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domingo, 1 de novembro de 2015

Dark City apresenta edição revisada

Edição revisada já está à venda na Mundial.
O livro "Dark City: figuras e figuraças de Pelotas" esgotou sua primeira tiragem em 2013 e agora é reapresentado pelo seu organizador Márcio Ezequiel. A edição corrigida e revisada traz o mesmo conteúdo, que caiu no agrado dos pelotenses, e a mesma capa, que mostra o lado escuro de uma cidade oficialmente luminosa.

A ideia parecia ousada demais no início, pois revelaria detalhes que não saem nos jornais nem nos livros de história mas são sabidos pelos habitantes da cidade. O sucesso da iniciativa mostrou, no entanto, que a Princesa gosta de se mostrar em seu lado oficial e em seu lado B, o mais obscuro e menos falado.

Afinal de contas, o conjunto da obra não é tão sombrio como prometia: as figuraças marginais ou marginalizadas são abordadas, mas os abordadores não se comportam de modo marginal. O leitor encontrará, por primeira vez num livro, descrições não oficiais de personagens históricos e relatos nunca publicados sobre figuras reais como o Miloca, o Alfredinho ou o Tarzan, mas sempre em linguagem respeitosa, para o que o leitor não se ruborize nem pense em abrir demandas judiciais. Sobre um possível segundo volume, com mais personagens, ainda não se sabe se um dia será realizado (diz o organizador que dependerá do sucesso desta segunda edição).

Já disponível para venda na Livraria Mundial, o trabalho coletivo de 18 autores locais terá sessão de autógrafos em Porto Alegre (4-11) e Pelotas (7-11), nas respectivas feiras do livro, às 19h. Quem conseguiu comprar a primeira edição, guarde-a como lembrança cult; quem não conseguiu, terá agora a versão do diretor [confira os outros 55 lançamentos da Feira 2015].

POST DATA
7-11-15
Manuel Padeiro, líder quilombola, pesquisa deste blogue em 2010, originou artigo do livro.
Em 2012, o organizador-autor revelou o Projeto Dark City antes de publicá-lo.
Em 2013, por ocasião do lançamento, o Diário Popular anunciou O lado escuro da memória.
Há uma semana, o co-autor Manoel Magalhães comentou a obra em Dark City e o lado mítico das sombras.

sábado, 1 de novembro de 2014

Genealogia dos Souza Soares, portugueses no Brasil

Livro de Carmen Souza Soares Reis
Capa de Rafael Silveira Casado
A genealogista Carmen Souza Soares Reis pesquisou, durante anos, a história da sua família materna, a rama pelotense dos Souza Soares, com apoio nos recursos da Genealogia e à base de fotografias, testemunhos e documentos familiares. O resultado desse trabalho aparece ao público na 42ª Feira do Livro de Pelotas, com o título "Souza Soares: a Saga de uma Família Portuguesa no Brasil". A sessão de autógrafos é neste sábado (1-11), das 18h em diante.

A venda dentro do Brasil é feita pela Livraria Mundial de três formas: em seu estande na Feira do Livro, na loja da Quinze de Novembro 564 (fone 53-3222 2699) e pela internet (R$ 95).

A autora 

Carmen Reis é psicóloga formada na PUC-RJ, com pós-graduação nos EUA. De pais pelotenses, nasceu em Porto Alegre em janeiro de 1940, criou-se no Rio de Janeiro, e atualmente reside em West Palm Beach, Estado da Florida. Depois de aposentar-se como professora universitária, dedicou-se totalmente à Genealogia, especializando-se em famílias portuguesas. Seu primeiro livro é esta grande pesquisa sobre os Souza Soares, que agora apresenta em Pelotas. A obra tem edição limitada e foi autoeditada por Carmen, ao modo de uma missão de vida, que toda a comunidade agradece.

Carmen Souza Soares Reis
A pesquisadora encontra-se em Pelotas por alguns dias, até 4 de novembro, para fazer o único lançamento desta obra, de grande interesse para os pelotenses e para as centenas de descendentes espalhados pelo Brasil, Estados Unidos e Europa. Alguns desses parentes já estão em Pelotas para encontrar-se com a pesquisadora e comprar exemplares.

Um desses familiares é o genealogista português Francisco Manuel de Souza Soares da Gama. Ele nasceu em 1962 em Bonfim, Porto. Ao mesmo tempo, vai realizar um antigo sonho: conhecer a cidade natal do seu falecido avô, o Dr José Alvares de Souza Soares, conhecido médico pediatra da cidade do Porto, que foi o filho mais moço do primeiro casamento do Visconde de Souza Soares. Também viajou desde Portugal José Antônio Andrade de Souza Soares, primo de Carmen, nascido em 1943 em Ataíde, Amarante.

José Álvares de Souza Soares (1846-1911),
o Visconde de Souza Soares (título português)
Para a aquisição do livro no exterior, os primos e amigos residentes fora do Brasil receberam um comunicado e, mediante o sítio virtual de Carmen, encomendaram o livro em outubro, antes da impressão, que foi terminada, há poucos dias, pela Gráfica Pallotti, de Porto Alegre. Por estes dias, estão recebendo seus exemplares pelo Correio. Novas compras poderão ser feitas por contato com a autora ou com a Livraria Mundial.

Este primeiro livro de Carmen resgata a história da sua família materna, os Souza Soares. O próximo livro, “A Casa da Rua Quinze: memórias de uma família pelotense”, conta a história da sua família paterna, originária de Portugal, com raízes nos Açores e na Colônia do Sacramento (Uruguai). Seus ancestrais foram os primeiros moradores do rincão que deu origem à cidade de Pelotas.

A obra

“Souza Soares: a saga de uma família portuguesa no Brasil" conta a história de um grupo de irmãos portugueses que foram separados pelo destino e conseguiram reunir-se no Brasil, como imigrantes. José, um dos irmãos, transferiu-se de Pernambuco para o Rio Grande do Sul, montou uma indústria de produtos farmacêuticos na cidade de Pelotas, o Laboratório Souza Soares, e tornou-se rico e famoso. Outra de suas criações foi o Parque Souza Soares, a primeira área de lazer aberta à população pelotense. Seu gênio empreendedor valeu-lhe o título de Visconde de Souza Soares, concedido pelo rei de Portugal.

Parque Souza Soares (Pelotas, 1900)
Ao longo das 640 páginas do livro, Carmen analisa, por um lado, 7 gerações de descendentes ao longo de dois séculos, desde 1795 até os dias atuais, listando centenas de pessoas,  e, por outro lado, mais 26 gerações de ascendentes, desde 1795 até 11 séculos antes.

Na Primeira Parte do livro, a autora conta a história dos irmãos Souza Soares que emigraram para o Brasil no século XIX e das famílias que formaram. Na Segunda Parte, apresenta a genealogia das famílias de que os Souza Soares descendem, e das famílias que se uniram a eles por casamento: Magalhães Queirós, Teixeira Leite, Monterroio, Brochado e Silva Ramos.

Carmen e Rafael N. Casado,
autor da capa do livro
A publicação tem o apoio cultural do Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas e da Junta da Freguesia de Vairão, o governo municipal da cidade de origem da família Souza Soares em Portugal.

A capa é de autoria do designer gráfico Rafael Nodari Silveira Casado, primo de Carmen pelo lado paterno. Os dois se reuniram em Porto Alegre, semana passada (dir.). Ele mora em Concórdia (SC) e fez este trabalho graciosamente.

Como parte das pesquisas sobre os parentes Souza Soares que nasceram e viveram em Pelotas, Carmen Reis cita um texto de Mario Osorio Magalhães sobre dona Gilda Litran de Souza Soares, publicado neste blogue em 2011. Na época, o historiador que se dedicou a estudar as origens de Pelotas dedicou generosamente essa colaboração especial ao nosso blogue. Confira o post Gilda de Souza Soares, citado pela autora no rodapé 292 (página 193).
Imagens: Carmen Reis (1-2), Geni (3), Flickr (4), R. Casado (5)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Vinholes, patrono da Feira

O pelotense Luiz Carlos Lessa Vinholes foi escolhido patrono da edição 2014 da Feira do Livro de Pelotas, que será aberta oficialmente esta quinta (30-10). No dia anterior, a UFPel inaugurou o novo espaço da Discoteca do Centro de Artes, agora batizada com o nome de L. C. Vinholes (v. notícia).

L. C. Vinholes aos 80, entrevistado pelo Correio Braziliense
O nome do poeta concretista, pioneiro da música aleatória no Brasil, crítico musical e divulgador da cultura brasileira foi sugerido pela SECULT e aceito pela Câmara Pelotense do Livro.

O secretário Giorgio Ronna diz que Vinholes não se destaca somente na música, mas também na cultura em geral e na literatura em especial, como criador de poesia concreta, como tradutor e como organizador de antologias literárias (v. notícia da Prefeitura).

O orador oficial da 42ª Feira do Livro é outro músico pelotense, o professor Mário de Souza Maia, pesquisador em música antiga e conhecedor da obra de Vinholes, a partir de sua dissertação de mestrado em História (PUC-RS, 1999) "Serialismo, Tempo-Espaço e Aleatoriedade: a obra do compositor Luiz Carlos Lessa Vinholes" (v. abstract). Outra pesquisa sobre o trabalho de Vinholes é a tese de doutorado em Música de Valério Fiel da Costa, Vinholes e Cage: teorias, indeterminação e silêncio (UNICAMP, 2005).

Na programação cultural da Feira (v. lista de atividades), o patrono Luiz Carlos Vinholes ministrará duas palestras, abertas ao público interessado:
  • “Retrospectiva do fazer e divulgar poesia: a ponte Brasil-Japão”, sábado 1 de novembro, 20h, na Bibliotheca Pública Pelotense.
  • “Retrospectiva do compor e criar em música: a música como liberdade”, quarta 5 de novembro, 19h, no Centro de Artes da UFPel, Auditório 2 (Álvaro Chaves 65).

Vida e obra de Vinholes

Luiz Carlos Vinholes nasceu em abril de 1933. Aos 16 anos iniciou os estudos de composição com o maestro José Duprat Pinto Bandeira, enquanto se desempenhava como tenor no Coro da Catedral e estudava canto com a professora Lourdes Nascimento, no Conservatório de Música. Aos 18, em 1951, quando participava na Orquestra Sinfônica de Pelotas, conheceu o maestro Hans Joachim Koellreutter e foi trabalhar com ele em São Paulo.

Entre 1952 e 1957 estudou canto, teatro e dança com diversos professores, em São Paulo, e começa sua primeira fase como compositor, mediante a técnica dodecafônica (de doze notas em vez das clássicas sete). Na mesma década, escreveu crítica musical para os jornais Diário Popular, A Opinião Pública, de Pelotas, e o Diário de São Paulo. Como compositor, ganha bolsa de estudos para a Universidade de Tóquio, no Japão, onde pesquisa música oriental (japonesa, chinesa e coreana). Iniciando como adido cultural no Japão, segue carreira diplomática desde anos 60, até a década de 1990 (v. biografia completa).

Vinholes no Museu do Colégio Pelotense
No final da década de 1990, Vinholes retornou ao Brasil, onde dedica parte do seu tempo ao projeto de informatização de sua técnica composicional Tempo-Espaço e à compilação de sua antologia poética “Retrato de Corpo Inteiro”, recentemente concluída, e que reúne poemas de 1947 a 2007.

Vinholes foi articulador do tratado que geminou Pelotas e Suzu, em 1963, ligando por primeira vez uma cidade japonesa com uma brasileira. Em 2013, o diplomata pelotense doou ao Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo peças de cerâmica e gravuras japonesas, reunidas por ele nas décadas em que viveu no Japão.

Também o Museu do Colégio Pelotense recebeu doações de 83 peças, incluindo objetos de uso caseiro, religioso e artefatos utilizados como decoração que compuseram a coleção pessoal de Vinholes (v. notícia no Diário da Manhã, agosto 2014).

Outras referências

Sobre o trabalho de Vinholes há duas teses e uma dissertação: PUC-RS 1999, UNICAMP 2005 (citadas acima) e UNICAMP 2011 (citada abaixo). Confira também a reportagem resumida Tradutor fala sobre conexão poética entre Brasil e Japão (Correio Braziliense, junho de 2013) e o artigo de Vinholes 80 minutos para comemorar 80 anos (v. o anúncio do concerto realizado em 26 de abril de 2013, e detalhes do programa). Entrevistas com o compositor no canal de vídeos lcvinholes.

A professora Thaís Rochefort, mestre em Letras, publicou no Diário Popular (16-06-11) o seguinte artigo sobre Vinholes, obviamente sem suspeitar que ele seria, dois anos depois, o patrono da Feira do Livro.
O compositor, músico e poeta pelotense Luiz Carlos Lessa Vinholes, radicado em Brasília, está satisfeito por haver recebido, há dias, a versão final/oficial da tese que a professora Lilia de Oliveira Rosa [v. sítio profissional] defendeu na UNICAMP, dia 24 de fevereiro de 2011 [Três peças aleatórias de L. C. Vinholes numa abordagem pedagógica para criança]. 
O trabalho de Lilia, que fica além de todas as expectativas, apresenta, discute e explora as possibilidades oferecidas por três obras de 1961, 1962 e 1979 do mestre pelotense e cria o sítio L. C.Vinholes para divulgar o trabalho que, há muitos anos, o compositor vem desenvolvendo principalmente no campo da música. O espaço virtual pode ser visitado e recebe comentários e críticas, principalmente, daquelas pessoas envolvidas com o complexo e fascinante estudo da produção musical. 
Mário Maia, L.C. Vinholes e Úrsula da Silva, em 2011
Antigo colaborador do Diário Popular, Vinholes iniciou seus estudos no Conservatório de Música de Pelotas, continuou-os em São Paulo, com o apoio de uma bolsa concedida pela prefeitura (gestão de Mário Meneghetti), e lhes deu seguimento no país e no exterior, onde exerceu missões culturais e diplomáticas em diversas embaixadas. 
Pioneiro da música aleatória no Brasil e introdutor da poesia concreta no Japão, Vinholes é conhecido pela obra produzida e consagrado por sua cultura. [...] 
Há poucos meses, Vinholes doou sua biblioteca particular de dez mil volumes a diversas instituições brasileiras, como o Arte na Escola (Pelotas), o Instituto de Cultura Japonesa da PUC (Porto Alegre) e a Casa das Rosas [v. nota]. 
Thaís de Almeida Rochefort


Fotos: CB (1), DM (2), PAE (3)

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Nauro poetiza a vida

Desde que cheguei a Pelotas, no século passado, vejo alguns pelotenses reclamando da cidade. No início eu não entendia. Como pode alguém não gostar de uma cidade linda igual a Pelotas? Eu particularmente sou um apaixonado por esta cidade que me adotou e hoje considero tão minha.

Eu nasci em Novo Hamburgo por um acidente geográfico. Deus estava com o GPS estragado no dia 9 de abril de 1969 e me colocou 300 km ao norte do meu destino. Eu tenho um relação tranquila com NH. Não a culpo por nenhuma de minhas frustrações. Quando achei que não era lá que eu queria passar os dias que restavam de minha vida, parti e fui em busca de minha felicidade.

Mas fui notando que com Pelotas o caso é diferente.

Alguns pelotenses têm uma relação de "Amor e Ódio" com a cidade onde nasceram. Eles vão embora e a história não fica bem resolvida. Alguns têm vergonha de dizer que nasceram aqui, outros vivem desdenhando mas continuam fiéis aos times daqui. Outros, por mais ricos que tenham ficado nos lugares onde vivem, passam falando que só foram embora porque "Pelotas não lhes ofereceu oportunidade".

Bom, eu, com o passar do tempo, fui recolhendo frases destes pelotenses revoltados, coloquei minhas impressões sobre elas e fiz este poema que está no livro "Andanças Imaginárias", que vou lançar no sábado (01-11) as 18h, na 42ª Feira do Livro de Pelotas (v. página do evento).

Nauro Machado Júnior

Ilustração de Sofia Machado para o poema
"Fotografia", de Nauro Machado Jr.
Nauro organizou, primeiro, um livro impresso, coletânea de seus poemas, enriquecida com desenhos da filha Sofia, onde mostra como se uniu a Pelotas, através do amor e da criatividade. 

Não satisfeito, ele armou também uma coleção de clipes, com declamações de seus poemas, feitas por seus amigos. Cada um escolheu o texto que leria e abre seu coração com um testemunho pessoal.

Este livro audiovisual é uma nova obra de Nauro, mais autobiográfica que o texto escrito, que fala da riqueza de um homem (o amor-ágape de seus amigos) e da riqueza de uma comunidade (o talento e o gosto pela arte e a sabedoria). O filme ficou melhor que o livro.

"Poetize sua vida" foi o tema da Feira do Livro de Pelotas em 2013.

O poema citado por Nauro no texto acima, Amor e ódio, foi gravado pelo livreiro e pesquisador Adão Monquelat. Confira a seguir os demais vídeos.


Jornalista Maíra Lessa declama Fotografia.
Professor Clóvis de Barros Filho declama Fotografia (desde São Paulo).
Escritor Fabrício Carpinejar declama Briga.
Cantor Joca Martins declama Inconstância.
Jornalista Márcio Melo recita Gardenal.
Joice Pereira recita Árvore da infância (desde a Itália).
Locutor Gil Azevedo lê o poema Chefe.
Jornalista Daniel Trzeciak lê o poema A Estrada.
Músico Rodrigo Munari lê o poema Não é uma graça a vida?
Sofia Mazza Machado recita seu próprio minipoema Palafita.
Jornalista Klécio Santos recita Silêncio II.
Poeta Xiru Antunes declama Prendinha.
Jornalista Sabrina Ongaratto declama Amor.
Poeta Xiru Antunes declama Tua luz me ilumina e os textos Dez Perguntas.
Fonte: Facebook

POST DATA
Nauro e Sofia são coautores das Andanças, e coautores um do outro.
30-10-14
O ator Juliano Cazarré faz a leitura do poema "Meu Fusca ficou sem gasolina de novo".
O professor de Filosofia Luís Rubira lê o trecho Trensurb, desde o metrô de Paris (vídeo abaixo).
31-10-14
Hoje o Diário Popular noticia o lançamento do livro "Andanças Imaginárias" (v. reportagem de Leon Sanguiné), com foto de Elison Bitencourt, reproduzida acima.
1-11-14
Hoje à tarde, com chuvisco e tudo, Sofia e Nauro realizaram a façanha de uma sessão de duas horas autografando como autor adulto e autora infantil, num gênero tradicionalmente considerado para adultos (v. fotos no Flickr de Gustavo Vara).
Joca Martins emocionado proclama "Um segundo antes", que Nauro dedicou à filha Sofia.
O músico Rodrigo Munari lê Poesia e o texto Terapia.
O músico Vítor Ramil lê Meu pai e o fusca azul (desde Barcelona, Espanha).
O prefeito Eduardo Leite lê Meu escritório é no café.
8-11-14
Clayton Rocha lê o texto de Nauro sobre a morte: Carpe Diem mas Memento Mori. Já é o 24º vídeo deste audiolivro. 
16-11-14
Otávio Soares lê Existência em despedida.
Clayton Rocha lê O silêncio do café.



terça-feira, 28 de outubro de 2014

Poesias ilustradas: arte literária e fotográfica


A Professora Loiva Hartmann, integrante da Academia Pelotense de Letras e patrona deste blogue cultural, convida o público pelotense à abertura de exposição de suas Poesias Ilustradas, desta vez no andar térreo da Biblioteca Pública.

A atividade se insere na programação da 42ª Feira do Livro de Pelotas, e terá início às 18 horas da próxima sexta (30-10). As fotografias da mostra pertencem a Daniel Giannechini. A vernissage terá também a participação musical da tecladista Joaquina Porto.

A inauguração oficial da Feira será logo a seguir, às 19h30, na praça Coronel Pedro Osório, com intervenções do patrono Luiz Carlos Lessa Vinholes e do orador Mário de Souza Maia, ambos destacados músicos pelotenses.

A visitação poderá ser feita nos horários habituais da Biblioteca, durante os dias da Feira, que conclui no domingo 16 de novembro.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Susto amigável

O cronista Rubens Amador, colaborador deste blogue desde 2010, participou na coletânea "Dark City", sobre personagens típicos de Pelotas, com 7 textos seus, anteriormente publicados em jornais e na internet. Organizado pelo historiador Márcio Ezequiel, o livro teve a contribuição de 18 autores, entre jornalistas e pesquisadores da história da cidade, e foi apresentado na Feira do Livro 2013. 

O lançamento reuniu 12 autores, entre os quais estava Amador, emocionado porque era sua primeira experiência autografando, mesmo após alguns milhares de textos já publicados na imprensa. Essa novidade fez surgir mais uma crônica (leia a seguir),onde a emoção do escritor é o centro da notícia. O homem maduro se faz menino ante a experiência única da primeira vez, fazendo remover pensamentos de toda uma vida.

A tiragem inicial do livro esgotou em dezembro, mostrando como os pelotenses se interessam por falar em si mesmos. Ante o sucesso, o editor Marcos Macedo já aprovou uma segunda edição (estará disponível na Livraria Mundial, provavelmente em março), e o organizador está pensando num segundo volume, com mais figuras e figuraças de Pelotas. O anúncio será feito proximamente, no ato de doação dos lucros ao Albergue Noturno. 




Antologia de personagens pelotenses
esgotou primeira tiragem em 3 meses.
Meu amigo Francisco Antonio Soto Vidal já publicou neste blogue várias coisas minhas, como eu gosto: sem modificar nada de meu texto. Senti-me muito satisfeito por ver que alguém apreciava alguns de meus escritos.

Cerca de um ano atrás, recebi um telefonema de Vidal, pedindo-me autorização para que eu permitisse que alguns trabalhos meus sobre tipos de Pelotas fossem publicados em um livro que estava sendo organizado pelo porto-alegrense/pelotense Márcio Ezequiel. Seria uma obra em benefício de uma entidade de pessoas carentes. Prontamente acedi e confesso que me esqueci do assunto.

Em outubro de 2013, fui surpreendido por novo telefonema de Vidal, convidando-me a comparecer na Feira do Livro para cumprimentar e ser cumprimentado pelas pessoas que colaboraram para o livro, que se chamava Dark City, excelente produção da Livraria Mundial, do diligente Marco Macedo, que está se destacando no cenário editorial pela qualidade e bom gosto dos livros que edita com perfeição.

Em lá chegando, fico conhecendo alguns dos demais colaboradores do livro, pessoas altamente qualificadas. De repente, um susto! Sou convidado para sentar-me em uma mesa onde estavam os coautores e eu teria de autografar também, às pessoas que solicitassem meu autógrafo.

Tremi. Jamais me passou pela cabeça viver um momento assim, não obstante eu ter produzido em outro jornal da cidade por cerca de 35 anos, onde escrevi várias reportagens, por mim assinadas, com foto e tudo, além de artigos, crônicas e contos. Atualmente, assino uma coluna que leva meu nome, às quintas e domingos, no Diário da Manhã, já há quase dois anos. Inclusive por isso vários amigos estão sempre me perguntando por que não edito um livro. E eu sempre lhes respondo:
“Meus modestos escritos têm a efemeridade de uma edição. São cadentes sinais que riscam o céu de vez em quando, para logo se apagarem. Para eu chegar a um livro falta-me percorrer um longo caminho. As leituras que tenho feito de autores verdadeiros me inibem de me aventurar numa obra editorial.”
Assim penso há muitos e muitos anos, e continuo pensando.

Rubens Amador (E) autografou por primeira vez na Feira.
Escreve em jornais desde os anos 70, mas só em 2013 saiu em livro,
em companhia de historiadores e estudiosos da cidade.
Mas de repente vi-me autografando! Que susto, repito. Ficava encabulado quando as pessoas vinham em minha direção com seu exemplar e seu nome. E mais ainda quando descobriam que eu era Rubens Amador e me cumprimentavam, dizendo que me liam sempre no Diário da Manhã todas as semanas.

Olha, a gente fica momentaneamente vaidoso. De repente, um coronel, que até há pouco comandava a nossa briosa Brigada Militar, acerca-se de mim perguntando-me se eu era Rubens Amador e,  ante minha confirmação, abraçou-me, e confessou-se meu leitor; e pediu para que tirássemos uma fotografia juntos. A foto foi feita. Das 18h até as 20h, eu e meus companheiros demos dezenas de autógrafos de “Dark City”, que, segundo fui informado, está vendendo muito bem.

Naquele dia 8 de novembro último foi uma tarde que brinquei de autor de um livro. Será um dia inesquecível. Levei um susto, pela surpresa – insisto – que me foi dada pelo meu amigo Francisco Antonio Soto Vidal. O mais agradável susto que jamais pensei poderia ter me acontecido.
Rubens Amador
A crônica sobre Miloca havia saído neste blogue em 2011 e foi para o livro.
Em 2009 e em 2013 Rubens Filho publicou Mario A-Cores.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Pedalada Cultural: doação pessoal de livros

Durante a Feira do Livro de Pelotas 2013, um grupo de ciclistas circulou por praças da cidade doando livros, numa forma de unir a leitura ao exercício, o material ao humano, a saúde física à mental. A imaginativa e amorosa ideia do Método DeRose Pelotas, batizada como Pedalada Cultural, reuniu Rotary Club, Pedal Curticeira, Pulp Mídias Sociais e Tissot Academia de Remo. A ação "Leve este Livro" realiza-se em outras cidades do Brasil, com ou sem bicicletas, e em Pelotas é realizada pelo grupo Pedal Curticeira (v. álbum de fotos).

Segundo a matéria assinada por Cássia Medronha, o grupo desafiou a ameaça de chuva naquela manhã de 9 de novembro e, saindo da Praça Coronel Pedro Osório, em frente ao Teatro Sete de Abril, percorreu uns 15 quilômetros, passando pela Praça Vinte de Setembro, o Parque Dom Antônio Zatera, o Bairro Areal e a Avenida Dom Joaquim.

 (Foto: Marcel Ávila - Especial DP)
Ciclistas doaram seus livros, como quem doa sangue, afeto e vida.
Os cerca de vinte participantes levaram exemplares deles e os distribuíram, conversando com as pessoas.

"A ideia é transmitir para o próximo o sentimento que aquele livro te proporcionou", disse Rafael Kroeff, gastrônomo e surfista. Ele levou "O Segredo", de Rhonda Byrne, e "O Poder do Agora", de Eckhart Tolle.

Em cada livro, um bilhete explicava a ação e indicava alguns benefícios da leitura: estímulo à criatividade, produção de sentimentos e desenvolvimento pessoal. Confira o artigo Como fazer uma criança pequena gostar de ler.
Texto e foto: Diário Popular

POST DATA
8-2-14
Amanhã domingo realiza-se a 2ª Pedalada de Verão, da Baronesa ao Laranjal (v. notícia). Trata-se de um exercício recreativo do sentido comunitário ao ar livre, aproveitando o verão e a topografia favorável da cidade. As parcerias são do Pedal Domingueira, Diário Popular e ECOSUL.

domingo, 17 de novembro de 2013

Professora Loiva lança CD com poemas


Oh! bendito o que semeia
Livros… livros à mão cheia,
E manda o povo pensar!
O livro, caindo na alma,
É gérmen, que faz a palma,
É chuva, que faz o mar.

Antônio de Castro Alves, 1870
Poema O Livro e a América

A professora Loiva Hartmann apresenta hoje domingo (17-11), último dia da Feira do Livro, dois livros de poemas ("Eu falo de amor" e "Somos a chave de tudo?"), a antologia comemorativa dos 30 anos da União Brasileira de Escritores, onde participa com dois trabalhos, e o CD "Poesias", por ela produzido, contendo poemas dos dois livros mencionados acima.

Capa do CD Poesias, de Loiva Hartmann
O disco funciona como um audiolivro, gravação que permite às pessoas ler um livro sem usar os olhos, e também como um CD de música, pois os poemas trazem todos o fundo em piano de Richard Clayderman. Os textos trazem ideias românticas, filosóficas e psicológicas, e podem ser ouvidos para meditação em casa ou andando de carro ou ônibus.

A ideia é uma nova forma de promover a cultura da poesia, muito a propósito do lema "Poetize sua vida", que esta Feira utilizou, numa homenagem aos 160 anos de nascimento do escritor Lobo da Costa, destacado poeta romântico.

Como ativa promotora da leitura e da educação, ela evoca os versos de Castro Alves, citados no epígrafe deste post, para celebrar mais uma edição da Feira do Livro e para estimular a todos aqueles que estimulam a cultura literária. Em email ao editor do blogue, ela declarou:
A sociedade de Pelotas está reaprendendo a visitar e a conviver no Mercado, pela mão dos livros! Isso é o Paraíso. Cumpriu-se a profecia de que vale a pena preservar o passado para solidificar o presente. Estamos todos de parabéns.
Contracapa do CD
O CD Poesias contém 80 minutos de gravação na voz do locutor Otávio Soares, recitando 23 trechos das obras "Eu falo de amor" e "Somos a chave de tudo?", de Loiva Hartmann.

O trabalho foi gravado na Rádio Federal FM e editado pela Captação Eventos. Disco e livros estão à venda na Livraria Mundial.

Loiva Hartmann,  professora e poetisa radicada em Pelotas, é patrona deste blogue desde junho passado e integrará a Academia Pelotense de Letras desde 7 de dezembro deste ano.
Imagens Banco da Poesia (1) e L. Hartmann (2-3)

sábado, 9 de novembro de 2013

Figuraça e livro de graça na praça

Ezequiel tomou a Vanguarda
Por segunda vez nesta Feira do Livro, Márcio Ezequiel autografa uma obra literária. Neste domingo (10-11) às 18 horas, ele assinará "Agenda, o livro dos dias", trabalho que lançou na Livraria Vanguarda do Shopping Pelotas (dir.), há poucos dias, na quarta 30-10.

Ele não somente dará autógrafos e dedicatórias: os primeiros leitores a chegar também receberão grátis um exemplar do livro. A "Agenda" custa R$ 20 e vem com apoio do fundo municipal Procultura.

Seu anterior lançamento na Feira foi esta sexta (8-11), com a coletânea "Dark City: figuras e figuraças de Pelotas", por ele organizada. A maioria dos 18 coautores esteve presente na ocasião. Este domingo (10) também será a segunda oportunidade para quem perdeu a sessão de autógrafos de "Dark City". Agora, no entanto, somente com o organizador.

Márcio é porto-alegrense radicado em Pelotas há 3 anos. Ao preparar "Dark City", convidou outras figuras e figuraças para assinar o livro e passou a ser com isso mais um dos personagens históricos de Pelotas.
Foto: F. A. Vidal

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

41ª Feira do Livro começou rompendo esquemas


Começou ontem (31-10) a 41ª Feira do Livro de Pelotas, montada, por primeira vez em sua história, no recinto do Mercado Central, restaurado nos últimos cinco anos e ainda não ocupado por comerciantes. Rompendo também com uma tradição, os organizadores escolheram a jovem poetisa Angélica Freitas como patrona, e o artista gráfico Odyr Bernardi como orador.

O discurso de Bernardi foi uma animação gráfica sem palavras, ato também inédito em qualquer cerimônia pública. A inauguração foi realizada na Tenda Cultural João Simões Lopes Neto, montada no Largo Edmar Fetter. No post Vestido de gala para Feira do Livro, Manoel Magalhães destacou a beleza do prédio centenário, ornado com iluminação colorida.

Em Pelotas a criação artística tende a predominar sobre os sucessos financeiros, pelo menos desde a decadência das charqueadas no início do Século XX. A cidade tem boa quantidade de escolas, museus, galerias e salas de espetáculos, mas não se destaca na indústria ou no comércio. O centro comercial Zona Norte é diariamente ocupado por ateliês e exposições, e agora o Mercado, que ameaçava fracassar em sua vocação, se enche de livros e intelectuais. Veja aqui a programação de oficinas, debates e espetáculos (no final as sessões de autógrafos, que serão às 18h de cada dia até 17 de novembro).

A grande pergunta desta edição da Feira é se o público aceitará bem a mudança de lugar – do redondo da praça para as proximidades das peixarias. Veja o comentário de Manoel no blogue Cultive Ler:
Ao ser anunciada a retirada da Feira do entorno da Fonte das Nereidas, causou o maior rebuliço no meio livreiro. A Câmara Pelotense do Livro imediatamente protestou, considerando a mudança nada auspiciosa.

Muita discussão seguiu-se, inclusive com a ameaça dos livreiros de não participarem do evento este ano. Após discussões acaloradas, decidiu-se pela montagem da estrutura da feira no Mercado Central, numa saída estratégica, para tentar agradar gregos e troianos.

Tentar, apenas, já que sabemos tratar-se de missão impossível.


POST DATA
2-11-13
Diário Popular diz hoje: Mudança para Mercado agrada visitantes da 41ª Feira do Livro.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

No tempo dos chafarizes


"Pelotas no Tempo dos Chafarizes", lançado em sessão de autógrafos este sábado (17), na Feira do Livro, é o mais recente livro de pesquisas históricas de Adão Fernando Monquelat, desta vez em coautoria com Guilherme Pinto de Almeida.

A obra recolhe textos e imagens de jornais pelotenses do século XIX, desde 1871, ano em que a distribuição de água foi assumida pela Companhia Hidráulica Pelotense, pelo uso de 4 principais chafarizes instalados no centro da cidade, mais conhecidos na época pela expressão original francesa "fontes d'água". Depois que a água passou a ser fornecida diretamente nas casas, as mesmas fontes passaram a ter função decorativa.

Hoje conhecemos 3 daqueles chafarizes, situados em pontos de maior concentração urbana e de maior antiguidade: o da Praça Coronel Pedro Osório (1873), o do calçadão da Andrade Neves (1874), originalmente na praça do Porto e desde 1981 no centro da cidade, e o da Praça Cipriano Barcellos (1876), originalmente na Quinze de Novembro com Gomes Carneiro.

O quarto, que cronologicamente é o segundo, foi instalado em 1873 e se encontrava até 1916 defronte à Catedral, mas não se sabe seu destino, e neste livro os autores ajudam a desvendar o mistério.

Não se pode dizer que eles hajam descoberto a existência do chafariz, pois já havia um registro municipal e imagens, mas sim que obtiveram detalhes e confirmações adicionais e verificaram o ponto onde se achava originalmente.

Veja um histórico dos chafarizes no sítio do Museu do Saneamento e uma descrição formal de cada um no Dicionário de História de Pelotas (UFPel, 2010, páginas 56-58), segundo pesquisa de Janaína Silva Xavier realizada em 2006.

Monquelat é livreiro, pesquisador e escritor. Seu nome está citado no verbete A Divina Pastora, na Wikipédia. Também em 2012, publicou Desfazendo Mitos (Mundial, 194 páginas, R$ 30), terceiro livro da parceria com Valdinei Marcolla (Monquelat tem mais uma dezena de obras).

Pinto de Almeida é estudante de Arquitetura e Urbanismo na UFPel. Em 2012 reeditou em formato digital a Revista do 1º Centenário de Pelotas, editada por João Simões Lopes Neto em 1912. Na foto de Roberto Dias para o Diário Popular, os autores se encontram no lugar em que o antigo chafariz se situava há cem anos.

Obra editada pela Livraria Mundial, "Pelotas no Tempo dos Chafarizes" tem 199 páginas e o custo inicial de R$ 35. Veja dois comentários de Manoel Soares Magalhães no blogue Cultive Ler.

Imagens do 4º chafariz: capa e contracapa do livro (1-2), e SANEP (4)
Foto dos autores: R. Dias, no Facebook (4)

domingo, 11 de novembro de 2012

Um "Silêncio" na Feira

Já está à venda na Livraria da UFPel e na Vanguarda o livro “Silêncio”, primeira obra literária do médico Afrânio Krüger, que será lançada e autografada amanhã segunda (12-11-12), na 40ª Feira do Livro de Pelotas.

Ao longo do livro, o autor fala de vivências humanas que podem ser de difícil aceitação e entendimento, como a chegada da morte, o amor e a separação, como ocorrem os sentimentos dentro de nós, como certas pessoas nos afetam.

Para enfrentar estas realidades de modo positivo, conservando e melhorando a vida, a apresentação dos temas é feita desde o ponto de vista do silêncio que se encontra dentro dessas situações, uma forma diferente e sensível de abordar a existência.

O título faz pensar que a vida seja um período ruidoso que é seguido pelo silêncio. A capa do livro (clique para ampliar) sugere que a vida é um caminho sem fim, que se caminha sozinho, sem que se vejam ajudas nem perigos.

A verdade é que a vida material e social contém muito ruído, muitas vinculações e muitos transtornos, enquanto a nossa capacidade espiritual nos permite ouvir os silêncios (pausas, perdas, omissões, carências, falhas), que são as frestas pelas quais o espírito se comunica e segue caminhando.

Afrânio Alberto Tavares Krüger é gaúcho de Pedro Osório, mora e trabalha em Pelotas e tem hoje 55 anos. É ginecologista formado pela Faculdade de Medicina da UFPel e mestre em Saúde Pública Baseada em Evidências pelo Centro de Epidemiologia da UFPel.
Imagens: Facebook

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Nauro escreve um livro de palavras

Nauro Júnior, segundo Paulo Rossi
Nauro Machado Júnior lança hoje (8) seu segundo livro, "Náufrago de um mar doce", uma novela breve de aventura, baseada em fatos ocorridos com pessoas de Pelotas.

A obra está disponível na Livraria Vanguarda (R$ 30), e terá sessão de autógrafos na Feira do Livro de Pelotas e, ainda este mês, em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro (leia notícia sobre este lançamento). Também haverá lançamento no Cassino (veja entrevista com a RBS Rio Grande).

O primeiro livro de Nauro, "A noite que não acabou", foi uma grande reportagem com palavras e fotos, escrita em parceria com Eduardo Cecconi. O "Náufrago...", ainda que pareça estranho dizê-lo, é um livro de palavras, escritas por um observador da vida e do universo, que até agora se valia principalmente das imagens fotográficas para transmitir suas mensagens.

Hoje o fotógrafo se sagra escritor ou, em outras palavras, tradutor das imagens visualizadas no pensamento. Já não se apoia num parceiro jornalista nem sequer na sua grande habilidade como fotógrafo; agora ele exerce a literatura como tal, ou seja, relata fatos (reais e imaginados) com apoio em recursos de ficção, dá aparência de verdade a detalhes inverossímeis e preenche com lembranças pessoais o que a realidade não lhe pôde informar.

Outra característica literária do escritor iniciante é que sua narrativa se inspira em obras específicas de autores consagrados: "Relato de um náufrago", de Gabriel García Márquez, "O velho e o mar", de Ernest Hemingway, "Riacho doce", de José Lins do Rego, entre outros.

Leia abaixo um dos trechos mais dramáticos e decisivos do texto, em que o personagem inicia um seminaufrágio, sem afundar seu barco nem seu próprio corpo, vivendo uma angustiante paralisia existencial. Nesta quase-tragédia, o homem perde a capacidade de navegar e tenta a proeza de sobreviver.


Quando Nico cruzava sobre as redes tropeçou no cachorro que tentava entender o que estava acontecendo. Desequilibrado, agarrou-se com a mão esquerda na cadeira giratória, de onde timoneava o Tatuapú, e tentou espichar a mão direita para segurar a cana de leme completamente torcida para fora do barco, a bombordo. Na tensão de se manter dentro do barco, Nico pegou o leme para colocá-lo no rumo.
Neste instante o barco não navegava mais no rumo leste/oeste, tinha trocado para sul/norte e por isto as ondas entravam de través, fazendo o Tatuapú balouçar. A cada solavanco, Nico pedia a Deus para não se render à fúria do mar. Seria morte certa, desabar naquela água gelada de outono. Pensou em voltar e desligar o motor, porém mais da metade de seu corpo estava inclinado para fora do barco. Precisava agarrar aquela cana de leme e trazer Tatuapú ao rumo. Precisava voltar a ter paz.
O barco subiu novamente de lado em uma onda e quando estava no alto ele enxergou toda a Lagoa. Foi neste ínfimo instante que ouviu o desvario de Tchuco latindo, e o barco descendo novamente. Nesta hora a cana de leme voltou com a força de uma flecha em direção a suas mãos. Nico esperou aquela madeira que ele mesmo falquejou com a palma da mão direita aberta. A esquerda ainda se sustentava na cadeira giratória e instável que insistia em lhe jogar para a água. Quando a ponta da cana de leme chegou a suas mãos, deu um estalo e Nico empurrou a força de seu corpo para se afirmar. Calculou mal seu vigor, e seus olhos viram a cadeira giratória dando voltas, com o corpo voando pela borda em direção à água. Conseguiu agarrar a ponta da cana de leme com as duas mãos e começou a ser arrastado pelo velho Tatuapú. Com o leme todo torcido para a esquerda, o barco começou a navegar em círculos para a direita. Tchuco latia desvairado com as patas na borda do barco, como se quisesse trazer Nico de volta.
The Beach at Dusk, Mitchell Jamieson, aquarela e lápis, 1945
Dependurado do lado de fora, tentava caminhar com as mãos pela cana de leme para se aproximar da beirada do casco e assim voltar a bordo. Com o peso das botas cheias d’água não conseguia. Resgatou toda a força da juventude e espichou uma das mãos em direção ao casco, mas estava a mais de dois metros.
— Por que eu navego só com este cachorro desgraçado que não pode fazer nada por mim? Se ele desligasse o motor, salvaria a minha vida — pensou.
Pisou com a ponta de uma das botas no tornozelo da outra e se viu livre de uma tonelada que lhe puxava para baixo. Tentou tirar a outra, mas não conseguia. Sua cabeça dava voltas e o barulho da água, misturado ao som do motor mais os latidos de Tchuco enlouqueciam-no.
 Cala a boca, cachorro desgraçado, e faz alguma coisa! Se eu tivesse um proeiro como todos os pescadores, me soltava na água e esperava ele voltar e me buscar.
Quando o barco subia na onda conseguia ver a Lagoa, mas quando descia, entrava de lado e Nico mergulhava completamente n’água, mantendo apenas as duas mãos agarradas à cana de leme.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Histórias do "theatro" que cresceu com o imperador


“Sete de Abril: o teatro do imperador” é o livro do jornalista Klécio Santos que será lançado hoje (6) na sede do Instituto João Simões Lopes Neto. Quando um jornalista escreve livros, geralmente segue o caminho do realismo ou do documento. Neste caso, além do conteúdo jornalístico, se trata de uma bela homenagem a um dos maiores ícones culturais de Pelotas, a cidade onde Klécio seguiu seu curso superior.

O sete de abril

A obra conta detalhes e curiosidades do nosso Teatro Sete de Abril, em relação com o imperador brasileiro Dom Pedro II (1825-1899). Este paralelo não deixa de ser original e de agradável leitura, mantendo sempre o sentido da verdade histórica.

O nome do Teatro foi, com certeza, tomado do dia da abdicação, em 1831, do imperador Dom Pedro I em favor do seu filho homem nascido no Brasil, Pedro, então com somente 5 anos de idade. Com a despedida do governante português pouco querido pelo povo, a data marcou o início de um novo período político e passou a ser feriado nacional. Mas em Pelotas ganhou uma segunda conotação.

Um ano depois da abdicação, em 7 de abril de 1832, a Freguesia de São Francisco de Paula, criada vinte anos antes, assumiu a condição de Vila. O decreto era de 1830 mas a elevação vinha sendo adiada por meses e meses, e o dia escolhido foi o deste feriado, talvez por conveniência prática. Por isso a data tem um significado nacional e um local, mas tudo indica que o nome do Teatro tem a força do significado nacional. Os relatos são feitos pelo historiador Mario Osorio Magalhães (veja histórico da Câmara e um histórico do Teatro).

O dois de dezembro

O aniversário natalício de Dom Pedro II também faz parte da história do Teatro. A construção foi terminada em 1834, mas a sala já funcionava antes disso e a inauguração foi feita em 2 de dezembro de 1833, dia em que o futuro imperador completava oito anos.

Com reformas em 1870, em 1916 e em 1927, o prédio ficou fechado uns anos, após ser tombado e municipalizado, na década de 1970. A reabertura ocorreu exatamente 150 anos depois da inauguração, também em 2 de dezembro (dir.). Desde 2010, o Teatro se encontra interditado, à espera das verbas para uma restauração.

A reforma ortográfica de 1943 aboliu no Brasil o uso do dígrafo "th", mas os pelotenses seguem usando até hoje, contra as regras nacionais, a grafia antiga Theatro Sete de Abril. O motivo aduzido é que um nome próprio não poderia ser alterado, mas o mesmo não ocorre com entidades como o Clube Comercial, que deveria então ser grafado Club Commercial. Sobre esta questão, veja as notas Conservadorismo ortográfico e Atualização ainda que tardia.

O autor do livro

Atualmente editor-chefe do Grupo RBS em Brasília, Klécio Santos começou sua carreira de jornalista em Pelotas. Em 2010 recebeu o prêmio Trezentas Onças, em reconhecimento aos que se destacam pela preservação da memória e pela divulgação da obra de João Simões Lopes Neto. Foi ele quem publicou a descoberta da casa que pertenceu ao Capitão, onde atualmente é a sede do Instituto.

O livro, que traz textos inéditos dos pelotenses Simões Lopes Neto e Francisco Lobo da Costa, sai pela editora Liberatos e terá distribuição em Porto Alegre e Brasília. Veja no sítio de Zero Hora uma foto dupla (arraste o slider) que mostra o teatro hoje e em 1916.

Além da cerimônia de lançamento de hoje (6), o autor autografa na Feira do Livro de Pelotas (7-11) e na Porto Alegre (10-11). Fotografias de Nauro Júnior. À venda na Livraria Vanguarda (R$ 50).
Imagens: F. A. Vidal (1, 3), RBS (4)

sábado, 29 de outubro de 2011

Momento de trevas e solidão

Esta tarde de sábado, a melancolia se apossou da praça Coronel Pedro Osório. O céu nublado não queria fazer chuva nem iluminar nada. Os bancos estavam vazios, mais pela umidade do que pelo ameno ar de primavera; na verdade, nem uma brisa soprava. Zumbis cadavéricos se dirigiam a alguma festa de Halloween, ou talvez andassem realmente perdidos entre a vida e a morte.
Justo na hora dos autógrafos na 39ª Feira do Livro, um corte de eletricidade deixou o centro da cidade à mercê do lusco-fusco e devolveu os escritores ao passado remoto, quando se redigia à luz de velas. O clima romântico ficou por conta da semipenumbra do café, cortada somente por fluorescentes.
Defronte ao Casarão nº 2, um casal de meia idade (acima) caminhava, a passo lento, em direção às bancas. Mas não parou para comprar pipocas (abaixo). A eletricidade chegou quando os autógrafos já haviam terminado.
Fotos: F. A. Vidal

A invasão das letras

Uma semana antes da inauguração da Feira do Livro, a vida habitual da praça é invadida, primeiro, pela organização dos stands. Durante o ano, o clima de relaxamento é respeitado pelos passantes, que ignoram crianças, estudantes, aposentados, moradores de rua, pedintes, desocupados, prostitutas, pombos, peixes, tartarugas e outras espécies deste habitat.

Por 20 dias, porém, as letras (entenda-se: os comerciantes, os intelectuais e o público leitor) ocupam pela força o espaço dessa fauna, aparentemente inofensiva por seu analfabetismo e sua naturalidade. O escritor Manoel Magalhães registrou em fotos essa incomodidade (veja a postagem).

Como essa perturbação da vida paradisíaca é passageira, não se poderia considerar propriamente uma confrontação entre o natural e o civilizado, mas somente um acidente de percurso, uma crise estacional.

O maravilhoso seria que esses dois mundos, em vez de invadir-se como bárbaros, pudessem conviver durante o ano todo de diversas formas positivas, sem ignorar-se, mas aproximando seus saberes: o da razão idealista e o da vida como ela é. Algum dia, os pombos aprenderiam a ler, e os humanos poderiam voar.
Foto: M. Magalhães (Cultiveler.com)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Uma orquestra ao ar livre, acalanto que desperta

No dia de fechamento da Feira do Livro, segunda-feira (15), a Banda Musical do Gonzaga deu os acordes de despedida ante os curiosos e românticos que não são afastados pela persistente chuva, pois gostam da liberdade que se sente na Praça Osório e do encontro social que ocorre em torno aos livros. Adultos e crianças, ricos e pobres, saudosistas e futuristas, todas as tribos e todas as artes são representadas neste espaço.
A imagem mostra como duas crianças vivem seu profundo interesse pela música: o mais velho se debruça sobre o cenário e a menorzinha detém suas agitadas brincadeiras, ambos de olhos, ouvidos e pele sensíveis às vibrações de todas as cores imagináveis. Com este acalanto que mantém o espírito desperto e a alma acariciada, eles recordarão esses sons, quando no futuro alguém lhes vier dizer que venham ver a banda passar.
Foto de F. A. Vidal

domingo, 31 de outubro de 2010

Livro sobre arte portuguesa em Pelotas

A artista pelotense Rejane Botelho idealizou um livro que registra parte do legado português em Pelotas, mediante uma centena de fotografias (todas em cores) de azulejos, esculturas e detalhes arquitetônicos encontrados em nossa cidade. Os objetos são ilustrativos da arte lusitana dos séculos XIX e XX, e representam a influência cultural portuguesa não política, posterior à independência brasileira.

O texto é de autoria da pesquisadora portuguesa Ana Margarida Portela Domingues, com apoio de José Francisco Queiroz, especialista em arquitetura portuguesa do século XIX (veja seu currículo). Os estudiosos foram contatados por Rejane através da internet e a comunicação deu como resultado este pequeno tratado internacional de história da arte.

A imagem de capa do livro (abaixo) é descrita como um painel de azulejos de alegoria à amizade luso-brasileira; encontra-se na fachada de uma casa em Pelotas. Na Rua Barão de Santa Tecla, proximidades da Avenida Bento Gonçalves, algumas residências apresentam adornos especiais nas fachadas (veja nota).

Duas meninas em fraterno abraço envolvem-se nas bandeiras de cada país. Atrás da portuguesa, vê-se a Torre de Belém, situada em Lisboa, e do outro lado aparece o Pão de Açúcar, símbolo brasileiro. Segundo a pesquisadora portuguesa, o painel foi fabricado em Aveiro ao redor de 1950, mas não lhe parece claro o motivo de que as meninas apareçam identificadas como enfermeiras. O título do livro é "Fotos contam uma história de Portugal em Pelotas" (Botelho e Portela, 2010). A ficha catalográfica contém dois pequenos erros: o ano de nascimento da primeira autora (que é 1961) e o número de páginas (178).

A obra foi lançada em abril deste ano, ante a comunidade portuguesa em Pelotas. Em julho seguinte, na semana de aniversário da cidade, apresentou-se uma exposição de fotos pertencentes ao livro.

No primeiro dia de autógrafos da Feira do Livro 2010, sábado (30), Rejane (esq.) deu nova divulgação a este material, editado pela UFPel (R$ 30).

Rejane Botelho Portela é pelotense, formada como técnico contábil e artista autodidata. Trabalha como fotógrafa publicitária (veja galeria no Flickr) e dirige o ateliê Agência da Arte. Como pesquisadora, já publicou - além da obra aqui comentada - postais fotográficos de Pelotas (2008), o livro “Detalhes de uma Princesa” (2009) e um Catálogo Fotográfico da cidade de Rio Grande (2010). Imagens: A. Portela, R. Botelho e F. A. Vidal

domingo, 22 de novembro de 2009

Bate-papo com Hilda Simões Lopes... deu certo

No folheto de programação da 37ª Feira do Livro constavam 15 bate-papos entre escritores e o público.

A atividade, inovação deste ano, estava pensada para valorizar o lado mais vivo da literatura, quando o leitor se vê ante o ser humano que escreveu as palavras impressas no livro e o escritor se enfrenta a quem o leu ou deseja ler. Tudo seria feito pela emoção e pelo prazer de conversar e descobrir coisas novas no diálogo, sem custos de nenhum lado, nem por passagens nem por cachê.

Mostrando quão imatura se encontra esta ideia - no público, nos organizadores e até mesmo nos escritores - somente um desses 15 encontros se realizou, no domingo 8 de novembro. O público não conhecia muito os escritores, a produção não fez boa divulgação e inclusive alguns autores não chegaram aos bate-papos. Ainda por cima, São Pedro mandou chuva, como assumindo a culpa de que os encontros não se realizassem (uma ajudinha de cima para tapar erros humanos).

Na quarta 11, assumido o fracasso da atividade como um todo, programaram-se mais duas conversas com o público. E destas somente a segunda se realizou:

  • no sábado 14, estavam o escritor e o público, mas a própria produção da Feira redistribuiu o uso dos dois lugares disponíveis, usando-os para várias atividades simultaneamente às 18h: uma homenagem ao fundador Gilberto Duarte, duas sessões de autógrafos e o bate-papo (que levou a pior);
  • no domingo 15, com a patrona Hilda Simões Lopes. O público e a escritora chegaram na hora, a coordenadora de autógrafos fez uma breve apresentação e logo a experiente professora conduziu ela mesma a conversa, durante uma hora (veja a nota no Diário Popular).
Na primeira meia hora, Hilda falou especialmente de como ocorreu a criação de seu último livro, "A Anatomia de Amanda", escrito para aproximar o público leitor à obra de Clarice Lispector.

Após, levantou-se e convidou a quem quisesse participar, usando o microfone, e a segunda parte também passou depressa; dos trinta presentes, cerca de um terço perguntou ou comentou algo. Minha pergunta foi sobre a convergência entre ela e Benedetti, e a resposta apontou a que ambos buscam fazer literatura engajada (mesmo que definindo "compromisso" de formas diferentes).

A situação foi incomum, pois normalmente os escritores requerem uma mediação, até porque as mesas de bate-papo (pelo menos como a produção planejou nesta Feira) se constituem com dois ou mais autores, e nem sempre o público sabe o que dizer de obras que ainda não leu ou de autores que recém estão publicando uma primeira obra.

Apesar dos fatores contrários - como a pouca publicidade e a improvisação - restam a experiência positiva, a honra de ter conversado com a patrona da Feira, e o modelo de como se faz uma boa conversa sobre literatura.
Foto de F. A. Vidal

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Banda homenageia Pelotas

A Banda Musical do Colégio Gonzaga fez uma bela apresentação no entardecer do último sábado da Feira do Livro.

O Maestro Getúlio Soares Vargas regeu o conjunto em posição fixa, colocando os instrumentos de sopro no nível da rua e os de percussão e de cordas no palco (dir.).

A formação inclui desde pré-adolescentes até músicos com vasta experiência, inclusive na mesma banda, que começou sendo "marcial" em 1958 e ficou famosa nos anos 70.

O público presente na praça de alimentação escutou admirado e aplaudiu com entusiasmo o desempenho desta banda que orgulha Pelotas. Os músicos mostram excelente disciplina e sincronização, sempre concentrados na partitura ou no instrumento.

Como sempre há exceções, um grupo juvenil em primeira fila esteve concentrado no jogo, alheio ao "fundo musical" (esq.).

Paradoxalmente, os que estavam atentos não sabiam estar também alheios ao que ocorria a poucos metros dali.

De pé, o Mor Nedi Fernandes da Rosa observava satisfeito esta união de talentos (dir.). A certa altura, um dos jovens integrantes deixou o clarinete e subiu ao palco para interpretar canções dos Beatles, com a orquestra de apoio e acompanhando-se no violão ele mesmo.

Simultaneamente a este espetáculo e aos que se seguiram nessa noite no palco da Feira, ocorria a 5ª Mostra Brasil-Uruguai, na Biblioteca Pública.

Por um desentendimento entre os organizadores, Daniel Viglietti e outros músicos apresentaram no Salão Nobre a homenagem que a Feira prestava ao escritor uruguaio Mario Benedetti.

Não houve interferências sonoras entre estes dois shows da melhor qualidade, mas com a música lá fora a homenagem de dentro ficou reduzida a um evento paralelo (leia a nota). Com tudo isso, nenhum desses espetáculos foi mencionado no folheto oficial da Feira.

A gritante divergência humana e a inexplicável omissão ficam na história como um modelo de erro a não ser reproduzido pelas futuras produções da Feira.
Fotos de F. A. Vidal