quarta-feira, 31 de julho de 2013

Seu Palombo virou lenda

Faleceu nesta última madrugada de julho, durante o sono, o mais antigo frequentador do Café Aquários: o filho de imigrantes italianos Renalto Risi Palombo. Ele faria 105 anos daqui a 15 dias.

Numa entrevista, disse nunca ter casado, somente namorava... com a vida (v. artigo do jornalista José Cruz). Em abril de 2013, o portal Someecards criou um cartão em inglês com uma frase dele (esq.), tomada provavelmente desta notícia. Por curiosa coincidência, o aniversário de Seu Palombo (15 de agosto) é recordado, não se sabe por quê, como o Dia dos Solteiros (v. Wikipédia). Outro detalhe chamativo é que ele viveu exatamente a soma das idades de seus pais, ambos falecidos com 52 anos (52 + 52 = 104).

Em 2008, Zero Hora publicou a notícia dos cem anos (leia aqui) e seguiu reporteando até o ano passado (Alfaiate de Pelotas completa 104 anos). Nauro Júnior vinha fotografando Seu Palombo desde 2008, e lhe presta agora a homenagem de despedida com os seguintes versos.



O silêncio do café

Hoje as xicaras não vão tilintar
O burburinho do balcão vai silenciar
O engraxate não vai batucar
Porque o Palombo não vai chegar

Ele tomou café antes do Café existir
Sempre voltou para ver um amigo sorrir
Cruzou séculos, costurando a vida sem intervir
Com 105 anos foi embora sem se despedir

Era o torcedor do Pelotas mais antigo
O Café Aquários era seu maior abrigo
Em cada esquina da XV tinha um amigo
Foi em silêncio, levando uma ficha do Café consigo.
Nauro Júnior
Texto e foto: Facebook

Ana Alice Francisquetti e a reabilitação pela arte

Gravura em metal de Ana Alice Francisquetti
Este fim de semana, a artista plástica e arteterapeuta paulista Ana Alice Francisquetti ministra em Pelotas um curso sobre a reabilitação através da arte, aplicável em casos de paralisia cerebral, síndrome do pânico, traumatismo encefálico, acidente vascular e outras patologias. Também conduzirá um workshop sobre "As Mãos" e, na área propriamente artística, traz uma série de gravuras em metal, que serão expostas na galeria do Ágape, Espaço de Arte (Anchieta 4480).
  • Exposição "Interseções: a corda e o mar": abertura quinta (1-8) às 19h.
  • Arteterapia na Reabilitação, minicurso: sexta 14-19h e sábado 9-12h.
  • Pintura de jovem em tratamento com Ana Alice
  • Workshop (oficina prática sobre trabalho com as mãos): sábado (3-8) 14-18h.
As atividades são dirigidas a profissionais e estudantes da saúde, educação, arte, serviço social, psicologia, psicopedagogia, reabilitação em geral e a todo interessado nestas áreas. Mais informações: 3028 4480 e 8438 4480.

Os valores são os seguintes: CURSO: R$ 180. WORKSHOP: R$ 90. CURSO + WORKSHOP: R$ 240 (há desconto para estudantes e para quem se inscrever até 1 de agosto)

Ana Alice é Artista Plástica, Gravurista, Arteterapeuta e pioneira no uso da Arteterapia na Reabilitação de pessoas com necessidades especiais, sendo pioneira da Arte Reabilitação no Brasil. É fundadora e supervisora do Setor de Arte-Reabilitação da Associação de Assistência à Criança Deficiente, onde trabalha com crianças e adultos com deficiências físicas; especialista no atendimento de pacientes com problemas neurológicos e autora/organizadora dos livros "Arte Medicina" (2005) e "Arte-Reabilitação" (2011).

Na área artística, realizou vinte mostras individuais no Brasil e participou de várias exposições Internacionais coletivas de gravura. Veja algumas de suas obras que fazem parte do acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Imagens: Ágape

terça-feira, 30 de julho de 2013

39 mil (poema)



Eu vi umas imagens do austríaco Felix Baumgartner que bateu o recorde de queda-livre... ele saltou de 39 mil metros de altitude e isso é tão alto, mas tão alto que eu não sei se ele é paraquedista ou astronauta.

***

Da câmera da nave dele dava pra ver o planetão azul, que em vez de Água se chama Terra, seus relevos, suas cores... tudo num tempo parado, um giro sincrônico com o sol, com a lua e outros elementos do universo... e eles se mostram todos ora grandes, ora inexistentes...

E o astronauta lá, se preparando para um salto pro infinito... partindo das estrelas e voando, como um saco de batata voa, em alta velocidade, num breve instante onde nem parece haver problemas humanos em tamanha vastidão... onde não parece nem mesmo haver humanidade.

***

E eu estou aqui
Pensando nas horas que não consegui estar
E de repente percebi
Que só estava por estar
E a hora que antes nunca fora
É hora que não volta mais
A hora adiante, tão apressada
Nunca atraca neste cais...

E estou agora
Com o agora sobre o colo
Me fazendo tatuagem...
Como uma sombra inevitável deste objeto-mente
Construindo o que se chama de realidade
Confundindo o tempo com relógios de pulso.

***

Então sentei quieto pra pensar em alguns problemas.
E problemas são como os astros, ora grandes, ora minúsculos.
E eu modulo o tamanho deles em momentos de silêncio, onde todos fogem e desaparecem...
      [Os problemas não suportam quietude!!!

Olho pro céu e vejo algumas nuvens, onde estrelas brincam de esconder.
O céu é belo e muda a toda hora... É sempre belo o céu.
Meu pensamento sobe a pontos quase que inalcançáveis... e eu quase bato frontalmente com um astronauta, descendo em queda-livre sem parar...
Um escafandro da outra ponta do infinito...
Testando seus limites demasiadamente corporais...

Ele irreversivelmente cai
enquanto eu momentaneamente saio.
Nós dois em sentido contrário, sem olhar pra trás.

E o homem que cai procura a si na Terra;
O homem que sai procura a si na imensidão.
Duda Keiber
18 março 2013

Foto e texto: Blog do Duda Keiber

Satolapp acompanha o Sete


Em 30 de julho, o aplicativo Satolapp Cultural já tem mil seguidores e segue em desenvolvimento para divulgar o cenário cultural pelotense. Há uma semana, a equipe publicou a foto acima e anunciou que acompanhará o andamento da reforma do Teatro Sete de Abril, a sala mais antiga do Estado (inaugurada em 1834), desativada há 3 anos e meio.

Como o processo de reforma recém está começando, esperam-se novidades para os próximos dois anos, pelo menos (o Mercado precisou de quatro anos para reabrir, e ainda não retomou o ritmo normal). A expectativa é de que o Sete de Abril volte a fazer brilhar a vida da cidade e seja cada mais valorizado pelo povo pelotense.

POST DATA

20-8-13 Jornal ZH noticiou: Dilma anuncia verbas para o Sete de Abril.

23-8-13 Satolapp Cultural postou a foto abaixo.


4-9-13 Diário Popular reporteia as reformas: Hora de tirar dúvidas sobre o Sete de Abril.

Fotos (1-2): Facebook

32º Sarau apresenta Paulo Leminski


Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra
Paulo Leminski

O Sarau na Biblioteca deste mês traz a poesia do curitibano Paulo Leminski Filho (1944-1989). Neste mês de agosto ele estaria fazendo 69 anos (v. biografia na Wikipédia). Segundo o escritor, a poesia é um inutensílio.

O programa Metrópolis (vídeo abaixo) dedicou uma reportagem ao poeta que queria converter-se em palavras (confira mais escritos dele na Revista Bula e no sítio Mensagens com amor).

domingo, 28 de julho de 2013

Gahuer faz nova turnê europeia


O violonista Gahuer Carrasco está realizando nova turnê por cidades da Europa, que visita desde 2006 levando a música hispânica, tradicional, clássica e autoral.

Gahuer no porto da Ilha de Siro
Na semana passada ele se apresentou como cantor e como instrumentista no Festival de Pescara, Itália (v. álbum de fotos), e esta noite (28-7) tocou no Festival de Violão de Hermópolis, na Ilha de Siro (v. notícia em grego).

As cenas gravadas nesta viagem formarão o documentário "EuroTur 2013! Pelos caminhos da Europa".
Vídeo: Facebook

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Geada em Pelotas


O Diário Popular publicou imagens da geada na zona rural de Pelotas (Colônia Maciel), registradas ao amanhecer por Carlos Queiroz (v. álbum no Facebook). Estamos sofrendo os efeitos de uma frente polar que chegou há uma semana e está esfriando sem piedade a metade sul da América do Sul (no Rio de Janeiro a temperatura já baixou até 13 graus centígrados). A informação meteorológica é de que a mínima em Pelotas foi de 2 graus negativos, sem chuva nem neve (v. fotos de 2012, quando tivemos 3 abaixo de zero).

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Programa sobre o Dia do Homem

O vídeo mostra o programa Entre Nós da quinta passada (18-7) na TV Cidade, em que a jornalista Fernanda Puccinelli conduziu um diálogo de uma hora com o músico Toni Konrath e o psicólogo Francisco Vidal, sobre a realidade atual a propósito do Dia Nacional do Homem. A Wikipédia registra os objetivos do Dia Internacional do Homem, apoiado pelas Nações Unidas.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Ateliê Cinarte traz vida e otimismo


Em junho de 2013, o Atelier de Pintura Cinarte, da professora Cinara Maria Oliveira Costa, apresentou parte de sua produção recente, trazendo ao Corredor Arte do Hospital Escola uma dose de vida e otimismo. Pinturas em acrílica e óleo sobre tela, a maioria representava flores, casarios e figuras humanas. As obras foram produzidas por Cinara Costa e cinco alunas: Sandra Domingues, Teresinha Gularte de Farias, Urânia Plá, Odete Pinto Caldeira e Vera Freitas.

Já fazem 17 anos que Cinara abriu o ateliê, após toda uma vida como professora escolar e como aprendiz de artista. Hoje ela é amiga e colega de suas alunas (v. post de 2011 neste blogue).

Uma natureza-morta sobre maçãs (acima) exercia uma forte atração aos passantes, por múltiplos fatores: o verde e o vermelho despertando lembranças do Paraíso, as formas arredondadas lembrando a sensualidade de tentações como a de Branca de Neve e, segundo a fome do espectador, uma das frutas cortada pela metade podia suscitar água na boca.

Outro estudo mostrava mulheres negras, jovens mães e trabalhadoras (dir.), num clima tropical como o do Brasil mas sem a realidade circundante. Além de evocar traços do artista Carybé (v. artigo sobre o pintor), a ideia parecia ser mais antropológica, e dentro do hospital associar-se ao dom da vida e da maternidade.
Imagens: Corredor Arte

terça-feira, 23 de julho de 2013

Oficina para elaborar projetos culturais


Na tarde desta quarta (24-7) será ministrada a oficina Elaboração de Projetos, minicurso prático que tem em vista a participação mais ampla possível dos artistas locais no fundo municipal Procultura. A oficina é promovida pelo CONCULT (Conselho Municipal de Cultura) e apoiada pela SECULT. Como nas duas edições anteriores alguns bons projetos foram reprovados por simples vazios de redação ou falhas de confecção, o Conselho e a Secretaria de Cultura organizaram esta preparação educativa, que é gratuita (até 70 participantes).

O concurso municipal permite financiar projetos culturais como espetáculos, livros, oficinas gravação de discos, por até 25 mil reais. As inscrições deste ano vão até 5 de agosto Inscrições pelo e-mail procultura.pelotas@gmail.com ou diretamente com a SECULT: 3225 8355.

Dominguinhos viveu 107 anos (1809-1916)

Typos Populares: Dominguinhos
cartão postal de Meyra&Cia (c. 1916)
O africano conhecido como Dominguinhos foi uma das variadas personagens que Pelotas conheceu, há cem anos. Nascido livre, depois escravizado, recuperou a liberdade ao redor dos 70 anos... e ainda pôde superar um século de vida.

Com sua morte em 1916 ele foi notícia de jornal e sua foto virou cartão postal. A imagem (dir.) pertence ao cartofilista Pedro Fernandes Prietto (1897–1985), e foi publicada pelo sítio Viva o Charque (álbum Postais de Pelotas, parte 6, v. referência abaixo). O selo de 20 réis com a figura de Benjamin Constant circulou até 1917 (v. RHM Filatelistas).

A descrição abaixo, sem autor identificado, foi tomada do almanaque "A Cidade de Pelotas", de 1921, que lista alguns tipos populares, na verdade pessoas desadaptadas, excêntricas, tidas como estranhas ou com valor folclórico (Joca, Velho Carneiro, Boiota, Deus Te Livre, Roberto Macacão, Maria do Gato).

Natural do Congo, Dominguinhos veio para a Bahia já casado. Sendo vendido como escravo para o Rio Grande, veio depois para Pelotas, onde casou pela segunda vez. Dançando, cantando e rindo, passava os dias ao sol, comendo rapaduras, de que muito gostava. 
Como o carneiro do batalhão cheio de guizos e fitas, surgia o vulto grotesco, minúsculo, quase invisível do Dominguinhos, trovador da cor inconfundível do carvão, dançarino incansável que atravessou a vida sempre carreando o peso da desventura, constantemente a rir, a cantar, a dançar, para ver se a boa sorte despertava do sono que para ele seria eterno... 
Aquele metro de gente durou mais de um século (107 anos) a esperar a morte. Pobre alma! Nasceu quando o século XIX tinha apenas oito anos, o século expirou e ele sobreviveu; o século foi das luzes e morreu numa apoteose de grandezas e ele viveu sem luz para morrer numa apoteose de miséria. 
A morte parecia ter-se esquecido de o levar na onda, o século viveu numa orgia de sol e ele, sempre negro, atravessou-o na escuridão da ignorância profunda e quando o novo século surgia numa alvorada polar bizarra, cortada pelo jato dos holofotes e pela asa ligeira dos aeroplanos, o Dominguinhos desceu à terra e nem os sete palmos clássicos os seus despojos ocuparam, que tanto não tinha ele de altura, mas a memória de cinco gerações está cheia dessa figura de preto que se fez branco para viver na tradição.
Fonte da imagem: http://www.vivaocharque.com.br/albuns/postais_pelotas/index_postais
Livro "A Cidade de Pelotas" pertence a Giane Casaretto

domingo, 21 de julho de 2013

Psicanalista José Outeiral, 65 anos

O psiquiatra e psicanalista José Ottoni Outeiral morreu neste sábado (20-7) em Porto Alegre, após três anos de luta contra um câncer pulmonar. Aos 65 anos, ele precisou de uma cirurgia por uma intercorrência intestinal e não pôde superar as complicações pós-operatórias. A notícia foi dada no mesmo dia pelo portal de notícias G1, e domingo pelo jornal ZH (v. matéria).

Outeiral no Café Filosófico, em 2008
Estudioso de Winnicott, Outeiral escreveu Adolescer, livro que originou uma peça de teatro que está em cartaz há 11 anos e já teve 500 mil espectadores, em Porto Alegre (veja o sítio da peça Adolescer). No sítio de José Outeiral são citados 25 livros em que ele participou e podem ser baixados 102 textos do psiquiatra.

Outeiral seguiu sua formação no Instituto de Psicanálise de Pelotas, mesmo residindo em Porto Alegre. Aqui concluiu a formação, e continuou frequentando a Sociedade Psicanalítica de Pelotas, da qual foi membro e analista didata. Não deixava de vir a Pelotas para lançar seus livros e palestrar cada vez que o convidassem, assim como pelo resto do Brasil.

Em maio de 2013, o Caderno Vida de ZH iniciou uma nova fase com 8 colunistas tratando de dois temas principais: "Minha Vida" e "Nossos Filhos" (v. detalhes). Outeiral foi o estreante deste último, e chegou a publicar o artigo A importância de dizer "não".

Em novembro de 2008 ele participou numa edição do "Café Filosófico" sobre o tema "família contemporânea" (confira vídeo do programa e artigo do palestrante). Veja, abaixo, a primeira parte do programa Conexão Futura em que Outeiral foi entrevistado no Rio de Janeiro, em 2011 (na 2ª parte do programa, perguntas ao vivo do público).


Imagem: Flickr CPFL Cultura

POST DATA
25-7-13

  • Foi anunciado para hoje (25) um minuto de silêncio em homenagem a José Outeiral na abertura da 3ª Conferência Internacional de Psicanálise, em Fortaleza (CE).
  • Sábado (26) haverá oração por ele em duas missas: na Igreja do Perpétuo Socorro, em Brasília, e na Igreja das Irmãs Missionárias, em Fortaleza (em ambos casos, às 19h).
  • Domingo (27), missa às 18h30 na Igreja da Ressurreição, em Porto Alegre (Colégio Anchieta).
  • Em agosto (sábado 17), filme "Milongas" seguido de debate sobre memória e sobre o encontro com o dr. Outeiral (Rua Japuanga 235, São Paulo).

sábado, 20 de julho de 2013

"Saudade", um hino para a cidade natal

Busco o mundo todo pra te ter aqui
Muito perto pra eu te ter ou te notar
Ando a noite toda já sem direção
Tua noite é que me traz de novo a mim

Aqui mesmo ou em qualquer lugar
Quase sem sentido algum
Aqui mesmo ou em lugar qualquer
Só estando aqui

Meu lugar, sonhos de infância na memória
Onde eu vá, numa só cidade o mundo mora
Teu olhar traz de volta a noite de um lugar
Onde um dia eu pude ser feliz só por ser

Quando o vento ao longe tenta me levar
Por alguém ainda hoje a me esperar
Lembro nessa chuva cenas de um lugar
A magia vem no tempo a viajar

Vem pro Sete que hoje eu vou cantar
Uma canção pra dizer
Que meu corpo onde quer que vá
Não me leva mais
Letra e música: 
Toni Konrath (2001)

Poesia no Bar, 14ª noite


No vídeo acima, registro de Rodrigo Elste para a 14ª edição do projeto Poesia no Bar, realizada em 18 de maio no restaurante Madre Mia! (Santa Cruz 2200, Pelotas). Na ocasião, poetas residentes em Pelotas e convidados (Rio Grande, Jaguarão e Porto Alegre) declamaram suas obras, Ju Blasina recitou Bukowski e foi lançada a Revista Mandinga, sítio virtual focado em arte e literatura, criado por Daniel Moreira e Ediane Oliveira (v. fotos de Camila Hein).

Os autores apresentados no vídeo são: Álvaro Barcellos, Daniel Moreira, Duda Keiber, Ediane Oliveira, Gabriel Borges da Silva, Israel Mendes (P.Alegre), Jorge Braga, Ju Blasina (R.Grande), Junelise Martino, Márcio Ezequiel, Martim César Gonçalves (Jaguarão), Rogério Nascente, Sérgio Christino, Valder Valeirão, Vicente Botti e Vinícius Kusma.

Poesia no Bar nasceu em Pelotas, no inverno de 2010, para introduzir literatura mensalmente às noites urbanas, usualmente cheias de música, conversa, comida e bebida. A ideia do músico uruguaio Vicente Botti foi distribuir marca-páginas em restaurantes, lugar onde não se costuma ler. Os marcadores trazem frases e poemas de novos autores, especialmente os regionais, despertando assim novos sentidos (luzes, sons, sabores) para a poesia literária, de modo poético. O projeto também organiza e apoia outros eventos que expandam e fortaleçam a poesia (mais informações no E-Cult).

A 15ª noite de Poesia no Bar foi ontem (19) em Jaguarão, no restaurante do Hotel Sinuelo (v. álbum de fotos).

Texto e imagens: Facebook
Música do vídeo: "Better Things", de Massive Attack (áudio completo)

As Memórias do Vovô e seus óculos


"As memórias do vovô" (Pelotas, 2013) é um documentário da Moviola Filmes sobre "Os óculos do vovô" (Pelotas, 1913), curta-metragem rodado por Francisco Santos, ator e cineasta português que veio morar em nossa cidade. O documentário da Moviola, também um curta, traz informações sobre Santos e a obra pioneira rodada por ele há cem anos. Pelos registros que se tem hoje, "Os óculos do vovô" é o mais antigo filme de ficção do Brasil (veja post neste blogue).

A estreia d'As memórias será no 41º Festival de Cinema de Gramado (Mostra Gaúcha), em agosto (veja o sítio do Festival 2013 e a página no Facebook).

A pré-estreia será em Pelotas na próxima quinta (25-7), às 20h, no auditório do Centro de Artes da UFPel. O seminário «100 anos do filme "Os Óculos do Vovô"» inclui uma exibição dos dois curtas e um debate sobre cada filme (v. programa à dir.).

Para contar a história d'Os óculos, a equipe dirigida por Cíntia Langie gravou depoimentos de especialistas em cinema (Joari Reis, Luís Rubira, Ivonete Pinto, Guilherme da Rosa e Lanza Xavier), durante o 3º Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação, em 2012.

Naquela ocasião foram exibidos por primeira vez em Pelotas os fragmentos restaurados do filme de Santos, e desde então vem sendo preparado este documentário (v. nota da Moviola).

A parte mais simpática do novo filme é um remake d'Os óculos, reconstruindo a estética, o relato e os personagens originais de 1913. No atual elenco destacam-se Daniel Furtado (como Francisco Santos), Rodrigo Varela (menino traquinas), Nadir Brabito Bandeira (senhor que ouve rádio).

Francisco Santos (o avô) e seu filho Mário (o neto travesso)
"As memórias do Vovô" conta com roteiro, direção e montagem de Cíntia Langie, direção de arte de Bianca Dornelles, trilha sonora original de Eduardo Varela, animação de Bruna Thaís de Paula, finalização de Thiago Rodeghiero, finalização de áudio de Lauro Maia (A Vapor Estúdio) e design gráfico de Paula Langie (Nektar Design).

Confira no vídeo abaixo, os restos do filme de 1913 que foram recuperados em São Paulo na década de 1970. Esta versão abreviada do curta histórico já foi exibida em festivais de Gramado (2009) e Pelotas (2012). O original teria provavelmente uns 15 minutos. A postagem foi feita por Ricardo Vilas Boas em abril de 2013.


Imagens: Facebook

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Piano Presente em Pelotas


A pianista Joana Holanda, doutora em Música pela UFRGS em 2006 e radicada em Pelotas desde então (v. currículo), dedica seu primeiro CD à obra pianística de brasileiros contemporâneos, repertório pouco conhecido no Brasil, que ela aborda com segurança e sentimento. A intérprete organizou este projeto em que ela interage com os compositores e se transforma em eficiente ponte de divulgação destes perante o público.

O disco foi lançado pelo SESC-SP e já se encontra à venda (v. nota). O lançamento em Pelotas será na quarta-feira 24 de julho, e incluirá duas atividades em sedes do Conservatório de Música da UFPel:
  • Convite à escuta: bate-papo com a intérprete e os compositores Carlos Walter Soares e Rogério Constante, ambos porto-alegrenses e professores da UFPel. Às 10h, na rua General Neto 691.
  • Concerto de lançamento: recital de Joana Holanda com obras de Alexandre Lunsqui, Carlos W. Soares, Gabriel Penido, Marcílio Onofre, Marisa Rezende, Rogério Constante, Rogério Vasconcelos e Tatiana Catanzaro. Às 19h30min, na rua Lobo da Costa 1877.
O SESC divulga o disco Piano Presente no vídeo abaixo, com depoimentos da organizadora e intérprete Joana Holanda e dos compositores A. Lunsqui, G. Penido, R. Constante e C. W. Soares.


Imagens: divulgação

POST DATA
Lançamento no Rio de Janeiro (v. nota).

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Lápis verde (poema)


Na calada da noite,
você nem vê
o que faço,
com a ponta macia
do lápis verde 6B.

Sem perder a calma,
posso furar seu olho,
cutucar sua alma,
devagar,
te sujar de lama,
furar a bolha,
e te derrubar da cama,
semana após semana,

e você nem vê
os gritos,
escritos borrados,
orgulhos, pecados,
nus,
desenhados,
com a ponta macia,
do lápis verde 6B.
Alexandre Vergara

Fotos que nos lembram Chico Madrid


Este sábado (20-7) às 20h, a Sociedade Científica Sigmund Freud e a família Madrid Francisco receberão amigos para inaugurar a quarta exposição póstuma de Chico Madrid, fotógrafo jornalístico que partiu em 2009 aos 28 anos (v. o post Fotos de Chico Madrid). A pedido da família,  três de seus amigos fotógrafos fizeram uma seleção de negativos a partir de seu acervo de fotos em preto e branco, inclusive da era pré-digital, e daí nasceu esta mostra.

A exposição segue até 3 de setembro em horário comercial no Espaço de Arte Chico Madrid (Princesa Isabel 280, conjunto 302), com curadoria de Eduardo Devens. O relato a seguir é o discurso de apresentação da mostra, escrito por Anna, irmã de Frederico Madrid Francisco, o Chico Madrid.

FOTOS QUE NOS LEMBRAM CHICO

Após a morte do Frederico, há quatro anos, seus familiares encontraram, entre os pertences dele, muito material fotográfico: papel para ampliação, produtos químicos para revelação, muitos rolos de negativos, pinças para manipulação de negativos, um amplificador tcheco, livros sobre fotografias e coletâneas de fotógrafos famosos, etc. Este material fora comprado, no país e no exterior, por seus familiares, a pedido do Fred. Ele usou parte deste material e deixou outra parte sem usá-lo, ao falecer.

Em vida, era freqüente que Fred improvisasse um laboratório fotográfico, no quarto de seu irmão mais velho, Bruno, que já não mais residia em casa. Vedava todas as frestas, para não entrar luz; cobria uma lanterna com um plástico vermelho, para não velar os filmes e as cópias. Assim, revelou muitas fotos em preto e branco. Fazia isto madrugada adentro. Dia seguinte mostrava garboso seu trabalho, sua obra de arte, para nós. Em certo momento chegou a pensar, junto com seu pai, em construir, anexo à casa, um espaço próprio para esta atividade.

Para fazer suas fotos em negativo, Fred usava uma Olimpus OM 1, que deixou de ser de seu pai, assim que Fred nela lançou mão. Pai e filho ficaram muito contentes, quando Fred expressou o desejo de ficar com a máquina fotográfica de seu pai. Outra alegria inesquecível foi quando Fred recebeu, por correio, uma Rolleiflex 2.8 F, que seu avô trouxera da Inglaterra, onde havia morado, nos anos sessenta. Vô Jorge era muito cuidadoso e a Rolleiflex estava na caixa original, com muito pouco uso. Quando o avô soube que seu neto dedicava-se à fotografia, tratou de lhe fazer esta surpresa, enviando a máquina de Curitiba. Fred mostrava este “troféu” para seus amigos fotógrafos, comemorando a raridade e o estado da máquina, bem como por ser um presente de seu avô.

Quando seus familiares puderam, pois morte não permite isto de início, pensaram e resolveram oferecer este material fotográfico a quem pudesse usá-lo. Era como uma doação de órgão!

Imediatamente seus colegas e amigos do Diário Popular foram lembrados. Só que eles também precisaram de um tempo para vir até nossa casa para ver este material, certamente porque não era fácil para eles esta situação. Depois de muitas conversas, Carlos Queiroz, Moysés Vasconcelos e Paulo Rossi – respectivamente Carlinhos, Moitinha e Alemão, como Fred carinhosamente os chamava – combinaram que viriam olhar os negativos de fotos que Fred havia feito e dali retirariam um material para a atual exposição. Para tanto selecionaram os negativos que estivessem em condições de serem escaneados. Mas não era fácil encontrar um escaner para negativos daquele tempo. Se não fosse o hábito de guardar máquinas antigas, de outro fotógrafo amigo do Fred, talvez não fosse possível apresentar hoje as fotos desta exposição. Foi graças a Paulo Post, amigo de muitas horas e de viagens, que agora podemos ver ampliadas as FOTOS QUE LEMBRAM CHICO, em preto e branco.

No que me diz respeito, eu Anna, era a caçula da família, quando Fred nasceu. Meu irmão causou-me um duplo golpe: perdi o lugar de caçula e perdi metade da minha mãe que teve de dividir-se entre nós dois, pois eu tinha apenas um ano e quatro meses de idade. Na minha idade, ele foi persona non grata, pra começar. Mas Fred era também muito calmo, carinhoso e mimoso, tornando-se facilmente um boneco vivo para as fantasias de uma menina sentir-se também mãe dele.

Existe uma canção da época da juventude de meus pais que diz o seguinte:

À l’ombre de nous restera toujours
au noms de l’amour un goût d’éternité.
Au noms de notre amour
Une ombre va rester.

Em tradução livre seria mais ou menos assim:
Na sombra de nós, ficará para sempre, em nome do amor, um gosto de eternidade.
Em nome de nosso amor, uma sombra vai ficar.
Nas muitas vezes em que revejo as fotos deixadas pelo Fred, imagino-as como recados dele sobre sua forma de ver o mundo e as pessoas. Suas fotos representam imagens da sombra de sua existência e da relação que um dia vivemos com ele. As fotos do Fred são sombras dele para nós. Nesta noite podemos ter o Fred através destas sombras. Em nome de nosso amor, estas sombras vão ficar.
Muito obrigada!
Anna Anderson Madrid Francisco
Pelotas, 20 de julho de 2013

"À l'ombre de nous", música do filme "Um homem e uma mulher" (1966),
cantada por Pierre Barouh, que representou o esposo falecido de Anne (Anouk Aimée)

Imagens: Espaço Chico Madrid

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Exposição Retrointrospectiva

O artista plástico Alexandre Lettnin está apresentando no Centro Ágape trabalhos realizados desde os anos 90 até hoje. Ele já lecionou na UFPel mas deixou a docência para dedicar-se à produção criativa.

A mostra Retro-Introspectiva lança um olhar para trás no tempo e para dentro na obra do artista. O neologismo cita dois conceitos que não costumam reunir-se: introspecção (olhar para si mesmo) e retrospectiva (revisão de um tempo passado). De acordo à regra atual, o prefixo "retro" não pede hífen (na forma usada no título deste post), mas é mais oportuno e didático colocá-lo, como fez o artista, para definir essa duplicidade de olhares.

Já à primeira vista, ao chegar à Galeria JM. Moraes, pode-se perceber grande diferenças de técnicas, temas, formatos e gêneros, e a exposição é um convite e um desafio ao visitante para relacionar e sintetizar tanta diversidade. O espaço ajuda para que os olhos se espalhem, se concentrem, girem, subam e desçam, nesta busca da integração.

A exposição segue até 29 de julho, de segunda a sexta (9-12h e 14-19h) e sábados (10-18h). Grupos podem agendar visitas e terão uma guia com o próprio artista (8416 6762 ou 3028 4480). Para quem quiser conhecer melhor o processo de trabalho de Alex Lettnin, nesse último dia (29-7) às 19h haverá uma conversa com o público.
Fotos: Ágape


Vista da entrada principal do Solar da Baronesa, segundo Alexandre Lettnin

Rua General Osório em 1860


Este quadro ("Rua Augusta") representa uma cena da rua General Osório, entre Tiradentes e General Teles, há 153 anos. Trata-se de um óleo sobre tela (53 x 64 cm), pintado em 1950 por Francisco de Paula Faria Rosa Sobrinho numa recriação de outro, de 1860, de autoria de seu tio Francisco de Paula Faria Rosa. O sobrado à esquerda, de traços coloniais (na época, Rua Augusta nº 511), era a casa onde morava Faria Rosa, conhecido na família como Tio Paulo.

Segundo informação de Roberto Moura Bonini, descendente desta família de artistas, a obra original tinha tons mais escuros e maior riqueza de detalhes. O teatrólogo pelotense Abadie Faria Rosa, falecido em 1945, era outro sobrinho do pintor, que deste recebia grande inspiração e levou o quadro do tio para o Rio de Janeiro. Veja outros quadros de Faria Rosa no álbum Pelotas na arte, de Roberto Bonini.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Os gritos e os silêncios dos muros


Habitualmente se diz que as paredes têm ouvidos: silenciosas no meio do ruidoso mundo, elas parecem recolher terrores, angústias e raivas dos cidadãos que dormem em casa e dos que circulam pelas ruas como pilhas elétricas carregadas, prontas a explodir ou a vazar. O Muro dos Lamentos não tinha outra serventia que a de guardar infinidade de segredos em seus minúsculos interstícios.

Casa abandonada, na Quinze de Novembro
Nas cidades contemporâneas, existem as chamadas "zonas mortas", aquelas onde não mora ninguém e onde ninguém se atreve a ficar, verdadeiros buracos que atraem depressivos, niilistas e arqueólogos.

Nessas áreas habitadas somente por fantasmas decaídos e mofados, os muros funcionam como depósitos de gritos, de lamentações que um dia emudeceram e ficaram ecoando, no ilusório silêncio das paredes (v. o artigo Livros de pedra, de Manoel Magalhães).

As frases das muralhas de hoje são testemunhos que sobraram de uma época de reflexão – hoje carente de jornais comunitários – e de amor pela liberdade de expressão, mesmo sem costume e sem disposição para escutar.

Interrogações, provérbios, protestos, palavras de ordem, riscos e rabiscos são os fonemas do inconsciente que ousam aparecer à vista pública (por momentos, pois logo são apagados). Esse linguajar primitivo fica à vista de todos aqueles mesmos que o ignoram. Sem os muros como suporte para a gritaria moderna, o que seria da vida nas cidades?

Os rabiscos são as letras da selva urbana.
As paredes menores, entre 2 e 4 metros, não atrapalham a vida urbana com seus monossílabos, seus rabiscos e murais coloridos. Suas frases equivalem a vozes de crianças rebeldes, abandonadas pelos mais velhos, magoadas pelas tradições.

Mas há na cidade construções que parecem tão antigas e pesadas como as muralhas de 30 metros de Jericó, a cidade de dez mil anos. Nelas cabem os maiores gritos da humanidade, aqueles que não podem ser gritados pelas criaturas nem escutados pelo Criador.

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Fotos: M. S. Magalhães (1, 3) e F. A. Vidal (2)

domingo, 14 de julho de 2013

Debates sobre Pelotas e sua identidade

Precedendo a publicação do segundo volume do Almanaque do Bicentenário de Pelotas, prevista para novembro de 2013, a Confraria do Almanaque promove, de julho a outubro, um ciclo de quatro debates com o título Pelotas, uma outra história. Uma terça-feira por mês, sempre às 19h, no térreo da Biblioteca Pública, com entrada franca.

A série de encontros busca discutir sobre as origens, as características históricas e a contemporaneidade da cidade de Pelotas. Na mesa, sempre com a mediação do professor de Filosofia da UFPel Luís Rubira, debatem historiadores, professores, reitores, artistas, intelectuais e agentes culturais.

Adão F. Monquelat em novembro de 2012
Esta terça (9-7), no primeiro debate (Como surgiu a cidade de Pelotas?), o tema foi a pré-história dos Campos das Pelotas e da Freguesia de São Francisco de Paula, com os pesquisadores autodidatas Adão Fernando Monquelat e Jarbas Rosa Lazzari. A reunião não lotou a sala, mas o debate de duas horas foi muito intenso, cheio de informações e de emoções.

Monquelat apresentou um mapa de 1781, ainda inédito, posterior à libertação da Vila de Rio Grande, mostrando o Sangradouro da Mirim (São Gonçalo) e o Rio das Pelotas (Arroio Pelotas); nesta zona, que seria posteriormente a freguesia pelotense, já havia charqueadas e viviam açorianos e casais de Maldonado.

O palestrante mostrou que a charqueada de Pinto Martins não foi a primeira em Pelotas nem na região e que o charque produzido na época era de má qualidade, sendo necessário adquirir técnicas europeias e dos saladeros castelhanos, que vendiam o produto ao Império do Brasil a melhor preço que os charqueadores brasileiros. As origens de Pelotas ligam-se, portanto, aos movimentos bélicos militares entre portugueses e espanhóis e ao desenvolvimento capitalista das charqueadas numa geografia propícia.

Lazzari enfatizou que a presença de mais de 700 mil africanos trazidos à força para a América foi uma grande operação clandestina, que a lei não permitia, mas teve a aceitação de toda a sociedade, incluindo os próprios governantes. O dano humano realizado no Brasil ao longo de séculos ainda não foi reparado, e até se menospreza hoje em dia a importância da contribuição da cultura africana. Em Pelotas, a sociedade dominante valorizou somente a riqueza à europeia, de saraus em palácios onde só os ricos entravam, e formaram-se nos bairros "pequenas áfricas", onde se cultivou o nosso carnaval, a força do nosso futebol, do samba e do chorinho.
  • Em agosto, agentes culturais discutem o tema: PELOTAS, CAPITAL CULTURAL? (até agora estão convidados a professora Renata Requião, ex-secretária de Cultura, a professora Paula Mascarenhas, ex-diretora do Instituto J. Simões Lopes Neto e atual vice-prefeita, e o psicólogo Francisco A. S. Vidal, editor deste blogue.
  • Em setembro o tema será: PELOTAS, CIDADE HISTÓRICA?
  • Em outubro, reitores debaterão sobre a pergunta: PELOTAS, CIDADE UNIVERSITÁRIA?
O primeiro volume do Almanaque, lançado em novembro de 2012 no Instituto J. Simões Lopes Neto, contém a Revista do Centenário de Pelotas (está disponível no sítio do Almanaque). Na ocasião, mil exemplares foram entregues gratuitamente a personalidades, escolas e entidades locais (veja reportagem em vídeo e uma descrição do projeto da GAIA Cultura e Arte no blogue do Instituto J. S. Lopes Neto).
Imagens: Facebook

POST DATA
27 de agosto
Ontem (26) a mesa do encontro incluiu 5 debatedores (nenhum dos anunciados em julho): Secretária de Cultura Beatriz Araújo, teatrólogo Valter Sobreiro Jr., Paulo Gaiger (UFPel), Fernando Keiber (Produtora Haia) e Herberto Mereb (ONG Amiz). 

sábado, 13 de julho de 2013

TV Nativa noticiou os 201 anos (7-7-13)


O vídeo acima mostra parte do noticiário do meio-dia da TV Nativa, na segunda-feira 8 de julho de 2013, sobre os acontecimentos de domingo, quando foi celebrado o aniversário nº 201 da cidade de Pelotas. Neste 3º bloco, notas sobre o 20º Piquenique Cultural, o 2º Dança Pelotas e a grafitagem do tapume ante o Sete de Abril, além do quadro "Pense nisso", com Ricardo Pierobom (o 4º segmento traz notas da área política).

A TV Nativa de Pelotas é um canal aberto que esteve vinculado à Rede Record até 1 de julho passado, e iniciou um novo caminho como veículo com programas próprios, especialmente de notícias regionais (v. histórico da emissora na Wikipédia), só faltando mudar o nome do canal de vídeos no YouTube.

Há uma semana, o blogue Exorbeo comentou que a Zona Sul gaúcha havia ficado sem acesso à Record. Por seu lado, a empresa de Cláudio Omar Haubmann ainda pretende ampliar sua presença até Porto Alegre (v. nota).

POST DATA
13-2-14
Segundo notícia de hoje no Diário Popular, a TV Nativa desativou seu projeto jornalístico em Pelotas.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Perdida (poema-relato)

Ela morreu ali, naquela estrada,
a triste meretriz, bem junto aos muros
do velho cemitério, entre os escolhos;
Encontraram-na fria e sem mortalha,
perto dos cães vadios e dos corvos!
Morta, sem uma lágrima nos olhos...

Quando o coveiro lhe apalpou nos seios,
mirrados e sem cor, o vento agreste
gemeu-lhe uma risada em derredor...
Nem um lírio lhe viram no cabelo...
que aquele corpo resvalou do mundo
sem deixar uma página de amor!

Se teve afetos, se viveu sorrindo
na triste solidão da eternidade,
um mancebo jamais veio pranteá-la...
Apenas teve a pálida Delorme *
por convivas na morte as brancas larvas
que abrigam-se na vala!

Porém, mais tarde, um dia sobre a cova,
beijando o lodo que ao sepulcro cai,
um vulto apenas perpassou na sombra
do velho cemitério.
– Era seu pai.
Francisco Lobo da Costa
1878, em "Auras do Sul"

Edição e voz de Fábio Zündler

* Marion Delorme: cortesã francesa que viveu entre 1611 e 1650.

Francisco Lobo da Costa (1853-1888), poeta de 34 anos


O poeta, jornalista e teatrólogo pelotense Francisco Lobo da Costa nasceu há 160 anos, em 12 de julho de 1853 e faleceu aos 34 anos, em 19 de junho de 1888.

Além da rua que leva seu nome, um busto recorda o local de sua morte, na confluência das ruas Almirante Barroso, General Argolo e Ferreira Viana (foto abaixo). As leis municipais nº 662 (1956) e nº 1136 (1962) autorizaram a homenagem. Foi colocada placa em 12 de julho de 2003, dia do sesquicentenário do poeta, que naquele ano foi incluído na Semana de Pelotas (v. notícia).

Monumento a Lobo da Costa
Segundo lei de 2013, a partir de hoje será celebrado, em cada 12 de julho, o Dia do Poeta Pelotense, incluído também no calendário oficial da cidade (v. notícia).

Sobre a vida do poeta, confira dois artigos de Mario Osorio Magalhães (transcritos no blogue de Edir Alonso), o discurso de Moisés Vellinho no centenário de Lobo da Costa em 1953, a nota Um polêmico romântico e a reportagem de Leonardo Crizel por ocasião da Feira do Livro de 2008 (vídeo acima).

Em 1998, o pesquisador Adão Fernando Monquelat escreveu o seguinte texto (foi conservada a grafia, omitidos somente os dois parágrafos iniciais).


Lobo da Costa, vítima do preconceito

Não podemos negar que a memória de Lobo da Costa é reverenciada ao longo de mais de um século após sua morte. Porém, quase que sem exceção, toda vez que alguém o faz, é de forma preconceituosa, colaborando assim para que se mantenha viva a imagem do bêbado e desapareça quase por completo a obra deste que foi, sem dúvida alguma, o poeta mais popular do Rio Grande do Sul.

Preocupados com isso, nos dedicamos a pesquisar, junto ao material por nós recolhido ao longo dos anos, a origem de afirmação de que Lobo da Costa morrera em conseqüência de uma fatídica bebedeira, verdade que até hoje povoa o imaginário dos que ouvem falar no poeta.

Imagem do poeta em 1883
Grifei propositalmente a palavra "verdade" porque, à exceção de uma única matéria publicada no Correio Mercantil da época, cujo intuito era o de defender Pelotas das acusações feitas pelo Diário do Rio Grande, de que a mesma teria deixado Lobo da Costa morrer ao relento, em nenhuma outra notícia sobre a morte é mencionado o fato de ter Lobo da Costa morrido embriagado. Assim mesmo, a matéria do Correio Mercantil não é afirmativa, embora insinue como pode observar o leitor:
Apesar de ter sido procurado logo depois de faltar no estabelecimento, Lobo da Costa não foi encontrado senão um dia depois, morto nas condições em que o colega pode facilmente imaginar, tratando-se de um escravo do vício...
Vejamos agora, na íntegra, a notícia da morte, impressa na edição de 19 de junho de 1888, do jornal A Pátria, de Pelotas:
Uma notícia contristadora e lúgubre veio hoje à tarde surpreender-nos dolorosamente, enchendo-nos o coração da mais intensa mágua: a da morte do poeta Lobo da Costa, ao frio, ao relento, num descampado e no mais miserável dos abandonos!
Lobo da Costa, o mavioso bardo pelotense, o poeta inspirado e fecundo, que profundamente derramou as scintillações do seu astro em páginas coloridas de mágico esplendor, amanheceu hoje morto no vallo existente nas proximidades da Santa Cruz!
 
É duro de dizer-se:
Morto por congelação, resultante do intenso frio que reinou durante a noite passada, em que, para cúmulo das desgraças do malogrado moço, chovia a cântaros, motivo pelo qual foi o seu cadáver encontrado completamente encharcado!
Quando supporiamos nós que ainda um dia nos viriam dizer que na civilizada cidade de Pelotas, num centro populoso onde a caridade é largamente exercida e onde os europeis da riqueza tantas vezes têm servido de capa a muita miséria moral, inhumanamente desamparado, um peregrino vate, um dos mais illustres filhos desta terra, digno pelos seus talentos, pelas suas obras e pelas suas infelicidades!
Sentimo-nos verdadeiramente compungidos o fatal sucesso e damo-nos os pezames a nós mesmos por ter se passado a nossos olhos e ao alcance das nossas previsões mais esta calamidade para a nossa litteratura.
Ou quem sabe possamos esclarecer um pouco mais, reproduzindo trechos estampados na primeira página do jornal Psiu!
Os empregados d'esse estabelecimento tinham a extincta obrigação do cumprimento do dever que se impuzeram ao acceitarem a guarda d'esse infeliz enfermo, e, competia-lhes logo que tiveram sciencia do seu desaparecimento darem os passos necessarios para descobrirem-o e fazerem-o voltar aquelle estabelecimento, o que talvez o privasse, de que continuando por mais tempo exposto as inclemências de um tempo áspero e cruel, como succedeu, se agravassem os seus padecimentos phisicos levando-o a succumbir ao desamparo de qualquer recurso, miserável e deshumanamente! 
Além disso, cremos, que houve quem fosse aquelle estabelecimento avisar que esse pobre vate de quem hoje pranteamos a prematura perda, se achava no lugar onde foi encontrado morto, ainda com vida; entretanto, quaes os passos que se deram para mandal-o d'ali retirar?... Nenhum que nos conste antes de serem passados, talvez 24 horas, quando o foram já buscar no Bate-moleque!...Não será justa esta nossa censura?...
Concluindo, apresentamos excertos de dois depoimentos dados por Francisco de Paula Pires a respeito da morte de Lobo da Costa:
Na tarde de 18 de junho de 1888, dirigio-se um popular á Bibliotheca Publica Pelotense, da qual eu era o bibliothecario e communicou-me que Lobo da Costa estava cahido na Santa Cruz, que é um arrabalde da bella cidade. Impossibilitado de sahir, mandei chamar Luiz Lobo da Costa, irmão do poeta e vindo a Bibliotheca contei-lhe o ocorrido, dizendo-lhe:
- Vá, sem perda de tempo, á delegacia de policia, fale com o delegado, major Joaquim Alves de Macedo, conte-lhe o que ocorre e peça-lhe que mande procurar seu irmão, para livral-o de uma morte certa. Como vê cae uma neblina impertinente e a noite ameaça uma grande geada.
Uma hora depois, mais ou menos, voltou Luiz Costa e disse-me:
– Falei com o major: elle prometeu mandar alguns praças no desempenho do seu pedido.
 
No dia seguinte, pelas 9 horas da manhã, dirigia-me á Bibliotheca e, de passagem, cheguei á delegacia e procurei fallar com o delegado de policia, trocando-se este dialogo:
– Então, major, que é do nosso Lobo da Costa?
– Alli vem ele, respondeu-me.
E apontou para uma carroça que vinha chegando.
– Como, interroguei, vem numa carroça?
– E morto, accrescentou o delegado.
Antologia de 2003
Agora o episódio final:
Senhor da quantia que lhe foi entregue, o infortunado Lobo vagou sem rumo pelas ruas de Pelotas, indo parar em uma casa de negocio sita á rua Santo Antonio, esquina do Dr. Miguel Rodrigues Barcellos. Achavam-se ali, como fui informado, individuos de má nota. 
Infere-se que impellido por alguma necessidade, Lobo da Costa deixara a casa de negocio e dirigira-se para os lados da Santa Cruz, onde foi visto em adiantadas horas da tarde. Impossibilitado de regressar a cidade foi ali colhido por uma noite invernosa, exhalando o derradeiro suspiro longe dos seus amigos e parentes. O cadaver foi saqueado, pois apenas deixaram-n'o com as ceroulas. Esta é a verdade do facto que enlotou as lettras patrias e compungiu a todos quantos conheceram o desventurado bardo pelotense.

Salvo melhor juízo, quer nos parecer que a morte de Francisco Lobo da Costa foi muito mais um caso de negligência e omissão por parte de seus contemporâneos do que outra coisa qualquer que a história oficial insista em manter.

Hoje, dia do aniversário do poeta, cabe-nos uma interrogativa: até quando a figura do bêbado, chamado Francisco por batismo, ofuscará o brilho do poeta, e eterno Lobo da Costa?

Feliz Aniversário, Poeta!
Adão Fernando Monquelat

Fragmento da peça "O Filho das Ondas", de Lobo da Costa, com Vagner Vargas e Ândrea Guerreiro.

Fonte do texto de Monquelat: "Lobo da Costa: Obra Completa", A. T. Sapper e J. J. Zanotelli, orgs. (Educat, 2003), p. 90-94.
Imagens: F. A. Vidal (1), Wikipedia (2), Vanguarda (3)

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O dia em que Schlee foi a Porto Alegre

A Palavraria Livros&Cafés é uma livraria porto-alegrense que desde 2003 reúne leitores e escritores em torno às palavras, escritas e faladas (veja no blogue da Palavraria). Faltando um mês para o décimo aniversário da casa (19-8-13), o autor que conversará com o público e autografará livros será Aldyr Garcia Schlee, este sábado (13-7).

A livraria-café do bairro Bom-Fim aproveitou o título de um livro dele, recém reeditado pela Ar do Tempo, para criar a chamada deste Sarau das Seis (veja o anúncio no blogue).

É claro que Schlee esteve inúmeras vezes em Porto Alegre, nos últimos 60 anos, pelos mais diversos motivos, mas agora a frase ganha novo sentido: desta vez, ele simplesmente VAI a esta cidade gaúcha na condição de um papa da literatura que visita as cidades de seu território, que é o sul do sul do país. O convite alude à geografia do escritor e sugere que Porto Alegre seja um ponto periférico do mundo gaúcho.

A Ar do Tempo vem publicando e republicando obras de Schlee há cinco anos: "O dia em que o Papa foi a Melo" (2013, reedição da tradução), "Contos de futebol" (2011, reedição), "Contos de verdades" (2011, reedição), "Uma terra só" (2011, reedição), o romance "Don Frutos" (2010) e "Os limites do impossível – Contos gardelianos" (2009). Veja uma lista das obras dele desde 1983.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Exposições homenageiam Pelotas

Neste mês de julho, diversas exposições de artes plásticas homenageiam o aniversário da cidade de Pelotas, comemorado habitualmente em 7 de julho, por alusão ao alvará real que autorizou a fundação da Freguesia de São Francisco de Paula em 1812.
  • Pelotas na paleta vangoghiana (abertura sábado 13, 16h), telas do Ateliê Giane Casaretto, Quinze de Novembro 871. A partir da pesquisa histórica e estética sobre o artista holandês Van Gogh, o Ateliê preparou trabalhos em pastel, lápis, tinta e aguada. Junto à exposição, há um Bazar para venda de quadros e objetos produzidos pelas alunas. De segunda a sexta, 9-19h, até 30 de julho. Veja o convite na imagem abaixo.
  • Artistas de Pelotas, fotos e posters no Memorial do Teatro Sete de Abril, Quinze de Novembro 560A. De segunda a sexta, 13-18h, até 31 de julho.
  • Meu olhar sobre a Princesa, fotografias de Tânia Bellora no Espaço de Arte Daniel Bellora, Três de Maio 1005. De segunda a sexta, 15-20h, até 19 de julho.
  • Doce Princesa, telas e fotografias no Shopping Mar de Dentro (Laranjal). Todos os dias, 9-21h, até 31 de julho.
  • Memórias em foco (póstuma), fotografias de Vilmar Tavares no Espaço Arte do Hospital São Francisco de Paula, Deodoro 1123. Todos os dias, 8-18h, até 9 de agosto.
  • Inventando (encerrada em 5 de julho), fotografias de Rejane Botelho, na Agência da Arte, Anchieta 3051.

domingo, 7 de julho de 2013

O chão que pisamos em Pelotas


O artista pelotense Manoel Soares Magalhães descreve sua cidade em suas obras, sejam literárias, visuais ou audiovisuais. Em 2012, quando se comemorava o bicentenário de Pelotas, ele elaborou fotografias como a da imagem acima – onde sintetiza conceitos como arte, tempo e vida, numa composição mista de formas geométricas e naturais – e batizou a série como "o chão que nós pisamos" (veja outras fotos no blogue Cultive Ler).

Nós pisamos os desenhos de nossas calçadas e, mais ainda, não os olhamos. Caminhamos de nariz para cima, como se fosse natural passar por ladrilhos hidráulicos de cem anos de existência. Turistas, pesquisadores, fotógrafos às vezes conseguem abrir-nos os olhos a nossa própria cidade. Veja como a cada ano um artista retoma este conceito tão presente no dia-a-dia dos pelotenses.
  • Em 2013, Rafa Marin fotografou uma calçada central em união com a arquitetura circundante (v. o post  Arte embaixo, arte acima). 
  • Em 2011, a fotógrafa rio-grandina Cristiane Neves destacou um ângulo especial de nossas calçadas, mostrando o ser humano como protagonista (v. O passo do transeunte). 
  • Em 2010, Gracia Casaretto valorizou os ladrilhos pelotenses no desenho de uma exclusiva linha de roupas (v. Estampas Hidráulicas). 
  • Em 2009, André Barbachan criou serigrafias baseadas neste conceito (v. A estética das tijoletas). 
  • Na canção "Pelotas", apresentada aqui em 2007 e 2008, Kleiton e Kledir mencionam de início os famosos ladrilhos hidráulicos (veja post com a letra).

Poema para um sete de julho


Por uma tarde de julho
(para Pelotas, 201 anos)

Morrer assim
numa tarde de sete de julho
ouvindo Pour Élise ao piano.

Morrer assim
quando a cidade esquecida de frio
é um hemisfério de blocos de concreto
lancinantes.

Morrer assim
como falou Wamosy
– a angústia roendo as vísceras.

Morrer assim
como tantas vezes já acontecera.

Morrer por morrer
como fenecem os dias, escondidos
em suas velhas tumbas
sem ritual nem liturgia.

Estranha tarde para morrer
quando o sol se debruça
no azul do pano de fundo.

Morrer insone: a angústia de saber...
Que o agora antecede o amanhã
construindo o hoje?

Morrer em meio ao som da Catedral
batendo sinos neste carrilhão do viver.

Morrer assim, em campanário,
Princesa que desperta
lúcida
– pombinha pousada nos dobrões de ouro
do passado.
Joaquim Moncks
Poeta Pelotense
V. perfil do autor e página no Facebook
Leia Duas Almas, soneto de Wamosy.
Ouça a bagatela para piano nº 25 em lá menor Pour Elise, de Beethoven.
Texto: Recanto das Letras
Foto: F. A. Vidal