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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Chover no molhado, chover no inundado

Fernando Osório e Guilherme Wetzel formam um amplo espaço, que raramente inunda.
Hoje a esquina do shopping Zona Norte ficou intransitável por um par de horas (fotos de S. Machado).
Como acontece com frequência na região de Pelotas, baixa e úmida, uma forte chuva de poucos minutos alagou ruas e calçadas. A expressão "chover no molhado" é verificada com frequência, inverno e verão. O diferente foi que, desta vez, mais casas se viram afetadas e os carros estacionados ficaram tapados até acima das rodas em áreas que raramente inundam. Não houve feridos nem desabrigados.

O Facebook foi fonte de muitas imagens e algumas gozações com o governo municipal (v. Diário Popular). Cidadãos de caiaque faziam um protesto mudo e risível (jornal registrou um deles); veja foto de um navegante não virtual no MetSul. No meio da tarde, num sobrado da Voluntários, foi o andar de cima que inundou primeiro, com a água vazando para o térreo (vídeo aqui).

Canalete da Argolo foi inundado pela rua (fotos F.Añaña).
As primeiras gotas caíram às 14h30 e o toró somente aliviou às 17h, com reinício após as 19h. A imensa nuvem negra que chegava pelo sul indicava que a quantidade de "recurso hídrico" seria abundante.

Um ponto que é raro ver-se inundado é o da chamada "curva da morte", ante o centro comercial Zona Norte (foto acima). Ali, o estacionamento da Guilherme Wetzel ficou um lago, evitado por carros e ônibus.

A ampla área da Marcílio Dias com Sete de Setembro era outro lago; mas o estacionamento nessa esquina era elevado e não molhou o interior dos carros (vídeo de Thiciane Gomes). Cenas semelhantes foram vistas em vários pontos, com pessoas ilhadas, precisando de barcos.

Pelo canalete da Argolo, a vizinha tentava atravessar a rua sem ver o chão (foto à direita), e quase sem ver o canalete, que, desta vez, estava sendo tragado pela rua, o canal maior. Leitores do jornal Tradição enviaram fotos dessa área, que inunda com qualquer chuva. Na Anchieta com Major Cícero, onde jamais alaga, a água começou a entrar na loja da esquina (ver mais).

Na esquina dos generais (Osório com Argolo), onde não há o canalete aberto, a água entrava pelas casas. Numa delas, com vedação da porta transparente, podia-se ver, desde dentro, que a altura do pequeno mar ia acima dos joelhos. Confira abaixo a impressionante e inédita imagem. Como desgraça pouca é bobagem, aqui não se chove mais no molhado, somente no inundado.

A porta transparente vedada permitia ver o nível das águas lá fora (foto J. Machado).
Fotos: Facebook

POST DATA
20-02-15
Veja mais 19 fotos do aguaceiro de ontem nas ruas do Rincão das Pelotas.
21-02-15
A informação (v. notícia) é que caíram 156 mm em sete horas da quinta-feira, mais que o normal para fevereiro (147mm). O momento mais forte da chuva teve 86mm em 45 minutos.
22-02-15
Vídeo de Débora Ramos no Facebook.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A solidão: dois olhares

Solidão.

O vazio existencial aprisionando-nos.

Podemos senti-la quando estamos a sós ou acompanhados.

O vácuo, porém, agiganta-se quando estamos realmente sozinhos, certos de que cair no abismo é inevitável.

Há quem diga que a solidão prefere olhar para dentro, distraindo-se com os escombros internos.

E o que deixa o solitário ainda mais triste é a certeza de que se perdeu no caminho, seja ele qual for, e que mergulhará definitivamente no buraco frio que abriu ao longo da existência.

Solidão.
Manoel S. Magalhães
Cultive Ler, 19-11-14


O artista plástico tem o poder mágico da imagem. Sem palavras, desperta emoções.

O escritor tem o poder mágico da palavra. Interrompe uma tragédia inevitável e a elabora.

Fotos: M. Soares

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Satolep, noite

Marcelo Soares registrou um momento mágico do anoitecer de hoje, prévio à passagem de um pequeno dilúvio que durou uns minutos e serviu para baixar a temperatura de verão (34 graus à tarde).


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Água, raios e trovões abrindo o verão


Na legenda da foto de Nauro Júnior, tomada dentro do Mercado Central em plena tormenta, o sítio de um jornal porto-alegrense informou o seguinte, às 22:10 de ontem (9-12):
No sul do RS, choveu quase 30 milímetros em apenas uma hora na noite desta terça-feira.
A nota informava sobre a previsão meteorológica para todo o Rio Grande do Sul, e a imagem pretendia mostrar o estado do tempo na Metade Sul, mas o leitor ficou desinformado sobre o lugar preciso da fotografia. O sul do Estado é bastante extenso. Quem conhece a região sabe que se trata da torre do Mercado de Pelotas, trazida da Alemanha há cem anos, mas nem todos os internautas têm obrigação de saber. Assim como é justo identificar o autor, a notícia não fica satisfatória com a omissão de um detalhe como o lugar do fato, erro de principiante.

Com a beleza da paisagem urbana noturna, o fotógrafo registrou uma cena que não é raro presenciar em Pelotas: o céu sendo cortado pelos raios, enquanto pequenas cascatas jorram pelos lados. No entanto, poucos fotografam a nossa onipresente umidade. Deve-se reconhecer que não é fácil registrar a fugacidade da água da chuva, mas ali estão as gotas caindo, diante dos coriscos.

O próprio Nauro obteve, há 17 anos, uma foto tão ou mais emblemática que esta do Mercado (v. a postagem Luzes de Deus) e em 2009 escreveu uma reflexão sobre suas fotos de raios (v. blogue Retratos da Vida). Sobre a imagem atual, publicada pela RBS primeiro e depois por Nauro, este disse que foi obra do acaso, pois ia fotografar as luzes de Natal na praça, quando a chuva o fez refugiar-se no Mercado (veja seu comentário no Facebook).

Como também é acostumado por aqui, a chuvarada durou somente uma hora, refrescou o abafamento que havia e desapareceu aos poucos, deixando um rasto de ruas alagadas, semáforos apagados, pontos de táxi vazios e a praça central sem os visitantes de dezembro. 
Fonte: ZH

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Cadeiras aquarianas

A crônica "O silêncio das cadeiras" faz parte do livro "Rastros num Caminho: jogos de ficção e realidade", de José Luís Marasco Cavalheiro Leite, publicado em Pelotas pela Satolep Press (2013), com ilustrações de Pedro Luís Marasco da Cunha.

A assembleia de ouvintes desaparece sob o ruído das tertúlias.
Ali estão elas em repouso.

Cumpriram, mais um dia, o papel que lhes incumbia (a causa final de suas existências): sustentar corpos, que sustentam cabeças, que sustentam ideias.

Ficam, de regra, reunidas em torno de mesas, onde se formam grupos de pessoas que falam dos mais variados assuntos.

Suportam pesados corpos que, às vezes, carregam pesadas consciências. Ouvem tudo o que ali se diz; sabem de paixões, de traições, de amores espúrios, são testemunhas de mirabolantes teses científicas, também das mais chulas impressões (geralmente pronunciadas acerca de mulheres que desfilam nas calçadas, vistas através das amplas vitrines que circundam o espaço onde se espraiam).

Veem, com frequência, manifestarem-se infidelidades a acertos políticos trabalhosamente costurados. Conhecem inúmeras declarações de compromisso que, no dia seguinte, já estarão esquecidas. Flagram insinuações de interesse amoroso, de onde jamais se poderia esperar que brotassem. Já viram inusitadas aproximações e mais de um comprometedor roçar de pernas.

Ante a infinita paciência das cadeiras,
todas as opiniões são relativas.
Praticamente, sabem de tudo o que se passa na cidade e mesmo no mundo. Afinal, ali, onde elas habitam, se faz, diariamente, em um grupo ou outro, o resumo dos acontecimentos locais, nacionais e internacionais.

Já conheceram planos de paz para o Oriente Médio. Ouviram veementes acusações às interferências americanas no Afeganistão. Houve quem infundisse nelas sentimentos de ódio a ditadores árabes, e, já, em outro momento, assumiram um ânimo de revolta, em face de exortações veementes, contra as sempre tendenciosas resoluções das Nações Unidas.

Perceberam também a relativização de julgamentos sobre fatos. No geral – sabem elas bem –, o aficionado por um time ou por uma grei partidária sempre desculpa nos seus o que não perdoa nos outros.

São, seguidamente, arrastadas de uma mesa a outra, o que lhes rouba, em tais ocasiões, a possibilidade de formar um juízo melhor sobre o assunto que, antes, estavam apreciando. Pior, em alguns casos, no novo grupo formado, ocorre de virem a tomar conhecimento de argumentos inteiramente dissonantes aos que, no anterior, ouviam.

Refletem sobre a relatividade de tudo e chegam a admitir que, afinal, ninguém tenha razão sobre nada.

Confundem-se. Têm sobradas razões para pensar que as teses que ouvem, notadamente quando se prendem a questões locais, estão profundamente vinculadas a interesses que, vez e outra, acabam sendo mencionados às claras.

Sem cadeiras que suportem debatedores,
não há contraditório nem especulações.
Algumas, menos contidas, imaginam quão interessante seria interferir nos assuntos que ouvem. Criariam – parece-lhes certo – a maior confusão: desmentiriam fatos, provocariam desacertos e inimizades, revelariam segredos, anunciariam paixões insuspeitadas...

Talvez, porém, se assim fizessem, desmanchariam a atração que aquele lugar exerce sobre tantos: um centro de prosa descomprometida, um parlatório democrático, uma tribuna aberta à palavra de qualquer pessoa, um lugar do contraditório, da discussão, um espaço tanto para a divergência como para a convergência, um recanto próprio para expressar paixões.

Para tantos, também, um refúgio em face da dureza da vida doméstica, com suas desavenças, desencontros e malquerenças. Para outros, bem ao contrário, o preenchimento do amargor da falta de  uma vida doméstica. Um lugar para deixar o tempo passar...

Ao fim do expediente, já noite alta, aguardam, em providencial e indispensável silêncio, a limpeza do lugar para a rotina de outro dia, no qual tudo se repetirá, como ocorre há décadas naquele tão essencial recanto pelotense, o institucional Café Aquário.
José Luís Marasco Cavalheiro Leite

Dentro, a instituição. Fora, a curiosidade.
Imagens: M. Soares (Facebook) e reprodução da obra citada

domingo, 21 de setembro de 2014

Foto do Zepelim foi montada em 1957

Capa do Diário Popular, 20-21 setembro 2014
Luís Alberto Elste revela a verdade sobre a foto de 1957.
Em plena ascensão do nazismo, o dirigível alemão Graf Zeppelin realizava viagens da Europa à América, e na tarde do dia 29 de junho de 1934 sobrevoou Pelotas, rumo a Buenos Aires, onde chegou pela manhã do dia seguinte (v. relatos em espanhol). 

Nosso cronista Rubens Amador, menino na época, presenciou o fato e veio relatá-lo na década de 1970. Ele lembra que o aparelho surgiu do nordeste, passou por sobre a praça, fez um longo círculo ou curva e seguiu em direção oeste (v. artigo neste blogue O dia em que o Zepelim sobrevoou Pelotas)

Naquele tempo havia fotógrafos em terra mas não conseguiram uma boa foto, e a notícia foi divulgada, na imprensa escrita, sem uma boa imagem como aquela que se fez famosa 23 anos depois do fato (abaixo). 

Em 1957, a nova foto surgiu do nada, sem maiores explicações, e ganhou enorme aceitação. Inclusive até hoje era tida como um registro histórico, mesmo com aparente distorção de luminosidade, distâncias e dimensões, e com aquela dúvida que ninguém considerou (pois o Zepelim realmente tinha passado perto do Clube Caixeiral e a foto até mostra um ajuntamento de pessoas no meio da praça): 
Se a viagem era do norte ao sul, por que o dirigível parece vir desde Buenos Aires? O dirigível alemão teria feito um rodopio sobre a praça de uma cidade do interior brasileiro?
Pois o Diário Popular acaba de revelar o que o fotógrafo Luís Alberto Elste fez com as imagens que tinha em mãos na época, e por que guardou silêncio desde 1957, há portanto 57 anos. Na reportagem de Diego Queijo, Elste foi fotografado por Paulo Rossi, que também escreveu uma opinião, como especialista em fotojornalismo, sobre a questão das montagens ("Photoshop não é vilão"). Todo o seguinte texto escrito e o vídeo foram tomados do Diário Popular de ontem (20-09), segundo a matéria A farsa que entrou na história.

Na imagem divulgada em 1957, o dirigível aparece rumando para o leste.
O dia 29 de junho de 1934 começou com alvoroço. O telefone do jornal tocava incessantemente. A população queria saber o horário exato da chegada da grande aeronave. Ao longo da tarde, a redação ia recebendo boletins da Companhia Telefônica Rio Grandense e repassando as informações aos leitores. O zepelim LZ 127 esteve em Tapes às 14h50min, no Passo da Pacheca, em Camaquã, às 15h35min e em São Lourenço às 15h52min.

"E num frenesi crescendo de entusiasmo e viva expectativa, os minutos foram correndo até que, precisamente, às 16 horas e 40 minutos, surge majestoso o 'Graf Zeppelin' do lado nordeste", descreveu o DP na edição do dia 30. O dirigível de 236 metros de comprimento "deslizou sobre a cidade" a cerca de 600 metros de altura. Trazia na cauda duas cruzes suásticas, então símbolos da Alemanha comandada por Adolf Hitler.

Fotos não manipuladas do Zepelim
sobre o centro de Pelotas (1934),
cedidas pelo pesquisador Guilherme de Almeida
A história da visita foi ouvida diversas vezes pelo pelotense Luis Alberto Elste, mas durante muito tempo ele preferiu esconder sua relação com o fato. Procurado pela reportagem, este senhor de 82 anos decidiu que seu legado sobre o assunto não seria o silêncio.

Elste começou a trabalhar no Diário Popular aos 19 anos [ao redor de 1951], como auxiliar do fotógrafo Ramão Barros [...]. Um dia, em 1957, ele viu Barros conversando sobre a passagem do dirigível e reclamando por não ter conseguido fotografá-lo direito, pois estava muito alto.
Depois disso me deparei com uma revista com uma fotografia do zepelim impressa, com o céu branco atrás, e pensei: vou fazer uma sacanagem com o Ramão.
Assim, ele colocou a aeronave no céu de uma foto da praça, feita por Barros, e mostrou ao fotógrafo. "Eu disse pra ele que a foto era minha, ele não acreditou, mas achou muito boa."

Mesmo surpreso e incrédulo, Barros decidiu expor a imagem na vitrine de uma ótica na rua Quinze de Novembro. A partir daí, começaram a surgir as encomendas. [Somente] duas pessoas sabiam dessa história: Ramão Barros e o pesquisador Nelson Nobre Magalhães.
Era todo mundo comprando cópias. Se vendeu horrores, aí eu fiquei constrangido de dizer que era uma montagem. Nunca falei porque nunca dei bola para isso, mas hoje a foto é o marco de uma época, e isso foi importante.
O acervo de Luís Elste se perdeu com o tempo. A umidade estragou muitos negativos e ele nunca mais viu a tal revista com o dirigível. [...]
Foto não manipulada do Graf Zeppelin sobre o Parque Centenario, Buenos Aires, manhã do dia 30-06-1934

Ao saber da história da montagem, a coordenadora do Núcleo de Patrimônio Cultural da UFPel, Francisca Michelon, se mostrou surpresa, mas salientou a importância do registro e a beleza da fotografia. [Ela conclui com uma pergunta, que fica pairando em pleno ar].
Nesta foto há uma circunstância curiosa, o paradoxo se afirma: de fato ela parece uma montagem; mas todas as demais fotos de dirigíveis parecem, também. Será que é porque agora, no presente, o dirigível, em si, é uma história e uma coisa singular?
Luís Elste montando uma foto a partir de duas pré-existentes, na arte de Bruce William (DP)
Procedimento de manipulação analógica

1. Havia duas imagens impressas: uma da praça Coronel Pedro Osório (de Ramão Barros, 1955) e outra do dirigível sobre Buenos Aires (impressa em rotogravura nas páginas da revista "O Mundo Ilustrado").

2. As duas imagens foram fotografadas em separado para obter o negativo de cada uma.

3. Depois, no laboratório, ele ampliou uma nova foto através de dupla exposição no papel fotográfico. Primeiro, ele expôs o papel, sensível à luz, ao negativo da foto da praça. Depois, trocou os negativos no ampliador e, no mesmo papel, ainda sem revelar, expôs o negativo do dirigível.

4. Com o mesmo papel exposto aos dois negativos, ele revelou e obteve a imagem do Zepelim sobre a praça.

5. Ao fotografar o resultado, ele obteve um negativo "matriz" da montagem para reproduzir quantas vezes fosse necessário.




Photoshop não é vilão
Paulo Rossi, repórter fotográfico

Para mim a fotografia tem três momentos marcantes. Primeiro, claro, sua descoberta, com a primeira foto fixada por Niépce em 1826. Depois, sua popularização em 1888, quando George Eastman, fundador da Kodak, desenvolve o filme fotográfico e lança o slogan "Você aperta o botão, nós fazemos o resto". E por último, até então, a sua digitalização.

Este processo tecnológico, combinado com os avanços da internet, inundou de imagens nossos computadores. Todos nós temos ou conhecemos alguém com um celular ou uma câmera digital pronta para disparar a qualquer momento e atualizar seu Facebook ou até mesmo captar um flagrante para o jornal local.

O domínio das ferramentas acontece naturalmente. Por que então não usar o Photoshop, que baixei no meu notebook e deixar minha selfie mais atraente? Ou eliminar aquela ruguinha que incomoda tanto? Assim, vemos surgir na rede milhares de fotografias manipuladas digitalmente, com as mais variadas intenções: tornar as pessoas mais bonitas, as paisagens mais interessantes, formular sátiras e brincadeiras, como a do Elste, fazer trabalhos artísticos e até mesmo favorecer interesses.

A mais antiga manipulação: ao redor de 1860,
a cabeça do presidente eleito A.Lincoln foi posta
na foto do ex-vice John Calhoun, morto em 1850.
Mas engana-se o leitor pensando que isso é novidade. Muito antes de existirem os arquivos digitais e softwares de manipulação, fotos já eram adulteradas nos laboratórios fotográficos. Imagens históricas e mesmo fotos jornalísticas atuais são adulteradas visando a diversos fins. Há um grande número delas na internet: de Mussolini em 1942, Mao Tsé-Tung em 1936 e Abraham Lincoln em 1860 [v. 9 montagens históricas no Retronaut e 26 modernas no CNET].

Penso que muitas dessas imagens, principalmente as jornalísticas, menosprezam o valor informativo e são retocadas visando meramente à projeção da imagem, do profissional ou de algum grupo. A foto irá vender mais, publicarão mais, chamará mais atenção.

Por isso é importante que repórteres-fotográficos se questionem diariamente, e mais ainda quando estão no front, no dia-a-dia, naquele momento diante da dor de alguém: o que fazem com a câmera pendurada no pescoço?

E a resposta sempre deve ser: estou aqui cumprindo um papel social, estou aqui denunciando, estou aqui contando uma história, como esta de 80 anos.

Fonte: Diário Popular
Fotos: 
DP impresso, Fábrica de Mosaicos, CaballitoTeQuieroRetronaut 

domingo, 7 de setembro de 2014

Fotos mágicas da Princesa do Sul


Daniel Giannechini é fotógrafo profissional que mora em Pelotas e usa seu talento artístico visual para enaltecer o belo da cidade e da região. Além da precisão técnica, seu olhar nos mostra ângulos que o pelotense não conhece mas gosta de descobrir nos lugares mais habituais.

Na imagem acima, tomada do andar superior do Paço Municipal, observa-se a Praça Sete de Julho pelo lado da Quinze de Novembro, com o reflexo do prédio abandonado do antigo Banco do Brasil ocupando o lugar do Mercado Central, formando-se uma suposta avenida no meio. O efeito mágico impressiona especialmente a quem conhece o lugar, dando a sensação de que a arte da fotografia permite sair da realidade costumeira e construir uma cidade imaginária. Veja mais fotos deste artista em sua coluna no Amigos de Pelotas.

sábado, 16 de agosto de 2014

Catedral é fotografada em ângulo inédito


Por sua importância histórica e arquitetônica, a Catedral Metropolitana de Pelotas é ponto turístico, sede de encontros religiosos e eventos culturais, foco de pesquisas e cartão postal da cidade, pelo menos desde 1950, quando a última reforma ficou pronta. Criativos registros fotográficos já foram feitos, sempre tomados desde o chão, como seria óbvio.

Este sábado (16-08), mediante o uso de um drone (aparelho voador não tripulado), o Fly Camera Pelotas publicou as primeiras fotos aéreas da nossa Catedral desde baixa altura, o que um helicóptero ou mesmo um paramotor não poderia fazer. Os registros foram tomados desde a altura dos campanários (abaixo) até ligeiramente acima das cúpulas (acima).

Na página do grupo no Facebook também há fotos do interior do templo. Veja as primeiras imagens que o drone captou em Pelotas, em Amanhecer aéreo no Laranjal.


Fonte: Facebook

terça-feira, 29 de julho de 2014

Ecos do passado em Satolep

O fotógrafo Rafael Takaki começou a produzir a série "Satolep - Ecos do Passado", com aspectos de Pelotas em épocas diversas, que ele denomina "portais temporais". Dentro de uma mesma imagem, duas fotos são superpostas, criando um efeito de viagem no tempo, sensação que aliás é muito comum nas pessoas que passeiam pelo centro histórico da cidade.

Nesta primeira montagem, ele superpôs ao atual Teatro Sete de Abril uma antiga fotografia de família, relativa aos filmes que ali eram projetados na ocasião, início da década de 1930. Um deles era o curta-metragem (19 min) "Perfect Day", com o Gordo e o Magro, que mostrava os desastrados preparativos de uma família para um passeio de carro.

É em alusão a esse veículo do filme que a foto foi preparada, ante o teatro mais antigo de Pelotas, já com cerca de cem anos na ocasião. Rafael publicou sua criação no Facebook com este comentário:
Um fato curioso sobre a foto: o motorista do Ford Modelo A é meu tio avô. Na ocasião, queriam um veículo para colocar na frente do teatro para fazer o retrato. Ele topou, mas com uma condição: apenas ele dirigia o carro, e aí está o registro. O Ford permaneceu com ele, estacionado em sua garagem, até seu falecimento em julho de 2000.
Os outros filmes anunciados na foto são "Love among the millionaires" (1930) e "King of the wild" (1931), todos já da era do cinema sonoro (com diálogos audíveis mas com intensa linguagem mímica). Veja abaixo um trecho de 3 minutos da comédia "Perfect Day" (1929), que teve o título "Delícias de um automobilista" (divulgada no cartaz com a chamada "Aventuras de um automobilista"). 

Fonte: Facebook

POST DATA
1-8-14
Na segunda imagem da série, um casal no presente é observado por um homem no passado.
5-8-14 Monumento ao Coronel Pedro Osório, de Antonio Caringi.

sábado, 12 de julho de 2014

Epigramas de Airton Moraes

Desde 2 de setembro de 2012 até o domingo passado (6-07-14), este blogue publicou a cada fim de semana um pensamento de Airton Leite de Moraes no espaço Epigrama de Domingo. Ele foi o segundo autor local que divulgamos neste gênero poético.

O primeiro foi o cronista Rubens Amador, cuja produção inédita de pensamentos tiramos da gaveta durante um ano e meio, desde janeiro de 2011 até agosto de 2012 (confira os Epigramas de Rubens Amador). Seu estilo visita a filosofia dos valores, a espiritualidade, a sabedoria popular e a psicanálise.

Os epigramas podem ser definidos como um coquetel literário feito com doses de humor, filosofia e romanticismo. Para escrever este tipo de minipoemas em prosa, se requer, além do poder de síntese e originalidade, a humildade e o detalhismo de quem se manifesta em pequenas doses. O gênero ficou esquecido pela mídia (mesmo em tempos do Twitter, que somente publica textos de duas linhas).

As 90 frases de Airton foram tomadas de seu blogue Autor Próximo, que arquiva suas colunas esportivas para o Diário da Manhã de Pelotas, e do Facebook, onde ele assina como Moi Aussi. Acompanhe-as a seguir, na mesma ordem em que foram publicadas. Sua produção continua saindo nesses dois sítios, onde ele comenta e ironiza sobre a política brasileira, o esporte, o amor, a existência e o comportamento humano (ele foi apresentado em 2009 no post Vida Norte, jornal pelotense).

O banho das nereidas (Pelotas)

As meninas dos nossos olhos nacionais prostituíram-se!

A virtude está no meio, / com a paixão de permeio!

Nunca vá de jegue a Brasília. Ele pode não retornar!

A dor da gente não sai no jornal... nem do coração!

As notícias violentas de hoje são as tragédias do ontem.

O silêncio dos coniventes / faz os governantes ausentes.

Deus é brasileiro, mas o diabo é dirigente oficial.

Atrás de um grande homem há sempre uma mulher ultrapassando-o.

No mundo de hoje se vê: o passado não tinha futuro!

A seriedade do voto da urna contrasta com a molecagem que outros fazem brotar dela, por quatro anos.

A vida é um livro finito, com palavras efêmeras.

Casa de passarinho (Porto Alegre)
Para tudo há um tempo, menos para as surpresas!

Ninguém volta no tempo, mas ele volta com as pessoas.

A Natureza é um espetáculo e o homem, seu cambista!

Os Humanos pensam ser.../ o que correm para obter.

No Natal, só Jesus recebe menos presentes do que merece.

Em cada homem julgado, a coletividade é mal perdoada.

Eleições: sai a Lei de Gerson e entra a Lei do Gesso!

A paixão cabe nas mãos; a saudade... em todo o corpo!

Mata-se antes a consciência e, após, os recursos naturais.

O povo tem memória: só não lhe dão explicações.

Se não há bê-á-bá, nem á-bê-cê, prolifera o blá-blá-blá.

Supositório popular: corrupção e voto obrigatório.

O grito da sociedade é um solfejo orquestrado e baixo.

Sim, Deus é para todos... mas a sorte não sabe disso!

Poupem-me da melhor idade, porque a terceira idade é um Tsunami, com epicentro no mar das farmácias.

O único olho do Rei furou. Nu, sempre esteve!

Como acordar ao teu lado, se não me deixas dormir?

Cartão Corporativo oculto do Lado Esquerdo do Pleito?

Novas causas não existem. O tempo as traz de volta!

Olhares (Curitiba)

O mundo prende seus loucos nos piores parlamentos.

Alguns brasileiros fazem de coração o que o Governo deveria fazer por obrigação: trabalhar em favor dos desassistidos.

O primeiro celular brasileiro foi um espelhinho europeu. O Arcabuz apenas pôs ordem na fila.

O Poder não precisa de conhecimentos. Portanto, não há surpresa quando os ignorantes mandam. Nivelam-se!

A Economia é uma ciência humana. Os humanos, porém, não sabem disto. Beber água não é saber nadar.

Deixe-se assaltar, deixe-se morrer, deixe que lhe enterrem indigente... ou vote e tenha um kit com tudo isto.

O povo nem reclama tanto de cartolas e dos políticos; apenas acha que eles não prestam... contas!

Um coração em chamas / é o que me resta quando me chamas.

Diplomas, Cartões de Crédito e Corporações não são licenças de fraudar. Mas depende de quem for utilizar.

Diplomas e pimentas só ardem nos olhos alheios, mas misturados deixam um caldo e tanto.

A politicagem federal movida por espetáculos de mídia fazem do país do futebol... um imenso urinol.

Jardim andante
Um sorriso de invulgar beleza é o que me serves... de sobremesa.

Euforia, picardia e verdades fabricadas por poucos... são cobradas em bolso alheio.

Quando o silêncio da sociedade faz barulho, um mau governo vira entulho.

De tanto pensar em sim e não, a razão se apaixona.

É duro ver a bandeira brasileira como um cheque em branco nas mãos dos privilegiados, e como um atabaque nas mãos dos explorados.

A unanimidade só é burra quando não é bem paga.

Ó, Pai, perdoa-os agora... porque já sabem o que fazem!

Olimpismo faz bem aos dedos, mas são os anéis que andam pelos cinco continentes.

Com o desarmamento do povo, só o Governo e os bandidos terão armas. A proporção é desconhecida.

O silêncio agora nem é mais dos inocentes, mas de todos os que ainda poderiam falar.

A história consagrou o pão e o circo. Aqui, no entanto, o circo já nasceu pronto e o governo nem lembra que falta o pão.

Para votar use seu irrisório saber. Os de notório saber, nem sabem de você.

Mariposas só precisam de Luz. Não se apaixone por crisálidas!

Às vezes, contemplar o nosso interior é sair pela vida!

Urnas são sapatinhos de cristal: elas vivem de sonhos descumpridos e eles já vêm quebrados. Sem recall!

Correndo atrás do prejuízo / também se perde o juízo.

Uma parede branca é pura expectativa para quem pinta.

No Brasil, a qualidade desaparece quando, com o nosso voto, as pessoas fazem arranjos e nós ficamos com o custo dos desarranjos.

Quando um não quer, dois não brigam, mas se alguém se meter morrem três.

Um, dois (Curitiba)

Ainda se pode viver bem. Basta esquecer o Passado, desprezar o Futuro e pagar muito pelo Presente!

O Brasil é o melhor lugar do mundo. Enquanto você se ufana, os estranhos e os nativos lhe afanam.

Seu lar e sua casa estão seguros. Os que estão à solta são os que lhe roubam e os que lhe obrigam à clausura.

Penso no que posso e no que devo, esqueço do que quero e do que preciso.

Toda vez que alguém vira especialista em alguma coisa, as demais coisas viram nada ou coisa nenhuma.

Governo é como namoro. Inicia com promessas e com beijos. Termina quando eles desaparecem.

Por melhor que seja a festa, há sempre quem falte.

Na janela, o mundo não mudou, nem o ano trocou de local e data.

A próxima obra grandiosa e superfaturada será o Farol da Liberdade?

Não pergunte ao Governo o que fará por você. Pergunte a quem lhe assalta. Com sorte, ele até responde.

Sem bolo e sem cereja, / somos nós as sobremesas.

Imagem de Pelotas
A paz tem muitos autores; / a violência, muitos atores.

O outono chegou e a vida ficou mais longa.

A vida é muito curta pra quem só conta o tempo!

A política é a arte do agora que se movimenta com celeridade, para inventar as artimanhas do futuro.

Quando a gente implica, / Freud explica.

Rir é o melhor remédio para quem faz a piada. Quem sofre nunca é consultado!

Dizer o que se diz, / nem sempre é ser feliz!

Mesmo com uvas verdes, todos os vinhos são maduros.

Por onde ando, a luz me procura, mas a sombra persegue meus pés!

Não é preciso tanto, nem pouco. Basta o essencial.

Eu ando muito bem, procurando a vida. Espero que ela me encontre.

Quando eu amo dói um pouco!

Urna eletrônica é máquina do tempo. Aperte uma vez e ganhe quatro anos, de imposto e vários desgostos.

Não fuja dos seus arrependimentos. Os prepotentes conseguem e se reeditam.

Eu sei que sou chato, mas já passei por baixo de sua porta.

No trânsito da cidade, os condutores estacionam quando recebem uma mensagem de celular. Seria ótimo, se não fosse... em fila dupla.

Para mau entendedor, frases ou orações inteiras são apenas desperdícios.

Deus é brasileiro, mas os coletores de impostos, não!

Boa memória e boas lembranças, juntas são imbatíveis.

Fuga (Pelotas)
Fotos: Marcelo F. Soares

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Fotografando Bares

O fotógrafo Marcel Streicher começou a montar uma série de imagens artísticas em bares tradicionais de Pelotas. A primeira sessão foi feita no início de junho, no Papuera Bar, uma das principais casas noturnas do bairro do Porto, desde o inverno de 2007 na Alberto Rosa 51, esquina Conde de Porto Alegre (v. post Papuera, cerveja com pastel).

A equipe deste projeto fotográfico é liderada por Marcel na arte, Lucas Daneris na produção e Alan Gonçalves na direção (designer do Satolapp Cultural). A modelo Francine Ramalho usa roupas da Loja N-concept e maquiagem de Marjorie Martinez no salão Blank Hair.

A imagem juvenil de Francine proporciona graça e espontaneidade ao ambiente do bar, cuja finalidade é justamente a diversão e o esquecimento das responsabilidades cotidianas. Por contraste, sua limpeza visual equilibra a associação natural entre bar e alcoolismo e a obscuridade do preto-e-branco, que neste caso remarca o caráter noturno e a possibilidade de segundas intenções.

O projeto terá continuidade em bares como o João Gilberto, Liberdade, Diabluras, Seu Boteco e outros pontos da noite pelotense. Ainda que a vida noturna pós-meia-noite apareça ligada ao uso de drogas e aos ruídos indesejáveis, os barezinhos em geral equilibram os excessos urbanos com sua clássica combinação entre "música para ouvir" e "espaço para conversar".
Fotos: M. Streicher

terça-feira, 3 de junho de 2014

Reflexo do alto

A chuva deste domingo (1-6) convidou a fotógrafa para uma exploração urbana e seu olhar descobriu, juntos na água mediadora, dois sinais históricos da cidade: o chão de paralelepípedos e o reflexo de um casarão. Veja outras imagens da artista em seus álbuns no Facebook.
Foto: Tani Guez

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Amanhecer aéreo no Laranjal


POST DATA
2 junho
O blogue Caminhos da Zona Sul mostra algumas imagens fixas deste vídeo, tomado com uma câmera móvel aérea no Laranjal, terça passada (27-05). Veja mais sobre a Fly Camera no Facebook.
20 junho
Um drone é uma aeronave não tripulada, guiada por controle remoto (v. Wikipédia). Se dotada de estabilizador eletrônico, permite registrar e transmitir fotos e vídeos em alta qualidade. 
Por primeira vez em Pelotas, está sendo oferecido este serviço de fotografia aérea, útil para documentação de propriedades rurais, inspeção de andamento de obras, divulgação de empreendimentos imobiliários, acompanhamento de lavouras, rodeios, eventos sociais e confecção de postais turísticos (v. canal Fly Camera Pelotas).


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Que horas não são?


Quando o relógio do Mercado Central não estava funcionando, Gustavo Mansur olhou para o céu iluminado pelo sol e compôs a imagem "Que horas não são?", inspirada na música homônima de Vitor Ramil. A fotografia venceu a terceira etapa (exclusiva para Pelotas) da Maratona Fotográfica Laçador Digital e Câmera Viajante.

A letra existencialista de Ramil contém uma homenagem à fotografia, essa arte que paralisa o tempo no papel e no silêncio, de forma parecida a como a mente cristaliza uma ideia e como um relógio parado mostra a hora certa... duas vezes por dia.

Que horas não são?
A onda nunca vai quebrar.
É sempre a mesma estação: o sol queimando o teu olhar.

Deus fez o céu
E pôs a terra pra rodar.
Ela empacou no sinal do sol brilhando em teu olhar.

Que horas não são?
A gente imóvel num cartão postal.
Seca e verão: é o sol no teu olhar.

Olha pro chão:
Um gesto teu e a onda vai quebrar.
A terra cruza o sinal: o sol é a desculpa pra chorar.

Interpretação de Katia B, Vítor Ramil e Marcos Suzano

Fonte: Facebook

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Praia à francesa


Luiz Paiva Carapeto, professor de Medicina Veterinária e fotógrafo artístico, se referiu no Facebook hoje (28-04) a sua despedida da UFPel após 4 anos como aluno e 37 como servidor. Ao mesmo tempo, apresentou algumas imagens em preto-e-branco, ensaiando um novo olhar sobre homens, mulheres e natureza. O desafio dele agora é o uso do preto-e-branco para abordar a temática humana e emocional.

A fotografia acima pode ser vista como um autorretrato do artista, numa técnica visual que lembra Cartier-Bresson (1908-2004), o francês que fotografou o século XX de um modo impressionante, ao mesmo tempo com sentido artístico e jornalístico, geralmente com abundância de detalhes, bom humor e fortes sugestões cinéticas. Aqui, um perfil humano contra a luz, uma composição simples e os três fundos em profundidade nos falam da sensibilidade existencial de Carapeto, um cientista que fala da vida mediante a arte das imagens. A praia é pelotense.
Fonte: Facebook

segunda-feira, 31 de março de 2014

Chuva na praça


O fotógrafo Marcelo Soares se molhou, mas obteve um registro único, de inesperada iluminação natural no meio de uma chuva de domingo (30-3-14), e de mágica bolha de conversa, protegida por um amplo guarda-chuva e as altas árvores da bicentenária praça Coronel Pedro Osório. 
Fonte: Camafunga

segunda-feira, 17 de março de 2014

Pontal da Barra, um postal-aquarela


Em Pelotas é fácil ver o sol nascer na lagoa todos os dias, mas vê-lo se pôr na água não é tanto. O Pontal da Barra é um dos poucos pontos onde podemos sentir, valendo-nos do Canal São Gonçalo, que a cidade é como uma ilha rodeada de água ao leste e ao oeste. O Pontal é uma ponta de areia, na barra do Canal, onde se localiza uma pequena colônia de pescadores (v. post Vista aérea da Barra).

Beto Fernandes registrou um desses momentos e logo manipulou a foto com uma técnica digital, fazendo-a parecer uma pintura. Compare com a foto original sem a intervenção (abaixo). Ele tem uma série de outras imagens muito especiais da cidade, que mostrarei no blogue cada vez que possível (v. álbum de fotos no Laranjal).

sábado, 15 de março de 2014

Paisagens naturais e urbanas


Esta quarta-feira (19-3) às 19h o Espaço Arte Chico Madrid da Sociedade Científica Sigmund Freud inaugura a mostra de fotografias “Entre Paisagens”, do fotógrafo Alexandre Neutzling. As atividades culturais da Sociedade realizam-se nas primeiras quartas do mês e, no mesmo dia às 20h, quem estiver na abertura da exposição poderá conversar com o artista e assistir à palestra do escritor Aldyr Garcia Schlee sobre seu mais recente livro, “Contos da Vida Difícil”. O jornalista Carlos Cogoy reporteou amplamente os dois acontecimentos culturais no Diário da Manhã.

Alexandre Neutzling
As fotografias de Alexandre, como diz a mensagem de divulgação, são um convite para adentrar, através de seu olhar estético, as paisagens naturais e urbanas de Pelotas. São fotografados aspectos do centro histórico e do Laranjal, aqueles considerados como postais clássicos da cidade.

Este estar "entre paisagens" é um situar-se dentro do olhar do fotógrafo no momento em que ele esteve entre as paisagens, procurando capturar e compor um ângulo especial naquela cena. Por exemplo, numa noite ante a Casa nº 2 da Praça Coronel Pedro Osório (acima) ou numa tarde nublada diante do trapiche do Valverde (abaixo). Não são paisagens propriamente humanas, mas que propõem ao espectador que ele se situe em relação à cidade, colocando ele mesmo o ingrediente subjetivo, seja emocional ou analítico.

A coordenação cultural da Sigmund Freud está a cargo do médico e artista fotográfico Eduardo Dévens. O endereço do Espaço Chico Madrid é Rua Princesa Isabel, 280 conj. 302 (esquina Gonçalves Chaves) e a exposição permanecerá três semanas, até o dia 6 de maio, em horário comercial.

sábado, 8 de março de 2014

Bruna, jovem fotógrafa


Bruna Fonseca Fotografia estabeleceu-se há um ano, entrou no Facebook há poucos meses e já apresenta uma proposta de fazer ensaios sobre pessoas e mostrar aspectos urbanos com cuidado na composição e sensibilidade nas cores e iluminação. Bruna é uma jovem pelotense que traz uma visão nova para uma cidade à antiga. Veja outras fotos dela no Flickr.

A imagem acima foi tomada em 18 de fevereiro passado no Largo Edmar Fetter, onde há anos se situava um abrigo de ônibus, e até 1955 um abrigo de bondes. O desenho artístico desta calçada, único na cidade, se conserva desde então. O largo se situa na Praça Sete de Julho, nome oficial do logradouro, conhecido popularmente como "praça do mercado". Além de tratar os imponentes prédios como miniaturas, a foto sugere uma opressão proveniente do chão em preto-e-branco e das paredes aos lados  (veja aqui uma foto diurna parecida, de R. Marin, tomada de outro ângulo).

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Temporal: beleza que assusta


Este domingo (2-2) ainda estávamos sentindo as consequências de uma frente fria que lançou granizo na Argentina em pleno mês de janeiro. Bem menos agressiva mas ainda com cara feia, a frente chegou ao Estado gaúcho aos poucos, e ventos e nuvens fora de época ajudaram a amenizar o pesado calor próprio da época, mas sem eliminá-lo (veja uma explicação meteorológica).

Junto ao Arroio Pelotas, a casa do fotojornalista parecia uma ilha abraçada pela tormenta (acima). No estádio Bento Freitas, o torcedor xavante quis ver uma caveira amiga, que comeria o time rival por 4 a zero (abaixo). Veja o ângulo urbano tomado por Beto Fernandes e o mesmo fenômeno, ainda mais impressionante, visto na praia do Cassino por Márcio Gandra.


Fotos: Nauro Jr (1), F. Mendonça (2)