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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

The Wall ainda leva a bandeira pacifista

À base do álbum The Wall (1979), do filme "Pink Floyd: The Wall" (1982), e da história pessoal de Roger Waters, o documentário musical "Roger Waters: The Wall" (2015) reuniu o existencial e o épico, em 3 horas de intensa música e intensas emoções, com cenas de alguns dos 200 concertos da turnê mundial 2010-2013.

O evento cinematográfico mundial apresentou o longa-metragem britânico, codirigido por Roger Waters e Sean Evans, em cinemas de vários países, somente no dia 29 de setembro. Em Pelotas foi anunciada sessão única às 20h no Cineflix Pelotas; como esta lotou, foi aberta outra, no mesmo horário, sem a possibilidade de trocar entradas da primeira para a segunda. O preço foi R$ 42,44 por pessoa.

A vida de Roger Waters é um exemplo de como a guerra fere as almas dos seres humanos ao longo das gerações. Seu avô morreu em 1916, na Primeira Guerra Mundial, e seu pai em 1944, na Segunda. Se o musical de 1979 (The Wall) já era autobiográfico, o novo filme "Roger Waters: The Wall" trouxe o co-diretor de 71 anos como personagem principal, e se referiu mais abertamente à dor sofrida pela violência, convocando o mundo a parar com a guerra e o terror (v. reportagem na FOLHA). Mas o mundo parece surdo e cada vez mais enlouquecido.



Alguns shows ao vivo da turnê mundial de "Roger Waters - The Wall" (aproximadamente 2h):
em San Francisco 2012Buenos Aires 2012Copenhagen 2013, Londres 2013.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

A empregada era a segunda mãe


"Que Horas Ela Volta?” é o quarto longa-metragem da diretora paulistana Anna Muylaert, que conta uma história de amor mãe-filha, retratando questões sociais do Brasil contemporâneo. Misto de drama familiar e social, é a estreia artística desta semana (10-16 de setembro) no Cineflix Pelotas: sessões às 19h e 21:20.

Regina Casé é Val, empregada doméstica nordestina que trabalha na capital paulista. Sua filha Jéssica (Camila Márdila) vem prestar o vestibular para arquitetura e pretende morar com a mãe, na casa dos patrões. A adolescente muda assim os costumes da casa e rompe a paz social e familiar entre empregada e patroa. O título é emprestado da pergunta que Fabinho (Michel Joelsas) fazia a Val sobre a mãe, quando criança (v. crítica de Veja e no sítio da Deutsche Welle). A empregada criou o filho da patroa, mas não pôde educar sua própria filha.

O filme já ganhou o Prêmio do Público no Festival de Berlim e a dupla protagonista recebeu o de Melhor Atriz em Sundance, EUA. Por essa visibilidade, é o preferido para representar o Brasil  no Oscar 2016 para Melhor Filme em Língua Estrangeira. Se indicado pelo Ministério da Cultura, irá com o título "The Second Mother" (A Segunda Mãe). Um drama com humor ou uma comédia inteligente, à base da vida real.

POST DATA
11-9-15
Notícia oficial do Minc Que Horas Ela Volta? representará o Brasil no Oscar 2016.
18-9-15
O filme entrou em segunda semana, mantendo os horários anteriores (19h e 21:20).

domingo, 24 de maio de 2015

O grito de Tarzan, nosso herói ingênuo

Nos filmes, o amor e o heroísmo garantindo a felicidade.
No mundo real, a perigosa e implacável lei da selva.
Não faz muito, evocava com amigos os dias dourados de Johnny Weissmuller (1904-1984), o único e verdadeiro Tarzan das telas, que lotava os cinemas de Pelotas, como de resto os de todo o país.

Há muitos anos, guri ainda, lembro-me quão difícil era adquirir o ingresso para se assistir a mais uma aventura de Tarzan, Jane e Chita [1932-1948]. Pouco mais tarde, como convinha à lei da vida e da selva, a família se completou com a chegada de Boy (O Filho de Tarzan, 1939).

Foi na época em que não se havia descoberto a fila e a irracionalidade imperava: tirava primeiro o ingresso quem tinha mais força. Assim como na "lei da selva", as pessoas se empurravam, competindo, e ganhava o mais forte.

Só com a Segunda Guerra Mundial [1939-1945] as pessoas passaram a se organizar em filas: o último a chegar entrava na cauda. Assim os alimentos eram distribuídos nas zonas de conflitos. E o mundo passou a usar a fila como mais uma coisa da civilização.

Mas Tarzan valia esperar-se por longos minutos para se retirar o ingresso, na fila dos cinemas. Era quando aconteciam as "enchentes", como se dizia na época toda vez que surgia um grande filme, sucesso de bilheteria. E Tarzan e Jane eram sempre sucesso garantido.

O amor modelo de Tarzan e Jane (1934),
uma forma de driblar a tragédia social.
Me Tarzan, you Jane, balbuciava o Rei das Selvas com seu limitado vocabulário, apontando o dedo ora para si, ora para a mocinha. Foi o primeiro audiovisual das selvas. Tempos bons em que as pessoas se comoviam e vibravam com coisas simples. Criado por Edgar Rice Burroughs nos anos 1920, Tarzan representou toda uma época. Ainda não havia Superman, Hulk, Homem Aranha e muito menos a Mulher Maravilha.

Com profunda nostalgia evoquei aquele mito, que serviu de paradigma aos meninos de minha geração. Quem não subia nas árvores ou deixava de imitar o grito de guerra do inesquecível personagem?  Os meninos e o público de então "se amarravam" naquele homem destemido, de físico formidável (o ator era campeão olímpico de natação), que vencia os inimigos andando de cipó em cipó [v. filmografia de Weissmuller].

A família macaco nos cipós (1942):
na Guerra, os filmes de Tarzan eram anuais.
Tarzan era ingênuo e puro e assim amava sua Jane. Lutava contra os malfeitores que queriam destruir, aproveitando-se das riquezas naturais dos nativos, usando a sua ignorância. Bastava ele bradar seu grito que o tornou famoso e inigualável, e os animais da selva vinham correndo em seu socorro. Parece que podemos afirmar com tristeza: "Já não se fazem heróis como antigamente!".

Então evoquei o que alguns da roda também tinham assistido: certo dia, há alguns anos, a televisão apresentou Johnny Weissmuller, já velho, como recepcionista de um hotel famoso [trabalhou em 1973 e 1974 no Caesars Palace de Las Vegas; v. história completa, resumo no sítio DW, e vídeo abaixo de 1969, em inglês]. O repórter que o entrevistava pediu-lhe que repetisse o grito de guerra, que todos lembram, do personagem que encarnou como ninguém, desde os anos 30.

Solícito, o ex-ator resolveu atender o pedido e, num visível esforço, tentou repetir aquele grito cheio de vida, juventude e força que o fez único nas telas. Mas ouviu-se apenas um lamentável grunhido, que matou, naquele momento, desapiedadamente, dentro de muitos como eu, um herói que ainda estava vivo em minhas reminiscências. Nunca mais esqueci aquele grito triste e alquebrado que representou, para todos os saudosistas, o Canto do Cisne de um Herói, que levou consigo um tempo glorioso que não vai voltar nunca mais.
Rubens Amador
Diário da Manhã, 24-5-15

Brincando, Weissmuller tenta repetir o grito de Tarzan...
em vão, pois se tratava de um efeito de áudio, fabricado em estúdio.
Fotos: Pinterest

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Paulo Fontoura Gastal (1922-1996)

Nascido em Pelotas, o jornalista Paulo Fontoura Gastal 
foi o maior crítico de cinema que o Rio Grande do Sul já teve.

Assim o descreve o blogue da Sala P. F. Gastal, pertencente à Secretaria de Cultura da cidade de Porto Alegre. Desde 25 de maio de 1999, o cinéfilo e promotor cultural empresta seu nome ao primeiro cinema municipal da capital gaúcha, em homenagem ao seu longo e notável trabalho pela cultura cinematográfica no Estado.

Perto dos 25 anos, Paulo Gastal mudou-se para Porto Alegre, onde ajudou a fundar o Clube de Cinema. Escreveu diariamente no Correio do Povo sobre cinema e literatura, por trinta anos (1949-1979), onde assinava como P. F. Gastal ou com pseudônimos, como Nilo Tapecoara. 

Sua criativa e produtiva atuação se concentrou na capital, sem participar na vida cultural pelotense. O Espaço Delfos, da PUC-RS, que guarda o acervo de P. F. Gastal, publicou o seguinte  resumo de sua criativa e produtiva história.


Paulo Fontoura Gastal nasceu em Pelotas, no dia 23 de janeiro de 1922, filho de um engenheiro agrônomo e de uma dona de casa. Tímido desde muito pequeno, os irmãos (cinco mais velhos e três mais moços) gostavam de amarrá-lo ao pé de uma mesa, com um cordão bem fino, e dizer: “Estás preso com uma corrente, não podes sair daí”. E ele lá ficava por horas, até que um adulto o soltasse ou um dos irmãos, com pena, viesse romper “os grilhões”. Esta mesma “concentração imaginativa” fez com que cedo se apaixonasse pelo cinema. Entrava escondido em todas as sessões que podia, e logo arranjou um trabalho como “ajudante” no Cine Capitólio [existente desde 1928], só para poder assistir a todos os filmes que lá passavam, quantas vezes quisesse.

No Ginásio Pelotense (o “Gato Pelado” da Félix da Cunha) envolveu-se em política estudantil e precisou dividir o tempo do cinema com a responsabilidade de presidente do Grêmio de Alunos. Foi por esta época que conheceu Dinah, com que dividiria o resto da vida e que nunca seria um entrave nas idas ao cinema, muito pelo contrário: sempre que podia, ia junto. Ainda em Pelotas, começou a escrever sobre cinema [desde 1941], primeiro o material de publicidade dos filmes que o Capitólio exibia, depois pequenos textos para o Diário Popular.

Cinéfilo e crítico

Em 1946 veio para Porto Alegre, indo trabalhar nos escritórios da A. J. Renner, indústria do vestuário. No caminho para casa passava pela frente do Cinema Carlos Gomes, e logo estava trabalhando também ali, fazendo o material de “publicidade” dos filmes e, claro, assistindo a todos quantas vezes pudesse.

Notícias pra cá, notícias pra lá, começou a escrever eventualmente para alguns jornais e revistas, até que entrou para equipe da “Revista do Globo”. Nela iniciou um trabalho crítico e de educação cinematográfica, diferente do que até então era costumeiro. Seus textos traziam uma visão social e política dos filmes, algo incomum em uma época em que o cinema era visto como mero entretenimento.

Libertário desde sempre, suas posições críticas em relação ao cinema comercial americano, somadas a um fascínio pelo cinema soviético, fizeram com que logo entrasse em uma lista de “suspeitos” de comunismo. Paradoxalmente, porém, era admirador de alguns grandes diretores americanos (como John Ford) e ingleses (Alfred Hitchcock) que de comunistas nada tinham, o que gerava confusão no estabelecimento de um rótulo político para colar nele.

Sua grande paixão, desde sempre e até a morte, foi Charles Chaplin, o “Carlitos”. Do personagem de Chaplin em “Luzes da Ribalta” [v. citações do filme], Gastal tirou o pseudônimo “Calvero”, o mais conhecido dos tantos quantos usou em vida. Chaplin era autor e personagem também de difícil rotulagem, ora parecendo um simples “cômico” (como se dizia então) alienado, ora pintado como perigoso representante da “ameaça vermelha”. Como ele, Gastal professava uma inquebrantável convicção na defesa da liberdade de pensamento, fosse qual fosse. Parecia comunista para os conservadores, conservador para os comunistas. E amava Cinema.

Comunicador e divulgador

Por isso, talvez, apesar de ter sido colaborador de publicações de orientação marcadamente de esquerda, como as revistas “Liberação”, “Nossos Dias” e “Horizonte”, não teve problemas para ingressar nos quadros do Correio do Povo, na época o maior veículo de comunicação do Rio Grande do Sul, de forte tendência conservadora, que Gastal conseguiu abrir ao longo dos anos à participação de pensadores dos mais diversos matizes.

Antes disto, contudo, no início dos anos 50 transferiu-se para o Rio de Janeiro, para tomar parte na equipe que, coordenada pelo cineasta Alberto Cavalcanti, estava encarregada de criar o Instituto Nacional de Cinema. Foi neste período que esteve mais próximo da realização cinematográfica prática, já que auxiliou Cavalcanti também na tentativa de estabelecer a Companhia Cinematográfica Vera Cruz como um grande centro de produção do cinema brasileiro, nos moldes dos estúdios norte-americanos, mas com a intenção (pelo menos por parte dele) de realizar filmes minimamente engajados. Desiludiu-se e voltou para Porto Alegre, para o Correio do Povo e para o Clube de Cinema, que, junto com um grupo de amigos intelectuais, havia criado em 1948. Nunca mais deixou qualquer um dos três [Porto, Correio e Clube].

Gestor cultural

Nas três décadas seguintes, os anos 50, 60 e 70, a “mesa do Gastal” na redação do Correio do Povo tornou-se o ponto de referência no panorama cultural de Porto Alegre. De lá coordenou os ciclos e festivais de cinema que iam dos filmes americanos e canadenses aos do Leste Europeu, principalmente poloneses, tchecos e soviéticos. Descobriu e se apaixonou pelo cinema japonês, e fez de Porto Alegre a cidade onde os filmes nipônicos fizeram maior sucesso no Brasil, chegando a rivalizar com São Paulo.

Participou do grupo que apoiou a criação da Feira do Livro (da qual, nos anos 80, foi patrono), protestou contra a derrubada no antigo (e belo) auditório Araújo Vianna, situado na Praça da Matriz, onde hoje se ergue a Assembleia Legislativa, mas aceitou administrar o novo auditório, no Parque da Redenção, desde sua inauguração, mantendo atividades permanentes em seu palco e fazendo dele um polo cultural da cidade.

Participou, com Oswaldo Goidanich e João Ribeiro, da criação, organização e promoção dos Festivais de Coros de Porto Alegre, que anualmente, em julho, traziam centenas, às vezes milhares, de cantores até a capital gaúcha.

Foi delegado do Instituto Nacional do Cinema, e depois representante da Embrafilme no Rio Grande do Sul. E, claro, com Horst Wolk, então prefeito de Gramado, criou o Festival do Cinema Brasileiro daquela cidade. Tudo isto sem abandonar a mesa do Correio do Povo, onde editava as páginas de cultura e o suplemento cultural semanal, além de escrever sobre cinema e livros. E de editar a página de cinema da Folha da Tarde, outro jornal da Caldas Júnior. E de produzir um programa diário, “Cinema na Guaíba”, para a emissora de rádio da empresa.

Por sua mesa passavam projetos, textos e ideias de produtores de cultura de todas as idades, alguns conhecidos, outros inéditos. Tratava a todos com a mesma atenção, mas nem sempre com o mesmo humor. Era capaz de ir da extrema cordialidade às raias da grosseria, mas esta nunca durava muito tempo e não deixava de ser compreensível, para quem tinha tantas atividades simultâneas.

Educador e pesquisador engajado

Na Folha da Tarde, na virada dos anos 60 para os 70, criou e manteve a “equipe das terças”. Era uma página semanal aberta para que estudantes universitários publicassem rápidas resenhas críticas dos filmes estreados na semana. Em pleno auge da ditadura, a página, ele e os estudantes não resistiram muito tempo, mas foi uma experiência única no jornalismo brasileiro.

O mesmo espírito liberal, capaz de garantir a todos (na medida do possível para a época) o direito de publicar suas ideias, mesmo aquelas com as quais não concordava, ele manteve no suplemento cultural “Caderno de Sábado”, considerado durante muito tempo, junto com o de “O Estado de São Paulo”, o melhor do país. Aí a independência custou-lhe um pouco mais caro. Um dia, acabaram com o caderno, substituindo-o por uma versão mais “leve”, “descompromissada” e “comercial”.

Pouco depois, a empresa [Caldas Júnior] entrou em crise e começou a atrasar os salários. Os funcionários entraram em greve. Do grupo dos funcionários mais antigos, Gastal e o poeta Mário Quintana foram os únicos a dar apoio ao movimento desde o primeiro momento. Foi demitido.

Não parou quieto. Passou a escrever uma coluna – sobre cinema – no recém criado “Diário do Sul”, que pouco durou, e depois no semanário “RS”, do colega Sérgio Jockymann. E dedicou todo o tempo livre à tentativa de organizar o acervo de livros, revistas, fotografias, recortes e filmes que durante toda a vida colecionara.

Faleceu no dia 12 de fevereiro de 1996. Virou nome de rua na zona sul [Rua Paulo Fontoura Gastal, Belém Novo, Porto Alegre] e de sala de cinema na Usina do Gasômetro. Seu acervo esteve no GBOEX e no SENAC, mas era demais para estas instituições. Hoje, faz parte do acervo Delfos, na PUC de Porto Alegre, onde pode ser visitado por quem ama ou estuda cinema. Contam que às vezes ele ainda pode ser visto andando por lá.

Fonte: DELFOS

A Sala P. F. Gastal fica no 3º andar da Usina do Gasômetro
(foto CEN 2011).
Há mais dados biográficos no artigo de João Aveline "O que a cultura deve a P. F. Gastal" (Macaco preso para interrogatório, 1999, Ed. AGE, p. 77-79) e no artigo de Eduardo de Souza Soares Um Modesto Rabiscador de Notas Cinematográficas: Paulo Fontoura Gastal e a Construção de Espaços Culturais na Década de 1940 em Porto Alegre

Veja históricos e fotos da Sala P. F. Gastal: no sítio da Prefeitura, em nota do blogue Cineclube e na reportagem Quando todos os cinemas eram Paradiso.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A crueza alegórica do cotidiano voraz

Jornalista Carlos Cogoy comenta “Relatos Selvagens”, em artigo que saiu ontem (24-2) no Diário da Manhã impresso. A produção Argentina/Espanha foi nominada para o Oscar 2015 (v. lista de indicados e vencedores) de Melhor Filme Estrangeiro. O filme é considerado uma comédia dramática ou "comédia negra" (v. Wikipedia em espanhol)Em Pelotas, ainda pode ser visto no Cineflix: até quarta em duas sessões (17h e 21:50) e a partir da quinta em uma só (16:40). 



Após jejum de filmes razoáveis, uma bela obra em exibição no Shopping Pelotas. Em duas horas, seis relatos que espiam o abismo. Cada episódio uma sentença. Reunidos, chegaram com fôlego à indicação para o Oscar de filme estrangeiro.

“Relatos selvagens” não levou a estatueta. O que pouco importa, considerando-se que “Selma” – aborda a questão negra nos EUA – também não venceu como melhor filme. Enquanto o Oscar prossegue “selvagem”, contundentes e lúcidos relatos aguçam a sensibilidade e a inteligência.

Cartaz holandês de "Relatos Salvajes",
retrato animado do nosso lado psicótico.
No filme argentino, surpresas perante tramas inusitadas, apreensão com desfechos imprevistos, riso diante da ficção que espelha o cotidiano. Em cada história, atores transitam sobre o abismo que separa razão e loucura.

Com direção do talentoso Damián Szifrón, “Relatos selvagens” também remete à inescapável comparação com a produção cinematográfica no País que “Lava a Jato”. Nem tudo é ruim, mas têm sido frequentes as idiotices cujos elencos, para atrair bilheteria, escalam celebridades das novelas de tevê.

Pasternak 
Na abertura, voo emblemático. No avião, poucos minutos são suficientes para inquietar. E a “turbulência” é tão intensa que sacode, além dos passageiros, também os espectadores na sala de cinema. Afinal, o que se insinua como o trivial início de viagem corriqueira, gradativamente vai se desdobrando num percurso rumo a destino tragicômico. Na bagagem, a bomba não é artefato explosivo, mas também possui elevada capacidade de destruição. Trata-se de viagem aos traumas do passado. E alegoricamente um psiquiatra está na aeronave. O pouso não será acidental.

Las ratas 
O colesterol das batatas fritas é a causa para a morte de mafioso. Num café à beira de rodovia, o cliente é atendido por garçonete. Ela o identifica e recorda momento doloroso. A cozinheira do lugar ouve o desabafo da colega. Num dos momentos mais hilariantes, surge a dúvida se o “veneno para rato”, com validade vencida, torna-se mais eficaz ou menos nocivo. Ex-presidiária, a cozinheira afirma que “na prisão era mais livre do que essa m... toda”. Com a chegada de adolescente, filho do cliente, Fanta sobre a mesa.

Banalidade no trânsito pode causar brutalidade.
El más fuerte
Pneu furado pode ser fatal. Numa rodovia, Audi tripulado por “bon vivant”. À frente, arrastando-se sobrecarregado, carro popular bem rodado. A estrada é o abismo entre dois mundos e realidades sociais antagônicas. O episódio é caricatura que transcende o vulgar litígio no trânsito. Trata-se de relato sobre o cotidiano voraz, sem inocência ou ingenuidade, tanto do endinheirado quanto do espoliado. A crueza acelera e o fim da viagem tem conotação que ridiculariza as pretensas diferenças. Todos rodam no mesmo chão.

Bombita
Numa teia burocrática com filas, guichês e funcionários treinados na “lógica binária” – sim e não –, armadilhas estão à espreita. As “minas” explodem no bolso do contribuinte. E podem estar armadas em banalidades como o simples estacionamento do veículo. O meio-fio não estava “marcado”, mas o carro foi guinchado. A vítima é o engenheiro interpretado pelo ator Ricardo Darín. Especialista em explosivos, ele desafia o sistema.

Ciúme desencadeia surpresas na festa de casamento.
La propuesta

No penúltimo episódio, jovem de classe média alta atropela e mata gestante. O que sucede, em interpretações magistrais, é uma ciranda de venalidades, corrupção e propina.

Hasta que la muerte nos separe

Na festa de casamento, relato que encerra a obra, o ciúme gera uma comemoração surrealista. Aos convidados, ódio, rancor, ironia, cobiça, medo e ternura.

Carlos Cogoy
Imagens da web (1, 3) e Film1 (2)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

1º Ciclo de Filmes no curso de Cinema (2010)

Cartaz desenhado por Bruna Ferreira
alude às bicicletas e à pobreza do pós-guerra.
O curso de Cinema, aberto na UFPel desde 2010, realizou uma interessante ideia, ao mesmo tempo com fins de docência e de extensão universitária. No 1º semestre desse ano, alunos do Instituto de Artes – hoje Centro de Artes – participaram num concurso interno de cartazes, destinados a um ciclo de filmes com debates.

Os quatro cartazes ganhadores trazem a mesma informação, com design próprio (um deles ilustra este post). O desenhado por Renato Cabral representa singelamente o rosto da protagonista do filme "Viver a Vida", de Godard, a dinamarquesa Anna Karina, na época com 22 anos.

A seguir, professores do curso de Cinema organizaram o ciclo de 4 filmes, usando na promoção os cartazes selecionados nesse concurso. Finalmente, a atividade foi conhecida pelo público pelotense, ao ser anunciada na imprensa, e se efetuou, com pleno sucesso, no auditório do IAD (Alberto Rosa 62).

Para cada encontro, foi escolhido um tema cinematográfico e um especialista que exporia conceitos sobre a obra, facilitando também a discussão aberta. Os temas foram: o gênero Western, o estilo do Expressionismo, o movimento do Neorrealismo italiano e o vanguardismo francês da Nouvelle Vague (links direcionam à Wikipédia).

Cerca de quarenta pessoas, entre professores e estudantes universitários, assistiram a pelo menos um filme, formando-se cada dia plateias pequenas, de cerca de uma dúzia, ideais para debates profundos e participativos. Os filmes escolhidos são considerados obras-primas, por isso o ciclo também valeu como uma grande aula magistral de história do cinema. Confira alguns comentários sobre o ciclo, registrados em crônica no Diário da Manhã.
  • “Era uma vez no oeste” (1969, em cores), do italiano Sergio Leone, foi o western escolhido por Miguel Mishuo Watanabe, professor na UCPel, que se referiu aos planos visuais, à escolha de atores, às mesclas de gêneros cinematográficos. Naquela segunda-feira 30 de julho, o público também falou da música, dos cenários naturais, da influência da ópera clássica nas coreografias, na lentidão, no dramatismo e na identificação de um leit-motiv musical para cada personagem. Com Henry Fonda, Claudia Cardinale, Charles Bronson, Jason Robards (veja cena no vídeo abaixo).
  • Na terça 31, o expressionismo foi representado pelo filme mudo “O Gabinete do Doutor Caligari” (1919, p/b), do alemão Robert Wienne. A profª Andréa Schönhofen, da UFPel, explicou que as angústias do pós-guerra na Europa e a introversão do temperamento germânico criaram temores apocalípticos, dúvidas morais e até o questionamento da realidade em si. A cópia usada nesta ocasião foi uma versão com texto em inglês e música clássica de fundo, datada de 1952.
  • Dia 1 de agosto, a profª Regina Zauk, então coordenadora do hoje desativado cine-clube Fanopéia, do CEFET (atualmente IFSul), falou sobre o neorrealismo italiano e a obra-prima “Ladrões de Bicicletas”, de Vittorio De Sica (1948, p/b). O argumento e o modo de filmar tocam de tal forma os valores humanos mais básicos que o espectador não pode deixar de se emocionar. O neorrealismo denuncia a tragédia social e moral europeia após a Segunda Guerra Mundial, mas sua vertente italiana inclui a esperança, a crença de que sempre algum passo pode ser dado em direção à vida e ao crescimento.
Anna Karina em "Viver a Vida"
  • No último dia, Beatriz Ferreira e Sandra Espinosa, acadêmicas de Filosofia da UFPel, trouxeram “Viver a Vida” (1962, p/b), da Nouvelle Vague. Este movimento francês, próprio dos anos 60, teve sua própria estética, mas se caracterizou mais pelo oposicionismo às tradições. O diretor Jean-Luc Godard tenta transmitir suas idéias filosóficas mediante as formas visuais, deixando o conteúdo fragmentado num mosaico de cenas sem uma união evidente, que o espectador deve reconstituir.

    A jovem Anna Karina era modelo e casou com Godard, que a transformou num dos símbolos deste movimento do cinema. Sua imagem (dir.) até hoje nos convida sutilmente a pensar sobre a vida e suas mudanças.
Segundo foi comentado, este ciclo seria o primeiro de uma série, especialmente porque o curso de Cinema da UFPel iria atraindo e desenvolvendo estudiosos cada vez mais capacitados. Nos anos seguintes, este breve ciclo não se reeditou, mas tiveram continuidade ciclos maiores, como os de Cinema e História da Arte, Cinema e Quadrinhos, Cinema e Gastronomia, Cinema e Filosofia, Cinema e Literatura e Cinema e Design de Produção, todos ligados à UFPel. Também apareceram o cineclube Zero3, seguido pelo Zero4, o Festival de Cinema e Animação Manuel Padeiro e as diversas estreias e promoções da Moviola Filmes.

O debate de filmes é uma atividade que serve à formação acadêmica de artistas e humanistas, e é reconhecida também sua utilidade para o desenvolvimento do pensamento crítico, em todos os níveis educativos, e para fins terapêuticos, graças às semelhanças entre o cinema, o funcionamento do psiquismo e a evolução da vida pessoal.


O duelo final — entre Charles Bronson e Henry Fonda — revela um dos mistérios do filme:
a presença do Homem da Harmônica (indígena) está ligada a um dos crimes do vilão (branco).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

As aventuras do avião vermelho (1936-2014)


Estreou hoje (11-12) o longa animado "As Aventuras do Avião Vermelho", que resgata a obra infantil homônima de Erico Verissimo (1905-1975), o máximo escritor gaúcho (v. Wikipédia). Confira horários no Cineflix do Shopping Pelotas.

Companhia das Letras, 2003
Precisamente no ano de publicação do livro "As Aventuras do Avião Vermelho", 1936, nascia Luís Fernando Verissimo, o único filho homem de Erico. Em 1933, o escritor havia publicado "Clarissa", e em 1935 nascia sua primeira filha, batizada como a personagem de seu primeiro romance (leia um testemunho dela em 2013).

A história conta como um menino de 8 anos (chamado Fernando) lida com a hiperatividade decorrente da falta da mãe e a consequente necessidade de se afirmar como homem, com apoio do pai, valorizando as ações construtivas, a força da imaginação e a superação dos medos. Quem faz a voz do avião é o consagrado ator Milton Gonçalves, hoje com 81 anos, que em seus inícios trabalhou como dublador.

A temática do avião vermelho tem evidente inspiração no piloto militar alemão Manfred von Richthofen (1892-1918), conhecido como Barão Vermelho, personagem histórico que já rendeu livros e filmes. O nome do personagem Capitão Tormenta, que aparece dentro da história de Erico Verissimo e no filme em estreia, é uma homenagem ao livro de aventuras fictícias do italiano Emilio Salgari (v. Wikipedia), Capitan Tempesta, publicado em 1905.

Assim como as movimentadas aventuras do avião de Fernando ao redor do mundo, o filme gaúcho passou por muitos anos de pré-produção, desde 2003 até chegar hoje às salas de cinema de todo o Brasil. Veja outros filmes da produtora gaúcha OKNA e os vídeos de produção do filme no canal Avião Vermelho.
Imagens: Blog MPC (1), Adoro Cinema (2)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"Castanha": filme, pessoa e personagem



O longa-metragem gaúcho “Castanha”, dirigido por Davi Pretto, entra em cartaz no cinema do Shopping Pelotas esta quarta (19-11), com sessões diárias às 14h05 e 19h20. Trata-se de pré-estreia nacional, exclusivamente em nossa cidade, considerando-se que a estreia no circuito seria na quinta-feira.

Atração do Projeto Belas Artes da rede Cineflix a partir desta semana, o filme já foi exibido em 28 festivais, e premiado em 4 deles: Paulínia (Melhor Som), Rio (Melhor Filme), Buenos Aires (Menção Especial) e Las Palmas (Melhor Ator). Sua estreia mundial foi em fevereiro passado no Festival Internacional de Cinema de Berlim, chegando agora ao circuito comercial, no Brasil e em outros países (v. ficha no Facebook, fotografias da 64ª Berlinale e lista de exibições no IMDB).

João Castanha faz a si mesmo.
Nascido em 1988, Pretto é porto-alegrense, graduado em Cinema pela PUC-RS em 2008. É considerado um diretor estreante, por ser este seu primeiro longa (95 min) e seu primeiro trabalho no circuito nacional e internacional (v. filmografia no IMDB).

Em tom de documentário, “Castanha” acompanha os transtornos de João Carlos Castanha, ator de 52 anos que vive com a mãe septuagenária e trabalha de noite como transformista em baladas gays. A história, que é real, aborda temas como a loucura, o teatro, o transformismo, a homossexualidade, a relação mãe-filho, a morte, a dependência química, a marginalidade.

O filme mistura ficção e realidade para narrar o cotidiano do personagem-título, que também é uma pessoal real, o ator João Carlos Castanha, que mora na periferia de Porto Alegre. Conforme o relato, ele vive de modo confuso, misturando a sua realidade com os papéis fictícios que interpreta.

Castanha, o filme, enreda o espectador na vida do ator-personagem, podendo ser visto como ficção ou documento de realidade. Segundo o diretor, algumas cenas são documentais, outras são criações (v. entrevista com Pretto e Castanha no programa do Roger Lerina, 13 min). Celina Castanha é a mãe de João, na realidade e no filme.

Como se fosse pouco, o ator também participa como roteirista, junto a Davi Pretto (leia crítica de Pablo Gonçalo na Revista Cinética e 8 resenhas no sítio argentino Todas las Críticas). Em agosto passado, Ivette Brandalise falou com o ator durante uma hora em seu programa Primeira Pessoa, da TVE gaúcha (parte 1 no vídeo abaixo, parte 2 aqui).


Foto: Cau Guebo

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Novo projeto do Capitólio, o cine finado

Os organizadores do primeiro Noitão no Capitólio (2011) levaram 3 anos para retomar o projeto, e descobriram que não seria mais possível fazê-lo no antigo cinema, pois o dono daria, em novembro de 2014, uma nova finalidade à estrutura (a antiga Sala 2), sucata abandonada do mais longevo cinema de Pelotas, inaugurado em 1928, reformado em 1967 e fechado em 2007.

Quais seriam os "outros planos para a estrutura"? A expressão foi usada na reportagem de sexta (31-10) no Diário Popular que anunciou o segundo e último Noitão, exatamente no amanhecer de Finados (2-11).
O clima será de despedida. Após as sete horas de exibição, a sala não estará mais apta para o uso. Os organizadores adiantam que o aluguel do prédio retornará para o proprietário, que possui outros planos para a estrutura.
Se a antiga Sala 1, com 900 poltronas, virou estacionamento de carros, o mezanino teria vocação de estacionamento de motos? Uma lan house, talvez? Locadora de celulares ou de pen drives?

Teria que ser algo lucrativo, pois o prédio é imenso. Mas nada de livros ou filmes, pois a cultura somente traz prejuízo e desequilibra as finanças. Tampouco sonhos idealistas, por muito elevado que seja o 2º andar.

De um lado, a entrada de carros; de outro, o acesso à fantasia. No meio, o velho guichê desativado.
A resposta está à vista de quem passa pelo "Estacionamento Capitólio" (a ex-sala para 900 pessoas). Esta semana devem começar as obras para instalar o tal projeto (na ex-sala 2), que é precisamente financeiro, destinado a não dar prejuízo.

A expressão "Lotérica Capitólio" esconde duplo eufemismo metafórico. Dois enganos ao consumidor desavisado: uma loteria sem ganhadores e um cinema sem filmes.

Na Agência Lotérica, não haverá muitas apostas ou esperanças de uma vida melhor (a loteria da vida); o nome Capitólio não despertará aventuras ou fantasias de luxo (evocação do finado cinemão). Simplesmente, um guichê bancário recolherá o pagamento de dívidas, disfarçado com cores e, ainda por cima, em desajuste com as normas de acesso para idosos e cadeirantes. Quem quiser estacionar o carro terá a oportunidade de pôr em dia as contas, e quem precisar ir ao banco também poderá estacionar.

A mesma escada que antigamente despertava a imaginação agora servirá para expiar culpas. Ronnie Von poderá cantar sua letra dos anos 60, em paródia: o mesmo cine, a mesma sala, a mesma escada, o mesmo mezanino, tudo é igual, mas estou triste, porque não tenho você perto de mim...

Humilde sugestão: para não descaracterizar o projeto, o eufemismo poderá ser adornado com a venda de pipocas, cartazes de filmes e ar condicionado. O público saberá da falsa promessa, mas não haverá quem resista a uma pitada de fantasia.
Fotos: F. A. Vidal

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Programa do último noitão no Capitólio


"O Céu de Suely" é produção teuto-franco-brasileira de 2006, com direção de Karim Aïnouz (v. filme completo, 1h26).
"Magnolia" é filme dirigido por Paul Thomas Anderson (EUA, 1999).
O terceiro filme será escolhido no mesmo dia, pelo público presente.
Entradas à venda no Studio CDs, Madre Mia e Centro de Artes (Alberto Rosa 62).
Fonte: Facebook

POST DATA
1-11-14
Os organizadores prometem que voltarão a promover outros noitões em Pelotas, mesmo que não seja no Capitólio, que fechará definitivamente sua antiga Sala 2. Ainda existem o Cine Art e o Cineflix (v. notícia).

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Noitão no Capitólio, por última vez

No silêncio de uma noite de primavera, o fantasma do antigo cinema ressuscitou, com sala lotada. 
Um grupo de professores, alunos e ex-alunos do Centro de Artes da UFPel (PET Artes Visuais) está organizando uma última sessão de cinema no mezanino do antigo Cine Capitólio. O Noitão começa no fim do sábado 1 de novembro e termina ao amanhecer do domingo 2.

A história do Noitão

O Cine Capitólio funcionou desde 1928 em Pelotas e criou história na cidade. Em 2007 o tradicional espaço fechou suas portas e foi convertido em estacionamento, para nunca mais ser reativado.

No entanto, ainda conserva em seu andar superior uma sala de projeção que está sendo novamente revitalizada pelo grupo PET (Programa de Educação Tutorial) da UFPel, especialmente para a exibição cinematográfica do projeto Noitão de Cinema. Após o evento, a sala não estará mais apta para projeção de filmes.

Em 10 de setembro de 2011 realizou-se a primeira edição do Noitão de Cinema (v. página do evento), também organizado pelo grupo PET do Centro de Artes, e iniciou-se a revitalização da sala, com o apoio dos atuais proprietários do prédio.

A notícia foi amplamente divulgada na época (v. nota Noitão de Cinema é sucesso no Capitólio e a crônica do Diário Popular Noitão de cinema é marcado pelo saudosismo). As entradas esgotaram-se em dois dias de vendas.

O formato do evento

Renasceu por uma noite o cinema de calçada,
com fila de espera, pipoca etc.
Até o dia da exibição, serão obtidos os sistemas de som e de projeção para a exibição dos filmes, assim como a dinâmica do foyer, que contará com um quiosque para a venda de cafés e salgados. Além disso, os espectadores que ficarem até o final da exibição receberão um kit café da manhã, tudo isto seguindo o mesmo formato da primeira edição do evento.

O Noitão de Cinema é um projeto de extensão em formato de evento e tem como objetivo principal a preservação da memória dos cinemas de calçada da cidade de Pelotas. Além de revitalizar o espaço, abandonado desde 2007, a atividade também busca mostrar filmes que não entram no circuito comercial.

O evento se inspira no Noitão Belas Artes, promovido pelo Cine Belas Artes da cidade de São Paulo, que apresentava maratonas de filmes, durante uma madrugada por mês.

A sessão será aberta à comunidade, com número limitado de ingressos a preço justo, com fins apenas de custear a limpeza e materiais para que a mostra se realize, sem fins lucrativos (em 2011, o valor foi de 5 reais). Os ingressos serão vendidos a partir desta segunda-feira (27-10), até a sexta seguinte (ou até esgotarem), no Núcleo de Extensão e Divulgação do Centro de Artes (Alberto Rosa 62, sala 106).

Somente 300 insones presenciarão a última sessão de cinema.
Fonte do texto: E-Cult

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

"Ecos de Marselha" vem a Pelotas por primeira vez

Esta semana (terça 7 e quarta 8), Pelotas presenciará Mostra Especial de filmes latino-americanos em parceria com o Festival de Cinema de Marselha (França), denominado “Rencontres du Cinéma Sud-Américain de Marseille et Région PACA” (Encontros do Cinema Sul-Americano, de Marselha e Região PACA). A região PACA francesa inclui as subregiões Provença, Alpes e Costa Azul. O festival costuma realizar-se em março, e em 2014 esteve em sua 16ª edição.

Auditório da UFPel na Álvaro Chaves 487
A seleção de filmes do Festival chama-se "Ecos de Marselha", já foi a Buenos Aires em anos passados, e agora será apresentada no auditório da Lagoa Mirim da UFPel (Álvaro Chaves 487, esquina Lobo da Costa).

A primeira mostra "Ecos de Marselha em Pelotas" é um passo inicial do projeto “Sala de Cinema Digital do Mercosul”. A proposta é montar uma sala de cinema digital da UFPel, com sessões semanais gratuitas de filmes de difícil acesso ao público, que circulam em festivais, filmes universitários e produções latino-americanas.

Ao mesmo tempo, o “I Ecos de Marselha em Pelotas" é uma realização do Laboratório Integrado de Produção Audiovisual (LIPA) projeto de extensão do Curso de Cinema e Audiovisual da UFPel.

O evento inicia na terça (7-10), às 17h, com palestra de Leonor Harispe, organizadora do Festival em Marselha e presidente da ASPAS (Associação Solidariedade Provença/América do Sul).

Os filmes são exibidos a partir das 19h30min, terça e quarta. A entrada é franca, com lugares limitados, por ordem de chegada (a sala tem 88 lugares); por esse motivo, haverá distribuição de senhas a partir das 18h30 no próprio local.

Programação
  • Longa-metragem:
El Rincón de Darwin, de Diego Fernández (Ficção, Uruguay-Portugal, 78min)
  • Curtas-metragens:
He, de Héctor Orbegoso Rivera (Ficção, Venezuela, 12min30)
Tempo Adagio, de Alcione Guerrero (Ficção, Venezuela, 10min55)
Madera, de Daniel Kvitko (Documentário, Cuba, 25min)
Meu Amigo Nietzsche, de Faustón da Silva (Ficção, Brasil, 15min)
  • Mostra especial: 8 curtas de Juan Pablo Zaramella:
Luminaris (6min20), El desafio (3min16), El Guante (9min55), Hotcorn (1min), Lapsus (3min33), En la Ópera (1min), Sexteens (5min20), Viaje a Marte (16min).

Sobre Zaramella veja Wikipedia, entrevista no Anima Mundi e filmes no Vimeo.
Fonte: UFPel

sábado, 4 de outubro de 2014

Cineflix Pelotas, um ano



O videoclipe acima acaba de completar um ano de apresentações nos cinemas do Shopping Pelotas, que foi inaugurado em 2 de outubro de 2013 (v. postagem), e aberto ao público no dia seguinte. O VT vem sendo mostrado antes de cada sessão - tanto em 2D como em 3D - nos 10 complexos da rede Cineflix, desde maio do ano passado. Pode-se estimar que nestes 12 meses já teve 7 mil exibições, somente em Pelotas.

A empresa cliente encomendou ao estúdio de animação paulista Mono 3D (v. no Facebook) um curta com as normas de segurança. O estúdio escolheu fazer uma história num circo, comparando a sala de cinema a um espetáculo de diversão, onde o público também deve colaborar para o sucesso dos artistas (leia sobre o roteiro). Em 2 minutos de ação e suspense circulam cerca de 15 personagens e ocorrem diversos acidentes que mostram a importância da segurança no espetáculo. Em 8 de agosto passado, o vídeo participou no festival Anima Mundi 2014, selecionado na categoria não competitiva Portifólio.

Alguns desses personagens escondem jogos de palavras e metáforas humanas, como o Cospe-Fogo que causa incêndios, o Homem Bala que banca o herói, e o Mico que "paga mico" atrapalhando os outros. Todos são caricaturas de raiz europeia, sem relação alguma com a cultura brasileira; nenhum reflete a diversidade racial do país e as duas únicas mulheres aparecem vitimizadas. Seja pelo cansaço da repetição, seja pelas mensagens escondidas, já é hora de trocar o vídeo.

Personagens do século XIX difundem regras e proibições do cinema, sob o lema "comporte-se e divirta-se".
Conforme divulgado há um ano (v. notícia), as salas de cinema do Shopping Pelotas somam pouco mais de 1200 lugares, sendo duas pequenas sem 3D (salas 4 e 5), duas pequenas com 3D (1 e 2) e uma grande com 3D, tela gigante e a tecnologia High Frame Rate, com sensibilidade de 48 quadros por segundo. Além dos descontos para crianças, estudantes, professores e idosos, o Cineflix tem preços baixos de segunda a quarta.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

"Na estação", curta de 2010


Há quatro anos, estudantes do 5º semestre do curso de Cinema e Animação da UFPel produziram o curta-metragem experimental "Na estação". Tudo foi filmado nos trilhos próximos à antiga ferroviária de Pelotas, por onde hoje só passam trens de carga. Luciano "Zero" Gonçalves dirigiu o trabalho, que teve a atuação de Jean Alexandro (de boné), Lumilan Noda (de macacão) e Márcio Soares (de terno).

Em 5 minutos e meio, somente com mímica, a sequência mostra um duelo com traços surrealistas. O relato tem partes bem diferenciadas pela música (trechos de Tilman Sillescu): Abertura, com créditos à moda dos anos 70 (1 min), apresentação dos antagonistas (1 min), tensão inicial sem armas (1,5 min), manifestação do conflito armado com clímax (1 min), desenlace (20 s) e Final, com créditos à moda atual (40 s).

As muitas construções antigas de Pelotas costumam facilitar a produção de filmes de época, pelo menos desde 1951, quando uma empresa paulista veio filmar aqui trechos do longa "Ângela" (v. postagem). Também há prédios semidestruídos, como esta locação ainda ruinosa, que já foi cenário de um curta da Moviola Filmes (v. Futebol, Sociedade Anônima). A filmagem mais recente em nossa cidade foi feita em maio de 2012: O Tempo e o Vento.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Cine Viagem no Museu do Doce


O Projeto Cine Viagem, do Museu do Doce da UFPel, tem como finalidade geral propiciar à comunidade de Pelotas uma visão multidisciplinar e uma experiência cultural vivenciada em prédios históricos da cidade, através da arte cinematográfica. Neste semestre serão exibidos no Casarão nº 8, oito filmes mostrando incursões culturais em outros países ou outras épocas: Rio Grande do Sul (O Tempo e o Vento), Japão (Encontros e Desencontros), Espanha (The Way), América Latina (Diários de Motocicleta), África (Hotel Ruanda), Índia (O Exótico Hotel Marigold), Itália (Para Roma com Amor), França (Meia-Noite em Paris). Cheque as datas em nossa Agenda Cultural. Sempre em sábados, às 15h.

Os objetivos específicos do projeto Cine Viagem são:
  • difundir a cultura e a criatividade através do cinema e outras expressões artísticas; 
  • possibilitar uma aproximação da comunidade com os prédios históricos da UFPel; 
  • proporcionar aos estudantes um aprendizado pragmático na área de lazer e recreação, e hospitalidade; 
  • desenvolver o sentido crítico, estético e cultural sobre o Brasil e outros países do mundo; 
  • favorecer o debate em torno de temas atuais apresentados por meio de filmes e/ou documentários; 
  • estimular o hábito de apreciar a arte do Cinema, como forma de gerar um aprendizado cultural, social e artístico.
Fonte: Facebook

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Uma Semana Farroupilha no Cineflix


Em homenagem à Semana Farroupilha (1835-1845), a rede Cineflix elaborou um ciclo temático com cinco filmes relacionados ao Rio Grande do Sul, a ser exibidos nas três multissalas gaúchas da rede de cinemas: Shopping João Pessoa, Shopping Total e Shopping Pelotas. A 1ª Semana Farroupilha Cineflix entra em cartaz nesta quinta (18-09) e vai até 24 de setembro (v. programação das 5 salas no Shopping Pelotas).

O grande destaque é o retorno às telonas do épico de Jayme Monjardim O Tempo e o Vento, estreado há exatamente um ano (v. postagem de 2013 neste blogue). Considerado um símbolo da literatura regionalista, a história de Erico Verissimo narra 150 anos de conflitos entre a família Terra Cambará e a oponente família Amaral, desde as Missões até o final do século XIX, tempo que marcou a formação do Rio Grande do Sul.
Duração: 2h07. Classificação: 14 anos.
6 exibições: sexta 14h, sábado 19h20, domingo 22h, segunda 16h40, terça 19h20, quarta 16h40.
"Insônia", livro de 1996, filme de 2014
Outra adaptação para o cinema de um livro gaúcho é a comédia romântica Insônia, estrelada por Luana Piovani. O filme dirigido por Beto Souza se baseia no livro homônimo do porto-alegrense Marcelo Carneiro da Cunha (v. Wikipédia), sobre uma adolescente que perdeu a mãe e deve lidar com a nova namorada do pai. Chegou aos cinemas brasileiros em fevereiro de 2014 (v. trailer).
Duração: 2h31. Classificação: 12 anos.
4 exibições: quinta 22h, sábado 16h40, segunda 14h, quarta 22h.
Recém-lançado nos cinemas em 2013, o drama de época A Casa Elétrica presta homenagem à música ao retratar a história dos três irmãos imigrantes italianos que, em 1913, fundaram a primeira fábrica de gramofones da América Latina, em Porto Alegre. A coprodução Brasil/Argentina é dirigida pelo estreante Gustavo Fogaça e o elenco conta com atores gaúchos e estrangeiros (v. trailer abaixo). 
Duração: 1h57. Classificação: 12 anos.
6 exibições: quinta 19h20, sexta 22h, sábado 14h, domingo 16h40, terça 16h40, quarta 19h20.
Os outros dois títulos mostram a vida e a obra de personalidades importantes no Rio Grande do Sul:
  • Getúlio, cinebiografia que relata os últimos dias do presidente Getúlio Vargas, aqui representado por Tony Ramos.
    Duração: 1h40. Classificação: 14 anos.
    7 exibições: quinta 16h40, sexta 19h20, sábado 22h, domingo 14h, segunda 19h20, terça 22h, quarta 14h.
    Veja também o documentário completo Getúlio do Brasil, produção da TV Senado (1h58min).
  • Xico Stockinger, documentário sobre o artista nascido na Áustria e radicado em Porto Alegre (v. Wikipédia) que é considerado um dos mais importantes escultores modernos do Brasil. O filme, dirigido em 2012 por Frederico Mendina, conta com depoimentos do próprio Stockinger, que morreu em 2009, aos 89 anos (v. trailer no vídeo acima).
    Duração: 1h26. Classificação: Livre.
    5 exibições: quinta 14h, sexta 16h40, domingo 19h20, segunda 22h, terça 14h.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

"A linha imaginária", onde as fronteiras se diluem


A cultura bilingue da fronteira Brasil-Uruguai, no território indefinido que o escritor jaguarense Aldyr Garcia Schlee define como "uma terra só", tem personagens como o poeta artiguense Fabián Severo, o cantor Ernesto Díaz, o folclorista Chito de Mello, o camelô "El Callejero", a professora Mirta Arizaga (Livramento/Rivera), a cantora uruguaia Tita Silveira, o comerciante palestino Abder Hussein El Jundi, o artesão brasileiro Hamilton Coelho (Chuí/Chuy), João Barbosa, Jorge Beson, Basilício Silveira, Ricardo Tadeo (Aceguá) e milhares de outros que vivem em dois países ao mesmo tempo.

A equipe da Moviola Filmes, produtora pelotense, filmou nas cidades gêmeas de Jaguarão e Rio Branco, no território duplo de Aceguá e nas bicidades de Livramento/Rivera e Chuí/Chuy. Uma bicidade é uma cidade só, construída sobre uma fronteira binacional seca (não marcada naturalmente por algum fluxo de água). Nessa área, a linha que separa as nações é imaginária, não está no chão da realidade.

O resultado deste trabalho é um sintético documento sobre o mundo de fronteira e suas características surpreendentes de mistura de costumes, de dependência do lado de lá, e de contrabando de tudo o que se possa imaginar. O filme foi publicamente estreado pela TV aberta em 23 de abril de 2014, entrou em 6 de setembro no circuito alternativo (Usina do Gasômetro, Porto Alegre) e está sendo enviado a festivais de cinema (v. making of de 14 min). Leia o post que mostrou o trailer e anunciou a estreia: "A Linha Imaginária" (entre nós e outros). Abaixo, bastidores da filmagem em Jaguarão, quando o título ainda era "Uma terra só".

sábado, 6 de setembro de 2014

Magic in the Moonlight


Existe ou não um mundo espiritual invisível aos olhos? A vida é algo mágico ou só uma condenação à morte? Em "Magia ao Luar", Woody Allen retorna a suas eternas dúvidas, e a resposta parece estar no amor. A locação no espaço é o Mediterrâneo francês, e no tempo é o ano de 1928.

Esta fábula audiovisual pode ser lida como a história de uma improvável paixão entre dois solitários, unidos pela mágica da ilusão. Observando o céu estrelado, eles percebem a magia no luar, acima deles, mas na verdade a magia se encontra entre eles, ao luarTambém homenageia o cinema ingênuo dos anos 20, com personagens pouco complexos e uma trilha sonora cheia de sucessos musicais da época (v. Wikipedia). 

Com estreia no Brasil em 28 de agosto, o filme ganhou segunda semana em Pelotas, com sessões diárias no Cineflix às 16h50, somente até quarta (10-09). 

Leia a seguir a resenha poética escrita pelo jornalista Carlos Cogoy, editor de cultura do Diário da Manhã, enquanto ouve o som norte-americano de Bix Beiderbecke e sua turma tocando "At the Jazz Band Ball" (dir.), um dos trechos originais do filme

Ouça também Sweet Georgia Brown, com os franceses Django Reinhardt (violão) e Stéphane Grapelli (violino).


A leveza do abismo na Magia ao Luar

Entretenimento ou reflexão? Distração ou questionamento? Lazer ou análise cerebral? Em “Magia ao Luar”, Woody Allen beira o abismo, espia o fundo sem fim, volta-se ao público nas poltronas e sorri com leveza.

Morte ou eternidade? Amor ou pieguice? Racionalidade ou espiritualidade? Em “Magia ao Luar”, ciranda que alterna respostas. No giro das perguntas que sacodem a humanidade, mágico apega-se à ciência como amparo na tempestade das incertezas. Já a vidente apega-se ao pragmatismo como salvação no vendaval dos gastos financeiros.

Verdade ou mentira? Ataque ou defesa? Presunção ou inveja? Em “Magia ao luar”, o abismo demasiadamente humano. Nietzsche está morto, Deus também. Mas a fúria miúda, movida pela estreiteza das ambições, revigora-se nas perdas e danos emocionais.

A magia do abismo, e a leveza ao luar. Woody Allen espia algumas das questões sem fim, volta-se ao público, sorri sarcástico e despede-se com final mágico.
Carlos Cogoy
O improvável casal [Emma Stone e Colin Firth] observa o luar acima,
sem perceber que a magia está aqui mesmo, entre eles.
Foto da web

POST DATA
12-09-14
Leia o artigo de Márcio Ezequiel Magia ao Luar.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ecos do passado em Satolep

O fotógrafo Rafael Takaki começou a produzir a série "Satolep - Ecos do Passado", com aspectos de Pelotas em épocas diversas, que ele denomina "portais temporais". Dentro de uma mesma imagem, duas fotos são superpostas, criando um efeito de viagem no tempo, sensação que aliás é muito comum nas pessoas que passeiam pelo centro histórico da cidade.

Nesta primeira montagem, ele superpôs ao atual Teatro Sete de Abril uma antiga fotografia de família, relativa aos filmes que ali eram projetados na ocasião, início da década de 1930. Um deles era o curta-metragem (19 min) "Perfect Day", com o Gordo e o Magro, que mostrava os desastrados preparativos de uma família para um passeio de carro.

É em alusão a esse veículo do filme que a foto foi preparada, ante o teatro mais antigo de Pelotas, já com cerca de cem anos na ocasião. Rafael publicou sua criação no Facebook com este comentário:
Um fato curioso sobre a foto: o motorista do Ford Modelo A é meu tio avô. Na ocasião, queriam um veículo para colocar na frente do teatro para fazer o retrato. Ele topou, mas com uma condição: apenas ele dirigia o carro, e aí está o registro. O Ford permaneceu com ele, estacionado em sua garagem, até seu falecimento em julho de 2000.
Os outros filmes anunciados na foto são "Love among the millionaires" (1930) e "King of the wild" (1931), todos já da era do cinema sonoro (com diálogos audíveis mas com intensa linguagem mímica). Veja abaixo um trecho de 3 minutos da comédia "Perfect Day" (1929), que teve o título "Delícias de um automobilista" (divulgada no cartaz com a chamada "Aventuras de um automobilista"). 

Fonte: Facebook

POST DATA
1-8-14
Na segunda imagem da série, um casal no presente é observado por um homem no passado.
5-8-14 Monumento ao Coronel Pedro Osório, de Antonio Caringi.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Violeta Parra, chilena de talentos múltiplos

Francisca reconstruiu Violeta em corpo e voz.
O projeto de extensão da UFPel "A Filosofia e a Música no Cinema" exibe, esta sexta (20-06), o filme chileno de 2011 "Violeta foi para o céu", de Andrés Wood (v. biografia em espanhol).

Não se trata de um documentário, mas de uma cinebiografia, bastante respeitosa com os fatos da vida de Violeta Parra, com pequenas liberdades criativas, próprias de uma recriação para o cinema (v. fotos do filme).

A representação da personagem central é feita por Francisca Gavilán, de aparência física e voz muito parecidas às de Violeta, e complementada por algumas imagens de época, da Violeta real.

A trilha sonora (escute no SoundCloud) não traz a voz de Violeta Parra, mas as músicas cover, cantadas por Francisca em arranjos modernos. A atriz teve que aprender música e conseguiu fazer um verdadeiro tributo a Violeta Parra (v. reportagem).

A múltipla artista Violeta recolheu aspectos do folclore chileno e se fez ela mesma artista popular, criadora na música, na poesia, nas artes plásticas, no artesanato. Viveu a pobreza do interior e da capital, não sendo reconhecida no seu país, adiantada a sua época, mesmo sem ter frequentado escolas formais de arte. Com traços bipolares e rebeldes, parecia feliz mas dizia viver a infelicidade, especialmente no amor (suicidou-se aos 49 anos).

Violeta Parra e sua filha Isabel, década de 1950
Este filme, que não aprofunda os aspectos ideológicos e políticos, baseia-se na biografia escrita pelo filho Ángel Parra, e se concentra em poucas figuras: um só dos vários amores da artista, o suíço Gilbert Favre, e dois dos quatro filhos, Ángel e María Luísa. Veja aqui o longa Violeta se fue a los cielos, sem legendas, de 1h 43min.

A programação completa do V Ciclo de Cinema, sob a coordenação do professor dr. Luís Rubira, está disponível no sítio da UFPel. Em 2014, todos os filmes são documentários sobre música ou cinebiografias de músicos de todas as épocas. As sessões são realizadas toda sexta às 20h no Centro de Integração do Mercosul, com entrada franca.

Conheça mais sobre a verdadeira Violeta na Wikipedia em espanhol, no programa de TV Nacional Grandes Chilenos (59 min) e na reportagem argentina do Canal Encuentro (54 min). Ouça aqui a voz de Violeta em antologia de 26 músicas (59 min). Confira abaixo Viola Chilensis, documentário de Luis Vera realizado em 2003.