Mostrando postagens com marcador Monumentos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Monumentos. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de junho de 2010

Yolanda Pereira, 100 anos de nossa eterna Miss Universo

Em 8 de setembro de 1930, o Jornal do Brasil noticiou sobre o Concurso Internacional de Beleza (leia nota), realizado pela primeira vez no Brasil - desde seu início em 1926 - país que também participava por primeira vez no concurso.

A ganhadora foi uma brasileira, Yolanda Pereira, pelotense de 19 anos. No Rio de Janeiro, desfiles e glórias para a nação. Em Pelotas, bandas de música, foguetes e hasteamento da bandeira nacional para a filha emérita. A Princesa do Sul estava no início de sua decadência econômica mas não poupou festas e homenagens por esta vitória incrível.

Segundo a Wikipédia (verbetes Yolanda Pereira e Miss Universo), o evento - que dava o título de Miss Universo - chamava-se Concurso (ou Desfile) Internacional de Beleza. O atual "Miss Universo" (com esse nome desde 1952) é ainda o maior no gênero e se inspira naquela versão antiga, iniciada em 1926 e interrompida em 1935, em função da depressão nos EUA e pela Segunda Guerra Mundial.
A Miss Pelotas Yolanda Pereira também foi a primeira Miss Brasil, e a única brasileira a ganhar o título de Miss Universo naquela primeira fase do concurso. Nascida em 16 de outubro de 1910, Yolanda se definia como uma pessoa modesta, de hábitos e sentimentos religiosos arraigados. Estudou no Colégio São Francisco e estudou piano no Conservatório de Música de Pelotas.
Após cumprir os deveres impostos pelo concurso, Yolanda voltou a Pelotas, e continuou a viver, como ela declarou, "com tanta modéstia quanto permitiu a evidência em que a colocou o concurso".
A casa paterna, em que ela morou enquanto solteira, ainda existe e foi restaurada há alguns meses pelo novo dono, Antônio Carlos Niemczewski. Pai de Yolanda foi o leiloeiro Lydio Pereira, segundo informação do cronista Rubens Amador.
Poucos anos depois do concurso, em 1936, Yolanda casou-se com o brigadeiro da Aeronáutica Homero Souto de Oliveira. Radicando-se no Rio de Janeiro, o casal teve quatro filhos: Homero, Vânia, Jane e Sérgio Souto de Oliveira. Na foto da Revista Manchete, em março de 1964 (abaixo), ela aparece aos 53 anos, com a recém-casada Vânia e com Jane, de 17 anos.
Yolanda faleceu em setembro de 2001, aos 90 anos, no Rio. Cidadã Emérita de Pelotas, um monumento na praça Osório, em forma de coluna grega (esq.), recorda seu nome e sua "beleza grega" (foto tomada hoje, 20 de junho).
Em outubro de 2010, ela faria 100 anos, mas não se preveem novas homenagens. Em 2008, a vereadora Diosma Nunes propôs a denominação de uma rua para Yolanda Pereira (veja nota).
A Bibliotheca Pública Pelotense guarda, como símbolo da história da cidade, as faixas usadas por Yolanda Pereira - a primeira Miss Pelotas, a primeira Miss Rio Grande do Sul, a primeira Miss Brasil e a primeira brasileira a conquistar o título de Miss Universo.
Em honra às mulheres pelotenses, o Quiosque de Nelson Nobre apresentou, em março de 2010, algumas reproduções de fotos de Yolanda Pereira, uma das quais é a imagem acima à direita. Homenagem parecida foi feita pelo próprio Nelson, anos antes (veja nota antiga do Diário Popular, 27-08-2003).
O Ponto de Cultura da UCPel, que preserva e digitaliza o acervo de Nelson Nobre e administra o Quiosque, também gera material audiovisual em associação com a TV UCPel. Um dos curta-metragens criados é sobre a primeira Miss Universo brasileira, e nossa eterna Miss Universo (abaixo).
Fotos: F. A. Vidal (3-4) e sítio de Sérgio Souto

sábado, 6 de março de 2010

200 anos do nascimento de Chopin

Esta semana se recordou, ao redor do mundo, o bicentenário de nascimento do maior compositor polonês, mais conhecido por seu nome francês: Fréderic François Chopin (1810-1849). Ao mesmo tempo, se celebrou ontem (5), no Brasil, o dia nacional da música clássica, escolhido em 2009 (leia histórico) por ser o aniversário de Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Em Pelotas não houve celebrações por nenhum dos dois motivos.

O nascimento de Chopin foi registrado - numa paróquia próxima a Varsóvia - como sendo 22 de fevereiro de 1810, mas se acredita que a data certa seja mais perto do dia 1 de março. O menino teve as primeiras aulas de piano com a irmã mais velha e com a mãe. O talento precoce o fez conhecido em Varsóvia como "segundo Mozart", pois aos oito anos de idade deu o primeiro recital como pianista e já era autor de uma polonaise (veja biografia). Devia ser como Dimitri, de 7 anos (acima, tocando a Valsa em lá menor, opus póstumo nº 17). Aos quinze, Chopin compôs a obra que seria seu opus 1: o Rondó em dó maior.

Aos vinte, foi morar em Viena, mudou-se para a França - terra de seu pai, professor de francês em Varsóvia - mas nunca pôde voltar à terra natal. Do exílio são suas obras mais intensas, como a famosa "Marcha Fúnebre" (1837), que veio fazer parte da Sonata nº 2 em Si bemol menor, opus 35 (vídeo abaixo, interpretação de Jeffrey Biegel).

Por sentimento e por compromisso político, Chopin esteve sempre ligado à Polônia, como um revolucionário de coração contra a invasão russa. Seguiu compondo até que morreu em Paris, de tuberculose, aos 39 anos. Sua Marcha Fúnebre foi tocada em seu próprio enterro e ficou conhecida em funerais de governantes como John Kennedy, mais especialmente na versão orquestrada pelo inglês Edward Elgar. No Brasil, o motivo melódico principal foi um bordão da novela de sátira política "O Bem-Amado" (1972-73).

Habitualmente se recordam a fama e o inegável talento de Chopin como músico. Nas comemorações dos seus 200 anos, um moderno museu foi inaugurado em Varsóvia e muitos concertos estão sendo realizados em todo o mundo; em São Paulo, por exemplo, o pianista Nelson Freire interpretará algumas de suas obras no próximo sábado (13).

No entanto, em Pelotas o compositor polonês foi homenageado por seu compromisso político e patriótico, sem menção da música. Um pequeno monumento foi levantado, há 65 anos, e até hoje pode ser visto, defronte à Escola de Direito (abaixo). Seus dizeres são: A Chopin, símbolo da liberdade, a Federação Acadêmica de Pelotas.

Segundo o historiador Mário Osório Magalhães (Diário Popular, 24-11-2002), a Federação Acadêmica decidiu, em 1943, destacar o valor patriótico e libertário do artista polonês. Naquele ano, recrudescia a Segunda Guerra Mundial, já com o Brasil aderido às forças aliadas, após submarinos alemães terem atacado mercantes brasileiros. A Polônia era um emblema da luta contra o nazismo (terminada esta guerra, seria novamente dominada pela ditadura russa soviética).

O bronze foi um trabalho da escultora Eugênia Smyte, conforme relata o historiador pelotense. Ainda em 1943 se falou na imprensa sobre a escolha do local para o busto: a praça Osório, a Júlio de Castilhos (hoje Parque Dom Antônio Zattera) ou a pracinha Conselheiro Maciel, a da Escola de Direito, onde finalmente se inaugurou, em 31 de maio de 1944. A Guerra ainda duraria um ano angustiante, envolvendo países de todos os continentes, inclusive com forças expedicionárias brasileiras.

Assim como o Aeroporto Tom Jobim no Rio de Janeiro, a Polônia denominou o seu principal aeroporto internacional com o nome de Fréderic Chopin. Além do proverbial patriotismo (derivado das perseguições dos poderosos vizinhos), o país é um modelo mundial de valorização de seus artistas e intelectuais; muitos deles são designados oficialmente como autoridades públicas e do serviço diplomático, denotando que a inteligência e a cultura é que devem governar ou, pelo menos, representar os princípios morais e éticos da nação.

Pelotas tem muitos artistas e intelectuais, mas aqui eles não governam e inclusive são vistos pela autoridade como um segmento social e político reduzido, fonte de pressões e exigências. A mesma cidade que já homenageou governantes locais - e até artistas estrangeiros - ainda deve um monumento a seu maior escritor, João Simões Lopes Neto.
Imagens da Wikipedia (1) e F. A. Vidal (2)