sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Festa temática lança o Som Remo Show


Cláudia Braunstein e o Coral Linguagem de Emoções vêm apresentando-se desde 2009 (veja nota) em recitais próprios, em eventos especiais e em festas diurnas. Com canções populares, o grupo de canto aproxima pessoas de todas as idades de modo dinâmico, saudável e divertido.

A novidade deste fim de ano é uma nova festa temática, inspirada na música e nas lembranças da década de 1960. O prato principal do encontro, este sábado (1), será o lançamento do grupo SOM REMO SHOW, formado por ex-integrantes do musical San Remo, que desde os anos 80 animava os bailes em nossa região (leia Notas sobre a música de Pelotas, do jornalista Rodrigo DMart).

O nome "San Remo" não foi mais utilizado em Pelotas, pois a banda se desmembrou e os músicos daqui seguiram tocando por separado. Nesta ocasião, em associação com a produtora Cláudia, uma parte deles se reúne para tocar as músicas da saudade. Por serem ex-integrantes, eles reconstituem o som do antigo San Remo, homenageando o seu próprio grupo com o nome "Som Remo" (nome sugerido há duas semanas por Leon Campos).

Na abertura, cerca das 16h, Rafael Branco e Ana Battisti encenarão a chegada de James Dean. A seguir, o coral Linguagem de Emoções fará o público cantar músicas dos anos 60 e o Duo Sax (Ricardo Hädrich e Luiz Roldam, de Rio Grande) tocará música instrumental para animar o baile.

SOM REMO SHOW entrará pelas 17:30, com Sulivan Mello na guitarra, Leon "Véso" Campos no contrabaixo, Flávio Ribeiro no violão, Gilnei Amorim na bateria e Cláudia Braunstein na condução vocal, teclado e percussão. Para melhorar a diversão, pede-se ao público que venha vestido de acordo à época, ou até mesmo em carros antigos. R$ 7.

POST DATA: 
2-12-12
A chegada triunfal do Som Remo para sua estreia foi num Ford 1929, emprestado por Haroldo (no volante), ligado à AVASUL
Cláudia e Sulivan vêm no banco da liderança; Leon Campos, Flávio Ribeiro e Gilnei Amorim vão na retaguarda.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Carla Domingues no Municipal do Rio de Janeiro

Carla Domingues, soprano lírica formada no Conservatório de Música da UFPel, representou esta noite (28), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a personagem Valencienne de "A Viúva Alegre", opereta com música composta por Franz Lehar (v. artigo do jornal O Globo). A apresentação de hoje é a primeira de uma breve temporada, que marca um novo ascenso na vida profissional da jovem cantora gaúcha.

Na foto acima, em espetáculo anterior ao de hoje, ela aparece junto à carioca Rosana Lamosa, que faz o papel da viúva Hanna. A foto menor (dir.) mostra Carla em sua estreia no Municipal do Rio de Janeiro, esta noite. Aqui no blogue destacamos o trabalho de Carla várias vezes (veja algumas notas).

A produção aqui comentada é mineira e aborda uma adaptação brasileira da Viúva Alegre, com artistas nacionais. Em 1982 Millôr Fernandes traduziu do alemão Die Lustige Witwe, libreto de Victor Léon e Leo Stein, que teve estreia em 1905, em Viena (v. artigo sobre a produção mineira de 2012). A obra já era popular por suas melodias e se fez mais compreensível no Brasil graças a esta versão em português.

Nestes mesmos dias, Carla também participa como solista na cantata "Camina Burana", espetáculo realizado no Teatro Carlos Gomes, em Vitória, por primeira vez no Estado do Espírito Santo. Na foto dupla, a cantora em Carmina Burana e na Viúva.

Veja o comentário do blogue cultural capixaba Outros 300 e um pequeno trecho instrumental em vídeo da TV Gazeta (Carla é a de azul).
Fotos: Facebook

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A lua laranja do Laranjal

Mais uma foto de pôr do sol, qual a graça?

Mas em Pelotas não temos pôr do sol no mar.

Trata-se do nascer da lua cheia, na Lagoa dos Patos, esta noite (28). A nossa praia ganhou o nome de Laranjal porque em algum momento teve plantação de laranjeiras. O que ninguém esperava é que a lua tomasse a cor e a forma de uma laranja, como o sol faria ao nascer. Ou serão nossos olhos?

Uma hora depois, ainda se observavam os tons alaranjados do corpo celeste, já sem o reflexo nas águas (abaixo). O diálogo era entre a esfera lunar e o imenso planeta Júpiter, visto aqui como um pontinho. Galileu foi quem viu por primeira vez, em 1610, a nossa lua tapando as luas de Júpiter, mediante lunetas.

O fenômeno poderá ser visto de novo, no litoral sul do Brasil, no próximo dia 25 de dezembro (veja notícia): do Rio ao sul do Brasil, o maior dos planetas será ocultado pelo nosso satélite (v. outra nota). As ocultações de estrelas e os eclipses despertam nosso terror inconsciente, pois simbolizam o poder feminino e noturno sobrepujando as forças masculinas e luminosas.

30-12-12
Veja aqui outra lua laranja de A. Neutzling.

Fotos: Facebook
Veja a página de A. Neutzling

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ressurge o Diocesano, 30 anos depois

Antigos funcionários e alunos do Colégio Diocesano promovem o primeiro encontro de ex-participantes e simpatizantes  para este sábado (1) à noite no Clube Caixeiral (confirmar pelo 9983 9066). O educandário católico foi extinto em 1981, faz exatamente 31 anos, e ainda as lembranças dos pelotenses se voltam a ele.

O Colégio Diocesano foi criado na década de 1950 por Dom Antônio Zattera para ser a escola da diocese para as crianças a partir dos 10 anos de idade, especialmente as mais carentes do bairro do Porto. Após a reforma completa da Catedral, o bispo se dedicou aos projetos educacionais. O Colégio foi construído precisamente ao lado da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, sede paroquial. O Diocesano teve uma ascensão, em tamanho, qualidade e em mística institucional, até chegar a ser declarado Colégio de Aplicação da Universidade Católica.

Atual Campus II da UCPel
Mas a década de 1980 o encontrou deficitário em muitos aspectos, dos quais era responsável o bispado. Em 1981 a Universidade assumiu o controle e verificou a situação financeira e administrativa.

Analisando prós e contras da grande empresa educacional da Mitra, o bispo Dom Jayme Chemello, o reitor da UCPel (Paulo Brenner Soares) e o diretor do Colégio (Wallney Hammes) decidiram fechá-lo para sempre.

Em 1982, o prédio passou a ser usado como campus II da Universidade, albergando cursos em expansão, como Psicologia e Jornalismo. As informações desta nota provêm de entrevista com José Cruz em 2010 e do livro "UCPel 30 Anos", do pe. Léo Poersch (EDUCAT, 1991).
Imagens: Rejane Botelho (1) e blogue Lumarcolin (2)

Minicurso de Arteterapia

O Espaço Ágape traz novamente a Pelotas a professora Angélica Shigihara, artista, arteterapeuta e pesquisadora argentina radicada no Brasil. Na tarde desta sexta (30) e manhã de sábado (1) ela ministra o minicurso teórico-prático de Arteterapia com a temática Tempo de parar e mudar.

Este curso breve (6h) trata sobre o tempo que precisamos para obter qualidade em nossos atos, nossos trabalhos e nossos relacionamentos, à base de atividades da área da Educação Artística, de tipo prático, teórico e reflexivo. Está dirigido a todos os interessados em conhecer sobre Arteterapia, sejam da área da saúde, da educação ou da arte.

A Arteterapia utiliza recursos artísticos em serviços terapêuticos, baseando-se no fato de que o processo criativo pode ajudar a reconciliar conflitos emocionais e estimular a autopercepção e o crescimento pessoal. Além de apoiar o processo da terapia emocional, a Arte também pode ser usada na avaliação de indivíduos, casais, famílias e grupos, pois favorece o autoconhecimento, valendo-se da expressão não verbal, da linguagem plástica e da criatividade.

No Instituto da Família, em Porto Alegre, Angélica é uma das coordenadoras do curso de especialização em Arteterapia. Veja mais sobre ela no seu blogue Arteterapia Creatividad (bilingue). Informações sobre o curso em Pelotas: Ágape, Espaço de Arte: Anchieta 4480, fone 3028 4480 (estudantes R$ 100 e profissionais R$ 120).

sábado, 24 de novembro de 2012

Renato e seus Blue Caps inclui pelotense

Renato e seus Blue Caps está em Pelotas para o fim de semana de inauguração do Bar Neptuno, a nova aposta temática de João Lopes, um dos fundadores do Bar João&Gilberto (v. nota do E-Cult). O emblemático grupo carioca da Jovem Guarda não vinha a Pelotas apesar de ter um integrante pelotense há 23 anos, o Darci Velasco, um dos fundadores do nosso conhecido "Os Velascos" (v. nota histórica).

Gene Vincent e os seus marujos, em 1957
RBC foi formado em 1958 com os irmãos Barros (Renato, Paulo César e Edson) e dois amigos, cada um ao redor dos 15 anos de idade (v. verbete na Wikipédia).

Por sugestão de um radialista da Mayrink Veiga (v. histórico segundo Sueli Gushi), o nome em inglês foi tomado do quinteto de Gene Vincent and His Blue Caps (dir.); os "quepes azuis" era como os marinheiros americanos eram conhecidos na época (v. vídeos caseiros em que eles contam sua história).

Cantando em português e mesmo sem  chapéus azuis, os adolescentes fizeram sucesso com versões brasileiras de músicas americanas. Desde 1962, os sucessos dos Beatles ficaram conhecidos no Brasil como se fossem músicas dos Blue Caps.

Mas também houve composições originais, em parcerias de Renato Barros com outros cantores e autores, como Roberto Carlos, Erasmo e Raul Seixas. A sonoridade particular deste quinteto se caracterizou sempre pela guitarra com saxofone e harmonias vocais estilo Beatles (veja o sítio oficial da banda).

Renato e os seus, em 1968
Dos três irmãos, só permanece Renato, que aos 69 anos pode ser considerado o mais antigo líder de banda pop ainda em atividade, em todo o mundo, e já deveria estar no Guinness Book nessa condição.

A antiguidade grupal pode ser comparada com os americanos The Platters (1953), sem nenhum integrante original, e os brasileiros Golden Boys (1958).

A banda do Renato supera em duração outros grupos famosos ainda existentes, como The Beach Boys (1961), The Rolling Stones (1962) e, no Brasil, Os Incríveis (1963) e The Fevers (1964). Numa das edições de 2012 do programa Sarau, da Globo News, eles recordaram músicas desses 52 anos de estrada.

O pelotense Darci começou como guitarrista dos Velascos, ainda com 15 anos de idade, agitando nos solos das músicas do mexicano Carlos Santana, como Evil ways, Oye como va, Samba Pa Ti e Soul Sacrifice. Também foi trompetista e contrabaixista, nos anos 70. Depois migrou para Recife, e de lá, convidado por Renato Barros para integrar os Blue Caps, mudou-se em 1989 para o Rio de Janeiro, onde vive com sua família. Ele é o tecladista do grupo, além de apoiar nos vocais, e em todo esse tempo praticamente não veio a Pelotas.

Renato em 2012, com Amadeu, Cid, Darci (centro) e Gelson
Em 2009, os Velascos voltaram aos palcos, e Darci não pôde estar presente nesse revival da Jovem Guarda, porque a agenda do "Renato e Seus Blue Caps" estava repleta e viajando Brasil afora. Agora todos eles voltam a Pelotas, em sequência de shows pelo Sul do Brasil.

Segundo informação do Darci, uma apresentação do "Renato" em Porto Alegre, na sexta (23), viabilizou a vinda da banda a Pelotas. Quem conheceu os grandes momentos do rock-pop-romântico, que marcou toda a época conhecida no Brasil como "anos de chumbo", reviverá partes importantes de sua vida com músicas que não saem da memória.

Uma das músicas típicas do Renato foi composta por Raul Seixas, que até 1972 assinava como Raulzito. "Obrigado pela atenção" é uma radical despedida, de alguém decepcionado que não voltará atrás. Há mais de 40 anos eles cantam esta letra e nunca se atreveram a pô-la em prática.


Eu tenho pra lhe falar muitas coisas, meu bem,
Que você nem pensou em poder escutar.
Eu confiei em você e você me enganou
e agora me pede pra não te deixar.

Eu agradeço pela atenção que você dispensou.
Muito obrigado e aquele abraço, porque eu já vou.

Eu estava apaixonado e por isso, talvez,
eu não enxergava o que você fez.
Não, não me peça desculpas chorando baixinho,
pois nessa armadilha eu não caio outra vez.

Imagens da web (1-2) e DP (3)

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sagrado Coração de Jesus, a paróquia do bairro do Porto

A paróquia do Sagrado Coração de Jesus, conhecida em Pelotas como a Igreja do Porto, está em plena comemoração do seu centenário. Em 1 de novembro de 1912, dois anos após a criação da Diocese de Pelotas, o bispo Dom Francisco de Campos Barreto fundou novas paróquias, desmembradas das já existentes.

Mesmo com o templo em reformas, a novena está sendo feita com o compromisso e o entusiasmo dos fiéis, com um altar sem imagens, algumas janelas com vidros quebrados e o forro sem colocar. Veja notícias no blogue da paróquia.

Na missa de ontem (21), perto das 20 horas, o padre Antônio Reges Brasil fez notar a beleza do vitral da porta de entrada, iluminado pelo sol da tarde e somente visível para um observador interno. De fora não se veem formas nem cores, pois a luz provém justamente do exterior e projeta para dentro esta imagem, única nesta apresentação em duas partes móveis (quando as portas se abrem, o conjunto fica separado e oculto) e ao alcance das mãos.

A figura representa a terceira aparição de Jesus a Margarida de Alacoque, na França, em 1675. Foi após estas aparições que se estendeu a devoção católica ao Sagrado Coração de Jesus (Sacré-Coeur, no original).
Foto: F. A. Vidal

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Reflexão sobre o colecionismo no museu

A equipe do Museu da Baronesa organizou uma nova exposição na chamada “sala das vitrines”. A mostra se chama “Coleções de Memória” e reúne objetos de colecionismo, que o próprio museu acumula em seu acervo, ou que foram doados em forma de coleção. Há leques, cartões postais, bonecos de outros países e imagens sacras (v. notícia no sítio da Prefeitura Municipal).

O assunto das coleções leva a refletir sobre o sentido da acumulação de objetos para a conservação da memória, pessoal e social. O MAPP já realizou 3 mostras com este tema (veja o post Coleção de coleções).

Há quem se apegue a certas coisas como devoção às lembranças, e há quem por curiosidade pesquisadora reúna objetos por temas e os classifique para entendê-los (sobre o esquecimento, veja a nota Viver, lembrar, esquecer).

O assunto é de interesse dos pelotenses, pois a cidade se ancora no passado, cheio de conotações traumáticas e detalhes que costumam ser desviados da consciência. O turismo se apoia na visitação a casarões e lugares representativos da riqueza levantada no século XIX. Além de diversos museus e sebos, Pelotas tem cursos universitários dedicados à conservação e à museologia. Também existem o Quiosque Pelotas Memória, de Nelson Nobre, hoje mantido pela UCPel, e um Instituto que cultiva a figura do escritor João Simões Lopes Neto (1865-1916). Pelotas tem tantas coisas para recordar e preservar, que não consegue construir ou empreender a longo prazo. Uma adequada elaboração do passado permitiria planejar o futuro e progredir com sucesso.

 “Coleções de Memória” segue no Museu da Baronesa até os primeiros dias de dezembro. O Parque está aberto todos os dias, manhã e tarde. O Museu abre somente pela tarde, de terça a domingo, com entrada de R$ 2 (livre para crianças). Grupos podem agendar visitas (3228 4606).

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

1º Festival Latino-Americano de Música Contemporânea de Pelotas

O Núcleo de Música Contemporânea da UFPel organizou o 1º Festival Latino-Americano de Música Contemporânea de Pelotas, que transcorre em nossa cidade desde hoje (19) até quinta próxima (22), dia internacional da música. Toda a comunidade poderá assistir, gratuitamente, a oficinas, mesas de debate, exposição de trabalhos, ensaios abertos e recitais (veja a programação do Festival).

O projeto do NuMC obteve o Prêmio FUNARTE, que apoia festivais de música. Nesta que é a primeira edição, o Festival aborda o tema da união entre o compositor e o intérprete.

Para palestrar, ensinar e apresentar-se musicalmente foram convidados artistas de renome da música erudita contemporânea, como a pianista brasileira Catarina Domenici, o compositor argentino Dante Grela e outros (veja a lista de convidados).

No vídeo abaixo, "Candomblé", de Eli-Eri Moura, em apresentação realizada em São Paulo em 2010 pela Camerata Aberta, dirigida por Guillaume Bourgogne.

Programação dos ensaios e concertos
Local: Lobo da Costa 1877

Segunda 19-11
14h – ensaio aberto com James Correa e Martha Herr.
20h – concerto com James Correa e Martha Herr; e Catarina Domenici.

Terça 20-11
14h – ensaio aberto com Lucas Robatto.
20h – concerto com Lucas Robatto; e Daniel Murray.

Quarta 21-11
14h – ensaio aberto com Eli-Eri Moura.
20h – concerto com Eli-Eri Moura.

Quinta 22-11
14h – ensaio aberto com João Pedro Oliveira.
20h – concerto com João Pedro Oliveira.

No tempo dos chafarizes


"Pelotas no Tempo dos Chafarizes", lançado em sessão de autógrafos este sábado (17), na Feira do Livro, é o mais recente livro de pesquisas históricas de Adão Fernando Monquelat, desta vez em coautoria com Guilherme Pinto de Almeida.

A obra recolhe textos e imagens de jornais pelotenses do século XIX, desde 1871, ano em que a distribuição de água foi assumida pela Companhia Hidráulica Pelotense, pelo uso de 4 principais chafarizes instalados no centro da cidade, mais conhecidos na época pela expressão original francesa "fontes d'água". Depois que a água passou a ser fornecida diretamente nas casas, as mesmas fontes passaram a ter função decorativa.

Hoje conhecemos 3 daqueles chafarizes, situados em pontos de maior concentração urbana e de maior antiguidade: o da Praça Coronel Pedro Osório (1873), o do calçadão da Andrade Neves (1874), originalmente na praça do Porto e desde 1981 no centro da cidade, e o da Praça Cipriano Barcellos (1876), originalmente na Quinze de Novembro com Gomes Carneiro.

O quarto, que cronologicamente é o segundo, foi instalado em 1873 e se encontrava até 1916 defronte à Catedral, mas não se sabe seu destino, e neste livro os autores ajudam a desvendar o mistério.

Não se pode dizer que eles hajam descoberto a existência do chafariz, pois já havia um registro municipal e imagens, mas sim que obtiveram detalhes e confirmações adicionais e verificaram o ponto onde se achava originalmente.

Veja um histórico dos chafarizes no sítio do Museu do Saneamento e uma descrição formal de cada um no Dicionário de História de Pelotas (UFPel, 2010, páginas 56-58), segundo pesquisa de Janaína Silva Xavier realizada em 2006.

Monquelat é livreiro, pesquisador e escritor. Seu nome está citado no verbete A Divina Pastora, na Wikipédia. Também em 2012, publicou Desfazendo Mitos (Mundial, 194 páginas, R$ 30), terceiro livro da parceria com Valdinei Marcolla (Monquelat tem mais uma dezena de obras).

Pinto de Almeida é estudante de Arquitetura e Urbanismo na UFPel. Em 2012 reeditou em formato digital a Revista do 1º Centenário de Pelotas, editada por João Simões Lopes Neto em 1912. Na foto de Roberto Dias para o Diário Popular, os autores se encontram no lugar em que o antigo chafariz se situava há cem anos.

Obra editada pela Livraria Mundial, "Pelotas no Tempo dos Chafarizes" tem 199 páginas e o custo inicial de R$ 35. Veja dois comentários de Manoel Soares Magalhães no blogue Cultive Ler.

Imagens do 4º chafariz: capa e contracapa do livro (1-2), e SANEP (4)
Foto dos autores: R. Dias, no Facebook (4)

domingo, 18 de novembro de 2012

Nauro traz um pouco de luz a este mundo

 "Náufrago de um mar doce" foi o best seller desta 40ª Feira do Livro de Pelotas e Nauro Jr. já é o único escritor local que requer mais de uma sessão de autógrafos para atender todos seus leitores. O mesmo fenômeno de público, nunca antes visto na cidade, ocorreu em seu livro anterior, "A noite que não acabou" (V. nota de 2009).

O autor, que é repórter fotográfico há vinte anos, aventurou-se a escrever com palavras, e ficou tão marcado com aquela grande reportagem à tragédia xavante que para liberar-se de tal peso precisou escrever outro texto, desta vez um roteiro cinematográfico de aposta na vida, na coragem e na verdade interior, à moda de Santo Agostinho e Ernest Hemingway.

Abaixo, entrevista de uma hora com Ubirajara Mello na TV Cidade e algumas das frases do Nauro filósofo, aventureiro e otimista incurável (veja entrevista de 2 min no Jornal do Almoço em Porto Alegre e entrevista de 4 min no JA Pelotas).


  • Eu não me considero escritor; eu sou um retratista que gosta de escrever. Escrever é um exercício de escrever a vida de outras pessoas, e isso incide diretamente na minha. É muito sofrimento.
  • O livro tem 70% de verdade, 20% de ficção e 10% de autobiografia. Como eu coloquei problemas meus no personagem, deixei que ele os resolvesse, e com isso poupei o dinheiro com o psiquiatra.
  • Fiz um curso de palhaço [há vinte anos], cheguei a me apresentar, mas eu sou muito sem graça. Tentei mas não deu, sou incompetente como palhaço. Depois conheci o Tholl, quando era OPTC, e me encantei com aqueles malucos.
  • Eu não aceitei convites para trabalhar em Porto Alegre, São Paulo, Brasília, e muitos me chamam de louco por isso. Mas eu apostei pela qualidade de vida, viver perto da natureza, passar uma tarde inteira com minha filha, isso é o que Pelotas me oferece, e isso eu não teria nos grandes centros. Eu gosto de Novo Hamburgo, mas minha cidade é Pelotas.
  • Eu acho que a vida é um naufrágio. Todos os dias temos uma batalha com a morte, mas a morte sempre vence no final. Um dia o mar vai me engolir. Mas eu vivo pra poder dizer no final da vida, como Santo Agostinho: "Valeu a pena eu ter trazido um pouco de luz a este mundo".
  • Eu quero contar verdades, tanto com a fotografia como com a literatura, e para poder fazer isso tem que acreditar que aquilo é verdade. Tem que ter a luz da tua alma. Se tu acreditas totalmente no que fazes, podes dirigir um fusca velho mas vais ser um piloto de fórmula um. Se não, vais ser um péssimo motorista de domingo.
  • Brigar com Deus é uma fria. Eu só brigo com meus amigos. Quem não é meu amigo eu ignoro.
  • Eu acho pouco viver 80 ou 90 anos, é pouco pra o que a gente precisa pra transformar o mundo num lugar melhor.

Letras em ação na Semana Acadêmica

O Diretório Acadêmico “Edith Barreto”, do Centro de Letras e Comunicação da UFPel, anuncia a Semana Acadêmica de Letras 2012, "Língua, literatura, cultura e sociedade", a ser realizada de 3 a 7 de dezembro.

As inscrições estão sendo feitas no campus Anglo, sala 104-A (sempre entre 18h30 e 19h30), em três modalidades:

  • aluno ouvinte (até 30-11), 
  • autor de comunicação e 
  • ministrante de oficina (estes até 23-11). 

Faça sua inscrição segundo este edital e siga o evento no Facebook.

A ruína que só serve como mirante


A única serventia do esqueleto de edifício que mancha o centro de Pelotas não pode ser percebida por ninguém hoje, pois ele se encontra fechado e inabitado. A construção ficou inconclusa há cerca de vinte anos, e ainda se encontra abandonada, como uma vergonhosa ruína de 15 andares, talvez a mais grandiosa ruína já conhecida.

Foi preciso que um fotógrafo subisse ao prédio para que ficasse em evidência algo inesperado: a utilidade do gigante é ver a beleza do resto. A única parte bela do monstro está em seus olhos, e esta beleza em retorno faz esquecer a feiúra do corpo.
Imagens: Rafa Marin, novembro 2012
Fonte: Facebook

sábado, 17 de novembro de 2012

Saída fotográfica

O Clube do Fotógrafo de Caxias do Sul (v. histórico) programou, para este mês de novembro, uma excursão a balneários do Uruguai, como La Paloma e Punta del Diablo.

No retorno, este domingo (18), o grupo fará uma Saída Fotográfica Cultural por pontos turísticos do centro de Pelotas, com início às 8h no Mercado Central.

No Flickr, o Clube convida aos pelotenses amantes da fotografia a somar-se a este passeio de imagens, conversa e movimento. As fotos produzidas enriquecerão aos visitantes e a quem já conhece Pelotas.

O sol mostrará efeitos luminosos característicos da manhã, e bem diferentes da imagem abaixo, tomada hoje perto das 19h30min. O momento registrado é real e cotidiano, mas totalmente inadequado para postais turísticos, pelo excessivo contraste entre luz e sombra e pela horrível presença de um edifício de 15 andares inconcluso.

Ativo como grupo humano até 2008, o Pelotas Fotoclube guarda 1515 fotografias no Flickr. Hoje, um numeroso grupo de fotógrafos locais apresenta no Pelotas Memória centenas de criativos trabalhos sobre a cidade.
Imagens: Flickr (1), F. A. Vidal


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Um pórtico polêmico

Foto de Carlos Queiroz sugere união entre a casa e sua "entrada".
Um pórtico é o espaço de entrada de uma grande construção (como um templo ou um palácio) que soleniza o conjunto e o ingresso a ele. É um elemento arquitetônico da Grécia Antiga que se disseminou pelas demais culturas.

Modernamente se aplica também a cidades; temos, por exemplo, o impressionante portão de Gramado, o pórtico com farol em Santa Vitória do Palmar, o pórtico de entrada a Rio Grande.

Ainda hoje Pelotas é uma das tantas cidades que não têm um pórtico especial que assinale a entrada a seu perímetro urbano.

Com sede própria há uma década, a Academia Pelotense de Letras sentia a falta de uma entrada digna. A antiga construção, que já foi escola, não conta com vestíbulo nem com cercas de proteção: quem chega de fora já entra ao salão, sem preâmbulos (veja nota com imagens da casa).

Presidente reeleita mais de uma vez nestes anos, a escritora Zênia de León propôs há uns cinco anos um pórtico grego para esta casa. O projeto foi questionado (notícia de julho passado) — e ainda é — mas obteve as licenças formais e foi inaugurado este sábado (10), sem que a polêmica diminua. Tem relação com o parque? Tem relação com a Academia? Tem relação com os 200 anos de Pelotas? Deveria ficar na entrada da cidade ou em outro logradouro público?

Prefeito e acadêmico Fetter Jr. inaugura o monumento.
O prefeito Fetter Júnior, que como escritor é também integrante da Academia, recebeu simbolicamente o pórtico como um monumento dedicado à tradição pelotense e o descreveu como um novo ponto turístico da cidade (notícia do Diário Popular, no mesmo sábado). Mais exato seria dizer que o ponto turístico é o parque Dom Antônio Zattera e este pórtico, um de seus tantos monumentos.

O portal da Prefeitura na internet também não esperou a segunda-feira e emitiu a notícia este domingo, com fotografias (veja a nota).

A estrutura superior contém o lema Per aspera ad astra (literalmente, "pelas asperezas às estrelas"), em letras análogas ao nome que está na fachada, "Academia Pelotense de Letras".

Crase com acento agudo usava-se até os anos 40.
Abaixo de cada par de colunas que sustenta essa estrutura, há uma placa:
  • a da esquerda diz "Á Tradição Cultural de Pelotas em seu Bicentenário" (com acento agudo no A), como se vê na foto (dir.);
  • no da direita se lê "Academia Pelotense de Letras, Zênia de León, 2012".
Alguns veem o pórtico como um monumento bonito e significativo, enquanto outros o consideram irrelevante e até sem sentido estético, histórico ou urbanístico — opiniões que eram emitidas e publicadas antes que fosse construído. Agora que a ideia saiu do papel e ocupa o espaço público, pode e deve ser avaliada pela população.

O novo apêndice arquitetônico tem a virtude de chamar a atenção visual e de suscitar discussão na comunidade, mas ainda uma quantidade de falhas entorpece os seus bem-intencionados objetivos:
  • o pórtico foi pensado para a sede da Academia, mas não serve de abrigo nem facilita a entrada ao visitante, deixando a casa com o mesmo problema estrutural,
  • os encontros que se realizavam na sombra das árvores passarão a ser feitos sob o rigor do sol,
  • a estrutura destaca muito mais a Academia como entidade (com inspiração na Grécia Antiga) do que a tradição da cidade (identificada com a Europa renascentista e ainda com elementos africanos), ambas fortemente ancoradas no passado,
  • o destaque à Academia fica ainda mais evidenciado pela "assinatura" da presidente como autora do pórtico (na placa da direita) e pelo uso do lema em latim (sem clara relação com Pelotas),
  • Pelotas tem vários prédios com colunas gregas, mas construí-las em 2012 é extemporâneo, e ainda mais em desacordo com o estilo da casa para o qual foi feito,
  • uma cidade com consciência turística poderia sim ter um pórtico de entrada, e o debate sobre sua construção, desenho e lema deveria ser feito por todos os segmentos sociais,
  • a gafe da crase com acento agudo (foto acima) não fala bem da função linguística da Academia; fica talvez como anacronismo, lembrando que era nesse formato (Á) que se escrevia há cem anos (veja notícia de 1912 no Correio do Povo).
Restará à comunidade pelotense incorporar este novo elemento em seus costumes e sua vida cultural, relacionando-se mais intensamente com esta associação literária que pretende conscientizar nosso passado e acompanhar-nos, mesmo com asperezas no caminho, às altas estrelas do futuro.

Monumento em forma de pórtico, dedicado à tradição cultural de Pelotas

POST DATA
3 fevereiro 2013

Em agosto de 2012, o arquiteto Pedro Marasco da Cunha emitiu uma opinião profissional sobre a localização do monumento, que ilustrei com imagens de outros pórticos na arquitetura pelotense (veja o post).


Após a publicação da presente nota, ainda no mês de novembro de 2012, a Academia fez a correção no acento do "A" que contrai preposição e artigo. 


Fotos: C. Queiroz (1), R. Marin (2-3), F. A. Vidal (4-6)

domingo, 11 de novembro de 2012

Um "Silêncio" na Feira

Já está à venda na Livraria da UFPel e na Vanguarda o livro “Silêncio”, primeira obra literária do médico Afrânio Krüger, que será lançada e autografada amanhã segunda (12-11-12), na 40ª Feira do Livro de Pelotas.

Ao longo do livro, o autor fala de vivências humanas que podem ser de difícil aceitação e entendimento, como a chegada da morte, o amor e a separação, como ocorrem os sentimentos dentro de nós, como certas pessoas nos afetam.

Para enfrentar estas realidades de modo positivo, conservando e melhorando a vida, a apresentação dos temas é feita desde o ponto de vista do silêncio que se encontra dentro dessas situações, uma forma diferente e sensível de abordar a existência.

O título faz pensar que a vida seja um período ruidoso que é seguido pelo silêncio. A capa do livro (clique para ampliar) sugere que a vida é um caminho sem fim, que se caminha sozinho, sem que se vejam ajudas nem perigos.

A verdade é que a vida material e social contém muito ruído, muitas vinculações e muitos transtornos, enquanto a nossa capacidade espiritual nos permite ouvir os silêncios (pausas, perdas, omissões, carências, falhas), que são as frestas pelas quais o espírito se comunica e segue caminhando.

Afrânio Alberto Tavares Krüger é gaúcho de Pedro Osório, mora e trabalha em Pelotas e tem hoje 55 anos. É ginecologista formado pela Faculdade de Medicina da UFPel e mestre em Saúde Pública Baseada em Evidências pelo Centro de Epidemiologia da UFPel.
Imagens: Facebook

O Bilhete (XII)

XII  Final

E, lentamente, Madame Marie lhe foi traduzindo toda a carta, que dizia:
Paris, 16 de maio de 1940
Caro. Prazer. Reconheci-o logo. Estranhei apenas não ter vindo trajado de negro, conforme o combinado. Atribuo a um problema de lavanderia. Certo?
Anote: Tomaremos Luz, na madrugada de 30 corrente. Recomendo-lhe extremo cuidado. Você está sendo vigiado a partir deste momento. Será seguido em todas as horas que lhe restam em Paris. EVITE FALAR COM QUEM QUER QUE SEJA.
A mais simples comunicação sua com alguém implicará na sumária eliminação dessa pessoa, imediatamente. Basta desconfiarmos do mais leve relacionamento. Tal como aconteceu com Karl e Rudolph. Não podemos pôr em risco toda a operação. NÃO FALE COM NINGUÉM. Não deixe ninguém inocente morrer por sua causa, até partir esta noite.
Destrua este, como sempre. Lembre-se que sou francesa!
Auf wiedersen
Caroline

As tropas alemãs contornaram a linha defensiva francesa;
sem maior esforço, ocuparam Paris em 14 de junho de 1940. 
— A invasão de Paris! Então era isso! Veja, professora, ‘tomaremos Luz’ refere-se, sem dúvidas, à Cidade Luz — bradou, de pé, mal contendo sua agitação.

— Sim, chéri, e a invasão deu-se somente em 14 de junho, talvez porque a rede de espionagem se deu conta do erro em que a moça incorreu ao confundi-lo com o seu contato. Por este motivo devem ter ficado aguardando as consequências do equívoco que infelizmente não vieram, para eles.

Com os olhos apertados, procurando concentração, ele acedia com a cabeça. Tudo estava finalmente se tornando claro.

— Maldita Maginot vociferou Madame Marie, no seu orgulho ferido de francesa. — Os boches entraram em Paris porque nós, em França, acreditávamos na inexpugnabilidade da Linha. Nossos militares jamais aceitaram que os alemães pudessem transpô-la.

Ele testemunhou:

— Sim, devem ter sido surpreendidos mesmo, porque não se notava no ambiente parisiense nos dias que antecederam a invasão, quando lá estive, nada que lembrasse guerra em solo francês, principalmente Paris.

E o quebra-cabeça continuou sendo juntado:

Após a rendição francesa, em 23-06-1940.
— Chérie, quanto à reação agressiva das pessoas, é perfeitamente aceitável. Todos procuravam demonstrar total ausência de qualquer relacionamento com você, pois suas vidas corriam perigo, segundo o texto ameaçador. Hoje em França, sobretudo em Paris, é fortíssimo o tráfico de escravas brancas e de cocaína, provindos de Marselha, provavelmente as pessoas pensaram num envolvimento seu neste campo, onde a vida do ser humano não vale uma palha  concluiu Madame Marie com certa amargura em sua voz grave.

— E está bem claro também por que meu Chefe em Paris ordenou minha volta imediata. Houve preocupação de sua parte para com minha segurança  comentou reconhecido, ao encontrar a peça que se ajustava perfeitamente à sua curiosidade nas últimas semanas.

— Madame, chegamos ao fim deste autêntico folhetim. Penso que devo ir à Embaixada Francesa entregar este bilhete embora tudo já seja tarde demais  completou nosso herói.

— Perfeito!  exclamou a velha professora do idioma francês.  Creio ser o destino que deva ser dado a esta mal compreendida mensagem. Quem sabe as autoridades com ela possam desbaratar a rede, se ela ainda estiver atuando. Puxa, oxalá tenha esta carta algo de positivo, afinal quase nos enlouqueceu, não foi mesmo?

Despediram-se.

Ele caminhava ligeiro, até o ponto de táxi, próximo sempre empunhando a pasta de couro contendo aquela carta-mistério agora desvendada.

No caminho foi interrompido por um cambista lotérico que lhe ofereceu seu artigo, com o lacônico pregão: “Bilhete?” Ele olhou para o ambulante e com um sorriso enigmático e irônico, em marcha, respondeu: 

— Bilhete? Nunca mais!

Rubens Amador, setembro de 1979
Leia o episódio I
Imagens: Rio Blog (1) e CD História (2)

Umidade nas luzes noturnas

Ensaios de sábado pós-chuva em Satolep. Foto tomada esta noite por Rafa Marin, depois do chuvisco que caiu sobre a cidade, finalizando uma semana de verão antecipado. Reprodução do Facebook.

sábado, 10 de novembro de 2012

O Bilhete (XI)

Pç Barão do Campo Belo, Vassouras (RJ), a "Princesinha do Café" ou "Cidade dos Barões" (postal antigo)

XI  A última esperança

Já vamos encontrá-lo na Central do Brasil em busca do trem que o levaria ao encontro da sua ex-professora. “Felizmente era sábado inglês”, considerou.

Na mão, pressurosamente, carregava uma pasta de couro com alça, tendo em seu interior apenas a preciosa carta. Enquanto não chegava o trem para Vassouras, vez por outra ele abria a aba da pasta e certificava-se de que a mensagem lá estava.

Tomado o trem, cerca de uma hora após, já o temos descendo do táxi frente à casa da professora aposentada.

Madame abriu-a após um certo espaço de tempo, e alegrou-se muito em revê-lo.

— Ora, bons olhos o vejam! Estava com saudade sua! —  E olhando-o nos olhos: — Quanto à carta, esqueceu-se como combinamos, pois não?

Ele mal se conteve:

— Aqui está ela, Madame! — , erguendo a pasta de couro à altura dos olhos de ambos. Madame Marie ainda ficou um pouco olhando para a pasta marrom que ele erguera.

— Mas que surpresa, meu filho! É incrível! — E falando rápido: — Vamos passar...

A idosa caminhou o mais ligeiro que lhe era possível em direção à saleta onde habitualmente permanecia, sempre apoiada nas duas bengalas canadenses com que tornava mais fácil seu deambular.

Depois de ele minuciar para sua amiga como a carta lhe havia voltado à mãos, quarenta dias depois de terem escrito para o Hotel Lafayette, resolveram solenemente efetuar a leitura e tradução dos dizeres daquela mensagem que tantos aborrecimentos houvera causado a ambos, por que não dizer?

Tão pronto aproximou um abat-jour de pé para o lado da velha senhora — com indisfarçável emoção, percebia-se pelo leve tremor de mãos —, silenciosamente ela começou a leitura, para si apenas.

A seu lado ele perscrutava as expressões fisionômicas da ex-professora do Ginásio, no desejo de captar algo — sem interrompê-la, contudo.

À medida que lia a missiva, Madame Marie sacudia a cabeça, lentamente, como a expressar estar compreendendo a série de comportamentos estranhos que a carta provocara em diferentes pessoas.

Inteirada de toda a mensagem, ela segurou as mãos de seu angustiado ex-discípulo e lhe falou com doçura:

— Acalme-se, tudo está explicado. Você já vai ficar sabendo em que curiosa aventura involuntariamente se envolveu.

Conclui amanhã (parte XII).

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Bilhete (X)



X  A agulha no palheiro

Haviam-se passado mais de quarenta dias desde que dera por encerrada a questão. Praticamente já se havia esquecido do episódio da perda do maldito bilhete, pelo menos o seu continuado pensar compulsivo no tema tinha arrefecido.

Foi naqueles dias que Madame Marie recebeu em sua casa a contestação da missiva que escrevera para o maitre do Hotel Lafayette, em Paris, e cuja resposta veio nas seguintes circunstâncias.

Subscrita para Madame Marie Darrieux, chegou uma correspondência em bonito envelope, onde se via uma litografia colorida do Hotel, à esquerda, em cima, e trazendo em seu interior a carta que enviara, devidamente fechada, sem ter sido aberta por seu destinatário.

Além da carta intocada, o envelope trazia uma nota breve da Direção do Hotel Lafayette, com os seguintes dizeres:

Mademoiselle Darrieux:
Anexo estamos lhe devolvendo sua carta, dirigida a nosso ex-maitre, Sr. Giuseppe Divani. Cumpre-nos informar-lhe, com tristeza, que o referido senhor faleceu recentemente, de mal súbito, precisamente em 6 de junho corrente.
Informamos-lhe ainda ser de nosso conhecimento que seus familiares residem na Vila Lucchino, 433, em Roma, Itália.
Sendo o que nos cabia informar, com admiração e respeito, nos firmamos
Cordialmente
Jean Jacques Du Bois
Diretor

A sequência de frustrações tinha sido tão acachapante desde aquela troca de olhares com a moça no café, em Paris, e cujo ápice fora atingido com a notícia da morte do maitre, que resolvera sepultar para sempre aquela aventura.

“Para todo o sempre... Jamais se pode dizer isto”, recordou, olhando para a correspondência que acabara de receber do carteiro da zona, no momento exato em que chegava em casa, do trabalho.

Abrindo-a constatou com emocionada euforia que o quase esquecido bilhete, malsinado bilhete, lhe chegara às mãos, afinal!

Alguém o tinha achado no trem e o guardara “com a intenção de enviá-lo a seu dono, como era pedido no verso”, dizia a cartinha recém recebida.

Junto à devolução o remetente anônimo escrevera algumas linhas, onde pedia desculpas por ter demorado tanto em enviar-lhe “aquela carta de amor”, segundo julgava ser, já que confessava desconhecer, também, o idioma francês.

Nosso herói jamais acreditara recebê-la de volta por aquele meio, mas ali estava o papel, um pouco amassado, mas inteiro e perfeito, considerando-se a saga que percorrera.

Ele o segurava com as duas mãos, emocionado.

Correu os olhos, agitado, por sobre o bilhete. Lá estavam todas as palavras; a data; a assinatura, tudo!

E pensou com gratidão no missivista que anonimamente lhe remetera a tão buscada carta até algumas semanas atrás.

“Aqui está ela, afinal”, gritou de alegria, brandindo-a no ar. “Finalmente vou saber o que contém de tão terrível ou execrável esta carta-bilhete”.

As ideias lhe vinham aos borbotões sobre o conteúdo da descoberta daquela verdadeira “agulha no palheiro”.

Continua amanhã (v. parte XI).

Trilha Filarmônica chega a Pelotas

Coro, solistas líricos e Orquestra Música pela Música apresentam-se em Pelotas este domingo (11)  às 19 horas no auditório externo do Colégio Municipal Pelotense, em homenagem a seus 110 anos. Os solistas são: Rosimari Oliveira, João Ferreira Filho e Fernando Montini.

O concerto faz parte do projeto cultural Trilha Filarmônica, que é realizado pelo Ministério da Cultura mediante a ley Rouanet, com patrocínio das empresas Votorantim e Fibria.

Em 2012, as apresentações, todas gratuitas, foram agendadas em Canguçu (abril), Arroio Grande (agosto), Piratini (outubro), Pelotas (novembro) e São José do Norte (dezembro).

Nas mesmas datas de concertos, realizam-se os Encontros com a Música, em que jovens dialogam com músicos profissionais da orquestra.

O auditório do Colégio tem 700 cadeiras, mas o espaço dá para 1200 pessoas. O público pode levar cadeiras próprias e ocupar o espaço livre. Participação especial da Banda do Colégio Municipal Pelotense, bicampeã estadual.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Bilhete (IX)

"Maria Fumaça", óleo de João Barcelos

IX Busca no trem

Mal a porta do 888 se abriu, rente à plataforma, na gare, saltou avidamente para dentro dele, seguido pelo funcionário da Central que, por certo, recebera instruções para acompanhá-lo.

No chão do carro havia mil e um papéis dos mais variados matizes. A ele só interessariam os brancos – pensou logo.

Olhou com animação para o funcionário a seu lado e pediu:

 Poderia varrer tudo para um canto? O que procuro é um documento em forma de uma lauda manuscrita em língua francesa.  e continuou, quase sem tomar fôlego:  Se acharmos o papel de que lhe falo, vou gratificá-lo acima do que reservei para você!

— Ótimo, patrão, mãos a obra, então!  respondeu-lhe o modesto funcionário, empunhando um enorme vassourão e começando a varrer entusiasmado.

Reunida a papelada, cuidadosamente, a um canto, procederam a seleção de todos os papéis pela cor. Os não brancos eram logo eliminados de qualquer exame. Então iniciaram uma busca rigorosa. Nada foi deixado de lado que pudesse interessar.

Cerca de uma hora depois, nosso personagem certificou-se que não estava ali o que procurava com tanto empenho.

Ainda voltou aos bancos em que teria sentado, com certeza, procurou uma frincha na parede de madeira, algum buraco no assoalho, algo que pudesse estar escondendo a buscada lauda, mas nada havia, mesmo.

Sentou-se em um banco dos muitos da gare existentes, cansado, decepcionado e quase desanimado, enquanto assoviando uma música popular qualquer, o varredor ligava um aspirador enorme.

Mas ainda restava a esperança da resposta da carta que Madame Marie escrevera, pensou, procurando consolar-se e compensar o cansaço de que estava possuído, agravado pelo calor reinante e que era conseqüência daquela madrugada tipicamente carioca.

Por aquela época, 1940, uma carta levava cerca de quinze, vinte dias para ir e a resposta voltar, se respondida logo, para a capital francesa.

Teriam de esperar, ele e sua querida amiga, a velha mestra Madame Marie Darrieux, solidária e também ansiosa por um esclarecimento final de tudo aquilo. Faltariam mais duas semanas ainda de espera. De esperançosa espera. Mas confiava que teriam uma resposta positiva do maitre...

A carta fora escrita com muito sentimento e era uma carta até certo ponto promissora

 Aquele trabalho e angústia seriam recompensados  pensou, cheio da sempre válida esperança.

E firmando esquema de ir, no dia seguinte, até a casa de sua ex-professora para dar-lhe o resultado da busca infrutífera que realizara, levantou-se, despediu-se do empregado da Rede ferroviária, e mão nos bolsos, caminhando vagarosamente devido ao calor, dirigiu-se ao portão principal por onde entrara, para ganhar a rua e tomar um táxi.

Continua amanhã (v. parte X).


Estação Central do Brasil (Lucas Fracalossi, canetinha e giz pastel, 2009)
Imagens: J. Barcelos (1), Ju Fumero (2), L. Fracalossi (3)

Nauro escreve um livro de palavras

Nauro Júnior, segundo Paulo Rossi
Nauro Machado Júnior lança hoje (8) seu segundo livro, "Náufrago de um mar doce", uma novela breve de aventura, baseada em fatos ocorridos com pessoas de Pelotas.

A obra está disponível na Livraria Vanguarda (R$ 30), e terá sessão de autógrafos na Feira do Livro de Pelotas e, ainda este mês, em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro (leia notícia sobre este lançamento). Também haverá lançamento no Cassino (veja entrevista com a RBS Rio Grande).

O primeiro livro de Nauro, "A noite que não acabou", foi uma grande reportagem com palavras e fotos, escrita em parceria com Eduardo Cecconi. O "Náufrago...", ainda que pareça estranho dizê-lo, é um livro de palavras, escritas por um observador da vida e do universo, que até agora se valia principalmente das imagens fotográficas para transmitir suas mensagens.

Hoje o fotógrafo se sagra escritor ou, em outras palavras, tradutor das imagens visualizadas no pensamento. Já não se apoia num parceiro jornalista nem sequer na sua grande habilidade como fotógrafo; agora ele exerce a literatura como tal, ou seja, relata fatos (reais e imaginados) com apoio em recursos de ficção, dá aparência de verdade a detalhes inverossímeis e preenche com lembranças pessoais o que a realidade não lhe pôde informar.

Outra característica literária do escritor iniciante é que sua narrativa se inspira em obras específicas de autores consagrados: "Relato de um náufrago", de Gabriel García Márquez, "O velho e o mar", de Ernest Hemingway, "Riacho doce", de José Lins do Rego, entre outros.

Leia abaixo um dos trechos mais dramáticos e decisivos do texto, em que o personagem inicia um seminaufrágio, sem afundar seu barco nem seu próprio corpo, vivendo uma angustiante paralisia existencial. Nesta quase-tragédia, o homem perde a capacidade de navegar e tenta a proeza de sobreviver.


Quando Nico cruzava sobre as redes tropeçou no cachorro que tentava entender o que estava acontecendo. Desequilibrado, agarrou-se com a mão esquerda na cadeira giratória, de onde timoneava o Tatuapú, e tentou espichar a mão direita para segurar a cana de leme completamente torcida para fora do barco, a bombordo. Na tensão de se manter dentro do barco, Nico pegou o leme para colocá-lo no rumo.
Neste instante o barco não navegava mais no rumo leste/oeste, tinha trocado para sul/norte e por isto as ondas entravam de través, fazendo o Tatuapú balouçar. A cada solavanco, Nico pedia a Deus para não se render à fúria do mar. Seria morte certa, desabar naquela água gelada de outono. Pensou em voltar e desligar o motor, porém mais da metade de seu corpo estava inclinado para fora do barco. Precisava agarrar aquela cana de leme e trazer Tatuapú ao rumo. Precisava voltar a ter paz.
O barco subiu novamente de lado em uma onda e quando estava no alto ele enxergou toda a Lagoa. Foi neste ínfimo instante que ouviu o desvario de Tchuco latindo, e o barco descendo novamente. Nesta hora a cana de leme voltou com a força de uma flecha em direção a suas mãos. Nico esperou aquela madeira que ele mesmo falquejou com a palma da mão direita aberta. A esquerda ainda se sustentava na cadeira giratória e instável que insistia em lhe jogar para a água. Quando a ponta da cana de leme chegou a suas mãos, deu um estalo e Nico empurrou a força de seu corpo para se afirmar. Calculou mal seu vigor, e seus olhos viram a cadeira giratória dando voltas, com o corpo voando pela borda em direção à água. Conseguiu agarrar a ponta da cana de leme com as duas mãos e começou a ser arrastado pelo velho Tatuapú. Com o leme todo torcido para a esquerda, o barco começou a navegar em círculos para a direita. Tchuco latia desvairado com as patas na borda do barco, como se quisesse trazer Nico de volta.
The Beach at Dusk, Mitchell Jamieson, aquarela e lápis, 1945
Dependurado do lado de fora, tentava caminhar com as mãos pela cana de leme para se aproximar da beirada do casco e assim voltar a bordo. Com o peso das botas cheias d’água não conseguia. Resgatou toda a força da juventude e espichou uma das mãos em direção ao casco, mas estava a mais de dois metros.
— Por que eu navego só com este cachorro desgraçado que não pode fazer nada por mim? Se ele desligasse o motor, salvaria a minha vida — pensou.
Pisou com a ponta de uma das botas no tornozelo da outra e se viu livre de uma tonelada que lhe puxava para baixo. Tentou tirar a outra, mas não conseguia. Sua cabeça dava voltas e o barulho da água, misturado ao som do motor mais os latidos de Tchuco enlouqueciam-no.
 Cala a boca, cachorro desgraçado, e faz alguma coisa! Se eu tivesse um proeiro como todos os pescadores, me soltava na água e esperava ele voltar e me buscar.
Quando o barco subia na onda conseguia ver a Lagoa, mas quando descia, entrava de lado e Nico mergulhava completamente n’água, mantendo apenas as duas mãos agarradas à cana de leme.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O Bilhete (VIII)


VIII  Remoendo lembranças

Bastava chegar a composição, identificar o vagão em que viajara naquela tarde, cedo, e procurar aquela maldita mensagem. Divagava.

Sentado num dos muitos bancos dispostos na plataforma, reviveu cada cena que vivera em Paris em relação ao bilhete perdido.

Não podia esquecer, por exemplo, a expressão extremamente simpática daquela francesinha que trocara olhares e sorrisos com ele, naquele café parisiense. Depois reviu o garçon entregando-lhe o perfumado bilhete. O seu olhar malicioso quando pediu-lhe que o traduzisse, através de mímica. E a sua imediata reação colérica enxotando-o do café, sem sequer deixá-lo pagar a despesa, quando se inteirara dos dizeres do texto.

E o que pensar da expressão bondosa e compreensiva do maitre do Hhotel Lafayette que, igualmente malicioso, logo se prontificou a dizer-lhe o que continha aquela folha de papel manuscrita no idioma francês?

E logo revisou, em pensamentos, o homem completamente mudado em atitudes, a fazer com que se retirasse do hotel. Na mesma hora.

Finalmente repassou a cena de seu Chefe, em Paris, naquele imenso escritório cercado por enormes vidros e para quem contara, com detalhes, tudo que lhe acontecera de estranho em relação à comunicação recebida de parta da linda moça. De novo sentiu compreensão e boa vontade na fisionomia do homem, para logo transformar-se, e praticamente correr-lhe do escritório; ordenar-lhe que retornasse ao Brasil; ameaçar-lhe com demissão sumária; tudo por causa daquele quadrilátero de papel manuscrito que a moça lhe enviara e que agora buscava com tanta ansiedade.

A rigor, nas últimas semanas, desde que retornara da Europa, só pensava no ocorrido, como uma obsessão.


Afinal, Deus, o que dizia aquela mensagem de tão perigoso, ou que segredos maus continha, que todos ficavam ensandecidos ao tomarem conhecimento de seu conteúdo?

Por quê? Se indagava, repetidamente...

Finalmente, rompendo o silêncio da noite quente, ouviu-se uma sirene e um toque de sino a bater freneticamente.

Um dos funcionários da limpeza acercou-se do banco onde estava sentado e lhe dirigiu a palavra:

 O 888 vem chegando, nesta composição  apontando em direção ao veículo que se aproximava em marcha cada vez mais vagarosa, sob a sinalização, por bandeiras, de um guarda-freios.

Ele levantou-se e olhou o relógio. Eram exatamente 1,30 da madrugada. Em pensamentos fez blague: “Pelo menos hoje este trem está no horário”.

Continua amanhã (v. parte IX).
Imagens:
Exposição Universal em 1900;
aniversário da Torre Eiffel, 1939

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Histórias do "theatro" que cresceu com o imperador


“Sete de Abril: o teatro do imperador” é o livro do jornalista Klécio Santos que será lançado hoje (6) na sede do Instituto João Simões Lopes Neto. Quando um jornalista escreve livros, geralmente segue o caminho do realismo ou do documento. Neste caso, além do conteúdo jornalístico, se trata de uma bela homenagem a um dos maiores ícones culturais de Pelotas, a cidade onde Klécio seguiu seu curso superior.

O sete de abril

A obra conta detalhes e curiosidades do nosso Teatro Sete de Abril, em relação com o imperador brasileiro Dom Pedro II (1825-1899). Este paralelo não deixa de ser original e de agradável leitura, mantendo sempre o sentido da verdade histórica.

O nome do Teatro foi, com certeza, tomado do dia da abdicação, em 1831, do imperador Dom Pedro I em favor do seu filho homem nascido no Brasil, Pedro, então com somente 5 anos de idade. Com a despedida do governante português pouco querido pelo povo, a data marcou o início de um novo período político e passou a ser feriado nacional. Mas em Pelotas ganhou uma segunda conotação.

Um ano depois da abdicação, em 7 de abril de 1832, a Freguesia de São Francisco de Paula, criada vinte anos antes, assumiu a condição de Vila. O decreto era de 1830 mas a elevação vinha sendo adiada por meses e meses, e o dia escolhido foi o deste feriado, talvez por conveniência prática. Por isso a data tem um significado nacional e um local, mas tudo indica que o nome do Teatro tem a força do significado nacional. Os relatos são feitos pelo historiador Mario Osorio Magalhães (veja histórico da Câmara e um histórico do Teatro).

O dois de dezembro

O aniversário natalício de Dom Pedro II também faz parte da história do Teatro. A construção foi terminada em 1834, mas a sala já funcionava antes disso e a inauguração foi feita em 2 de dezembro de 1833, dia em que o futuro imperador completava oito anos.

Com reformas em 1870, em 1916 e em 1927, o prédio ficou fechado uns anos, após ser tombado e municipalizado, na década de 1970. A reabertura ocorreu exatamente 150 anos depois da inauguração, também em 2 de dezembro (dir.). Desde 2010, o Teatro se encontra interditado, à espera das verbas para uma restauração.

A reforma ortográfica de 1943 aboliu no Brasil o uso do dígrafo "th", mas os pelotenses seguem usando até hoje, contra as regras nacionais, a grafia antiga Theatro Sete de Abril. O motivo aduzido é que um nome próprio não poderia ser alterado, mas o mesmo não ocorre com entidades como o Clube Comercial, que deveria então ser grafado Club Commercial. Sobre esta questão, veja as notas Conservadorismo ortográfico e Atualização ainda que tardia.

O autor do livro

Atualmente editor-chefe do Grupo RBS em Brasília, Klécio Santos começou sua carreira de jornalista em Pelotas. Em 2010 recebeu o prêmio Trezentas Onças, em reconhecimento aos que se destacam pela preservação da memória e pela divulgação da obra de João Simões Lopes Neto. Foi ele quem publicou a descoberta da casa que pertenceu ao Capitão, onde atualmente é a sede do Instituto.

O livro, que traz textos inéditos dos pelotenses Simões Lopes Neto e Francisco Lobo da Costa, sai pela editora Liberatos e terá distribuição em Porto Alegre e Brasília. Veja no sítio de Zero Hora uma foto dupla (arraste o slider) que mostra o teatro hoje e em 1916.

Além da cerimônia de lançamento de hoje (6), o autor autografa na Feira do Livro de Pelotas (7-11) e na Porto Alegre (10-11). Fotografias de Nauro Júnior. À venda na Livraria Vanguarda (R$ 50).
Imagens: F. A. Vidal (1, 3), RBS (4)