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sábado, 11 de maio de 2013

"O Liberdade" no 5º Festival do Documentário Musical

Museu da Imagem e do Som foi uma das 5 salas paulistas que exibiram filmes do IN-EDIT Brasil.
De 3 a 12 maio, o festival mostrou 15 filmes nacionais, 29 internacionais e vários shows musicais. 

Imagem/somos

Registros momentâneos
Imagem sonho
Olho/olha

Elas aprisionadas não têm liberdade
Imagens/som

Cidade/meio/conteúdo
Tudo condensado no frame/fotograma

Registro do tempo social
Afinal ... polissêmica imagem cultural

Banhada no enquadramento
Banhada na trama daquele momento
Decorativa ... banhada em liberdade memorial

Imaginar/ação
Sonorizar o previsível/plausível
Signatários

Oh liberdade
Oh libertai-vos

Voz invisível
Vizinhos do acaso


Sábado, 11 de maio de 2013. 15h 30min. Museu da Imagem e do Som. O Liberdade. Um pedaço da cultura/música/cinema de Pelotas estava presente na mostra/festival internacional do documentário musical.

O catálogo da mostra abre com uma frase sugestiva: O mundo está cheio de grandes histórias. A arte é saber contá-las.

Rafael e Cíntia em São Paulo hoje (11)
E dois diretores de cinema contaram uma história de Pelotas para uma plateia que ao final os aplaudiu/agradeceu/questionou.

Os questionamentos ficaram por conta das técnicas utilizadas/escolhidas e também das minúcias no como entrevistar os atores sociais/personagens/indivíduos.

Os agradecimentos e aplausos foram pela qualidade do longa-metragem dirigido por Cíntia Langie e Rafael Andreazza.

A música popular pelotense/brasileira foi o mote e fio condutor que introduziu habitantes/personagens característicos da nossa cidade. Nossos costumes ficaram claros nas intenções estéticas/artísticas do documentário.

O bar/restaurante/salão de dança em questão torna-se um microcosmos que expressa de maneira local/regional uma universalidade/humanismo latentes em todos os vilarejos/cidades/metrópoles.

Ficou claro que temos uma Pelotas que não se conhece, que não se explora. Muito aumentou o movimento do Liberdade após o filme, contou o diretor. Mas anos antes do filme o bar já produzia cultura e música de qualidade, completou ele.

Pelotas precisa buscar-se e fazer justiça a sua fama de cultural e efervescente. Nós temos história, temos passado e precisamos olhar nosso presente.

As imagens mostram uma comunidade em torno do bar Liberdade. E isso foi imageticamente preservado durante as filmagens, pois é como se a rotina do lugar não tivesse sido mexida pela câmera/operadores/equipe de áudio. Inclusive, no bate-papo com os diretores, foi citado o uso de abajures para iluminar sem interferir no ambiente.

Eles filmaram sua aldeia e falaram automaticamente do mundo. Mostraram uma cidade que a própria cidade não via.

O LIBERDADE. Um documentário sociológico/antropológico/artístico muito bem costurado na edição, que remete a uma cidade chamada HUMANIDADE.

Nathanael Anasttacio


Por 39 anos, Liberdade mereceu o nome.
Desde 9 de fevereiro de 2013, o Liberdade não abre mais à noite. Após a tragédia de janeiro em Santa Maria, as autoridades pelotenses interditaram quase todas as casas noturnas da cidade por não ter adequada prevenção de incêndios (v. notícia oficial).

Lamentavelmente, o reduto pelotense do chorinho não pode reverter a situação (mais por questões jurídicas do que financeiras), e ainda ninguém intercedeu pela reabertura do bar, que foi também reduto da liberdade (desde 10 de maio de 1974), no fim dos "anos de chumbo".
Imagens: N. Anasttacio (1-2), Secult Jaguarão (3), R. Marin (4)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Betty Blue, diário de um fracasso


"Betty Blue", de Jean-Jacques Beineix, é o filme desta sexta (26) no ciclo "A Filosofia e o Cinema Existencial", iniciado em 15 de março.

A obra é de 1986, e seu roteiro se baseia no livro de Philippe Djian "37,2 de manhã" (temperatura de uma mulher grávida ao despertar). Os atores são Jean-Hugues Anglade como Zorg e Béatrice Dalle como Betty. Todos são franceses, assim como a produção e as locações.

O autor do livro diz que pensava num personagem único com um lado masculino e outro feminino, enquanto o filme descreve dois personagens bem distintos, um casal de namorados que parece concordar em tudo (v. citação em inglês). O que mantém o fator subjetivo no filme é o narrador homem em primeira pessoa, em forma de diário de vida.

Como reflexão sobre o casamento, o relato mostra como uma bela relação amorosa se transforma em tragédia, a medida que aparecem os distúrbios comportamentais sem controle. Não bastaria a concordância interna; também se requer a adaptação a códigos sociais. Como pura introspecção individual, a história quer mostrar como o ser humano descobre a loucura dentro de si mesmo e tenta eliminá-la por não saber como integrá-la à sua vida. Às vezes os instintos de morte podem ser canalizados e sublimados; às vezes devem ser contidos e proibidos.

Betty e Zorg: bondade e maldade não sobrevivem juntas.
Apesar de ser totalmente francês, o filme tenta parecer um road movie norte-americano, com elementos universais e outros dos Estados Unidos dos anos 80, mas não deixa de ser europeu no conteúdo (abstrato e trágico). Veja abaixo um trecho, onde se ouve a música minimalista new age de Gabriel Yared, autor de conhecidas trilhas sonoras (O Paciente Inglês, O Amante, Cidade dos Anjos).

Até dezembro deste ano, a série de debates no Centro de Integração do Mercosul se centra no tema filosófico "o homem a sós ante si mesmo". Os ciclos prévios analisaram conteúdos políticos (2010), religiosos (2011) e psicológicos (2012).

A intenção deste Ciclo é radicalizar a abordagem do homem-no-mundo para além da política, da religião e da psicologia. "Trata-se, agora, do valor e do sentido da existência, das vivências que imprimem singularidade e autenticidade, da finitude humana, bem como dos caminhos para romper com a solidão existencial", informa o prof. Luís Rubira, coordenador do projeto de extensão do Dep. de Filosofia da UFPel (v. programação 2013).
Imagens da web


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Filme xavante é lançado em Porto Alegre

O filme do centenário xavante estreou no Guarani, em 11 de dezembro de 2012
Nesta sexta-feira (5) às 20h, o filme "Xavante: o centenário rubro-negro" será exibido, por primeira e única vez, na Sala Eduardo Hirtz, térreo da Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre (Rua dos Andradas, 736). A entrada custa R$ 10 (R$ 5 para idosos e estudantes).

Em dezembro de 2012 foi estreado em Pelotas (v. nota com o trêiler). Na ocasião, mil e trezentas pessoas lotaram o Teatro Guarani, que quase se transformou num estádio, numa partida de lembranças e sonhos reunidos em imagens.

O evento é uma promoção do grupo Onda Xavante, fundado em março de 2005 por torcedores do G. E. Brasil que moram em Porto Alegre e região. Eles se reúnem mensalmente e organizam excursões para acompanhar os jogos do Rubro-Negro em Pelotas e pelo país. No Rio Grande do Sul e em outros estados existem núcleos xavantes (veja uma lista), com funções parecidas às dos centros tradicionalistas: manter a mística centenária do clube e apoiar o desempenho do time.

Ilustração de capa do DVD
Dirigido por Bruno Frantz e Felipe Fabião, o documentário recolhe os melhores momentos dos 100 anos do Grêmio Esportivo Brasil e de sua fanática torcida. Foram mais de dois anos pesquisando e gravando entrevistas.

O longa-metragem de 111 minutos traz depoimentos de torcedores e de personagens que fizeram a história do clube. O Brasil de Pelotas foi fundado em 7 de setembro de 1911 (v. histórico), um dos mais antigos do país do futebol. Nasceu verde-amarelo mas adotou, a pouco andar, o vermelho-e-preto do Clube Diamantinos, que coincidem com as cores de guerra dos índios xavantes.
Imagens fornecidas por Juliano Freitas

domingo, 31 de março de 2013

Paixão e pipoca no Cine Esmeralda (1954-1973)

As paredes do velho cinema seguem de pé há 60 anos, e seu salão ainda recebe variado público.

Minha paixão pelo cinema vem de longe, do tempo em que eu era ambulante. Sim, ambulante. Eu vendia pipoca e amendoim torrado na entrada do Cine Esmeralda, no bairro Areal. O prédio foi transformado, para variar, em supermercado e, depois, em igreja evangélica.

Apesar do nome, o cinema não brilhava como brilham as esmeraldas. A cintilação era reservada às histórias que se passavam na tela, às quais não tinha como resistir.
O cheiro de pipoca era parte do clima.
Cerca de uma hora antes da matiné eu já estava à entrada do cinema, com meu tabuleiro carregado de saquinhos de pipoca e amendoim, cheirosos ainda, pois recém haviam sido feitos. A gurizada aos poucos ia chegando para a tradicional troca de gibis, e, claro, para ficarem minutos intermináveis à frente dos cartazes, onde os astros se mostravam exageradamente.

Olha o amendoim, olha a pipoca!, eu cantava, atraindo a gurizada, que caçava níqueis nos fundos dos bolsos para comprar uma coisa ou outra. De quando em quando eu pegava um amendoim, pescava uma ou outra pipoca, certificando-me da qualidade do meu produto.

A gurizada ia chegando, uns a sós, outros acercados de suas namoradinhas, ou candidatas, peitos inflados, achando-se os próprios heróis que apareceriam na telona logo, logo. Achavam-se Gordon Scott na pele de Maciste, ou Steve Reeves no papel de Hércules. Tal desejo singrava o universo dos olhos, cujo brilho tinha o propósito de cegar as garotas. Não sabíamos se tal sortilégio ocorria, mas tentávamos.

O fisicoculturista virou herói da época.
Olha o amendoim, olha a pipoca! 

A cantilena ganhava o ar na tentativa de seduzir a molecada, voando como moscas tontas na frente do cinema, seduzidos pela magia que emanava do velho Esmeralda, frequentado também por legiões de pulgas. Não sabíamos se eram os romanos, os sanguinários mexicanos ou as temíveis Siphonaptera que faziam o maior estrago.
Meu desejo era de que o tabuleiro estivesse vazio quando a sessão começasse. Queria negociar, sim, mas minha intenção – tão grande quanto a de ganhar dinheiro – era poder sentar-me nas cadeiras duras do Esmeralda e abrir o mais que pudesse os olhos, deixando-me invadir pela magia do cinema.

A plateia, minutos antes de o espetáculo começar, era ruidosa. Do lado de fora eu a ouvia explodir, sobretudo o atrito dos pés da garotada no assoalho do cinema. Meu coração àquela hora explodia de angústia, pois sabia que estava prestes a fazer algo que jurara não fazer: abandonar o tabuleiro e correr em direção à plateia, unindo-me à horda de barulhentos moleques.

Não tinha jeito. Nem bem o filme começara eu disparava em direção à gerência do cinema e, cheio de afobação, entrava na pequena salinha e dizia ao gerente:

– Vou deixar meu tabuleiro aqui, seu Ernesto. O filme vai começar!

E corria para a sala escura, onde a gurizada, eletrificada, deixava vazar o mel do contentamento através dos olhos. O espetáculo havia começado. E seria muito bom se jamais terminasse.

Manoel Soares Magalhães

O Cine Esmeralda tinha 600 lugares, e tomou seu nome da Rua Esmeralda, hoje Conselheiro Silveira Martins. Ficava na Avenida Domingos de Almeida 880 (hoje, nº 2114), a meio caminho entre o Parque da Baronesa e o Instituto de Menores. Abriu em 1954 e fechou na década de 1970.
Acompanhe abaixo o filme completo "Os últimos dias de Pompeia" (1959), com Steve Reeves, legendado (1h37min), ou clique no título para ver Sua arma era o Colt (exibido no Brasil em 1968 como "Reze a Deus e cave sua sepultura"), com Robert Woods, dublado (1h20min). Ambas produções italianas em cores, provavelmente exibidas no Esmeralda.


Fotos da web (2, 3) e F. A. Vidal (1)
Texto: Cultive Ler

sexta-feira, 15 de março de 2013

Ciclo de cinema reinicia com desenho adulto


O "Ponto de Vista – Ciclo de Cinema e Design", projeto de extensão do IFSul, reinicia este sábado (16) às 17h, no auditório principal, com o desenho animado Les Triplettes de Belleville (2003). O projeto busca fazer reflexões sobre cinema e cultura, à base de teorias do design, mediante sessões gratuitas e abertas à comunidade. Em 2013, a proposta é analisar temas relacionados com animações e tecnologias.

Dirigido por Sylvain Chomet, "As bicicletas de Belleville" é um longa (78 min) de aventuras e comédia, dirigido ao público adulto. Foi indicado para maiores de 13, nos Estados Unidos (10, no Brasil). A co-produção uniu França, Canadá, Bélgica, Reino Unido e Letônia, e teve duas nominações ao Oscar de 2004 (melhor animação e melhor música). A estreia havia sido no Festival de Cannes de 2003 (informações tomadas do portal IMDB).

Jean "Django" Reinhardt (1910-1953), pai do jazz europeu,
em desenho que imita os traços da década de 1930
O filme conta a história de Champion, neto de Madame Souza, e apaixonado por ciclismo. Já adulto, Champion é raptado durante a Tour de France, o que faz sua avó atravessar o oceano a sua procura, com ajuda do gordo cão Bruno.

O relato descreve a cultura ocidental do século XX, com caricaturas da máfia ítalo-americana e de artistas da época, como Josephine Baker e o violonista de jazz Django Reinhardt (dir.). Os próprios traços gráficos da animação mudam quando se representam cenas mais antigas, como o trio de cantoras que se apresentava nos anos 30.

Entre diversos anacronismos, uma aparição do presidente De Gaulle, que governou na França nos anos 40, 50 e 60, e uma interpretação do fado "Uma casa portuguesa", na voz de Amália Rodrigues (ouça aqui).

No vídeo abaixo, a apresentação do quarteto da senhora Souza e as trigêmeas de Belleville no restaurante em que se encontram os mafiosos que sequestraram Champion. O ambiente e os personagens são tipicamente norte-americanos, com homenagem a suas raízes francesas.

terça-feira, 12 de março de 2013

"Incidente em Antares" teve cenas em Pelotas

DVD somente se encontra em sebos.
A minissérie Incidente em Antares (1994), adaptada do livro de Érico Veríssimo, foi a primeira coprodução feita em comum entre a RBS e a Rede Globo (v. descrição do programa). O programa foi levado ao ar em 12 capítulos, entre novembro e dezembro (v. sinopse do programa). O DVD saiu em 2005, com 3h e meia de duração.

O livro saiu em outubro de 1971 pela Editora Globo de Porto Alegre, e esgotou sucessivas edições (em 1976 já estava na 14ª). Ainda eram os "anos de chumbo" e o escritor lançou críticas à hipocrisia social e aos abusos de poder antidemocráticos, indiretamente ao regime militar da época (Governo Médici).

As gravações foram feitas em 1993: nos estúdios da Cinédia, numa cidade cinematográfica em Jacarepaguá, em locações fluminenses (Petrópolis e Niterói) e em ruas de Pelotas, no bairro do Porto.

Conforme a Globo, 1200 figurantes locais participaram das filmagens, mas foram realmente uns 500. Aceves Moreno e Chico Meireles interpretaram os coveiros em greve e Flávio Dorneles fez um mendigo; um dos extras foi Gê Fonseca (informação dada pelo ator Vagner Vargas).

Os diretores Carlos Manga e Paulo José tiveram carta branca para fazer uma produção de luxo (leia uma crítica). O resultado foi a minissérie mais cara da TV brasileira, custando 1 milhão e 700 mil dólares, ou 140 mil por capítulo (uma série da Globo custa, em média, 30 mil dólares por capítulo).

Conforme comentário da Veja, alguns atores pediam papéis, como Glória Menezes, que chegou a dizer ao diretor: "Paulo, sou gaúcha e ainda por cima de Pelotas, e você não deixou nem um papelzinho para mim?"

Na fictícia localidade gaúcha de Antares, uma greve dos coveiros deixa sete mortos sem enterro. Os defuntos se levantam e protestam pelo abandono, aproveitando de criticar livremente a sociedade dos vivos. O incidente se transforma em convulsão social e é preciso calar os mortos.

Capa da 11ª edição (1974)
As alusões que o escritor fazia à ditadura militar ainda em vigência e ao coronelismo provinciano (veja resumo do livro) foram usadas pela produção e ainda fazem sentido hoje, no Brasil e em outros países. Por exemplo, um dos mortos, chamado João Paz, havia sido torturado. O dia do incidente é 13 de dezembro, em paralelo sutil com o AI-5, que cassava mandatos de políticos (vigente desde 13-12-68).

A história envolve crítica social, especialmente dirigida à cultura política brasileira, com elementos de terror clássico e de realismo fantástico (v. realismo mágico). Esta obra de Érico Veríssimo faz parte dessa corrente literária, que começou entre escritores hispano-americanos, nos anos 40 e é usado ainda hoje (v. Wikipedia).

Os nossos entes queridos mortos são partes de nosso psiquismo, que foram projetadas por nós em pessoas próximas (quando vivas), que constituem vinculações importantes como a figura materna, irmãos mais velhos etc. De repente, essas projeções deixam de funcionar e precisamos desligá-las de nossas vidas. Se negarmos essa perda (o sumiço do vínculo) ou se as pessoas mortas ressuscitassem, elas passariam a ser elementos semivivos de nosso interior psíquico e começariam a falar em voz alta nossos pensamentos ocultos (conteúdos latentes ou inconscientes, de modos inconvenientes ou inesperados para nossa consciência.
Imagens da web

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

"Curta uma bike" em Pelotas

— Oi, amor, tô trancado no trânsito, não vou chegar a tempo. 
Pede pro Artur comprar as coisas pra mim. Beijo.

O estudante Lucas Arizaga foi o vencedor do Festival "Curta uma Bike e uma Caminhada" em outubro de 2011 (leia notícia), iniciativa do governo do Estado do Rio de Janeiro por meio do programa Rio, Estado da Bicicleta. O programa tem como objetivo conscientizar a população a usar a bicicleta como veículo para trabalho e não somente para lazer, além de incentivar o hábito de caminhadas em trechos curtos.

Cursando na época o sexto semestre de Cinema e Animação na UFPel, Lucas concorreu com o curta-metragem Contratempo, filmado em Pelotas. Na história, um menino consegue realizar, de bicicleta, grande quantidade de tarefas enquanto seu pai, preso no trânsito, só perde tempo.

A bicicleta vai da Cohabpel à esquina do Banco Itaú e volta para casa (totalizando uns 5 km), enquanto os carros não se movem muitos metros na Bento Gonçalves. Em Pelotas um engarrafamento de dez quadras pode não ser coisa comum, mas numa metrópole sim. O músico Serginho da Vassoura aparece por menos de um segundo, na praça Coronel Pedro Osório. Valia a pena parar para ouvir, mas a pressa do piloto era muita.

Por ocasião do concurso, Contratempo foi um dos 50 vídeos inscritos, e só 10 passaram para a 2ª fase, de acordo à votação pela internet. O filme de Arizaga ficou em 9º, com mil votos.

Na avaliação por um júri técnico, veio o prêmio principal: R$ 5 mil, uma bicicleta e um estágio em uma grande produtora do Rio de Janeiro. Os outros finalistas ganharam R$ 1 mil. Confira clicando nos nomes:
2º lugar "Rodrigo trabalha em uma gráfica",
Marcha matinal,
Cotidiano (feito em Porto Alegre),
Caminhada que transforma.

Entrevistado pelo Diário Popular, o jovem cineasta contou ter dedicado 16 dias para este curta-metragem: 2 elaborando o roteiro, 7 na pré-produção, 3 na filmagem e 4 na edição e finalização. Os atores participaram de graça e os equipamentos foram emprestados; só foi preciso pagar a gasolina.
Quis pôr uma criança no papel principal pra ficar mais explícito que mesmo alguém pequeno pode chegar a ser mais rápido e eficiente que um adulto, caso utilize a bicicleta. E a gente sabe que aqui na cidade o trânsito é bastante trancado.
O dinheiro de "Contratempo" será investido em outros dois filmes mais caros devido às roupas, veículos e locações: "A não ser pelo bigode", que mostra a confrontação entre nora e sogra, e "Criminal por acaso", história em 15 minutos ambientada em 1938, sobre um gângster norte-americano.

Seu filme anterior foi feito em abril de 2011: um vídeo institucional sobre o curso à distância da UFPel "Especialização em Saúde da Família" (veja aqui).  Lucas Arizaga é de Livramento e mora em Pelotas desde 2008. Ele participa do grupo Pedal Curticeira, uma espécie de clube de ativismo da causa ciclística.

Em dezembro de 2012, o Diário Popular informou que Lucas estava terminando, para conclusão de seu curso, o curta de 15 minutos "O fecho éclair", com data de lançamento prevista para março de 2013.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"Olhares sobre uma exposição": história da Recotada (2010)


O documentário "Recotada  Olhares Sobre uma Exposição" foi produzido em 2010 pelos jornalistas Camila Sequeira, Cassiano Garcia de Miranda e Márcio Mello, dentro do projeto experimental "Documenta: Arte-Cultura-Moda", uma produtora audiovisual, hoje desativada.

O curta-metragem de 18 minutos, que foi o primeiro trabalho da Documenta, estreou em 18 de agosto daquele ano no projeto municipal Sete Imagens e teve apresentação oficial na UFPel em 9 de setembro. Esta sexta (8) o filme foi destaque no programa Curta TVE (veja nota).

Curadores Adriane, Patrezi (atrás) e Tiago 
A Recotada realizou-se de 27 de março a 1 de abril daquele ano, nos cinco andares da antiga  fábrica de massas Cotada, defronte ao Porto de Pelotas.

Foi a terceira intervenção artística do prédio abandonado. A exposição "Arte no Porto III", idealizada pelo professor José Luiz de Pellegrin em outubro de 2009, foi a primeira.

Pellegrin também participou como orientador na Recotada, que teve a curadoria da professora Adriane Hernandez e dos estudantes Patrezi Carvalho da Silva e Tiago Brandão Weiler (esq.).

O trabalho coletivo foi um Projeto de Extensão Universitária da UFPel, e reuniu obras de diferentes linguagens (essencialmente visuais) como desenho, pintura, instalação, vídeo, intervenção, gravura, objeto, fotografia, grafitagem e performance.

Documentaristas Márcio, Camila e Cassiano, com Adriane
A megaexposição teve cerca de 140 obras de 80 artistas, num formato expansivo (na horizontal e na vertical) inspirado na série de mostras "Arte no Porto", ideadas por Pellegrin. Deu também um passo adiante, tanto em quantidade formal como em qualidade de conteúdo.

Os curadores dispuseram o graffiti no térreo, recriando o nível concreto das ruas, e nos andares superiores, trabalhos com crescente conceitualismo e nível acadêmico. Algumas obras cruzavam vários andares, fragmentadas ou passando através de orifícios.

Uma equipe de mediadores, selecionada pela professora Duda Gonçalves, acolheu os visitantes que se dispunham a ser acompanhados e comentar aspectos da exposição. Mais informações no blogue Recotada.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O Liberdade segue em Porto Alegre


De 1 a7 de fevereiro, o documentário "O Liberdade" vai encher de música o Cine Santander Cultural em Porto Alegre, nas sessões das 17h (veja trailer). O longa-metragem pelotense, que já esteve um mês na Casa de Cultura Mário Quintana, será precedido, nesta reposição, pelo curta porto-alegrense "Fez a barba e o choro", de Tatiana Nequete (veja sinopse). Dois filmes análogos, nos quais o tema que se documenta é a própria trilha sonora.

"O Liberdade" já foi destacado em 4 ocasiões, em festivais de cinema no Brasil: o prêmio mais recente foi em dezembro de 2012, como melhor roteiro de longa-metragem no 3º Festival de Cinema de Petrópolis (RJ). Também já foi visto em festivais no México, Uruguai, Colômbia, Venezuela, França e Estados Unidos.

O cineasta Rafael Andreazza e o ator-personagem-músico Avendano Jr.
Em uma retrospectiva, Zero Hora destacou o crescimento da produção de filmes gaúchos, e entre estes "O Liberdade" (veja o artigo O mundo do cinema em 2012). O reconhecimento da imprensa gaúcha veio também pelo Correio do Povo.

O DVD pode ser comprado no Bar Liberdade, no Studio CDs e na Livraria Mundial, ou pelo sítio da Livraria Cultura. Veja mais informações sobre este e outros filmes no blogue da Moviola Filmes.
Imagem: Facebook Moviola

POST DATA 
5-2-13
A Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul escolheu como Destaque Gaúcho os filmes "O Liberdade" e "Espia Só", considerados contribuições para a cultura cinematográfica no Estado (veja nota).
Veja a completa reportagem de Zero Hora sobre o filme pelotense.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Uma odisseia audiovisual: debates sobre Kubrick

O Zero 3 Cineclube começa o ano com um novo ciclo, desta vez focado no trabalho do diretor norte-americano Stanley Kubrick (1928-1999). O retorno dos ciclos de cinema no Centro de Artes da UFPel (Alberto Rosa 62) é este sábado (12), com a exibição de "O Grande Golpe", suspense noir de 1956.

Nos próximos seis sábados, até 23 de fevereiro, serão debatidos filmes do cineasta nova-iorquino, em ordem cronológica de produção: dos anos 60, Dr. Fantástico e 2001; dos 70, Laranja Mecânica; O Iluminado, dos 80; De Olhos Bem Fechados, dos 90 (clique no cartaz à direita). Todos são verdadeiros clássicos, em gêneros diferentes, mostrando a versatilidade e o perfeccionismo do diretor.

A obra toda de Kubrick - 13 longas em 47 anos - também pode ser descrita como uma grande sequência de suspense, com muitas pausas, surpresas e golpes bem dados. O Zero 3 tomou o subtítulo do filme "2001: uma Odisseia no Espaço" e o aplicou com exatidão à carreira do cineasta: "Uma odisseia audiovisual".

Neste ciclo especial dedicado a um autor, o cineclube traz uma promoção oferecida somente para alunos do Centro de Artes da UFPel: sorteio de 6 horas no estúdio de produção musical "A Vapor" (v. informação). Também haverá sorteio de revistas Teorema e degustação de Garage Bakery. Sessões sempre às 15h, com entrada gratuita (tomar senhas a partir das 14h 45min).

O primeiro filme desta "odisseia de imagens e música", The Killing, conta a história de um grande plano tramado por Johnny Clay (vivido pelo ator Sterling Hayden) para o assalto de um hipódromo. Enquanto o grupo de ladrões se organiza, a mulher de um deles planeja outro golpe para ficar com o roubo de Clay. A narração se concentra em como o "crime perfeito" é preparado e em como as pessoas e o acaso fazem que tudo fracasse.

O suspense prende o espectador justamente pelo modo de relato não linear, desde mais de um ponto de vista, como um quebra-cabeça que somente se entende quando todas as peças são colocadas. Por sua técnica narrativa revolucionária, "O Grande Golpe" foi o primeiro filme de grande reconhecimento na carreira de Stanley Kubrick, se bem ficou esquecido depois de suas obras cada vez mais inovadoras e inquietantes.

Não seria exagerado dizer que o escritor Aldyr Garcia Schlee se inspirou neste recurso multifocal (do uso de diversos pontos de vista), que foi ousado no filme de Kubrick e é ousado na literatura, para a concepção do livro de contos "El Día en que el Papa fue a Melo" (Ediciones de la Banda Oriental, 1991). Foi um exercício narrativo, mais do que o relato de uma história, para mostrar o vertiginoso contraponto psicológico à realidade social supostamente objetiva (um golpe de luva na cara do positivismo).

Cartaz dinamarquês
The Killing significa a matança, mas este título não foi traduzido literalmente nem no Brasil ("O grande golpe") nem em Portugal ("Um roubo no hipódromo"). Em outros idiomas o título teve um incrível número de variações. Na América hispânica, por exemplo, ficou como Casta de malditos. Veja outras versões, segundo o IMDB, e seus significados, todos diferentes, como se as palavras ao redor do mundo tentassem buscar o mesmo efeito de terror do filme original.
  • Atraco perfecto (Espanha): Assalto perfeito.
  • Rapina a mano armata (Itália): Assalto à mão armada.
  • L'ultime razzia (França): O último ataque.
  • Die Rechnung ging nicht auf (alemão): Não abra o bilhete.
  • Coup manqué (Bélgica): Tiro em falso.
  • I klopi (grego): O roubo.
  • Det store gangstercup (dinamarquês): O grande roubo.
  • Spelet är förlorat (sueco): O jogo está perdido.
  • Peli on menetetty (finlandês): O jogo terminou.
  • Son darbe (turco): Golpe final (tiro de misericórdia).
Veja abaixo a cena da luta no bar do hipódromo, em que um homem contratado arma confusão enquanto ocorre o roubo. O brigão é o lutador e enxadrista Kola Kwariani (1903-1980). Na primeira fila do público que observa (1.18) está, como extra, o humorista Rodney Dangerfield (1921-2004). A locação é o hipódromo de Bay Meadows, que existiu na cidade de San Mateo, California, de 1934 a 2008.
Imagens da web (2-3) e Zero3 (1)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cisne negro ou cisne branco

O 3º ciclo Filosofia e Cinema (v. nota) debateu, ao longo de 2012, sobre filmes com temática psicológica, especificamente as várias formas de loucura, algumas de origem social e manchando os psiquismos, e outras saindo das entranhas do indivíduo e atrapalhando a sociedade (v. lista dos 30 títulos).

Na penúltima sessão, sexta 30 de novembro, o público viu "Cisne Negro" (2010), dirigido pelo norte-americano Darren Aronofsky. Após a projeção, por mais 45 minutos o público discutiu sobre os significados do filme, com a condução da mesa: o coordenador do ciclo, Luís Rubira, e o psicanalista Jorge Velasco (última foto abaixo), que começou comentando as implicações psicológicas da história.

Nina é uma bailarina destacada, totalmente dominada pela mãe, e que se vê desafiada a desempenhar dois papéis contrapostos no balê de Tchaikovsky O Lago dos Cisnes: a branca Odette e a obscura Odile, transformadas em cisnes e competindo pelo amor do príncipe Siegfried.

A história do filme transcorre em narração paralela ao roteiro do balê clássico, com as meninas em conflito em torno ao diretor: conflitos internos da bailarina central (que imagina uma competidora) e conflitos entre as outras bailarinas, preferidas ou abandonadas pelo mesmo diretor.

A história também elabora o final trágico do balê: neste, os amantes morrem um por causa do outro (como em Romeu e Julieta, de Shakespeare) e no filme, a protagonista fracassa em sustentar a divisão interna para representar os dois papéis.

A falta de contato com a realidade e a dominação sofrida pela mãe narcisista fazem que Nina, despertada para o Cisne Negro dentro de si mesma, queira eliminar o lado branco (que considera perigoso e poderia ser um falso self, na terminologia de Winnicott). O desejo de eliminar o que é perigoso está na base dos comportamentos humanos mais primitivos e origina também os crimes passionais, o terrorismo e a repressão do Estado à delinquência.

A fantasia da personagem quer manter vivo o lado negro, que o diretor valorizou nela, pela eliminação do branco. No entanto, sua mentalidade dividida não permite a unificação nem a sobrevivência da dupla (falsidade-verdade, bondade-maldade, perfeição-espontaneidade). Talvez tardiamente possamos descobrir que um falso self não morre nunca; somente é utilizado por um "verdadeiro self" que vem a despertar e assumir a condução da personalidade, antes banalizada por aparências e conveniências.

A bailarina consegue representar em sua mente e em sua carne a contraposição entre os dois cisnes (o que ela entende como "perfeição" e realismo total). No entanto, podemos aprender a viver e superar esse conflito de modos mais abstratos e inteligentes, sem atuações tão viscerais e definitivas que nos levem a um beco sem saída. O filme não mostra como se faz isto, pois seu roteiro apontava somente à fragmentação da débil estrutura de Nina.

Em momentos de crises de crescimento, o homem duvida entre o agradar neurótico (o bem branco) e o desabafar psicótico (o mal negro). Cada um lhe dá graus e formas diferentes de prazer e lhe falam ao ouvido como um anjinho e um diabinho, como a Bela e a Fera. As duas vozes são contraditórias, mas se preservam uma à outra, não se eliminam. São tendências da mesma pessoa.

Professor de Psicanálise Jorge Velasco (de branco),
em integrado diálogo com prof. Luís Rubira (de negro)
A pessoa que quiser o equilíbrio deverá fazer as duas partes dialogarem e conviverem, sem fugir nem se atacarem. Quem não conseguir essa convivência, ficará no chamado estado esquizofrênico.

De forma parecida, a sociedade não elimina o mal dentro de si ao eliminar os perversos e psicopatas, pois sempre surgirão outros. A repressão em grau médio mantém o sistema neurótico (com tensões e doenças), mas o recrudescimento da violência social e do Estado agravam a divisão mental e fazem os mais fracos explodirem em surtos psicóticos.

Sobre o mesmo filme aqui comentado, veja uma leitura junguiana e um comentário da Soc. Paulista de Psicanálise.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Estreia o filme do centenário rubro-negro


O documentário "Xavante: o centenário rubro-negro", dirigido por Bruno Frantz e Felipe Fabião, será lançado na terça (11), em exibição no Teatro Guarani. Participaram do filme: o treinador Luiz Felipe Scolari, o comentarista Paulo Sant’Ana, o jornalista Ruy Carlos Ostermann, o torcedor Aldyr Garcia Schlee e ídolos xavantes, como Ubiraci Souza de Souza (Bira), Hélio Vieira, Luizinho Vieira, entre outros.

A entrada custa R$ 20, com a opção de adquirir um dos cem exemplares do DVD, por R$ 10 a mais.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sonhos, o filme de Kurosawa


Esta sexta (5) o Ciclo "A Filosofia e o Cinema Psicológico" exibe o filme "Sonhos" (Japão-EUA, 1990), de Akira Kurosawa (1910-1998), um dos diretores mais destacados na história do cinema. Nesta espécie de testamento artístico feito aos 80 anos de idade, ele repete suas preferências, coloca seus questionamentos de sempre e confirma sua admiração pela arte ocidental.

À base de sonhos e pesadelos que teve ao longo de sua vida, Kurosawa apresenta oito curtas que tratam temas diversos da infância, da idade adulta e do fim da existência. Em torno a angústias de morte e soluções fantasiosas, giram conceitos freudianos, junguianos e orientais.

Os trechos têm os seguintes títulos: Sol em meio à chuva, O pomar dos pessegueiros, A nevasca, O túnel, Corvos (abaixo), Monte Fuji em vermelho, O demônio chorão e O povoado dos moinhos. O vídeo (acima) mostra o capítulo "Corvos", uma expressa homenagem à cultura europeia da Belle Epoque, cujo centro era Paris (Van Gogh como personagem e Chopin no fundo musical).

Kurosawa reconstituiu quadro de Van Gogh, inserindo-se como personagem
O cinema norte-americano é praticamente uma personagem dentro deste segmento, com a aparição de Martin Scorsese falando inglês, uma citação visual ao special effect dos Pássaros de Hitchcock (Birds, 1963) e o emprego da moderna técnica gráfica da indústria de George Lucas, sem a qual este "sonho" não teria sido possível.

Campo de Trigo com Corvos, de Van Gogh (1890)
Imagens da web

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O Liberdade, em Porto Alegre no feriadão

Na próxima terça (4), o documentário da Moviola Filmes "O Liberdade" (2011) entra em cartaz na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Sempre às 19h, fica por 6 dias, com os preços seguintes: terças e quartas R$ 8; quinta-feira, R$ 5; sexta, domingo e feriados R$ 10.
Após receber três prêmios em festivais nacionais, é a primeira vez que o filme de 75 minutos será exibido numa sala de circuito comercial, uma grande vitória para seus realizadores, Cíntia Langie e Rafael Andreazza. Trata-se do primeiro longa-metragem da Moviola, que o produziu com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Pelotas. A história do Bar Liberdade e seus personagens já foi visto no Brasil, Uruguai e França, e tem apresentações marcadas na Bolívia, Argentina, Venezuela e Estados Unidos.
Em sua 2ª edição, de abril de 2012, o DVD traz legendas em espanhol e inglês, cenas deletadas e alguns extras. Está à venda na Livraria Mundial, Studio CDs e Bar Liberdade, por 20 reais (veja o trailer).

POST DATA
3-09-12 Leia reportagem de Zero Hora Filme narra história de tradicional bar de choro de Pelotas.

15-09-12 Veja a resenha de Anderson Santos, que viu o filme em Porto Alegre.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Grandes ideias, pequenas mentiras, num minuto

O Festival do Minuto é um evento nacional que seleciona e premia vídeos em diversos formatos, sempre com um minuto de duração. Criado no Brasil em 1991, inspirou a reedição do mesmo em vários países, anualmente. Em 2007 passou a ser realizado de modo permanente, e somente pela internet.

No tema "A Grande Ideia", concorre nestes dias um representante da UFPel: Gilson José Fagundes Júnior, aluno do curso de Cinema e Audiovisual.

Ele apresentou um relato ultracurto de uma alucinação hipnopômpica (veja o que é isso), e precisa do voto dos internautas, até a próxima segunda-feira, 13 de agosto às 18h. No momento desta postagem, quarta (8), ele tem somente 222 votos. A música de fundo é Saturday (Sharing life with you), de Vampire Octopus.

Para participar na votação, cadastre-se no Festival do Minuto, com endereço e senha (ou mediante o Facebook), confirme o cadastro pelo seu e-mail, entre no sítio de novo, e finalmente, embaixo do vídeo Pequenas Mentiras, coloque 5 estrelas.

No Festival do Minuto, Gilson é o único representante de Pelotas na atual fase deste tema, e poderá ganhar o prêmio único de 5 mil reais se for o mais votado.
Fotos: Gilson Jr

POST DATA (15-08-12)
Gilson ganhou o prêmio do Público, com 304 votos. Veja a notícia com os nomes dos demais premiados.
O Diário Popular fez uma nota especial (leia).

domingo, 15 de julho de 2012

Fachada do Sete de Abril em 1926

Os pesquisadores do projeto "Pelotas Memória", da UCPel, divulgaram esta foto no Facebook há uma semana, mas primeiramente saiu no Almanaque Gaúcho de ZH do dia 7 de julho, em homenagem aos 200 anos de Pelotas. O Sete de Abril, que desde 1921 já não era o único teatro da cidade, aparece tão coberto de cartazes que não se pode ver a fachada.

Com a década de 1910, apareceu em Pelotas a exibição de filmes estrangeiros e a pioneira produção de cinema dirigida por Francisco Santos. Mas com o início da Guerra Mundial, em 1914, a produtora local teve que parar de filmar e concentrou-se no que fazia antes, o teatro ao vivo com atores e a promoção de filmes americanos, como os da foto.

O filme "Denny na Berlinda" (What Happened to Jones) esteve em cartaz no Brasil em 1926, de acordo com a Biblioteca Nacional Digital. A produção da Universal Pictures (fundada em 1912 pelo alemão Carl Laemmle) era uma comédia de 70 minutos, muda, em preto-e-branco, protagonizada por Reginald Denny, com Marian Nixon e Otis Harlan. Curiosamente, os cartazes anunciam o então famoso produtor Laemmle como hoje se destacam os atores, e o título põe o nome do ator como se fosse personagem.

O outro filme que se pode identificar nos cartazes é Arizona Sweepstakes, western mudo, de 60 minutos, com Hoot Gibson. Segundo a Wikipédia, o título teve versão em português ("A Corrida de Obstáculos do Arizona"). Veja abaixo outro western mudo americano, Arizona Days (1928), de 43 minutos, com Bob Custer e Peggy Montgomery.

domingo, 8 de julho de 2012

O tempo é a vida que não tem fim


Travessia é um curta-metragem dirigido por Rogério Peres, com roteiro de Manoel Soares Magalhães, filmado (no Trapiche do Valverde, em julho de 2011) para fazer parte da série "O Espírito das Ruas", idealizada por Magalhães para homenagear o bicentenário de Pelotas. O projeto está em andamento e já lançou dois segmentos, mas foi reformulado em 2012 e arquivou as filmagens do ano passado.

Devido a seu interesse, "Travessia" fica hoje aqui para reflexão sobre a vida das pessoas dentro da humanidade e para um embrião de filosofia sobre a existência das cidades no contexto da história. Nós passamos pela vida ou é a vida que passa por nós? Se nosso tempo na terra é passageiro, o que resta depois de nossa passagem? Como podemos identificar o nascimento e a morte de uma comunidade formada de várias vidas?

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Vampiro de 200 anos chega a Pelotas

No início da Semana de Pelotas, estreia em nosso único cinema "Sombras da Noite", o mais recente filme de Tim Burton, inspirado na telenovela de terror inglesa Dark Shadows. Nesta versão semicômica (com intenção de fazer rir mas sem graça nem terror), podemos ver alusões irônicas a uma cidade de 200 anos.

Barnabas Collins (Johnny Depp) é um jovem de família europeia culta e rica que veio à América para prolongar a linhagem. A riqueza obtida com o comércio de peixe é tanta que uma cidade à beira-mar é fundada à base desta "freguesia" e o casarão da família (com uma torre parecida ao castelinho da Quinze) é tão grande que ninguém pode habitá-lo.

Barnabas é transformado em vampiro perto do ano de 1770 (casualmente, a época em que o rincão das Pelotas recebia refugiados da ocupação espanhola no porto de Rio Grande, núcleo militar e também pesqueiro; depois de 1780, começaria nesse rincão a atividade empresarial com o charque).

Por 200 anos, o moço fica num caixão encadeado e enterrado. Nesse tempo a família empobrece, e sobrevive à base da fama do passado, mais parecendo os malucos Adams. Em 1972 a cidade é como qualquer outra e não comemora bicentenário algum. O vampiro é liberado, tenta levantar de novo a riqueza familiar, vivendo no mesmo castelo, mas não consegue entrosar-se nos novos tempos.

O filme não obtém seus próprios objetivos e pouco tem de original, exceto uma alusão ao Drácula inglês Christopher Lee (que atua no filme) e uma notória homenagem ao roqueiro gótico com nome de mulher: Alice Cooper cantando No More Mr. Nice Guy.

domingo, 3 de junho de 2012

"Um Método Perigoso", perto de Pelotas

"Um método perigoso", de David Cronenberg, conta a história de Sabina Spielrein, paciente russa de Carl Gustav Jung, e do conflito entre este e Sigmund Freud, na Europa da primeira metade do século XX (veja uma nota que escrevi em 2010).

O filme entrou em cartaz este fim de semana no cine Dunas Cassino, em sessões da noite (21:15), sábados e domingos também às 17h (veja programação). Apesar de que o Dunas se encontra no município vizinho de Rio Grande, a uns 70 km de Pelotas, não perdemos a esperança de poder vê-lo em nosso ainda único cinema, se bem as duas salas usam diferentes critérios de distribuição.

Pelo menos neste feriadão de Corpus Christi haveria uma oportunidade de ir ao Cassino pelo dia, ou optar pela saída fácil de comprar aqui mesmo o DVD pirateado (leia o provocador artigo Pelotas, a cidade que merece filmes piratas), do rio-grandino Felipe Nóbrega.


sábado, 26 de maio de 2012

Filmagens na capela do hospital

Desde março o elenco e a equipe de filmagem de O Tempo e o Vento estão viajando por cidades gaúchas. Numa primeira fase, foram rodadas cenas em Pelotas, e por mais 40 dias o trabalho se concentrou em Bagé e arredores.

De novo em nossa cidade, hoje pela manhã (26) foi encenado o casamento de Luzia e Bolívar Cambará na capela do hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficência (veja notícia).

O fotógrafo Nauro Júnior registrou várias imagens com os atores principais e alguns dos 30 figurantes: na foto maior o noivo esperando e na menor com a noiva (veja no seu blogue Retratos da Vida).

De tarde houve mais filmagens (na Charqueada São João), que seguirão até domingo (3), totalizando 20 dias em Pelotas. Com isso, todas as locações ficaram no Rio Grande do Sul.

Em 1985 a TV Globo realizou a minissérie "O Tempo e o Vento", inspirada na trilogia de Erico Verissimo. Agora o diretor Jayme Monjardim conta, em formato de longa-metragem, somente a primeira parte da história ("O Continente", 1949), relatada pela visão de Bibiana Terra.

Esta personagem é representada na velhice pela carioca Fernanda Montenegro, na meia-idade pela pelotense Janaína Kremer da Motta (veja seu perfil no portal IMDB e no sítio da Oficina de Atores) e na juventude pela paranaense Marjorie Estiano.

O roteiro é dos escritores gaúchos Tabajara Ruas e Letícia Wierzchowski, que em 2003 trabalharam perto de Monjardim quando ele dirigiu "A Casa das Sete Mulheres", também com locações em Pelotas.

Em 2013 "O Tempo e o Vento" irá às salas de cinema e posteriormente a Rede Globo o mostrará em forma de microssérie. Veja mais fotos e informações no blogue do filme O Tempo e o Vento.
Fotos: Nauro Jr.