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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Dona Maria, xote instrumental

O xote instrumental "Dona Maria" foi composto por Aluísio Rockembach para a 28ª Moenda da Canção (e 4ª Moenda Instrumental), festival realizado em Santo Antônio da Patrulha (RS), em 17 de agosto de 2014. Foi selecionado para apresentação representando Pelotas (v. lista) mas não obteve premiação (v. vencedores no texto deste vídeo).

A gravação abaixo foi feita no estúdio Batuka Record's, do músico Aluísio Rockembach, e publicada há uma semana (22-1) no canal DFD/Batuka: com o autor no acordeom, Luciano Fagundes no violão, Fabrício Moura no baixo, Davi Batuka na percussão e Douglas Vallejos no sax soprano.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Correio do Povo cobre o Festival

Quinteto Porto Alegre tocou hoje domingo no Parque da Baronesa. Fotógrafo pelotense postou no ato.
O jornal porto-alegrense Correio do Povo tem dado boa cobertura a todos os dias do 6º Festival SESC, com as notas e fotos de Luiz Gonzaga Lopes, tanto no sítio virtual como na edição impressa. Confira nesta postagem a reportagem que está desde quarta 20 na internet (sábado 23, saiu resumida, no jornal impresso).

Hoje domingo (24-1) o colunista social Eduardo Conill, sob o título "Pelotas", dedicou excepcionalmente todo seu espaço ao evento, que desde 2001 atrai artistas, turistas, políticos e mídia. O comentarista atribui ao governo municipal a condução do Festival SESC (leia no fim deste post), mas na verdade a Prefeitura é uma das entidades apoiadoras. Para obter este sucesso, o evento precisa do reconhecimento da comunidade, das autoridades e das lideranças educacionais, políticas e comerciais. O apoio tem sido amplo e unânime, e sabemos que seguirá sendo assim.


A Classe de Fagote tem 5 alunos; a de Tuba só 3.
Percorrer o Centro Histórico de Pelotas numa manhã deste musical janeiro é como mergulhar em outro mundo, onde os sons imperam e o metrônomo (medidor do andamento musical) é o guia.

A principal característica do 6º Festival Internacional SESC de Música é o intercâmbio, a troca de informações, o ensino e aprendizado. São 21 cursos de Música de Concerto, com professores de 13 países, além de prática de Orquestra e Banda Sinfônica e de Música de Câmara, envolvendo 260 alunos, com 17 nações participantes ao todo.

Entre os cursos, são disponibilizadas aulas para instrumentos mais populares no mundo dos concertos – como violino, violoncelo, viola, violão clássico, piano, clarinete, contrabaixo – e outros nem tanto, como fagote, eufônio, harpa e tuba.

O fagote
Em sua classe de fagote, o professor Adolfo Almeida Jr., do Trio de Madeiras de Porto Alegre e de Arthur de Faria e Seu Conjunto, ressaltou que o festival serve para unir os fagotistas.

“Neste meu instrumento, as pessoas estavam meio isoladas. Atualmente, na UFRGS, só tenho um aluno se especializando. Tem todos os componentes de não ser tão popular e de ser um instrumento caro”, destacou o professor, enquanto escolhia o repertório para a apresentação dos alunos de madeiras, que tinha de Frevo a Beatles e Gershwin.

O aluno Wesley Oliveira, 24 anos, do Conservatório de Tatuí (SP), toca o instrumento há oito anos e reforça a premissa de Adolfo de unir os fagotistas e do preço do instrumento estar proibitivo. “Importei o meu fagote alemão Mossmann, com o euro a R$ 4,80 e chegou a R$ 60 mil o preço”, afirma.

Correio do Povo, sábado 23 de janeiro 2016.
Também aluno, Adilson Vieira, 30 anos, de Guaíba (RS), e que toca com orquestras como a Filarmônica da PUCRS e a Sinfônica da UCS (Caxias do Sul), destaca que o festival reúne músicos renomados e que é uma grande oportunidade de intercâmbio de conhecimentos sobre a música e o mundo de orquestras e grupos.

A tuba
Outro instrumento que não é tão caro, mas é bem pouco prático pelo peso, é a tuba. O professor paulista Albert Khattar (v. currículo) ressalta que o instrumento musical de sopro da família dos metais tem origem na Prússia (atual Alemanha) em 2 de setembro de 1835, pesa uns cinco quilos e na maioria dos fabricantes só é feito por encomenda.

Na aula de Khattar, com apenas três alunos, tão importante quanto tocar são os exercícios de respiração junto com o metrônomo para inspirar e soprar no tempo certo e com a intensidade necessária. O aluno Kauã Fogaça, 15 anos, de São Leopoldo (RS), disse que procurou a tuba, pois queria um instrumento com um som poderoso, que lhe agradasse.

“É minha primeira vez no festival. Quando toco a tuba, eu me emociono, às vezes até choro. Este instrumento tem um poder que as pessoas nem imaginam. Toco de tudo, mas os temas de Star Wars são os meus preferidos”, destaca Kauã, que é aluno regular do tubista Wilthon Matos, no Conservatório da OSPA. Wilthon é o coordenador informal do Cortejo Musical que abriu o festival na segunda-feira à tardinha (v. Correio do Povo), com 30 músicos de metais e mais de 250 pessoas e até uma dúzia de cães, pelas ruas do Centro Histórico Pelotense.
Luiz Gonzaga Lopes
(v. texto completo)


Clique na imagem para ampliar.
Coluna de Eduardo Conill
Correio do Povo, 24-1-16

Pelotas
O jovem prefeito de Pelotas, Eduardo Leite, é unanimidade de elogios para sua administração, feitos pelos nomes mais expressivos do empresariado e pelos melhores grupos da sociedade. Está à frente do 6º Festival Internacional SESC de Música, que se encerra no próximo dia 29 de janeiro. A abertura foi com a Orquestra da ULBRA, sob a batuta de Tiago Flores e com participação do solista Carmelo de Los Santos [v. nota].

O festival tem intensa programação gratuita, 50 espetáculos em diversos locais, como casarios antigos, teatros, igrejas, ruas e parques, e cursos ministrados por professores de 13 nacionalidades. O prefeito Eduardo Leite, de excelente linhagem e que traz no sangue cultura e bom gosto, falou:

"O povo de Pelotas respira cultura e faz do Festival também uma atividade econômica. Temos muitos problemas e dificuldades, mas se tem uma coisa que podemos nos orgulhar, dia após dia, é a cultura. E sem dúvida o Festival é parte disso".

Imagens: M.F.Soares (1), L.G.Lopes (2)

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Alzevir Maicá, autor e intérprete


Após graduar-se como Licenciado em Música pela UFPel em 2013, o violonista Alzevir Maicá radicou-se em Pelotas, onde constituiu família e iniciou uma carreira como compositor e líder de um grupo instrumental de cordas.

Primeiro formou o Trio Camará, com colegas da faculdade: Ottoni de Leon (baixo) e Renan Reis Leme (violino e bandolim), grupo que tocava composições consagradas da música brasileira (samba, bossa, choro, regional). Confira uma das primeiras atuações do trio tocando "Duerme negrito" (folclórico compilado por Atahualpa Yupanqui), em apresentação no Casarão nº 6, em junho de 2013.

Logo Alzevir passou a arranjar e compor para a formação do grupo, que se transformou em Instrumental Camará (v. Facebook) e já em 2015 apresentou o primeiro CD autoral, Matizes Sonoros, financiado pelo fundo Procultura (pode ser comprado a través da fanpage). Alzevir assume a condução melódica no violão oito cordas, é acompanhado na harmonia por Ottoni nos baixos e no ritmo por Igo Santos. As músicas do CD já foram apresentadas em Pelotas, Canguçu, Rio Grande e Caxias do Sul.

Alzevir Maicá começa no violão aos 15 anos, orientado pelo professor Arakem Maicá, em sua cidade natal, Santo Ângelo (RS). Em 1999, muda-se para Porto Alegre, onde estuda com professores renomados, como Maurício Marques e Lucio Yanel. Em 2001 participa do CD “Família Maicá- 15 Anos de Saudade”, em homenagem ao músico Cenair Maicá. Seu professor na UFPel foi Thiago Colombo. Em 2012, participa na Oficina de Choro com o violonista carioca Rogério Caetano (3º Festival SESC). Foi premiado nos seguintes festivais: 2ª Laçada da Canção Nativa de Brusque, SC (melhor instrumentista em 2005), 8° Festival de Inverno de Entre Ijuís, RS (melhor instrumentista e melhor arranjo em 2011), 11° Encontro Cultural e Artístico de Entre Ijuís (melhor instrumentista em 2012) e 18º FECANPOP, de Canguçu (4º lugar, melhor arranjo e melhor instrumentista em 2014).

Compare o Alzevir da fase em que interpretava e arranjava standards ["Vou deitar e rolar", de Baden Powell e Pinheiro] com o Alzevir criador ("Milonga para Oito Cordas", vídeo abaixo). A próxima apresentação do Instrumental Camará é amanhã (20-1) às 23h, abrindo as Quartas Instrumentais no João Gilberto (R$ 10).

sábado, 16 de janeiro de 2016

Dicas para acompanhar o 6º Festival SESC

Cronograma para retirar ingressos gratuitos (2 por pessoa) para os 8 concertos das 20h30 no Teatro Guarani; disponíveis a partir das 9h na bilheteria do Teatro. Solicita-se doação de alimentos. Mesmo na falta do ingresso, as pessoas poderão entrar às 20h30, caso haja assentos disponíveis. 
  • da quinta 14 à segunda 18/1: retirar ingressos para concertos de 18 e 19/1; 
  • da segunda 18 à sexta 22/1: retirar entradas para concertos de 20 e 24/1; 
  • do sábado 23 à segunda 25/1: retirar ingressos para concertos de 25 e 26/1; 
  • da segunda 25 à quarta 27/1: retirar ingressos para concertos de 27 e 28/1.

Segunda-feira 18
17h30 – Cortejo Musical, da Praça ao Guarani | Com o Quinteto Porto Alegre e músicos do Festival.
20h30 – Concerto de Abertura, no Guarani | Com a Orquestra da ULBRA e o violinista Carmelo de Los Santos, regência de Tiago Flores (reservar dia 14).

Terça-feira 19
19h – Festival na Comunidade, no Shopping Pelotas | Com o Quinteto Porto Alegre.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h30 – "A História do Soldado", de Stravinsky, no Guarani | com narração de Hique Gomez, elenco de atores e regência de Evandro Matté (reservar dia 14).
[Veja notícia de apresentação em São Leopoldo, maio de 2015, e versão de 2012 da Televisión Española].

Quarta-feira 20
18h – Festival na Comunidade, na Colônia Z-3 | Com o Quinteto Porto Alegre.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h – Festival na Comunidade, na Estação Verão SESC (Laranjal) | Com o Quinteto Porto Alegre.
20h30 – "Expresso 25 À La Carte", no Guarani | Com o Vocal Expresso 25, regência de Pablo Trindade (reservar dia 18). [Neste show, o grupo coral porto-alegrense apresenta cardápio musical escolhido pelo público (v. canal de vídeos)].


Quinta-feira 21
13h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de alunos.
16h – Festival na Comunidade, no CRAS São Gonçalo | Recital de Eufônios.
19h – Festival na Comunidade, na Igreja do Amor Divino (Colônia S.Antônio)| Com o Quinteto Porto Alegre.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h30 – "As Quatro Estações", de Vivaldi, na Catedral de São Francisco de Paula | Com a Orquestra Sinfônica de Carazinho e o violinista Emmanuele Baldini (Itália), regência de Fernando Cordella. [Sobre a OSINCA, confira vídeo no final deste post].

Sexta-feira 22
11h – Ópera Rigoletto, de Verdi, em formato circense, no Calçadão | Companhia L'Inopinée.
11h – Festival na Comunidade, na sede do Expresso Embaixador | Recital de Saxofones.
13h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de alunos.
17h – Ópera Rigoletto, de Verdi, em formato circense, no Calçadão | Companhia L'Inopinée.
19h – Festival na Comunidade, na Igreja Santo Antônio (Laranjal) | Recital de Violões.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h30 – Banda Sinfônica do Festival e trompetista Heinz Schwebel, regência de Marcelo Jardim, na Catedral de São Francisco de Paula.

Sábado 23
10h – Ópera Rigoletto, de Verdi, em formato circense, no Mercado Central | Companhia L'Inopinée.
11h – Festival na Comunidade, no Mercado Central | Recital de Metais.
13h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de alunos.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
21h – "Arte do Choro e Instrumental Brasileiro", na Estação Verão SESC (Laranjal) | Orquestra Unisinos Anchieta, regência de Evandro Matté.


Domingo 24
17h – Festival na Comunidade, no Parque da Baronesa | Quinteto Porto Alegre.
18h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital da Classe de Piano.
20h30 – Orquestra Acadêmica e flautista Wally Hasen, regência de Gudni Emilson (Finlândia), no Guarani (reservar dia 18).

Segunda-feira 25
13h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de alunos.
15h – Festival na Comunidade, no Hospital Espírita | Quinteto Porto Alegre.
18h – Festival na Comunidade, na Igreja São José (Fragata) | Quinteto Porto Alegre.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h30 – Concerto dos Núcleos de: Cordas, Violões e Madeiras, no Guarani (reservar dia 23).

Terça-feira 26
13h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de alunos.
15h – Festival na Comunidade, no Asilo de Mendigos | Recital de Eufônios.
19h – Festival na Comunidade, na Igreja Sant’Ana (Colônia Maciel) | Quinteto Porto Alegre.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h30 – Concerto do Núcleo de Canto, no Guarani (reservar dia 23).

Quarta-feira 27
11h – Festival na Comunidade, na Santa Casa de Misericórdia | Recital de Saxofones.
13h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de alunos.
17h30 – Recital do Grupo de Metais, no exterior do Café Aquários.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h30 – Concerto dos Núcleos: Percussão e Metais, no Guarani (reservar dia 25).

Quinta-feira 28
12h – Festival na Comunidade, no Calçadão | Quinteto Porto Alegre.
13h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de alunos.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h30 – Banda Sinfônica Acadêmica e trompista Andrej Zust (Alemanha), regência de Marcelo Jardim, no Guarani (reservar dia 25).

Sexta-feira 29
13h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de alunos.
19h – Música de Câmara, na Biblioteca Pública | Recital de professores.
20h30 – Concerto de Encerramento, no Largo do Mercado | Orquestra Acadêmica do Festival, fagotista Martin Kuuskmann e soprano Eiko Senda, regência de Evandro Matté.


Fonte: SESC-RS

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Sovaco de Cobra visita o choro de Avendano


Em 2015 o trio de choro Sovaco de Cobra terminou uma pesquisa musical destinada a difundir a obra do cavaquinista Avendano Júnior. Desde 2011 houve um trabalho em comum do trio pelotense e do Regional Avendano. Nesse tempo também houve o fechamento do Bar Liberdade e a morte do líder e compositor do Regional (v. trecho do documentário O Liberdade), mas a pesquisa continuou, e ainda foi coroada com a participação estelar do Trio na reabertura do antigo Teatro Esperança, na cidade de Jaguarão, em 28 de novembro passado.

O projeto "Sovaco de Cobra Trio visita Avendano Jr", financiado pelo fundo Procultura, incluiu um documentário (Nota Azul Produções, 18 min, confira acima) que registrou a história do projeto e mostra duas músicas completas interpretadas ao vivo pelo conjunto, em Jaguarão: "Era só o que flautava" e "Mimoso" (ouvem-se também trechos de: "Não me queira mal", "Vim te ver", "Liberdade" e "Caramba"), todas de Avendano. Confira também o show do grupo em 29 de outubro de 2015, Rio Grande (59 min, vídeo abaixo),

Gil Soares (flauta), Jucá de León (pandeiro) e Silvério Barcellos (violão) formam desde 2006 o Sovaco de Cobra Trio, que soa como uma orquestra e bem poderia funcionar como um embaixador cultural do Brasil. O nome foi tomado do bar carioca Sovaco de Cobra, conhecido nos anos 60 e 70 como reduto de choro da Velha Guarda (v. histórico no Dicionário Cravo Albin e no artigo de Juliana Rabello). A estranha expressão alude a uma coisa que é difícil de ser achada (o bar era pequeno e ficava numa rua de subúrbio, numa ladeira da Penha).

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

The Wall ainda leva a bandeira pacifista

À base do álbum The Wall (1979), do filme "Pink Floyd: The Wall" (1982), e da história pessoal de Roger Waters, o documentário musical "Roger Waters: The Wall" (2015) reuniu o existencial e o épico, em 3 horas de intensa música e intensas emoções, com cenas de alguns dos 200 concertos da turnê mundial 2010-2013.

O evento cinematográfico mundial apresentou o longa-metragem britânico, codirigido por Roger Waters e Sean Evans, em cinemas de vários países, somente no dia 29 de setembro. Em Pelotas foi anunciada sessão única às 20h no Cineflix Pelotas; como esta lotou, foi aberta outra, no mesmo horário, sem a possibilidade de trocar entradas da primeira para a segunda. O preço foi R$ 42,44 por pessoa.

A vida de Roger Waters é um exemplo de como a guerra fere as almas dos seres humanos ao longo das gerações. Seu avô morreu em 1916, na Primeira Guerra Mundial, e seu pai em 1944, na Segunda. Se o musical de 1979 (The Wall) já era autobiográfico, o novo filme "Roger Waters: The Wall" trouxe o co-diretor de 71 anos como personagem principal, e se referiu mais abertamente à dor sofrida pela violência, convocando o mundo a parar com a guerra e o terror (v. reportagem na FOLHA). Mas o mundo parece surdo e cada vez mais enlouquecido.



Alguns shows ao vivo da turnê mundial de "Roger Waters - The Wall" (aproximadamente 2h):
em San Francisco 2012, Buenos Aires 2012, Copenhagen 2013, Londres 2013.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Passione, a música e o amor em prol da vida

Com o espetáculo musical Passione, o Hospital Escola da UFPel busca recursos para reestruturar o Posto de Coleta de Leite Humano e outros elementos pediátricos do Hospital. A atividade também tem em vista a certificação como Hospital Amigo da Criança.

O espetáculo tem direção artística e trabalhos do maestro Fernando Montini, direção de luzes e efeitos de Mario Kleinovski e direção musical do maestro Sérgio Sisto. Participam uns 80 cantores da Sociedade Pelotense Música pela Música, do Coro Santo Antônio e do Coro do Círculo Operário Pelotense, além de músicos da Orquestra Filarmônica. O Grupo Tholl receberá o público no saguão de entrada.

O show disponibiliza ingressos na plateia do Teatro Guarani a R$ 100 e 50 (25 para estudantes, professores e idosos), à venda no Hospital (Professor Araújo 433) e no Teatro.

A apresentação está marcada para esta terça (17-11). O programa inclui clássicos universais da música popular e erudita, com temas de musicais americanos e canções famosas do repertório moderno. Elas serão cantadas num cenário alusivo a um salão de festas, inspirado em filmes como Casablanca (1942) e Candelabro Italiano (1962).

Os organizadores elaboraram um plano de cotas para empresas ou instituições que queiram se solidarizar e apoiar o evento (veja os investimentos). O público também pode fazer doações pela conta 38085-7 do Banco do Brasil, agência 0029-9. Informações pelo telefone (53) 3284-4900 até segunda (16-11) e pelo sítio virtual Passione.


sábado, 14 de novembro de 2015

O que os jovens leem na Atenas do Sul


"Pelotas, Atenas do Sul", documentário de Douglas Ferreira dos Santos e Fernando Milani Marrera, buscou propor uma reflexão sobre o hábito de leitura dos jovens pelotenses na atualidade e o conhecimento dos mesmos sobre as produções literárias e dos autores locais. O método usado foi a aplicação de um questionário nos terceiros anos do ensino médio do Colégio Pelotense (público) e do Colégio Gonzaga (privado), para traçar um paralelo entre acesso, disponibilidade e procura das obras de escritores pelotenses.

As entrevistas mostraram quais os gêneros literários de maior procura e que fatores diminuem a leitura entre os jovens ou os fazem conhecer autores locais. Vítor Ramil é o autor mais reconhecido pelos jovens como pelotense (42%); o segundo mais citado é João Simões Lopes Neto (24%). A produção do Laboratório de História, Imagem e Som foi realizada para o I Seminário de Estudos Literários de Pelotas (setembro de 2012).

A Wikipédia remete o epíteto "Atenas do Sul" somente ao município de Itapetininga (SP), também conhecido como Terra das Escolas. No Rio Grande do Sul, atribui a São Gabriel os apelidos de "Atenas Rio-Grandense" e "Princesa das Coxilhas" (v. dados da prefeitura gabrielense e do historiador Cláudio M. Bento). A referência a Pelotas como "Atenas do Rio Grande" se encontra na pesquisa de Mário Osório Magalhães "Opulência e cultura na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul: um estudo sobre a história de Pelotas 1860-1890" (UFPel/Mundial, 1993). 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Facetruque, a música denúncia de Serginho

Não escrevi
Não cri no que li
Não, não creio

Amigos?
Acredito tê-los? NÃO
Sorrisos de aplicativo
Selfies de egos vaidosos/viciados/apelativos
Curtidas e pompas cínicas

Percebi não ter escrito
Morri por opinar
A morte do meu avatar/personagem favorito
Jogo virtual de parecer sem muitos pareceres

Há um charme nessa discussão. Um tom, ora alarmista, ora conspiracionista.
Nossa privacidade/intimidade controlada e disputada. Nossos gostos mais secretos manipulados e arquivados em terabites de informação. Logaritmos testando-nos e envolvendo-nos numa rede mundial interligada.
Um pouco de filosofia hightech nessa época ultra hightech.
Vale usufruir e consumir sem ser consumido.
Nathanael Anasttacio

Revista Super Interessante
denunciou truques do Face.
Em junho de 2015, reportagem mostrou que quanto mais as pessoas passam tempo no Facebook, mais se sentem infelizes. Uma experiência descobriu que a manipulação das timelines, programadas por fórmulas específicas, pode ocasionar mudanças no estado de humor das pessoas (v. artigo).

A rede social mais acessada do mundo gera ilusões, ou será que as fantasias e inseguranças é que causam a dependência do ambiente virtual? Quem manipula quem?

Antes do Facebook, as pessoas eram dependentes das postagens no Orkut, e antes disso ficávamos grudados na televisão várias horas por dia. A farsa seguirá existindo pois está dentro de nós mesmos. Quando o perfil é fake, a falcatrua se volta contra seus autores.


No Facetruque todo mundo é artista,
Poeta, músico, fotógrafo, produtor, malabarista.
No Facebook todo mundo é vegetariano, vegano e tri anarquista.
No Facebook todo mundo é artista,
Poeta, músico, compositor, malabarista.
No Facebook todo mundo compartilha tudo com tudo, ninguém é egoísta.
No Facebook todo mundo é bi, tri, neoexpressionista, anarquista.

No Facebook todo mundo gosta dos cachorrinho de rua mas cria o poodle no apartamento.
E no fim de semana bota foto do cachorro pulguento
Na linha do tempo
No Facebook todo mundo é vegetariano, quase vegano.

Sai da frente desse Facetruque. Compartilha aí!
Cutuca, cutuca, cutuca, cutuca... cuidado com o nariz!

Cuidado, que muito tempo na internet
Você pode virar um boneco marionete
Ou a tiete acaba mais quente que um chuveiro Lorenzetti.

Tudo de novo!

No Facebook todo mundo é artista.
Poeta, músico, fotógrafo, malabarista,
É do Tholl,  neoexpressionista, bi tri anarquista,
No Facebook todo mundo compartilha tudo com tudo, não existe egoísta.
No Facebook todo mundo gosta dos cachorrinho de rua mas cria o poodle no apartamento,
E no fim de semana bota foto do cachorro pulguento na linha do tempo.

No Facebook todo mundo é anarquista, neoexpressionista,
Compartilha tudo com tudo, com o mundo inteiro, ninguém é egoísta.
No Facebook todo mundo é vegetariano, não come churrasco, gosta das vaquinha quase vegana.
No Facebook não tem vagabundo, chinelo e ladrão.
É o Facetruque.

domingo, 4 de outubro de 2015

Gahuer lança clipe romântico

Este fim de semana Gahuer Carrasco apresentou pelo Facebook o videoclipe "Só pra te fazer feliz", filmado em pontos turísticos de Pelotas pelo produtor mexicano Pablo Lemus, com músicos locais. Gahuer como cantor e a modelo Karen de los Santos (Rainha da FENADOCE 2011, v. post) protagonizam o conteúdo romântico da música, letra composta por Gahuer em parceria musical com Igor Cardoso.

sábado, 5 de setembro de 2015

Carla e a Rainha brilham em ópera no Chile

Nesta adaptação chilena, a personagem da Rainha da Noite chama-se Astrid Flamante
que é a dona de uma companhia de teatro que busca atores para apresentar a Flauta Mágica.
Em agosto passado, Carla Domingues participou de uma inovadora adaptação d'A Flauta Mágica de Mozart na cidade de Concepción, no sul do Chile. A produção da Universidade de Concepción, que desde 2003 vem organizando óperas completas, teve o desempenho de sua própria orquestra sinfônica e um elenco lírico chileno (neste vídeo de pré-produção, os personagens são descritos pelos solistas). 

Desta vez, a convidada estrangeira foi Carla, que já por segunda vez atua em ópera completa no exterior. A primeira foi no papel de Amore em "Orfeu e Eurídice" (Montevidéu, dezembro de 2011). E esta foi também sua segunda visita ao Chile. Registramos a primeira em janeiro de 2014 (v. postagem), quando Carla participou do concurso Laguna Mágica, com diferentes trechos líricos . Veja também a postagem de 2013 Recital de Carla Domingues em Montevidéu.

O diário El Mercurio publicou crítica de Juan Antonio Muñoz sobre o espetáculo (v. texto original e nota da Radio Bio-Bio). O recorte do jornal (figura abaixo) foi apresentado pela artista em sua página no Facebook, e a tradução abaixo foi feita por este blogue. Confira no final a crítica de cada solista lírico.


Uma viagem por outra Flauta Mágica

A ópera corre grandes riscos, hoje em dia, e isso mantém o gênero vivo. Algumas produções, ainda que controversas, fazem boas contribuições ou destacam elementos que antes passavam despercebidos. Nestas inovações, tudo vale se houver um bom pano de fundo ou uma ideia imaginativa que surpreenda. A "Flauta mágica" trazida pela Corporação Cultural da Universidade de Concepción ficou numa zona estranha, no meio do caminho, como se o propósito ainda não estivesse maduro ou tivesse sido forçado.

Na proposta do diretor de cena, Gonzalo Cuadra, existe uma "Companhia d'A Flauta Mágica", de Astrid Flamante (por Astrafiamante, o nome da Rainha da Noite) e de Sarastro Solleben, cujos integrantes têm traços análogos aos das personagens mozartianas. Conforme o programa, eles ensaiam os números musicais daquela noite, mas ainda lhes falta o personagem principal. Sarastro anuncia que "o Grande Arquiteto" certamente enviará alguém como complemento ideal para sua filha Pamina. Então aparece Tamino Príncipe (nome e sobrenome), que preenche a falta.

Recorte de EL MERCURIO
(Concepción, 29-8-15)
A partir daí, os atores-cantores entram e saem de seus papéis duplos, como membros da companhia e como parte da ópera. Tudo é entremeado por diálogos em espanhol, escritos pelo régisseur chileno, nos quais se narra o que ocorre nos dois níveis da trama. A dupla militância dos personagens fica explícita em seus nomes: Papageno, por exemplo, chama-se Papageno Pérez.

O problema é que nada parece engrenar neste jogo de metateatro, a começar pela contradição de que o casal que dirige a companhia mostra acordo em tudo, enquanto Sarastro e a Rainha da Noite brigam permanentemente (inclusive, ela gostaria de vê-lo morto). Os diálogos novos também não ajudam, pois abusam de expressões populares e pueris, que somente servem para suscitar gargalhadas. O próprio libreto original já tem algo disso (em alemão, claro), em meio a reflexões ontológicas e juízos de valores, mas tudo junto fica um exagero.

Carla Domingues faz Astrid Flamante e a Rainha da Noite.
Por outro lado, as ideias de régie, desligadas de tais inventos, são realmente imaginativas, como de costume nos trabalhos de Gonzalo Cuadra. Especialmente seu tratamento coreográfico para as três damas, o baile que a Rainha da Noite improvisa em sua ária de entrada, o casamento de Papageno e Papagena, até com lançamento do ramo, a festa de magia com a qual se resolve a passagem dos protagonistas pelo fogo e pela água, os aspectos circenses delirantes (converte os homens armados num par de siameses).

Usando poucos elementos, inclusive a parede posterior do teatro, e exibindo a maquinária de roldanas, cordas e luzes, a cenografia de Germán Droghetti funciona perfeitamente, e a iluminação de Álvaro Torres ajuda a criar as atmosferas necessárias. O colorido e miscelâneo vestuário, também de Droghetti, sublinha a dupla natureza dos personagens (os atores e os papéis que interpretam).

A construção musical está notável. Julian Kuerti, ante a impecável Orquestra Sinfônica da Universidade de Concepción, mostra-se sempre consciente das vozes de que dispõe, e sabe viajar pela nobreza melódica desta música, respeitando tanto a solenidade como a leveza. Excelente também a direção coral de Carlos Traverso, certo e preciso, comprometido com o desenvolvimento teatral.

Os solistas
Por voz, convicção e espírito festivo, Ricardo Seguel brilha e conquista como Papageno. Luis Rivas entrega a doçura de seu canto e sua musicalidade como Tamino, mas como ator precisa melhorar. Yaritza Véliz tem a voz e a linha de canto ideais para Pamina. Carla Domingues mostra o temperamento da furiosa Rainha e alcança todas as notas. Por outro lado, Mateo Palma, que está muito bem na autoridade própria de Sarastro, se percebe complicado vocalmente com as descidas abismais que o pentagrama exige e com os textos que deve declamar. Estão muito bem David Gáez como o orador e o sacerdote 1, Roni Ancavil como Monostatos, e as três damas (Andrea Aguilar, Regina Sandoval e Gloria Rojas).
Juan Antonio Muñoz


Imagens de Carla: Facebook
Tradução: F. A. Vidal

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Conservatório de Música 97 anos

Desde 1918, o Conservatório ocupou casarão do século XIX.
Reformado em 1940, ficou com o aspecto acima (foto dos anos 50).
A existência de um estabelecimento educacional não propicia apenas a habilitação aos instrumentos musicais, mas patrocina também o contexto cultural de uma comunidade, valorizando o que é planejado e realizado com muito esforço.

É o caso do Conservatório de Música de Pelotas, que, durante 97 anos de vida, tem sabido se manter e crescer, como exemplo de um trabalho entusiasta, digno de refinados valores, ali cultivados.

Como se sabe, foi em 4 de junho de 1918 que a decisão de fundar esta escola de arte ficou formalizada, numa reunião de egrégios pelotenses, por iniciativa de Alcides Costa e Francisco Simões. Três meses após, em 18 de setembro, realizou-se a cerimônia de inauguração da Casa. Naquele ano, nossa cidade, que já era um centro cultural e econômico regional, criou uma instituição à altura das grandes capitais, que até hoje nos alegra e orgulha.

Julgamo-nos aptos a falar desta história, devido a que vivemos boa parte desses anos em “carne própria”, desde a juventude, e por acompanharmos, por décadas, a tradicional e apreciável vida social e artística de um ambiente cultural prestigiado.

Em 1953 comecei a atuar como parte de uma equipe de amadores jornalísticos, ligada ao Diário Popular. O período me parece bastante longo, não extenuante, por sinal, muito importante, pois acrescentou, em minha vida e em minha formação cultural, gratos e belos momentos de crescimento. É possível comprovar o que aconteceu por mais de meio século, pois guardo com apreço e orgulho as dedicatórias obtidas dos artistas. Todos eles deixaram em nossa cidade valioso lastro cultural e inesquecível marca afetiva.

Dedicatória de Arthur Moreira Lima ao Conservatório
Fosse pelo patrocínio do Conservatório de Música ou da extinta Sociedade de Cultura Artística, eram acolhidos em Pelotas os mais diversos grupos, conjuntos, duos, trios e quartetos nacionais ou de outros países do continente. Tudo o qual dava admirável motivo para que “o lado cultural” da coletividade fosse merecida e devidamente divulgado, constituindo-se em admirável tradição esse verdadeiro “rastro de expressão sonora” de que o Conservatório se orgulha em possuir, criando em torno de si um halo de “sublimação cultural”.

Nomes importantes da História da Música como os pianistas Claudio Arrau (1940), Magdalena Tagliaferro (1944), Wilhelm Kempff (1949), Nelson Freire (1969) e Sebastian Benda (1953 e 1970), o violonista Andrés Segovia (1941), o compositor Francisco Mignone (1940 e 1968), o violonista e compositor Agustín Barrios (1929) se apresentaram no Salão do Conservatório, sendo que alguns os conhecemos em início de carreira, como Miguel Proença – que aqui realizou seu primeiro recital em 1962 –, Olinda Alessandrini, Eudóxia de Barros, Roberto Szidon, Cristina Ortiz, Daniel Wolff e muitos outros.

Também incontáveis intérpretes aqui se formaram e passaram a ser professores de seus instrumentos na mesma Casa de origem, assim como outros partiram da cidade e se transformaram em valores luminosos espalhados pelo mundo. Seria injusto mencionar algum e omitir tantos nomes, das centenas que nosso Conservatório formou ao longo do século.

Aproveito esta ocasião para festejar e aplaudir, junto à comunidade e o próprio Conservatório da UFPel, mais este aniversário que nos lembra a bela história da cidade de Pelotas e seu Conservatório de Música. Desejamos que estes 97 anos de vida artística e cultural continuem a ser de crescimento e força, como grande acervo que orgulhe o patrimônio cultural de nossa cidade!

Francisco Dias da Costa Vidal
Diário Popular impresso, 4-6-2015

Saudação especial de Olinda Alessandrini
a Francisco D. C. Vidal, cronista por 50 anos
Imagem 1 Tomada da p. 80 do livro "História Iconográfica do Conservatório de Música da UFPel", organizado por Isabel Nogueira. Porto Alegre: Pallotti, 2005.

Imagem 2 Ao Conservatório de Música, com os meus melhores agradecimentos pela cordial acolhida. Foi um prazer tocar para uma platéia tão distinta, calorosa e culta. Espero voltar ainda muitas e muitas vezes! Cordialmente, Arthur Moreira Lima. Pelotas, 21/IX/83 [História Iconográfica do Conservatório de Música da UFPel, p. 47]

Imagem 3 Para o querido amigo Francisco Vidal, sempre presente a todos os eventos culturais de Pelotas, e que representa para mim, além de um grande amigo, uma grande presença ao apoio e estímulo a todos os artistas. Fico sempre encantada com seu sorriso afável, seu aplauso caloroso e seu entusiasmo. Com grande afeto, Olinda Alessandrini. 24.09.2003 [do caderno de autógrafos de Francisco Dias da Costa Vidal]

terça-feira, 31 de março de 2015

Música pela Música celebra 25 anos

Detalhe de apresentação da Orquestra Filarmônica e Coro Música pela Música, dirigidos por Sérgio Sisto.
A Sociedade Pelotense Música pela Música apresentou, esta sexta (27-3), a programação para 2015, inaugurando as comemorações dos seus 25 anos. É a única entidade privada que difunde a música erudita em nossa região, mantendo para isso uma orquestra e um coro sinfônico.

A data precisa do aniversário da Sociedade é 30 de outubro, que marca a fundação em 1990. Nesse dia e no seguinte (sexta e sábado), no Teatro Guarani, a agrupação apresentará por primeira vez a ópera completa L'elisir d'amore. Confira no vídeo abaixo a interpretação de Luciano Pavarotti para Una furtiva lagrima, a ária mais famosa dessa ópera de Gaetano Donizetti, estreada em maio de 1832, em Milão, Itália.

A data tem uma curiosa aproximação com nossa cidade e com o Teatro Sete de Abril, pois justamente em 7 de abril de 1832 a Freguesia de São Francisco de Paula passou a denominar-se Vila de Pelotas, e o seu primeiro teatro já se encontrava em obras (seria oficialmente inaugurado em 1834). Confluem, portanto, três aniversários: do município de Pelotas, do seu teatro mais antigo e desta ópera italiana.

A maioria das seguintes 22 atividades da SPMM em 2015, ao ritmo de duas por mês, será realizada na Fábrica Cultural Música pela Música (Félix da Cunha 952, 3227 6601). Será um ano para estar atento e desfrutar da melhor música. Horários e locais serão anunciados pela imprensa.

Programação dos 25 Anos [links atualizados]

27-3 Lançamento para convidados (v. notícia oficial).

2-4  SESI Catedrais: Arroio Grande. No Centro Cultural Basílio Conceição, 19h (v. imagens)
25-4 Vozes Brasileiras: Elisa Machado (recital de canto).
26-4 Vozes Brasileiras: Elisa Machado (oficina de canto).

21-5 SESI Catedrais: Rio Grande.
24-5 Café com Arte.
30-5 Festival Doce Cultura (FENADOCE).

28-6 SESI Catedrais: Rio Grande.

12-7 SESI Catedrais: Canguçu.
18-7 Vozes Brasileiras: Juremir Vieira (recital de canto).
19-7 Vozes Brasileiras: Juremir Vieira (oficina de canto).
26-7 Almoço Musical.

10-8 SESI Catedrais: São Lourenço do Sul.
14-8 Clássicos Rio-Grandenses.
15-8 Clássicos Rio-Grandenses.

12-9 Vozes Brasileiras: Lício Bruno (recital de canto).
13-9 Vozes Brasileiras: Lício Bruno (oficina de canto).

30-10 Ópera L'Elisir d'Amore. Dia do aniversário da SPMM.
31-10 Ópera L'Elisir d'Amore.

14-11 SESI Catedrais: São Lourenço do Sul.
20-11 Recital de canto: Fernando Montini e Sérgio Sisto.

5-12  SESI Catedrais: Pelotas.
11-12 Concerto de Natal.

Para contato com a SPMM existe o sítio Música pela Música e uma página interna no Facebook (grupo para membros e amigos).

Atualização em 2 de abril:
Ontem foi criada no Facebook a página aberta Sociedade Pelotense Música pela Música, e já tem mais de 400 seguidores.


Foto: Facebook

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Temporada 2015 da OSPA inicia em Pelotas

Pela primeira vez em sua história de 65 anos, a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre realiza um concerto de abertura de temporada no interior do Estado. O primeiro concerto da OSPA em 2015 será no Teatro Guarani de Pelotas, domingo 8 de março, às 20h30min, com entrada franca. O público deve antecipar-se a esse horário, pois os assentos serão ocupados por ordem de chegada.

A notícia saiu na imprensa há 10 dias (v. notícia de ZH em 10 de fevereiro) e esta sexta (20-02) no sítio da Fundação OSPA, órgão da Secretaria da Cultura (SEDAC-RS). Conforme divulgado, "a escolha do local do concerto marca a meta da nova gestão da OSPA de ampliar e tornar mais constante a sua presença no interior do Estado – um pedido feito pelo secretário estadual da Cultura" (o músico Victor Hugo Alves da Silva). O maestro Evandro Matté, novo diretor artístico da Orquestra, escolheu Pelotas como a primeira cidade a ser visitada.


O concerto marca também a estreia de Evandro Matté como regente da OSPA (v. currículo), na qual ingressou há 24 anos como trompetista. Ele continuará como maestro da UNISINOS Anchieta e como diretor musical do Festival Internacional SESC de Música. O mesmo programa do dia 8 será apresentado em Porto Alegre na terça 10, com entrada paga (entre R$ 10 e 40), e inclui as seguintes obras.
  • Jean Sibelius (1865-1957): poema sinfônico Finlândia, op. 26 nº 7 (v. gravação de agosto de 2011, com orquestra e coro sinfônico de Helsinque, dirigidos por J.-P. Saraste).
  • Maurice Ravel (1875-1937): Pavana para uma Princesa Defunta, versão orquestral (ouça aqui partitura original para piano tocada pelo compositor em 1922).
  • Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908): Capricho Espanhol, op. 34 (no vídeo acima, interpretação da Sinfônica Nacional Dinamarquesa, dirigida por Rafael Frühbeck de Burgos). 
Nossa maior e mais antiga orquestra nasceu porto-alegrense em 1950 e passou ao Estado em 1965. Já foi dirigida por maestros como Pablo Komlós e Isaac Karabtchevsky. Hoje sem um teatro próprio, a OSPA é uma fundação que conta com uma orquestra sinfônica, um coro sinfônico, uma escola de música e uma orquestra jovem. A agenda anual da OSPA inclui entre 50 e 60 atuações, agrupadas em séries: os concertos oficiais no Teatro São Pedro, os ciclos "OSPA pelos caminhos do Rio Grande", a Série Igrejas, e diversas outras programações (confira agenda atual da OSPA).

No vídeo abaixo, Yang Liu convida o público colombiano a presenciar um concerto realizado em 2014, há exatamente um ano, na Universidade Nacional de Bogotá. Conforme mencionado aqui no blogue (v. postagem), o destacado violinista chinês esteve em Pelotas em janeiro de 2012, no Festival SESC. Veja-o tocando o 1º movimento do Concerto para Violino de Mendelssohn, em concerto realizado em Beijing em 2009.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Blues continua em casa maior


O pub e petisqueria Diabluras Gastronômicas está em casa nova e bem maior, na Félix da Cunha 954 (ao lado da Fábrica Cultural), de segunda a sábado, com programas musicais diversos. Até 2014 e por poucos anos, o barzinho esteve num pequeno espaço que antes acolhera uma sorveteria, na Três de Maio com Alberto Rosa.

Lascano + Peixoto, hoje (3-2)
no 15º Toca um Blues Aí
Nas quintas o Diabluras tem jazz, nas sextas tem música brasileira (choro, samba e bossa nova), aos sábados a Diávolos Band. Os nomes são meio endiabrados (em espanhol, diabluras significa "diabices", no sentido de "travessuras"). No final desta nota há uma explicação possível para esta relação entre música e sentimento.

Mas o projeto preferido da turma under anglofônica é nas terças-feiras: o Toca um blues aí, que veio como continuação do "Terça Diablues", desde março de 2014. Em maio, mencionamos aqui no blogue esta iniciativa, quando ainda soava no bairro do Porto (v. postagem Blues no Diabluras não para).

Segundo César Lascano, produtor do "Toca um blues aí", o objetivo é difundir este gênero musical, além de contribuir a valorizar e potencializar a cena musical de Pelotas (Diário da Manhã impresso, 27-1-2015, p. 15, nota de Marcelo Nascente "Yes, we got the blues").

Cada semana são convidados músicos da cidade e da região, o que faz que eles se reconheçam, improvisem e se entusiasmem com novas oportunidades. O projeto também permite que outros músicos presentes subam ao palco, mesmo não estando formalmente anunciados.

Théo Gomes criou o logo do "Toca um blues aí".
No vídeo acima, trecho da terça 15 de abril de 2014 (3ª noite do "Blues aí"), com César Lascano (gaita e vocais), Dione Martins (guitarra), Marcelo Valente (bateria) e Wallace Moraes (baixo). Precisamente hoje, volta Lascano (v. figura acima).

O blues nasceu na cultura afro-norte-americana, derivada dos negro spirituals, e originou outros gêneros como o jazz, o country, o soul e o rock and roll. A expressão "the blues" se refere aos diabos azuis (blue devils), que simbolizam a tristeza vivida pelos negros americanos (v. Wikipedia em espanhol).

Casualidade ou não, a expressão híbrida "diablues", criada em Pelotas, onde também houve muitos escravos, representa o mesmo sentido norte-americano do século XVIII. Onde houve sofrimento profundo, surgirá o blues negro ou similar.

O Diabluras teve interessantes apresentações em janeiro: na quinta 29 houve o reencontro histórico do Grupo Casagrande (jazz), e terça 27 foi o 14º show da série do blues, com Matheus Torres e Alinson Alaniz. A reativação do projeto musical foi reporteada pelo Diário Popular, esta semana. E não se pode esquecer que a gastronomia é o segundo ponto forte da casa, assinado pelo chef Márcio Peixoto (veja aqui outras delícias).

O saudável steak de linguado é criação de Márcio Peixoto, chef do Diabluras.
Imagens: Facebook

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Festival SESC: o lado dos músicos



Desde 2011, o Festival Internacional SESC de Música apresenta ao público em média 4 recitais por dia, e é por essa grande produção artística que ele se chama festival. Não há concursos nem prêmios mas a estrutura do evento é a de um grande encontro festivo, envolvendo centenas de artistas e milhares de espectadores.

A comunidade pelotense presencia diversas formações musicais (solos, quartetos, orquestras) da manhã à noite, no teatro ou na rua, em ensaios ou nos espetáculos. Na primeira semana, o público presencia concertos de grupos convidados (v. reportagem do Diário Popular com o Cuarteto 4Mil); na segunda semana, os estudantes apresentam os resultados dos primeiros dias de estudo. Desse lado espetacular é que provém o nome "festival" (v. definição na Wikipédia).

Jornal porto-alegrense destacou o evento na capa, domingo 18 de janeiro.
Na foto, Evandro Matté rege a orquestra do Festival em 2014.
Ao mesmo tempo, esta quinzena de shows foi concebida como uma escola de verão para estudantes e profissionais se aperfeiçoarem. Algumas desse tipo já existiam no Brasil desde a década de 1950.

Se o Festival SESC não tivesse esta face de trabalho e estudo, que atrai músicos nacionais e estrangeiros, talvez não existisse ou não tivesse a mesma dimensão. Alunos e professores e vêm de muito longe para um encontro humano cheio de aprendizagens técnicas, num verdadeiro congresso internacional, o que repercute numa produção musical mais intensa, mais viva e mais solidária. Por exemplo, o músico e artista plástico Roberto Bonini emprestou o seu piano e fez público vídeo no Facebook (2 min) mostrando parte do ensaio de um estudante. Outras consequências do evento é que a cidade movimenta sua economia com os turistas que vêm ouvir a música de boa qualidade, também motivo de qualificação de suas férias de verão.

No vídeo acima, tomado do Diário Popular, aprecia-se o entusiasmo e o carisma do Núcleo de Metais mostrando sua música sob tempo chuvoso. Abaixo, o lado humano de jovens brasileiros e estrangeiros que, sem saber português, vêm a Pelotas por primeira vez para este evento de criatividade e unificação. Veja reportagem do programa Estação Cultura, da TVE gaúcha (4 min), que mostra o lado do público, que vem para apreciar, e a opinião dos músicos, que buscam o "festival" para aprender em sua profissão. 


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Programação do 5º Festival SESC


Desde hoje (15-1) o público pode retirar as entradas gratuitas para os espetáculos noturnos (20h30) do 5º Festival SESC no Teatro Guarani. Aceitam-se doações de alimentos na retirada dos ingressos (2 por pessoa). Cronograma de distribuição (no Teatro, 9-12h e 13:30-18:30):
  • de 15 a 18 de janeiro: retirar entradas para os dias 18, 19 e 20 [esgotadas no primeiro dia];
  • de 18 a 21 de janeiro: retirar entradas para os dias 21 e 22;
  • de 22 a 25 de janeiro: retirar entradas para os dias 25, 26 e 27;
  • de 25 a 28 de janeiro: retirar entradas para os dias 28 e 29.
Uma vez tendo o ingresso em mãos, o público deverá chegar ao Teatro antes das 20h30, ou poderá ter que entrar numa fila de espera. Mesmo quem não tiver entrada poderá entrar na espera, minutos antes das 20:30. Nos demais shows do Festival, todos gratuitos, não haverá distribuição de ingressos.

Veja programação adicional Festival na comunidade.


Vídeo de divulgação

18 janeiro, domingo

20h30  Teatro Guarany:
Orquestra de Câmara Teatro São Pedro (Porto Alegre, RS). Regência: Antônio Borges Cunha. Concerto para Violão e Orquestra, de Y. Costa. Solista: Yamandu Costa, violão.
ASSISTA AO VIVO.


19 janeiro, segunda

20h30 Teatro Guarany:
Cuarteto 4Mil, saxofones (Argentina). "Tiger Rag".



20 janeiro, terça

18h30 Biblioteca Pública Pelotense:
"Tons Latinos" - com Gahuer Carrasco e seu quinteto (piano Sônia Cava e Paulo Santos; saxofone Adão Santos; violino Renan Leme; contrabaixo Leon Campos). Programa com Astor Piazzolla, e músicas autorais. Artistas de Pelotas.

20h30 Teatro Guarany:
Ópera "Orfeu", música de Monteverdi (v. página do evento), com artistas da UFRGS. Regência: Diego Schuck Biasibetti (Porto Alegre, RS).


21 janeiro, quarta

18h30 Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30 Teatro Guarany:
Quinteto Porto Alegre (RS).



22 janeiro, quinta

13h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital de Alunos.
18h30 Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30 Teatro Guarany:
Cia de Dança Contemporânea Muovere (Porto Alegre, RS) e Orquestra Residente. Obras de Vivaldi, Bach e Shostakovich.

23 janeiro, sexta

13h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital de Alunos.
18h30min Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30min Catedral Metropolitana de Pelotas:
Núcleo de Metais e Banda Sinfônica Acadêmica.

24 janeiro, sábado

13h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital de Alunos.
18h30 Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30 Praia do Laranjal:
Orquestra Unisinos Anchieta, Renato Borghetti e Daniel Sá (Porto Alegre, RS).



25 janeiro, domingo

16h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital da Classe de Piano.
18h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital Classe de Canto.

20h30 Teatro Guarany:
Concerto Orquestra Acadêmica. Regência: Ranson Wilson (EUA). Solista: Clarissa Borba, vibrafone (Brasil/França). Obras de Ravel, Stravinsky e Ney Rosauro.

26 janeiro, segunda

13h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital de Alunos.
18h30 Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30 Teatro Guarany:
Núcleo de Cordas e Violões e Núcleo de Madeiras.

27 janeiro, terça

13h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital de Alunos.
17h30 Café Aquários ― Grupo de Metais.
18h30 Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30min Teatro Guarany:
Orquestra Residente. Regência: Emmanuele Baldini (Itália). Solistas: Horácio Schaefer, viola (RS) e Emmanuele Baldini, violino (Itália). Obras de Mozart e Michael Nyman.


Concerto para Violino em Ré Maior, opus 35 de Tchaikovsky, 1º movimento, 
com Emmanuele Baldini e Orquestra Sinfônica do Teatro da Paz, Belém do Pará, 14-3-2013

28 janeiro, quarta

13h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital de Alunos.
18h30min Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30min Teatro Guarany:
Núcleo de Percussão / Núcleo de Metais.

29 janeiro, quinta

13h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital de Alunos.
18h30 Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30min Teatro Guarany:
Banda Sinfônica Acadêmica. Regente: Gustavo Fontana (Argentina).
Solistas: Flávio Gabriel (trompete) e José Milton (trombone tenor).

30 janeiro, sexta

13h Biblioteca Pública Pelotense ― Recital de Alunos.
18h30 Biblioteca Pública Pelotense ― Música de Câmara.

20h30 Largo Edmar Fetter:
Orquestra Acadêmica do Festival. “Música das Américas”, obras de Gershwin, Bernstein, Villa-Lobos e Leonardo Martinelli. Solista: Michel Lethiec, clarinete (França). Regência: Evandro Matté (Porto Alegre, RS).  ASSISTA AO VIVO.


Imagens: Nauro Jr, ZH (1), SESC (2)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Lalala: fusão de rappers e melodia

Garcez Dirty Lion, Zudizilla, Pok Sombra e Lara Rossato apresentam música "Mais que lalala", do disco "Naturezação", produzido por Anderson Silva (SP) e Menega. Lara foi gravada por Mateus Kieling na rua Gonçalo de Carvalho, no Bom-Fim porto-alegrense. Scratch: DJ Micha (Rio Grande).

A voz e a figura pop-rock de Lara, que já morou em Pelotas, enriquecem e se equilibram com as letras de protesto, rítmicas e verborreicas dos rappers pelotenses. O Mercado dá o tom urbano e popular. Uma fusão musical original e respeitosa, que mantém e acentua o essencial de cada um: o masculino nas rimas e o feminino na melodia. Os traços comuns entre todos também ganham destaque: movimento marcado, criação autoral e consciência crítica. Divulgado pelo Diário Popular.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Gala Lírica 2014

Os jornais atualmente limitam-se a anunciar os acontecimentos artísticos, priorizando sua função de antecipar os fatos da agenda e preterindo a missão de pesquisa e crítica da cultura local e de formação de público. Tal vem observando-se há décadas em nossa cidade, talvez acompanhando uma lamentável tendência nacional, o que contrasta com a história pelotense, rica em eventos e em publicações, e com a boa educação do público e a existência de especialistas universitários em arte e cultura. 

De longe em longe, jornalistas do Diário Popular comentam espetáculos, deixando de lado o valor educativo de tais especialistas. A falha se faz notar tristemente em megaeventos como o Festival SESC, onde inexiste a crítica, e o Pelotas Jazz Festival, relatado por especialistas de fora, que visitam Pelotas por primeira vez na vida. A TV local registra os fatos de modo fragmentado, sem o menor sentido crítico (v. exemplo de 5-12-2010).

Um exemplo desses ocorreu com a Gala Lírica 2014 da Sociedade Música pela Música, realizada em 13 de novembro passado, com duas amplas matérias anunciando o concerto (v. notícia de 28-10-14 e do dia 13-10-14) e nenhum comentário posterior. Isto vem mais pelo desinteresse do veículo da mídia do que pelo dos leitores ou dos artistas. 

Para compensar em parte esta omissão, este blogue tenta explorar, há seis anos completos, o texto analítico sobre a nossa cultura, e foi com essa intenção que em 2013 denominou dois patronos: a professora Loiva Hartmann, promotora cultural, e o cronista Francisco Dias da Costa Vidal, representante da crítica de arte desde 1953.

Coro e Orquestra da Sociedade Música pela Música se apresentam anualmente.

Clima e desempenho sinfônico em Pelotas

Mais precisamente, no Theatro Guarany e perante uma plateia muito atenta, os apreciadores da arte musical tivemos a feliz oportunidade de, na passada noite de 13 de novembro, usufruir de uma noitada magnífica, propiciada pela Sociedade Pelotense Música Pela Música, que comemorou grandiosamente seus 24 anos de denodado trabalho coral e os 10 anos de sua agrupação filarmônica.

Esta Gala Lírica teve o concurso magistral da soprano Elisa Machado, do barítono Fernando Montini e do tenor João Ferreira Filho, todos muito bem conduzidos pelo Maestro Sérgio Sisto, mobilizados: coro, solistas e a excelente orquestra da instituição, perfeitamente “em dia” com o desempenho instrumental e harmônico, deixando ali uma bela prova desse treinamento em conjunto, ao abordarem autores em nível de aprovação internacional.

O programa iniciou com a Abertura de “Orfeu no Inferno”, de Offenbach, seguindo-se um trecho do Fausto de Gounod. Logo, Verdi fez-se presente com os trechos “Sempre Libera” e “Un di felice”, de “La Traviata”. Puccini e Rossini tampouco podiam faltar, respectivamente na “Recondita Armonia” e no “Barbeiro de Sevilha”, cada qual uma carícia auditiva, encerrando-se esta primeira parte da programação em outro magnífico solo do “Fausto” de Gounod.

A segunda parte do programa trouxe mais sete belíssimos trechos, começando por clássicos do porte de Massenet (“Meditation”) e Offenbach (“Barcarolle”). Logo ouvimos o Coro dos Soldados, de Gounod, e o Coro dos Ferreiros, de Verdi, para continuar com “Udite o ristici”, do “Elisir”, de Donizzetti, e ”Si ridesta in ciel”, da Traviata de Verdi, autor que finalizou o programa com “Vieni o Guerrier” da “Aida".

Um Coro Sinfônico de sopranos, contraltos, tenores e baixos, mais uma Filarmônica completa, composta por cordas, sopros e percussão, assumindo cada qual seu papel, deixaram forte marca na memória dos apreciadores, neste encontro musical que ficará na história, no qual uma centena de músicos participaram, com classe e unidade, de uma noitada das mais belas que até hoje nos foi dado escutar e aplaudir, merecidamente!

Francisco Dias da Costa Vidal

João Ferreira Filho e Letizia Etcheverry interpretam "Lippen Schweigen", dueto da opereta "A Viúva Alegre" de Franz Lehár. Concerto Innamorato, da Sociedade Pelotense Música Pela Música, na XVII Fenadoce, 2009.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A Arte nos convida a recriar nosso Ser

A professora Loiva Hartmann, patrona deste blogue, nos envia uma mensagem de Ano Novo em forma de um miniensaio sobre o sentido existencial da literatura. Se descobrirmos que o roteiro de nossa vida pode ser desenhado e redesenhado como se faz com uma obra de arte, usaremos nossa criatividade, nossa capacidade de esperança e a virtude da solidariedade para fazer do mundo um lugar melhor para todos. 

Somos o que lemos, já disse um autor. Se algum dia abrimos os olhos para as coisas mais importantes da vida, é porque alguma ideia de um grande mestre chegou a nosso conhecimento, e nos fez depurar o que fazemos na vida. Se queremos um mundo melhor, comecemos por nós mesmos, por nossa inteligência e criatividade. Que este pensamento nos faça extrair do ano 2015 as máximas gratificações, para nós e nossos iguais.

A Ponte JK, sobre o Lago Paranoá em Brasília, é um arrojado projeto do arquiteto Alexandre Chan.
Seus arcos diagonais foram pensados para sugerir o movimento de uma pedra quicando n'água.

Pensar a arte é pensar a existência e a estrutura que a possibilita

A crise da modernidade é a consciência de que um único modelo filosófico não contempla todos os domínios do saber humano. Dá-se então a irredutível ruptura entre o conhecimento filosófico e o científico. Como diz o sociólogo alemão Jürgen Habermas (nascido em 1929),
"temos que perceber os sinais de um novo tempo, uma nova época, um novo princípio não organizador da história em períodos, de um novo princípio que nos faça perceber as coisas de outra maneira, em nível de razão, em nível de compreensão do ser humano na história" [citado do livro "Epistemologia e Crítica da Modernidade", do professor gaúcho Ernildo Stein, 1991, p. 23].

Pensar a arte é pensar o que somos

O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) vê a arte como uma forma de atingir a totalidade do real, de compreender a existência.

Recriar o real é ver o que está subjacente ou latente, é sentir ou pressentir a articulação primeira da obra. Na criação artística, para Aristóteles, a mimesis (imitação mimética do mundo real) instaura um valor que constitui um apelo a todos os homens, e a catarse (purificação emocional) é o grau mais acabado da libertação promovida pela arte, sendo que ambas se unem na tensão estrutural [conforme o acadêmico Eduardo Portella em "Teoria da Comunicação Literária", 1976, p. 46].

A vida humana é como uma amarelinha,
um perneta querendo chegar ao céu.
Para senti-lo, é preciso ler o livro de Cortázar.
Pensar nosso texto criativo

Na literatura, a criação apresenta várias faces: 1) o Tema, que é o impulso que leva o artista a criar certo conteúdo; 2) a Estrutura, que é a organização da obra em si; 3) o Modelo: este decifra a estrutura na medida que mostra sua dinâmica, indica uma direção de sentido e desencadeia a sensibilidade do leitor – ele se constrói com dados da época e da situação da obra lida ou investigada.

Há dois tipos de narrativas literárias: as de estrutura simples, de fácil compreensão, e as complexas, onde são introduzidos estranhamentos, alterações nos elementos convencionais até que eles se tornem polissêmicos, ampliando sua carga de informações. Estranhamento é desvio da norma, é uma expansão do significante na construção das frases, na articulação das personagens, é ruptura com o significado.

A complexidade do texto literário aparece em três níveis: da narrativa, das personagens e da língua. A obra de narrativa complexa não tem fim nem começo, e o início é uma continuação do final. Alguns exemplos são "Grande Sertão: Veredas" (Guimarães Rosa, 1956), "Rayuela" (J. Cortázar, 1963) e "Cien Años de Soledad" (G. García Márquez, 1967).

As personagens complexas rompem com a lógica do espaço e do tempo, são universais e atemporais. Poderiam ser outras: Cristo, Virgem Maria, El Cid [ver "Em memória de João Guimarães Rosa", de Carlos Drummond de Andrade, 1968, p. 15].

Sendo a linguagem literária imagem, está explicado por que as manifestações literárias complexas não se utilizam da linguagem – mas criam uma nova linguagem, um novo estilo, produzem palavras, significados e ordens gramaticais.

Com "A Mão e a Flor", escultura em aço, Oscar Niemeyer agradeceu à França por tê-lo acolhido.
"Desejo ver um mundo fraternal, em que as pessoas não queiram descobrir o defeito dos outros,
mas sim tenham prazer em ajudar o outro", disse o artista.
Analogamente à literatura, podemos descobrir que nosso Ser íntimo é como uma narrativa complexa que se desenvolve sem início nem fim, de modo repetitivo ou como continuação de nossos pais, avós e bisavós. Que dentro deste Ser local existem personagens arquetípicos da Humanidade, como vilões, sábios, heróis, bruxos, cuidadores. Ou que nossa lógica linguística pode ser usada e recriada de diversas formas.

Recriar a linguagem, em Rosa

A literatura de João Guimarães Rosa (1908-1967) é, no grau mais absoluto, instauradora, fundadora. Sua obra pode ser analisada por diversos prismas, tantas seriam os estranhamentos e as contradições. Mas é a partir delas que se vai esclarecer e divisar realmente seu alcance.

Rosa despertou as inusitadas palavras e fez com elas o que Lúcio Costa e Oscar Niemeyer fizeram com espaços e linhas, em Brasília e no mundo inteiro. Serviu-se de recursos que vão desde a criação linguística pessoal até a mistura, artisticamente dosada, de vocábulos arcaicos e modernos, nacionais e estrangeiros, eruditos e populares, ao jogo exótico das palavras na frase, obtendo efeitos surpreendentes, no ritmo e na sonoridade.

O vocábulo inédito leva ao âmago das coisas. É, em Rosa, uma necessidade temática profunda. Na gramática, seus gerúndios ou particípios equivalentes a orações, alguns até precedidos de conjunção, constituem tradição milenar da linguagem oral. Rosa sabe, como pesquisador devotado e profundo conhecedor de várias línguas, que linguagem é criação contínua, e, com seu temperamento de relojoeiro, deforma e remonta uma gramática e uma retórica que têm ignorado importantes possibilidades da língua portuguesa.

Em carta a seu tradutor alemão, Curt Meyer-Clason (1910-2012), referindo-se ao Quem de sua língua, Rosa afirmou:
“A língua para mim é instrumento: fino, hábil, abarcável, penetrável, sempre perfectível. Mas sempre a serviço do Homem e de Deus, da Transcendência” [tomado do livro "João Guimarães Rosa", vários autores, UFRGS, 1969, p. 132].
A obra de Rosa é eminentemente humanista, a exemplo dos alemães Thomas Mann (1875-1955) e Hermann Hesse (1877-1962). Contrapõe-se ao niilismo do irlandês James Joyce (1882-1941). A religiosidade de Rosa é vivencial, é intuição do universo, é o sentimento da radiosa aventura humana no mundo. Pelas falas de seus personagens, depreende-se que Deus é o sim, é a justiça, enquanto o Diabo é o não, é o mal, a guerra: é a desordem que se opõe à ordem. E nessa polaridade vive o homem.

A Santa Casa de Pelotas foi construída em partes, desde 1867 até 1934.
Por isso mostra notórias assimetrias e mesclas de estilos formais {foto H. de Borba].

Pensar-se a si mesmo é pensar o Ser

Pensar a arte é pensar a existência e a estrutura que a possibilita. Assim como o filósofo e o cientista buscam novos modelos e novos paradigmas, o artista busca novos temas, novos esquemas e novas linguagens para suas obras e projetos.

Os mais rupturistas e inovadores foram os que permaneceram na memória dos séculos e no registro das enciclopédias. Ao buscar novos caminhos, os revolucionários questionam a própria organização do que já existe, e assim fazem uma pequena e focada filosofia da existência.

Cada início de ano nos sugere: podemos reiniciar a vida, rompendo esquemas limitados de nossa estrutura, de nosso comportamento e de nosso Ser. Que este 1º de janeiro seja uma oportunidade para que, como os grandes escritores e os grandes sinfonistas, repensemos nosso roteiro de vida, para reinventar nossas personagens e readaptar nossas mimetizações no mundo real.

Loiva Hartmann
Academia Pelotense de Letras

A orquestra francesa Concert Spirituel recriou efeitos do séc. XVIII pedidos pelo rei George II
na "Música para os Fogos de Artifício", apropriada para celebrações como o Ano Novo.