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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Projeto didático do Latino-América Duo

O Latino-América Duo publicou hoje (30-12) o vídeo de divulgação do projeto de concertos didáticos "Música sem Fronteiras", realizado em outubro de 2014, através da FUNARTE, nas cidades de Rio Grande, Bagé e Santana do Livramento. A agrupação é constituída, desde 2008, por José Daniel Telles dos Santos e Alexandre Simon, violonistas gaúchos formados no Conservatório de Música da UFPel, que também lecionam, pesquisam e compõem em seu instrumento.

Através deste projeto de extensão, o duo de músicos apresentou 12 recitais de música latino-americana, em somente nove dias, a alunos de escolas públicas da região sul (de nível fundamental, médio e superior). O programa incluiu milongas e tangos instrumentais, choros brasileiros e sambas-canções, transitando entre o popular e o erudito. O objetivo foi ampliar o conhecimento musical dos jovens, mediante música que representa a identidade cultural da região de fronteira.

Confira outros registros da agrupação no canal de vídeos de José Daniel.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Os rios de Fernando Leitzke


"Os Rios que Navego" é um projeto do pianista Fernando Leitzke que busca financiamento pelo método coletivo, no sítio Benfeitoria. O prazo limite é a próxima quinta (25-12). Se a meta for alcançada, os doadores ganharão diversos retornos; se não, o dinheiro inscrito será devolvido.

Quem antecipar 30 reais no financiamento, garante um exemplar do disco. Com 60, o participante ganha o CD autografado. Quem pagar 100, ganha 2 exemplares autografados mais um ingresso para o show& de lançamento. Maior colaboração dá direito a outras recompensas, como agradecimentos públicos, uma aula de piano, maior número de discos, maior número de ingressos e até shows particulares. Faltando uma semana, 130 colaboradores já reuniram 57% do valor do projeto.

O jovem pelotense inclui no trabalho composições próprias e obras de Tom Jobim, Radamés Gnatalli, Rubén González, todas para solo de piano, com apoio de cordas e percussão e a participação de grandes músicos cariocas e gaúchos. Ouça uma das músicas de autoria de Fernando, Chaleira Quente.

O projeto navega pelas águas do samba, do choro, do candombe uruguaio, da zamba argentina e afluentes de além-fronteira. Fernando navega pela música do nosso Rio do Sul e, subindo ao Rio de Janeiro, ganha os rios da música brasileira e universal (v. reportagem do Diário Popular).

Fernando estudou piano erudito no Conservatório de Música da UFPel dos 13 aos 17 anos e seguiu praticando o piano popular nas rodas de choro do Bar Liberdade, sob a liderança de Avendano Júnior e Possidônio Tavares. Tocou em bares e em recitais, como solista, em duos e trios e com o grupo Quebraceira. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se aperfeiçoa como pianista de samba instrumental (o que um americano chamaria de jazz bossa).

Confira abaixo seu trabalho como arranjador e como acompanhador de Michel Tasky, belga fã do Brasil, (leia entrevista) no samba "Cabrochinha", de Pinheiro e Carrilho.



Foto: Facebook

POST DATA
21-12-14
Faltando 4 dias para o fechamento do prazo, o projeto já recolheu 88% do dinheiro necessário.
22-12-14
A 3 dias do término do projeto, já foram levantados 91% dos fundos.
26-12-14
Encerrado o prazo, 101% do dinheiro necessário permitirá realizar o projeto de Fernando Leitzke..

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Formatura do pianista Nilton Vargas


Nilton Rodrigues gradua-se como Intérprete em Piano pela UFPel na próxima quarta (10-12), com recital solo no auditório 2 do Centro de Artes (Álvaro Chaves 65).

O programa que Nilton divulgou no Facebook (detalhes aqui) traz compositores de diversas épocas, como é de praxe na formação universitária.

No entanto, a ênfase pessoal do formando é posta aqui em autores brasileiros contemporâneos, dando destaque especial para a estreia absoluta da obra Doppelgänger, de Augusto Lima (nascido em 1991). O selo artístico do pianista tem traços românticos, inovadores e ligado às raízes.

Confira as obras que ele tocará (em Pelotas dia 10 e em Bagé dia 17):

* Balada opus 10 nº 1, de Johannes Brahms.
* Doppelgänger, de Augusto Lima.
* Sonata opus 31 nº 1, de Ludwig van Beethoven.
* Suite pour le piano, de Claude Debussy.
* Dança de negros opus 2 nº 1, de Fructuoso Vianna.
* Estudo nº 1, de Cláudio Santoro.
* Dindi, de Antônio Carlos Jobim.
* Vestido longo, de Arismar do Espírito Santo.

Nilton também é arranjador e canta ao violão; suas preferências musicais são de pop em português e inglês. Acompanhe abaixo uma gravação recente de Nilton cantando "You've got a friend", música que ganhou dois prêmios Grammy em 1971, um com a autora Carole King e outro com James Taylor.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A música e a cidade

Colunista de ZH Juarez Fonseca assina o artigo "Pelotas Jazz Festival, uma surpresa!", elogiando músicos, organizadores e especialmente o público pelotense, que com sua vocação e sensibilidade apoia as melhores iniciativas culturais.

Palco geodésico centralizou o festival na rua e unificou os músicos com o público.
Voltei de Pelotas ontem (23-11) impressionado com o impacto do Pelotas Jazz Festival, já em terceira edição. Impressionado com tudo: os shows, a organização, os locais e - talvez principalmente - o comportamento do público. Quê público! Tem tudo para se tornar um dos principais festivais de jazz do Brasil, para não dizer do Cone Sul. [...]

Último dia do Festival

O show de Naná Vasconcellos num Theatro Guarany lotado foi emocionante, histórico. Ele transformou o público em um instrumento, entre seus berimbau, tambores e chocalhos, recebeu aplausos de pé no meio da apresentação, deixou pessoas com um nó na garganta e saiu chorando do palco, profundamente tocado pela sinergia. Que grande brasileiro! Que grande músico! Que grande homem! Ele remeteu com delicadeza à triste memória dos negros das charqueadas, que ocupavam suas horas livres com música e inventaram instrumentos de percussão como o sopapo, que só existe no RS (v. crítica de Cristiano Castilho para a Gazeta do Povo, de Londrina: Naná faz show sobrenatural].

No palco externo, o multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo, ao lado da flautista Léa Freire e do bandolinista Fábio Peron, um trio de altas esferas, mandou seu recado mesmo fazendo uma música menos afeita aos grandes espaços ao ar livre, cheia de improvisos e requintes [v. comentário de Roger Lerina: Pelotas é a cidade do jazz].

Mas o público pelotense aprovou e teve toda a paciência, à espera do mais famoso grupo de Hermeto Pascoal, que viria a seguir. Confesso que eu estava meio preocupado com o Bruxo, escaldado pelo show ruim feito por ele em outubro no POA Jazz Festival. Mas ele (a meus olhos) se redimiu, fazendo em hora e meia um show sem sobressaltos, na medida para satisfazer o enorme público e fechar o festival em alto astral [abaixo, cenas da oficina com Hermeto; aqui imagens da oficina com Naná].

Naná Vasconcelos sozinho encheu de música o Teatro Guarani.
A cidade é protagonista

Parece que a encantadora Pelotas de uma longa história humana e arquitetônica se recupera de também longos períodos de descaso político. A memória do passado, preservada com cada vez mais cuidado em prédios belíssimos, muitos deles abertos à população, parece estar enfatizando nos últimos tempos (uns 20 anos para cá, por aí) um orgulho de ser pelotense. Trazendo a ideia de que a insubstituível arquitetura dos anos de fausto econômico nos hotéis, nos prédios públicos, nos bancos, nas mansões, não deve dar lugar a caixas de concreto sem alma e sem arte como os edifícios modernos - que já roubaram boa parte dessa história.

Palco geodésico e a Rua do Jazz vistos de cima
Pelotas é uma cidade única no RGS. Sua vocação era ser a capital do estado. E, como o Rio de Janeiro em relação a Brasília, tem várias evidências disso. Um de seus filhos mais ilustres, Vitor Ramil, tem se ocupado em demonstrar isso em seu trabalho musical e literário; em sua filosofia, posso dizer.

Em meio ao passado, a modernidade de Satolep encanta os visitantes, como se percebe ao conversar com os artistas do festival. Como se percebe ao ver o cuidado com que a TIM, patrocinador master do festival, o está considerando, ao trazer jornalistas de outros estados para assisti-lo, por exemplo.

Graças aos idealizadores do festival e à sua realizadora, Gaia Cultura e Arte, eu e todos os visitantes, sem falar dos pelotenses que durante três dias lotaram o fantástico Theatro Guarany e as ruas do centro da cidade, pudemos comprovar o bom uso da Lei de Incentivo à Cultura do Estado e como ela é importante para levar adiante projetos que ajudam uma cidade da importância de Pelotas a crescer artística, turística e economicamente.

Sem citar nomes, dou os parabéns a todos os responsáveis por fazer do Pelotas Jazz Festival um verdadeiro evento. E aos felizardos pelotenses, por entenderem e apoiarem a ideia com sua participação. Em 2015 quero voltar.
Juarez Fonseca
Colunista de Zero Hora



Fotos: F. Campal (1-2), L. P. Carapeto (3)
Texto: Facebook

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Programação maratônica do 3º Festival de Jazz


"Gonzagueando", com o grupo Cama de Gato: Jota Moraes (teclados), Mauro Senise (sax e flauta),  Pascoal Meirelles (bateria), André Neiva (baixo) e Mingo Araújo (percussão)‬. 

Quinta-feira (20-11)

9h – WORKSHOP (percussão) com Naná Vasconcelos  – Biblioteca Pública Pelotense.
10h – WORKSHOP (composição em grupo) com o grupo instrumental brasileiro Cama de Gato  – Museu do Doce (Praça Coronel Pedro Osório nº 8).
10h – Concentração de tambores – Largo do Mercado.
10:30  Cortejo de abertura: Tambores com Naná.

18h – Richard Galliano – Rua do Jazz.

"Lili", com Richard Galliano (acordeão), Tamir Hendelman (piano), Anthony Wilson (guitarra),
Carlitos Del Puerto (baixo) e Mauricio Zottarelli (bateria), em Beverly Hills, abril de 2013.

20h – Cama de Gato – Rua do Jazz.

22h – João Bosco Quarteto – Teatro Guarani. TVE RS transmite este show ao vivo.
Entrada com senhas de acesso, ou mediante fila formada na porta do teatro. Veja show completo de João Bosco Obrigado, Gente! (1h52), no Auditório Ibirapuera, com participações de Djavan, Hamilton de Holanda, Yamandú Costa e Guinga.

Sexta-feira (21-11)

9h – WORKSHOP com Egberto Gismonti (conversa com jovens músicos) – Centro de Artes da UFPel (Álvaro Chaves 65).
10h – WORKSHOP com Hermeto Pascoal – Mercosul Multicultural (antiga Brahma)
15h – WORKSHOP (percussão) com Naná Vasconcelos e Anjos e Querubins – Teatro Guarani.

14h – André Togni e Quarteto – Rua do Jazz.

16h – Organic Groove – Rua do Jazz.


18h – Clube do Jazz (músicos de Pelotas) – Rua do Jazz.

20h – Trio Corrente – Rua do Jazz. Desde 2003, Fábio Torres, Paulo Paulelli e Edu Ribeiro vêm criando um som próprio para os clássicos do choro e da MPB, além de um crescente repertório autoral.

22h – Egberto Gismonti – Teatro Guarani. TVE RS transmite este show ao vivo.
Entrada com senhas de acesso, ou mediante fila formada na porta do teatro.

Sábado (22)

11h – WORKSHOP com Arismar do Espírito Santo – Rua do Jazz.

14h – Aluísio Rockembach e Lyber Bermúdez (músicos locais) – Rua do Jazz

16h – Claudio Sander Sexteto – Rua do Jazz.
O saxofonista Claudio Sander se apresenta com Luiz Mauro Filho (piano), Lucas Esvael (baixo), Ronie Martinez (bateria) e Giovani Berti (percussão)‬, com repertório de seus três CDs autorais, Jazz do Balacobaco (2001), Gato & Sapato (2005) e Samba Influenciado (2010).

18h – Naná Vasconcelos – Teatro Guarani.
Entrada com senhas de acesso, ou mediante fila formada na porta do teatro.

20h – Arismar do Espírito Santo – Rua do Jazz.

22h – Hermeto Pascoal e Grupo – Rua do Jazz.
TVE RS transmite este show ao vivo.


Documentário do programa Som do Vinil (Canal Brasil, 2012) sobre Hermeto Pascoal

3º Pelotas Jazz Festival

A distribuição de senhas para a primeira noite do Festival durou uns 40 minutos, ontem (17-11).
As entregas seguem hoje terça (18) e quarta (19), a partir das 9h na SECULT.

Esta semana realiza-se o 3° Pelotas Jazz Festival, nos dias 20, 21 e 22 de novembro (v. página no Facebook). O evento segue o esquema do ano passado, que duplicou o número de shows em relação ao primeiro festival, e amplia também a quantidade de workshops: oficinas de improvisação e criatividade dirigidas a músicos, conduzidas por grandes figuras nacionais do jazz.

Hermeto Pascoal esteve no
Porto Alegre Jazz Festival (outubro 2014).
A primeira edição chamou-se "Festival de Jazz de Pelotas", em julho de 2010, e trouxe Hermeto Pascoal como atração maior (v. nota 1º Festival de Jazz de Pelotas: 2010), num megaevento de três dias. Cada um dos espetáculos reunia um artista local e um convidado, no esquema "show de abertura/show principal".

O segundo Festival realizou-se em maio de 2013, com diversas figuras nacionais e internacionais (v. nota Festival de Jazz 2013), apresentações ao ar livre e no Teatro Guarani, em maratona ao longo da tarde e da noite.

Os organizadores agora buscavam colocar o nome de Pelotas numa rota nacional de turismo musical, especificamente na área do jazz, prometendo para 2014 megaeventos paralelos em Porto Alegre e Rio Grande.

Na terceira versão, Hermeto volta a Pelotas junto a outros grandes nomes da fusão musical brasileira e dos ritmos sincopados (v. programação 2014 em nota UFPel).

O 3º Festival foi precedido, cerca de um mês antes, pelo 1º Porto Alegre Jazz Festival e por um show especial de João Donato em seus 80 anos de idade (v. postagem Donato 80 em Pelotas). Um ano antes, o grupo de Donato havia feito o encerramento do 2º Festival.

Acesso ao Teatro Guarani
  • As senhas de entrada estão sendo trocadas por doações, na SECULT (Praça Coronel Pedro Osório nº 2). 
  • Para o show do dia 20 às 22h (João Bosco Quarteto), a entrada foi um quilo de alimento não perecível.
    Para ver o show do dia 21 às 22h (Egberto Gismonti), troque a entrada, no dia 18 de manhã, por um litro de leite (caixa longa vida).
    Para o dia 22 às 18h (Naná Vasconcelos), dê no dia 19 um brinquedo em ótimo estado.
  • As senhas (somente duas por pessoa) têm validade até 10 minutos antes das apresentações (21h50min ou 17h50min). Os lugares vagos a partir desse momento serão ocupados mediante fila de espera na porta do teatro.
Acesso à Rua do Jazz (palco ao ar livre, defronte ao Teatro Guarani)
  • Os espetáculos na Rua Lobo da Costa são gratuitos, sem senhas de acesso.
Duo Finlandia na "Rua do Jazz", 10 de maio de 2013

Fotos: Lopes Jr. (1), Facebook (2)

POST DATA
19-11 Veja a postagem Programação maratônica do 3º Festival de Jazz.
21-11 Veja a nota da RBS Começa o Pelotas Jazz Festival.
22-11 Diário Popular registrou em vídeo momentos da apresentação de Richard Galliano.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

OSPA na Catedral, novembro de 2014

Federico García Vigil
A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre apresenta um programa dirigido ao grande público esta segunda (17-11), na Catedral de São Francisco de Paula, com entrada franca. O concerto está incluído na temporada "OSPA pelos Caminhos do Rio Grande", com financiamento estadual.

Se bem o programa busca homenagear os 190 anos da Imigração Alemã no Brasil, o único autor alemão nesta lista é Beethoven; entre os outros há três austríacos, um francês e um italiano. O tempo histórico das obras musicais (século XIX) acompanha a época da chegada dos imigrantes da colônia alemã de São Leopoldo, criada pelo governo imperial em julho de 1824 (v. histórico).

Com regência do maestro uruguaio Federico Garcia Vigil, a agrupação instrumental gaúcha traz as seguintes obras, todas de agrado popular e muito difundidas pelo cinema e a televisão: Abertura de “Die Fledermauss” (Strauss), Sinfonia N° 7 (Beethoven), Abertura de “Carmen” (Bizet), Abertura de “Guilherme Tell” (Rossini), Abertura de “As Bodas de Figaro” (Mozart) e Marcha Radetzky (Strauss). Leia alguns detalhes destas obras, com sugestões para ouvir os trechos com orquestras estrangeiras.
  • A opereta “Die Fledermauss” (O Morcego), de Johann Strauss II (1825-1899), estreou em 1874, e se tornou a mais aclamada do compositor. Confira gravação da Abertura (8 min) com a Orquestra do Estado da Bavária, dirigida por Carlos Kleiber em 1986.
  • A Sinfonia N° 7, de Ludwig van Beethoven (1771-1827), concluída em 1812, é uma das pérolas do seu legado no que diz respeito à engenhosidade rítmica. Acompanhe o famoso 4º movimento (8 min), na execução da orquestra japonesa NHK, regida por Wolfgang Sawallisch em 1988.
  • A ópera “Carmen” é a obra-prima de Georges Bizet (1838-1875), um dos principais nomes da música lírica francesa da segunda metade do século XIX. Ouça parte da Abertura (4 min), gravada pela orquestra da Royal Opera House, com o regente Zubin Mehta (Londres, 1-1-91). 
  • A Abertura de “Guilherme Tell”, de Gioacchino Rossini (1792-1868) – ópera que narra o conto do lendário herói do século XIV que lutou pela independência da Suíça –, é uma das mais ambiciosas aberturas de Rossini, e mantém sua popularidade ao longo dos anos. Veja e ouça a segunda parte (7 min), com a orquestra inglesa Hallé, sob regência de Mark Elder, em 2004.
  • A Abertura de “As Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), sugere não só a rapidez com que a trama da ópera de 1786 se desenvolve, mas também o humor do trabalho. Aqui interpretação (5 min) da Filarmônica de Berlim, com o regente Claudio Abbado.
  • Este concerto finaliza com a Marcha Radetzky, opus 228 de J. Strauss I (1804-1849). Composta em 1848, é o principal testemunho da simpatia do compositor pelo imperialismo durante as Revoluções daquele ano na Europa. Aprecie aqui (4 min) Georges Prêtre dirigindo a Filarmônica de Viena em 1-1-2008.
Confira abaixo um trecho da apresentação da OSPA em 23 de novembro de 2010, no Salão de Atos da UFRGS, executando o 2º movimento (Molto Vivace) da Nona Sinfonia de Beethoven, sob a regência de Isaac Karabtchevsky.


Fonte: OSPA
Imagem: Taringa

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

"Flor do sal", canção afro para a história de Pelotas

No ritmo africano Ijexá, Amaro Radox (letra) e Sulimar Rass (música) compuseram a canção "Flor do Sal" para o 29º Reponte da Canção Nativa. O festival realizou-se em maio de 2013, em São Lourenço do Sul.

tema foi selecionado, representando Pelotas, na linha Manifestação Regional (v. anúncio no blogue BAHstidores). No entanto, não obteve prêmios (v. resultados no blogue Ronda dos Festivais). 



Nas terras do grande quintal
Vi nascer a flor do sal,
Despertando o amor primeiro
Na estância do saladeiro.

Boi barroso, bumbá e canário
Unidos na celebração,
Boitatá espalhando brasas,
Criando asas da imaginação.
Tambor de sopapo, tambor que batuca,
Levada nas mãos da negrada,
Dançou o quilombo, dançou a senzala,
Dançou toda a charqueada.
Sinhazinha, mucamas e moços cirandavam num grande luzal,
Ciranda virou cortejo até as areias do Laranjal,
Flor do sal virou princesa no Rio Grande do Sul,
Adornada com riquezas, cascatas, céu azul.

Flor do sal manchou-se de sangue no dia da grande matança,
Nas águas do arroio Pelotas lavou-se de esperança,
Vestiu-se de arte, também de doçura, cultura e simpatia,
Formosa em verso e prosa, teor do poeta e da poesia.

Fonte: YouTube

domingo, 9 de novembro de 2014

1º Festival de Jazz de Pelotas (2010)

Moviola Filmes documentou momentos do 1º Festival de Jazz de Pelotas

A versão pioneira do Festival de Jazz de Pelotas realizou-se em julho de 2010 no Teatro Guarani, em três noites dentro da Semana de Pelotas (v. programação). O documentário de 15 minutos da Moviola Filmes (acima), dirigido por Cíntia Langie e Rafael Andreazza, mostra os momentos mais emocionantes desses dias, junto a declarações dos principais envolvidos, entre organizadores e artistas.

Participaram nomes da música local, como Gilberto Oliveira, Celso Krause e o grupo Quebraceira, e convidados especiais: o uruguaio Hugo Fattoruso (com seu grupo Rey Tambor), Geraldo Flach e seu quinteto, e o legendário Hermeto Pascoal. Nesta ocasião destacado como patrono do evento por sua trajetória, o gaúcho Geraldo Flach veio a morrer meses depois, em janeiro de 2011 (v. Wikipédia).

A ideia nasceu no Clube de Jazz de Pelotas, como a realização de um sonho antigo, e, posteriormente, o evento denominou-se Pelotas Jazz Festival (com pronúncia à inglesa, jazz féstival). Não se trata propriamente de um festival por não existirem concorrentes nem premiações, mas sim com a grandiosidade de um evento de vários dias e com figuras de importância internacional.

Grande entusiasta do Festival desde o início, Hermeto Pascoal disse que este "veio para ficar" e que esperava "voltar o mais rápido possível", segundo registrado neste documentário. A ocasião demorou 4 anos, mas chegou. Visitando a orla do Laranjal, o alagoano exaltou a beleza do Balneário dos Prazeres:
Isto aqui é um Céu na Terra!

Imagem: Festival de Jazz

sábado, 8 de novembro de 2014

"Nas ruas da Princesa", de Sulimar Rass


Eu andei nas ruas da Princesa,
Eu vivi as ruas da Princesa,

Inventando fortalezas, e muralhas e asfaltos
bem no alto da escuridão, bem no alto da escuridão.

Eu vivi [meu bem] nas ruas da Princesa,
Eu andei [meu bem, meu bem, meu bem, bem bem] nos becos fortalezas.

Úmida aragem que nas ruas da Princesa dá
bem nos vales do Barão, bem nas barbas do Barão,
bem nos vales do Barão [meu bem], bem nas barbas do Barão.

Eu molhei os meus pés na correnteza,
Nos becos, em sossegos de mendigos,
reis nos açudes, em virtudes de ser eu.

Eu andei nas ruas da Princesa,
Eu andei nos becos fortalezas.

Úmida aragem que nas ruas da Princesa dá
bem nos vales do Barão, bem nas barbas do Barão,
bem nos vales do Barão (meu bem), bem nas garras do Barão.

Assista a Papo e Canja com Sulimar Rass.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A história do maestro Sérgio Sisto


Natural de Porto Alegre, o maestro Sérgio Sisto começou sua formação musical aos 15 anos na Escola de Música da OSPA, sob a orientação da professora Lory Keller. Desde criança, já participava no coro da Igreja Mórmon, e passou a estudar também viola. Venceu por cinco vezes o concurso Jovens Solistas. Participou da série Concertos para a Juventude e em diversas temporadas da OSPA, sob a regência de maestros como Tulio Belardi, Arlindo Teixeira, Diogo Pacheco e Eleazar de Carvalho, nas principais salas e casas de óperas e concertos do Brasil.

Em 1988, foi selecionado pela United States Information Agency (USIS), junto a outros jovens latino-americanos, para representar o Brasil como Jovem Adido Cultural nos Estados Unidos, apresentando-se no New World School of Music em Miami, além de receber bolsa de estudos na Manhatan School of Music em Nova Iorque. No Coro Ópera Brasil, trabalhou com assistente do maestro Silvio Barbato. Deste trabalho em parceria com a Orquestra Sinfônica Brasileira seguiram-se diversas apresentações.

Como cantor lírico e regente auxiliar, atuou no Teatro Municipal de São Paulo, Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Teatro Amazonas, em óperas como Andrea Chenier, Manon Lescaut, Un Ballo in Maschera e Samson et Dalilah. No Rio de Janeiro, por três anos, foi preparador e co-repetidor de óperas e oratórios em produções com Isaac Karabtchevsky e Eugene Kohn. Contracenou com figuras como: Plácido Domingo, Giuseppe Giacomini, Justino Diaz. De 1991 a 1993, atuou em óperas no Teatro Municipal de São Paulo sob a regência de John Neschling, Alessandro Angiorgio e Tulio Colaccioppo, em produções como Aida, Il Campanello e Turandot, entre outras.

Em 1995 realizou a primeira apresentação com alunos de canto em Pelotas, e não parou mais nos anos seguintes, gerando o Coro da Sociedade Pelotense Música pela Música.

Em 2004, iniciou a formação da Orquestra com apenas seis músicos. Com os anos foi equilibrando a formação de naipes no conjunto, até chegar à configuração de uma Orquestra Filarmônica. Agora conta com cerca de sessenta integrantes de Pelotas e região. É o atual diretor artístico e regente do Coro e da Orquestra Filarmônica Música pela Música, que se apresentam regularmente em Pelotas e em cidades próximas.

Na quinta-feira 13 de novembro será a Gala Lírica 2014 da Sociedade Música pela Música no Teatro Guarani, às 21h. Coro e orquestra acompanharão os solistas líricos Elisa Machado, João Ferreira Filho e Fernando Montini.

Ingressos na Fábrica Cultural, Félix da Cunha 952 (9-18h, sem fechar ao meio-dia) ao valor de R$ 40 ou doação de material de higiene (3227 6601).

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Ópera na Escola festeja crianças

Tenor Giovani Corrêa e soprano Fernanda Miki no Brinde da Traviata, ópera de Verdi
O projeto de extensão da UFPel "Ópera na Escola" promove recital comemorativo ao Dia das Crianças na próxima terça-feira (21-10), às 15 horas, no auditório do Bloco 2 do Centro de Artes (Álvaro Chaves 65). A entrada a esta sala é gratuita.

No recital apresentam-se estudantes e ex-alunos do curso de Bacharelado em Canto, do Conservatório de Música, acompanhados pelo professor Dr. Marcelo Cazarré ao piano (v. post de 2010 Ópera na Escola: canto lírico para crianças).

Ângela personifica a cigana Azucena.
O projeto educativo começou em 2005 em Pelotas, com o objetivo de levar o canto lírico de forma lúdica às crianças da rede municipal de ensino infantil. Mediante conversas e brincadeiras, os solistas cantam cerca de 15 peças de diversas óperas, vestidos como seus personagens. Marcando-se como personagem teatral, o pianista também se caracteriza com uma capa.

Por exemplo, a mezzosoprano Ângela Elias canta a ária da cigana Azucena, da ópera de Verdi “O Trovador”, ante o fogo de uma pira de bruxaria. Essa atuação foi primeiramente encenada em outubro de 2007, no Salão Milton de Lemos (v. crônica neste blogue Tertúlia de Bruxas).

Nestes dez anos, mais de 3 mil crianças de Pelotas e Rio Grande já participaram das atividades do projeto, que desde 2005 vem sendo coordenado por sua fundadora, a professora de canto lírico Magali Spiazzi Richter.

O grupo abriu página no Facebook em 2013, quando começaram as apresentações na Escola Heitor de Lemos, em Rio Grande (v. no blogue do projeto os nomes dos atuais integrantes). Além do trabalho com a ópera, que começou com "A Flauta Mágica" em 2005, as seleções incluem também trechos líricos que podem ser interpretados de modo teatral, como a serenata "Colombetta", do italiano Arturo Buzzi-Peccia (na foto abaixo, representada por Fernanda Miki).
Soprano Fernanda Miki como a Colombetta de Buzzi-Peccia
Fotos: Ópera na Escola

POST DATA
21-10-14
Esta tarde realizou-se a apresentação de dez cantores líricos do projeto Ópera na Escola ante cerca de 140 crianças da Escola Félix da Cunha, situada nas imediações da UFPel, bairro do Porto. 
Na foto abaixo, tomada hoje no auditório novo do Centro de Artes, Breno Ribeiro e Fernanda Miki interpretam Don Tartarugo e Moranguinho (elaboração de Don Giovanni e Zerlina) no trecho "La ci darem la mano", cantado conforme música e letra originais de Mozart, ópera Don Giovanni. Na projeção de figuras com frases, as crianças puderam ver sintéticas explicações do texto.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Donato 80 em Pelotas

"John" Donato e os seguidores pelotenses (não músicos) Gabi Mazza, Tiago Klug e Leon Sanguiné

João Donato de Oliveira Neto (v. Wikipédia) está em Pelotas desde ontem, pela turnê internacional em comemoração de seus 80 anos, com o quarteto Ricardo Pontes (sax, flauta), Luiz Alves (baixo acústico), José de Arimatea (trompete) e Robertinho Silva (bateria).

O espetáculo "João Donato 80 anos" será no Teatro Guarani, nesta terça (14-10), com abertura a partir das 21h do grupo sambista "Feito em Casa". Ainda há entradas, à venda na bilheteria (R$ 150).

O evento marca também o lançamento do 3° Pelotas Jazz Festival (v. página do evento no Facebook), confirmado para os dias 20, 21 e 22 de novembro de 2014. A primeira edição chamou-se "Festival de Jazz de Pelotas", em julho de 2010, e trouxe Hermeto Pascoal (v. notícia); a segunda realizou-se em maio de 2013, com diversas figuras nacionais e internacionais (v. nota neste blogue).

Donato esteve no 2º Festival de Jazz, no Guarani,
e retorna, agora com 80 anos, como aperitivo do 3º.
Ícone da MPB e do jazz brasileiro, Donato é iniciador da Bossa Nova e parceiro de figuras como Tom Jobim, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Há uns quinze anos está casado com a jornalista pelotense Ivone Belém, sua produtora musical, e trinta anos mais nova (leia o artigo autobiográfico Do Acre para o Rio Grande).

Sobre João Donato, leia perfil completo segundo Ronaldo Bressane, a reportagem "Dom Natural", de Cristiano Bastos, e resenha da revista Aplauso.

Confira a música instrumental Amazonas, com o João Donato Trio (vídeo histórico de 1989, Donato aos 55 anos). Abaixo, programa de 50 minutos da TV Brasil com reportagem e debate sobre os 80 anos de João Donato.


Fotos: F. Campal

domingo, 12 de outubro de 2014

Ave Maria de Pelotas


Há quatro anos, Pelotas tem sua própria Ave Maria cantada. A melodia foi composta em 2008 pelo aposentado Pedro Monteiro, 81 anos, integrante do Coral Santo Antônio (a letra em latim pertence à tradição católica). Em 2013, Monteiro gravou vídeo (confira áudio, cantando a música 4 vezes, com acompanhamento de teclado), com imagens de igrejas de Pelotas (Catedral, Porto e Fátima).

Monteiro "intuiu" a música, confeccionou a partitura,
gravou vídeo e agora o divulga na imprensa.
Para escrever a partitura e terminar a harmonização, o cantor-compositor teve a ajuda de músicos conhecidos na cidade, como Possidônio Tavares, José Chagas e o professor Alfonso Celso da Costa Jr., ex-diretor do Conservatório de Música da UFPel.

Como autor, Monteiro diz que somente "plasmou" a música, não que a tenha composto, pois sente que a recebeu por intuição de um músico já falecido.

Sempre com o apoio de Paulo Santos no teclado, a parceria ressurgiu para homenagear Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, neste domingo (12-10). Esta notícia foi veiculada pelo Diário Popular (v. notícia), que produziu o novo vídeo com a dupla (acima).
Foto: M. Farias (DP)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mandinho, CD infantil


O professor e músico gaúcho Leandro Maia dedicou a seu pequeno filho um trabalho completo: o CD "Mandinho", composições para crianças, incrementadas com pesquisa teatral e antropológica, desenvolvimento de animação audiovisual e design tecnológico próprio. O disco multimídia foi lançado em show há um ano, em Porto Alegre (v. notícia).

Na primeira canção, Pintinhos da Galinha Japonesa, narra-se o insólito de uma história real que aconteceu no pátio de uma escola. A história ganhou refinamento e delicadeza com o arranjo do violonista erudito Thiago Colombo e a participação da menina Lígia Constante, de nove anos, que empresta seu olhar de criança para a música.

Atualmente, Leandro, que é nascido em Caxias do Sul, mora em Pelotas e trabalha na UFPel. Assim como toda pessoa que chega a Pelotas, ele não sabia o significado de "mandinho" (baixinho, gurizinho), palavra usada somente nesta região, sempre no masculino. Não se sabe ao certo a origem, se bem é fácil associar o termo ao diminutivo de Armando.

Enquanto trabalha no lançamento do seu terceiro disco, "Suíte Maria Bonita e Outras Veredas", Leandro comemora o Dia das Crianças disponibilizando o videoclipe "Pintinhos da Galinha Japonesa" como presente aos mandinhos (vídeo abaixo). Esta quarta (8-10) às 19h, ele traz parte do seu show a Pelotas estará autografando na Vanguarda do Shopping. A Semana da Criança continua em Rio Grande na sexta (10-10).


Fontes: UFPel e Facebook

domingo, 21 de setembro de 2014

Recital pelos 96 anos do Conservatório


Na quinta 18 de setembro, um recital homenageou mais um aniversário do Conservatório de Música, no Salão Nobre da Biblioteca Pública. Já houve ocasiões, registradas aqui no blogue, em que a data passou sem que fosse programado um concerto. Hoje, com o auditório Milton de Lemos fechado, professores e alunos têm mais razões para unir-se e levantar sem cansaço a bandeira da música erudita, como vem fazendo a Casa desde 1918.

O vídeo acima é de um dos trechos do programa: Delírio del Cuore (Romanza), para canto, piano e violino, do italiano Guido Papini. Os intérpretes são Fernanda Miki (soprano) e Hanan Santos (violino). De acordo a buscas no Google, quase não existem registros desta obra, nem em gravações nem em recitais, o que faz desta apresentação algo ainda mais criativo. Inclusive o compositor não está catalogado na Wikipedia em italiano; somente há uma duas linhas em francês (leia aqui). Parabéns aos músicos e à Universidade.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Caro Nome, Luísa Kurtz


A ária de Gilda conhecida como "Caro Nome" é uma das melodias líricas para soprano mais populares que existem. A canção expressa a doçura e a sensação de eternidade do primeiro amor, sentido pela personagem em relação ao homem idealizado. Pertence à ópera "Rigoletto" (1851), com música de Giuseppe Verdi e texto de Francesco Piave, num libreto baseado em obra teatral de Victor Hugo (v. Wikipedia).

O trecho é muito usado em recitais com grande público, pois além de agradar o ouvido permite mostrar a habilidade vocal da artista. Ele foi incluído num dos concertos do II Festival Internacional SESC de Música (Teatro Guarani, janeiro de 2012), com o desempenho de Luísa Kurtz e a orquestra dirigida por Evandro Matté (acompanhe letra e música na partitura para voz e piano).

Diário Popular impresso (10-04-2007, p. 21)
Luísa formou-se no Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas em 9 de março de 2007. Na época, escrevi uma crítica do recital de formatura, publicada pelo Diário Popular um mês depois (dir., clique para ampliar).

Nestes sete anos, Luísa tem sido um dos motivos de orgulho para o Conservatório pelotense, e seus tantos alunos têm apresentado excelentes desempenhos no Brasil e no exterior, tanto nos cenários como na docência universitária.

A entidade particular que foi fundada em Pelotas, em 1918, para aprimorar a cultura musical hoje é um subdepartamento do Centro de Artes da UFPel. A comunidade tem visto o abandono sofrido por esta unidade universitária, por seu tradicional prédio e pelo ensino da música erudita, em mãos do governo federal, nos últimos anos (v. post Conservatório precisa de conservação).
Imagem: acervo do editor

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Conservatório de Música precisa de conservação

O músico, compositor e diplomata pelotense Luiz Carlos Lessa Vinholes escreveu o artigo abaixo, com algumas recordações do Conservatório de Música na década de 1950. A Casa fundada em 1918, municipalizada nos anos 30, e depois gradualmente incluída na UFPel, se encontra hoje como uma unidade menor, dependente do Centro de Artes, e com aulas espalhadas por quatro sedes da Universidade.

Também está negligenciado o tradicional prédio do século XIX onde já por 96 anos funciona este símbolo cultural em Pelotas e bastião da música erudita. Há seis anos, a Universidade adquiriu piano novo e iniciou reforma do auditório (v. postagem); há cinco, comprou novas cadeiras (leia postagem de 2009) e, há quatro, a Prefeitura repintou as fachadas (v. postagem de 2010).

Faltou, no entanto, restaurar a estrutura do velho casarão e o Salão Milton de Lemos teve que ser interditado, em 2012. A nova reitoria tenta manter atividades no local, mas a propriedade ainda é do município e os custos de conservação são muito altos. Veja recente reportagem da RBS sobre o Conservatório de Música da UFPel.

Salão Milton de Lemos em 2011, antes da interdição, já com as novas cadeiras
(hoje estas cadeiras se encontram no auditório da Lobo da Costa, sede Canguru).

O Conservatório de Música é ícone de Pelotas

Tiro da estante pequeno álbum que há décadas guarda parte da história de 1952 do Conservatório de Música de Pelotas. Suas páginas têm fotos, programas e dedicatórias de intérpretes que se destacaram no cenário mundial de meados do século 20.

Para mim este álbum é muito especial, pois, com minha ida definitiva para São Paulo em 1953, ele passou a ser, sem que eu quisesse, testemunha da despedida de minha cidade natal.

Folheando suas páginas, entre tantos outros, vejo e recordo a:
    Conservatório ficou com um dos seus 3 pianos de concerto
    e nenhuma cadeira no auditório (foto de 2014).
  • Anselmo Zlatopolsky, violinista nascido na Rússia, que veio “em tenra idade para o Brasil, onde mais tarde obteve sua naturalização” tornando-se spalla do Quarteto Haydn, que Mário de Andrade criou quando fundou o Departamento de Cultura de S. Paulo; 
  • Nicanor Zabaleta, o harpista espanhol considerado “o primeiro harpista do mundo” (v. biografia) depois de apresentar-se aos nove anos de idade, estudar em Paris com Marcel Tournier e ser solista das mais experientes orquestras do Velho Continente; 
  • o pianista Sebastian Benda, nascido na França, “descendente da dinastia de músicos iniciada no século XVIII, incluindo Franz e George Benda, compositores da corte de Frederico o Grande” (leia neste blogue crônica sobre Benda, escrita em abril de 1953;
  • Guido Santorsola, italiano de nascimento, exímio executante de viola da gamba (v. Wikipedia), que no Brasil foi aluno de violino de Zaccaria Autuori e de composição com Agostinho Cantú, no Conservatório Dramático e Musical paulista, falecendo em Montevidéu, depois de desenvolver intensa atividade como compositor e regente no Teatro Sodre
  • o Trio Pró-Arte formado por Maria Amélia de Resende Martins, piano, George Retyi-Gazda, violino, e Jacques Ripoche, violoncelo, ela uma das responsáveis pela fundação, na década de 1940, da Sociedade Pró-Arte, no Rio de Janeiro, que, empresariando grandes artistas, promoveu recitais e concertos de parceria com instituições das principais cidades do Brasil; 
  • Walter Gieseking, pianista francês nascido em 1895, aluno de Eugenio Gandolfo, que viu sua carreira interrompida com a guerra de 1914 e que mais tarde, embora contra sua vontade, teve que tocar para Adolfo Hitler (v. Wikipedia).
De Sebastian Benda vale lembrar que foi diretor do Departamento de Música da Universidade Federal de Santa Maria e, mais tarde, do mesmo departamento da Universidade Federal da Bahia. Também em 1952, sob a regência de H. J. Koellreutter, conhecido mestre de compositores brasileiros, tais como Claudio Santoro, Edino Krieger e Guerra Peixe, Benda foi solista da orquestra da Sociedade Orquestral de Pelotas. Koellreutter, por sua vez, regeu o Coral do Conservatório apresentando a singular cantata “Negrinho do Pastoreio”, para vozes femininas, de Eunice Catunda, anos depois regida por Lourdes Nascimento, mestra de gerações de cantoras e cantores pelotenses.

Lendo notícias recentes, tomei conhecimento das tratativas que visam retirar o Conservatório do local que ocupa. Preocupa-me, pois se não levarem em consideração o seu passado, destruirão parte da história de Pelotas, em prejuízo das gerações futuras. O Conservatório, no prédio em que se encontra há quase um século, é ícone da Princesa do Sul.
Luiz Carlos Vinholes

Projeto PROFORMUS, do Conservatório, promove recital esta quarta (27-08), 19h, na Biblioteca Pública.
Texto: Diário Popular
Fotos: ASCOM (1), RBS (2), Facebook (3)

POST DATA
3-09-14
Leia reportagem Conservatório recebe apoio da Câmara.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Farroupilha, a guerra que não perdemos

O cantor e compositor Joca Martins publicou ontem (25-08) "A guerra que não perdemos" (letra de Rodrigo Bauer; música de Joca e Negrinho Martins), canção que enaltece o ser gaúcho e o lado positivo da derrota militar farroupilha em 1845. O mês gaúcho é setembro, desde que se comemora no dia 20 o início da Revolução de 1835. Se o Rio Grande do Sul não se transformou numa república separada do Império, pelo menos ainda tem o povo mais consciente, mais unitário e mais aguerrido, patrimônio moral e cultural que contribui a um Brasil maior e melhor.


Que povo canta com garra o hino do seu Estado?
E que rebrota mais forte em cada guri pilchado?
Se alguém venceu uma guerra, se vê naquilo que traz,
Nem mesmo ganhar a guerra nos vale mais do que a paz!

A Semana Farroupilha, de novo, acende essa chama...
Nossa Cultura está viva, pois essa gente lhe ama!
A vitória, dia a dia, é nossa e nós merecemos;
Por isso comemoramos a guerra que não perdemos!

Quem diz que nós festejamos
Uma guerra que perdemos
Não vê que, nela, ganhamos
A identidade que temos!

Dez anos peleando juntos de uma história vitoriosa;
Impondo o próprio respeito que garantiu paz honrosa!
O gaúcho ergueu a espada porque o Império o feriu,
A mesma espada que há tempos já defendia o Brasil!

A juventude gaúcha renova a nossa paixão,
Vai se afastando do vício quem gosta da tradição...
Criamos os nossos filhos do jeito que nós crescemos,
Alicerçando os valores da guerra que não perdemos!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Pedro Munhoz, a rebeldia da tristeza

Pedro Munhoz e seus convidados: bailarina Carol, cantor Cícero do Crato e griô Dilermando
Pedro Munhoz é um cantautor latino-americano bem especial: nasceu no Rio Grande do Sul, compõe em português e utiliza ritmos e instrumentos brasileiros. No entanto, o nome hispânico, a ideologia socialista e a linguagem musical o aproximam mais de um chileno como Victor Jara ou do cubano Silvio Rodríguez.

Nos anos 90 esteve radicado em Pelotas, onde lançou seu primeiro disco (Encantoria). Na sexta passada (15-08) apresentou aos pelotenses as músicas de seu sexto CD, "Guitarra toda a vida" (v. discografia completa).

O jornalista Carlos Cogoy relatou o espetáculo no Diário da Manhã (v. notícia), destacando um comentário do músico em discordância com a Estética do Frio, do pelotense Vítor Ramil. De acordo à matéria, Munhoz disse que suas letras falam daqueles que passam frio e que tal frio, entendido como miséria e sofrimentos injustos, não lhe servem como estética.

Ao parecer, Pedro Munhoz pretende superar a contraposição entre a alegria tropical tupiniquim e a melancolia invernal dos europeus. Por um lado, suas letras e melodias remetem à tristeza e à dor que se espalham pela América do Sul invadida e dessangrada. Por outro, a instrumentação étnica e a voz raspada e gritada querem fazer-se válidos em todos os lugares cálidos e equatoriais, talvez em busca de um sentimento indígena mais próximo ao sertão ou aos mares do Caribe.

Entretanto, se chegarmos a entender o conteúdo do Frio proposto por Ramil, veremos que a proposta de Munhoz se enquadra na mesma estética que ele diz rejeitar. Cantar a injustiça dos oprimidos é simplesmente outra manifestação do Frio, propriamente americana, e pouco tem a ver com o tropicalismo, mais otimista e menos realista. Com tudo isso, o "lamento cálido" de Pedro Munhoz conserva sua vigência em lugares frios como Pelotas (v. canção "A outra história da Princesa", letra e vídeo abaixo, confira áudio no PalcoMP3).

A outra história da Princesa 
Música e letra: Pedro Munhoz
CD: C´aminhador ao vivo
Eu prefiro cantar a minha terra,
Os barracos, vielas deste chão,
A miséria beirando o São Gonçalo,
Porta da frente do rincão.
É preciso lembrar o saladeiro,
Dia e noite o açoite, a escravidão.
Charqueada mandando no destino,
Filho pra Europa, negro no porão.

Eu prefiro cantar a minha terra,
Dor que encerra no peito cantador,
Das meninas da Praça Pedro Osório,
A luta diária dos camelôs.
Eu prefiro chamar a minha terra
Pelo seu nome, não perco o tom,
Do contrário é visão iluminada
Tão somente por luzes de neon.

Vê bem, vê lá,
Esta terra
É feita de gente,
Camará!!!

Sol poente num beco do arrabalde,
Cheira cola um menino na calçada,
Têm notícia da Alta Sociedade:
Faliu mais um neto das Charqueadas.
Ponta a ponta percorro esta cidade,
Manifesto, protesto com os estudantes.
Em fevereiro eu sou Bruxa,
Sou Pelotas, Farrapo, sou Xavante.

Bom Jesus, Cascata e Lagoa,
Manhãzinha se vai o pescador,
O pó da estrada destas serras,
A gente buena do Interior.
Eu prefiro chamar a minha terra,
Pelo seu nome, não perco o tom,
Do contrário é visão iluminada
Tão somente por luzes de neon.


Fotos: C. Cogoy (DM)