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domingo, 29 de junho de 2014

Corações unidos: isso muda o jogo

Para esta Copa do Mundo, o Banco Itaú preparou o curta-metragem Brasileiros de Coração, com 9 miniepisódios filmados ao longo do Brasil. A apresentação por partes começou há dois meses e esta semana foi divulgado o filme completo (vídeo abaixo).

O documentário de 15 minutos mostra 9 brasileiros apaixonados pela Seleção, cada um por um motivo especial. Cada personagem doa ao time canarinho as batidas de seu coração, gravados numa bola, conformando assim uma Batucada de Coração, com 200 milhões de torcedores.

Um deles é Aldyr Garcia Schlee, que há 60 anos desenhou, mediante concurso, o atual distintivo e a camiseta oficial do futebol nacional. O 5º episódio, "O pai da camisa", é o mais visitado pelos internautas, hoje com mais de 5 milhões de visualizações. Neste blogue sobre Pelotas, onde Schlee também é uma celebridade há muitos anos, seu nome já foi citado em 30 postagens (confira aqui).


Cada fanático ensina sua fórmula para o sucesso no jogo, para fazer as coisas darem certo (vale para a vida em geral). Clique nos títulos para ver os clipes (entre 2 e 3 min cada) na sequência em que foram lançados (ordem diferente do filme completo).
  • 1 O colecionador: O paulista José Renato preserva e enriquece uma coleção, iniciada por seu avô nos anos 30, com tudo o que tem a ver com a Seleção.
    "Passar esse orgulho de geração em geração".
  • 2 Mulher do galo: No Rio de Janeiro, Maria de Lourdes veste seu galinho Fred Pereira da Silva com as cores da bandeira nacional e o tem como talismã.
    "Juntar todo mundo para torcer pela Seleção".
  • 3 O locutor: No município de Westfália (RS), Ido Alhert cultiva o idioma alemão divulgando o amor pela Seleção Brasileira.
    "Ser brasileiro de coração".
  • 4 O roupeiro: O carioca Rogélson Barreto está em sua 6ª Copa como ajudante da Canarinho. No vestiário, ele mentaliza as vitórias, amaciando chuteiras e falando com elas (v. nota do Globo e vídeo da Record).
    "Sentir-se parte da Seleção".
  • 5 O pai da camisa: O gaúcho Aldyr Schlee [chlê] conta como chegou a desenhar a camiseta Canarinho, que até 1954 era branca.
    "Ter amor à camisa".
  • 6 A promessa: Conheça o que o fanático campinense Nelson Paviotti fez em 1994 ante o Tetra e o que ele promete se a Seleção conquistar o Hexa em 2014.
    "Defender as nossas cores".
  • 7 O pai do gol: O mineiro José Silvério é locutor esportivo há 51 anos (está na Wikipédia).
    "Soltar a minha voz".
  • 8 O sincretista: O baiano José Rogério Oliveira tem, em seu radinho de pilha, um altar cheio de "santos", um time celestial que torce pela Seleção.
    "Acreditar".
  • 9 Desde menino, David Luiz Moreira Marinho sonhava que seria jogador da Seleção, e hoje é zagueiro da Canarinho. É o que conta a família que o viu crescer em Diadema (SP).
    "Se doar pela Seleção".

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Schlee criou nova camisa canarinho

Desde que criou o uniforme da seleção brasileira em 1954, Aldyr Garcia Schlee nunca mais tinha desenhado outro fardamento de nenhuma instituição. O criador da camisa canarinho durante muito tempo até negou a criação daquele que é o manto sagrado de todos os brasileiros. Porém, uma questão afetiva fez com que Schlee pegasse as tintas e a palheta para desenhar um novo uniforme.

Schlee autografa para a neta Helena
camiseta canarinho com distintivo da escola.
Sua neta Helena, de 8 anos, pediu para o avô famoso desenhar uma camiseta para a escola onde ela estuda. Schlee desenhou uma camisa muito parecida com a canarinho, mas a personalizou com um brasão novo, feito à mão para a Escola Mario Quintana de Pelotas.

No dia do lançamento do uniforme (09-06), houve filas gigantes de crianças e pais para conseguir um autógrafo na camisa canarinho, não aquela criada há 60 anos, mas a da escola onde estuda Helena [v. álbum de fotos da EMQ].
Nauro Júnior
Texto e foto
Fonte: Facebook

sábado, 21 de junho de 2014

Tapetes para o Corpo de Cristo

O Cristo ressuscitado é o pão de vida que dá sentido a nosso caminho de sofrimento.
Em 2014, a Arquidiocese de Pelotas manteve o itinerário da procissão de Corpus Christi (do Largo do Sete de Abril à Praça José Bonifácio), mas inovou no procedimento para confeccionar os tapetes coloridos para passagem do Santíssimo Sacramento: os jovens das diversas paróquias começaram às 7 da manhã de quinta (19-06) em vez da meia-noite. O idealismo e a esperança persiste na juventude, mas o frio de nosso inverno e a violência noturna vêm diminuindo a participação nos últimos anos (v. post de 2010 Procissão de Corpus Christi).

Frase escrita com agasalhos e caixas de leite
As imagens de Cynthia Luz Yurgel mostram que os materiais usados nos desenhos também variaram um pouco: além do serralho tingido de cores, alimentos e agasalhos que serão doados após seu uso na procissão.

Ao longo das seis quadras da Rua Anchieta, em direção à Catedral, os temas adotaram uma sequência de conteúdos, para fazer meditar no sentido central do cristianismo:
  • Morte; 
  • Luta pela vida; 
  • a pessoa de Jesus; 
  • força de Jesus pela vida; 
  • Ressurreição; 
  • Jesus, Pão da Vida (v. detalhes no blogue da Arquidiocese).
Confira 129 fotos no álbum da Arquidiocese: Corpus Christi 2014: Confecção dos Tapetes.
Imagens: Facebook

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Fotografando Bares

O fotógrafo Marcel Streicher começou a montar uma série de imagens artísticas em bares tradicionais de Pelotas. A primeira sessão foi feita no início de junho, no Papuera Bar, uma das principais casas noturnas do bairro do Porto, desde o inverno de 2007 na Alberto Rosa 51, esquina Conde de Porto Alegre (v. post Papuera, cerveja com pastel).

A equipe deste projeto fotográfico é liderada por Marcel na arte, Lucas Daneris na produção e Alan Gonçalves na direção (designer do Satolapp Cultural). A modelo Francine Ramalho usa roupas da Loja N-concept e maquiagem de Marjorie Martinez no salão Blank Hair.

A imagem juvenil de Francine proporciona graça e espontaneidade ao ambiente do bar, cuja finalidade é justamente a diversão e o esquecimento das responsabilidades cotidianas. Por contraste, sua limpeza visual equilibra a associação natural entre bar e alcoolismo e a obscuridade do preto-e-branco, que neste caso remarca o caráter noturno e a possibilidade de segundas intenções.

O projeto terá continuidade em bares como o João Gilberto, Liberdade, Diabluras, Seu Boteco e outros pontos da noite pelotense. Ainda que a vida noturna pós-meia-noite apareça ligada ao uso de drogas e aos ruídos indesejáveis, os barezinhos em geral equilibram os excessos urbanos com sua clássica combinação entre "música para ouvir" e "espaço para conversar".
Fotos: M. Streicher

domingo, 11 de maio de 2014

Comercial para o Dia das Mães 2014



A Agência Incomum divulga promoções do Shopping Pelotas. Direção de criação: Daniel Moreira e Gisele Treptow.

Sobre o centenário do Dia das Mães, oficializado nos Estados Unidos em maio de 1914, veja a nota do sítio Momento Verdadeiro. O doodle abaixo foi divulgado este domingo (11-05) pelo Google. Ao parecer, os norte-americanos ainda apostam na idealização da maternidade e da infância.


Ainda sobre a relação edipiana com as mães e seus filhos homens, assista à palestra "Meninos na cama da mãe: o Édipo reeditado", com o psicanalista Jorge Velasco. Será esta quarta (15-05) na Sociedade Sigmund Freud (Princesa Isabel 280-302).

Uma variação do velho mito grego está no desenho animado abaixo, com a turma da Mônica e o personagem vilão "Frédipo", o narcisista que ficou sem mãe e não quis sofrer em silêncio. Tem final feliz e desde 2007 já foi visto 10 milhões de vezes.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"A Linha Imaginária" (entre nós e outros)


A Moviola Filmes finalizou o documentário "A Linha Imaginária", média-metragem de 26 minutos que descreve o universo cultural em torno à fronteira Brasil-Uruguai. Gravado em 2013 nas cidades de Aceguá, Chuí, Santana do Livramento e Jaguarão, foi dirigido por Cíntia Langie e Rafael Andreazza, e financiado pelo fundo Pró-Cultura/RS FAC.

O lançamento será esta quarta-feira (23-04) em TV aberta. Acompanhe às 20h pela TVE RS. Para Pelotas, a Moviola anunciou uma sessão presencial, no mesmo horário, no Grande Hotel, com entrada franca. Veja (acima) o trailer desta nova produção e um registro por trás das câmeras em Aceguá, com a inusual filmagem desde um balão (abaixo). "Uma Terra Só" era o título que o filme teria, inicialmente.


A mistura linguística é um dos inevitáveis fenômenos de fronteira. Na pororoca de duas culturas, diluem-se as características de cada idioma e surge outro corpo de linguagem. A pronúncia e as entonações, a formação de palavras e frases, as regras de escrita e os significados tradicionais vão para um liquidificador e surge de improviso um terceiro ser (neste caso, o portunhol ou portuñol), com regras mais livres.

Como o tal híbrido não é usado somente por turistas em fase de aprendizagem mas especialmente por residentes fixos, as invenções vão se consolidando e chegam a parecer estáveis, mas somente na zona de fronteira, que (paradoxalmente) é quase insular, tão fechada e conservadora como qualquer outra comunidade.

Um dos possíveis hibridismos que nunca pegou fora do espanhol é a expressão "nós outros". A socióloga e cineasta brasileira Marina Dias Weis (v. canal YouTube) criou um documentário social sobre a América Latina, chamado justamente "Nós Outros" (v. sítio do projeto).

Jogando com as palavras dos dois idiomas, o tradutor e escritor de fronteira Aldyr Schlee (autor do livro de contos "Uma Terra Só") explica, filosoficamente, aos espectadores d'A Linha Imaginária:

– Nós nos vemos nos outros. Nós somos nosotros. Nós somos nós mesmos nos outros, essa é a maravilha da fronteira!
Imagem: Facebook

POST DATA
6-09-14 
Leia reportagem de ZH Artistas usam portunhol da fronteira Brasil-Uruguai.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Dark City, as festas trevosas

As festas Dark City são realizadas há vários anos no bairro do Porto de Pelotas, com temáticas escuras, relacionadas com a morte e a depressão. Por exemplo, Dark Friday (2009), Cyber Edition (2010), "Penumbra in the Dark City" (2011), "Fim do Mundo" (2012), Goth Horror (2013, v. vídeo de divulgação). Apresentam-se músicos ao vivo e DJs de Pelotas, Rio Grande e Porto Alegre e chegam excursões dessas cidades para estes eventos.

Anunciada para este sábado (12-04), vem a War Zone, inspirada na guerra e no militarismo. Os grupos ao vivo são as "milícias": Spleenful, extreme gothic metal (v. canal YouTube) e KAME, alternative metal (v. Facebook).

O texto de divulgação brinca com os exageros da modernidade importada dos EUA e com a confusão entre fantasia e realidade, o que se presta em Pelotas e seus bairros semiabandonados (v. post Cidade Sombria).
Em plena zona de guerra, em um bairro assombrado pelos zumbis do crack e da vida loka, emerge, em meio à violência e ao caos das ruas, um oásis para os guerreiros que por lá se aventuram...
Deixe suas armas na entrada, pois no dia 12/04 o Wong Bar será zona segura. Está decretado o cessar-fogo. As únicas formas de violência admitidas serão a sonora e a etílica.
Prepare-se para o bombardeio musical provocado pelas milícias Spleenful, direto de Porto Alegre pela primeira vez ao vivo em Pelotas, e KAME (Killing All My Enemies), trazendo o terror de Rio Grande...
A destruição prossegue com os soldados Paula Salagnac, Vampy e Tenebrum mandando discotecagens bombásticas e fazendo o chão tremer a cada petardo!
No bar, cerveja gelada a preços convidativos, para beber até morrer na praia... e por um momento esquecer as batalhas da vida cotidiana...
Junte seu exército, prepare a escolta, forme o comboio e atravesse a zona de guerra se tiver coragem! A recompensa por bravura em combate é garantida!
Fonte: Facebook


segunda-feira, 24 de março de 2014

Loucos por futebol


Em setembro de 2013, a reportagem do Esportchê tomou esta foto num jogo do Farroupilha contra o Pelotas. Mostra o sr. Guilherme Silva Dias, torcedor conhecido como Trem, exemplo de amor e fidelidade ao clube conhecido como Fantasma do Fragata (v. Blog do Fantasma). Onde o Farrapo vai, lá está o guerreiro Trem com sua bandeira e sua força (v. comentário de um treino em agosto de 2013).

Em 2011, aos 69 anos, o ex-jogador mereceu reportagem completa do Correio do Povo. [POST DATA 29-10-15. Acompanhe a reportagem do Diário Popular sobre o torcedor Trem]

Ele também simboliza o fanatismo por futebol característico da equipe do Esportchê e, em geral, a solidão de muitos idealistas que persistem toda sua vida fazendo o que gostam ou necessitam. O Esportchê é um grupo jornalístico que cobre na internet o futebol gaúcho, mediante notícias escritas, fotos, debates e vídeos, usando um sítio virtual e diversas redes sociais. Os "esportchistas" se autodefinem como loucos por futebol e gaúchos de raiz, como mostram dia a dia e no vídeo de divulgação (abaixo), filmado em Pelotas.


Foto: Grêmio Atlético Farroupilha

quarta-feira, 5 de março de 2014

Saudosismo dos anos 50

Hélio Freitag
Linha Direta é a coluna diária assinada pelo diretor e fundador do Diário da Manhã, Hélio Freitag, há 34 anos e meio, sempre na página 2. O costume do jornalista é fazer denúncias ou mandar recados a autoridades, mas na segunda-feira 24 de fevereiro de 2014, ele ficou saudosista e poético, lembrando alguns detalhes de infância e da história urbana que não voltarão. 

É preciso ter mais de 60 anos para entender todas as palavras e todas as reminiscências (v. algumas pistas no final). A alusão ao cronista Rubens Amador rendeu uma crônica que também sairá neste blogue, dentro de uns dias.


Onde estão as pessoas que frequentavam as praças, bancos faltando, pessoas sobrando? Onde está o carnaval cheirante a lança-perfume, enredada festa de serpentinas, num ar poluído e multicor de confetes? Constelações de pandorgas no ar.

Rótulo à venda no Mercado Livre
Moças, moças-mesmo, onde estais... e quando e onde o cachorro-quente pequeno e de mostarda escura foi parar? O guaraná Princesa, a cerveja Porco, refresco de groselha e limão, onde estão?

O corso da Rua Quinze, desfile na calçada, após o Capitólio soltar? Dormindo, roncando, no colo do pai, os mais antigos viram Iolanda, num tempo que vai.

A bola de gude, o bilboquê (bibiloquê, mais gostoso), o ioiô, o imba, o pião de fieira rodando na unha, o rouba-monte? E a paciência pacientemente carteada, em que você era o vitorioso e o derrotado de si mesmo.

Pastéis-de-santa-clara (v. receita)
Farinha de pilão e o próprio pilão, panela de barro, chaleira de ferro, ventosa de tirar furúnculo e fazer sangria. Pastéis-de-santa-clara (Dona Nilza ainda faz os melhores pastéis-de-santa-clara de Pelotas) e cuecas de saco branco.

Escarradeiras ao pé de gordas e fofas poltronas, de velhos gorduchos, usando polainas. Bigodões imensos, pontas enceradas, fios de bigode valendo avais e fianças. Gurizão-rapagão... almofadinha ou janota, olhando a moçoila, temendo a velhota.

Bondes, muitos bondes (meu caro amigo Rubens Amador), bonde aberto, bonde safety; sisudos fiscais batendo as tabuinhas nos dedos moleques de pingentes guris. Viagens de sono menino ao Parque, ao Porto, ao Carrossel. Antigamente nenê chupava trapinho de pano, recheado de goiabada. E o sonho de todos de ser motorneiro.

Carnaval em 1956, segundo o blogue Pelotas - Crônicas Existenciais
Missas em latim (ajudei muitas missas celebradas pelo grande e saudoso amigo D. Cláudio Colling, bispo de Passo Fundo e arcebispo metropolitano de Porto Alegre, quando tinha meus 13 anos de idade), ninguém entendendo, mas todos fingindo. E chegava-se a Deus e havia o diálogo.

Pai garantia e jurava a mocidez da filha; a filha ciente que o pai não tinha amante... que todos sabiam, mas ninguém falava.

Pelotas era Roma de Nero, queimando inteira, as noites de Pedro, Antônio e João, que mijava nas bergamotas xixi de açúcar. Inegavelmente, Pelotas mudou: física, econômica, social e politicamente.

Hélio Freitag
Diário da Manhã, 24-2-14


  • Veja o que significa Cuspir na escarradeira, e uma nota sobre a Guinness Cabeça de Porco.
  • Leia o artigo Carnaval da Rua Quinze, de Luiz Carlos Marques Pinheiro.
  • Assista a missa em latim (57 min) celebrada na igreja de Ibertioga (MG).
  • Dom João Cláudio Colling (1913-1992) foi o primeiro bispo da Diocese de Passo Fundo (1951-1981) e arcebispo de Porto Alegre de 1981 a 1991.
  • As "noites de Pedro, Antônio e João" são as dos santos de junho mais celebrados: Santo Antônio de Pádua (13), São João Batista (24), São Pedro e São Paulo (29).

Rua abandonada, moradores dinâmicos

João Jacob Bainy fica quase intransitável com a chuva, mesmo sendo ligação entre importantes avenidas.
Inusual protesto de vizinhos por buracos na Vila Silveira está movimentando a imprensa, tem página no Facebook e organizou interrupção do trânsito para esta quinta (6-3). A notícia está saindo em jornais e televisão (v. reportagem do Diário Popular Comunidade protesta por asfaltamento), como forma de chamar a atenção do poder executivo e dos vereadores em sua função fiscalizadora.

Um dos recursos publicitários usados é a criação de personagens, seja os que humanizam o problema (Dona Poeira e Senhor Buraco), seja a sátira política ao prefeito (Dudu Pescador) que supostamente já poderia tirar peixes das crateras inundadas. A campanha informal tem apoio de moradores da Vila Silveira e de pelotenses que simplesmente precisam de jipe para chegar à Francisco Caruccio.

Vizinhos ironizam com o ex-vereador.
A rua João Jacob Bainy tem uma parte asfaltada, em más condições (área residencial), e uma parte de chão batido, historicamente esburacada, tida como zona semirrural, fora dos mapas urbanos (acima). Esta via liga importantes avenidas, como a Francisco Caruccio, como opção de escoamento para a Fernando Osório, mas ainda não recebeu maior atenção do governo municipal.

Com a proximidade da instalação do grande Bairro Quartier nesta área da cidade (v. o post Bairro de primeiro mundo), é provável que este caminho semiabandonado ganhe, nos próximos anos, aspecto também de cidade progressista. Se depender da movimentação dos vizinhos, o asfalto será antes do próximo inverno.

Personagens pelotenses esperam exoneração.
Fotos: Facebook

POST DATA
7-3-14
Leia a reportagem Comunidade fecha rua João Jacob Bainy e promete novos protestos.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Evento xavante em Porto Alegre

Este domingo (23-2), na Usina do Gasômetro e antecedendo o jogo entre Aimoré e Brasil, a Onda Xavante promove evento de divulgação do Grêmio Esportivo Brasil. O objetivo da atividade é reunir os apaixonados e simpatizantes do clube pelotense que moram na Capital e região.

A partir das 9h, à beira do Guaíba,  haverá quiosque com venda de produtos oficiais, apresentação da charanga da torcida, divulgação do plano de sócios para moradores da região metropolitana e o apoio da Associação Cresce Xavante.

A grande atração será a exposição da taça de primeiro campeão gaúcho, por primeira vez voltando à cidade em que foi conquistada em 1919. Definindo o campeonato daquele ano, o Grêmio Esportivo Brasil venceu o Grêmio Porto-Alegrense pelo placar de 5x1 no antigo estádio dos Moinhos de Vento, casa do time tricolor. Será uma boa oportunidade para os amantes do futebol conhecerem a história do futebol gaúcho.

A Onda Xavante é um movimento de torcedores do Brasil de Pelotas, criado em Porto Alegre, para promover a marca do clube, tendo em vista criar núcleos da Onda Xavante em diversas localidades, fazendo com que esta, que é hoje uma pequena onda, se propague por todos os recantos do planeta. Confira aqui os eventos do grupo. Contatos pelo Facebook.

POST DATA
20 Abril 2014: reportagem sobre a mística do grupo Onda Xavante, há 9 anos torcendo pelo Brasil em Porto Alegre.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Musa do Gauchão 2014

O grupo Rubro-Negras se declara mais fã do Xavante que alguns torcedores homens.
Até amanhã (17-2), o torcedor rubro-negro pode escolher a representante do seu time no concurso Musa do Gauchão 2014. A votação é feita pelo sítio da TV Xavante. Em abril, a ganhadora competirá com as outras musas do Estado (de times da primeira divisão do Campeonato Gaúcho).

As candidatas do Grêmio Esportivo Brasil são Giovana Bastos, Jéssica Soares e Vanessa Silveira, todas com estudos universitários. Giovana pertence às Rubro-Negras, torcida organizada de mulheres que gostam de futebol. Jéssica (22) é a preferida para Musa do Xavante, desde o início das votações (hoje com 57%, já ganhou). Ela foi candidata a coelhinha da Playboy brasileira em agosto de 2013 (v. notícia); ficou em 2º lugar com 41% dos 47 mil votos. Vanessa é bacharel em Administração, natural de Pedro Osório. As três juntas reúnem, neste mês de concurso, 5100 votos.

Em 2012, Helena Haertel representou o time do Pelotas.
Por outro lado, o Esporte Clube Pelotas escolhe sua representante pelo Facebook (v. álbum Escolha da Musa Lobão), o que assegura uma votação instantânea com os números à vista; além do mais, não se pode votar duas vezes pela mesma pessoa. Há seis candidatas: Aline Tuchtenhagen, Bruna Costa, Edna Pepe, Iândora Pires, Maria Ângela Silva e Rosana Louzada. O total de curtidas nesta página, desde outubro até hoje (4 meses), é de 5600.

O concurso "Musa do Gauchão", da Rádio Gaúcha, considera beleza corporal e simpatia, mas também valoriza o conhecimento sobre o seu time de futebol e sobre o campeonato gaúcho. Ser Musa do Gauchão é um título de beleza e sex-appeal, especialmente do ponto de vista do torcedor de futebol, que gosta de mulheres dinâmicas e entusiastas. Os times que estiverem na série A do Campeonato Brasileiro também concorrem no Musa do Brasileirão (nenhuma gaúcha ganhou até hoje).

Em 2013, a vencedora do Gauchão foi a gremista de 26 anos Daiane Steffens (v. notícia). Loira de olhos verdes, natural de Estrela e com experiência de 15 anos nas passarelas, a musa era estudante de jornalismo (v. reportagem).


Fotos: Facebook e Futebol do Pelotas

POST DATA
29-3-14
A Rádio Gaúcha informa que a fase final de escolha da Musa do Gauchão terá votação aberta até 16 de maio. Rosana Louzada representa o Pelotas e Jéssica Soares, o Brasil (v. notícia).
5-5-14
Ver nota de esclarecimento da Rádio Gaúcha em 1 de abril, e página com as candidatas no Facebook. A musa xavante estava com menos votos que as do Grêmio, Inter de Porto Alegre e Inter de Santa Maria, mas ainda seriam somados outros votos.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Eduardo e Paula, um ano

Há um ano, assumiu a Prefeitura Municipal um projeto de continuidade política com avanço em qualidade administrativa. Além de sua talentosa juventude, o novo prefeito trouxe como característica a presença constante do inseparável casal de governo (Eduardo e Paula), marca que atraiu os eleitores em 2012 e segue servindo como amenizador das tensões naturais do cargo.

O lema de campanha "a cidade em boas mãos" não aludia à continuação mas à requalificação do governo. Esta administração deveria ser "do nosso jeito", sem se popularizar demais. No primeiro ano, houve um ajuste das novas equipes, com algumas inaugurações e maior fiscalização de normas, mas no geral se percebe uma caída na qualidade dos serviços. Na Cultura, pode-se dizer que melhorou muito a relação do Executivo com o CONCULT; por outro lado, espera-se uma solução para os crescentes atritos com os carnavalescos e com os livreiros.

Leia outras duas opiniões: a paciente e diplomática crítica O primeiro ano de Leite e a mais radical Um ano só de pompa e circunstância. Recorde a sonhadora letra do jingle de campanha da coligação de Eduardo e Paula (abaixo). Em 2016 teremos a avaliação final.


Eu quero uma cidade diferente, um lugar pra morar que tenha a minha cara
Eu quero um prefeito coerente, que seja da nossa gente, uma cidade que não para
Eu quero um porto seguro, um descanso verdadeiro, eu quero a renovação
Eu quero acordar pra mais um dia, confiante que a cidade está em boas mãos

Eu quero ver acontecer, menos perguntas, mais respostas
Eu quero poder dizer que eu sou feliz por viver em Pelotas

Eduardo, nosso prefeito,
Eduardo e Paula, do nosso jeito
Eduardo 45 com você,
Eduardo e Paula juntos vamos vencer

Eduardo é a voz que destoa da mesmice, tem ideias e está pronto pra transformar
É a renovação pra mudar nossa cidade, a vida vai melhorar
Eduardo é um cara simples, ele pensa diferente, com coragem vai cuidar da nossa gente
Com Eduardo ganho em tudo, eu não perco nada

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Dona Loeci: três décadas de Café Aquários

Maria Loeci Cunha
Até hoje (31-12), Maria Loeci Cunha foi a funcionária mais antiga do Café Aquários. Por trinta anos ela atendeu, de domingo a domingo, no mais antigo e famoso café de Pelotas e agora se aposenta, aos 58 anos de idade. É praticamente o mesmo tempo de existência do Café.

Em abril de 2010, ela foi entrevistada por Nauro Júnior (v. blogue Retratos da Vida), quando já era a mais antiga. O repórter lhe perguntou quantos cafezinhos já havia servido em 27 anos de trabalho (número informado por ela na ocasião) e ela estimou em cerca de um milhão. Num café tão movimentado como o Aquários, este cálculo (100 xícaras diárias por 9860 dias) poderia ser considerado humilde.

Em janeiro de 2012, Nauro voltou a destacá-la (v. nota), mostrando o prêmio que dona Loeci recebera do programa Pelotas Treze Horas pela qualidade no atendimento. Premiar a pessoa em vez da empresa significa que a gentileza e a eficiência radicam nas atitudes do funcionário, aquele que fala diretamente com o cliente e o motiva a voltar mais vezes.

Os habitués do Aquários reconhecem em dona Loeci uma coisa que é pouco comum encontrar, nos dias de hoje: uma palavra de gentileza acompanhada de um sorriso, sinal de que a pessoa gosta do que faz e gosta de viver. A partir de hoje esta frase deverá estar em tempo passado.

Chegou o momento de retirar-se e há uma semana (28-12) o Diário da Manhã despediu-a com a notícia Funcionária se aposenta após 28 anos de trabalho. Parte da matéria jornalística dizia o seguinte:
Das lembranças que leva do antigo trabalho, ela destaca as amizades importantes que fez durante sua trajetória, das quais sentirá imensa saudade, assim como dos patrões Ramiro Rodrigues e Carmeno Rodrigues e dos gerentes Carlos Eduardo e da Dona Neusa.
Com todos esses anos de Café Aquários, Maria Loeci destaca os artistas e políticos que passaram por lá, e recorda que a maior mudança ocorrida no estabelecimento, com o passar dos anos, foi o aumento da rotatividade dos funcionários.
Para não sair perdendo, Nauro fez a despedida final incluindo-se na foto (desta vez no Facebook), agora com o proverbial sorriso de dona Loeci. 

Destaque individual 2011 na Categoria Atendimento Nota 10
Fotos: A. Assumpção (1), Nauro Jr. (2)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Cães na entrada do shopping

Ontem (13-11) às 14h, dois cães permaneciam na entrada do shopping, barrados pela segurança, sem poder compartilhar com seus irmãos humanos no interior do hipervalorizado centro comercial pelotense. Não esperavam esmolas em alimento; somente mendigavam companhia e inclusão. Mesmo longe da área central, eles chegaram ali e talvez transmitam a novidade deste espaço a outros vagantes da cidade. Fica assim marcado o moderno lugar com este traço da cultura local (a tolerância à vagabundagem), relacionado à acomodação e ao autodesprezo.

Os espaços urbanos como igrejas, lojas e clubes atraem os mais necessitados, e o sistema está pensado para impedir sua entrada a partir da porta, deixando-os ali em máxima visibilidade. Os bichos de rua simbolizam a baixa autoestima da população, a falta de destino e a desunião social, como dizendo que a cidade é uma grande selva ou um hospício aberto, e não um espaço para o desenvolvimento de todos.

Os defensores dos animais promovem a adoção e a vacinação destes seres, para que eles sigam coabitando com os humanos no mesmo espaço, partindo da ideia de que o amor é universal e pode incluir a todos. Mas mesmo havendo a boa vontade de todos, um segmento rebelde insistirá em acomodar-se na passividade e mostrar-se como excluído.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Comprando shoppings

Shopping Pátio Paulista tem até teatro e biblioteca. Não é dos maiores de S. Paulo (v. descrição no site).
Ex_trans _gei _rismos

Cultura do prazer particular
LÁ ... NO PONTO DISTANTE/ESTRANGEIRO

Na vitrine, trajes vendidos;
dentro deles, pessoas compradas
Coisas importadas ao falar

Estacionar onde já foi cinema
Escutar/acordar/cheirar
Lá ... Onde gritam que o silêncio impera

Nossas palavras nos faltam
Comunicação ecossistemática/OFENSA
Estágio/escolha/apoteose

Hipotéticos/metafóricos

Extravasar ... usando/comprando marcas

Vazão cultural em outra língua
Explico que são três de nós
Explicas como se navega ...
Linguagem marítima/solidão/transbordante

De nós náuticos
De nós náufragos

Estética/mágica ... centros de compras
Psicologia das recompensas

Os shoppings têm a mesma aparência, mas diferentes almas, conforme quem sejam as pessoas envolvidas.

Livraria no Shopping Pelotas, espaço para o pensamento
A estrutura das compras cercando-nos em língua importada. Espaço planejado. Etiquetas. Padronização. Higienização: seja ela humana; ou dos valores humanos.

O fácil movimento por entre corredores que simulam ruas e suas lojas ostentadas/ostentatórias. Luxo. Riqueza e glória. O melhor traje traduz quem o veste e serve para informar quem vê sobre quem passa. E corredores apinhados de passantes, afoitos por serem notados, em seus estresses particulares/consumistas. Tudo pista de contramão.

Centros de compras ou “Shopping Centers” mostram/revelam o desenvolvimento de uma região/local/espaço. Refletir os modismos à moda dos grandes centros. E esses que se reinventem; pois, a cultura local se infiltra e ramifica nas estruturas importadas/soltas/arregimentadas, criando uma paisagem urbano/humana/social inconfundíveis.

A estrutura de um shopping em Pelotas não é diferente de um Shopping em São Paulo. O que muda são as coordenadas geográficas e as pessoas envolvidas no processo de compras. Este é o diferencial.

ANASTTACIO N.
correspondente (SP)
Limpeza, brilho, silêncio, educação, segurança - tudo o que falta na cidade está no shopping.
O menos visível é como a cultura pelotense se infiltra nesse padrão e faz o Shopping Pelotas.
Fotos: N. Anasttacio (1-3), F.A. Vidal (4-5)

domingo, 6 de outubro de 2013

"Casa Brasileira" mostra Pelotas

Casa Brasileira é uma série sobre arquitetura ao modo brasileiro, transmitida pelo canal GNT aos domingos às 23h (e em 4 reprises). Cada edição entrevista um arquiteto e mostra como suas ideias são aplicadas numa obra – a casa – mediante o depoimento do seu cliente – o dono da casa. Como complemento, descreve também o bairro e a cidade em que se encontra a casa visitada. Atualmente na quarta temporada, o programa é dirigido por Alberto Renault para a produtora audiovisual Hungry Man Rio.

Vista para o Arroio Pelotas, da antiga Charqueada Santa Rita
O episódio de hoje (6-10) mostra o trabalho da designer de interiores Rosa May Sampaio, contextualizado em sua estância no município do Capão do Leão, que foi distrito de Pelotas até 1982 (v. trecho do programa). Esta edição do programa introduz uma fase de visitas ao Rio Grande do Sul e apresenta a entrevistada decorando sua própria estância, com depoimento da filha famosa Guilhermina Guinle. A família é carioca, há pelo menos 90 anos, e a casa é pelotense há uns 160.

Para falar da cidade como cenário da criação artística e arquitetônica, a produção incluiu a antiga charqueada Santa Rita, casarões do centro da cidade e um testemunho do músico Vítor Ramil. As filmagens foram feitas em Pelotas em junho passado.

Rosa May Sampaio
O conteúdo deste episódio é interessante para quem conhece Pelotas somente por fotografias, pois aqui está a oportunidade de ver o interior dos casarios e como moram seus habitantes. Também é de interesse para os pelotenses, pois até hoje não havia sido feita uma entrevista com esta família de ricos e famosos sobre como eles vivem e como decoram suas casas.

Rosa May de Oliveira Sampaio (v. detalhes no portal GeneaMinas) é formada em Letras pela PUC-RJ, em História da Arte pela École du Louvre, e em Arquitetura de Interiores pela ESPADE (v. perfil). Sua mãe é a fazendeira pelotense Antônia Berchon des Essarts Carvalho, conhecida como Antoninha Sampaio, hoje com 94 anos (v. nota sobre seu trabalho). As outras filhas são Maria Rita e Anna Luiza, também nascidas no Rio de Janeiro.

Esta rama dos Sampaio é conhecida da população pelotense mediante notícias de TV e colunas sociais, principalmente, pois não moram nesta cidade tão afastada do centro do país, e vêm mais a passeio e para visitar a avó, Dona Antônia. A atriz Guilhermina Guinle nasceu na classe alta carioca, com ascendência francesa pelo pai (v. Família Guinle) e pela avó (Berchon des Essarts) e inglesa pelo avô (Goodwin).

Aconchego e tradição na sala de jantar da estância de Rosa May Sampaio
Fotos: Estadão e GNT

sábado, 5 de outubro de 2013

Granizo grátis na primavera

Escura multidão de nuvens veio do sul e desparramou água fria e gelo picado.
Nesta sexta franciscana (4-10), a Mãe Natureza e a Irmã Chuva se deixaram cair nas zonas sul e leste do Estado. Nuvens carregadas trouxeram vento e água, e lançaram abundante granizo em certos pontos, como Pelotas, São Leopoldo, Esteio, Teutônia, Veranópolis, Caxias do Sul e Bento Gonçalves.

Granizo acumulado é fenômeno raro (Pablo Torres)
Em Pelotas, a chuva alagou alguns focos costumeiros ao longo da cidade. O fenômeno de água com gelo entupiu calhas num campus da UFPel, deixando-as como geladeiras (v. notícia).

As pedrinhas caíram em maior volume no centro da cidade e bairros próximos (Porto e Simões Lopes), chegando a acumular-se umas sobre outras. A maioria delas derretia, mas às vezes virava gelo, durando até o dia seguinte.

Segundo os bombeiros de Pelotas, as pedrinhas não passavam do tamanho de ervilhas (leia em ZH Granizo atinge Pelotas). O estranho foi que a temperatura geral no chão sempre esteve entre 10 e 15 graus, bem longe do ponto natural de congelamento, o zero.

Granizo em Pelotas (Horacy Fagundes)
Na esquina do Café Aquários, o vento derrubou palmeiras e deixou as ruas desertas por uns minutos, prendendo o público nas lojas. Habitualmente os pelotenses andam sem guarda-chuvas e se molham na chuva, sabendo que ela não machuca e dura poucos minutos. Mas desta vez o granizo castigou os mais atrevidos.

Alguma "chuva de pedra" ocorre quase todos os anos, mas, em vez de admirar o acontecimento natural, nos queixamos por percalços mínimos ou nos assustamos, como se o mundo fosse acabar com a interrupção da rotina. Reações desproporcionadas ocorrem por aqui quando surge algo muito diferente (por exemplo, inauguração de um shopping, ou mudança de lugar da Feira do Livro).

Por uns minutos, a chuva pegou forte e danificou até carros (Nauro Júnior)
Fotos: De Olho no Tempo (1, 3), Metsul (2), Nauro Jr (4)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O que esperar deste primeiro shopping?

Construção pronta, após 2 anos de espera
Os pelotenses ainda não conseguem acreditar: esta quarta (2-10) foi inaugurado oficialmente o primeiro grande shopping center da Metade Sul do Estado, com uma promessa inicial de 200 pontos comerciais (já baixou para 160), entre lojas e megalojas, restaurantes e salas de cinema. Foi em novembro de 2011 que o Diário Popular surpreendeu a população com o anúncio de um gêmeo do Via Verde de Rio Branco (v. post de 2012 Modelo do futuro shopping).

Após amargar décadas de empreendimentos interrompidos, a cidade somente tinha pequenos centros comerciais, como o Mar de Dentro, o Zona Norte Artes e Ofício, o Calçadão, o Fragata, a Rodoviária, o Pop Center e diversas galerias no Centro Histórico. E ainda conserva os esqueletos abandonados dos fracassos (o edifício Praça XV no Calçadão e mais dois em ruínas na Avenida Bento Gonçalves) e terrenos baldios que foram pensados mas ficaram na ideia (um defronte ao Anglo, outro na Anchieta com Francisco de Paula, e na Voluntários com JK).

90 marcas confirmadas

A cidade que aposentou os cinemas de calçada
agora entra no mundo dos cinemas de última geração.
Com 3 salas funcionando, o Cineflix anuncia para esta quinta (3) "O Tempo e o Vento" em duas cópias e "Elysium". Na semana a partir de sexta (4), entra o filme "Tá chovendo hambúrger 2" em 3D (veja a programação).

Entre as empresas grandes e pequenas que desde agora operam no Shopping Pelotas, estão marcas locais e outras de fora, algumas delas por primeira vez na cidade.

Neste mês inicial não se encontram todas elas, mas se espera que a maioria consiga instalar-se até novembro (ou dezembro). Veja as que já estão confirmadas, por ordem alfabética:
  • Aki na Praia, Amitié, Arezzo, Atelier Mix, Authentical,
  • Bela Gula, Bocattino, Brasil Fitness, Burger King,
  • C&A, Cacau Show, Café Armazém, Carmen Steffens, Casa das Alianças, Casa do Pão de Queijo, Centauro, Chilli Beans, Chu Restaurante, Cineflix, Clube da Criança, Colcci, Colchões Ortobom, CVC,
  • Damyller, Della Tutini,
  • Empório Gelei, Extravaganza, Fast Burger,
  • Gaúcho&Prenda, Gaston, Giraffas, Graciosa,
  • Hering, Imaginarium,
  • Jóias Rochedo, JMC Bijoux, Jorge Bischoff, Kefingston,
  • Laboratório Sancti, Livraria Vanguarda, Lojas Americanas,
  • Magic Games, Mandarin, Mania de Usar,
  • McCafé, McDonald's, Mine Kalzone, Míng Lì, Mixirica, Mobifans, Morana, Mr. Cat,
  • O Boticário, Oi, Ótica Pupila, Overend,
  • Panvel, Paquetá, Patroni Pizza, Pompeia, Ponto Frio, Prawer,
  • Rabusch, Raphaela Booz, Renner, Renzo, Revistaria Ler&Lazer, Riachuelo, Rochedo,
  • Samsung, Seu Boteco, Sik Sushi, Spoleto, Subway, Super HotDog, Superlegal,
  • Tevah, Tim, Tok, Trópico, Turispel,
  • Unicred, Uva e Verde,
  • Victória Câmbio e Turismo, Vitória Diva, Vivara
  • World Tennis, Yoshake, Yunes Câmbio e Turismo, Zero Jeans.
Livraria Vanguarda, marca local, em espaço ampliado para a cultura
Shopping Pelotas: o que esperar?

O blogue Caminhos da Zona Sul, de Marcelo Nogueira, vem antecipando informações sobre o progresso da região e tem posto atenção na abertura deste empreendimento. Há um mês, ele publicou uma análise sobre o que se poderia esperar do Shopping.

Mesmo achando que o espaço terá grande sucesso, ele cita argumentos estatísticos, que ele mesmo considera questionáveis, os quais, na verdade, nada esclarecem e somente confundem. Por exemplo, que Pelotas tem 121 mil habitantes nas classes A/B (seis vezes menos que Porto Alegre), enquanto nas classes D/E a diferença populacional é bem menor. Comentários desse tipo, que supostamente mostrariam um possível fracasso comercial de um shopping, foram feitos por muito tempo e ainda são ouvidos, negando a realidade ou tentando desanimar o que resta de iniciativa e criatividade na população.

O blogueiro também se pergunta se haverá público para as lojas que já estavam no Calçadão e que estarão também no Shopping. Ele acredita que o público comprador não diminuirá, mas haverá um movimento no perfil social, com a florianização das lojas mais nobres da Quinze de Novembro (ele criou o termo para se referir a uma tomada do Centro Histórico por parte dos segmentos D/E).

Como sempre, o pelotense paga pra ver.
O artigo ainda recorda que o prefeito Eduardo disse, recentemente, que “as pessoas gostam destes ambientes (os shoppings) pois eles são como a população gostaria que fossem as cidades, organizadas e limpas”.

Marcelo conclui remarcando seu entusiasmo com a novidade e o positivo comentário do prefeito: se os shoppings têm tanto apelo popular é porque, ao contrário das cidades, oferecem um espaço de convivência seguro, organizado e limpo.

Leia o artigo completo aqui e acompanhe no Facebook o Caminhos da Zona Sul.

Fica a pergunta de sempre:  se Pelotas e região (mais de um milhão de habitantes em 28 cidades, segundo estimativa de 2003) já desejavam ter um centro comercial moderno, têm poder financeiro suficiente e, ainda mais, suas cidades não entregam limpeza e seguranças nas ruas, por que este shopping demorou tanto a fazer-se confiável e real?

A novidade fará que milhares de pessoas sem dinheiro visitem as brilhantes lojas e os limpos corredores para poder depois dizer "hoje fui ao Shopping". O que antes se temia como fracasso transbordará de gente todos os dias, como a FENADOCE, onde a entrada é paga mas a maioria da população já entrou mais de uma vez.

Em 2014 e em 2015 serão inaugurados mais dois modernos centros em Rio Grande (v. notas sobre o Praça Rio Grande Shopping Center, na área do antigo Jockey Club, e sobre o Parque Shopping Rio Grande, no trevo do Cassino). Portanto, o Shopping Pelotas (v. no Facebook e seu portal próprio) é o primeiro de uma série, e no futuro a discussão será se a Princesa do Sul comporta um segundo ou terceiro shopping.

Zero Hora, quinta-feira 2 de outubro de 2013

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Seu Palombo virou lenda

Faleceu nesta última madrugada de julho, durante o sono, o mais antigo frequentador do Café Aquários: o filho de imigrantes italianos Renalto Risi Palombo. Ele faria 105 anos daqui a 15 dias.

Numa entrevista, disse nunca ter casado, somente namorava... com a vida (v. artigo do jornalista José Cruz). Em abril de 2013, o portal Someecards criou um cartão em inglês com uma frase dele (esq.), tomada provavelmente desta notícia. Por curiosa coincidência, o aniversário de Seu Palombo (15 de agosto) é recordado, não se sabe por quê, como o Dia dos Solteiros (v. Wikipédia). Outro detalhe chamativo é que ele viveu exatamente a soma das idades de seus pais, ambos falecidos com 52 anos (52 + 52 = 104).

Em 2008, Zero Hora publicou a notícia dos cem anos (leia aqui) e seguiu reporteando até o ano passado (Alfaiate de Pelotas completa 104 anos). Nauro Júnior vinha fotografando Seu Palombo desde 2008, e lhe presta agora a homenagem de despedida com os seguintes versos.



O silêncio do café

Hoje as xicaras não vão tilintar
O burburinho do balcão vai silenciar
O engraxate não vai batucar
Porque o Palombo não vai chegar

Ele tomou café antes do Café existir
Sempre voltou para ver um amigo sorrir
Cruzou séculos, costurando a vida sem intervir
Com 105 anos foi embora sem se despedir

Era o torcedor do Pelotas mais antigo
O Café Aquários era seu maior abrigo
Em cada esquina da XV tinha um amigo
Foi em silêncio, levando uma ficha do Café consigo.
Nauro Júnior
Texto e foto: Facebook