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terça-feira, 30 de julho de 2013

Satolapp acompanha o Sete


Em 30 de julho, o aplicativo Satolapp Cultural já tem mil seguidores e segue em desenvolvimento para divulgar o cenário cultural pelotense. Há uma semana, a equipe publicou a foto acima e anunciou que acompanhará o andamento da reforma do Teatro Sete de Abril, a sala mais antiga do Estado (inaugurada em 1834), desativada há 3 anos e meio.

Como o processo de reforma recém está começando, esperam-se novidades para os próximos dois anos, pelo menos (o Mercado precisou de quatro anos para reabrir, e ainda não retomou o ritmo normal). A expectativa é de que o Sete de Abril volte a fazer brilhar a vida da cidade e seja cada mais valorizado pelo povo pelotense.

POST DATA

20-8-13 Jornal ZH noticiou: Dilma anuncia verbas para o Sete de Abril.

23-8-13 Satolapp Cultural postou a foto abaixo.


4-9-13 Diário Popular reporteia as reformas: Hora de tirar dúvidas sobre o Sete de Abril.

Fotos (1-2): Facebook

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Imagens do Teatro antes de fechar


Em 23 de outubro de 2009, o Teatro Sete de Abril lotado assistiu ao espetáculo "Assuma Sua Negritude", de Geanine Escobar e equipe, dentro do 3º Encontro de Teatro de Pelotas (veja nota). No palco, Geanine e o percussionista Daniel Simões dos Santos, com cenografia de Aloisio Licht; na plateia e camarotes, alunos de escolas municipais e grupos convidados.

A fotografia é um dos últimos registros do Teatro em atividade, o qual foi interditado em março de 2010 e segue fechado até hoje. Vale a pena recordar a importância da arte e do teatro na educação, para aprendermos a cuidar do que é nosso capital cultural. Veja mais imagens do Sete de Abril no vídeo Espetáculo Assuma Sua Negritude.
Foto: R. Marin (Facebook)

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Histórias do "theatro" que cresceu com o imperador


“Sete de Abril: o teatro do imperador” é o livro do jornalista Klécio Santos que será lançado hoje (6) na sede do Instituto João Simões Lopes Neto. Quando um jornalista escreve livros, geralmente segue o caminho do realismo ou do documento. Neste caso, além do conteúdo jornalístico, se trata de uma bela homenagem a um dos maiores ícones culturais de Pelotas, a cidade onde Klécio seguiu seu curso superior.

O sete de abril

A obra conta detalhes e curiosidades do nosso Teatro Sete de Abril, em relação com o imperador brasileiro Dom Pedro II (1825-1899). Este paralelo não deixa de ser original e de agradável leitura, mantendo sempre o sentido da verdade histórica.

O nome do Teatro foi, com certeza, tomado do dia da abdicação, em 1831, do imperador Dom Pedro I em favor do seu filho homem nascido no Brasil, Pedro, então com somente 5 anos de idade. Com a despedida do governante português pouco querido pelo povo, a data marcou o início de um novo período político e passou a ser feriado nacional. Mas em Pelotas ganhou uma segunda conotação.

Um ano depois da abdicação, em 7 de abril de 1832, a Freguesia de São Francisco de Paula, criada vinte anos antes, assumiu a condição de Vila. O decreto era de 1830 mas a elevação vinha sendo adiada por meses e meses, e o dia escolhido foi o deste feriado, talvez por conveniência prática. Por isso a data tem um significado nacional e um local, mas tudo indica que o nome do Teatro tem a força do significado nacional. Os relatos são feitos pelo historiador Mario Osorio Magalhães (veja histórico da Câmara e um histórico do Teatro).

O dois de dezembro

O aniversário natalício de Dom Pedro II também faz parte da história do Teatro. A construção foi terminada em 1834, mas a sala já funcionava antes disso e a inauguração foi feita em 2 de dezembro de 1833, dia em que o futuro imperador completava oito anos.

Com reformas em 1870, em 1916 e em 1927, o prédio ficou fechado uns anos, após ser tombado e municipalizado, na década de 1970. A reabertura ocorreu exatamente 150 anos depois da inauguração, também em 2 de dezembro (dir.). Desde 2010, o Teatro se encontra interditado, à espera das verbas para uma restauração.

A reforma ortográfica de 1943 aboliu no Brasil o uso do dígrafo "th", mas os pelotenses seguem usando até hoje, contra as regras nacionais, a grafia antiga Theatro Sete de Abril. O motivo aduzido é que um nome próprio não poderia ser alterado, mas o mesmo não ocorre com entidades como o Clube Comercial, que deveria então ser grafado Club Commercial. Sobre esta questão, veja as notas Conservadorismo ortográfico e Atualização ainda que tardia.

O autor do livro

Atualmente editor-chefe do Grupo RBS em Brasília, Klécio Santos começou sua carreira de jornalista em Pelotas. Em 2010 recebeu o prêmio Trezentas Onças, em reconhecimento aos que se destacam pela preservação da memória e pela divulgação da obra de João Simões Lopes Neto. Foi ele quem publicou a descoberta da casa que pertenceu ao Capitão, onde atualmente é a sede do Instituto.

O livro, que traz textos inéditos dos pelotenses Simões Lopes Neto e Francisco Lobo da Costa, sai pela editora Liberatos e terá distribuição em Porto Alegre e Brasília. Veja no sítio de Zero Hora uma foto dupla (arraste o slider) que mostra o teatro hoje e em 1916.

Além da cerimônia de lançamento de hoje (6), o autor autografa na Feira do Livro de Pelotas (7-11) e na Porto Alegre (10-11). Fotografias de Nauro Júnior. À venda na Livraria Vanguarda (R$ 50).
Imagens: F. A. Vidal (1, 3), RBS (4)

sábado, 3 de outubro de 2009

As quatro restaurações do Sete de Abril

O Memorial do Theatro Sete de Abril foi criado para resgatar o acervo de documentos e objetos que contam a história deste teatro, um dos mais antigos em funcionamento no Brasil.

Nas paredes do recinto se mantém uma exposição permanente, e em painéis de renovação periódica (esq.) se relatam facetas das atividades da casa, como os artistas, certas datas, a dança, a literatura, a música.

A exposição atual, “Na linha do Tempo”, conta as mudanças arquitetônicas do prédio desde sua fundação em 1831, quando nossa cidade ainda era a Freguesia de São Francisco de Paula.

À esq., a fachada original, de 1832, com as quatro colunas projetadas pelo engenheiro alemão Eduard Von Kretchmar. A obra foi inaugurada com espetáculos em dezembro de 1833, mas só ficou totalmente concluída em 1834, ano a partir do qual se conta a idade do Teatro (clique à dir. para ler o texto).

Houve reformas: em 1870, em que os detalhes de madeira na fachada foram substituídos por ferro; em 1916, quando foram retiradas as colunas da frente e o lustre de velas passou a ser elétrico; em 1927 (anexação do que hoje é o Memorial) e em 1988 (clique à dir. para ver os detalhes do painel).

Com o uso constante e os efeitos do tempo, o Sete de Abril requer constante cuidado e a restauração de certos elementos mais deteriorados. A visitação ao Memorial pode ser feita de segunda a sexta, das 13h às 18h. Entrada pela Quinze de Novembro, 560 A. Leia reportagem de Thiago Araújo sobre a história do Teatro.
Fotos tomadas no Memorial

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sete de Abril recebe público, mas não turistas

José Luiz Röhnelt
Transcrevo artigo do advogado José Luiz Röhnelt (esq.) - estudioso de História do Brasil, ex-presidente da OAB-Pelotas - publicado no Diário Popular de hoje (30-6), página 2.
Começamos lembrando que a crítica construtiva, bem intencionada, é mais benéfica para o administrador - público ou privado - que o elogio fácil, muitas vezes movido por interesses pessoais.
Teatro de Ouro Preto
Faz algum tempo, visitando Ouro Preto, tivemos oportunidade de conhecer seu teatro [dir., 1ª foto], construído no período da produção de ouro, quando a população da cidade equivalia à de Nova York.
Não será exagerado defini-lo como uma relíquia arquitetônica, de estilo semelhante ao do nosso Sete de Abril [2ª foto abaixo]. A diferença reside na forma de administração.
Teatro Sete de Abril
Lá, integrado no roteiro turístico, as portas do teatro permanecem abertas à visitação [veja a notícia de sua reabertura em 2007].
Aqui, nos fins de semana, se não houver programação, com as portas fechadas, priva-se os forasteiros da satisfação de admirar uma das joias mais valiosas do patrimônio histórico, artístico e cultural da cidade.
Essa orientação prevaleceu também durante a Fenadoce, quando milhares de pessoas nos visitaram, atraídos pela programação e, com certeza, pelo desejo de visitar os pontos turísticos. Presenciamos a cena de grupos contemplando a fachada do prédio, enquanto outros se detinham na leitura das placas comemorativas.
Estamos convictos de que o prefeito Fetter Júnior, mergulhado no estudo dos problemas da cidade, que não são poucos, não tem conhecimento do fato. Caso contrário, dinâmico como é, a falha administrativa já teria sido corrigida, com a implantação de, pelo menos, um horário de visita.
O Blog do Noblat publicou o seguinte texto em março passado sobre o Sete de Abril. Sobre a fundação da Vila, em 7 de abril de 1832, e a mescla histórica com a Abdicação, 7 de abril de 1831, veja o artigo de Mário Osório Magalhães (Diário Popular, domingo 08.06.2008).

O Theatro Sete de Abril foi a primeira casa a abrir suas portas às artes cênicas na província de São Pedro do Rio Grande do Sul, e a quarta no Brasil. No auge do ciclo das charqueadas, os detentores do poder político e econômico construíram belas residências, prédios públicos e monumentos com traços arquitetônicos imponentes, revelando suas aspirações à nobreza.
Recebeu três visitas imperiais: em 1846, D. Pedro II e sua esposa foram aclamados e a corte ceou no salão do teatro, no intervalo do primeiro e segundo atos; em 1865, o casal imperial foi aplaudido pela platéia entusiasmada; e em 1885, a Princesa Isabel e o Conde D’Eu, hospedados na cidade, assistiram a vários espetáculos. Talvez dessas visitas resulte o fato de Pelotas ter, entre seus ilustres habitantes, nove barões, dois viscondes e um conde.
Em 1916, o teatro passou por uma reforma e disso resultou a linha art déco que hoje o caracteriza. Ganhou três vitrais: o central tem as cores da bandeira do Brasil e os laterais, as cores do Rio Grande do Sul. Foi tombado pelo IPHAN por seu imenso valor histórico.
Muitos gostariam de visitar o foyer onde D. Pedro II e a corte imperial cearam, mas ainda não valorizamos nem cuidamos nosso próprio patrimônio. Há pelotenses que levam doces e salgados para comer durante o espetáculo, sem consciência de que estão num prédio restaurado de 180 anos.
A Prefeitura faz investimentos no uso e na preservação do teatro, mas o povo também precisa colaborar. Se tivermos orgulho de nossa cidade, será maravilhoso, mas quantos de nós sequer saberíamos responder as perguntas de um turista?
Fotos da web.