aprendera a respeitá-lo como um digno representante de Deus. Por essa razão entendia seus motivos, ainda que fossem absolutamente discutíveis. Acaso fosse outro bispo a convidá-lo para entrevista tão inusitada, não o atenderia.

— Fui comunicado de que há um probleminha na Escola de Belas Artes.

O pintor sorriu, mostrando os dentes serrilhados. O brilho do seu olhar tornou-se ainda mais intenso.

Batismo de Jesus (Catedral de Pelotas)
— Pelo que me consta, Dom Antonio, a situação na escola está normal.

— Normal? — perguntou o bispo, apertando as mãos uma contra a outra.

— Sim, normal.

O bispo engoliu em seco. Diacho de homem mais teimoso!

— Caro maestro — disse mansamente o bispo, medindo bem as palavras. — Respeito sua arte como ninguém. Até porque sou responsável pela sua vinda a Pelotas. O trabalho que o senhor realiza na Igreja é irretocável, o que demonstra, inegavelmente, a grandeza do seu talento. Entretanto, já não se pode dizer o mesmo do método de ensino empreendido na Escola de Belas Artes. Não é, digamos, nada ortodoxo.

— O senhor está se referindo aos nus artísticos?

Dom Antonio não esperava que o italiano fosse tão incisivo.

— Exatamente.

O pintor pôs-se de pé, dirigindo-se à janela, onde olhou as nuvens carregadas que o vento levava em direção ao sul. Bem que Emilio o havia prevenido quanto ao puritanismo daquela cidade. Trabalhar com nu artístico era por demais ousado, dissera-lhe o amigo. Não lhe dera ouvidos. Aliás, quase nunca dava ouvido a quem quer que fosse. Mercedes, sua esposa, tinha-o como um dos homens mais teimosos que conhecera. Mais ainda que seu velho pai.

Voltou-se para Dom Antonio, olhando-o firmemente.

— Trata-se de arte, dom Antonio. Arte!

— Uma arte ousada demais, o senhor não acha?

Locatelli aproximou-se da mesa, permanecendo de pé, olhando o religioso de cima a baixo. Tinha impressão de que o bispo, aos poucos, ia sumindo na cadeira. Poderia dizer a ele que seus dias em Pelotas estavam contados, que logo estaria em Caxias do Sul, abandonando a Escola de Belas Artes. Resolveu, porém, brincar com o religioso.

— Como o senhor imagina que eu trabalho, Dom Antonio?

"Expulsão do Paraíso" (Igreja de São Pelegrino)
Aquela cadeira, definitivamente, tinha pregos no assento, pensou o bispo, profundamente perturbado com o olhar do italiano. Gostaria de ter resolvido a situação de outra forma. Todavia, algumas paroquianas, respeitáveis paroquianas, o instaram a tomar medidas enérgicas, visando acabar com aquela sem-vergonhice.

— Não entendi a pergunta.

— Refiro-me, Dom Antonio, aos meus personagens, o Evangelista São Mateus, os anjos que cantam à entrada de Jesus em Jerusalém, São Pedro e São Paulo, e tantos outros, os quais, antes de se constituírem em pinturas sacras, foram inspirados em gente. Gente nua, Dom Antonio, de carne e osso... Com sangue nas veias!

O religioso indignou-se.

— O senhor inspira-se em modelos vivos. Até aí tudo bem. Mas levar à Escola de Artes esse método de estudo não lhe parece avançado demais para nossos costumes?

Locatelli deixou escapar nervosa gargalhada.

— Ora! Não estamos mais na Idade Média. Admito que existem algumas senhoras incomodadas... Um coro de poucas vozes, Dom Antonio! Não podemos sacrificar o estudo dos alunos por causa dessas poucas e preconceituosas pessoas.

Dom Antonio ficou de pé, levemente ruborizado. Tremiam-lhe as mãos, e um suor indesejado escorreu pelas têmporas. Que italiano desaforado! Mas, no fundo, tinha razão. Os modelos vivos são largamente utilizados nas escolas de arte. Indispor-se com Locatelli por causa de algumas senhoras escandalizadas não estava em seus planos. Todavia, a situação fora criada. Precisava, urgentemente, resolvê-la, até porque não desejava polemizar com aquele artista temperamental. Por essa razão, seria bom dar fim àquela desagradável entrevista.

Aproximou-se do pintor, pegando-o do braço, levando-o em direção à porta.

— Meu caro maestro — disse Dom Antonio, voz conciliadora. — Pense um pouco sobre o assunto.

— Pensarei, Dom Antonio — volveu Locatelli, sabendo de antemão que não faria nada para alterar a ciência de seu trabalho.

— Fico feliz — respondeu Dom Antonio, abrindo a porta, estendendo a mão ao muralista. — Até mais ver. Recomendações à senhora Locatelli.

O italiano apertou a mão de Dom Antonio; uma mão fria, úmida.

— Até outro dia, Dom Antonio.

Tão logo o artista deixou seu gabinete, o bispo afundou na cadeira. Padre Afonso entreabriu a porta.

— Deseja algo, Dom Antonio?

— Sim, padre Afonso... A paz que não existe na terra.

Detalhe de "Juízo Final e cenas do Dies Irae" (Igreja de São Pelegrino) 
Fotos: UCPel (1), A. Neutzling (3), Blog Cleberson (4-5)

sábado, 22 de dezembro de 2012

O vampiro Pelotudo volta ao caixão

Este é o último post do Amigos de Pelotas, que encerra atividades nesta quarta (19/12). 
[...] Depois de idas e vindas, muitas hesitações, decidimos que o Amigos de Pelotas vai deixar de existir. Seu falecimento ocorrerá no princípio de janeiro. Dias depois nascerá outro espaço, com outros nome e eixo editorial. 
Felizmente, minha disposição para começar no novo projeto é maior que a saudade que já sinto do Amigos de Pelotas.  
Foi uma experiência inesquecível para mim. No fim das contas, a jornada, iniciada lá em 4 de abril de 2008, até que foi divertida. Abração.

Com essas palavras, o blogue noticioso-satírico Amigos de Pelotas parou de publicar esta quarta (19), após 4 anos e 8 meses e meio na internet. Estava nesse dia com cerca de 4 milhões 670 mil acessos e segue mantendo a média de uns 2 mil por dia. Rubens Amador Jr. anunciou que tirará o blogue totalmente do ar em janeiro e abrirá a seguir um novo sítio jornalístico, com linha editorial ajustada às razões que o levaram a fechar o projeto do Amigos.

As principais razões para este corte foram as seguintes, em suas palavras: "Pelotas mudou", haja vista os resultados das eleições municipais e na reitoria da UFPel, e "eu mudei", aludindo a perdas e decepções pessoais recentes. Com essa renovação de dentro e de fora, o estilo ultracrítico do blogue deixa de ser funcional ao amadurecimento. Algo assim como um adolescente revoltado e combativo que precisa mudar de roupagem quando consegue evoluir na direção do repouso e do equilíbrio.

Outros dois motivos que não mencionou são a incomodidade com o modelo de blogues do Google, com limitada capacidade (centenas de posts vinham sendo deletados desde 2008, de um total ao redor de onze mil postados até hoje), e a permanente agressividade de uma ala do público leitor, amarrada à fase rebelde e que, paradoxalmente, impede as melhorias mentais e sociais. Este grupo foi comparado por um ex-colunista com um "bando de moscas esvoaçantes", persecutórias e onipresentes. Trazer a Pelotas tantas críticas, nojos e perplexidades foi como mexer num ninho de vespas.

O Blog do Noblat indicou o Amigos de Pelotas em 2010
O primeiro post dizia simplesmente o seguinte:
Amigos, 
depois de 22 anos morando fora de Pelotas, resolvi voltar. Transito pelas pedras da cidade há um mês, um pouco perplexo com a paisagem.  
Algumas cenas me parecem surreais, como as matilhas de cães abandonados que vagueiam pelas ruas, sob olhares complacentes, como se vacas fossem e estivéssemos habitando em Bombaim.  4/04/2008 11:25:00 AM

Um mês depois (14-5-08), o mesmo espanto com a decadência e o abandono evoluiu para uma postagem com humor e uma imagem ilustrativa (abaixo), inclusive autoalusiva aos pelotenses que retornam e à cidade decadente que atrai mendigos.

Cães de todos os lugares migram para Pelotas

Assim que perceberam que, em Pelotas, a prefeitura e boa parte da população tratam os cachorros como se fossem vacas sagradas da Índia, uma matilha interminável de cães de vários pontos do País se vem deslocando para a cidade.

No momento, encontram-se nas imediações de Camaquã, mas logo estarão desfilando ou dormindo no calçadão.

Com o tempo, o blogue publicaria longas entrevistas e reportagens, além de reiterativas denúncias contra as pequenas e grandes corrupções dos governantes e dos habitantes. Com maior ou menor acidez, a ironia e o sarcasmo marcaram a linha editorial, deixando em segundo plano a gentileza e o carinho pela cidade que nos viu nascer e crescer.

Junto com diversos colaboradores que assinavam com seus nomes, ou mesmo com pseudônimos, o incansável editor expressou suas críticas mediante personagens por ele criados, com inspiração em pelotenses: Lolita Naja, o cachorro Arrastão, o sábio João, o ponderado Sérgio Estanislau (homenagem a Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta), o colunista Pelotino, o bobão Jocilei e outros. Escritores reais e fictícios agora se calam e ficarão arquivados na memória pessoal e coletiva, para que novas vozes surjam.

O colunista Pelotudo D'Almas, atualização do Conde Drácula (na imagem do ator Bela Lugosi) ilustrou a elegância centenária e o hipócrita oportunismo dos ex-ricaços locais que o editor, pelotense de nascimento, de coração e de criação, quis satirizar para abrir os olhos dos leitores (o artigo abaixo saiu em 18 de abril de 2012). Ele volta ao caixão subterrâneo de nosso inconsciente, para de vez em quando assombrar nossos sintomas sociais e nossas eventuais autocríticas. Mas a cidade seguirá no divã, em interminável análise.

Se todo esse esforço e talento não transformaram a cidade totalmente, pelo menos geraram reações dentro e fora de Pelotas, na esquerda e na direita, entre universitários ou donas-de-casa, na internet e em veículos impressos, inclusive dando origem, indiretamente, a outros blogues, como o Cultive Ler, os escritos de Cláudia de Lira  e este próprio "Pelotas, Capital Cultural", vozes que dão tons diversos no coral de uma cidade que busca reinventar-se e redefinir os pesos de seu passado.

Chupar sangue é uma arte

Pelotudo: 200 anos chupando sangue alheio

Pelotudo D'Almas
Para o Amigos

Como você sabe, tenho a idade de Pelotas. Na verdade, sou um pouco mais velho, já que nasci em outras paragens abastadas. Logo, há mais de 200 anos eu vivo de chupar o sangue dos outros.

Sempre me dei bem nessa minha incontrolável obsessão. Nunca fui apanhado. Em dois séculos, jamais conseguiram enfiar uma estaca no meu coração, apertar um crucifixo contra o meu peito ou me surpreender com um jato de luz do sol. Uma vez um promotor do Ministério Público tentou, mas não conseguiu me enrolar num cordão feito de alho.

A necessidade fez com que eu aprendesse a me defender. Logo assimilei uma lei importante na vida de todo vampiro: "Primeiro eu, depois eu, depois os outros".

Nem mesmo em minhas viagens a Paris e a outras capitais desse mundo louco eu deixei de cravar meus afiados dentes nos pescoços disponíveis para chupar minha cota diária de sangue, que tanto me faz bem.

Sou um vampiro em paz com minha condição. Pouco a pouco imprimi método à minha rotina alimentar, procurando fazer de cada sugada um momento de arte. Esse rigor me transformou num aristocrata, algo que refinei quando mudei-me para Pelotas. Aqui aprendi que chupar sangue pode ser uma virtude.

Em toda minha longa vida, por exemplo, nunca fiz como esses vampirinhos emergentes de hoje, que denunciam a proeminência de seus pontiagudos caninos por causa de seu deslumbre, alumbre ou desbunde, tanto faz.


* Pelotudo tem mais de 200 anos. Gosta muito da cidade. Sempre que pode, brinda a ela com Bloody Mary. Mora num caixão hidráulico, no subsolo do Mercado Público.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Mercado, um postal para Pelotas


O Mercado Central, em reformas há três anos, será apresentado à população por segunda vez hoje (20), a partir das 18h, com uma solenidade (às 19h 30min) que incluirá discursos, apresentações artísticas e Papai Noel. O momento marca o fim do processo de restauração, mas sem que ainda as bancas estejam ocupadas, o que ocorrerá depois de fevereiro, em data que dependerá da decisão do futuro prefeito.

No dia dos 200 anos (7 de julho de 2012), o prédio foi aberto à visitação por um par de horas, sem estar terminado nem ter oficializado seu mix comercial. O processo iniciou em 2008 e foi pensado para um ano e meio, ficando os comerciantes distribuídos em locais provisórios, até 2010, segundo se calculava. A reforma anterior foi feita há cem anos, quando se instalou o Relógio, trazido da Alemanha. No fim da década de 1960, um incêndio destruiu totalmente o Mercado, mas o prefeito Alves da Fonseca decidiu recuperá-lo.

Após décadas de usar um espaço em franca decadência, a saída deles em 2009 gerou resistências e protestos, e muitos deles voltarão a instalar-se em 2013, mas em condições bem mais exigentes. A comunidade espera ter um Mercado ao mesmo tempo tradicional e moderno. Leia a notícia oficial publicada ontem (19).
Foto: Rafa Marin

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Circulu's saúda os fãs


Circulu's Lanches abriu há dois dias um canal de vídeos e postou esta saudação natalina dirigida a seus fãs. O ex-trêiler chegou rodando há 21 anos e criou raízes na Três de Maio 850 (esquina com Félix da Cunha), sendo hoje uma construção privada instalada em plena rua, com telefone, água e eletricidade. Seu salão de refeições é a calçada, atendendo também aos carros estacionados e por tele-entrega.

Sempre com fama de boa cozinha, funciona todas as noites (exceto domingos e feriados), e tem um irmão caçula de mesmo nome que é uma lanchonete estabelecida numa casa normal, na Marechal Deodoro 1011 (antiga Fábrica de Mosaicos), que atende manhãs e tardes.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Metas culturais sem cumprir

Há quatro anos, Fetter Júnior ganhou as eleições municipais para o período 2009-2012, que agora termina. Na época, o blogue Amigos de Pelotas anotou seis itens (das áreas cultura, esporte e lazer) do Plano de Governo (PG) do progressista, copiados da página virtual do candidato (v. Para cobrar: promessas de Fetter, postado em 25-11-08).
  • Criar bibliotecas de bairros a partir de parcerias com entidades públicas e privadas (PG, p. 32).
  • Construir um largo na beira da laguna no Balneário dos Prazeres, qualificando esse espaço de lazer da comunidade (p. 70).
  • Construir um Ginásio com capacidade para 3.500 pessoas (p. 74).
  • Reformar o Ginásio João Carlos Gastal (p. 74).
  • Construir um Centro de Formação de Atletas ( p. 74).
  • Dar continuidade aos trabalhos já iniciados de construção e qualificação de espaços esportivos na comunidade (p. 75).
O ginásio do Colégio Municipal Pelotense tem 50 anos
Em maio de 2012, o mesmo blogue citou duas de "15 ações prioritárias" para execução até o fim do ano, coordenadas pela primeira-dama Leila Fetter (v. Prioridades essenciais do governo Fetter).
  • Implantação do Parque do Bicentenário;
  • Transferência do monumento Sentinela Farroupilha, do escultor Antônio Caringi, da Praça Vinte de Setembro para o prolongamento da avenida Bento Gonçalves, mais perto da avenida Duque de Caxias.
Se estas metas não se cumpriram, podem ficar para o próximo prefeito ou poderão arquivar-se como sonhos impossíveis. Em dezembro de 2012, outros grandes objetivos ainda estão a meio caminho e deverão ser executados pelo governo que inicia em 2013 ou pelo seguinte (reforma do Teatro Sete de Abril, Rua do Doce, instalação do Museu da Cidade, retirada de todos os camelôs, implantação de ciclovias, legalização das lancherias de calçada e outros).
Foto de E. V. Nunes (Panoramio)

    segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

    Cidade sem ônibus, em mãos de um segmento

    Privados ocupam parada pública e lucram com transtorno da comunidade
    Pelotas está sem serviço público de ônibus há cinco dias, por um conflito entre os empresários, a Prefeitura e os empregados do transporte urbano (v. notícia de quarta 12). Estes últimos não aceitaram o aumento de 8% oferecido, que se originaria num aumento em 20 centavos da tarifa para os usuários; exigem também, com esta ação de força, que a tarifa não sofra aumento.

    Este ano, o governo municipal iniciou mudanças na área do transporte público, o que trará, com os anos, leves e progressivos aumentos no preço e diversas modernizações dos serviços. Uma das inovações já visíveis é a ampliação das ciclovias.

    Nestes quentes dias próximos ao Natal, além de ter que pagar mais pelo ônibus, a população que não tem veículo próprio ainda sofreu este transtorno da vida cotidiana. Desde quinta (13), lotações privadas (na foto acima, parada da Floriano) e mototáxis autônomos "ofereceram" o serviço e transporte pelo dobro do preço, o que, além de ser clandestino (contra a lei), vai contra a ética social e a solidariedade cidadã (v. notícia de quinta 13).

    Ninguém reclama, pois o preço chega a ser umas sete ou oito vezes mais barato que um táxi pelotense e porque, na lei da selva em que vivemos, cada um trafica com a mercadoria que tem. Parafraseando o ditado popular: quem pode paga; quem não pode pedala.

    Parada na Osório com táxis clandestinos, bem mais "baratos"
    Este domingo (16), quando as lojas ficaram abertas à espera de consumidores, o público optou por não vir ao centro da cidade (v. notícia de hoje). A parada da General Osório que vai da Marechal Floriano até a Sete de Setembro (esq.) esteve toda ocupada por uma dezena de carros com improvisados itinerários e cobrando 5 reais por pessoa.

    A imprensa tem noticiado esta situação sem qualificar a greve, nem se referir ao desamparo da população nem à ilegalidade dos veículos particulares que lucram com a situação. Por seu lado, a Justiça do Trabalho ordenou que as empresas pelo menos circulassem com 30% da frota e, nos horários altos, com 60% (leia a notícia), o qual não foi obedecido.

    Povo e governo são pressionados por um segmento rebelde, enquanto alguns piratas aproveitam-se dos problemas alheios. Num país normal, a força do Estado deveria intervir para resguardar o bem-estar geral da comunidade.
    Fotos: M. Vasconcellos (1) e F. A. Vidal (2)

    POST DATA
    17-12-12, 23h
    A greve terminou e os ônibus começarão a sair às ruas esta meia-noite (v. notícia).

    quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

    "O mate do João Cardoso" fecha o ciclo centenário

    Chega ao fim esta quinta (13) o ciclo de palestras  "Contos Gauchescos 100 anos da escrita, 100 anos de leituras", organizado pelo Instituto João Simões Lopes Neto para comemorar o centenário dos contos primeiramente publicados por Simões desde 1912 (leia o livro completo Contos Gauchescos).

    Donaldo Schüler, "300 Onças" 2012
    No 19º e último encontro da série, o escritor e professor Donaldo Schüler (esq.) falará sobre “O mate do João Cardoso” (leia o texto completo do conto). No vídeo abaixo, dados biográficos do escritor, que foi premiado em 2012 com uma das Trezentas Onças (v. nota neste blogue).

    Ao longo do ano, nas 18 palestras anteriores, foram propostas novas interpretações acerca dos Contos Gauchescos. Entre análises históricas, literárias, filosóficas e geopoéticas, diversos estudiosos - inclusive alguns de fora de Pelotas - lançaram diferentes olhares sobre a obra centenária do escritor pelotense (v. nota do blogue do Instituto). Agora finalmente chegou a vez do Mate do João Cardoso.

    Desenho de Bruno Campelo
    para "O mate do João Cardoso"
    Curiosamente, o conto que mais esperou a vez, no ciclo que durou vários meses, foi aquele que se refere aos mates prometidos pelo personagem mas que demoravam muito a chegar. Segundo o próprio escritor, o tal caso gerou uma expressão antiga, não dicionarizada, que se refere a algo que é muito anunciado mas nunca chega a acontecer: "coisa tão demorada como o mate do João Cardoso".

    No breve relato, Blau Nunes descreve os traços de João Cardoso (falador, enrolador) e aproveita de mencionar a data do primeiro jornal editado em nossa cidade, O Pelotense. Antes de existirem jornais, já havia jornalistas, e os noticiários eram na hora do mate... mesmo que não houvesse mate.
    Bom velho, muito estimado, mas chalrador como trinta e que dava um dente por dois dedos de prosa, e mui amigo de novidades.  
    Também... naquele tempo não havia jornais, e o que se ouvia e se contava ia de boca em boca, de ouvido para ouvido. Eu, o primeiro jornal que vi na minha vida foi em Pelotas mesmo, aí por 1851.
    Segundo os pesquisadores Monquelat e Marcolla, o aludido João Cardoso do conto de Simões Lopes foi inspirado em João Cardoso da Silva, que teria sido o verdadeiro pioneiro das charqueadas em nossa região, em vez de Pinto Martins. A teoria foi apresentada no livro "Desfazendo Mitos: Notas à História do Continente de São Pedro" (Pelotas, Livraria Mundial, 2012).


    Fim do mundo chegou, está no meio de nós

    O fim do mundo não é no dia 21 de dezembro de 2012.

    O fim do mundo são os arrastões e assassinatos em São Paulo. É a onda de violência em Santa Catarina. É o furacão em NY. É o goleiro que manda matar a mãe do filho. É a bala perdida que mata a criança. É a mulher que mata a pauladas o cachorro. São os ataques terroristas que matam inocentes. É o aluno que agride o professor. É o professor que agride o aluno. São os adolescentes que planejam matar o colega. É quem ainda joga lixo na rua. São as brigas entre torcidas. É a menina que é estuprada dentro do ônibus. É o ladrão que tem regalias na prisão. É o político que rouba na maior cara-de-pau. É quem vê um acidente e não presta socorro. É quem presencia uma injustiça e não faz nada. É quem age com imprudência no trânsito. É quem age de má fé na vida.

    Por isso, o fim do mundo é todo dia.
    Norma Alves
    No princípio, o Espírito de Deus se movia sobre as águas. No fim, também.
    Foto e texto: Facebook

    segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

    Eleições para CONCULT: a parte do povo

    O Conselho Municipal de Cultura (CONCULT) renovará a sua composição popular para o período 2013-2014 com os votos da comunidade pelotense. Além de membros designados pela Prefeitura, pela Câmara e pelas universidades (UFPel e UCPel), o Conselho é integrado por representantes de entidades não ligadas ao Estado que por sua vez representam 6 áreas da cultura. A produtora cultural Beatriz Araújo presidiu a entidade no período 2011-2012.

    Assim, nesta terça (11) das 9h às 17h30, todos os cidadãos - artistas ou não - poderão ir à SECULT (Praça Coronel Pedro Osório nº 2) com documento de identidade e escolher um dos candidatos (veja notícia).

    Entrada da SECULT, vista por quem sai
    Os eleitos deveriam ser doze (6 titulares e 6 suplentes), mas, como os dez inscritos não cobrem as funções necessárias, sabe-se de antemão que os eleitos serão 9.
    • Artes Cênicas:
      Ana Lúcia Ortiz Alt.
    • Artes Visuais:
      Alexandre de Mattos Meirelles,
      José Luiz de Pellegrin e
      Pedro Luis Marasco da Cunha.
    • Literatura:
      João Eduardo Keiber e
      Terezinha Lorena Pasqualotto.
    • Manifestações Populares:
      Carlos Alberto Jardim Cogoy
    • Memória e Patrimônio:
      Maria de Fátima Bento Ribeiro e
      Nóris Mara Pacheco Martins Leal.
    • Música:
      Carlos Roberto Soares Ferreira.
    Os candidatos únicos asseguram sua eleição (se tiverem um voto ou mais) e sabem que deverão funcionar sem substituto. Sendo dois candidatos por área, a votação determinará quem assume a função e quem fica de suplente. Nesta ocasião, o único inscrito a não eleger-se será o que tiver menos votos na área de Artes Visuais.

    Desde que o Conselho se formou, há seis anos, contou somente com a indiferença do governo Fetter, chegando a haver momentos de confrontação para ser convocada uma Conferência Municipal de Cultura. Na época, o vereador Eduardo Leite deu um entusiasta apoio aos artistas e trabalhadores da cultura, e se espera agora que a comunidade também se comprometa para participar no Conselho, lado a lado com este novo prefeito amigo da cultura.
    Foto: F. A. Vidal

    POST DATA 
    13-12-12
    Veja notícia sobre a composição popular do CONCULT para o novo período.

    Cisne negro ou cisne branco

    O 3º ciclo Filosofia e Cinema (v. nota) debateu, ao longo de 2012, sobre filmes com temática psicológica, especificamente as várias formas de loucura, algumas de origem social e manchando os psiquismos, e outras saindo das entranhas do indivíduo e atrapalhando a sociedade (v. lista dos 30 títulos).

    Na penúltima sessão, sexta 30 de novembro, o público viu "Cisne Negro" (2010), dirigido pelo norte-americano Darren Aronofsky. Após a projeção, por mais 45 minutos o público discutiu sobre os significados do filme, com a condução da mesa: o coordenador do ciclo, Luís Rubira, e o psicanalista Jorge Velasco (última foto abaixo), que começou comentando as implicações psicológicas da história.

    Nina é uma bailarina destacada, totalmente dominada pela mãe, e que se vê desafiada a desempenhar dois papéis contrapostos no balê de Tchaikovsky O Lago dos Cisnes: a branca Odette e a obscura Odile, transformadas em cisnes e competindo pelo amor do príncipe Siegfried.

    A história do filme transcorre em narração paralela ao roteiro do balê clássico, com as meninas em conflito em torno ao diretor: conflitos internos da bailarina central (que imagina uma competidora) e conflitos entre as outras bailarinas, preferidas ou abandonadas pelo mesmo diretor.

    A história também elabora o final trágico do balê: neste, os amantes morrem um por causa do outro (como em Romeu e Julieta, de Shakespeare) e no filme, a protagonista fracassa em sustentar a divisão interna para representar os dois papéis.

    A falta de contato com a realidade e a dominação sofrida pela mãe narcisista fazem que Nina, despertada para o Cisne Negro dentro de si mesma, queira eliminar o lado branco (que considera perigoso e poderia ser um falso self, na terminologia de Winnicott). O desejo de eliminar o que é perigoso está na base dos comportamentos humanos mais primitivos e origina também os crimes passionais, o terrorismo e a repressão do Estado à delinquência.

    A fantasia da personagem quer manter vivo o lado negro, que o diretor valorizou nela, pela eliminação do branco. No entanto, sua mentalidade dividida não permite a unificação nem a sobrevivência da dupla (falsidade-verdade, bondade-maldade, perfeição-espontaneidade). Talvez tardiamente possamos descobrir que um falso self não morre nunca; somente é utilizado por um "verdadeiro self" que vem a despertar e assumir a condução da personalidade, antes banalizada por aparências e conveniências.

    A bailarina consegue representar em sua mente e em sua carne a contraposição entre os dois cisnes (o que ela entende como "perfeição" e realismo total). No entanto, podemos aprender a viver e superar esse conflito de modos mais abstratos e inteligentes, sem atuações tão viscerais e definitivas que nos levem a um beco sem saída. O filme não mostra como se faz isto, pois seu roteiro apontava somente à fragmentação da débil estrutura de Nina.

    Em momentos de crises de crescimento, o homem duvida entre o agradar neurótico (o bem branco) e o desabafar psicótico (o mal negro). Cada um lhe dá graus e formas diferentes de prazer e lhe falam ao ouvido como um anjinho e um diabinho, como a Bela e a Fera. As duas vozes são contraditórias, mas se preservam uma à outra, não se eliminam. São tendências da mesma pessoa.

    Professor de Psicanálise Jorge Velasco (de branco),
    em integrado diálogo com prof. Luís Rubira (de negro)
    A pessoa que quiser o equilíbrio deverá fazer as duas partes dialogarem e conviverem, sem fugir nem se atacarem. Quem não conseguir essa convivência, ficará no chamado estado esquizofrênico.

    De forma parecida, a sociedade não elimina o mal dentro de si ao eliminar os perversos e psicopatas, pois sempre surgirão outros. A repressão em grau médio mantém o sistema neurótico (com tensões e doenças), mas o recrudescimento da violência social e do Estado agravam a divisão mental e fazem os mais fracos explodirem em surtos psicóticos.

    Sobre o mesmo filme aqui comentado, veja uma leitura junguiana e um comentário da Soc. Paulista de Psicanálise.

    domingo, 9 de dezembro de 2012

    Procópio Ferreira e seu maior aplauso

    Teatro Guarani lotado, em 2010, no 1º Festival de Jazz
    A Geral, acima das 2 linhas de camarotes, foi fechada nos anos 60
    O teatro era o Guarany. O ano exato não me recordo, mas devia ser na década de 1940. No palco, Procópio Ferreira e Suzana Negri. Sei que a peça chamava-se “Ciúme”, de autoria de Louis Verneuil.

    A casa estava lotada e aquele trabalho teatral tinha a singularidade de ser, todo ele, um diálogo entre os dois protagonistas citados. Procópio estava soberbo e Suzana Negri, experimentada atriz, seguríssima no seu personagem.

    Eis que, em determinado momento, alguns engraçadinhos começam a proferir gracinhas lá no “poleiro”, a chamada “geral”, onde os preços eram bem populares. Naquele tempo, excluindo o Capitólio, todos os demais cinemas e teatros possuíam essa dependência, de cambulhada com pessoas que procuravam diversão a baixo custo. Frequentavam-na muitos maus elementos que com frequência prejudicavam o bom filme ou a boa apresentação teatral, com assovios e algumas piadas pesadas, acobertados sempre pela luz tênue do ambiente.

    A princípio, Procópio mostrou-se com aparente indiferença e, com sua grande experiência teatral, continuou representando, sem se mostrar agastado com as impertinências. Os recalcitrantes, cada vez mais importunos.

    O grande Procópio, então, ergue sua mão direita para Suzana Negri, que com ele contracenava, pedindo-lhe que interrompesse o diálogo. Suzana, frente a uma lareira crepitante, à direita do palco, silenciou e assumiu uma postura digna e elegante.

    Procópio volta-se para a plateia, de frente, dando uns passos até a boca de cena. Faz, de início, um breve silêncio, como a medir as palavras, dominando o público, em estado de nervosa expectativa.

    Então fala mais ou menos assim: cabeça erguida para a galeria perturbadora:
    Biografia editada em 2000 pela Rocco
    Senhores, eu sou um artista que ganha para representar. Muito jovem iniciei minha carreira. E enfrentei diversos públicos com minha arte. Daí conhecer inclusive a espécie de público que hoje se manifesta em lugar errado. Desde que a casa esteja lotada, como hoje, eu poderia fazer apenas o meu trabalho e sair daqui satisfeito, apesar do mau comportamento de meia dúzia de cidadãos que por certo erraram a porta.  
    Estou a lhes dizer isto, não pela desatenção ao nosso trabalho, meu e de Suzana, mas pelo insulto que estão proferindo com tal conduta, à platéia de Pelotas, que aqui está (apontando para os camarotes), frisas e cadeiras todos estão tomados, literalmente, com que esta cidade tem de mais representativo: esta platéia que, pelo seu elevado grau de cultura é respeitada em todo o País. 
    Creiam, eu não me sinto pessoalmente ofendido pelo seu condenável procedimento, a não ser, como já disse, por este público que aprendi a adorar nas diversas vezes em que aqui estive em seu convívio. 
    Por isto tudo é que eu, inimigo da violência, prometo-lhes: se não se comportarem adequadamente, em consideração ao meu público, mandarei evacuar as galerias!

    Voltou-se para Suzana Negri, e retomou o diálogo da peça, imperturbável. Mas teve de parar novamente por cerca de dez minutos, enquanto ouvia, emocionado, o que talvez tenha sido o maior aplauso de toda sua vida.

    Rubens Amador

    • João Álvaro de Jesus Quental Ferreira (1898-1979), o Procópio Ferreira, viveu 80 anos [v. biografia]. Adotou o nome artístico por haver nascido no dia de São Procópio, 8 de julho.
    • Esteve em Pelotas em várias ocasiões, uma delas em 1947, que pode ter sido a referida nesta crônica. Em 1969, foi declarado Cidadão Pelotense pelo Prefeito Municipal (v. lei 1784).
    • A Editora Rocco lançou uma biografia baseada em seus manuscritos: Procópio Ferreira apresenta Procópio.
    • "Ciúme" (1946), com Bette Davis e Paul Henreid, baseou-se na peça de Verneuil (v. sinopse do filme com vídeo do trecho do concerto para violoncelo).

    quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

    Mesma cidade, novo olhar


    ‎Quando abro a cada manhã 
    a janela do meu quarto
    É como se abrisse o mesmo livro 
    numa página nova...
    "A cor do invisível"

    A vida é a mesma, mas, ao longo de seu transcurso, pode ser vista com novos olhos, pela mesma pessoa. Assim também as cidades podem evoluir e ser recriadas por seus novos habitantes.

    A geografia da cidade é a mesma, mas, em cada um de seus pontos, pode ser vista por olhos diferentes.

    Neste ângulo ao entardecer, a janela reúne três diferentes fantasias humanas: o grande ex-hotel, o pequeno palácio municipal e o ainda inexistente Shopping Praça Quinze.

    Foto: Silvia King Jeck
    Facebook Projeto Pelotas Memória

    terça-feira, 4 de dezembro de 2012

    Melanie Fronckowiak, de modelo a ídolo




    A pelotense Melanie Nunes Fronckowiak começou há cinco anos, sendo estudante de jornalismo, uma carreira de modelo, por sugestão especialmente do amigo Gustavo Vara, e não parou de destacar-se na mídia, graças a seu desplante e talentos artísticos. Hoje com 24 anos, ela é a nossa maior celebridade, com milhares de fãs em todo o Brasil e 989 mil seguidores no Twitter (Xuxa Meneghel e Juliana Paes têm 1 milhão 200 mil, cada uma, e a presidente Dilma cerca de 1 milhão 700 mil).

    O fotógrafo Gustavo Vara é o autor do clique acima, numa das vindas de Melanie à cidade natal. O Café Aquários é tradicional centro masculino, onde menos se toma café e mais se fala de política, futebol e meteorologia. Para entrar ali, uma mulher precisa de coragem e/ou paciência, e a foto mostra a boa adaptação da moça ao ambiente (note-se o pouco interesse dela no café e a atenção posta em alguma conversa).

    Em 2012, Mel modelou para a VB Girls
    Como modelo, Melanie participou em publicidade e em concursos de beleza (foi Miss Mundo Rio Grande do Sul 2007 e "mais belo bumbum" da marca Sloggi em novembro de 2008). Na foto à direita, uma atuação no Ceará em 2012 para a grife paulista VB Girls (v. fotos para a revista virtual VB Girls e um vídeo com bastidores da produção).

    Antes da atual fama, ela teve uma pequena participação na novela de horário nobre "Viver a Vida" (2009-2010), como parte do elenco de apoio da Globo (o vídeo foi tirado do ar). Chegou a sambar no programa do Jô, convidada para falar da experiência como modelo e "miss bumbum" (v. vídeo). Na época, não havia estudado teatro e ainda se notava o sotaque gaúcho. Hoje ela puxa um erre carioca (v. último vídeo abaixo, de dois dias atrás).

    Sem experiência em teatro nem canto, a ousada jovem foi selecionada em 2011, entre 600 candidatos, para protagonizar a novela juvenil Rebelde (v. descrição na Wikipédia). Trata-se de um modelo iniciado na Argentina em 2002 (Rebelde Way), que desde então já foi replicado em vários países (Brasil, México, Chile, Portugal, Índia e Itália).

    Em cada país, o esquema produz dois grandes ganchos com o público: um programa de TV com cerca de 400 capítulos, com duração de dois anos, e um grupo musical estilo adolescente, cujos cantores são os mesmos protagonistas da novela. Há mais detalhes no blogue da novela Rebelde, que também tem um portfólio de notícias sobre Melanie.

    Mesmo com a audiência da novela em baixa, os atores passam por uma superexposição na mídia e nas redes sociais, que continua após o programa sair do ar. Treinados para atuar na TV e para fazer shows musicais, o elenco brasileiro é idolatrado ao longo do país e agora também no México, pois esta adaptação é dublada e passada lá, por acordo com a produtora Televisa.

    O fenômeno é artificialmente criado, mas também surfa na onda das necessidades adolescentes e na tendência internacional das bandas juvenis, em alta no Japão e na Coreia do Sul. Mas assim como os fenômenos de audiência dos realities, estas celebridades sabem que se trata de um trabalho e que, cedo ou tarde, eles terão que reformular suas carreiras e seguir projetos próprios, saindo da adolescência prolongada.

    Roberto Justus, Melanie Fronckowiak e Leandro Lapagesse
    Na Pelotas real, Melanie é a filha da psicóloga Berenice e neta da ex-vereadora Diosma Nunes, mulheres reconhecidas na cidade como profissionais do serviço social e público. O pai, André, mora em Porto Alegre.

    A menina é outra pelotense que saiu para poder crescer e volta com a satisfação de uma fantasia encaminhada, a da rebeldia, uma que Pelotas não permite em seu controlado território. Mas não é qualquer um que chega a esta situação: viajar por todo o Brasil dando autógrafos, ter várias menções na Wikipédia (inclusive é a mais jovem na lista de pelotenses destacados nesse portal), e tudo isso sendo rebelde na medida certa. Cada pelotense que faz sucesso nos suscita uma reflexão sobre nossa sociedade local, sobre nossos medos, desejos e vaidades.

    Ontem (3-12) ela foi uma das convidadas no programa de madrugada de Roberto Justus, para falar justamente do assédio dos fãs (no vídeo abaixo, minutos 4:40–12:45 e 41:08 até o final). Mencionou Pelotas várias vezes, mas o interesse do canal e o do apresentador se dirigiam mais a si mesmos e ao tema do dia, a idolatria.

    Veja outra entrevista com Melanie no programa Hoje em Dia (1-3-11), o PDF completo da revista VB Girls e outras fotos dela no sítio Papai Chegou. Veja neste blogue mais algumas mulheres Pelotenses Destacadas.

    Fotos: G. Vara (1), R. Deieno (2) e A. Chahestian (3)

    Fotógrafa pelotense é destaque no Rio

    Rio 365 é o primeiro documentário fotográfico de uma cidade via Instagram. Uma foto por dia durante 365 dias, 52 temas em 52 semanas (veja nota de lançamento da Light e uma notícia do jornal O Globo). A série já está no fim do segundo mês, com a foto de nº 58.

    A pelotense Cristina Carriconde foi escolhida sábado (1) no oitavo tema (Copacabana) ficando com o registro da foto 55 (dir.). Ela mora na Cidade Maravilhosa mas também já fez belos registros da Princesa do Sul (veja algumas neste blogue).

    Para quem não conhece o Rio de Janeiro (talvez um extraterrestre recém chegado), o ciclista anda pelo chão mas parece ir surfando pelas ondas do desenho. Movimento na figura e movimento no fundo, jogo que é raro encontrar em fotografias.

    Alguém que já tenha visto a calçada da praia de Copacabana se veria obrigado a parar para pensar no impossível da cena e se perguntaria: “Calçadão na vertical? Qual o truque?”

    Trata-se de uma cena cotidiana e sem artifícios: um entre milhares de ciclistas que passam pela parede de um posto de gasolina que reproduz o calçadão da Avenida Atlântica. A artista aproveitou os planos (figura-fundo), as cores (preto-branco) e os símbolos de movimento (ondas e rodas), e, claro, fechou o enquadramento (recurso comum no cinema) para provocar o espectador. Veja mais fotos de Cristina no Instagram e no Flickr.

    Em Pelotas, também existe uma documentação fotográfica em curso, com centenas de imagens, na página do Projeto Pelotas Memória. Ainda não foi feita uma categorização precisa, mas a galeria virtual é impressionante.
    Foto: Facebook Rio 365

    Estreia o filme do centenário rubro-negro


    O documentário "Xavante: o centenário rubro-negro", dirigido por Bruno Frantz e Felipe Fabião, será lançado na terça (11), em exibição no Teatro Guarani. Participaram do filme: o treinador Luiz Felipe Scolari, o comentarista Paulo Sant’Ana, o jornalista Ruy Carlos Ostermann, o torcedor Aldyr Garcia Schlee e ídolos xavantes, como Ubiraci Souza de Souza (Bira), Hélio Vieira, Luizinho Vieira, entre outros.

    A entrada custa R$ 20, com a opção de adquirir um dos cem exemplares do DVD, por R$ 10 a mais.

    domingo, 2 de dezembro de 2012

    Vestibular 2013 da UCPel

    Vestibular 2013 na UCPel: duração total de 4 horas
    O sítio da Universidade Católica anuncia para este domingo (2) um intenso exame vestibular, que faz a admissão de alunos para o ano acadêmico 2013.

    A seleção tem mais de 4900 candidatos e por primeira vez as provas são feitas em 4 prédios (UCPel realiza o Vestibular mais concorrido dos últimos tempos).

    A demanda por Medicina mostra um significativo aumento: 36 candidatos por vaga, um salto importante em relação aos vestibulares anteriores. O de 2012 teve 21 candidatos e o de 2011, 22. Os anos prévios foram de 19 (2010), 15 (2009) e 12 (2008). O segundo curso mais demandado é Engenharia Civil (hoje, 4,5 candidatos por vaga, razão que também tem aumentado).

    Curiosamente, em dezembro de 2008, a notícia institucional foi a mesma de dezembro de 2012: Católica realiza o maior vestibular dos últimos anos. Na época, 3 mil candidatos disputaram vagas para o ano 2009, o que indica um importante crescimento nestes 4 anos: 60% no total de candidatos e de 140% na disputa por Medicina.

    Vestibular na UCPel em 1978: 16 horas de provas
    Atrás, o Reitor Carlos Alberto de Souza Vianna (1977-1980)
    Com a evolução do ENEM e a seleção universitária, as provas na UCPel têm sido menos exigentes, hoje somente com uma prova de redação e um teste de 50 questões. Além disso, a Universidade tem feito maior publicidade e tem atendido de modo personalizado os pais de vestibulandos (veja nota de 2010).

    Hoje os familiares são recebidos de modo exclusivo, com café da manhã e informações sobre a Universidade e sobre a cidade de Pelotas (v. notícia atual). Também os preços têm aumentado de forma gradual, pois a instituição é particular, desde seu nascimento em 1960.
    Fotos: UCPel

    POST DATA
    3-12-12
    Dois falsos candidatos foram presos ontem (2), após prestarem a prova, repetindo situação sofrida no Vestibular 2012 com duas jovens vestibulandas. O Diário Popular reporteou a informação no mesmo domingo (o portal da Globo noticiou hoje, segunda)
    Veja o gabarito da prova.

    sexta-feira, 30 de novembro de 2012

    Festa temática lança o Som Remo Show


    Cláudia Braunstein e o Coral Linguagem de Emoções vêm apresentando-se desde 2009 (veja nota) em recitais próprios, em eventos especiais e em festas diurnas. Com canções populares, o grupo de canto aproxima pessoas de todas as idades de modo dinâmico, saudável e divertido.

    A novidade deste fim de ano é uma nova festa temática, inspirada na música e nas lembranças da década de 1960. O prato principal do encontro, este sábado (1), será o lançamento do grupo SOM REMO SHOW, formado por ex-integrantes do musical San Remo, que desde os anos 80 animava os bailes em nossa região (leia Notas sobre a música de Pelotas, do jornalista Rodrigo DMart).

    O nome "San Remo" não foi mais utilizado em Pelotas, pois a banda se desmembrou e os músicos daqui seguiram tocando por separado. Nesta ocasião, em associação com a produtora Cláudia, uma parte deles se reúne para tocar as músicas da saudade. Por serem ex-integrantes, eles reconstituem o som do antigo San Remo, homenageando o seu próprio grupo com o nome "Som Remo" (nome sugerido há duas semanas por Leon Campos).

    Na abertura, cerca das 16h, Rafael Branco e Ana Battisti encenarão a chegada de James Dean. A seguir, o coral Linguagem de Emoções fará o público cantar músicas dos anos 60 e o Duo Sax (Ricardo Hädrich e Luiz Roldam, de Rio Grande) tocará música instrumental para animar o baile.

    SOM REMO SHOW entrará pelas 17:30, com Sulivan Mello na guitarra, Leon "Véso" Campos no contrabaixo, Flávio Ribeiro no violão, Gilnei Amorim na bateria e Cláudia Braunstein na condução vocal, teclado e percussão. Para melhorar a diversão, pede-se ao público que venha vestido de acordo à época, ou até mesmo em carros antigos. R$ 7.

    POST DATA: 
    2-12-12
    A chegada triunfal do Som Remo para sua estreia foi num Ford 1929, emprestado por Haroldo (no volante), ligado à AVASUL
    Cláudia e Sulivan vêm no banco da liderança; Leon Campos, Flávio Ribeiro e Gilnei Amorim vão na retaguarda.

    quinta-feira, 29 de novembro de 2012

    Carla Domingues no Municipal do Rio de Janeiro

    Carla Domingues, soprano lírica formada no Conservatório de Música da UFPel, representou esta noite (28), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a personagem Valencienne de "A Viúva Alegre", opereta com música composta por Franz Lehar (v. artigo do jornal O Globo). A apresentação de hoje é a primeira de uma breve temporada, que marca um novo ascenso na vida profissional da jovem cantora gaúcha.

    Na foto acima, em espetáculo anterior ao de hoje, ela aparece junto à carioca Rosana Lamosa, que faz o papel da viúva Hanna. A foto menor (dir.) mostra Carla em sua estreia no Municipal do Rio de Janeiro, esta noite. Aqui no blogue destacamos o trabalho de Carla várias vezes (veja algumas notas).

    A produção aqui comentada é mineira e aborda uma adaptação brasileira da Viúva Alegre, com artistas nacionais. Em 1982 Millôr Fernandes traduziu do alemão Die Lustige Witwe, libreto de Victor Léon e Leo Stein, que teve estreia em 1905, em Viena (v. artigo sobre a produção mineira de 2012). A obra já era popular por suas melodias e se fez mais compreensível no Brasil graças a esta versão em português.

    Nestes mesmos dias, Carla também participa como solista na cantata "Camina Burana", espetáculo realizado no Teatro Carlos Gomes, em Vitória, por primeira vez no Estado do Espírito Santo. Na foto dupla, a cantora em Carmina Burana e na Viúva.

    Veja o comentário do blogue cultural capixaba Outros 300 e um pequeno trecho instrumental em vídeo da TV Gazeta (Carla é a de azul).
    Fotos: Facebook