segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Os novos vereadores de Pelotas

PSOL exigiu renovação mas não elegeu vereador 
Para o período 2013-2016, a formação da Câmara Municipal sofreu uma importante mudança. Uma renovação já era esperada, devido ao aumento de cadeiras (de 15 para 21) e à retirada de meia dúzia de vereadores que não buscaram a reeleição.

Com as votações de ontem (7-10), confirmou-se a tendência oxigenante, com mais 3 vereadores que não obtiveram reeleição, e 2 ex-vereadores que não conseguiram os votos necessários para retornar à Câmara (v. quadro abaixo).

Assim, 12 dos 21 eleitos (57%) nunca antes foram vereadores, proporção bem mais alta da que se esperava até ontem. Se a tendência geral da última década - de reeleger a maioria - se repetisse agora, os novos seriam somente 8 (38%).

Oito vereadores novos ainda seria uma boa evolução, pois no mandato anterior não houve renovação alguma. Mas treze é ainda melhor. Parece que a mensagem repetida pelo PSOL - fácil de entender - foi ouvida no que se refere ao Legislativo local.

Continuísmo vs. mudança

Pelotenses já não querem
humoristas na Câmara
Por um lado, as 10 primeiras votações revelam que uma boa parte dos eleitores não esquece as velhas figuras e os velhos costumes políticos (Anselmo "Governaço" insiste no apelido antiquado e inadequado, que mais nada tem a ver com a realidade).

Por outro, a não aceitação dos candidatos mais despreparados para a vida política (como atores, humoristas, radialistas, pastores, comerciantes, lutadores) dá um ar de esperança sobre a consciência dos pelotenses sobre a qualidade de seus legisladores. Na vida pública democrática, todos podem concorrer, mas só os melhores são escolhidos.

A preferência continuísta do eleitorado também se nota no fato de que somente 7 dos vereadores agora eleitos (33%) pertencem a coligações oposicionistas ao atual Executivo (4 PT, 2 PSB, 1 PMDB). Entre comunistas e pessolistas, somente um teve mais de mil votos. Os 14 "situacionistas" são: 3 PDT, 2 PPS, 2 PSDB, 2 PTB, 2 PP, 2 DEM, 1 PRB).

Se os pelotenses forem coerentes com essa tendência conservadora, escolherão como prefeito (no 2º turno) o candidato de continuação (Eduardo Leite, PSDB). Os esquerdistas mais puros optarão por Fernando Marroni (PT), mas a heterogênea coligação de Leite também inclui partidos que nada têm a ver com a direita tradicional (como PDT e PPS).

Outro indício de velhos costumes que não evoluem: seis mulheres estão entre os 39 nomes mais votados (quadro abaixo), mas nenhuma obteve a ocupação de uma vaga na Câmara.

Fenômeno estranho, totalmente devido ao regulamento eleitoral, foi o número de votações altas que não permitiram a eleição de diversos candidatos. A tendência a ficar de fora, mesmo com muitos votos, é difícil de explicar à população, pela falta de lógica dos números. Os dados seguintes (em negrito os eleitos; os outros ficam como suplentes) foram tomados do portal da Rede Globo.


Anselmo “Governaço
PDT
5.801
José Sizenando (vereador reeleito)
PPS
5.305
Waldomiro Lima (vereador reeleito)
PRB
3.819
Ivan Duarte (vereador reeleito)
PT
3.776
Marcus Cunha 
PDT
3.470
Ademar Ornel (vereador reeleito)
DEM
3.333
Luís Henrique Viana 
PSDB
3.267
Marcola 
PT
3.102
Idemar Barz (vereador reeleito)
PTB
2.979
Roger Ney (vereador reeleito)
PP
2.979
Ricardo Santos 
PDT
2.737
Rafael Amaral 
PP
2.545
Tenente Bruno 
PT
2.436
Beto da Z-3 (vereador reeleito)
PT
2.303
Dionízio 
não eleito
2.293
Professor Adinho (vereador reeleito)
PPS
2.255
Vicente Amaral 
PSDB
2.230
Mansur Macluf (vereador 1969-2008) 
não reeleito
2.219
Dila Bandeira
não eleito
2.215
Zilda Bürkle
não eleita
2.210
Salvador Ribeiro 
PMDB
2.210
Anderson Garcia 
PTB
2.160
Vitor Paladini 
PSB
2.116
"Fran" Souza
não eleita
2.094
Pedrinho   (atual vereador)
não reeleito
2.065
Conceição Mohnsam
não eleito
1.823
"Miltinho" Martins (atual vereador)
não reeleito
1.813
Sidnei Fagundes
não eleito
1.731
Cecília Hypolito (vereadora 1989-1993)
não reeleita
1.714
Diaroni Santos (atual vereador)
não reeleito
1.573
Marcão
não eleito
1.447
Luciane Almeida
não eleita
1.446
Gaúcho (vereador 1997-2000)
DEM
1.423
Reinaldo Magalhães
não eleito
1.385
Professor Antônio Andreazza
não eleito
1.303
Daniel Volcan
não eleito
1.271
Daiane Dias
não eleita
1.252
Eneias Clarindo
não eleito
1.198
Antônio Peres 
 PSB
 1.177

domingo, 7 de outubro de 2012

Candidato consciente, partido inconsciente

Candidato a reeleição, o vereador proclive à limpeza revelou a causa do lixo na rua: os milhares de panfletos sobrantes precisam cumprir sua missão de lembrar o nome dos candidatos, especialmente no dia das eleições, quando a publicidade está proibida por lei. Mesmo que meia dúzia de eleitores pegue um papel do chão a modo de "cola", serão valiosos votos ganhos. É o desespero do partido por captar os últimos indecisos.

O mesmo fator explica o excesso de candidatos (em Pelotas, 1 de cada 1000 habitantes): quanto mais nomes tiver a legenda, mais votos terá essa coligação, mesmo que tenha um único candidato bom (adequado para a função). O resto são números de apoio, gordura dando peso ao esqueleto, vozes que aumentam o volume de som de um coral (daí o termo pejorativo "corinho").

Faltando 3 dias para a eleição, o partido me deixou 50 mil cédulas para distribuir.  
Como não contratei cabos eleitorais, distribui pouco mais da metade. 
O que sobrou, me sugeriram que eu jogasse na rua, perto das urnas. 
Preferi doar, amanhã, aos papeleiros...
Foto: Facebook

sábado, 6 de outubro de 2012

Padre Affonso Bandeira

O pelotense Affonso Mazzara Bandeira faleceu ontem (5), aos 86 anos, em sua residência. Era o mais antigo dos sacerdotes formados no Seminário São Francisco de Paula (fundado em 1939, segundo nota da Diaconia Norte). O amigo pesquisador Jonas Klug escreveu hoje a seguinte nota em seu espaço do Facebook, incluindo link para o trecho de Ofertório do Requiem de Verdi (abaixo).

No Santuário de N. S. de Guadalupe,
Distrito da Cascata
Padre Bandeira era mais que um bom cristão, ou um bom sacerdote. Era um dos seres humanos mais íntegros que eu jamais conheci, para quem a verdade, a justiça e, sobretudo, a caridade estavam totalmente acima de quaisquer convenções ou legalidades. Um sacerdote que, por amor à sua fé e à sua vocação, lutou contra inúmeros desvios dentro da própria Igreja, passando, por isso, por duras provas, que enfrentou com bravura, perdoando seus ofensores.

Dono de uma inteligência privilegiada, direcionou-a em primeiro lugar para o estudo dos temas da religião, sendo reconhecido pela profundidade e erudição em qualquer ocasião em que devesse atuar como pregador ou orientador de consciências. Tive o imenso privilégio de desfrutar desse tesouro intelectual e espiritual em vários anos de convívio, além de seus conhecimentos musicais.

Era neto do patriarca da mais tradicional família de músicos de Pelotas, o maestro e compositor João Pinto Bandeira, e filho do também maestro José Duprat Pinto Bandeira, regente da antiga Orquestra Sinfônica Pelotense e maestro-de-capela do grupo orquestral que atuou na Catedral S. Francisco de Paula até meados dos anos 1950, juntamente com seu irmão Domingos, organista. No antigo Seminário Central N. Sra. da Conceição, em São Leopoldo, o Pe. Bandeira, como estudante, atuou como regente da banda e da orquestra.

Pe. Bandeira no dia de seus 85 anos (14-1-11)
Nas últimas duas visitas que lhe fiz, cerca de dois meses atrás, manifestei-lhe minha intenção de recolher suas memórias musicais, ao que ele acedeu, com a humildade de sempre, fazendo pouco de seus dotes. Conversamos por várias horas, e ele mostrou-me fotografias suas com as duas agrupações musicais do seminário, alguns documentos e uma bela foto de seus pais em Rosario, Argentina, aonde seu pai havia ido como violinista de uma companhia lírica italiana e conheceu D. Raquel, sua mãe, filha de imigrantes italianos. Atrapalhado com vários contratempos, não consegui mais voltar lá.

Fica na minha memória um acervo de informações sobre a história da igreja e da música em Pelotas que, certamente, ele não dividiu com mais ninguém da minha geração, registrado com o som de sua voz grave e pausada, seu linguajar impecável e sua expressão fisionômica de franqueza e amizade.

Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace. Amen.
Jonas Klug

Fotos: J. Klug (1) e F. A. Vidal (2)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Sonhos, o filme de Kurosawa


Esta sexta (5) o Ciclo "A Filosofia e o Cinema Psicológico" exibe o filme "Sonhos" (Japão-EUA, 1990), de Akira Kurosawa (1910-1998), um dos diretores mais destacados na história do cinema. Nesta espécie de testamento artístico feito aos 80 anos de idade, ele repete suas preferências, coloca seus questionamentos de sempre e confirma sua admiração pela arte ocidental.

À base de sonhos e pesadelos que teve ao longo de sua vida, Kurosawa apresenta oito curtas que tratam temas diversos da infância, da idade adulta e do fim da existência. Em torno a angústias de morte e soluções fantasiosas, giram conceitos freudianos, junguianos e orientais.

Os trechos têm os seguintes títulos: Sol em meio à chuva, O pomar dos pessegueiros, A nevasca, O túnel, Corvos (abaixo), Monte Fuji em vermelho, O demônio chorão e O povoado dos moinhos. O vídeo (acima) mostra o capítulo "Corvos", uma expressa homenagem à cultura europeia da Belle Epoque, cujo centro era Paris (Van Gogh como personagem e Chopin no fundo musical).

Kurosawa reconstituiu quadro de Van Gogh, inserindo-se como personagem
O cinema norte-americano é praticamente uma personagem dentro deste segmento, com a aparição de Martin Scorsese falando inglês, uma citação visual ao special effect dos Pássaros de Hitchcock (Birds, 1963) e o emprego da moderna técnica gráfica da indústria de George Lucas, sem a qual este "sonho" não teria sido possível.

Campo de Trigo com Corvos, de Van Gogh (1890)
Imagens da web

Satolep no ângulo

Daniel Giannechini preparou a mostra SATOLEP NO ÂNGULO, com inspiração no patrimônio histórico de Pelotas que completou seu bicentenário este ano. A inauguração foi ontem (3), no Espaço Chico Madrid, da Sociedade Científica Sigmund Freud, sob a curadoria de arte de Eduardo Dévens.

Como fotógrafo profissional, Daniel quis diversificar e enriquecer os ângulos a partir dos quais Pelotas tem sido fotografada, com a intenção de mostrar que a beleza existente não está sendo aproveitada, seja do ponto de vista artístico ou da visão limitada e até estereotipada que os pelotenses têm de sua própria cidade.

A catedral anglicana virou uma igreja verde (acima), o Mercado ficou todo dourado, os casarões se associam à natureza, os chafarizes parecem humanizados, nada é realmente como as tradições ensinam e tudo pode ser visto por novos ângulos e colorações. Outras imagens de Daniel podem ser vistas em sua coluna exclusiva no Amigos de Pelotas, e as imagens em exposição (até 6 de novembro, em horário comercial), podem ser compradas por R$ 50.
Foto: convite de divulgação

As pinturas da Catedral

José Rodrigues Gomes Neto, colaborador do Diário Popular, relata ter visitado a Catedral de São Francisco de Paula há alguns dias (leia o artigo completo), o que lhe suscitou uma série de lembranças. 

Entre 1948 e 1950, o templo católico passou por importantes reformas de estrutura, ganhando nova cúpula, altar e pinturas. Os vitrais foram colocados em anos posteriores, na década de 1950.



Não sei se os leitores sabem (os mais jovens, talvez não), a Catedral somente tinha as torres da frente, as dos sinos.

Aquela maior, no fundo, sob a qual está o belíssimo altar confeccionado em mármore, na Itália, e coberta de ladrilhos azuis, foi agregada ao prédio nessa época [anos quarenta].

Pelo esforço notável e incansável do bispo dom Antônio Zattera [1899-1987, veja nota biográfica], a reforma deu, à igreja maior pelotense, um padrão de elevado valor arquitetônico e pictórico, digno mesmo de um templo.

O que acabou por ter grande expressão foi a pintura afresco, pela mão do grande pintor italiano Aldo Locatelli [1915-1962]. Ele veio da Itália, acompanhado de um auxiliar e começou o trabalho que resultou na beleza que agora contemplamos.

Conheci pessoalmente Aldo Locatelli por uma circunstância especial: ele residia, como inquilino, em uma casa situada na rua Benjamin Constant, entre Félix da Cunha e Gonçalves Chaves, de propriedade de um grande, querido e saudoso amigo meu - Joaquim José de Assumpção Osório - e nós, adolescentes, mais de uma vez fomos até a Catedral vê-lo pintar. Ele usava, não é fantasia, um típico gorro de veludo, como é comum vermos em filmes que retratam pintores célebres.

Não tenho certeza de quanto tempo duraram as reformas, mas datam daí os belíssimos vitreaux, que ainda lá estão e que foram doados por pessoas de destaque na cidade.

Não sei ao certo: dizem que ele pintou anjos com rostos de meninas daqui. Mas sei, com certeza, que ele pintou, na cúpula, o rosto de uma jovem que eu conheci. Neste dia em que estive lá, de visita, ainda procurei e encontrei a pintura.

A Catedral, por sua arquitetura e por suas pinturas, disso não há dúvida, é um monumento de raro valor que encanta os turistas. Acho mesmo que carece de cuidados para que se não danifiquem mais as pinturas. Por isso, penso que a cidade tem um compromisso sério com a recuperação da Catedral.

Em algum momento, antes da reforma, ela foi pintada, por fora, de cor-de-rosa, se não estou enganado. Eu adoraria, perdoem-me os arquitetos pela indevida intromissão, de vê-la, quem sabe voltar ao rosa ou com aquela cor característica dos prédios históricos de Roma. Ainda mais agora que ela foi elevada à categoria de Catedral Metropolitana da novel Arquidiocese de Pelotas.
José Rodrigues Gomes Neto


Catedral antiga: Facebook
Locatelli: Prof Círio Simon
Cúpula: Ricardo Gruppeli
Porta e vitrais: F. A. Vidal

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sucesso do Seminário Literário

Realizou-se com sucesso, na semana passada, o I Seminário de Estudos Literários com o lema "Pelotas: da formação à contemporaneidade", alusivo ao bicentenário da cidade (veja o anúncio).

Durante quatro dias, realizaram-se mesas-redondas, bate-papos, comunicações, exposição de pôsteres e diversas intervenções artísticas, priorizando temas sobre a cultura, a arte e a literatura em Pelotas. O local principal do Seminário foi o amplo Salão Nobre da Biblioteca Pública (esq., última tarde do evento).

A equipe organizadora enviou nota de agradecimento pela participação da comunidade acadêmica e do público em geral no encontro. A mais destacada de suas atividades foi o Concurso Literário Lourenço Cazarré, que premiou trabalhos de estudantes de educação básica nas categorias poesia, conto e crônica (abaixo, uma aluna é premiada pela trupe O Circo Sem Lona).

O jornalista Lourenço Paulo da Silva Cazarré (29-07-1953) é com certeza o mais prolífico escritor pelotense, e também o mais premiado em âmbito nacional. Tem cerca de 40 obras, entre novelas juvenis, livros de contos, romances adultos, uma peça de teatro e um musical (o blogue Amigos de Pelotas publicou várias notas sobre ele).

Residente em Brasília desde 1977, Cazarré ainda mantém fortes laços com sua terra natal, a qual aparece como cenário em muitas de suas obras (veja uma resenha e uma minibiografia).
Fotos: Patrícia Hoff

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Música sul-coreana entre os casarões


Muzik Ex Machina é um cover brasileiro do quinteto feminino sul-coreano 4Minute. Apesar do estranho nome, trata-se de um grupo pelotense, em que cada bailarina assume uma cantora do grupo imitado e reproduz a coreografia e os movimentos de lábios de seu papel.

O pop coreano ou K-pop [kêi-póp] é um gênero musical juvenil que combina traços específicos da cultura sul-coreana e da norte-americana, e se transformou num fenômeno internacional na última década, com fãs por todo o mundo.

Ontem (30) o Diário Popular (veja a nota de Max Cirne) informou sobre o primeiro clipe do grupo, em que as meninas do Muzik Ex Machina reconstroem a música "Volume Up" (vídeo acima), com a direção de Ruan Sampaio Leal.

Em Pelotas, as cenas foram filmadas em prédios antigos, como o Castelo Simões Lopes (foto maior abaixo) e a Biblioteca Pública (esq.). Nada têm a ver os casarões do início do século XX com a música atual, mas é justamente a justaposição de elementos discordantes que dá força à colagem intercultural.

Veja imagens dos ensaios no making of deste vídeo de estreia do grupo pelotense e a Volume Up original com o grupo sul-coreano 4Minute. O quinteto já mereceu uma resenha do sítio A-Team, especializado em música asiática.

Identificando na foto (dir.) as integrantes do grupo cover, a partir da esquerda:
  • Caroline Garcia Rosa (morena, 16 anos) usa o nome artístico Aiko, e faz a sul-coreana SoHyun, 
  • Amanda Salagnac (loira, cabelo crespo, 22 anos) é Sara, que representa GaYoon; 
  • Paola Martins (ruiva, 24) tem o pseudônimo Akemi e faz HyunA; 
  • Amanda Hartwig (loira, cabelo liso, 16) se apresenta como Mei, dublando a original JiHyun, 
  • Franciele Mendes (morena, 21), a Syza, faz JiYoon e confirmou estes dados. 
Imagens: Facebook


Pelotenses na Folha de São Paulo

O jornalista e escritor paulistano Ronaldo Bressane publicou na Folha deste domingo (30) a reportagem Por dentro da cena cultural de Pelotas, após ter visitado nossa cidade e entrevistado três artistas daqui (o músico Vítor Ramil, o desenhista Odyr Bernardi e a poetisa Angélica Freitas).

Ele vinha com a expectativa de esclarecer o que era a Estética do Frio, mas encontrou-se com 35 graus de calor, o que para ele foi indício de uma acolhida calorosa nesta terra de poetas solitários. Esses três que ele conheceu pessoalmente são pelotenses que voltaram, após anos em grandes capitais, ficaram entocados em suas casas, e em 2012 aparecem em público para mostrar novas criações:
  • o álbum de Vítor "Foi no Mês que Vem", 
  • o livro de poesias de Angélica "Um Útero é do Tamanho de um Punho", 
  • o romance gráfico de Angélica "Guadalupe", 
  • mais as ilustrações de Odyr para "Guadalupe" e uma HQ dele que sairá numa coletânea (mais detalhes na reportagem).

Sobre a cidade, esta foi sua primeira impressão de Bressano:
Ramil me busca no hotel e, antes de apanharmos Angie e Odyr, damos um giro pelas ruas de calçadas largas com casarões neoclássicos centenários — uns desertos, outros restaurados, muitos decrépitos.  
"Um amigo chileno se encantou com a cidade. Disse que nunca viu nada tão decadente", sorri o magro e barbado grisalho, que daria um belo e diminuto Cristo nas "Paixões"de Nova Jerusalém. Decadência é virtude em sua obra: remete à paisagem urbana que condensa passado e presente, em diálogo com seus fantasmas.

O encontro ocorreu num dia, e concluiu com um jantar na casa de Vítor e a esposa Ana. O prato principal foi português (bacalhau com batatas) mas a sobremesa foi um diálogo sul-sul: pastéis-de-santa-clara e doce de leite uruguaio. Tudo regado a absinto. Daí saiu a longa reportagem (v. texto completo com fotos), que detalha a obra desses três artistas nossos, que pouco conhecemos.
Ilustrações de Odyr Bernardi para a Folha