quarta-feira, 16 de março de 2011

Trecho de uma fotonovela musical

"O Flautista de Pelotas", clipe fotográfico realizado pela aluna de Design Gráfico da UFPel Roberta Brizola (25 anos) para a disciplina de Fotografia, em junho de 2010.

Um cronista define seu gênero

Há um ano, o cronista pelotense Rubens Amador passou a colaborar neste blogue, escrevendo em diversos formatos literários breves (conto, reportagem, crônica, ensaio curto), como já fazia há quatro décadas na imprensa local. Há dois meses, ele mostrou sua versatilidade escrevendo também no gênero dos epigramas, no cabeçalho deste blogue. Hoje ele mostra seu lado poético ao definir sua própria identificação com o caráter passageiro da crônica literária.

De Heterogeneidade
Um dia destes, prezado amigo me disse, face a face, que o meu trabalho é uma colcha de retalhos, heterogêneo. Ora, nada mais certo poderia dizer! Não sou um romancista, novelista ou historiador. Apenas bolino assuntos, por variados que sejam; desde que tragam em seu bojo algo curioso, escandaloso, por demais belo, ou até mesmo triste. Sou um provinciano cronista, apenas! Nada mais do que isto: meu estro conseguiu transformar em frases perenes o que penso sobre determinados temas.

Um cronista jamais alcançará a culminância de um escritor como Vargas Llosa, Gabriel Garcia Márquez ou Jorge Luis Borges. São muito poucos os autores de croniquetas que atingem às culminâncias do Olympo literário, com suas garatujices sem profundidade ou peso. Jamais expendem uma temática, uma história, ou uma novela. Limitam-se às próprias limitações. Ou alcançam breve admiração calcados, em verdade, nos feitos ou escritos de outros, mais bem dotados. Comentam sobre, apenas, mas o mote lhes foi dado, nada criaram.

Contam-se nos dedos os livros de crônicas de sucesso permanente. Elas todas fenecem como as flores. Podem ser exuberantes em determinado momento para logo caírem na vala comum das coisas sem importância.

Assim considero meus trabalhos de quase quarenta anos, escrevendo crônicas, pequenos contos e parlapatices. Sempre aparecem amigos queridos que indagam:

— Por que não escreves um livro com tuas crônicas?

E eu indefectivelmente lhes respondo:

— Minhas crônicas têm a efemeridade de uma edição.

Gosto, assim, que elas morram, que sejam como coriscos que riscam o céu — vez por outra com certa luz — mas que, no seu descenso, se tornam cinzas. Para mim, basta aquele risco vertiginoso, às vezes com alguma luz, riscando a imaginação dos que me lêem, mas com a certeza de que o rápido percurso iluminado logo logo se apagará.

Por vezes parece até que permito que a vaidade me assalte: é quando alguém – e já tem acontecido – me pede, pessoalmente ou por telefone, uma cópia de determinada coisa que escrevi. Este é, confesso, o único momento mágico que me encanta às vezes, dentre as coisas simples e sem nenhuma profundidade que escrevo, e que pessoas amáveis tentam retardar a transformação de meus modestos escritos, naquela cinza de que falei, quando meus minúsculos meteoritos se inflamam por breves momentos.

Sei que, quem não me conhece bem, pensa que estão diante de um vaidoso hipócrita. Mas o que fazer se sobre o pensamento não prevalecem os mais fortes ferrolhos?


Imagens da web (Manacá, de Tarsila do Amaral)

O passo do transeunte

Ao caminharmos não percebemos nossos próprios gestos, pensando que sejam automáticos. Mas é a mente passeante e falante que configura nossa expressão corporal, num megabalê urbano de solistas, duplas, trios e coletivos maiores.

O internauta observador e que conhece bem Pelotas saberia deduzir onde foi tomada esta imagem? A pista não está nos ladrilhos.
Foto de Cristiane Neves

terça-feira, 15 de março de 2011

Graffiti, a linguagem da rua

Felipe Povo, formado em Artes Visuais pela UFPel, e Júnior Asnoum, aluno do mesmo curso, trabalham desde 2002 com graffiti nas ruas de Pelotas, e por primeira vez trazem suas criações para dentro de uma galeria de arte.
A mostra “Expo Lá da Rua, a linguagem da rua dentro da galeria” mostrará os processos criativos da dupla, desde o desenho, a fotografia, a pintura até chegar ao graffiti.
O olho de Júnior (esq.) é uma figura que sugere movimento e tridimensionalidade, fatores inesperados numa pintura de rua. Junto ao bom-humor, a técnica gera um tipo de impacto visual que tem sido usado com sucesso na publicidade.
A criação contrasta de tal forma com os rabiscos na mesma parede, que se requer a diferenciação dos dois tipos de graffiti. Ambos são feitos na rua, sob o signo do protesto social, mas a pichação de grafismos rígidos se limita a demarcar o território do autor, enquanto a grafitagem artística busca pôr cores e vida onde se vê abandono e deterioração.

A exposição inaugura-se hoje (15), às 19h, no Espaço Ágape (Anchieta 4480, fones 3028 4480 e 8416 6762), e ficará aberta para visitação até o dia 1 de abril.
Imagem: Espaço Agape

segunda-feira, 14 de março de 2011

Escritor faz oficina de gêneros breves

Márcio Ezequiel (esq.) é escritor porto-alegrense, nascido em 1972. Ele tem a originalidade de trabalhar — criativa e seriamente — o duplo sentido da palavra "história".

Ele começou pelo estudo da História e daí derivou à Literatura. Seu mestrado na UFRGS estudou a Literatura de Viagem produzida por estrangeiros no Sul do Brasil do início do século XIX, as crônicas que havia naquela época.

Em 2006 começou a publicar contos de ficção, alguns deles premiados, e em 2007 escreveu para o Ministério da Fazenda o livro “Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História”, pesquisa que o fez o maior entendido no assunto. Mas a Literatura seguiu chamando com força, primeiro como estudante e logo como professor de oficinas de criação literária.

Criou o blogue O Piro Técnico: penso que existo; logo, crio um blog. Também assina uma coluna de crônicas no Diário Popular (leia no blogue dele, pois o sítio do jornal não lhe concedeu um blogue). No Twitter ele se autodefine assim:

Perfeccionista em construção. Faço tudo errado. Da melhor maneira possível.

Esta sexta-feira (18), ele inicia em nossa cidade uma Oficina de Escrita Criativa (leia detalhes), para produção em gêneros breves (crônica, conto e miniconto). Com grande otimismo ele convida seus leitores e futuros colegas:

Libertaremos nossos textos tantas vezes encarcerados em gavetas escuras. [...] Formada a turma, montaremos ainda um blog para divulgação dos trabalhos produzidos e, quem sabe mais tarde, publicar uma coletânea impressa.

As reuniões serão realizadas na Livraria e Sebo Monte Cristo, local que tem tudo a ver com leitura e criatividade. Informações e inscrições na Livraria: 3027 5172.
Imagens: M. Ezequiel

Confusão moral: crimes sem castigo

A página policial geralmente revela o lado oculto dos cidadãos. Nas horas e lugares mais escuros, aparecem as atitudes mais desprezíveis e insociáveis, que se alguém denunciar e registrar aparecerá depois nos noticiários.

Junto aos relatos de crimes, aparecem também as reações da sociedade e, implicitamente, algumas causas ou fatores detonantes da violência humana. Nessas reportagens, desenham-se as personalidades mais perigosas e as das vítimas, sendo que, pelo menos potencialmente, os dois tipos se encaixam na estrutura de cada um de nós, violentos e violentados, dependendo do ponto de vista.

Na edição impressa de hoje (14), o Diário Popular informa, em poucas linhas, tudo o que se precisaria dizer sobre a degradação moral da nossa sociedade: cidadãos pegaram um ladrão em flagrante, que foi levado pela polícia e, após ser ouvido, recebeu o perdão à moda hebraica ortodoxa (mediante pagamento de oferenda).

O perdão é divino e nele não há erro; haverá talvez engano nos passos anteriores? Seria errado andar com celular na rua, ou pensar que os mais pobres devam sobreviver à base de bens alheios?

Tudo indica que em nossa sociedade o roubo não seja um delito, pois o pagamento de fiança libera o infrator de qualquer outra pena. As testemunhas — possivelmente amigas ou parentes da pessoa roubada — é que exageraram na perseguição e quiseram que o "ladrão" (expressão politicamente incorreta, como várias outras usadas pelo repórter) fosse vítima de repressão moralista, em vez de ser compreendido e reabilitado.

Agora sem ironia: As mesmas atitudes incorretas se repetem na educação, na política e até nas relações amorosas, fazendo-nos vilões e vítimas de nós mesmos e das pessoas que amamos e queremos proteger.

domingo, 13 de março de 2011

100 mil acessos em dois anos

Completados dois anos de medição de pageviews, este blogue conta hoje com 250 visitas diárias, em média, incluindo os acessos à página de entrada e aos diversos posts. Bem menos que os sítios jornalísticos que falam de nossa cidade (RBS, Diário Popular e Amigos de Pelotas), mas significativo para o conceito que nos orienta: a cultura em Pelotas.

Em 2009, as visitas subiram desde 50 por dia -em março- até 100, em dezembro. Doze meses depois, o número voltou a dobrar, chegando a 200 acessos diários. O lógico seria que duplique de novo em dezembro de 2011 (400 por dia), e até hoje essa medida se mantém, pois já temos - 3 meses depois - a média de 250.

Em março de 2010, o número total de acessos era de 38 mil, esperando-se portanto 76 mil para março de 2011. Mas hoje chegamos a 100 mil. Serão 200 mil daqui a mais um ano, ou haverá outro salto?

Sem contar com maior publicidade que um cartão de visitas (com o mesmo desenho do cabeçalho central, ambos elaborados pelo designer profissional Nathanael Anasttacio), os leitores foram chegando e gostando. O foco de conteúdos se mantém firme e claro, e outros veículos não o tratam com profundidade, mesmo tendo na equipe de cada um jornalistas estagiários e/ou diplomados. Estes dois últimos fatores (conceito central e análise crítica) são os motivos que explicam o sucesso de público (no entanto, a publicidade é um apoio importante).

Os links que recebemos de outros sítios são fonte de visitas numerosas, especialmente: Twitter de leitores, blogues de seguidores (veja uma lista) e o portal ClicRBS Pelotas, que já nos mencionou mais de uma vez. Essas menções são significativas, pois não é comum que um sítio jornalístico se vincule a empreendimentos análogos, a não ser em caso de parcerias.

Como é comum na internet, temos leitores de diversos países, com predomínio de 91% do Brasil, notadamente gaúchos. Portugal contribui com 3% dos acessos do blogue, Estados Unidos 2% e o resto se distribui entre países europeus e sul-americanos. Por sua parte, os seguidores públicos (no Blogger) são somente brasileiros e os comentaristas são basicamente pelotenses ou pessoas que moraram aqui.

Além de analisar a vida e a história de Pelotas e de mostrar nosso lado glorioso e também o penoso (v. fotos), a finalidade do blogue é movimentar o ambiente cultural, coisa que atualmente nem a imprensa nem os governos considerando sua função. Para isso foram introduzidas, na coluna da direita, duas agendas (Google calendars) e uma lista de rádios locais, de modo a informar e motivar os leitores pelotenses, que são o objeto direto do blogue. Para melhor cobrir essa agenda, precisaremos de mais colaboradores e mais informantes, meta definida para os próximos anos.
Fotos: P. Ramalho (1) e F. A. Vidal (2)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Onde expor artes plásticas em Pelotas

Em Pelotas, entre os lugares disponíveis para exposições de arte, podemos distinguir de 70 a 90 opções individualizadas, agrupáveis em pelo menos três grandes tipos:
  1. os espaços exclusivamente dispostos para a exposição de artes plásticas,
  2. os compartilhados com outra função (sendo usados de modo alternado ou simultâneo) e
  3. os locais que sofrem intervenção, sem ser adequados para exposições de arte.
Fora desses grupos, há espaços pertencentes a museus e memoriais — não abertos a aluguel ou empréstimo — e lugares nunca utilizados, que eventualmente poderiam ser visitados ou sofrer intervenção artística.

1 Espaços de uso exclusivo para arte
- Galerias do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (UFPel), 4 salas
- Centro Cultural Adail Bento Costa (SECULT), 3 salas
- Biblioteca Pública Pelotense, escada lateral (foto abaixo à direita)

2.1 Espaços multiuso (alternância com outras funções)
- Bistrô da SECULT
- Espaço Cultural Deogar Soares (Câmara Municipal)
- Giane Casaretto Galeria de Arte
- Espaço Arte & Eventos Zilah Costa, 2 salas
- Fábrica Cultural Música pela Música
- Jacques Georges Tower: mezzanino e 5 salões
- Auditório da Moda, Campus II da UCPel
- Spazio Auguri, 5 salas
- Vidraçaria Pampah
- Foyer e corredores do Teatro Guarani
- Salas e pavilhões da FENADOCE
- Instituto João Simões Lopes Neto
- Salões de clubes sociais (Diamantinos, Brilhante, Comercial, Dunas, Fica Aí)

2.2 Espaços de uso simultâneo com funções diversas

- Corredor Arte do Hospital Escola da FAU
- Galeria JM Moraes, do Espaço Ágape (esq.)
- Galeria de Arte da UCPel (corredor interno)
- Saguão do INSS
- MAB Gallery (Centro de Idiomas MAB)
- Centro Comercial Zona Norte (primeira foto superior)
- Área de Convivência do Campus I da UCPel
- Área de Convivência do Campus II da UCPel
- Saguão da Prefeitura, 2 naves laterais
- Espaço Chico Madrid (auditório da Sociedade Sigmund Freud)
- Espaço de Arte do Hospital São Francisco de Paula (corredor de entrada)
- Saguão do Centro de Integração do MERCOSUL, da UFPel

3 Espaços sob intervenção, não adequados para arte
Bar João Gilberto
Restaurante Lobão

Espaços suscetíveis de intervenção
  • Saguão e entrada (foto abaixo) da Estação Rodoviária
  • Shoppings Calçadão e Mar de Dentro
  • Salas de espera de serviços públicos e bancos
  • Quartéis militares
  • Pavilhões do Cais do Porto
  • Jardins e praças públicas
  • Auditórios e ginásios de escolas
  • Salões paroquiais e comunitários
  • Prédios abandonados
  • Antigos cinemas (Capitólio, Pelotense, Tabajara, Fragata, Garibaldi)

Fotos: F. A. Vidal (1, 2, 4) e Ágape (3)

terça-feira, 8 de março de 2011

Diário da Manhã, agora em cores

O jornal pelotense Diário da Manhã escolheu o dia 8 de março para o início formal de suas edições com todas as páginas em cores (à direita, a capa de hoje). Há algumas semanas, páginas interiores já estavam saindo com fotos coloridas, mesmo com o logo da capa em preto.

Em 1979, o Diário da Manhã de Passo Fundo (RS) abriu este jornal em Pelotas, como alternativa ao já veterano Diário Popular, fundado em 1890. O primeiro choque foi com a palavra "diário", que na fala costumeira do pelotense passou a ter dois usos, predominando nessa tradição oral o mais antigo (Diário = Diário Popular).

O segundo golpe do DM foi bem mais efetivo: começou a aparecer segunda-feira — dia em que tradicionalmente os jornais paravam, pelo descanso de domingo —, obrigando assim o Diário Popular a ser publicado sete dias por semana. Entretanto, todos os feriados do ano ambos os jornais ainda respeitam.

A competição seguiu e o novo diário fechou após uns anos, mas voltou com mais energia e aí está até hoje, ainda com pequena equipe, mas grande mística e aumentando o número de assinantes (especialmente por ser o veículo oficial para publicar editais da Prefeitura).

Nos últimos vinte anos o Diário Popular (edição de hoje, à esq.) vem modernizando-se: adotou o tamanho tabloide, melhorou a impressão, entrou na internet, adotou Rio Grande como zona editorial, fundou clube de assinantes, eventos paralelos e outros serviços.

Até o logo sofreu mudança, incluindo o acento agudo na palavra DIARIO (inexistente na época da fundação), que a ortografia de 1943 já mandava acentuar e foi estritamente conservada até os anos 90 (em Pelotas, curiosamente ainda se usa o TH no nome de nossos antigos teatros, contrariando regras básicas do idioma).

Apesar desta atualização na edição impressa, que hoje comentamos, ainda falta ao Diário da Manhã, para ser um jornal à altura dos tempos atuais e ao nível de Pelotas, ter um espaço interativo com os leitores, especialmente na área cultural, e não só pelas cartas e emails ao diretor, mas também pela internet (por exemplo, blogs dos jornalistas). Hoje a imprensa se limita a registrar o que acontece, até de modo verticalista, segundo os padrões do século XIX. Mesmo a modernização obtida pelo Diário Popular mantém signos de impermeabilidade às críticas e mudanças que a população jovem espera. No século XXI, a comunicação deve seguir a movimentação criativa do povo e incentivar a vida de todos os segmentos cidadãos. Somente os mais flexíveis poderão desenvolver-se nesse ambiente.
Imagens: F. A. Vidal

Filosofia e Religião, ciclo de filmes até dezembro

Esta sexta-feira (11), o Departamento de Filosofia da UFPel retoma o debate de filmes, com o II Ciclo de Cinema: “A Filosofia e o Cinema Religioso”.

No ano passado, o professor Luís Rubira criou este projeto de extensão e coordenou a discussão de 28 filmes sobre questões políticas e históricas. A atividade é formalmente educativa e lúdica, e no conteúdo analisa a realidade social com os prismas da Filosofia.

Para 2011, o projeto propõe um aumento na intensidade e uma variação no tema: 40 filmes de arte serão analisados, tendo agora o fio condutor da religião, um assunto cheio de conflitos e de conotações metafísicas, sociais e emocionais.

Rubira escolheu as obras para debate e escreveu sinopses para orientação do público. Como nossa civilização tem forte influência do cristianismo, esta religião é a mais presente no ciclo, mas outras tradições e pensamentos também serão tratados.

A polêmica começa, nada menos, com "A Última Tentação de Cristo", de Martin Scorsese (1988), com roteiro de Paul Schrader baseado no livro de Nikos Kazantzakis (1951). Willem Dafoe faz o papel de Jesus, Harvey Keitel é Judas, e Pilatos é personificado pelo cantor inglês David Bowie. A trilha sonora é de Peter Gabriel. Duração de 2h e 45min.

Na época, a Igreja Católica repudiou estas obras, por não seguirem os textos bíblicos, mas o problema central (como nos demais filmes de Scorsese, católico por formação) é a dificuldade de redenção dos homens como indivíduos, tendo como ponto de partida o fracasso, o sofrimento e a impotência. Livro e filme tratam livremente desse conflito espiritual, especulando sobre os traços e as opções de Jesus como ser humano.

As sessões do II Ciclo de Cinema e Filosofia serão realizadas toda sexta-feira, às 20h, no Centro de Integração do MERCOSUL, da UFPel (Andrade Neves esquina Lobo da Costa). Solicitar senha gratuita na portaria.

Homenagem poética à Mulher

Em 2006, Laís Maria Falcão Sparenberg - então com 80 anos de idade - destacou o valor das mulheres pelotenses ao longo da história (leia o artigo).

Também com conhecimento de causa, Isabel Cristina Silva Vargas define em versos a essência feminina.

Mulher

Substantivo feminino singular:
Menina, adolescente, jovem, senhorita,
Mulher, esposa, consorte,
Cônjuge, dama, senhora...
São tantas as definições,
Que exprimem situações,
Condições ou aspirações
– Até mesmo decepções –
Mas será que exprimem
A essência da mulher?

Em geral nascemos para amar,
Cuidar, proteger, amamentar.
Somos fortes, aguerridas e bravas
Na defesa de nossos rebentos,
Somos companheiras, cúmplices,
Donas de casa, profissionais,
Por opção ou imposição,
Libertas no pensamento,
Nem sempre nas condições humanas.

Por isso ainda existem Amélias
Pela dedicação integral,
Outras tantas Marias:
Da Penha pelos maus-tratos,
De Nazaré pelos filhos tirados,
De Fátima pelos milagres realizados,
E outras tantas pelo mundo encontradas.

Conquistamos espaços,
Outrora negados ou
Sequer imaginados,
Alcançamos respeito
E Amor próprio e
Por amor – até impróprio –
Percorremos longa estrada
Todos os dias do ano
Ao longo da vida inteira.

Por isso ganhamos – não de graça,
Mas à custa de muita raça –
Um dia todo nosso
Para muito pensarmos
E a nós todas dedicarmos.
Isabel C. S. Vargas
Imagem: "Serenidade", da pelotense Carmen Araújo

sábado, 5 de março de 2011

A rebeldia estética do graffiti

O termo italiano graffiti (traduzível como "rabiscos") aplica-se à escrita em paredes, inclusive a que existia na Antiguidade, e ganhou força nas grandes cidades modernas com o uso da pintura no espaço público para finalidades políticas e de intervenção urbana.

Para referir-se a este modo de expressão, o idioma inglês usa o termo italiano, enquanto o italiano optou pelo hibridismo inglês graffiti writing, incluindo no mesmo termo a escrita rabiscada e o desenho colorido. Em português, temos um nome para cada um: veja o que a Wikipédia registra sobre o grafite (grafitagem urbana) e a pichação (mais associada a vandalismo).

Quando se aportuguesou graffiti para "grafite", esta palavra assim ganhou novo significado (além de "mineral de carvão"). Existe a opção de diferenciar entre grafita (substância para escrever) e grafito (escrita em paredes).

Manoel Soares Magalhães escreveu, em outubro passado, um artigo sobre este tema no Amigos de Pelotas (leia os comentários), diferenciando entre pichação e grafito, e admitindo semelhanças entre ambas formas. Há uma semana, aqui no blogue, iniciou-se uma discussão entre leitores, sobre a nota Entre a arte e o vandalismo. Veja abaixo a crônica de Manoel e siga o debate nos comentários.

Grafitagem no muro abandonado da rua Tiradentes, esquina Gonçalves Chaves

Grafite, o grito mudo da arte rebelde

Muito utilizado no bairro Bronx, em Nova Iorque nos anos sessenta, e na movimentação estudantil francesa, em 1968, o grafite incorporou-se definitivamente ao modus vivendi contemporâneo. Impossível andar-se hoje pelas ruas das médias e grandes cidades sem o contato com essa forma de expressão, que muitas pessoas ainda confundem com pichação.

A pichação tem por objetivo agredir o patrimônio público, utilizando-se da grafia para isso. O grafite, por outro lado, prescinde deste expediente, preferindo formas e cores inusitadas, interferindo no espaço público com criatividade.

Quer gostemos ou não, o grafite veio para ficar, oferecendo à realidade perspectivas diferenciadas e ousadas, levando-nos a encarar o espaço urbano com olhos de ver. Negar-se a tal exercício é fechar a porta para o diferente, simplesmente porque o diferente nos inquieta. No diferente está a oportunidade de mudar, escolher novos rumos, horizontes menos preconceituosos.

O grafite, portanto, interfere na paisagem urbana, influenciando de forma decisiva o comportamento social. Poder-se-ia dizer que é espécie de grito explodindo na garganta do artista em forma de cores e traços ousados, cujo eco reverbera pela cidade, na intenção de arrancar o povo do lugar-comum. Ninguém passa indiferente pelas obras de arte, autênticas instalações cuja intenção é colorir as “zonas mortas” das cidades, entregues ao abandono, servindo, inclusive, de lixões a céu aberto.

A aceitação a este movimento estético é tão surpreendente, a ponto de haver grafites enfeitando vitrines, servindo igualmente como cenário em desfiles de moda. É a absorção da rebeldia como caminho, incentivando o consumo. Os empresários do ramo deram-se conta de que o grafite é um nicho promissor, proporcionando aos jovens a possibilidade de incorporá-lo sem medo de represálias.

Ocorre que os grafites não refletem apenas o inconformismo, a insatisfação dos artistas diante do status quo, mas querem, igualmente, manifestar as riquezas do espírito jovem, suas angústias e apreensões, cujos traços exageradamente coloridos – ou num preto-e-branco muitas vezes agressivo, revelam os signos da liberdade de expressão, interpretado erroneamente como a arte da demonização.

O que anteriormente era visto tão somente nos assépticos ambientes das galerias, hoje se encontra não só nas zonas mortas das cidades, mas, também, na geografia nobre dos grandes centros urbanos, provando a força de uma estética que ainda é profundamente criminalizada. Grafite não é pichação, mas arte da melhor qualidade, que não visa mostrar levianamente as feridas da cidade, mas, sim, cicatrizá-las com criatividade e ousadia.

Aqui em Pelotas, por exemplo, quem se dispuser a caminhar pela zona do Porto, onde há prédios abandonados – antigos armazéns, engenhos etc., praticamente em ruínas – vai se deparar com centenas de grafites, muitos desses com possibilidade de fazer bonito em bienais de arte, inclusive em São Paulo.

A miséria e o abandono do lugar modificam-se mercê de uma iconografia que surpreende, extasia e eleva. Em algumas obras há necessidade de parar e refletir, tamanha é a força do simbolismo que encerram, desafiando nossa capacidade de interpretação. O olhar curioso e sem preconceitos acaba encontrando, misturada à profusão de cores e traços irreverentes, a chave para o entendimento da contemporaneidade.

O que parece esquizofrênico e sem sentido, revela-se, de súbito, capaz de traduzir as sensações do ser humano em toda a sua complexidade. Meio às ruínas daquilo que um dia teve solidez, a fragilidade do grafite impõe-se soberano, refletindo nosso tempo, dizendo-nos que não adianta correr para vencer o relógio.

A arte revolucionária dos muros pede calma e reflexão. O mutismo, à base de tintas e reboco velho que se esfarela, grita no silêncio das manhãs e no sossego das tardes. Existe para ser ouvido e visto por quem não tem pressa de chegar. Aliás, não tem pressa para nada. Viver é o suficiente. Ou deveria ser.

Manoel Soares Magalhães


Veja o documentário No Muro, parte 1 e parte 2, realizado em 2010 por estudantes do 2º semestre de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.
Imagens: F. A. Vidal

Expedito, tudo a ver com mudanças

No catolicismo, Santo Expedito é considerado patrono da agilidade, amigo de viajantes, militares, estudantes com dificuldades e pessoas que precisam apressar causas e processos: uma ajuda para não deixar para amanhã as coisas que se podem fazer hoje (leia na Wikipédia em português).

Foi somente no século XVIII , na Itália, que começou a contar-se sua história - que teria ocorrido no século IV - e foi canonizado como mártir cristão, mas sem documentação histórica.

Como seu nome significa "ligeiro, expresso" e as orações obtinham resultado com rapidez, o santo ganhou muitos devotos e a biografia foi sendo preenchida com imaginação.

Na tradição militar (leia na Wikipedia em espanhol), os que faziam expedições levavam poucos apetrechos e podiam fazer operações rápidas. Eles eram os soldados expeditos.

Mas o nome Expedito não é muito usado para batizar crianças. Um município brasileiro no oeste paulista chama-se Santo Expedito, talvez por coincidir a sua fundação com o dia do santo (19 de abril). Em Caxias do Sul, a Expedito Viagens realiza transporte de pessoas e mercadorias, locação de veículos e passeios turísticos no sul do Brasil.

Em Pelotas, o nome também foi usado, com toda lógica, para outra empresa de viagens e turismo, a "Trans Expedito", anunciada num ponto de táxi (acima). Tudo a ver com movimento. Se a inspiração empresarial for acompanhada da oração fiel, provavelmente os transportes não tenham demora alguma.

O paradoxal é que Expedito seja o nome de fantasia de um estacionamento (dir.), lugar onde nada se move. Se o santo for forte, os clientes devem chegar com rapidez, de acordo ao lema "amanhã não; hoje sim". Mas também sair sem demora, pois a ideia é não amarrar os processos de mudança.

Na Almirante Barroso, os carros passam com boa velocidade, principalmente após a rua ter recebido generosa capa de asfalto (esq.).

Será que o padroeiro chama os viajantes a fazerem uma pausa por aqui ("venham hoje, não amanhã"), ou somente lhes dá a proteção para as boas viagens? Ou o santo (que em todo o mundo acelera as causas) mostra aqui em Pelotas a tendência de atravancá-las?
Fotos de F. A. Vidal

sexta-feira, 4 de março de 2011

“Pedaços de 80” inicia o ano na UCPel

O cubo mágico, a zebra da Loteca, personagens de desenhos animados, imagens de TV e videogames, e símbolos comerciais diversos são imagens visuais soltas que ficaram na memória de quem viveu a década de 1980.
Tantas imagens - centenas, talvez - ficaram arquivadas, sem uso nem destino, mas não esquecidas por quem foi criança ou adolescente naquela época, e hoje conta entre 25 e 40 anos de idade.
O artista Daniel Keglis Konrath, nascido em 1981, é um desses adultos jovens que guarda essas lembranças que não ficaram em nenhum museu. Ele quis graficá-las no papel, sendo fiel aos traços originais mas sem deixar de imprimir seu estilo pessoal.
Na Galeria de Arte da UCPel ele apresenta 19 desenhos que representam "pedaços dos anos 80". A primeira mostra de 2011 neste espaço abriu com o início das aulas na Universidade e vai até 25 de março.
Acadêmico de Artes Visuais (UFPel), cartunista autodidata e pesquisador em arte cemiterial, Daniel participou no ano passado em três coletivas: a mostra de desenho e humor da UFPel, a Recotada e o XXVII Salão Internacional de Humor do Piauí.
Para obter os efeitos desejados, o artista utilizou caneta à base de álcool, tinta acrílica, nanquim e anilina, materiais comuns ao desenho e à pintura, e que sugerem — com suas cores vivas e os traços de comics — aquele ar pré-infantil e hipnótico da padronização comercial que prenunciava os tempos da internet.
Esses novos públicos, hiperativos e superficiais, que nasceram já conhecendo computadores e celulares, mais tarde seriam apelidados de Geração Y (os nascidos entre 1980 e 1999). Eles mostrariam sua criatividade de várias formas, mas já haviam sido influenciados na base pela pseudoarte anódina da mídia dos anos 80.

À reportagem da UCPel, Daniel disse que escolheu o papel como suporte, que permite usar recursos como os traços mais livres e a tinta escorrendo, a fim de chegar a características de desenho de criança. Outro dos efeitos que ele espera ocasionar é que os desenhos façam os espectadores lembrarem coisas já esquecidas.
— Já tive experiência com amigos meus, que olharam os quadros e disseram não lembrar mais de muita coisa da infância. A ideia é que, a partir das minhas recordações, possa despertar a recordação nos outros.

O acesso ao Campus I é pela rua Gonçalves Chaves e pela Dom Pedro II, com entrada franca, das 8h às 22h, sem fechar ao meio-dia (sábados só pela manhã).
Imagens: F. A. Vidal (1-3) e W. Lima-UCPel (4)

Calçadas armadilhas

O cronista Rubens Amador fala de outro problema de nossa cidade que oferece perigo a nós mesmos e que por certo prejudica a imagem de Pelotas ante os visitantes. As fotos foram tomadas por ele mesmo, em ruas do Centro.

Já faz bastante tempo que venho revoltado com o estado de nossas calçadas. É certo que o Sr. Prefeito não pode ser responsabilizado diretamente pelo despautério. Haverá funcionários de segundo escalão responsáveis pela saúde dos nossos passeios públicos.

Uma notícia do Correio de Povo de 15 de fevereiro [leia a matéria aqui] contou que o município de São Leopoldo foi condenado a pagar indenização de R$ 3.570 a certo cidadão que sofreu queda pelo mau estado da calçada, e fraturou o tornozelo.

O valor da condenação foi apenas por danos morais, pois ainda teve fisioterapia demorada, com afastamento do trabalho. Fotos da calçada e o depoimento de duas testemunhas fizeram com que o Tribunal de Justiça entendesse que às prefeituras cabe zelar pelo bom estado dos passeios públicos.

Mas, voltando a Pelotas, nossas ruas estão ficando desdentadas, desde há uns quatro anos, quando ladrões começaram a levar os registros de ferro dos esgotos, para venderem a algum receptador. Nossas autoridades, todas: a polícia civil, os funcionários da prefeitura, a polícia rodoviária (esta no sentido de fiscalizar se tais ferros não eram levados para alguma fundição fora de Pelotas) poderiam buscar soluções em conjunto.

O fato é que nossas calçadas são autênticas armadilhas. E a população ignora se foi investigado para onde foram tantas toneladas de ferro, para evidente demolição. Além dos esgotos destampados, nossas calçadas são de fazer dó.

Sabe-se que há uma lei municipal que responsabiliza cada proprietário de residência, fazendo com que tais munícipes sejam responsáveis pelas calçadas frente às suas propriedades. A Prefeitura - preceitua a citada lei -notifica aos moradores com calçadas em mau estado, dando-lhes um prazo para que os reparos sejam executados. Se não o forem, deverão ser feitos pela Prefeitura, que debitará as despesas para que sejam pagas ao vencer-se o seguinte Imposto Predial.

O que não deve e não pode, é continuarem sendo nossas calçadas as piores do Estado, oferecendo riscos de perigosas quedas, que serão fatalmente cobradas da Prefeitura, a responsável final pelo cuidado com os passeios públicos, tal como é em qualquer cidade civilizada.
Rubens Amador

Fotos: R. Amador

quinta-feira, 3 de março de 2011

Variações sobre Frida Kahlo, no hospital

Em seus exercícios para desenvolver a técnica e o pensamento, o Ateliê Giane Casaretto costuma estudar, cada ano, a obra e a personalidade de um ou dois grandes criadores da humanidade. Sua exploração mais recente foi com a pintora Frida Kahlo (1907-1954), cujo centenário foi comemorado há três anos e mesmo até 2010 seguia despertando homenagens.
Os cerca de vinte quadros que resultaram desta prática didática estiveram na exposição de fim de ano do Ateliê e agora uma pequena mostra deles, selecionada por Giane, pode ser apreciada no Hospital São Francisco de Paula, no Espaço de Arte organizado por Orayl Barcellos de Araújo.
Ontem (2) ele colocou as sete obras que ficarão ali até fim de março (dir.) e hoje pela manhã acrescentou as etiquetas de identificação e preço. Em setembro passado ele reinaugurou este espaço (veja nota) e não tem deixado de renovar as mostras mensais.

Frida Kahlo esteve hospitalizada várias vezes mas soube processar o sofrimento mediante a arte plástica, que exercia mesmo deitada ou imobilizada pelo gesso, numa atitude que é modelo de superação para todo ser humano que passa por situações angustiantes ou deprimentes.
Por isso parece tão significativo que estas obras tenham encontrado este lugar, e além disso pudessem expressar duplamente sua mensagem de amor e de vida: a da criadora mexicana e a mediada pelas artistas pelotenses.
Vera Holthausen é uma dessas artistas, que têm uma distância cultural em relação ao México dos anos 1930 e 1940, mas mantêm a identificação com a vivência do gênero feminino. A metáfora das flores de cacto (esq.) sugere o contraste dramático entre dor e beleza, entre aspereza e sensualidade. Se a natureza nos mostra essa contraposição numa planta do deserto mexicano, por que não também num ser humano? Quem subsiste no deserto armazenando gotas de água nas vísceras é um artista da sobrevivência, e muitos de nós gostaríamos de saber como é possível desenvolver esses mecanismos. A mantilha em vermelho e preto (abaixo) traz um contraste mais radicalmente emocional entre o mais apaixonado erotismo e a mais negra tristeza, num verdadeiro retrato psicopatológico.

Fazer um retrato pintado não requer somente boa técnica e talento gráfico, mas uma intuição que permita tocar as profundidades, e mostrar sem palavras o que é invisível ao público médio. Na primeira imagem desta nota temos um exemplo de retrato feito com sensibilidade.
Giane Casaretto foca diretamente no rosto de Frida, em cores menos vivas que as usadas pela pintora mexicana e num estilo que, sem ser naïve, conserva o lado primitivo que neste caso é parte da personalidade retratada. Assim, o olhar de Giane está fora da aparente ingenuidade em que se refugiou Frida para sair da dor, mas não deixa de ver os tormentos que se instalaram no corpo e na alma da artista mexicana.
Fotos de F. A. Vidal

quarta-feira, 2 de março de 2011

Grafiteiros na Galeria JM Moraes

A linguagem da rua dentro da galeria

O Espaço de Arte Ágape convida a todos para a primeira exposição de graffiti em Pelotas realizada em uma galeria.

Os grafiteiros Felipe Povo e Júnior Asnoum estarão presentes na abertura, terça 15 de março, a partir das 19h. Visitação: de segunda a sexta, até 1 de abril.

Trote solidário da Fisioterapia

A UCPel vem formando atitudes politicamente corretas no seus alunos de graduação, como a evitação do fumo e dos tradicionais trotes violentos. Atualmente não se fuma nas salas de aula nem nos corredores da universidade, as pessoas com deficiências são integradas ao sistema educativo e estimulam-se os assim chamados "trotes solidários", recepções dos calouros em que o sadomasoquismo é levado a níveis somente simbólicos (não físicos) e as possíveis agressões morais revertem em benefícios para a comunidade.
Esta quarta (2), a notícia foi que os 48 novatos do curso de Fisioterapia foram obrigados, como rito de iniciação, a realizar tarefas comunitárias: doar sangue — como os veteranos já fazem — e arrecadar, cada um, 12 quilos de alimentos e 3 brinquedos educativos para a ONG Casa Vida (que atende crianças com câncer) e a Clínica de Fisioterapia da UCPel. Alimentos e brinquedos foram recolhidos, mas a doação de sangue não deu certo, pois a maioria dos calouros não tem a idade mínima requerida.
Como se vê, o trote segue sendo aplicado com pressão absolutista, mas — como a tarefa é cheia de sentido social e coerente com o que se estuda no curso — ela é aceita com orgulho e alegria, parecido a como aprendemos na infância a nos "comportar bem": sem escolhas livres, mas enfatizando o lado positivo. Uma das alunas disse:
— Foi uma forma que encontramos de ajudar, até porque vemos a necessidade de locais como a Clínica, com a qual já temos contato desde o início do curso. É um ato de solidariedade que faz a diferença.
Foto: Wilson Lima (UCPel)