sábado, 28 de março de 2015

Assalto a automóvel foi repelido (1915)

Notícia publicada pelo Correio do Povo, de Porto Alegre, no domingo 28 de março de 1915 foi reeditada este sábado (28-3). O relato mostra que as más intenções de alguns e a tendência a fazer justiça com as próprias mãos são questões humanas ainda sem solução, especialmente num país que não dedica grandes investimentos nem à educação nem à justiça. A tecnologia pode e deve ser usada para o bem, não só por quem tenha dinheiro para comprá-la, mas por toda pessoa educada.
Os irmãos Dodge em seu primeiro carro, fabricado em 1914
(cidade de Detroit, estado de Michigan).
Em Pelotas, o automóvel nº 52, da Garagem São José, e de que é chauffeur [motorista] José Martins de Oliveira e ajudante Fructuoso Blasco, regressava de uma viagem ao Passo do Salso e, aquém da encruzilhada das estradas do Passo do Salso e dos Carros, foi intimado a parar por um grupo de três desconhecidos, armados de facão e revólveres.

Como não fossem atendidos, os desconhecidos resolveram assaltar o veículo, tendo [um deles] saltado no estribo do auto.

Oliveira e Blasco, que estavam armados, fizeram com que o ousado assaltante baixasse e assim viram-se livres do grupo. Travou-se tiroteio, não havendo porém nenhum ferimento.
Fonte: CP, 28-3-15.

Caminho interno na Granja Progresso, em 1915 (Cachoeirinha, RS).
Fotos: sítio Dodge, blogue de R.M.Bastos

4 comentários:

Professor Pedro A. C. Teixeira disse...

Inusitado esse assalto no ano de 1915, jamais havia ouvido tal relato. Pobre chauffeur, se estive só talvez não tivesse vivido para contar.

Francisco Antônio Vidal disse...

As maldades eram feitas na zona rural à luz do dia. Hoje isso acontece na cidade, as drogas não podem esperar pela paz cidadã. Parece que na época não existe a seção policial nos jornais e estes fatos raros eram notícia comum, como ocorre na TV de hoje.

A palavra francesa chauffeur, tirada das máquinas ferroviárias, significa "aquecedor", pois o motorista devia aquecer o motor com combustível para mover o trem. Nos carros foi aproveitado o termo, apesar de que o aquecimento do motor a explosão é muito mais simples. Daí a nossa palavra "chofer", já em desuso.

Professor Pedro A. C. Teixeira disse...

Olá Doutor Vidal.
Cedo da madrugada estou lendo seu belíssimo blogue, que um verdadeiro manancial cultural.
Certa feita, conversando com duas senhora bem situadas na vida, na cidade de Campo Grande (MS), usei o termo "sinesiforo", as duas se entreolharam e nada disseram, provavelmente jamais haviam ouvido tal palavra.
São coisa do nosso idioma, que além do que é dele natural ainda há os estrangeirismos que o deixam tão maleável e belo se bem colocado.
Tenhas uma ótima semana.

Pro. Pedro.

Francisco Antônio Vidal disse...

Bem observado, Pelotas é um verdadeiro manancial de curiosidades, dá para uma enciclopédia infinita.

Quanto à palavra "cinesíforo", que significa precisamente "motorista de transporte", parece tratar-se de um neologismo criado no Brasil por algum purista, a partir de radicais gregos.
Não sei quem criou, mas apareceu na novela "O Bem Amado", Odorico referindo-se a seu motorista. Não pegou, assim como "ludopédio" (futebol, em forma latina).