
Há algumas semanas (sábado 17-12-11), faleceu silenciosamente Gilberto Langlois Braga, hospitalizado havia algum tempo, com grave doença. Não quis velório nem anúncios, somente a cremação como humilde saída desta vida.
Apaixonado pela arte musical, batalhou com idealismo, nos últimos cinquenta anos, pelo desenvolvimento da música erudita em Pelotas e do crescimento da Sociedade Pelotense Música pela Música, fundada em 1990 (leia a história desse projeto em duas reportagens do Diário Popular:
Sociedade completa 11 anos e
Festa para comemorar 15 anos).

Em 2006, o médico Nei Guimarães Machado, que foi outro dos fundadores, resumiu em breve crônica (
A concretização de um sonho) o papel de Gilberto Braga naqueles inícios. Em dezembro de 2010, quando do concerto ao ar livre na Av. Bento Gonçalves, uma nota do Diário Popular destacou novamente seu trabalho com a SPMM:
O sonho de Gilberto Braga frutificou e é hoje essa realidade linda, que encanta a plateia pelotense e a emociona a cada apresentação do coral e da Orquestra Filarmônica.
É um belo presente que Gilberto legou a Pelotas, que, secundado pelo esforço e pela dedicação de tantos outros idealistas, não só foi mantido sem interrupções, como ampliado em sua estrutura e aprimorado, nessa difícil mas gratificante arte de cultivar o belo através das mágicas tonalidades do canto e da música
[leia a nota completa: Música na Praça].
Incômodo com o silêncio em torno à morte do dr. Braga, o ex-secretário da SPMM José Galli escreveu a nota abaixo, publicada ontem (2) no Diário da Manhã.
Pelotas Musical deveria pôr luto
Há cerca de um ano, tentava descobrir o nome de música que, em minha juventude, ouvia com relativa frequência na Voz do Povo, chamada bem-humoradamente de "voz do poste", um conjunto de alto-falantes colocados na "ilha dos malandros", esquina da Quinze de Novembro com Marechal Floriano. Queria testar minha memória, procurando a melodia na internet.
Consultei todos os maestros e músicos que conhecia em Pelotas, mas, embora alguns lembrassem a melodia, foram incapazes de lembrar o nome do trecho. Foi então que a conhecida soprano Carmem Vera Bassols me sugeriu: "Telefona para o Braga".

Seguindo seu conselho, telefonei-lhe e, ao cantarolar-lhe a melodia, imediatamente respondeu que "via a partitura" na sua frente e que até a cantara na SPMM. Pouco depois, veio a resposta:
Notturno d'amore, do balé I Milioni D'Arlecchino (
Les Millions d'Arlequin)!
Assim era o Dr. Gilberto Langlois Braga. Amante desde jovem e profundo conhecedor de música erudita que, na década de 60, junto com o consagrado maestro Tagnin, fundaram o Grupo Lírico que germinou na formação e desenvolvimento da SPMM.
Nessa Associação, tinha a característica de insistir na qualidade musical e manter-se sempre em segundo plano, apesar de no tempo das vacas magras financiar do próprio bolso até o deslocamento de coralistas menos aquinhoados. Ele também foi o responsável pela vinda para Pelotas do talentoso maestro Sérgio Sisto (
acima à esq.).
Faleceu há algumas semanas como viveu: sem homenagens e sem alarde. Que me perdoem se o descontento com esta nota.
J. Galli
Fotos da web