quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Patrulha Maria da Penha está em Pelotas

Brigada Militar ideou em 2012 a Patrulha de apoio à mulher agredida .
A Patrulha Maria da Penha é um novo método da Brigada Militar destinado a diminuir a violência doméstica contra a mulher (v. definição). Numa viatura especial, dois brigadianos visitam aquelas mulheres que já obtiveram medidas judiciais de proteção contra seus agressores, que geralmente são maridos ou ex-namorados, monitorando de modo ostensivo o andamento do caso e também explicando aos agressores que podem ser presos caso desobedeçam as medidas.

O projeto da Brigada Militar começou em 2012 e é pioneiro no Brasil. Como já mostrou resultados positivos (diminuição de femicídios, estupros e lesões, veja informação), está sendo replicado no interior gaúcho e em outros estados (Espírito Santo, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Paraná). Em Pernambuco surgiu em 2013 (v. notícia); em São Paulo o sistema se denominou "Guardiã Maria da Penha" (v. notícia).

Não é função da Patrulha Maria da Penha atender "ocorrências" (novas agressões ou novos casos, que a Polícia Civil deve registrar); isto é feito pelo serviço normal da Brigada. Tampouco aplicar castigos aos desobedientes. O objetivo é, em apoio à Lei Maria da Penha, de 2006 (leia o texto da Lei 11.340), refrear a violência contra a mulher que já foi ameaçada ou agredida, já denunciou e já foi favorecida com a ordem judicial de afastamento do denunciado. Como havia alta reincidência mesmo nestes casos favorecidos, devido à sensação de liberdade e impunidade dos agressores, viu-se que era preciso acompanhar os casos de modo visível e próximo. O sentido desta Lei é minimizar a violência de gênero, ou seja, proteger a mulher agredida ou humilhada por ser mulher, não importando de onde vier a violência (de um homem, de outra mulher, de um grupo, ou de algum agente do Estado).

Este serviço especializado começou em Porto Alegre e Canoas, nos assim chamados "territórios de paz", e deu resultados positivos. Ao longo de 2014, o governo estadual e os comandos regionais têm reeditado o mesmo trabalho em bairros de cidades com alto índice de violência à mulher, conseguindo diminuir notoriamente a reincidência. Uma vantagem paralela é que as patrulhas Maria da Penha têm ajudado a melhorar o diálogo entre a Polícia, o Judiciário e os serviços municipais.

Delegada Lisiane Mattarredona, titular da DEAM de Pelotas
Anunciou-se em 2013 que uma patrulha começaria a funcionar em Pelotas desde março de 2014, mas isto não foi possível. Devido à necessidade, o trabalho foi implementado em junho de modo precário, sem todos os elementos (por exemplo, sem tablet e sem armas de eletrochoque).

Nestes seis meses, o serviço já monitorou mais de uma centena de casos na cidade, e somente em pequena parte a agressão continuou ocorrendo, o que significa que o sistema está cumprindo seus objetivos.

Entre 100 e 200 estima-se o número de casos (num semestre) de mulheres com medidas protetivas autorizadas por um juiz. Pode parecer muito, mas na realidade isso representa baixa porção, ao redor de 10%, dos casos denunciados. De aproximadamente 200 denúncias mensais na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), umas 70 pedem protetiva e metade a obtêm. Estas últimas é que agora contam com o apoio especial de vigilância (de segunda a sexta) para verificar o distanciamento do agressor. Se, com tudo isso, este agressor se aproximar, ele é considerado infrator e pode ser preso, se o fato for denunciado na Polícia Civil. De noite e nos fins de semana, o monitoramento não é realizado, mas nas emergências existe o apoio habitual da Civil e da Brigada Militar.

Também de segunda a sexta, a mulher agredida pode buscar orientações e apoio psico-social no Centro da Mulher, aberto desde março de 2014 no prédio do CREAS (Barão de Itamaracá 690, Cruzeiro), próximo ao Foro de Pelotas e à DEAM. Confira entrevista com a Capitã Vanessa Wenitt, do 4º BPM, em agosto de 2014.


Fotos: Governo RS (1) e M. Vasconcellos (DP)

Cores que dão vida aos momentos de crise

O Corredor Arte, em sua exposição nº 289, está mostrando uma coletiva de telas de Elenise de Lamare, Alice Bender e Vera Souto, integrantes do MAPP (Movimento dos Artistas Plásticos de Pelotas). As três optaram pelas flores e suas cores vibrantes, tendo em vista colocar sinais de vida e alegria no espaço hospitalar – especialmente neste tempo de mudanças, crises e despedidas – e levar uma mensagem simbólica de conforto àqueles que sofrem ou estão próximos da doença e dos tratamentos médicos.

Um minipresépio também foi colocado junto à árvore natalina, como é costume cada fim de ano. O Corredor Arte do Hospital Escola UFPel pode ser visitado todos os dias, na Rua Professor Araújo, 538.

Fotos: Corredor Arte

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Projeto didático do Latino-América Duo

O Latino-América Duo publicou hoje (30-12) o vídeo de divulgação do projeto de concertos didáticos "Música sem Fronteiras", realizado em outubro de 2014, através da FUNARTE, nas cidades de Rio Grande, Bagé e Santana do Livramento. A agrupação é constituída, desde 2008, por José Daniel Telles dos Santos e Alexandre Simon, violonistas gaúchos formados no Conservatório de Música da UFPel, que também lecionam, pesquisam e compõem em seu instrumento.

Através deste projeto de extensão, o duo de músicos apresentou 12 recitais de música latino-americana, em somente nove dias, a alunos de escolas públicas da região sul (de nível fundamental, médio e superior). O programa incluiu milongas e tangos instrumentais, choros brasileiros e sambas-canções, transitando entre o popular e o erudito. O objetivo foi ampliar o conhecimento musical dos jovens, mediante música que representa a identidade cultural da região de fronteira.

Confira outros registros da agrupação no canal de vídeos de José Daniel.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Primeiro casamento no Café Aquários

No último sábado do ano (27-12), foi festejado um casamento no tradicional Café Aquários, local que já se prestou para filmagens, representações teatrais e até mesmo uma sessão de autógrafos, em 2012 (v. nota neste blogue). A notícia foi dada hoje duas vezes: pela edição estadual do Jornal do Almoço (v. vídeo no portal G1) e pelo programa local da RBS (v. nota Café em Pelotas recebe casamento).

Neste café, Fabrício e Mônica descobriram o amor, há 15 anos.
Fecharam o rito de compromisso hoje, no mesmo lugar.
Tratava-se de uma surpresa feita pelo noivo, o jornalista Fabrício Cardoso (v. blogue no Diário de São Paulo), a sua colega e companheira de 14 anos, Mônica dos Santos Torres (v. Facebook). O gerente Carlos Dias disse que era a primeira vez que ali se celebrava um casamento.

Fabrício organizou o encontro à distância, programado para as férias em Pelotas, e todos os convidados guardaram o segredo, para surpreender a noiva. O violinista Mauro Buss tocou "Como é grande o meu amor por você" e o amor ficou assinalado com flores, champanha e os anéis da aliança conjugal.

Para os dois pelotenses, que saíram daqui para Blumenau e hoje moram em São Paulo, foi mais importante assinalar a união neste local e numa lua-de-mel natalina num hotel-charqueada, do que num rito religioso. De acordo ao blogue Desgarrados de Satolep, ele é xavante e ela, áureo-cerúlea. Foi no Café Aquários que eles descobriram, há quinze anos, como era bom ficar juntos. Afinal, é o amor que faz do mundo um lugar bom para viver.
Foto: Facebook

Humanização do Hospital a través do amor

Asiladas do lar vicentino receberam a presença e os presentes do Papai Noel.
O Grupo de Humanização do Hospital Escola da UFPel informou no Facebook (24-12) sobre mais uma edição do Projeto Abraço de Natal, em visita às moradoras do asilo da Sociedade São Vicente de Paulo, na terça 16-12. Funcionários do Hospital levaram a alegria e a esperança ao lar feminino da rua Senador Mendonça, pela gratuidade da música, dos comes e bebes, sorrisos, conversa e gentileza.

Cada ano nesta época, os trabalhadores do Hospital Escola se organizam para comprar presentinhos para as senhoras da vila vicentina, a maioria idosas. A atividade é preparada pelo Grupo de Humanização e a Ouvidoria, e a entrega dos presentes é feita por um Papai Noel funcionário do Hospital.

A vibração rítmica do Grupo Medicação humaniza o trabalho do Hospital.
O encontro foi animado pelo Grupo Medicação, com a atuação do cantor Fábio Saraiva. O evento também teve a participação do personagem Don Juan, moço bem vestido e sedutor, que dançou com todas as senhoras. Foi uma tarde de abraços, animação e carinho, que emocionaram e gratificaram a todos os envolvidos.

O Hospital da UFPel (que já foi conhecido como "Hospital da FAU") contém diversos projetos permanentes, destinados a humanizar o ambiente médico, que habitualmente é preocupante, tanto para quem sofre a doença ou a cirurgia como para seus familiares.

Como todo problema de saúde também representa uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida, tanto do corpo como do espírito, o tratamento neste Hospital é oferecido num clima de carinho e expressão de sentimentos, o que se consegue por meio da música, das dinâmicas de grupo, da pet-terapia, de exposições de artes plásticas (o Corredor Arte, divulgado periodicamente neste blogue), de atividades de serviço e de encontro social, entre outras ideias criativas.
Voluntários do Hospital UFPel esbanjam carinho, dentro e fora da instituição.
Fotos: Facebook

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O lampião fazia o silêncio falar (crônica)

O silêncio é bom filósofo. E conselheiro. Em uma sociedade barulhenta como a nossa, a maioria das pessoas sentem-se desconfortáveis com ele. Geralmente deseja comunicar-se com nosso interior, com o intuito de ouvir-nos e recomendar-nos instantes de reflexão. Entretanto, fechamo-nos a ele, ouvidos atentos ou não aos ruídos característicos da vida contemporânea.

Confesso-lhe, amigo leitor, que gosto muito do silêncio e de estar em silêncio. Criei-me numa zona da cidade onde à noite ouvia-se claramente o coaxar dos sapos nos charcos, o estalar da madeira da casa, o piar da coruja, o vento confessando mistérios às árvores e outros fenômenos causados pela falta de barulho.

Tudo isso reforçado pela luz do lampião a querosene, aumentando o sossego e diminuindo a fronteira entre o visível e o invisível. À noite tudo me parecia mágico.

À cabeça do menino que fui, havia a certeza de que a quietude causava a magia que se desenrolava à minha volta. Sem pressa, quase como num ritual, pegava lápis e papel na tentativa de relatar as sensações oriundas do momento. O relato, em letras praticamente ilegíveis, ia brotando de meu interior, aquecendo-me o peito, tornando o silêncio absurdamente palpável.

Hoje, ao sentir-me sacudido pelas inquietações, fecho os olhos e tento materializar a mesma paz. Aos poucos sobrevém o sossego, o coração se desacelera e sou capaz de ouvir, de forma tímida inicialmente, a sinfonia dos sapos, o piar da coruja, o segredar do vento às árvores, o estalar de tábuas...

E no fundo dos olhos brilha a chama do lampião.
Manoel Soares Magalhães, 19-12-14


Tenho boas recordações do Natal, sobretudo os de minha infância. Tudo era muito simples, a começar pelo presépio, que à noite, iluminado pela chama do lampião a querosene, assumia proporções mágicas. Para tornar tudo ainda mais encantador, eu colocava as mãos à frente da trêmula chama, projetando na parede, perto do presépio, bizarras figuras, que voavam ao redor do berço onde o menino Jesus, recém-nascido, dormia. Eu as observava, dando-lhes estranhos nomes. Gifaboi, mistura de girafa com boi; formicão, cruza de formiga com cão; gapeixe, mescla de gato com peixe e tantas outras.

Na rua, os ruídos característicos da noite, enxameada pelos vaga-lumes. Eu adormecia na janela, vendo-os desenharem na escuridão exóticas geometrias. Triângulos, retângulos, hexágonos, pentágonos, losangos e heptágonos... Figuras que eu conhecera num velho livro de geometria.

À meia-noite, ou pouco antes, tomávamos Coca-Cola e comíamos sanduíche. Acaso estivesse quente, costumávamos ficar debaixo da parreira, em silêncio, ouvindo o escuro.

Para quem não sabe, o escuro fala, sim. Dava-nos conselhos e contava histórias... Narrativas antigas de heróis, santos e santas, reforçadas pelo murmúrio do vento na copa das árvores.

Às vezes o escuro se calava, levando-nos a escutar nossos corações, a perceber o marulho do sangue nas artérias... Se ele não voltasse a falar, íamos dormir. E tudo isso aconteceria no próximo Natal. E no seguinte.

Certa noite, porém, a luz elétrica inundou a casa, dissipando de vez as figuras das paredes, calando também o escuro. E o lampião, que tanta fantasia engendrara, ornando as noites, apagou-se para sempre.
Manoel Soares Magalhães, 24-12-14
Fonte: Facebook
Imagens da web

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

"Uma corte nos pampas", a burguesia monarquista

O Mercado Central de Pelotas era assim
no século XIX. Foi mandado construir
logo após a visita do Imperador em 1866.
Em seu mais recente livro, a pesquisadora Zênia de León relata o lado humano dos titulados da nobreza pelotense do século XIX. De acordo ao blogue da Academia Pelotense de Letras, a escritora apresentou em outubro passado "Uma Corte nos Pampas", em primeira mão, no Museu Imperial no Rio de Janeiro, e em Petrópolis, onde se encontrou com descendentes do Imperador.

Posteriormente a obra foi apresentada, na Feira do Livro de Pelotas, pela Livraria Mundial, que está reeditando alguns livros de Zênia. Leia abaixo trechos do Prefácio, escrito pela pelotense Arita Cheuiche Godoy.

O governo de Dom Pedro II designou como barões e viscondes alguns de seus fiéis seguidores no extremo sul, homens que atuaram como empresários e políticos, benfeitores do Império, especialmente entre 1845 e 1888. Por seu baixo número e por sua proximidade com o poder, esse grupo de milionários, muitos deles sem linhagem nobre, constituía uma verdadeira "corte real". A ausência de um rei ou rainha nesse ambiente de opulência permitiria denominar esse grupo como "corte irreal". Em linguagem de hoje, os chamaríamos jet set ou "classe A".


Prefácio

A autora Zênia de León já nos apresentou inúmeros trabalhos em algumas linhas de produção escrita. Entretanto, é na área da pesquisa histórica que reside todo um potencial importante. É o gosto que tem por descobrir novidades históricas, episódios. Como este que agora nos brinda: saber um pouco mais sobre a nobreza em Pelotas.

Porque a cidade teve tantos titulados do Império e que atuaram como economistas, industriais, guerreiros, beneméritos, políticos, que representaram uma parcela influente na comunidade, aqui está sua presença. O que mais destaca neste trabalho é a ideia de uma corte quase autêntica. Só não autêntica por não ser real no sentido de existir. Mas real pelos aspectos comuns a uma corte. Vejamos:

A formação social no sul da antiga província era diferenciada. Corria paralela à “grande corte”, no Rio. Era absurda, antagônica, servil. Pensava-se na liberdade escrava, mas tinham-se escravos. Dessa ambiguidade nasceu o apogeu financeiro, o progresso, o refinamento, e nasceu também o próprio desejo de liberdade do gentio. Se “o rei de Portugal se estabeleceu no país em 1808 para criar um poderoso império no Brasil”, poucos anos depois se estabeleceria uma “corte fictícia” em Pelotas.

A corte em Pelotas, embora fictícia, é reveladora, merece ser contada por ter feito parte de um ciclo importante, o das charqueadas, da opulência e da cultura, e seu legado está aqui para se ver. A opulência arquitetônica como um bem inigualável da monarquia, a fundação de liceus, fábricas de azulejos, vidros coloridos, chapéus, carruagens...

Aspecto interior do Solar do Barão de Três Serros,
hoje restaurado e conhecido como Museu da Baronesa.
Homens pardos e mucamas iam ao mercado fazer compras, mas sinhazinhas acompanhadas lá compareciam para dar um toque da presença de cortesãos ao local. No mais, a “corte dos Pampas vivia esquecida, tranqüila, escondendo nas senzalas por mais de setenta anos uma mercadoria encalhada a trabalhar sob a chibata.

E era no subsolo dos casarões que se escondiam os obreiros da cidade. Em cima, uma biblioteca de causar inveja. Na economia, o apogeu das charqueadas; nas senzalas, o cansaço do escravo; nos salões, as luzes dos lustres acesos e nos porões, a escuridão dos catres.

A escritora está sendo corajosa ao tratar de um sistema extinto e sumariamente desprezado. Mas a História precisa de um registro. Este registro está sendo marcante. Abrem-se novos horizontes e novos olhares depois da leitura deste livro, temos certeza.

Na verdade, o livro que a escritora e pesquisadora Zênia de León nos apresenta é um retrospecto de informações, com fatos históricos vistos por olhos perspicazes que analisam o lado humano de uma geração extinta, os monarquistas. Foram quase dois anos de investigação sobre o tema para resgatar de forma acessível o que se passou há duzentos anos, no papel de seus figurões, protagonistas de uma história ainda não de todo explorada.

A verdade é que dificilmente se poderá encontrar um escritor, sobretudo no século XXI, que não reflita sobre tudo no século XX, de maneira a julgar com justiça e parcimônia os prós e os contra de um sistema.
Arita Cheuiche Godoy

Casa 2: Barão de Butuí. - Casa 6: Barão de São Luís. - Casa 8:  2º Barão de Cacequi
Imagens: APEL (1), ASCOM (2), 19&20, fig.01 (3)

domingo, 21 de dezembro de 2014

"O Caminho da Verdade", um presente com Arte

O Caminho da Verdade é, ao mesmo tempo, uma instalação de arte visual, formada por objetos móveis, e um instrumento para trabalhar a visualização interior, que na área da Arteterapia, dá origem a uma oficina de autoconhecimento. A instalação artística, o instrumento e a oficina foram criadas em 2008 pela artista e arteterapeuta portuguesa Cristina Poppe.

Esperança, figura do Caminho da Verdade
A instalação

Criada para a 1ª Bienal Internacional de Artes Plásticas de Montijo (Portugal, 2008), a instalação foi montada em duas partes:
  • uma mandala em espiral centrípeta, com 37 pés esquerdos, esculpidos em gesso, formando uma trilha em direção ao interior de si mesmo (abaixo), e 
  • um caminho curvo, formado por 24 pares de pés (veja aqui), sugerindo um caminhar em grupo. 
Cada objeto traz um desenho e representa um símbolo, e o conjunto pode ser reorganizado à vontade. O trabalho foi premiado na Bienal com 7500 euros (v. notícia).

O instrumento

O material do jogo é uma "caixa de sentimentos", que consta de um baralho de 85 cartas impressas com os símbolos da instalação. Estes pés servem para caminhar em direção da verdade, e cada símbolo representa um aspecto subjetivo da pessoa (gratidão, dor, missão, espiritualidade, liberdade, aceitação, humildade).

O instrumento psicológico pode ativar memórias íntimas, despertar o sentido da autoestima e elevar a consciência de si mesmo. Aplicado em oficina de grupo, o jogo inicia uma viagem emocional que permitirá retratar a verdade e o momento existencial de cada pessoa (também pode aplicar-se coletivamente ao grupo).

O material, que está em inglês e em português, pode ser comprado em Lisboa ou diretamente com a autora. No Brasil, a exclusividade de venda é do Ágape Espaço de Arte, e tem o valor de R$ 150 (R$ 142 à vista). Veja detalhes na página The Truth Path.

A atividade é indicada para quem trabalha com pessoas: psicólogos, educadores, arteterapeutas, terapeutas ocupacionais, psiquiatras, artistas, musicoterapeutas, orientadores espirituais. No Brasil, a oficina ainda não foi aplicada e está em fase de divulgação.

Além do jogo "O Caminho da Verdade", a galeria de arte JM. Moraes está com mais uma edição do Bazart, que oferece obras artísticas produzidas em Pelotas, de vários estilos, temáticas e técnicas, e alguns kits de materiais de arte, separados por técnicas. Os preços são acessíveis, e servem como sugestões para presentear, e para incentivar a criação.

A instalação "O Caminho da Verdade", premiada em 2008, deu origem a um jogo de autoconhecimento.
Imagens: Facebook

sábado, 20 de dezembro de 2014

Rei do Quindim

O Doceria Rei do Quindim existe em Pelotas há um ano. A casa não tem balcão de atendimento, mas entrega com rapidez encomendas feitas por telefone ou pela página da comunidade no Facebook.

A loja fabrica minidoces, pudins, bolos e tortas doces, tanto de receitas tradicionais como novidades para agradar o público jovem. Alguns exemplos dessas novidades são o quindim de leite condensado - ainda pouco comum em Pelotas - e o Naked Cake de quatro níveis (v. foto aqui). Esse "bolo nu", sem cobertura, deixa o recheio à vista e seduz até os menos gulosos, numa sugestão de strip tease. Uma equipe carioca fez versão parecida, com frutas vermelhas, em julho de 2013 (v. foto)

O atraente Bolo Kit Kat (dir.) foi construído em dois andares, para deliciar os olhos e provocar o paladar. Como a equipe é criativa, seguirá reinventando as receitas clássicas e trazendo novas combinações.
Foto: Facebook

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Os rios de Fernando Leitzke


"Os Rios que Navego" é um projeto do pianista Fernando Leitzke que busca financiamento pelo método coletivo, no sítio Benfeitoria. O prazo limite é a próxima quinta (25-12). Se a meta for alcançada, os doadores ganharão diversos retornos; se não, o dinheiro inscrito será devolvido.

Quem antecipar 30 reais no financiamento, garante um exemplar do disco. Com 60, o participante ganha o CD autografado. Quem pagar 100, ganha 2 exemplares autografados mais um ingresso para o show& de lançamento. Maior colaboração dá direito a outras recompensas, como agradecimentos públicos, uma aula de piano, maior número de discos, maior número de ingressos e até shows particulares. Faltando uma semana, 130 colaboradores já reuniram 57% do valor do projeto.

O jovem pelotense inclui no trabalho composições próprias e obras de Tom Jobim, Radamés Gnatalli, Rubén González, todas para solo de piano, com apoio de cordas e percussão e a participação de grandes músicos cariocas e gaúchos. Ouça uma das músicas de autoria de Fernando, Chaleira Quente.

O projeto navega pelas águas do samba, do choro, do candombe uruguaio, da zamba argentina e afluentes de além-fronteira. Fernando navega pela música do nosso Rio do Sul e, subindo ao Rio de Janeiro, ganha os rios da música brasileira e universal (v. reportagem do Diário Popular).

Fernando estudou piano erudito no Conservatório de Música da UFPel dos 13 aos 17 anos e seguiu praticando o piano popular nas rodas de choro do Bar Liberdade, sob a liderança de Avendano Júnior e Possidônio Tavares. Tocou em bares e em recitais, como solista, em duos e trios e com o grupo Quebraceira. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se aperfeiçoa como pianista de samba instrumental (o que um americano chamaria de jazz bossa).

Confira abaixo seu trabalho como arranjador e como acompanhador de Michel Tasky, belga fã do Brasil, (leia entrevista) no samba "Cabrochinha", de Pinheiro e Carrilho.



Foto: Facebook

POST DATA
21-12-14
Faltando 4 dias para o fechamento do prazo, o projeto já recolheu 88% do dinheiro necessário.
22-12-14
A 3 dias do término do projeto, já foram levantados 91% dos fundos.
26-12-14
Encerrado o prazo, 101% do dinheiro necessário permitirá realizar o projeto de Fernando Leitzke..

sábado, 13 de dezembro de 2014

Pelotense é bicampeão nacional de Kung Fu

Aos 22 anos, o pelotense Breno Berny Vasconcelos venceu o 25º Campeonato Brasileiro de Kung Fu/Wushu, realizado na cidade de Leme (SP), na última semana de novembro, e no qual participaram mais de 700 atletas de vários estados do país. Não é a primeira vez que o atleta conquista o título. Em 2013, ele trouxe para Pelotas o primeiro título nacional de sua carreira.

Breno obteve medalhas de ouro e bronze em 2014.
O atleta pelotense, que - como tricampeão estadual - há três anos representa o Rio Grande do Sul na competição nacional, desta vez competiu na categoria principal da modalidade Taolu, na qual o atleta deve mostrar habilidade em coreografias, com as mãos livres ou com armas.

Breno enfrentou atletas do mais alto nível ao apresentar duas coreografias individuais: uma sem armas, que lhe garantiu uma medalha de bronze, e outra com a espada, onde conquistou a medalha de ouro e o bicampeonato.

Com o título, Breno entra na disputa por uma vaga para representar o Brasil nos campeonatos internacionais de 2015: o Campeonato Sul-Americano (no Paraguai, em julho) e o Mundial (na Indonésia, em novembro). Em março, viaja a Campinas, para participar do primeiro treino classificatório que formará a seleção brasileira.

Tricampeão gaúcho e bicampeão nacional, Breno entrará
na competição internacional. Mas requer apoio financeiro.
Ele agora busca apoio financeiro para custear os treinos em São Paulo e a sua possível participação em campeonatos internacionais (v. a página web de Breno Berny Vasconcelos). Seu preparador físico é Marcelo Zanusso Costa, da Academia Equilíbrio.

O Wushu, conhecido popularmente como Kung Fu (v. Wikipédia), é uma arte marcial com raízes na história milenar da China. Atualmente, o Kung Fu ganhou uma roupagem mais esportiva, não mais em nível de técnica para a guerra, estando entre os esportes mais cotados para virar modalidade olímpica.

Em nível de competição, o Kung Fu tem duas modalidades: o Sandá é a luta corpo-a-corpo (free sparring) entre duas pessoas, seguindo regras específicas da modalidade; o Taolu refere-se à demonstração de habilidade e destreza corporais em lutas pré-coreografadas, apresentadas em grupo, trios, duplas ou individualmente, com as mãos livres ou com armas, tais como espadas, bastões e lanças.



Fonte: ASCOM

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

As aventuras do avião vermelho (1936-2014)


Estreou hoje (11-12) o longa animado "As Aventuras do Avião Vermelho", que resgata a obra infantil homônima de Erico Verissimo (1905-1975), o máximo escritor gaúcho (v. Wikipédia). Confira horários no Cineflix do Shopping Pelotas.

Companhia das Letras, 2003
Precisamente no ano de publicação do livro "As Aventuras do Avião Vermelho", 1936, nascia Luís Fernando Verissimo, o único filho homem de Erico. Em 1933, o escritor havia publicado "Clarissa", e em 1935 nascia sua primeira filha, batizada como a personagem de seu primeiro romance (leia um testemunho dela em 2013).

A história conta como um menino de 8 anos (chamado Fernando) lida com a hiperatividade decorrente da falta da mãe e a consequente necessidade de se afirmar como homem, com apoio do pai, valorizando as ações construtivas, a força da imaginação e a superação dos medos. Quem faz a voz do avião é o consagrado ator Milton Gonçalves, hoje com 81 anos, que em seus inícios trabalhou como dublador.

A temática do avião vermelho tem evidente inspiração no piloto militar alemão Manfred von Richthofen (1892-1918), conhecido como Barão Vermelho, personagem histórico que já rendeu livros e filmes. O nome do personagem Capitão Tormenta, que aparece dentro da história de Erico Verissimo e no filme em estreia, é uma homenagem ao livro de aventuras fictícias do italiano Emilio Salgari (v. Wikipedia), Capitan Tempesta, publicado em 1905.

Assim como as movimentadas aventuras do avião de Fernando ao redor do mundo, o filme gaúcho passou por muitos anos de pré-produção, desde 2003 até chegar hoje às salas de cinema de todo o Brasil. Veja outros filmes da produtora gaúcha OKNA e os vídeos de produção do filme no canal Avião Vermelho.
Imagens: Blog MPC (1), Adoro Cinema (2)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Água, raios e trovões abrindo o verão


Na legenda da foto de Nauro Júnior, tomada dentro do Mercado Central em plena tormenta, o sítio de um jornal porto-alegrense informou o seguinte, às 22:10 de ontem (9-12):
No sul do RS, choveu quase 30 milímetros em apenas uma hora na noite desta terça-feira.
A nota informava sobre a previsão meteorológica para todo o Rio Grande do Sul, e a imagem pretendia mostrar o estado do tempo na Metade Sul, mas o leitor ficou desinformado sobre o lugar preciso da fotografia. O sul do Estado é bastante extenso. Quem conhece a região sabe que se trata da torre do Mercado de Pelotas, trazida da Alemanha há cem anos, mas nem todos os internautas têm obrigação de saber. Assim como é justo identificar o autor, a notícia não fica satisfatória com a omissão de um detalhe como o lugar do fato, erro de principiante.

Com a beleza da paisagem urbana noturna, o fotógrafo registrou uma cena que não é raro presenciar em Pelotas: o céu sendo cortado pelos raios, enquanto pequenas cascatas jorram pelos lados. No entanto, poucos fotografam a nossa onipresente umidade. Deve-se reconhecer que não é fácil registrar a fugacidade da água da chuva, mas ali estão as gotas caindo, diante dos coriscos.

O próprio Nauro obteve, há 17 anos, uma foto tão ou mais emblemática que esta do Mercado (v. a postagem Luzes de Deus) e em 2009 escreveu uma reflexão sobre suas fotos de raios (v. blogue Retratos da Vida). Sobre a imagem atual, publicada pela RBS primeiro e depois por Nauro, este disse que foi obra do acaso, pois ia fotografar as luzes de Natal na praça, quando a chuva o fez refugiar-se no Mercado (veja seu comentário no Facebook).

Como também é acostumado por aqui, a chuvarada durou somente uma hora, refrescou o abafamento que havia e desapareceu aos poucos, deixando um rasto de ruas alagadas, semáforos apagados, pontos de táxi vazios e a praça central sem os visitantes de dezembro. 
Fonte: ZH

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

As sete meninas de 1965

Pedro A. C. Teixeira é formado em Estudos Sociais, professor de História e Geografia, pesquisador, escritor, desenhista, pintor e escultor. Há muito tempo não mora em Pelotas, mas ainda escreve sobre seus anos passados na cidade natal. 

Há três anos, ele publicou em seu blogue "Eu sabia, e tu sabias?" o artigo As Sete Meninas de Pelotas com a seguinte lembrança, de quando ele era adolescente e veraneava no Laranjal.


Era o ano de 1965, passeava pela praia do Laranjal em Pelotas e avistei estas sete meninas, que tomando banho de sol e alegres conversavam nesta mesma posição. Achei que seria uma bela foto, para a época. Época do preto e branco.

Perguntei de longe se poderia delas bater uma foto, com uma moderna máquina Rolleiflex. As sete meninas concordaram e sorriram cada qual com o mais belo sorriso.
Foi a mais linda foto que fiz em minha vida.

Com carinho e com respeito a essas (hoje) sete senhoras, guardo muito bem esta fotografia, pois as sete meninas eram de uma graça e beleza que encantavam. Isso foi há quase cinqüenta anos.

Onde andarão essas menininhas? O tempo passou e nunca mais as encontrei.

Foi uma época de encanto, encanto até ingênuo. Em uma época em que as coisas eram bem diferentes e havia respeito e as pessoas eram educadas. Não como hoje, que cada um vive a sua vida, ignorando quem está ao lado. Passando por cima com brutalidade, maltratando, odiando, agredindo.

Felizes foram os jovens de minha geração; eram cultos, respeitosos e educados.

Professor Pedro A. C. Teixeira
Imagens: P.A.C.Teixeira, Ebay

sábado, 6 de dezembro de 2014

Vinholes fala em programa canadense

Vinholes trabalhou no Canadá doze anos e ainda é um ativo articulador cultural.
A Rádio CKCU FM 93.1, emissora ligada à Universidade Carleton, de Ottawa (Ontário, Canadá), começou a apresentar, esta quinta (4-12), uma série de 3 programas sobre a vida e obra do pelotense Luiz Carlos Lessa Vinholes. O trabalho pioneiro e criativo do diplomata, músico e escritor brasileiro é reconhecido no mundo todo como uma contribuição cultural ao entendimento entre as nações.

Conduzido pelo professor aposentado e pesquisador cultural Lloyd Stanford, o programa chama-se Third World Players (Jogadores do Terceiro Mundo) e, à base de uma entrevista entre Stanford e Vinholes, realizada em outubro passado no Canadá, constituiu esta série, a qual toma o título “Sobre música, poesia e diplomacia: L. C. Vinholes”. O primeiro capítulo (33 min) pode ser ouvido nesta página da rádio (ícone "Listen now").

A CKCU se mantém com doações.
Não transmite anúncios comerciais.
Os próximos capítulos poderão ser acompanhados ao vivo (ícone LISTEN LIVE), nos dias 11 e 18 de dezembro, sempre às 21h (hora de Brasília), ou na lista de programas, quando o áudio estiver disponível (v. o do dia 11 e o do dia 18).

A entrevista está em inglês e, além do diálogo, reproduz gravações das peças musicais de Vinholes Tempo-Espaço VIII (1974) e Tempo-Espaço IX (1975), para conjunto de câmara, gravadas pela Orquestra Sinfônica Nacional do Rio de Janeiro sob a regência do maestro Leandro Gazineo.

A informação acima foi enviada hoje por email a este blogue, pelo próprio Vinholes, que em novembro passado esteve em Pelotas, como patrono da 42ª Feira do Livro (v. artigo sobre ele neste blogue). Atuante na área cultural desde a década de 1950, o diplomata trabalhou no Japão, Paraguai, Canadá, Itália e Brasil, além de visitar outros países.

Em seu sítio virtual, a rádio CKCU se apresenta como a primeira rádio canadense com base num campus universitário. Desde novembro de 1975, a emissora oferece uma programação cultural, não comercial, à comunidade universitária, assim como aos ouvintes de todo o seu alcance, num raio de 100 km (atualmente incluindo o planeta inteiro, pela internet). Transmite sem interrupção, todos os dias do ano (v. mais informação na Wikipedia em inglês).

A rádio da Universidade Carleton transmite do 5º andar do prédio central.
Imagens: D.M. (1), CKCU (2), Examtime (3)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Formatura do pianista Nilton Vargas


Nilton Rodrigues gradua-se como Intérprete em Piano pela UFPel na próxima quarta (10-12), com recital solo no auditório 2 do Centro de Artes (Álvaro Chaves 65).

O programa que Nilton divulgou no Facebook (detalhes aqui) traz compositores de diversas épocas, como é de praxe na formação universitária.

No entanto, a ênfase pessoal do formando é posta aqui em autores brasileiros contemporâneos, dando destaque especial para a estreia absoluta da obra Doppelgänger, de Augusto Lima (nascido em 1991). O selo artístico do pianista tem traços românticos, inovadores e ligado às raízes.

Confira as obras que ele tocará (em Pelotas dia 10 e em Bagé dia 17):

* Balada opus 10 nº 1, de Johannes Brahms.
* Doppelgänger, de Augusto Lima.
* Sonata opus 31 nº 1, de Ludwig van Beethoven.
* Suite pour le piano, de Claude Debussy.
* Dança de negros opus 2 nº 1, de Fructuoso Vianna.
* Estudo nº 1, de Cláudio Santoro.
* Dindi, de Antônio Carlos Jobim.
* Vestido longo, de Arismar do Espírito Santo.

Nilton também é arranjador e canta ao violão; suas preferências musicais são de pop em português e inglês. Acompanhe abaixo uma gravação recente de Nilton cantando "You've got a friend", música que ganhou dois prêmios Grammy em 1971, um com a autora Carole King e outro com James Taylor.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"Dançar", domingo 7 de dezembro


Companhia da Dança apresenta espetáculo anual, com diversos estilos: Dança do Ventre, Jazz, Street Dance e Dança de Salão. Ingressos na escola (R$ 20).

sábado, 29 de novembro de 2014

Pergunte pelos sonhos (poema)


Onde perdi meus sonhos de menino?

John Fante perguntou ao pó
Eu pergunto às estrelas
Aos mares
Aos córregos
Às árvores
– Onde perdi meus sonhos?
Meus sonhos de menino...
Incrédulo diante do invisível?

Onde perdi a luz primeira?
Chama que acendeu minha alma
Onde perdi as asas?
Onde perdi as guelras?
Onde enterrei a vontade...
O impulso de chegar à aurora do mundo?
     Em que nuvem jaz o segredo desvendado
     Que deveria ter pingado na terra
     E regado a magia da existência?

John Fante perguntou ao pó
Eu pergunto às estradas
Às pedras
Às ervas daninhas
Às pegadas
– Onde perdi meus sonhos?
Meus sonhos de menino...
Pasmo diante do universo?

Preciso perguntar ao
Novo homem que nasceu em mim...
Manoel Soares Magalhães
Foto: Nauro Jr.
Texto: Facebook
Leia sobre  "Pergunte ao Pó".

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A música e a cidade

Colunista de ZH Juarez Fonseca assina o artigo "Pelotas Jazz Festival, uma surpresa!", elogiando músicos, organizadores e especialmente o público pelotense, que com sua vocação e sensibilidade apoia as melhores iniciativas culturais.

Palco geodésico centralizou o festival na rua e unificou os músicos com o público.
Voltei de Pelotas ontem (23-11) impressionado com o impacto do Pelotas Jazz Festival, já em terceira edição. Impressionado com tudo: os shows, a organização, os locais e - talvez principalmente - o comportamento do público. Quê público! Tem tudo para se tornar um dos principais festivais de jazz do Brasil, para não dizer do Cone Sul. [...]

Último dia do Festival

O show de Naná Vasconcellos num Theatro Guarany lotado foi emocionante, histórico. Ele transformou o público em um instrumento, entre seus berimbau, tambores e chocalhos, recebeu aplausos de pé no meio da apresentação, deixou pessoas com um nó na garganta e saiu chorando do palco, profundamente tocado pela sinergia. Que grande brasileiro! Que grande músico! Que grande homem! Ele remeteu com delicadeza à triste memória dos negros das charqueadas, que ocupavam suas horas livres com música e inventaram instrumentos de percussão como o sopapo, que só existe no RS (v. crítica de Cristiano Castilho para a Gazeta do Povo, de Londrina: Naná faz show sobrenatural].

No palco externo, o multi-instrumentista Arismar do Espírito Santo, ao lado da flautista Léa Freire e do bandolinista Fábio Peron, um trio de altas esferas, mandou seu recado mesmo fazendo uma música menos afeita aos grandes espaços ao ar livre, cheia de improvisos e requintes [v. comentário de Roger Lerina: Pelotas é a cidade do jazz].

Mas o público pelotense aprovou e teve toda a paciência, à espera do mais famoso grupo de Hermeto Pascoal, que viria a seguir. Confesso que eu estava meio preocupado com o Bruxo, escaldado pelo show ruim feito por ele em outubro no POA Jazz Festival. Mas ele (a meus olhos) se redimiu, fazendo em hora e meia um show sem sobressaltos, na medida para satisfazer o enorme público e fechar o festival em alto astral [abaixo, cenas da oficina com Hermeto; aqui imagens da oficina com Naná].

Naná Vasconcelos sozinho encheu de música o Teatro Guarani.
A cidade é protagonista

Parece que a encantadora Pelotas de uma longa história humana e arquitetônica se recupera de também longos períodos de descaso político. A memória do passado, preservada com cada vez mais cuidado em prédios belíssimos, muitos deles abertos à população, parece estar enfatizando nos últimos tempos (uns 20 anos para cá, por aí) um orgulho de ser pelotense. Trazendo a ideia de que a insubstituível arquitetura dos anos de fausto econômico nos hotéis, nos prédios públicos, nos bancos, nas mansões, não deve dar lugar a caixas de concreto sem alma e sem arte como os edifícios modernos - que já roubaram boa parte dessa história.

Palco geodésico e a Rua do Jazz vistos de cima
Pelotas é uma cidade única no RGS. Sua vocação era ser a capital do estado. E, como o Rio de Janeiro em relação a Brasília, tem várias evidências disso. Um de seus filhos mais ilustres, Vitor Ramil, tem se ocupado em demonstrar isso em seu trabalho musical e literário; em sua filosofia, posso dizer.

Em meio ao passado, a modernidade de Satolep encanta os visitantes, como se percebe ao conversar com os artistas do festival. Como se percebe ao ver o cuidado com que a TIM, patrocinador master do festival, o está considerando, ao trazer jornalistas de outros estados para assisti-lo, por exemplo.

Graças aos idealizadores do festival e à sua realizadora, Gaia Cultura e Arte, eu e todos os visitantes, sem falar dos pelotenses que durante três dias lotaram o fantástico Theatro Guarany e as ruas do centro da cidade, pudemos comprovar o bom uso da Lei de Incentivo à Cultura do Estado e como ela é importante para levar adiante projetos que ajudam uma cidade da importância de Pelotas a crescer artística, turística e economicamente.

Sem citar nomes, dou os parabéns a todos os responsáveis por fazer do Pelotas Jazz Festival um verdadeiro evento. E aos felizardos pelotenses, por entenderem e apoiarem a ideia com sua participação. Em 2015 quero voltar.
Juarez Fonseca
Colunista de Zero Hora



Fotos: F. Campal (1-2), L. P. Carapeto (3)
Texto: Facebook

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Joaquim Luís Duval


O Tempo

Cai o tempo
pela tarde mansa
e lento escorre
por entre as velhas mãos.

Cai assim:
como chuva em antigos sítios,
e se dispõe
por entre heras
e cabeças anciãs.

Pára, por instantes,
hesitante...

Mas, sempre incapaz de se deter,
anima-se
e retoma, súbito,
sua marcha sem fim
em busca do esquecimento.


Joaquim Luís Duval é poeta pelotense, nascido em 1945, autor de "Minha gente" (1976), "Tempo provisório" (1979), "A palavra no espelho", com fotografias de Anabela Barbosa (1980), "Exercício de multidão", com poemas de 1980-82 (2002) e "Diálogos do silêncio" (2005). 

Sem lançar livros durante duas décadas, o poeta seguia produzindo e às vezes publicava no Diário Popular. Seu pai, Joaquim Duval, havia sido prefeito de Pelotas (1948-51), deputado estadual (1947-48) e federal (1956-64).

Em 1986, Joaquim Luís escreveu e produziu para a Rádio Cosmos, da UFPel, a série de programas "O artesanato doceiro em Pelotas", que reuniu pesquisas sociológicas e entrevistas com doceiras locais ("Xarque com assucar/Pelotas com Nordeste: contraponto de extremos no paladar cultural brasileiro", de Leonil Martinez, UFSC, 2000, p. 12, disponível na internet). 

Para o quinto livro de Duval ("Diálogos do silêncio"), o seu editor, Mário Osório Magalhães (1955-2012), assinou o prefácio, o qual publicou com leves modificações no Diário Popular (13-11-2005), e reeditamos a seguir.



Joaquim Luís Duval publicou três livros de poemas no espaço de cinco anos: entre 1976 e 1980. Depois houve um longo intervalo e o seu nome só voltou a ocupar as prateleiras das livrarias, com obra nova, em 2002. Mas sei, porque acompanhei a sua trajetória, que há mais de 20 anos ele já havia aprontado o seu livro mais recente. Não só aprontado, no que diz respeito à feitura dos poemas: desde o início da década de 1980, "Exercício de Multidão" estava diagramado, composto e ilustrado, com as belas imagens elaboradas pelo irmão, o artista plástico Fernando Duval.

Por que escrevo isso? Em parte, por cacoete de ofício: para estabelecer, na condição de historiador, uma ordem cronológica na produção do poeta; em parte, para dizer que, quando foi impresso e posto em circulação o seu último livro, os pelotenses e eu estávamos habituados com outros poemas de sua autoria, além daqueles que figuravam, na sua rica bibliografia, até o dia de ontem.

5º livro de J. L. Duval (2005)
Que poemas eram esses? Os que foram editados sob o título de "Diálogos do Silêncio". São 78 poesias, muitas das quais Joaquim Duval divulgou, durante as últimas duas décadas, na página literária do Diário Popular.

Lembro que há três anos, quando saiu "Exercício de Multidão", anunciei a Nara, sua mulher, que escreveria um texto, se não sobre a obra, sobre o amigo Joaquim Luís, no Diário. O artigo não saiu: teria que falar, necessariamente, sobre a obra. Embora diga e repita que Joaquim Duval é para mim o maior poeta pelotense da atualidade (e não um dos maiores, veja bem o leitor), não tive fôlego para me aventurar nesta outra espécie de exercício, talvez tão temerário quanto o de multidão: o exercício da crítica.

Mas é preciso que diga, ainda que com humildade e com escassas palavras: considero este versejador um poeta maior porque a sua produção, cheia de ritmo, ocupa-se de coisas concretas, como árvores, ventos, chuvas, remédios, viagens, bagagens. Não trata de puras abstrações do espírito e da alma (que, para mim, só cabem em livros de filosofia ou de autoajuda, estes infelizmente tão em voga hoje em dia).

"Diálogos do Silêncio" fala de sentimentos, mas quase sempre tomando objetos como pontos de referência. Indaga verdades de coisas palpáveis, que não se comunicam, que não falam com a quase generalidade das pessoas, mas com as quais o poeta, inteligentemente, silenciosamente dialoga.

Mario Osorio Magalhães
Pelotas, outubro de 2005

J. L. Duval (foto de L. Bunselmeyer)
Confira outros poemas de J. L. Duval:
  • "Cassino", citado por Mario O. Magalhães no Diário Popular (2005),
  • "Ser jovem", poema citado por L. R. Lourenço (2008),
  • "Primeiro exercício de multidão", citado por Asdruba (2010),
  • "Mensagem", citado no blogue In Loco, de Janaína Chiaradia (2012),
  • "Poema de amor a uma cidade que é minha", transcrito em postagem neste blogue (2014).
Imagens: Mr. Wallpaper, blogue In LocoTraça,

domingo, 23 de novembro de 2014

Pelotas Doce Natal 2014

Em 2013, a Fonte das Nereidas se transfigurou com as cores e os sons das Águas Dançantes.
Há um ano, o projeto Pelotas Doce Natal trouxe ao centro da Princesa do Sul uma nova e impressionante decoração do ambiente urbano, iluminando a Praça Coronel Pedro Osório e prédios de sua volta. Namorados, famílias, jovens, noivos recém saídos da igreja, turistas, o povo e a cidade ocuparam a praça e o calçadão, impregnando-se com sensações de magia e romantismo.

A descrição parece exagerada, mas para quem presenciou toda palavra parece insuficiente. Diário da Manhã publicou em 2013 a reportagem O encanto da população pela praça.

O lançamento do 2º Doce Natal será no próximo sábado (29-11) às 21h, com Águas Dançantes, luzes e música, em torno à Fonte das Nereidas. O megaevento é possível graças a uma parceria entre a Prefeitura de Pelotas e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL)

O primeiro grande show será no final do dia seguinte (domingo 30-11), na praça: o espetáculo musical Doce Natal, da Sociedade Música pela Música. A série de eventos continuará por 30 dias, até o último domingo de 2014 (28-12).

Na quinta 4 de dezembro, é a vez do Concerto de Natal do Conservatório de Música, na Biblioteca Pública, às 19h30. Esta casa da UFPel propõe um novo projeto de extensão: apresentar músicas natalinas, de autores eruditos e populares, no propício clima de paz e esperança que se vive em dezembro.

Na mesma noite (4-12) às 21h, estreia no Largo do Mercado o espetáculo de teatro e dança Doce Natal, encenando uma história natalina de forma divertida e fantasiosa, com uma linguagem metafórica e atual. O espetáculo será reapresentado no sábado 6, quinta 11, sábado 13, sábado 20, domingo 21 e segunda 22 de dezembro, em mesmo horário e lugar.

Sexta 5 de dezembro, haverá dois espetáculos simultâneos às 21h:
Há dias, foi montada no Largo Edmar Fetter
uma árvore mais alta que as torres do Mercado. 
  • Kleiton e Kledir trazem ao Teatro Guarani suas canções em versão acústica (ingressos antecipados),
  • por outro lado, o Papai Noel inicia sua chegada com um passeio desde o Asilo de Mendigos até o Mercado Público, onde o prefeito Eduardo Leite lhe entregará as chaves da cidade.
    Cada anoitecer, do sábado 6 ao domingo 21 de dezembro, o Bom Velhinho e sua comitiva receberão crianças e adultos, ante uma árvore iluminada de 15 metros, no largo do Mercado (dir.).
Domingo 7 de dezembro, a Companhia da Dança apresenta seu show anual de professores e alunos, no Teatro Guarani, às 21h (ingressos na escola, rua Quinze 755). No mesmo dia e hora, na Catedral católica, outro espetáculo da Sociedade Música pela Música, fazendo parte do ciclo de música sinfônica SESI Catedrais. Por serem em recintos fechados, este dois eventos podem não estar inseridos no programa do "Pelotas Doce Natal", mas estão no mesmo espírito de animar a doçura natalina.

O lago da praça foi um espelho para um presépio iluminado, com o fundo de edifícios (foto de 2013).
Fotos: Divulgação CDL, Prefeitura (3)

sábado, 22 de novembro de 2014

Show da Paz (2003): Gilberto Gil na ONU

Em 19 de setembro de 2003, o então Ministro da Cultura do Brasil, Gilberto Gil, mundialmente famoso como cantor e compositor popular, apresentou-se no Salão da Assembleia Geral da ONU, em show de homenagem à memória de 22 funcionários mortos 30 dias antes (em 19 de agosto em ataque à unidade da ONU em Bagdá, Iraque) e para assinalar o Dia Internacional da Paz (21 de setembro). Um dos mortos fora o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello (1948-2003). 

Esta foi a resposta pacifista do Brasil ao terrorismo. Que os músicos ajudem a humanidade a dialogar, neste 22 de novembro, Dia da Música.

Assista à música final, "Toda menina baiana", em que o Secretário-Geral da ONU Kofi Annan acompanha Gilberto Gil (vídeo abaixo, 5 min), leia o artigo que nosso cronista Rubens Amador publicou na época, e veja o show completo no vídeo seguinte (58 min).




Samba na ONU

O brasileiro Gilberto Gil, nosso ministro da Cultura, de repente transformou o plenário da austera ONU (Organização das Nações Unidas) em uma roda de samba de alto gabarito. Fiquei de queixo caído vendo o senhor Khoffi Annan, presidente da casa, agarrado a um atabaque, marcando o ritmo com maestria. Aliás, em matéria de ritmo corporal, outro notável é o bispo Desmond Tutu, da África do Sul, quando de suas aparições públicas.

Então lembramos o belo exemplo da música americana que foi enriquecida pelo gospel, gênero de canção nostálgica, que só os negros americanos sabem cantar com emoção - os blues - durante seus cultos religiosos no Harlem. Dali saíram grandes nomes como Ella Fitzgerald, Ray Charles, Stevie Wonder, Paul Robson, Billie Holliday e muitos outros que ainda hoje encantam com seu modo peculiar de interpretar. Gil, herdeiro direto desse sangue africano, também acabou chegando a todos nós em porções de farmácia, mas chegou, dando-nos a melancolia, a alegria, a tristeza, o estoicismo e uma certa nostalgia.

A música é linguagem transcultural.
A violência é um ato psicótico.
Ainda estou admirado com a inusitada cena apresentada no egrégio recinto das Nações Unidas: de repente; como num filme musical norte-americano, o Gil ministro inova, naquele templo mundial dos destinos do mundo, criando um espetáculo pop. O Brasil, naquele momento assumia a sua identidade e deixava abestalhados aos demais representantes, árabes, anglo-saxões, orientais, sérvios, judaicos, eslavos entre outros.

Embora a diversidade de sangue, eles não deixaram de acompanhar os compassos incrementados da música brasileira naquele palco maior, marcando o ritmo com o pé ou com os dedos, a tamborilar discretamente, mas de forma insopitável. Quem sabe não estaríamos, naquele momento, ensinando o caminho da roça a todos os povos do mundo.

Com um pouco de balanço é possível descontrair, desestressar e até baixar um pouco a tensão gerada pelos problemas internacionais. A magia daqueles sons cheios de ginga mostrou que todas as etnias podem balançar juntas, solidárias, em uma dança única, aproximando-as com descontração de forma saudável e alegre.

Por que não darem as mãos e erguerem os pés à moda eslava, sob a regência de Terpsícore? Já hoje parece não pairar dúvidas que nossos recuados ancestrais negros, segundo estudos antropológicos, têm origem no mais antigo continente: a África Negra, dona desse balanço que predomina, sobretudo, nas Américas do Sul e do Norte.

Oxalá se consiga contaminar também, com nosso ritmo, o sisudo "coro" do FMI, para se poder aspirar coisas positivas para um futuro próximo em favor do Brasil e outras nações.

Rubens Amador


Programa Filhos de Gandhi (G. Gil), Aquarela do Brasil (Ary Barroso), Não chore mais (No woman no cry) (G. Gil, Vincent Ford), Touche pas à mon pote (G. Gil), Imagine (J. Lennon), La lune de gorée (G. Gil, Capinan), Maracatu atômico (Nelson Jacobina, Jorge Mautner), Asa Branca (Humberto Teixeira, Luiz Gonzaga), Soy loco por ti América (G. Gil, Capinan), Toda menina baiana (G. Gil).

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"Castanha": filme, pessoa e personagem



O longa-metragem gaúcho “Castanha”, dirigido por Davi Pretto, entra em cartaz no cinema do Shopping Pelotas esta quarta (19-11), com sessões diárias às 14h05 e 19h20. Trata-se de pré-estreia nacional, exclusivamente em nossa cidade, considerando-se que a estreia no circuito seria na quinta-feira.

Atração do Projeto Belas Artes da rede Cineflix a partir desta semana, o filme já foi exibido em 28 festivais, e premiado em 4 deles: Paulínia (Melhor Som), Rio (Melhor Filme), Buenos Aires (Menção Especial) e Las Palmas (Melhor Ator). Sua estreia mundial foi em fevereiro passado no Festival Internacional de Cinema de Berlim, chegando agora ao circuito comercial, no Brasil e em outros países (v. ficha no Facebook, fotografias da 64ª Berlinale e lista de exibições no IMDB).

João Castanha faz a si mesmo.
Nascido em 1988, Pretto é porto-alegrense, graduado em Cinema pela PUC-RS em 2008. É considerado um diretor estreante, por ser este seu primeiro longa (95 min) e seu primeiro trabalho no circuito nacional e internacional (v. filmografia no IMDB).

Em tom de documentário, “Castanha” acompanha os transtornos de João Carlos Castanha, ator de 52 anos que vive com a mãe septuagenária e trabalha de noite como transformista em baladas gays. A história, que é real, aborda temas como a loucura, o teatro, o transformismo, a homossexualidade, a relação mãe-filho, a morte, a dependência química, a marginalidade.

O filme mistura ficção e realidade para narrar o cotidiano do personagem-título, que também é uma pessoal real, o ator João Carlos Castanha, que mora na periferia de Porto Alegre. Conforme o relato, ele vive de modo confuso, misturando a sua realidade com os papéis fictícios que interpreta.

Castanha, o filme, enreda o espectador na vida do ator-personagem, podendo ser visto como ficção ou documento de realidade. Segundo o diretor, algumas cenas são documentais, outras são criações (v. entrevista com Pretto e Castanha no programa do Roger Lerina, 13 min). Celina Castanha é a mãe de João, na realidade e no filme.

Como se fosse pouco, o ator também participa como roteirista, junto a Davi Pretto (leia crítica de Pablo Gonçalo na Revista Cinética e 8 resenhas no sítio argentino Todas las Críticas). Em agosto passado, Ivette Brandalise falou com o ator durante uma hora em seu programa Primeira Pessoa, da TVE gaúcha (parte 1 no vídeo abaixo, parte 2 aqui).


Foto: Cau Guebo

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Programação maratônica do 3º Festival de Jazz


"Gonzagueando", com o grupo Cama de Gato: Jota Moraes (teclados), Mauro Senise (sax e flauta),  Pascoal Meirelles (bateria), André Neiva (baixo) e Mingo Araújo (percussão)‬. 

Quinta-feira (20-11)

9h – WORKSHOP (percussão) com Naná Vasconcelos  – Biblioteca Pública Pelotense.
10h – WORKSHOP (composição em grupo) com o grupo instrumental brasileiro Cama de Gato  – Museu do Doce (Praça Coronel Pedro Osório nº 8).
10h – Concentração de tambores – Largo do Mercado.
10:30  Cortejo de abertura: Tambores com Naná.

18h – Richard Galliano – Rua do Jazz.

"Lili", com Richard Galliano (acordeão), Tamir Hendelman (piano), Anthony Wilson (guitarra),
Carlitos Del Puerto (baixo) e Mauricio Zottarelli (bateria), em Beverly Hills, abril de 2013.

20h – Cama de Gato – Rua do Jazz.

22h – João Bosco Quarteto – Teatro Guarani. TVE RS transmite este show ao vivo.
Entrada com senhas de acesso, ou mediante fila formada na porta do teatro. Veja show completo de João Bosco Obrigado, Gente! (1h52), no Auditório Ibirapuera, com participações de Djavan, Hamilton de Holanda, Yamandú Costa e Guinga.

Sexta-feira (21-11)

9h – WORKSHOP com Egberto Gismonti (conversa com jovens músicos) – Centro de Artes da UFPel (Álvaro Chaves 65).
10h – WORKSHOP com Hermeto Pascoal – Mercosul Multicultural (antiga Brahma)
15h – WORKSHOP (percussão) com Naná Vasconcelos e Anjos e Querubins – Teatro Guarani.

14h – André Togni e Quarteto – Rua do Jazz.

16h – Organic Groove – Rua do Jazz.


18h – Clube do Jazz (músicos de Pelotas) – Rua do Jazz.

20h – Trio Corrente – Rua do Jazz. Desde 2003, Fábio Torres, Paulo Paulelli e Edu Ribeiro vêm criando um som próprio para os clássicos do choro e da MPB, além de um crescente repertório autoral.

22h – Egberto Gismonti – Teatro Guarani. TVE RS transmite este show ao vivo.
Entrada com senhas de acesso, ou mediante fila formada na porta do teatro.

Sábado (22)

11h – WORKSHOP com Arismar do Espírito Santo – Rua do Jazz.

14h – Aluísio Rockembach e Lyber Bermúdez (músicos locais) – Rua do Jazz

16h – Claudio Sander Sexteto – Rua do Jazz.
O saxofonista Claudio Sander se apresenta com Luiz Mauro Filho (piano), Lucas Esvael (baixo), Ronie Martinez (bateria) e Giovani Berti (percussão)‬, com repertório de seus três CDs autorais, Jazz do Balacobaco (2001), Gato & Sapato (2005) e Samba Influenciado (2010).

18h – Naná Vasconcelos – Teatro Guarani.
Entrada com senhas de acesso, ou mediante fila formada na porta do teatro.

20h – Arismar do Espírito Santo – Rua do Jazz.

22h – Hermeto Pascoal e Grupo – Rua do Jazz.
TVE RS transmite este show ao vivo.


Documentário do programa Som do Vinil (Canal Brasil, 2012) sobre Hermeto Pascoal