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sábado, 29 de agosto de 2009

Mercadores e Prefeitura em prontidão

Nesta quarta-feira (26), o Mercado Público não abriu pela manhã. Comportando-se como proprietários, os locatários fecharam o negócio para atender de um assunto crucial: uma reunião na Câmara de Vereadores para pedir apoio do Legislativo ante as medidas anunciadas pelo Executivo.

Na terça, o Prefeito Fetter usou de sua autoridade e anunciou os procedimentos para reformar o prédio o mais rapidamente possível, sob pena de perder os 2 milhões obtidos pelo Programa Monumenta. O método seria deslocar todos os ocupantes das galerias internas para outros locais, durante 14 meses.
Na quinta (27) à noite, reuniram-se comerciantes, vereadores e prefeito. Todos concordavam com a restauração do velho Mercado, mas sem querer perder os direitos ganhos durante a ocupação (legal), mesmo alguns sem pagar os aluguéis (ilegal).
Desde terça-feira, o Amigos de Pelotas vem informando detalhes do caso, com muitos comentários de seus leitores (pesquise aqui). O blogue do Rubens não tinha abordado o tema com tanto entusiasmo; agora que explodiu, pode ver-se que favorece uma reforma do Mercado.
Já o Diário Popular não tem dado até agora maior importância ao assunto, talvez concentrado mais em seu aniversário (27), mas deverá ter uma atitude, neste assunto que lhe serve para marcar diferenças intrafamiliares.
Naquele dia em que o conflito deixou de ser latente e ganhou as ruas, as motos da Guarda Municipal ficaram toda a tarde diante do Mercado, como a testemunhar que a ordem estava sendo alterada (dia 26, acima). As guardas, como o nome diz, não são parte interessada mas resguardam a situação geral. Finalmente, não houve desordem e o Mercado reabriu pela tarde, mas ficou claro que há aqui um grupo em pé de guerra (no sentido mais amplo).
O prédio da Prefeitura (dia 27; dir.) parecia impor-se sobre o mais vetusto Mercado, como um administrador poderoso que deve fazer uma faxina sem tempo a perder.
Fotos de F. A. Vidal

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Melhorar a leitura, em três níveis

Transformar o Brasil em uma sociedade leitora é condição fundamental para a qualificação da democracia e da relação com as artes, com o patrimônio histórico e cultural ("leitura" não somente de mensagens escritas, mas de todas as formas de comunicação).
Esta ideia - ambicioso objetivo - se encontra no Projeto Nacional de Cultura (PNC, 2ª ed.), do Ministério da Cultura (veja o texto, p. 45-46).
Diz o PNC que saber ler palavras é exercer a capacidade mental de compreensão do mundo.
  • Do ponto de vista social, quem aprende a interpretar o mundo se faz cidadão efetivo, vê soluções para os problemas da sociedade, ajuda na criação de uma cultura de paz e criatividade.

  • Do ponto de vista mental, quem decifra os signos escritos - e interpreta seus múltiplos significados - está pensando sobre a realidade, sobre si mesmo, sobre a vida e o ambiente. Quem pensa: ordena ideias, analisa e resume informações, relaciona dados de várias fontes, aplica o que sabe a diversas áreas, critica vantagens e desvantagens sob diferentes pontos de vista.
Analfabetismo absoluto (não soletrar)
Em 2006, calculou-se em 10,4% o analfabetismo absoluto dos brasileiros, equivalente à Europa do século XIX. Em 2005, o IBGE havia informado 11,1% entre os maiores de 15 anos. A diminuição num ano foi de 0,7%.

A queda do analfabetismo de 1996 a 2006 significa 29% de melhoria, mas isso ainda mantém o Brasil no incômodo penúltimo lugar no ranking de alfabetização na América do Sul: somente a Bolívia tem um índice maior de analfabetismo (absoluto): 11,7% (veja a notícia).
Analfabetismo funcional ( não compreender)
Não se trata simplesmente de erradicar o analfabetismo absoluto, o conhecimento mais básico das letras. Igualmente nefasto para a sociedade é o analfabetismo funcional, o de quem domina o alfabeto de modo precário: lê mas não compreende, junta letras mas não conhece palavras, decifra signos mas não capta significados.
Analfabetismo secundário (não ter o hábito)
O analfabetismo secundário é o daqueles que, tendo sido alfabetizados, não leem por uma desvalorização social da leitura e pelo pobre acesso a livros, revistas, jornais e internet.
O índice citado acima (10,4) sobe para 45% quando se avalia quantos brasileiros não são leitores.
O índice nacional de leitura é de 4,7 livros por pessoa ao ano - incluindo-se os livros indicados pela escola (sem eles, a média cai para 1,3). Um francês lê em média 7 livros ao ano; um colombiano, 2,4 (segundo pesquisas com métodos diferentes).

Alfabetizar em três níveis
Dessa visão triplamente negativa percebida pelos sociólogos e políticos, extraímos os três aspectos positivos da alfabetização, que são nossos recursos e nossos desafios:
  • 1. Alfabetização absoluta.
    Se 89,6% sabiam soletrar no Brasil em 2006 e a cada ano o índice pode subir 0,7 - então em 2010 (mais um semestre) 92,4% terão o alfabetismo mais básico.

  • 2. Alfabetização funcional.
    Boa parte dos já alfabetizados no sentido absoluto - talvez um terço - requer ajuda para superar este nível mais primário e poder compreender o que eventualmente lê.

  • 3. Alfabetização secundária.
    A porcentagem de 55% de brasileiros que costumam ler - apesar de nossa cultura não valorizar o estudo - precisa de apoio para não passar ao outro lado, e para sobrepor-se ao resto, com seus hábitos mentais positivos.

Saiba mais sobre o Movimento por um Brasil Literário, que busca difundir a leitura literária.
Imagens da web

domingo, 16 de agosto de 2009

População dos municípios da Zona Sul

Segundo estimativas do IBGE divulgadas esta sexta-feira (14), Pelotas estaria com 345.181 habitantes, no dia 1 de julho de 2009. O destaque foi feito pelo Diário Popular de ontem, sábado (veja a notícia).

De acordo ao site IBGE Cidades, em 2007 nossa cidade tinha 339.934 habitantes. O Rio Grande do Sul tem 496 municípios; o Brasil, 5565. Pelotas é o maior centro da Zona Sul do Estado, a qual inclui 23 municípios, de acordo com a mesma notícia (esta distribuição pode variar segundo diversos critérios).

Um pouco atrás na lista, Rio Grande pode considerar-se uma irmã ou rival, com uma concentração populacional pouco mais alta que a metade de Pelotas (196.337 habitantes).

Em degrau abaixo, as cidades entre 100 mil e 10 mil habitantes, lideradas por Canguçu (56.064), São Lourenço do Sul (43.388), Santa Vitória do Palmar (31.605) e Jaguarão (28.244). As outras deste grupo: São José do Norte (26.116), Encruzilhada do Sul (25.154), Capão do Leão (24.458), Piratini (21.180), Arroio Grande (18.748), Pinheiro Machado (13.152).

As restantes, pela ordem, ficam abaixo dos 9 mil habitantes: Santana da Boa Vista, Pedro Osório, Herval, Amaral Ferrador, Cerrito, Morro Redondo, Chuí, Aceguá, Turuçu, Arroio do Padre e Pedras Altas (2.638).

A questão populacional e a econômica vão muito ligadas, e os prefeitos tentam solucionar as questões financeiras e mais básicas dos seus municípios, em geral pressupondo que com tranquilidade econômica as iniciativas artísticas surgirão. No entanto, a valorização e o desenvolvimento cultural são bem mais afetivos e menos matemáticos. E os economistas ainda não se dão conta de que o individualismo capitalista não é a única opção de desenvolvimento. Exemplos de contradições entre economia e cultura não faltam entre nós:

  • Rio Grande tem museus, teatro municipal, conservatório de música e cinema, mas sua população prefere vir a Pelotas fazer compras, divertir-se ou estudar.

  • A Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo de Santa Vitória apoia atividades culturais com músicos e escritores locais, mas a cidade não tem uma só livraria, pois os vitorienses não se interessam pela leitura.

  • Enquanto São Lourenço tem ricas tradições, Chuí se reduz a um ponto comercial de fronteira.

  • Jaguarão tem uma Casa de Cultura organizada pela Secretaria, enquanto Pelotas ainda não tem a sua.

  • Parte dos músicos de nossa Orquestra Filarmônica provém de Rio Grande (foto acima).

Sendo "capital" da Zona Sul (sabe-se que a riqueza gerou aqui maior desenvolvimento da arte e da literatura), deveríamos ter Conselho de Cultura municipal - com casa própria -, mas a nossa Prefeitura foca muito mais nos aspectos racionais e físicos. Por outro lado, a Câmara de Vereadores não tem a menor iniciativa na área cultural, refletindo como "casa do povo" uma pobre formação de nossa gente nesta área. Uma boa ideia seria que os municípios tomassem uma atitude mais cooperativa do que competitiva, considerando que, como o Diário faz notar, a Zona Sul tem 900 mil habitantes, como um todo.
Imagens: site Blig (quadro "Operários", de Tarsila do Amaral) e Fenadoce

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Ideias para promover a leitura

No blogue português Bibliotequices achei estas ideias para promover o interesse pelo livro e pela leitura, em diversos níveis de ação (veja o post); adaptei a linguagem para ser mais simples e compreensível.

Para atrair o interesse

  • Exibir o livro de forma chamativa e criativa.

  • Apresentar o livro em todas suas formas - edições de luxo ou edições de bolso, em braille, e-book e audiobook.

  • Estimular a paixão pela leitura, seja mediante exemplos de referência, o grupo de pares ou a promoção mediática da leitura.

  • Para quem não se interessa pela leitura ou pela pesquisa de informações mais profundas, descobrir quais as portas que se poderão usar como entrada para a leitura.

  • Criar nos promotores de leitura (educadores, publicistas, escritores, pais e mães) a noção de que as pessoas são conquistadas para a leitura das mais variadas formas, até bem diferentes da forma em que nos conquistou.

  • Abrir os horizontes dos próprios promotores de leitura: existem novos gêneros, novos autores, novos fenômenos literários, novas mídias, novos temas, novas linguagens.

Para encaminhar o interesse

  • Ensinar e desenvolver técnicas de leitura para ir desde o bê-a-bá até à leitura de livros científicos.

  • Identificar os pensamentos da pessoa que tem vontade de ler, e orientar suas motivações para a variedade de gêneros e autores da cultura universal.

  • Identificar o leitor individual que poderá ter interesse num determinado livro e então fazer chegar essa informação ao interessado de modo chamativo.

  • Nós lemos por prazer, mas não somente; também lemos para melhorar o trabalho, como parte de nossa profissão.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Dia internacional dos museus

A presença de museus numa cidade qualifica suas relações sociais. 
Visitar museus e extrair o melhor proveito de suas múltiplas atividades são hábitos que precisamos cultivar e estimular em nossas comunidades.
Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG), da UFPel
No Dia Internacional dos Museus, 18 de maio, a Secretária Estadual da Cultura, Mônica Leal, escreveu as frases acima, em artigo no Correio do Povo (p. 4).

O Rio Grande do Sul conta atualmente com 368 museus de diferentes tipos e esferas de administração, destaca a Secretária. Segundo ela, o Governo do Estado tem aumentado os investimentos em conservação do patrimônio cultural. Por outro lado, duas universidades federais gaúchas (UFRGS e UFPel) contribuem à capacitação de pessoal técnico, com cursos de graduação em Museologia.

Pelotas tem vinte museus e memoriais abertos ao público, alguns deles com muito pouca divulgação: pouco visitados e pouco conhecidos pelos pelotenses. Por exemplo, muitos conhecem o Museu da Baronesa - de nome, ou por haver entrado - mas pouquíssimos sabem da existência do Museu Carlos Ritter, na Deodoro com Cassiano. Há também quem não saiba que o Instituto João Simões Lopes Neto, a Biblioteca Pública e o Colégio Municipal Pelotense contêm pequenos museus.

Neste blogue, já vimos alguns deles (veja a seção Museus). Há outros ainda em construção; a lista foi feita pelo Diário Popular no domingo passado (site não disponível), dia de início da Semana dos Museus 2009 (de 17 a 23 de maio), promovida pelo Sistema Nacional de Museus.
Foto: site da Charqueada Santa Rita.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Gestão cultural é lenta, mas em Pelotas é mais

A SeCult tem uma diretoria de Artes Visuais, que é das mais ativas na Secretaria, mas se vê algo acanhada na produção de atividades, pelo menos no contexto de uma cidade como Pelotas. Digo isto à luz das duas exposições organizadas pela entidade este ano: uma em fevereiro (veja o post) e outra em abril (veja o post).

A Secretaria tem um privilégio, em relação a outros municípios: focar exclusivamente na Cultura, sem a exigência de administrar outras áreas, como Educação ou Turismo, habitualmente relacionadas. No entanto, o que se observa aqui é que a gestão não vai no mesmo intenso ritmo do ambiente artístico.

A agenda de exposições da UCPel fica lotada já no início do ano, com vinte mostras, e o Hospital da UFPel programa outras tantas (cada uma de duração quinzenal). Somando as atividades do MAPP e de vários ateliês, realizam-se pelo menos 60 exposições anuais na cidade (em média, uma a cada 6 dias). Quantas delas vai organizar a SeCult em 2009? Uma a cada dois meses (veja a notícia).

A gestão cultural, em geral, já é lenta em si mesma, pela dificuldade de planejar e executar políticas de longo prazo, mas em Pelotas - cidade de boa produção artística e científica - a autoridade segura as rédeas com firmeza, e ainda parece orgulhosa do seu ritmo, como se bastasse administrar a tradição e as glórias do passado.

O Casarão 2 foi tombado em 1977, e teve que esperar 25 anos para ser restaurado; os trabalhos levaram mais dois anos, até novembro de 2005, quando ele foi batizado como Centro Cultural Adail Bento Costa (veja a notícia). Desde então, a SeCult ocupa - provisoriamente - o piso superior, até poder ir a um lugar definitivo. Enquanto isso, o Centro Cultural segue esperando o momento de utilizar plenamente seu espaço como casa de cultura, museu, galeria, e local de encontros culturais em geral. Serão precisos mais 25 anos?

Enquanto a Lei de Incentivo à Cultura não sai, a Secretaria de Cultura poderia
- aprimorar seu organograma,
- programar ações conjuntas com outras pastas,
- melhorar sua apresentação no site da Prefeitura,
- trabalhar um melhor relacionamento com os artistas e a comunidade no Conselho de Cultura,
- conhecer e apoiar mais as iniciativas em bairros periféricos e zona rural...
- talvez até, estimular que a Câmara de Vereadores tivesse uma divisão cultural.

Nas cidades com maior investimento na cultura, o Executivo e o Legislativo são criativos e incentivam a criatividade. Faltam 3 anos para o Bicentenário da Freguesia; em que situação estaremos até lá?
Fotos de Francisco Vargas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

A gestão cultural nos municípios

O Plano Nacional de Cultura 2ª ed. (p. 59) traz um diagnóstico geral, feito pelo IBGE em 2006, de como os municípios brasileiros classificam a cultura na organização da gestão pública. Em outras palavras, como o órgão administrador da cultura é caracterizado no organograma municipal.
  • EM CONJUNTO. Na grande maioria (72%), a Cultura é administrada por uma Secretaria que contém seu nome e de outras áreas. Por exemplo, em Jaguarão a Secretaria de Cultura e Turismo (SeCulT) coordena as políticas dessas duas áreas. Em Santa Vitória do Palmar, a SECTur administra Esporte, Cultura e Turismo.
  • SOB SECRETÁRIO. Em 12,6%, a Cultura é um setor subordinado a uma secretaria que não leva seu nome. Por exemplo, em Arroio do Padre, a Secretaria de Educação inclui a gestão cultural e esportiva, mas não usa a denominação por extenso.
  • SOB PREFEITO. Em 6,1% dos municípios brasileiros a Cultura é subordinada diretamente ao Executivo.
  • EXCLUSIVA. 4,2% têm uma Secretaria municipal exclusiva para Cultura. Em nosso Estado, é o caso de Pelotas (SeCult), Caxias do Sul, Santa Maria e Porto Alegre (SMC), mas também de cidades pequenas como Charqueadas (33 mil habitantes), que também tem uma Lei de Incentivo à Cultura para financiar projetos nesta área.
  • SOB FUNDAÇÃO.Em 2,6% dos municípios a Cultura depende de uma fundação pública.
  • ABANDONADA. Em 2,4% não há uma estrutura específica que atenda o setor cultural.
A Confederação Nacional de Municípios tem a seguinte informação sobre a gestão cultural:
  • Somente em 13,2% das cidades existe um Conselho na área de Cultura: são 734 municípios.
  • Em 570 deles, o Conselho realizou alguma reunião.
  • Na maioria deste último subgrupo (570), as reuniões tiveram periodicidade: mensal (249), mais espaçada, de 2 a 6 por ano (144), ou irregular (147). Uma ínfima minoria - 30 municípios, 0,5% do total no país - realizou reuniões mais frequentes (2 ou mais por mês).
  • Em 461 desses 570 municípios com Conselho de Cultura reunindo-se, este é paritário (com participação dos vários atores culturais).
O blogue Anuário de Estatísticas, do Ministério da Cultura, informa em 2008 que 88% dos municípios têm no orçamento recursos para a cultura, sem especificar porcentagens. O Rio Grande do Sul está em 7º lugar entre as 27 unidades federativas: 93% de seus municípios têm recurso voltado à área cultural.
Imagens: detalhes de um quadro de Tarsila do Amaral.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Concentração dos veículos culturais

O Plano Nacional de Cultura 2ª ed.(p. 50) analisa a realidade dos 5.562 municípios brasileiros quanto à concentração dos meios de comunicação da cultura.
Esse é um dos principais critérios para avaliar-se a qualidade cultural em nossas cidades. Há mais formas de avaliação, mas neste ponto é interessante observar onde a informação cultural está disponível ao povo brasileiro. Com certeza, é nas cidades com mais recursos econômicos e maior população, mesmo que essa relação não seja matemática.
Os dados abaixo provêm do IBGE, são de 2006 e estão apresentados nesse documento do Ministério da Cultura. Alguns deles parecem inacreditáveis, mas todos fazem pensar sobre as carências e os meios culturais de nosso país e de nossa própria cidade. Não podendo analisar todas as cidades brasileiras, pensemos na situação de Pelotas.
A TELEVISÃO ABERTA é o tipo de veículo mais bem posicionado no Brasil: 95,2% dos municípios têm acesso a um ou mais canais (Globo, SBT, Record, Band, RedeTV, outras). Praticamente a metade dispõe de 4 ou mais canais abertos.
4,7 - nenhum canal.
10,8 - somente 1 canal.
17,1 - dois canais.
19,5 - três canais.
17,5 - quatro.
30,3 - cinco ou mais.
Em segundo lugar, as BIBLIOTECAS PÚBLICAS estão presentes em 89,1% dos municípios.
Quando falarmos de índices de leitura, compararemos a porcentagem acima com a existência de meios impressos (jornais e revistas) e de livrarias (v. abaixo).
estádios ou ginásios poliesportivos em 82,4%, enquanto as videolocadoras estão em 82%.
Ainda em níveis altos: clubes e associações recreativas existem em 72,6% das cidades.

59,8% têm alguma loja de discos e fitas.
48,6% têm rádio comunitária, meio mais difundido que as emissoras AM e FM.
45,6% têm provedor de internet.
39,8% têm unidades de ensino superior.
36,8% têm algum jornal local impresso.
34,3% têm uma ou mais rádios FM locais.
30% dos municípios têm pelo menos uma livraria (venda de livros).
24,8% têm algum centro cultural.
21,9% têm um ou mais museus.
21,2% têm teatros ou salas de espetáculo.
21,2% têm rádio AM local.
9,6% têm geradora de TV. Portanto, 85,6% têm acesso a TV aberta por repetidoras.
8,7% têm um ou mais cinemas (de shopping ou não).
7,7% têm alguma revista local impressa.
7% têm shopping centers (com ou sem cinemas).
2,3% têm algum canal de TV comunitária.
Pelotas se inclui em todos esses grupos, por menores que sejam, sendo um município em boa posição, no contexto brasileiro. Neste blogue, estamos mapeando aos poucos nossa realidade cultural, ponto de partida necessário para poder progredir.
Imagens da web.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Poluição visual na cidade

A arquiteta pelotense Adriana Araújo Portella pesquisou, em seu mestrado na UFRGS e no doutorado na Inglaterra, sobre Percepção e Análise do Espaço Urbano.
Em seu estudo, ela define poluição visual urbana como a degradação do espaço em função do uso desordenado de anúncios comerciais. Estes costumam ser fixados sem considerar as características dos edifícios e a identidade do espaço urbano. Neste conceito, a publicidade que é posta de modo ordenado e respeitando a identidade cultural do setor em questão não é poluição visual. A ideia é que as casas e edifícios possam ver-se e que seja ativado o funcionamento econômico e social - como o turismo e o próprio comércio local.
Por exemplo, a Times Square em Nova Iorque é um centro comercial cosmopolita: ali os anúncios podem e devem ser de grandes dimensões, luminosos e variados: se eles fossem retirados, o vazio estaria negando a identidade do lugar. Em uma área residencial, por outro lado, os interesses e as características serão diferentes, e o planejamento da cidade deve contemplar essas diferenças.
O caso de Pelotas: no centro histórico, os anúncios comerciais devem respeitar e fortalecer a identidade cultural da área, que se veria prejudicada se os edifícios e seus detalhes não pudessem ser apreciados.
O magazine no Calçadão (esq.) e a farmácia na Osório (dir.) não destacam os traços culturais e arquitetônicos dessa zona histórica. Um caso emblemático é a Galeria Mazza (última foto abaixo), que passou em 2008 por uma restauração da fachada (provavelmente sob estímulo da pesquisa de Adriana Portella). Veja o post neste blog.
Um exemplo diferente é que as árvores em excesso da praça Coronel Osório já foram consideradas poluição visual, por impedirem ver os prédios mais importantes da cidade (valorização da história e da geografia urbana).
A tese de doutorado de Adriana investigou a percepção de 420 pessoas sobre a poluição visual em três cidades (Pelotas, Gramado e Oxford). Segundo suas conclusões, alguns fatores devem ser considerados no controle da poluição visual para que se obtenha um objetivo comum e coerente:
1. A sociedade e sua tendência ao consumo requerem a existência de anúncios comerciais. Considera-se que os usuários modernos têm necessidades visuais e de consumo, a ser integradas ao meio e manejadas como qualquer outra função urbana. O consumo pode ser estimulado sem prejudicar o ambiente.
2. Os interesses de diversos grupos urbanos, em 4 aspectos:
- a percepção da imagem histórica da zona,
- a imagem que os moradores gostariam de manter,
- a imagem que a autoridade pretende promover, e
- os interesses dos comerciantes.
O terceiro aspecto, da autoridade, não se refere simplesmente às normas, mas ao interesse de "marketing da cidade", a publicidade que favorece o turismo urbano, área por área. Além do controle urbano, há a promoção da cidade.
O quarto aspecto se vê muito no Calçadão, na Marechal Floriano e na General Osório, onde cada comerciante obtém um efeito positivo sobre o pedestre com anúncios individuais, mas, somando-se o conjunto da quadra, tem-se um resultado caótico, sem efeito estético nem comercial.
O que se requer é coordenar todos esses interesses, para um crescimento econômico que respeite a identidade cultural. As normas e o controle da publicidade vão depender de todos esses fatores.
Um dos resultados da tese de Adriana é que, com mais de 10% das fachadas ocultas por anúncios, as pessoas desenvolvem uma percepção negativa do setor. Se a poluição visual diminui, o comércio pode ter até benefícios. O trabalho foi apresentado em Pelotas, segundo noticiado na época, e gerou discussão na Câmara de Vereadores, que já esboçou normas, mas pode não ter suscitado o necessário debate com arquitetos, moradores e comerciantes.
Referências das pesquisas:
  • PORTELLA, Adriana Araújo.
    Evaluating commercial signs in historic streetscapes: the effects of the control of advertising and signage on user’s sense of environmental quality.
    Tese de Doutorado. Oxford Brookes University, Oxford, Inglaterra, 2007.
    Tradução aproximada: Avaliação de anúncios comerciais em paisagens urbanas históricas: quais os efeitos do controle da publicidade sobre a percepção que o morador tem da qualidade ambiental.
  • PORTELLA, A. A. (2003).
    A Qualidade Visual dos Centros de Comércio e a Legibilidade dos Anúncios Comerciais.
    Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pos-Graduação em Planejamento Urbano e Regional. Porto Alegre.
  • Times Square não é exemplo de Poluição Visual, artigo na revista Arquitextos n.94, março 2008.
Imagens: F.A.Vidal (1) e Adriana Portella (2-4).

sexta-feira, 20 de março de 2009

Cultura somos nós mesmos

Sobre a definição de cultura há controvérsias, inclusive entre os mais entendidos em antropologia. Há acordo geral em que o conceito de "cultura" é um grande ônibus onde cabem todas as produções humanas, principalmente artísticas, religiosas e científicas. O saco pode ampliar-se e aceitar toda a linguagem, os costumes, e as formas de estruturar o tempo.

Na política e no jornalismo, Cultura tende a ser uma área ligada a Educação, Turismo e Esportes, e que funciona como sinônimo de Artes. Alguns municípios têm uma pasta especial para Cultura, e alguns jornais a separam de Espetáculos e de Literatura. Mas se fosse pelas definições antropológicas, até Polícia, Esportes e Política deveriam entrar na editoria cultural, pois Cultura é tudo o que os seres humanos fazem ou dizem.
A Livraria Cultura tem fins comerciais, como todo negócio privado, e seu site é mais um ponto de vendas. Mas esta empresa também sabe empatizar com seus clientes, que são apreciadores e produtores de cultura, gente de nível médio ou alto, com alto poder aquisitivo. Sua revista de divulgação transformou-se em um bonito veículo impresso, com informações sobre os produtos que a rede de livrarias vende e sobre todas as atualidades humanas e científicas que interessam a seus consumidores.
Mesmo com o apelo comercial, a Revista da Cultura pode se considerar uma revista cultural, e não somente a revista da Livraria Cultura. Em uma de suas seções, Gente que faz a Cultura, essa duplicidade fica evidente quando os clientes respondem o que é Cultura. O negócio sai ganhando com essa ambiguidade, mas dos testemunhos podemos aproveitar o conceito que as pessoas têm de cultura.
Filtrei algumas dessas definições, retirando as de maior significado comercial, para contribuir a uma reflexão política e teórica sobre a Cultura. Já que são as pessoas que produzem e gostam de Cultura, o mais natural e coerente é justamente perguntar a elas o seu ponto de vista. Sobre essa visão é que devem elaborar-se planos culturais para nosso povo.
Cultura é...
- Alimento para a alma.
- Fundamental para entender a vida.
- Um pouco mais de felicidade no dia-a-dia.
- Os costumes que as pessoas têm, o que elas gostam de fazer no seu dia-a-dia.
- O refinamento da sensibilidade na percepção das criações de todos os seres humanos.
- Sempre tentar entender as coisas e aprender mais sobre tudo.
- Tudo que se absorve na vida, ao lado do prazer de ser e estar.
- Tudo aquilo que agrega.
- A dinâmica em que estamos inseridos, é o movimento humano.
- Diversão e arte.
- Continuidade e transformação, sensibilidade e humanidade.
- Tudo o que é construído com o traço da humanidade.
- Conhecimento e descobertas essenciais.
- A força máxima da vida.
- Ler e aprender cada vez mais.
- Tudo aquilo que alimenta e faz da nossa alma um instrumento para nossa excelência.
- A sedimentação de um passado... Quando os pais orientam e dão livros, a pessoa está bem formada.
- O que a gente tem de aprender.
- Várias informações virando uma só na minha cabeça.
- Uma fonte inesgotável de prazer.
- A abertura ao novo, sem medo de arriscar... As pessoas têm de ser plurais, e não apenas uma única coisa.
- Sempre aprender coisas novas, de um jeito que seja divertido.
- Respeitar as diferenças.
- Uma eterna busca de conhecimento de diversas formas.
- Tudo relacionado à arte e seus aspectos.
- Gosto muito de escrever e cultura é a minha vida.
- Onde mato minha curiosidade... posso viajar, descansar, aprender.
- Conhecimento amplo, sobre a vida, a arte. Você acha na livraria, no cinema, numa exposição.
- O hábito de ler, ver filmes, ter uma boa comida, bons vinhos, visitar lugares interessantes, uma mulher interessante.
- Quando temos alguma cultura, sabemos que precisamos ter ainda mais.
- Vai desde literatura, arquitetura, culinária, tudo o que faz parte dos costumes de um país. É o que caracteriza um povo.
- Uma coleção de vivências e interações com pessoas. Tudo isso introjeta algo que nos melhora como seres humanos.

sábado, 7 de março de 2009

Promover a cultura através dos museus

O Prêmio Mário Pedrosa, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) se destina a matérias jornalísticas sobre museus no Brasil.
O edital da primeira edição estipulou 8 mil reais para o 1º prêmio, 5 mil para o 2º e 3 mil para o 3º. A meta maior desse incentivo aos meios de comunicação "é fazer crescer o interesse do cidadão não só pelos museus, mas também por tudo que eles representam em termos de história cultural e memória de um povo" (veja a notícia no site do Ministério da Cultura).
Essa primeira edição foi motivada pelo Ano Ibero-Americano de Museus (2008), originando o tema:
Museus como Agentes de Mudança Social e Desenvolvimento.
O título já faz pensar em como a museologia pode educar e criar público, gerar novos relacionamentos e fatos sociais e até fazer pensar sobre si mesmo, como pessoa e como sociedade. Para isso, será esclarecedor revisar os trabalhos ganhadores, que este ano foram reportagens de jornais nordestinos:
1º "Museu de Todos" (Jornal do Commercio, Recife PE);
2º "A Casa é de Todos" (O Jornal, Maceió AL);
3º "Memorial Resgata História da Mulher no Agreste de Alagoas" (Tribuna Independente, Arapiraca AL).
O júri criou uma menção honrosa para destacar o trabalho de uma jornalista pelotense, Bianca Zanella, sobre o Instituto João Simões Lopes Neto (veja as duas notas deste blog: sobre a reportagem e sobre a jornalista). Mesmo não chamando-se "museu", o Instituto é um modelo quanto à preservação e à promoção de um conceito cultural bem definido, fazendo tudo o que um museu idealmente faz.
A 2ª edição do concurso Mário Pedrosa prevê o tema Museus e Turismo, para reforçar o potencial turístico, a pluralidade cultural e a diversidade dos museus brasileiros.
A Wikipédia tem um verbete sobre o crítico de arte Mário Pedrosa. Sua vida e obra também são fonte de inspiração para nosso desenvolvimento cultural.
Apesar de que o prêmio se destina aos jornalistas, fica aqui o estímulo aos museus pelotenses, para que gerem alguma ideia ou fato que os jornais possam cobrir. Como nossos museus promovem ou se inserem no turismo local, nacional ou internacional? Que projetos podem pensar para que os pelotenses façam mais visitas a lugares urbanos e rurais? Não poderiam começar formando uma associação?
Fotos da web (1 e 3): Museu de Arte Contemporânea, Niterói, e Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. Foto F.A. Vidal: Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre).

domingo, 1 de março de 2009

Concentração dos cinemas no Brasil

O Plano Nacional de Cultura (PNC, p. 35 - veja o texto da 2ª ed.) apresenta alguns diagnósticos da realidade cultural brasileira, como parte de uma discussão que deverá ocorrer em diversos âmbitos. Na informação sobre o cinema, aparece o seguinte:

Os 1.095 estabelecimentos de cinema existentes no país estão presentes em apenas 8,7% dos municípios. Ficam localizados, em sua maioria, nas regiões metropolitanas – especialmente, nos shoppings e bairros de alto poder aquisitivo.
Em comparação, 82% das cidades brasileiras têm videolocadoras.

Conforme a pesquisa DATABASE Brasil - 2006, realizada pela empresa especializada em cinema Filme B, as casas de exibição do País abrigavam 2045 salas de projeção em 2006. Como sabemos, hoje os cinemas incluem uma ou mais salas. Tudo isto na mesma quantidade de municípios: 484 com cinemas versus 4562 com locadoras de filmes. A informação contida no PNC provém de relatório do IBGE (veja o texto).
No eixo Pelotas-Rio Grande, há 3 estabelecimentos (um CineArt aqui, dois Dunas lá), com 5 salas em total. É preciso fazer notar: nas demais vinte cidades da Zona Sul não há um só cinema; somente locadoras em abundância.
Considerando-se o cinema como entretenimento, fonte de informação e estímulo psicológico, é preocupante que tão poucos brasileiros tenham acesso a este meio cultural. No entanto, o cinema sempre dependeu da situação econômica para sua expansão: quanto mais público pagante, mais sessões e mais salas. O mercado sempre oscila, mas a mente humana sempre nos levará a sonhar e a identificar-nos com certos personagens (mitos, celebridades, governantes, heróis ou vilões).
O paradoxal é que hoje mais pessoas estão dispostas a pagar por ver um filme no telão, mas as empresas exibidoras somente fazem apostas altas (salas de boa qualidade e variadas atrações), para enfrentar as modernas tecnologias que competem com o cinema. Precisam de um grande público para instalar-se, que nos grandes centros comerciais é mais certo e estável.
É com o lucro obtido nesses centros comerciais que, décadas depois - como já começa a ocorrer -, os exibidores se expandirão a setores populares das metrópoles e a cidades de menor porte, onde os shoppings começam a aparecer.
Os planos de grandes empresários nacionais e internacionais apontam à construção de dois centros comerciais em Pelotas. Será preciso estudar o comportamento do pelotense em relação ao cinema - frequência, preferências, costumes, poder aquisitivo, uso de locadoras: se não formos suficientemente confiáveis, teremos que esperar mais algumas décadas por investimentos mais pesados. Mas tudo é questão de tempo: mais dia, menos dia, eles chegarão.
Imagens da web.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Plano Nacional de Cultura

Um Plano Nacional de Cultura vem sendo elaborado pelo Ministério da Cultura e a Câmara de Deputados, com base na Constituição de 1988. A Emenda Constitucional 48, de 2005, previa sua formulação.

A primeira edição do Plano saiu em 2007 e passou por debate em diversas instâncias nacionais, inclusive mediante a internet. A segunda edição (veja o texto em pdf) ficou pronta em 2008, após revisão pelo Conselho Nacional de Política Cultural, do MinC, em parceria com a Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Deputados, e vai ser submetida a aprovação no plenário, nos próximos meses.

O Sistema Nacional de Cultura vem sendo estruturado pelo MinC desde 2003, como um modelo de gestão conjunta da cultura nacional, para promover o desenvolvimento social, com acesso pleno às fontes da cultura. Nesse processo, a 1ª Conferência Nacional de Cultura, em 2005, ajudou na discussão aberta dos planos culturais - um dos quais foi o PNC - inclusive em encontros municipais (em Pelotas também houve um). A 2ª Conferência está prevista para 2009.

A proposta do PNC engloba 7 conceitos norteadores, 33 desafios e 5 estratégias gerais (clique para aumentar), que abrigam ao todo mais de 200 diretrizes, divididas por modalidades de ação do Estado.

Em relação à 1ª estratégia, o PNC considera importante a presença do governo (federal, regional ou local) para desfazer relações de poder assimétricas (desigualdade e verticalismo). Também - tendo em vista a 2ª estratégia - para facilitar uma rede da mais ampla diversidade, considerando que atualmente muito poucos brasileiros têm o hábito da leitura ou costumam ir a museus ou teatros. Diz o documento que o Estado também deverá regular as "economias culturais", no sentido de evitar as exclusões, a depredação e os monopólios comerciais.

O documento define a cultura antropologicamente, como o cultivar de três dimensões humanas: simbólica, cidadã e econômica. Nessas dimensões, mencionam-se as diversas linguagens artísticas (visuais, audiovisuais, circo, dança, literatura, música popular e música de concerto) e as manifestações culturais a ser incluídas (as várias línguas nacionais, as culturas populares, as culinárias regionais, e o desenho de moda e vestuário).

A proposta deve ser ainda mais divulgada, refletida e aperfeiçoada, em conjunto com os trabalhadores das artes, especialistas, gestores e as entidades comunitárias.

Neste blog, poderemos discutir algumas destas ideias e propor outras, em relação a Pelotas.
Imagens da web (MinC).

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Porquês e paraquês de um projeto cultural

Em 2008, o novo ministro da Cultura brasileiro, Juca Ferreira, apresentou a segunda edição do Plano Nacional de Cultura (PNC), um importante instrumento para o desenvolvimento humano em nosso país, que tem um ministério especial para a Cultura há poucos anos. O documento está disponível na internet, e espera por novas contribuições.

Esse grande projeto nacional tem um sentido maior neste momento de crise mundial, onde os possíveis investidores precisam de mais estímulos e fundamentos para apostar na cultura. O orçamento do país inclui 0,6% para cultura, mas as atividades dessa área já representam 7% do PIB. Nos próximos dias comentarei algumas das informações contidas no PNC.

O blog Em busca da ignorância perdida, de Jorge da Cunha Lima (ex-diretor da TV Cultura), dá os parabéns ao ministro e justifica a importância do documento com vários porquês (veja o post). Parece óbvio ou vago o que diz, e ainda com muitos termos negativos, mas vejamos como fica se transpomos essas ideias a Pelotas.

Precisamos de um projeto cultural devido a muitos "porquês":

  • porque os valores artísticos nacionais [em Pelotas], não consagrados no mercado comercial da arte, são ainda desconhecidos;
  • porque o acesso à cultura ainda é privilégio de uma minoria absoluta da população;
  • porque não cultivamos os valores nacionais [em Pelotas] nem selecionamos os valores universais;
  • porque as instituições culturais destruidas pelo Collor [capitalismo?] ainda patinam na burocracia do desmanche;
  • porque não existem geografias culturais solidárias, capazes de maximizar os recursos criativos e institucionais de cada [de nossa] região cultural;
  • porque não existem sistemas nacionais [em Pelotas] para organizar os arquivos, os museus, as bibliotecas e os centros culturais;
  • porque ninguém ainda entendeu que não existe educação sem cultura numa nação [numa Pelotas] que se respeita;
  • porque a comunicação privada nos priva de qualquer nível cultural e a comunicação pública se debate na falta de gestão e de recursos.
Essas queixas bem-intencionadas escondem os objetivos propostos. Transformemos os lamentos em frases positivas. Precisamos de uma política cultural nossa para conseguir:
  • conhecer e reconhecer nossos valores e talentos,
  • incluir o máximo de pessoas no acesso às criações culturais,
  • cultivar nossa identidade local, no contexto da cultura universal,
  • dar liberdade aos criadores e fortalecer as entidades culturais,
  • configurar uma geografia cultural solidária, que maximize os recursos da região,
  • instituir um Sistema Regional de Cultura, que articule as instituições e suas atividades,
  • vincular educação e cultura, saúde e cultura, felicidade e cultura,
  • aumentar a 2% o orçamento municipal designado à cultura.

Imagens proporcionadas pelos artistas:
"Charqueada", de Manoel Soares Magalhães.
Ândrea Rodrigues, do Estúdio Unidança.