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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A arte abre nossos olhos para ver o outro

Lorena Cunha Prado é um caso bem-sucedido de como a arte e os afetos positivos podem incluir uma pessoa nas vinculações sociais e no caminho de suas próprias potencialidades.

Portadora de necessidades especiais, aos 24 anos ela realiza sua primeira exposição, enquanto segue cursos de alfabetização e de artes plásticas (leia nota). Entre as obras expostas (até amanhã terça-feira) há pinturas, desenhos e bonecos artesanais em técnica mista.

Estimulada por sua mãe, a psicóloga Maria de Fátima Cunha, Lorena (esq.) participou no projeto "Novo Olhar para Especial Arte", realizado na UFPel de 2006 a 2008. O Instituto de Artes pesquisou como o tratamento da síndrome do autismo poderia ser enriquecido pela educação artística (leia artigo), mas suspendeu o projeto por ajustes internos da Universidade, na mesma época em que retirou a participação do Instituto do projeto do Corredor Arte.

Aliadas ao amor, as ciências podem reabilitar os seres humanos necessitados, e não simplesmente observar friamente como eles buscam seus caminhos. Educadores e médicos também são pessoas com talentos e com carências, assim como seus alunos e seus pacientes. A sociedade tem feito uma separação entre os que sabem e podem e os que não. Mas novos caminhos têm sido descobertos.

Na arte e na psicologia, também novas visões precisam enriquecer e complicar o entendimento dos mundos que permaneceram nos porões e nos sótãos da humanidade. No século XX, rompemos o preconceito de considerar as crianças como seres inferiores; já estamos entrando na compreensão da arte de esquizofrênicos e pessoas com diversas síndromes mentais e físicas. Precisaremos de novos rótulos, não pejorativos, para referir-nos às "especialidades" do ser humano e aos tipos de expressão plástica, cognitiva e emocional.
Imagens: Corredor Arte (1) e F. A. Vidal (2)

terça-feira, 27 de julho de 2010

CAPS Escola ameniza o sofrimento psíquico e social

Esta terça-feira (20), o CAPS Escola da UCPel celebrou seu nono aniversário e o Dia do Amigo, em festa que reuniu profissionais, usuários e familiares dos sete centros da cidade.

A decoração verde-amarela ressaltou como tema a defesa da brasilidade, segundo informou o sítio da UCPel. A sede ficou pequena para a quantidade de pessoas que chegou. “Em meio a tanta gente não se identifica quem é usuário ou familiar. E essa é a proposta da festa: a inclusão social”, salientou a assistente social Márcia Rodrigues.
A principal atração foi o desfile de criações em vestuário das usuárias do CAPS Escola. A Oficina de Moda tem fins terapêuticos e é orientada por Márcia Belani, aluna do curso de Tecnologia em Design de Moda. A própria Márcia (dir.) participou no desfile modelando uma das criações.

A festa foi animada pelo grupo Feliz Arte, da Oficina de Música, outra técnica de apoio emocional. Um usuário declarou:
Chegamos com muitos problemas pessoais e de família, e a música nos ajuda a voltar para a realidade. Hoje faço música, feira do artesanato aos domingos e apresento programa de rádio. A gente consegue se encontrar; essa é a nova vida que aprendemos a ter aqui.
O aniversário também serviu para fechar o primeiro semestre. Lilian Rodrigues despedia-se do CAPS, após um ano e meio como psicóloga estagiária. Ela explica que, além da teoria, ali se trabalha uma nova proposta para a saúde mental:
Aprendemos a tratar um transtorno desde uma visão conjunta do ser humano. O interessante foi ver a evolução e a inserção de muitos na sociedade e no mercado de trabalho, que passaram a não depender mais do CAPS.
Uma das propostas dos Centros de Atenção Psicossocial é conscientizar a população para que as pessoas com transtornos mentais sejam mais acolhidas, cuidadas e tratadas como sujeitos com direito de estar em convívio social, recebendo apoio especial para sua reinserção na sociedade (leia descrição do projeto).
Com fim terapêutico, os CAPS realizam, além de tratamento psicológico individual e grupal, oficinas de pintura, artesanato, moda, música, programa de rádio, entre outras.
A UCPel já possuía um centro de atendimento clínico, ainda em funcionamento (leia descrição), e abriu o CAPS Escola em 2001, iniciando uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, que hoje mantém alguns centros nos bairros. Os governos posteriores não deram tanto apoio a este projeto, que faz parte do processo antimanicomial mundial, destinado a extinguir a hospitalização de doentes mentais.
A coordenadora Valéria Nogueira diz que o CAPS Escola tem ampliado seus serviços.
Além do compromisso dos profissionais com o fortalecimento do modelo de reabilitação psicossocial, essa ampliação deve-se também, à parceria entre a Prefeitura e a UCPel, que possibilita subsídio e a troca de conhecimento, que é mola propulsora de muita produção.
Os CAPS contribuem à saúde mental da sociedade mediante seu trabalho de desfazer preconceitos contra a loucura e de utilizar as próprias forças coletivas do afeto e da sociabilidade. Isso não anula os transtornos mentais (neuroses e psicoses) nem as patologias sociais (como o delito, a mendicidade e a drogadição), mas ameniza seu impacto e reabilita as pessoas mais suscetíveis à ajuda.
Fotos: Wilson Lima (UCPel)

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Lembranças de Pelotas na Feira Bem da Terra

Os times daqui motivam mais aos pelotenses que aos turistas.
Terça passada (6), dona Lisete (esq.) vendia artesanato em tecido, na feira ecológica Bem da Terra, junto a outros empreendedores apoiados pelo NESIC (Núcleo de Economia Solidária e Incubação de Cooperativas) da UCPel.

Na primeira terça-feira de cada mês, artesãos em roupas, bonsais, bijuteria, brinquedos e alimentos naturais expõem o fruto de seu trabalho e de sua formação como microempresários.

A atividade vem realizando-se desde 2009, sob a coordenação de Antônio Augusto Cruz, profissional encarregado do núcleo de apoio a cooperativas, mais conhecido como "incubadora" da Universidade Católica. Em julho, a data da Feira caiu dentro da Semana de Pelotas, que lembra a fundação da Freguesia de São Francisco de Paula em 1812.

Dona Lisete e outras trabalhadoras, da cooperativa Copresul, desenham alguns motivos ligados a nossa cidade, como o brasão do município e escudos dos nossos três times de futebol. Na foto acima, representações do Brasil, do Farroupilha e do Pelotas.

Inter e Grêmio vendem mais que os times do interior.
Perguntada sobre qual desses três o público prefere, ela diplomaticamente respondeu: “Está entre o Brasil e o Pelotas, mas o que mais sai é o do Grêmio”.

Num país tão grande como o Brasil, é normal que a mídia das capitais conduza as tendências sociais nas cidades do interior, mesmo que estas tenham duzentos anos e fortes tradições próprias, como a nossa. Ao redor de Porto Alegre, os municípios têm ainda menos chances de ter um time local que seja conhecido além de suas fronteiras.
Fotos de F. A. Vidal

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sambistas injetam ânimo no hospital

Há sete anos e meio, um conjunto musical nasceu com o singelo fim de colocar um pouco de alívio ao sofrimento no Hospital da FAU-UFPel. Até hoje, sempre nas quintas-feiras, faça chuva ou faça sol, os sete músicos do grupo "Medicação" passam pelos corredores fazendo brotar sorrisos. Na quinta 21 de janeiro, fui tomar fotos e observar como se desenvolve esse projeto voluntário, que parece ser algo único em nossa cidade.

Origem do grupo

Em junho de 2002, Eduardo Brasil (de boné branco, nas fotos) operou-se neste hospital e sentia aquele nervosismo dos exames e a tensão das longas esperas. Além das complicações físicas, o silêncio fazia a vida ser um peso, e ele sentiu falta da música para distrair o tédio e animar-se de novo para a vida cotidiana. Uma vez dado de alta, ele convidou colegas sambistas – da Banda do Costinha, onde ele toca, e de outros conjuntos – para tocar e cantar uma hora por semana, e dar um pouco de esperança de viver aos que se sentem desanimados.

Uma funcionária da UFPel, familiar de Brasil, redigiu o projeto sob o nome Urutágua Tupã-í (em tupi, "Canção que vem de Deus") e a Universidade aprovou. Os músicos aceitaram o convite, escolheram o nome do grupo e o projeto não parou mais. O Medicação somente se constitui aqui no Hospital-Escola, e cada integrante toca em seus conjuntos de origem (alguns poderão ser vistos no concurso organizado pelo Diário Popular, neste fim-de-semana). [Veja nos comentários uma correção deste relato]

Sentido do projeto

Esta ideia espontânea – mas não única, pois outros grupos musicais e religiosos esporadicamente visitam o hospital – veio fazer parte de um grande projeto de bem-estar, onde se incluem a Ouvidoria, o Corredor Arte, a Internação Domiciliar para Oncologia, Campanha do agasalho, Combate ao fumo, Combate ao diabetes, Saúde na estrada (para caminhoneiros) e vários outros programas.

O objetivo geral é médico: amenizar o sofrimento e contribuir à saúde em sentido integral. O meio é musical, mas a atividade é uma espécie de oração ritual terapêutica, de conteúdo espiritual, corporal e coletivo. Os beneficiados são, supostamente, os definidos como doentes, mas a música chega a todos os que podem reconhecer e manifestar seus sentimentos.

Sendo uma atividade voluntária, não dá retorno algum aos integrantes (de fato, o hospital não lhes serve nem um copo d'água), mas o atual diretor providenciou vales-transporte para cada um do grupo, como reconhecimento de sua contribuição à saúde.

As pessoas que participam

Quem vai na frente, mesmo não sendo parte do grupo, é Carla Carvalho (à dir. com crachá, no corredor da maternidade), a ouvidora do hospital, intermediária que acolhe queixas e sugestões da comunidade e as encaminha à direção institucional.

A função de Carla é levar o grupo pelos setores do hospital e ouvir as opiniões dos usuários. A presença dela, inclusive vestindo de branco, representa a aprovação do hospital e ajuda a conter a alegria dos músicos, que vai aumentando, com o sentido de mantê-los na missão. Poderia haver queixas - pois o projeto rompe com o tradicional silêncio e assepsia dos hospitais - mas Carla garante que nunca recebeu uma só reclamação.

Conduzem a harmonia Lauro Pereira no cavaquinho (esq.) e Rogério Silveira no banjo (dir.), que também escolhe as melodias na hora e é tido como o mais brincalhão e "bagunceiro", como ele mesmo se define (se deixassem, ele entraria em todos os quartos tocando). Ele é motor musical e alma do grupo.

Logo atrás, vão Eduardo Brasil no tantã e Miro Pedroso no pandeiro verde-amarelo, que são os mais antigos, fiéis ao projeto desde a fundação.

Na retaguarda, outros percussionistas marcam o ritmo que embala e mantém o ânimo elevado: Pierre Tavares (pandeiro), seu Amaro (tamborim) e seu Páuzio (chocalho).

As vozes não são trabalhadas nem eles têm estudos musicais, mas a unidade do grupo, a firmeza rítmica e o entusiasmo são contagiantes e avassalam todo pensamento negativo. No caminho, o objetivo é incluir todas as pessoas que quiserem mostrar sua alegria e, se for possível, facilitar a autossanação por essa alegria, por mínima que seja.

O trajeto dentro do hospital

O ritual começa cada quinta (exceto feriados), pouco antes das 15h, quando os músicos se concentram no bar defronte ao hospital, pela Rua Professor Araújo. Não ensaiam nem combinam nada, exceto a hora de chegar e a afinação dos dois instrumentos harmônicos. O trajeto pelos setores é um ritual que nunca muda.

O início é pela Oncologia, onde há exames de câncer e pacientes em quimioterapia (esq.). Os músicos já sabem que a recepção aqui será a menos fácil – mesmo que não de rejeição – e por isso entram com muito respeito, sem perder a necessária ousadia. Como agentes de saúde, eles sabem que depois da injeção vem o alívio.

O passeio pela Oncologia é uma surpresa para os usuários, pois a maioria deles está ali por primeira vez, e até caras de espanto se veem naqueles que têm uma doença grave e não esperariam uma serenata em pleno dia. Com certeza, todos já viram um conjunto vocal alguma vez, mas não numa situação tão séria. O impacto é como o de quem vê Papai Noel, achando que não existia. Mas logo vem a aceitação. O princípio desta terapia emocional é que se o corpo sorrir primeiro, a alma sorrirá depois: no momento seguinte, ou dias mais tarde – é questão de tempo.

Brasil acena aos pacientes fazendo com a mão um gesto de força; alguns respondem timidamente, mas a sensação geral é de que o salão de espera se transformou num palco. Dores e tristezas ficam suspendidas. Fotógrafos de celular vão atrás e registram as cenas. O grupo, no entanto, não se detém em momento algum (as máquinas fotográficas precisam ser rápidas).

Saindo dali, o grupo de repente faz silêncio: estamos passando pela U.T.I da Pediatria, que é norma respeitar. Ainda no mesmo setor, a música é retomada e algumas crianças vêm ver o desfile (dir.). Elas também são tomadas de surpresa, mas acreditam logo no que veem. Sorriem com aprovação, mesmo não se somando à festa.

O ritmo não será mais interrompido, nem sequer subindo e descendo as escadas (primeiras fotos acima). Na maternidade, a visita não causa tanta surpresa e é implicitamente recebida como uma homenagem à vida e aos bebês que estão por nascer. O sentido amoroso fica mais claro, neste encontro entre visitantes homens e pacientes mulheres, que mesmo internadas não estão enfermas.

É na Clínica Médica, a seguir, que a alegria começa a transbordar: aqui o grupo entra num quarto com liberdade (foto abaixo) e no corredor alguns funcionários dançam junto com pacientes. Vários participam acompanhando o cordão.

Aqui é onde se pode ver melhor o que Chico Buarque descreveu na música A Banda: as individualidades das almas são despertadas, vivem uma união aparente e, no final, guardam parte desta ilusória alegria para seguir vivendo.

Neste setor há dois tipos de reação: quem já conhece o grupo – por estar ali hospitalizado há mais de uma semana – se encanta pela visita esperada, e os "novos" arregalam os olhos por uns minutos e, mesmo não sambando, gradualmente vão desenhando um sorriso. O espírito muda a direção do pensamento, como foi o caso da moça com soro que estava sentada no corredor: ela foi incentivada a seguir a banda (uma pessoa levava o soro levantado - foto acima) e, em minutos, seu ânimo e sua atitude eram as de uma pessoa que havia esquecido seu estado físico. A terapia mostrava seus efeitos.

Avaliação

Depois de 40 minutos, o clima de festa estava instalado e não havia reclamações. Mas acabou-se o que era doce e o trabalho continua: dentro do hospital e fora dele. Mesmo sem muita organização e sem financiamento, os objetivos foram alcançados, que é o importante.

Se o projeto for avaliado em detalhe, se verá beneficiado de algum tipo de planejamento: na preparação vocal, na escolha das letras ou de vestimentas uniformes. Os integrantes não têm aspecto de artistas nem de enfermeiros, apesar de unir as duas funções. No grupo Medicação, por agora, a disciplina unificadora é a do ritmo, e o entusiasmo transborda até precisar dizer: "Por hoje chega, até a próxima quinta".
Fotos de F. A. Vidal (21 jan)
Vídeos: H. Schwonke, Completa Comunicação (14 jan)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Fórum Social Mundial chega às periferias

O Fórum Social Mundial, iniciado há dez anos em Porto Alegre, já rodou pelo mundo e agora tem uma primeira versão expandida às periferias urbanas. Contraposto ao Fórum Econômico de Davos, o Fórum Social é uma rede mundial de resistência contra o capitalismo. A Glocalização se opõe à globalização.

Em Pelotas, as atividades foram organizadas no Loteamento Dunas, de 2 a 6 de fevereiro. Veja a programação. Outras informações no Diário da Manhã de hoje e no blogue da Rede Vidadania.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Memorial revisa a "Arte no Sete"

Em dezembro e janeiro, esteve no Memorial do Theatro Sete de Abril a mostra “Arte no Sete”, uma revisão de três projetos principais que se desenvolvem no Teatro.

A inauguração ocorreu em 1º de dezembro passado, recordando mais um aniversário do Sete de Abril, fundado em 2 de dezembro de 1833, um dos mais antigos no Brasil ainda em funcionamento.

O Sete ao Entardecer abre espaço a talentos musicais, novos ou consolidados, em apresentações semanais de março a novembro. Os músicos e grupos podem candidatar-se, mas o Teatro também convida alguns artistas, para fazer uma lista o mais heterogênea possível.

É o projeto mais antigo, iniciado há uma década com o nome de "Música ao Entardecer". Toda terça-feira às 18h30min, o público sabe que poderá ouvir diversos tipos de música, durante uns 45 minutos.

O Cena Literária são apresentações mensais, no foyer do Teatro, de esquetes teatrais que facilitam a interação entre artistas e plateia.

Com dois anos de vida, o projeto Sete Imagens - também mensal, mas na sala principal do teatro - mostra sete filmes de curta-metragem produzidos no Estado, promovendo debates entre os criadores e o público.

O primeiro ano começou bem, com curtas pelotenses, mas ampliou-se em 2009 a autores de outras cidades gaúchas, o que trouxe problemas para trazer os artistas aos debates. O maior sucesso destes encontros foi com o filme Estacionamento (veja o filme), da produtora Moviola, em julho de 2008 (veja nota sobre o evento).
Imagens da web

sábado, 26 de dezembro de 2009

Café Sócrates

Há poucos anos - mais ou menos entre 2005 e 2007 - esteve funcionando em Pelotas o Café Sócrates, encontros mensais de reflexão filosófica entre profissionais de diversas áreas.

A atividade foi iniciada pelo psicanalista Paulo Luís Sousa e seguiu em mãos de um informal clube filosófico, entre os quais o professor Jandir João Zanotelli ex-reitor da UCPel, e a empresária sra. Aira Gallo. O piso superior da Doçaria Pelotense se fez acolhedor para as conversas do pequeno grupo, porém com inconvenientes acústicos. Eu estive em quatro encontros e num deles expus um ponto de vista psicológico.

Em agosto de 2007, Zanotelli tratou a pergunta “Por que me odeias se não te fiz nenhum favor?”, ao redor dos valores da solidariedade e da generosidade. Houve doze presentes, que participaram fazendo perguntas e comentários. Esta reunião teve um convite de divulgação (abaixo), que deu impulso à atividade, mas o procedimento não se repetiu.

Em setembro, cinco pessoas discutiram, durante quase duas horas, sobre a pergunta “O que é o poder?” e seus significados filosóficos, teológicos e psicológicos.

Em outubro, a reunião foi em torno ao tema “Como ocorre o encontro humano?” (no caso, ocorreu em torno a uma bandeja de doces e o chá de frutas da Doçaria). Ante a pouca clareza na organização das datas, os sete contertúlios concordaram que as sessões ficassem na penúltima quarta-feira de cada mês.
A reunião de novembro abordou o tema “Nascimento e Morte”. Depois disso, as férias diluíram o grupo, que não se reconstituiu no ano seguinte (ou não me informou).
As quatro reuniões foram organizadas pela sr. Aira Gallo, dona da Doçaria, e o professor Zanotelli fez as exposições para estimular os debates, sugerindo também os temas seguintes, com aprovação dos contertúlios. Apesar de ser uma excelente ideia, não teve continuidade por falta de organização. Entre fundar um estilo próprio em Pelotas e reproduzir uma iniciativa trazida de fora, a informalidade do grupo não conseguiu nem uma coisa nem outra.
O Café Sócrates não é um lugar físico, mas uma forma de diálogo, que pode estabelecer-se entre pessoas de quaisquer idades ou origens, somente exigindo atitudes de curiosidade, tolerância e profundidade. Longe de pretender encontrar respostas definitivas, visa a gerar mais perguntas em torno a assuntos de interesse das pessoas.
Em dezembro de 1992, o francês Marc Sautet (dir.), professor de filosofia, iniciou diálogos num café de Paris, que denominou "Café Filosófico", com inspiração socrática. Em 1995 relatou seu método no livro Un Café pour Socrate (veja passagens do texto original). Os temas eram escolhidos na hora do encontro - domingos às 11h - e as opiniões eram dadas por todos os presentes, somente facilitadas por um mediador, que era sempre ele. Sautet faleceu em 1998, por um tumor cerebral, aos 51 anos, mas os cafés-philos (leia verbete na Wikipédia) seguem até hoje.

A divulgação deste método nos Estados Unidos pertence a Christopher Phillips (abaixo à esq.), escritor que em 1996 fundou a S.P.I. (Sociedade para a Indagação Filosófica) em Nova Jersey e estabeleceu orientações para o debate coletivo.
Em 2001 ele escreveu parte de suas experiências em Socrates Café: a Fresh Taste of Philosophy (1ª imagem acima à dir.), e já tem mais dois livros nesse tema. Algumas das sugestões de seu criador são que as reuniões destes “clubes filosóficos” sejam semanais ou quinzenais, durem duas horas, tenham a condução de um facilitador (não um expositor) e girem cada vez em torno a uma pergunta, que cada pessoa responderá. É importante a estabilidade do lugar, horário e periodicidade. O objetivo é ordenar a expressão participativa, estimulando a curiosidade e a tolerância intelectual. Há um formato para crianças e adolescentes, com os mesmos princípios.
A iniciativa se transformou numa espécie de franquia internacional bastante livre, que já teve centenas de grupos em diversos países. Na América do Sul, há ou houve pelo menos um Café Sócrates em Caracas e outro em Buenos Aires. A esposa de Christopher, a professora e pesquisadora mexicana Cecilia Chapa Phillips, traduziu a informação principal ao espanhol, mas ao parecer os livros ainda não passaram ao português.
Imagens da web (1, 3) e F. A. Vidal (2)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A maior mostra de criatividade já vista em Pelotas

A Universidade Federal de Pelotas comprou em abril dois prédios da antiga fábrica Cotada (veja a notícia).

Após décadas de abandono, o edifício maior - Benjamin Constant esquina Dona Mariana - não parece ter sido tocado: por fora a identificação em enormes letras (esq.), por dentro pequenos pátios, a estrutura em cimento, um velho elevador, grandes buracos entre os pisos.

O professor José Luiz de Pellegrin, diretor do Departamento de Arte e Cultura da UFPel, que vinha organizando grandes mostras no Cais do Porto desde 2006, imaginou agora a ocupação artística desse velho prédio, tão grande que uma turma de formandos do Instituto de Artes não conseguiria preencher. Foram chamados professores, ex-alunos e outros artistas, inclusive de fora de Pelotas, e o resultado teve inauguração na sexta-feira passada (23).

Aberta até amanhã (31), a "Arte no Porto III" é a maior exposição coletiva já vista em Pelotas, com 72 artistas (inicialmente eram 74, mas dois não puderam chegar), sem que mediasse prêmio ou concurso.

O entusiasmo e a criatividade que estiveram em jogo também dão mostra de como um ponto de partida velho e deteriorado permitem uma renovação e um futuro vislumbrado além dele. Esta ação coletiva pode considerar-se como uma multi-intervenção, que dá caráter poético a um espaço de nossa cidade que nos envergonhava e parecia destinado à destruição.

A imprensa de Pelotas funciona por agenda e não cobre os eventos artísticos após acontecerem - somente os anuncia. Não havendo aqui uma publicação exclusivamente dedicada à arte, esta megaexposição tomou os meios de surpresa e ficou sem ser informada ao público. Nem sequer o sítio oficial da UFPel deu detalhes da inauguração (leia). Somente um documentário da produtora Moviola mostrará ao mundo esta pequena façanha.

Nos próximos dias, mostrarei alguns aspectos que mais me chamaram a atenção.
Fotos de F. A. Vidal

domingo, 27 de setembro de 2009

Instituto Leda Bacci nasce à vida social

O Instituto Leda Bacci para o Desenvolvimento (ILBD) foi apresentado solenemente à sociedade pelotense, esta segunda-feira (21), com a presença de cerca de uma centena de convidados. O momento era esperado desde dezembro de 2008, quando esta iniciativa foi lançada pelo advogado pelotense Reginaldo Bacci Acunha (veja a nota).

A cerimônia lotou o 2º andar do antigo Quartel Farroupilha, hoje restaurado, onde agora se situa o salão de eventos Auditorium, com entrada pela Félix da Cunha 603. O trânsito também estava fechado pelo lado da Praça Osório, onde a Banda do Colégio Municipal Pelotense fazia evoluções e animava o encontro (abaixo).

Estavam presentes a maioria dos diretores e conselheiros do ILBD, autoridades municipais de Pelotas e Rio Grande, um representante da UFPel, dirigentes sociais e imprensa. Alguns dos conselheiros são profissionais que moram longe de Pelotas, ou que moraram fora e hoje estão de volta. A ausência de dois deles se devia precisamente a compromissos inadiáveis fora do país.

Após ser cantado o Hino Nacional, o locutor Artur Rocha apresentou o Presidente Reginaldo Bacci, que falou dos objetivos do Instituto e dos primeiros projetos que estão sendo trabalhados: o Curso em Gestão de Projetos, em parceria com a UFPel, e o site que naquele momento foi lançado na internet (abaixo esq.).

Logo após, Reginaldo apresentou 14 membros presentes da Diretoria e dos Conselhos Fiscal e Consultivo (à direita). Também anunciou para outubro o lançamento do Prêmio Drª Leda Bacci para o Desenvolvimento, destinado aos melhores planos de negócios nas áreas de informática, biotecnologia, agronegócios, indústria, educação e cultura.

A diretoria do Colégio Pelotense homenageou de surpresa o ex-aluno Reginaldo com um presente especial.

Abrindo-o na frente de todos, o gato-pelado deparou-se com seu próprio histórico escolar, e logo, tentando controlar a forte emoção, ele recordou como todos seus pensamentos e valores se formaram no educandário.

Se Pelotas não tivesse um colégio público de boa qualidade, ele e muitos outros não teriam podido avançar e crescer na vida, para hoje devolverem a Pelotas parte de seu esforço profissional em prol do desenvolvimento.

A banda do Gato Pelado fechou a parte mais formal da noite, executando o Hino do Rio Grande do Sul.

O ILBD valoriza o chamado Terceiro Setor como um segmento importante da sociedade que requer apoio e capacitação para fomentar o desenvolvimento; para isto serão planejados cursos e fóruns, de modo a movimentar as iniciativas que fazem parte do crescimento econômico e cultural, não só de Pelotas como de toda a zona sudeste do Estado. Quem saiu de Pelotas e recorda suas origens hoje não está mais se lamentando da falta de progresso, mas sim trabalhando com seus conhecimentos e motivações para construir uma nova realidade.

O Primeiro Setor é o governo, que maneja todas as estruturas do Estado; o Segundo Setor é o da iniciativa privada, dentro do mercado capitalista. No contexto moderno, aparece um novo setor jurídico-social, formado por organizações não governamentais nem lucrativas, que geram serviços de caráter público (leia artigo). Dentro do Terceiro Setor, a Wikipédia relaciona: as Organizações Não Governamentais (ONGs), as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), as entidades filantrópicas e as organizações sem fins lucrativos.
Fotos de F. A. Vidal

domingo, 23 de agosto de 2009

Cultive Ler, locadora de livros

Por uns 15 anos, Manoel Soares Magalhães teve em sua casa um sebo para vender e alugar livros novos e usados.

A ideia tinha uma aparência comercial, mas sua inspiração essencial foi poética: se nossa sociedade cultiva as imagens passageiras dos vídeos, por que não cultivar as imagens do espírito de um modo mais culto?

E como cultivar a leitura? Como compartilhar as folhas escritas, que tendem a ficar arquivadas nas estantes ou até são jogadas fora?

Como não lembrar de Buenos Aires, onde há uma livraria em cada esquina, onde se acham livros de todos os tipos, de todas as épocas, de todas as origens? Afinal, uma grande cidade, comercial e culta ao mesmo tempo, onde se veem todos os filmes, se fala de todos os assuntos e onde se criam palavras novas e teorias mirabolantes, meio europeias, meio cosmopolitas, meio selenitas.

Pergunto-me se na Argentina existem muitas lojas arrendando libros - como a locadora de Manoel - ou se essa é função exclusiva das bibliotecas. Serão os porteños solidários com a cultura, sabem passá-la de mão e mão... ou preferirão possuir seus próprios livros, riscá-los, desenhá-los, olhá-los, exibi-los, adorá-los?

Em 2008, Manoel levou sua livraria para a Rua Lobo da Costa, separando-a da residência. Outro ato poético, pois ele mesmo escrevera um livro sobre a marginalidade do escritor pelotense ("O abismo na gaveta", 1999).

O projeto do escritor-pintor era expor no novo local a produção plástica, mas o sebo-locadora só durou ali um ano. Ele vendeu o acervo e se mudou para a cidade de Pedro Osório, onde também ficou mais um tempo. Voltou, há uns dois meses, à casa da Rua Uruguai, quase esquina Alberto Rosa. (Afinal, quem não vai à Argentina, pelo menos fica no país mais próximo).

Então, hoje a locadora Cultive Ler está de volta, no mesmo lugar esteve desde 1993. O acervo se concentra agora em arte e filosofia, áreas de interesse de Manoel, de seus leitores e das sedes universitárias próximas (veja a notícia no Amigos de Pelotas).

A casa foi readaptada, de modo a ficar mais como um lugar acolhedor para a criação artística, a cultura em geral e a amizade: os livros numa sala de estar ( de um lado a locadora; de outro, a livraria), com exposição de quadros, e acima o ateliê de Carmem, esposa de Manoel. Ambos pintam, mas essa história conto depois.
Fotos: F. A. Vidal (1), M. S. Magalhães (2-3)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Parque Estação Urbana

Após a postagem sobre a ferroviária de Rio Grande (veja), a arquiteta Gabriela Castro enviou-me mais informações sobre seu projeto de conclusão de curso, que pela criatividade, complexidade e relevância tem características de uma tese de doutorado.

Junto à defesa do trabalho, ela produziu e apresentou um vídeo, cujas imagens falam ainda com mais força sobre a importância e o interesse do assunto. O mesmo audiovisual foi levado à Câmara de Vereadores de Rio Grande, numa homenagem ao dia do urbanismo em novembro de 2008, mas naquele dia só havia três no plenário! Aqui vemos que eles não perderam um simples filme, mas uma proposta de desenvolvimento para toda uma cidade e, se enxergarmos além das aparências, para toda a Zona Sul.

No texto abaixo, Gabriela resume o seu projeto "Parque Estação Urbana" para o Concurso Opera Prima, no qual ganhou menção honrosa.
Realidade da Estação

O antigo Complexo Ferroviário da Cidade do Rio Grande é, no Estado do Rio Grande do Sul, o único cujas principais características ainda não foram apagadas pela cidade contemporânea.

Após a última concessionária do complexo ter mostrado desinteresse por seu uso, entusiastas de ferrovias e Prefeitura Municipal uniram esforços para o usufruto do valorizado espaço da antiga Estação, evitando que a área ficasse à mercê da especulação imobiliária ou da ocupação irregular.

Apesar de estar sendo utilizada, a área encontra-se hoje desconexa do seu entorno, isolada por muros e conjuntos de residências, e com seu imenso potencial subutilizado. Numa posição central e estratégica dentro do contexto urbano, o complexo possui amplos pavilhões industriais e infraestrutura versátil para a reconversão de usos. O Parque Estação Urbana

O plano geral deste projeto busca reabilitar o complexo ferroviário, abrindo-o ao uso público, para que seja usufruído por toda a cidade e solucione, pelo menos em parte, a carência de espaços para o lazer e a cultura dos rio-grandinos.

A proposta baseia-se na mistura e diversidade, integrando os edifícios já existentes a um novo sistema urbano de praças e passeios, preservando as funções que se adequaram ao novo contexto da Estação e sugerindo novos usos e pontos de vista para o mesmo espaço.

O parque fica composto por subprojetos: sistema de passarelas elevadas, mirante, bar e restaurante, praças, mobiliário urbano próprio, rua interna, palco e pista de skate.

Buscando resgatar a identidade do lugar, o projeto reinterpreta o complexo museológico - formado pelos antigos prédios de tipologia industrial - e propõe elementos urbanos de desenho contemporâneo inspirados na plástica industrial e portuária, características marcantes da cidade. Este trabalho também pretende desafogar as ruas de acesso e inserir a gleba em uma nova dinâmica urbana, dando ao lugar uma maior unidade.

Imagens: Gabriela Castro


sábado, 15 de agosto de 2009

Arquiteta reinventa ferroviária (de Rio Grande)

Gabriela Costa de Castro (esq.), arquiteta formada em 2008 pela UFPel, ganhou menção honrosa por seu projeto "Parque Estação Urbana", apresentado no Concurso Nacional de Trabalhos Finais de Graduação em Arquitetura e Urbanismo Opera Prima.

O concurso Opera Prima, este ano em sua 21ª edição, deu o prêmio a 5 trabalhos e concedeu 20 menções honrosas. Os trabalhos recebidos foram 433, provenientes de 128 faculdades brasileiras. No site do concurso há um resumo de cada um dos 5 trabalhos premiados, e um breve parecer do júri para os 25 finalistas (4 dos quais foram gaúchos).

A cerimônia realizou-se há uma semana em São Paulo, segundo noticiado pelo Diário Popular (veja um resumo da notícia).

Segundo a matéria do jornal, o projeto de Gabriela reformula a antiga estação férrea de Rio Grande, que hoje serve para desfiles de carnaval e feiras de artesanato. Aproveitando os trilhos e outras estruturas, o trabalho da jovem profissional rio-grandina recria espaços - como a área verde - e faz do local um grande parque urbano, com traços de uma cidade industrial.

O trabalho de conclusão de curso foi orientado pelas professoras da UFPel Célia Helena Castro Gonsales e Jane Conceição de Lima Borghetti.

O parecer do júri para o trabalho de Gabriela diz:
A proposta reafirma a importância dos parques urbanos. Neste caso, a presença de elementos arquitetônicos [uma espécie de torre, com um mirante] constitui um sinal na paisagem da cidade e possibilita a exploração de perspectivas que abrangem a visão do alto.

A estação ferroviária de Rio Grande (foto 2, acima) foi inaugurada em 1884 e operou com linhas a Bagé; na década de 1980 o prédio ficou sem uso, pela presença do novo porto, distante do centro. Na década seguinte, todos os serviços foram interrompidos e em 2004 foram retirados os trilhos.

O pátio da estação (esq.) teve mais sorte que o de Pelotas, pois a prefeitura de Rio Grande tomou conta, aduzindo que o terreno era municipal. A informação é de Alfredo Rodrigues (no site Estações Ferroviárias do Brasil); ele prefere ver o espaço usado como sambódromo a que fosse invadido ou que ficasse como terreno baldio.

Pelotas e Rio Grande cresceram juntas, diferenciando-se em funções econômicas, e hoje enfrentam problemas parecidos, cuja solução também deverá ser pensada em conjunto.
Imagens: Marcus Maciel (1), Hélder Ribas (2) e Alfredo Rodrigues (3)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Trezentas onças para a cultura de Pelotas

Trezentas Onças (clique para ler) é um conto de João Simões Lopes Neto, publicado em 1912, no seu livro "Contos Gauchescos". No relato, o personagem perde um saco de moedas de ouro de seu patrão e fala de seu desespero por encontrá-lo (leia uma análise do livro.

Em 2005, o Instituto João Simões Lopes Neto estabeleceu o Prêmio Trezentas Onças, para destacar o trabalho de quem divulga o nome e a obra de Simões, inclusive de quem colabora na recuperação da Casa do escritor. O troféu é uma moeda, reproduzida 299 vezes a partir de uma onça verdadeira, que serviu de modelo.

O projeto consiste em entregar 3 onças cada vez, em premiações anuais. Assim, ao fim de um século, no ano 2106, com 300 colaboradores identificados, a guaiaca estará cheia de valores, e Simões Lopes Neto será um autor conhecido por todo o mundo.

O primeiro premiado, Bernardo de Souza, recebeu o modelo original, em 2006. O ex-prefeito era deputado estadual quando movimentou a criação do Instituto como uma entidade de interesse público. Ele foi o que primeiro e mais acreditou no futuro desta Casa, motivação que se transmitiu a muitas pessoas mais "realistas". Sabe-se que hoje os pelotenses nem sempre são muito otimistas quando se trata de progresso cultural ou de valorização histórica; nosso patrimônio se conserva com ajudas externas.

Como a condecoração inicial foi unitária, rompeu-se a simetria do número 3. Portanto, uma das seguintes premiações teria que destacar somente dois nomes. Pensou-se que fosse a seguinte, mas até hoje elas continuam o mesmo ritmo ternário. Quem sabe, nestes 97 anos se decida adiantar o fim do prêmio para 2105, pois nesse momento se cumprirão 240 anos do Capitão (nascido em 1865).

Em 2007 homenagearam-se três simonianos: Luiz Fernando Cirne Lima (veja biografia), Beatriz Araújo e Mozart Victor Russomano.

Em 2008, foi a vez do artista e pesquisador Mário Mattos (pintor da aquarela à direita), o escritor Flávio Loureiro Chaves e o advogado Paulo Charqueiro (por uma oportuna ação judicial, ele salvou a casa de Simões de ser demolida, quando tinha sido comprada por Theo Bonow e este decidira fazer ali um condomínio).


Os escolhidos para as três onças de 2009 foram: a ex-presidente do Instituto, professora Paula Schild Mascarenhas (Pelotas, 1970), o jornalista e político Antônio Hohlfeldt (Porto Alegre, 1948) e o escritor Aldyr Garcia Schlee (Jaguarão, 1934). Cada um deles já realizou importantes trabalhos de difusão da obra de Simões Lopes Neto.

A cerimônia se realizou no auditório Carlos Reverbel, na sexta 3 de julho, sob a coordenação do atual presidente, jornalista Henrique Pires. Os premiados agradeceram com emotivas palavras, e confraternizaram com amigos e familiares.

O que na Casa chamam "maldição de Simões às avessas" é um círculo de realizações bem-sucedidas (como este projeto e todas as outras atividades), ao contrário dos vários fracassos empresariais do comerciante e do escritor, não reconhecido em vida.

Paula estava com sua mãe Maria Helena e os irmãos Luiz Octávio e Fernanda (à esquerda).

Schlee (dir.) veio com a esposa Marlene, os filhos Aldyr e Sylvia, e as netas Helena e Ana Carolina (no colo). Na foto não apareceu Aldyr Filho.

Hohlfeldt veio de Porto Alegre, sem familiares (abaixo, com Henrique Pires).

Sobre a palavra "simoniano", é preciso anotar que os devotos pesquisadores de Simões a grafam com "e" em vez de "i" como vogal de ligação, divorciando-se do acostumado na língua portuguesa. Dizem eles que pretendem evitar a associação com a palavra "simonia", de sentido pejorativo, derivada do nome Simão (mas para isso já existe "simoníaco"). Outra razão, não tão rebuscada, é que Simões já tem um "e", que poderia manter-se no adjetivo.

Em qualquer caso, aí está outra causa possível dos simonianos: instaurar no dicionário a palavra "simoneano".
Fotos de F. A. Vidal (4-7), IJSLN (1), AL-RS (2) e UCPel (3).

sábado, 10 de janeiro de 2009

Um instituto para desenvolver Pelotas

Em 20 de dezembro passado, iniciou-se a fundação do Instituto Leda Bacci para o Desenvolvimento (ILBD). Trata-se de uma antiga idéia do advogado pelotense Reginaldo Bacci (foto à direita), fã entusiasta da vocação turística e das possibilidades econômicas de nossa cidade.

A convocatória reuniu, na sala Chuí do Curi Palace Hotel, 35 pessoas entre 9 e 78 anos de idade (fotos abaixo), em sua maioria amigos de Reginaldo e descendentes da dra. Leda, advogada pelotense já falecida. Provenientes de diversas áreas, estes fiéis colaboradores se declararam dispostos a um trabalho silencioso e perseverante.

O estatuto, de 51 artigos, define como objetivos do ILBD: captar verbas públicas, formar parcerias com o governo municipal, promover ações para o desenvolvimento de Pelotas e região, pesquisar, debater, e ensinar o que for de ajuda para o crescimento local, entre outras atividades. O documento foi aprovado por unanimidade, assim como os nomes que serão parte da estrutura institucional de três conselhos.
  • No Conselho Diretor: Reginaldo Bacci, Presidente; Cleianara Acunha, Diretora Administrativa; Daniela Brisolara, Diretora de Projetos; José Ricardo de Freitas, Diretor de Captação; e Fábio Peres, Diretor de Comunicação.
  • Os 3 membros efetivos do Conselho Fiscal e os 3 suplentes também foram nomeados nesta reunião.
  • O Conselho Consultivo não ficou designado, mas incluirá pelotenses residentes no Brasil e no exterior.

    O Instituto será legalmente fundado em janeiro, com a inscrição dos estatutos em cartório. No fim de semana de carnaval, haverá outra reunião de todos os sócios fundadores. Participei deste encontro pioneiro que foi anunciado no blog Amigos de Pelotas, um apoiador independente desta iniciativa. Como estávamos na sala Chuí, fiz esta reflexão:

    O extremo sul do Brasil é reserva ecológica de nossas riquezas; também no sentido moral, nossa nação espera realizar suas potencialidades, e o sul reaparece como uma esperança. Ao longo do país, a corrupção toma conta e os líderes perdem confiabilidade, enquanto o povo observa a decadência mental, econômica e cultural. Paradoxalmente, nossa distância do centro nacional nos faz proclives a iniciativas que podem dar certo, como esta, que pode ser um modelo de organização para o crescimento de uma comunidade.
    Fotos de José Ricardo de Freitas.