segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Mestranda contribui à história de Pelotas

Simone X. Moreira
A jovem professora Simone Xavier Moreira vem pesquisando sobre autores literários gaúchos desde a graduação em Língua Portuguesa na UFPel, passando por duas especializações (v. currículo). Na mesma universidade, ela iniciou em 2010 o projeto em Linguística Aplicada "De Princesa do Sul a Satolep: as construções discursivas de uma cidade imaginada".

Agora que ela conclui seu mestrado na FURG, o tema segue aprofundando em Pelotas: A formação da Princesa do Sul: primórdios culturais e literários. A defesa é às 14h desta quarta (20), na sala 3106 do Campus Carreiros (Avenida Itália, km 8).

Seu grande mérito como pesquisadora científica é a consulta em fontes primárias, ou seja, documentos de época que revelam dados diretos (não de outros pesquisadores) sobre a realidade estudada: as origens literárias de Pelotas na primeira metade do século XIX. Seu orientador de mestrado, o professor Dr. Artur Emílio Alarcon Vaz destacou a importância desta pesquisa em 4 pontos, destacados abaixo.


Almanaque registra dados tradicionais, baseados em Simões Lopes Neto.

Dissertação modifica dados sobre a história da cultura em Pelotas

A mestranda do PPG “História da Literatura” Simone Xavier Moreira obteve acesso a diversas fontes primárias sobre os primeiros passos da cultura em Pelotas, modificando alguns dados que se tinha sobre essa cidade.

O trabalho de Simone é um dos resultados parciais do projeto "Formação e consolidação do sistema literário no extremo sul brasileiro", coordenado pelos professores Artur Emilio Alarcon Vaz e Mauro Nicola Póvoas, ambos da FURG. A pesquisa analisava o processo pelo qual se formou e consolidou o sistema literário da cidade de Pelotas. Para tanto, foram verificados os primórdios da leitura e produção cultural e literária da região.

Sobre a expressão “Princesa do Sul”

Tradicionalmente, o cognome atribuído à cidade pelotense era atribuído a um poema de 1863. Embora Mário Osório Magalhães  já indicasse que tal expressão seria de uso comum e que o poema deveria ser somente o primeiro registro escrito [v. artigo de 2006 no Diário Popular], tal versão não havia sido confirmada.

Outro pesquisador, Adão Fernando Monquelat, igualmente já advertia que a expressão usada no poema citado era "princesa dos campos do sul". Com o acesso ao acervo da Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), a pesquisadora obteve um exemplar do jornal pelotense O Brado do Sul, de 6 de janeiro de 1860, em que já se usava a expressão “Princesa do Sul” para a cidade de Pelotas.

Acesso direto a dois livros antigos pouco citados por pesquisadores locais

  • Exposição dos elementos d'arithmetica para o uso dos estudantes do collegio de Santa Barbara na cidade de Pelotas, de Antônio Luís Soares (1805-1875), publicado em 1848. Trata-se de um manual didático cujo único exemplar encontrado em bibliotecas brasileiras está no acervo na Biblioteca Rio-Grandense (Rio Grande, RS).
O achado antecipa duas datas consideradas marcos históricos por outros pesquisadores: a da publicação do jornal O Pelotense em 1851, tida como o início da imprensa pelotense, e a do “mais antigo livro editado em Pelotas”, o Resumo da história universal, em 1856 [v. citação de 2010 por Mário O. Magalhães].
Embora outros pesquisadores já tivessem citado a existência deste livro de Antônio Luís Soares, ainda não se haviam obtido dados biográficos sobre o autor.
  • A dama de Veneza, de Carlos de Koseritz [1830-1890], publicação de 1858. Novela curta de menos de cem páginas, deve ser considerado o primeiro romance publicado em Pelotas.
A véspera da batalha, outra novela de Koseritz, também foi publicada em 1858, mas não se conhece nenhum exemplar em bibliotecas públicas brasileiras ou estrangeiras. Assim como o livro didático de 1848, citado acima, A dama de Veneza já havia sido citada e analisada no livro Breviário da prosa romanesca em Pelotas, de Luís Borges (2007), que, porém, não marca o ineditismo dessa obra.
3 Poema de um pelotense em 1834

Um outro marco do trabalho de Simone Moreira é a divulgação dos poemas de Mateus Gomes Viana (1809-1839), provavelmente o primeiro pelotense a publicar seus poemas, ainda na década de 1830, no jornal rio-grandino O Noticiador, como o publicado em 15 de dezembro de 1834, em comemoração ao aniversário de D. Pedro II.

4 Documentos prévios ao surgimento da imprensa

Por fim, destaca-se a consulta aos inventários – a partir do Perfil do leitor colonial, de Jorge de Araújo (1999) – de alguns moradores de Pelotas também nessa primeira metade do século XIX, antes do advento da imprensa. Nesse material, poucas obras podem ser consideradas literárias, revelando um leitor muito mais preocupado com os acontecimentos políticos e sociais, do que direcionado a leitura como lazer.

Imagens da web

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O olhar cidadão de Alexandre Neutzling

Douglas Passos, o palhaço Roi-Roi (Emcompanhia de Palhaços)

Os cabeçalhos que desde 2009 apresentam o "Pelotas, Capital Cultural" são criações do designer Nathanael Anasttacio (v. seção Blogue). O quinto deles, colocado ontem (16), mantém o Trevo das Artes, introduzido por ele em 2011, e inova em pelo menos dois olhares: o intenso ideal de futuro, ligado ao chão em que se caminha, e as pessoas como espectadoras e protagonistas de seu meio cultural. Será a ênfase dada pelo blogue neste quinto ano de existência.

Alex Cruz, cantor e compositor (Circo Sem Lona)
Na percepção do humano, o autor gráfico se baseou nas fotografias de outro artista da luz, o fotógrafo Alexandre Neutzling (veja seus álbuns no Facebook), que já vínhamos observando em imagens no Projeto Pelotas Memória e em algumas postagens deste blogue.

As fotos escolhidas são de pessoas em relação às artes, seja atuando, seja observando. Para fora e para dentro são os dois movimentos principais da mente humana, no crescimento pessoal e na compreensão de si mesmo.

Alexandre tem um afinado olhar estético, mas é muito cuidadoso ao registrar pessoas, pois para ele, em acordo com Nauro Júnior, o fotografar artístico deve ser um ato amoroso, não uma invasão visual. Na visão de um palhaço, de um cantor, de uma bailarina, o que as fotos de Alexandre mostram é sempre amor pelo ser humano e amor pela arte que se faz. Grande parte da beleza que vemos se deve à emoção que ele nos desperta com seus personagens – dos poucos que ele fotografa – que se valem da arte para revelar-se a si mesmos e revelar-nos algo superior.
Fotos: A. Neutzling

Morgan Mahira, bailarina de danças árabes, no Piquenique Cultural

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Poema para Lígia Antunes Leivas

Ao saber do falecimento da professora Lígia Antunes Leivas, o poeta e artista gráfico Nathanael Anasttacio compôs para ela a seguinte homenagem. Sobre o autor, veja o post Poemas sociais de Nathanael Anasttacio

Foi graças à critica generosa e amiga de Lígia que resolvi publicar meu primeiro livro "Inquilinos da Intolerância", livro o qual ela tão gentilmente apadrinhou com seus elogios e texto de orelha. Ela emocionou-se, lembro bem, ao ler a contracapa do meu segundo livro e disse que eu jamais parasse de escrever. 
Sinto muito ela não poder ver meu próximo livro, a ser lançado este ano ... mas com certeza será em homenagem a esta poetisa exemplar, amiga e incentivadora que com certeza fará muita falta à cultura pelotense.


A estrela de Lígia

Li ...

No céu a estrela fria
Soube há pouco ... uma estrela sumia
Agonia-me saber ... a estrela morreu

A estreia e a estrada
A poesia que me comoveu ...
Por onde andas, brilho oportuno ???

... brilho daquilo que a poetisa escreveu

Tuas dores ... pontas e farpas
Teu lirismo ... entendimento meu
Tuas letras ... aquilo que em mim doeu

E dói pensar que a voz da escrita silenciou

Ou ... a escrita que nos tornou sozinhos
Ou ... em mim as palavras brotam
Ou ... assim ... noutros pontos calados do caminho

A estrela sucumbiu deixando um rastro
E onde hoje é breu
Ontem foram palavras cadenciando frases e princípios

Na cadência da poesia
Na estrada da estrela ... poetisa
Na simplicidade da grande estrela literária

Brilha em mim a memória do teu talento
Poetisa e poética
... partindo no momento do apogeu

Nathanael Anasttacio

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Lembrança de Clayr e a Pelotas dos anos 50, segundo Timm

José Ubirajara Timm
(Caçador - SC, 14-07-1929)
José Ubirajara Coelho de Souza Timm foi vereador pelo PTB em Pelotas (1956-1959) e jornalista d'A Opinião Pública, vespertino que circulou até 1962. 

Ele escreveu em 2008 a crônica abaixo, em homenagem ao amigo e colega Clayr Lobo Rochefort, recheada de sentidas lembranças da Pelotas dos anos 50. Transcrevi o texto do Diário Popular (Exemplos de integridade e caráter) e introduzi subtítulos. 

Ambos pelotenses adotivos, Timm seguiu carreira no Ministério da Agricultura e Rochefort ficou em Pelotas, onde veio a falecer em 2012 (leia nota neste blogue).


Aniversários Os 118 anos de existência ininterrupta e exitosa do Diário Popular – atualmente exemplo de modernidade e competência empresarial entre a imprensa gaúcha – e os 80 anos de vida e 60 de jornal de Clayr Rochefort, estão sendo merecidamente comemorados em Pelotas e em âmbitos maiores. Clayr dedicou sua mocidade e cerca da metade de sua fecunda existência ao Diário e à então A Opinião Pública, o mais antigo vespertino do País, legado de João Simões Lopes Neto, mas tristemente já extinto.

Comemoração dos 80, em maio de 2008
Sugestão A notável trajetória de Clayr e a sua simbiose com o Diário (na integração de criatura e criador) certamente servirá de inspiração e razão suficiente para alimentar ansiada e momentosa biografia do nosso querido octogenário.

Tenho esperança que nossa festejada Iracema com seu talento em prosa e verso e com seu imorredouro amor pelo Clayr; ou os filhos de ambos, o Théo, também ótimo jornalista, e a psicóloga e professora mestra em Letras Thaís, se encumbam dessa impositiva missão.

Caráter íntegro Na exiguidade do espaço reservado a uma simples crônica, limitarei minha abordagem apenas em ressaltar dois dos muitos valores que engrandecem a rica e complexa personalidade do Clayr: a integridade e o caráter, que se refletem diuturnamente no comportamento do Diário Popular. “Agir com retidão e imparcialidade” (integridade) e ter “firmeza e coerência de atitudes, domínio de si” (caráter) são comportamentos devidos por todos, mas na realidade atual cada vez mais raros, sobretudo no meio político e também na atividade da imprensa. Clayr é uma honrosa exceção a essa regra.

Convivência Somos amigos há cerca de meio século. Convivemos intensamente nos melhores anos de nossa mocidade, inicialmente ele como diretor de Redação do Diário e da Opinião; eu como iniciante membro de uma irmandade de jornalistas na árdua missão diária de redigir, ilustrar, paginar e acompanhar a composição e impressão de dois jornais sem dispormos dos atuais e imensos recursos cibernéticos.

Aldyr Garcia Schlee, por Salomão Scliar (anos 60)
A velha equipe Daquela inesquecível equipe comandada pelo Clayr poucos restam. Osmar Flores, Pedro Miquelarena, Elias Bainy, Ernani Cavalheiro, Ramão Barros, Irajá Nunes (que tinha no Clayr o arrimo de um pai), Eliseu Alves, Doutor Coufal e “seu Patzer” (diretor-gerente, financeiro, mas que nos tratava carinhosamente como filhos) já não pertencem ao nosso mundo.

Para felicidade nossa, Aldyr Schlee – na época magérrimo e imberbe mas já evidenciando sua múltipla genialidade – se revelava com a firmeza do caráter e da integridade mantidos nesses seus 70 anos de vida exemplar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Animais em extinção no Estado

Tatu-bola, por Heloísa Motta
Em janeiro de 2013 o Corredor Arte do Hospital Escola UFPel/FAU recebeu uma exposição do Ateliê Giane Casaretto, que tem uma criação permanente desde 1991 e cada ano participa em pelo menos três exposições coletivas.

A mostra se compôs por duas séries, produzidas em 2012 pelas artistas que frequentam o Atelier: “Meu Jardim”, de livre criação, e “Animais do Rio Grande do Sul em Extinção”, obras em tinta acrílica ou aguada, para a qual foi feita uma pesquisa e uma distribuição dos conteúdos.

Esta nota se refere somente à segunda série, dado o seu caráter educativo. Os trabalhos foram criados pelas técnicas habituais do Ateliê, que incluem pesquisa sobre um tema geral e o desenvolvimento de algum aspecto técnico que contribui ao aprimoramento do artista. No entanto, se considerarmos a importância pública de conhecer e valorizar a fauna e a vida natural que nos rodeia, esta exposição deveria ir além do meio artístico e ser usada como instrumento em alguma campanha, museu temático ou atividade escolar.

Lobo-Guará, por Rosamélia Ruivo
Na pesquisa prévia à produção das obras, foram estudados os animais que estão em extinção no Rio Grande do Sul, entre os tantos ameaçados de desaparecer no Brasil. Foi analisado o habitat, a textura de pele ou penas, a postura e a importância na natureza, entre outros aspectos. Depois da produção, algumas obras foram selecionadas para esta mostra.

Como o ser humano é um mamífero, é mais fácil que os artistas e o público se identifique com esta família animal, que é somente uma que enfrenta os perigos da sobrevivência. Em todo o mundo há milhares de espécies (aves, répteis, peixes, insetos) ameaçados de extinção (veja reportagem da Revista Época).

Uma das ameaças é o florestamento comercial com árvores exógenas ao ambiente dos animais (veja uma lista de espécies em perigo no Estado). O Livro Vermelho, projeto ligado ao Museu de Ciências da PUC-RS, publicou em 2002 a primeira lista gaúcha de animais que requerem proteção (eram 261 espécies), mas ela já está desatualizada (veja notícia de Zero Hora).

O quero-quero não está ameaçado de extinção (v. descrição do sítio Notícia Animal), mas Maria Lúcia Drummond o escolheu por ser a ave símbolo do Rio Grande do Sul (lei 7418). O trabalho (abaixo) foi exposto no Ateliê Giane Casaretto em dezembro de 2012. A artista quis desenvolver a técnica de jogar com a nitidez, para destacar os traços da figura em primeiro plano, deixando o fundo mais indefinido, como uma fotografia desfocada.

A cultura gaúcha se identifica com o quero-quero, que interage com o ser humano tanto no meio rural como no urbano. No entanto, é comum em toda a América do Sul; de fato foi primeiramente descrita em 1784 no Chile, onde é popularmente conhecida como queltehue (keltrewe, palavra de origem mapuche).
Imagens: F. A. Vidal

Quero-quero, por Maria Lúcia Drummond

Cemitério de pneus e pecados

Este depósito de pneus não é um simples lixão, visão desagradável em si mesma, nem somente um gigantesco foco de dengue. A imagem mostra como um projeto bem intencionado é detido pela burocracia e pela política mal conduzida.

Os pneus velhos podem ser reutilizados na indústria (v. reportagem do Jornal da Globo), na arte (v. esculturas à base de borracha) e na ecologia. Em 2008, o arquiteto pelotense Fernando Caetano criou uma forma de aproveitar pneus radiais na confecção de tubos hidráulicos, chamados ecotubos (veja notas da Prefeitura, da EcoAgência, do jornal Minuano e do Correio do Povo).

O projeto não foi continuado e os pneus se acumularam no Ecoponto, antiga olaria na avenida Francisco Caruccio 468. Um desastre evitável e em progressivo aumento, mas invisível para as autoridades. Se não ferem a legalidade, pelo menos são testemunhas da estupidez humana.

A denúncia foi feita em 2010 pelo antigo Amigos de Pelotas. No mesmo ano, Nauro Júnior filmou os pneus e escreveu o texto abaixo no blogue Retratos da Vida.

Pneus abandonados têm moradia clandestina. A imagem sugere que estão organizados e atentos.

Uma novidade lançada em Pelotas em abril de 2008, até agora parece não ter saído do papel, ou melhor, de um depósito onde estão jogados milhares de pneus velhos. Segundo o zelador do local, mais de 5 mil toneladas de pneus estão acumulados em um terreno na periferia da cidade. 
Os pneus são de um projeto chamado Eco-Tubo, que nasceu para resolver os problemas de esgoto a céu aberto. A empresa fazia tubulação de esgoto com os pneus, que chegava a custar 75% do valor dos tubos de concreto, mas por causa de uma pendenga com a Prefeitura o trabalho deixou de acontecer e o depósito em uma antiga olaria cresce cada vez mais. 
Moradores da localidade reclamam e dizem que o lugar pode se transformar em um foco de mosquito da dengue e, se não for resolvido o problema, eles vão colocar fogo nas montanhas de pneus.
Nauro Júnior
Foto: ONG CEA

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Janta de rua

Janta de Rua no Facebook
Ao anoitecer de cada terça-feira, os jovens da Comunidade Eclesial da Trindade entregam refeições a pessoas carentes e moradores de rua, na esquina da Sete de Setembro com a Barão de Santa Tecla.

Eles pedem doações em alimentos não perecíveis (arroz, feijão, massa, óleo, suco), colheres e copos plásticos grandes e caixas de leite limpas e vazias para servir de prato.

Contatar Janaína ou Marcelo Brayer nas terças: na Av. Visconde de Pelotas 451, COHAB Tablada (14-18h) ou na esquina citada (desde 20h). Quanto mais ajudarmos a quem precisa, mais estaremos ajudando a nós mesmos.

POST DATA
5-4-14
Outro projeto é o Sopão de Rua, que serve comida e outros benefícios básicos a moradores de rua na Anchieta quase esquina Bento Gonçalves, nas quintas-feiras às 19h.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Márcio renunciou ao cargo, não ao carnaval

Rei Momo de Pelotas desde o carnaval de 2000, Márcio Luiz Soares Goulart decidiu em 2012 não mais se candidatar e assim fez. A apresentação dos candidatos à Corte 2013 foi realizada terça passada (5) no Casarão nº 6, com nove possíveis reis (v. notícia), e Márcio não era um deles. Hoje com 32 anos, ele começou sendo ainda aluno da Escola Joaquim Duval, do bairro Santa Teresinha.

A escolha da nova corte foi no estádio do Pelotas, sábado (9), adiada 10 dias em respeito à tragédia de Santa Maria. O ganhador foi Gabriel dos Santos Goulart (v. notícia com fotos), 19 anos, 120 quilos, bem mais magro que Márcio, que tem 2 metros de altura e 168 quilos. Um Rei Momo não precisa ser feio ou gordo, mas sim brincalhão, pois representa o antigoverno, a autorização da desordem e da festa (veja na Wikipédia).

Querido por todos, Márcio (32) já estava virando símbolo pelotense.
Depois de 13 anos com a coroa, Márcio pretende dedicar-se aos estudos em algum curso universitário. Diz ele que não é fácil retirar-se mas tomou a decisão com certeza. A rotina cansa e a popularidade se mescla com discriminação. "Solteiro convicto", perdeu namoradas justamente por estar rodeado de belas mulheres.

Quer "abraçar o mundo", renovar e ampliar sua experiência de carnaval. Revelou que tem convites de Porto Alegre e Rio de Janeiro para seguir reinando (v. reportagem do Diário Popular). Acusa a desunião de carnavalescos e aconselha ao novo governo que não ignore a corte, mas a utilize em projetos sociais, para o bem da juventude.

Não é fácil deixar um cargo, ainda que somente simbolize poder, pois a pessoa se acostuma às vaidades como se fossem direitos. A sanidade mental e social implica em evolução e mudanças constantes, sem que se perca um núcleo de identidade própria e de vinculações. Por exemplo, é preciso cuidar da saúde física e do intelecto. O recordado Jorge Ari, Momo pelotense antes de Márcio, morreu no cargo, e era obeso mórbido.
Foto: C. Queiroz (DP)

"Náufrago" será filmado

Nauro Jr. não publicou em seu blogue nem no Facebook. Preferiu dar a notícia ao Diário Popular, que a publicou esta segunda (11): "Náufrago de um mar doce" vai virar longa-metragem. Mas quem leu a coluna do Mansur sexta (8), no mesmo jornal, soube antes.

O escritor-fotógrafo vinha guardando o segredo desde dezembro, quando Henrique de Freitas Lima, que dirigiu Concerto Campestre, soube do livro e, mesmo sem lê-lo inteiro, pediu ao escritor a preferência para filmar a história. O cineasta também dirige a produtora Cinematográfica Pampeana.

Nauro aceitou e contrapropôs que a comunidade pelotense participasse na construção do filme. Assim, o roteiro será feito por Rafael Andreazza, diretor da Moviola Filmes, que fará a coprodução. Alunos de Cinema da UFPel também serão convidados a participar.

Algo interessante desta novidade, guardada por dois meses como segredo pelos envolvidos, é que o fotógrafo de Zero Hora em Pelotas aparece na primeira página do outro jornal da cidade (dir.) e ainda tem uma página inteira, só para ele, bem no centro da edição (fotos de Moisés Vasconcellos).

Afinal de contas, Nauro foi o autor local que mais vendeu na Feira do Livro em 2012, e em toda a história da Feira. Já está preparando a 2ª edição do Náufrago, acrescida de um novo desenho de Pablo Conde e de um mapa da Lagoa dos Patos. Como contou na entrevista ao jornal, Nauro vai divulgar o livro nas escolas para que sirva como incentivo à leitura e ao pensamento. Ele quer que as crianças entendam o valor do estudo e da iniciativa, parecido a como o personagem do livro optou pela vida.
Podemos passar por grandes dificuldades, mas a gente tem que reagir, e a educação é de extrema importância nisso.
Sobre esta epopeia do escritor que escreve com luz veja os posts Nauro escreve um livro de palavras (com um trecho do livro), Nauro traz um pouco de luz a este mundo (com testemunhos pessoais do autor) e Nauro autografa em Porto Alegre.

Cidades irmãs, tão longe e tão perto

O Diário do Matuto, do professor de História rio-grandino Felipe Nóbrega, usa linguagem educada e elegante, mas a crítica é impiedosa. Nesta crônica, que foi despertada pelo aniversário dos 200 anos, o tema é Pelotas e seu momento atual em relação a Rio Grande: segundo o autor, a primeira se desenvolve (culturalmente) mas não enriquece, e esta cresce (na economia) e se vulgariza. 

O autor conhece bem as duas cidades, mas as descreve em tom depreciativo, como duas irmãs que se invejam e maltratam desde o nascimento. Ele não faz ficção, mas traça um panorama tragicômico. Ambas são antigas e empobrecidas, mas Pelotas sabe usar seu bairrismo para atrair turistas (Pelotas, cidade tão rica). O público pelotense é culto mas não consegue ter um bom cinema (A cidade que merece filmes piratas). 
O Matuto percebe Pelotas como subúrbio habitacional de Rio Grande e também como bairro cultural e intelectual. Para ele, o porto marítimo seria somente um bairro de empregos. Não haveria um centro ou matriz; somente fragmentos urbanos. Veja na Wikipédia o conceito de cidade dormitórioCom tal pessimismo, estes municípios nunca se associariam, ficando para sempre como caricaturas. 

O Canal São Gonçalo já foi proteção que permitiu o crescimento econômico; hoje parece uma muralha intransponível.


Pelotas tem muita dificuldade em admitir um sintoma: está se tornando uma cidade dormitório de Rio Grande. E a tendência é cada vez mais entrar nesse movimento no qual Rio Grande é o local onde se ganha dinheiro, Pelotas é o local onde se gasta e se dorme.

Recapitulando: Pelotas era parte de Rio Grande, virou cidade, se transformou num polo econômico fundamental do Estado, estagnou. Rio Grande, por vias de uma política pública federal do governo Lula, recebeu o investimento do Polo Naval, cresceu, não se desenvolveu e fez com que Pelotas voltasse à cena para abocanhar a fatia de serviços que Rio Grande não é capaz de prestar – fundamentalmente, um comércio de qualidade e cultura.

Não é raro ouvir ironias antipelotenses como esta.
O prefeito Fetter Jr. não escondeu o desconforto ao ser perguntado sobre o fato do reaquecimento da economia pelotense estar diretamente ligado, e ser devedor, do Polo Naval na cidade vizinha. Desdobrou-se em oito para não admitir isso.

O motivo? Bem, Rio Grande e Pelotas é como um eterno Brasil-Argentina. Outro motivo: o partidário. Fetter não reconheceria que é por vias de uma administração petista que a Região Sul do Estado voltou a ser importante no cenário nacional. Seria demais para ele assumir a dupla derrota em tempos de duzentos anos.

Não há como negar que a infraestrutura de Pelotas é infinitamente maior do que a de Rio Grande – em se tratando de prestação de serviços e comércio. Mas não fica só por aí, na questão cultural não existe nível de comparação entre as duas cidades.

É vergonhoso que Rio Grande consiga ter apenas um ou dois bares que não se rendem ao pagode universitário, sertanejo universitário e funk universitário após ás duas da madrugada. Do mesmo jeito, é gritante a diferença no que tange à possibilidade de espaços para exposições, pontos de cultura e afins – em Rio Grande esses espaços ainda estão grudados nas mãos de uma elite moribunda.

Vira-lata à espera do Primo Rico.
Claro que Pelotas tem seus problemas, aliás, muitos que estão debaixo do tapete nessa festa de 200 anos, mas não há como negar que a cidade soube fazer uso da própria tradição para ganhar dinheiro.

E tanto sabe que, mesmo não sendo a cidade polo dos investimentos, está tirando mais proveito do que a própria Rio Grande quando o assunto é “desenvolvimento” e não “crescimento”.

Pelotas, mesmo como uma cidade dormitório que ainda não se assumiu, continua sendo o Primo Rico da cidade com síndrome de vira-lata chamada Rio Grande.

Felipe Nóbrega
6 julho 2012
Fotos: L. Bittencourt e Diário do Matuto

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"Olhares sobre uma exposição": história da Recotada (2010)


O documentário "Recotada  Olhares Sobre uma Exposição" foi produzido em 2010 pelos jornalistas Camila Sequeira, Cassiano Garcia de Miranda e Márcio Mello, dentro do projeto experimental "Documenta: Arte-Cultura-Moda", uma produtora audiovisual, hoje desativada.

O curta-metragem de 18 minutos, que foi o primeiro trabalho da Documenta, estreou em 18 de agosto daquele ano no projeto municipal Sete Imagens e teve apresentação oficial na UFPel em 9 de setembro. Esta sexta (8) o filme foi destaque no programa Curta TVE (veja nota).

Curadores Adriane, Patrezi (atrás) e Tiago 
A Recotada realizou-se de 27 de março a 1 de abril daquele ano, nos cinco andares da antiga  fábrica de massas Cotada, defronte ao Porto de Pelotas.

Foi a terceira intervenção artística do prédio abandonado. A exposição "Arte no Porto III", idealizada pelo professor José Luiz de Pellegrin em outubro de 2009, foi a primeira.

Pellegrin também participou como orientador na Recotada, que teve a curadoria da professora Adriane Hernandez e dos estudantes Patrezi Carvalho da Silva e Tiago Brandão Weiler (esq.).

O trabalho coletivo foi um Projeto de Extensão Universitária da UFPel, e reuniu obras de diferentes linguagens (essencialmente visuais) como desenho, pintura, instalação, vídeo, intervenção, gravura, objeto, fotografia, grafitagem e performance.

Documentaristas Márcio, Camila e Cassiano, com Adriane
A megaexposição teve cerca de 140 obras de 80 artistas, num formato expansivo (na horizontal e na vertical) inspirado na série de mostras "Arte no Porto", ideadas por Pellegrin. Deu também um passo adiante, tanto em quantidade formal como em qualidade de conteúdo.

Os curadores dispuseram o graffiti no térreo, recriando o nível concreto das ruas, e nos andares superiores, trabalhos com crescente conceitualismo e nível acadêmico. Algumas obras cruzavam vários andares, fragmentadas ou passando através de orifícios.

Uma equipe de mediadores, selecionada pela professora Duda Gonçalves, acolheu os visitantes que se dispunham a ser acompanhados e comentar aspectos da exposição. Mais informações no blogue Recotada.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Imagens do Teatro antes de fechar


Em 23 de outubro de 2009, o Teatro Sete de Abril lotado assistiu ao espetáculo "Assuma Sua Negritude", de Geanine Escobar e equipe, dentro do 3º Encontro de Teatro de Pelotas (veja nota). No palco, Geanine e o percussionista Daniel Simões dos Santos, com cenografia de Aloisio Licht; na plateia e camarotes, alunos de escolas municipais e grupos convidados.

A fotografia é um dos últimos registros do Teatro em atividade, o qual foi interditado em março de 2010 e segue fechado até hoje. Vale a pena recordar a importância da arte e do teatro na educação, para aprendermos a cuidar do que é nosso capital cultural. Veja mais imagens do Sete de Abril no vídeo Espetáculo Assuma Sua Negritude.
Foto: R. Marin (Facebook)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Clubes foram interditados e suspendem todos os bailes

A notícia saiu esta noite no Diário Popular e no sítio da Prefeitura: os bailes de carnaval foram quase todos suspensos (em Pelotas e região), após a interdição da maioria dos clubes sociais, por incumprimento de regras de segurança. Somente um clube fechou por conta própria para rever seu sistema de segurança. O carnaval de rua em Pelotas, ainda que com atrasos, segue a programação.

2ª reunião (4-2) para avaliar a fiscalização de locais fechados
A Prefeitura havia anos não fiscalizava irregularidades, mas está recuperando o tempo perdido no primeiro mês do novo mandatário: começou apreendendo mercadorias de ambulantes (v. notícia), cobrando a limpeza do espaço público e exigindo habilitações aos motoboys (v. notícia).

Após a tragédia em Santa Maria, em Pelotas já houve duas reuniões especiais para impor a aplicação das normas de segurança em casas noturnas e clubes (v. notícia) e dois bares foram fechados (a Baiuca já reabriu).

O jornalista chefe da ASCOM Luiz Caminha assina a informação de ontem (7), segundo a qual a Prefeitura fechou os seguintes espaços de baile: Clube Gonzaga, DC Eventos, Brilhante e Diamantinos. "Vários" ou "quase todos" os locais ficaram interditados.

O Diário Popular, por outro lado, diz que os bombeiros foram os responsáveis pelo fechamento dos clubes, devido a alvarás vencidos e falta de barras antipânico nas saídas. De acordo à informação mais detalhada do jornal, todos os bailes em Pelotas ou foram suspensos ou esperam confirmação:

Atitude pró-ativa: "Fica Aí" não satisfaz normas
mas se antecipou à pressão externa 
  • 4 clubes ficaram interditados e suspenderam os bailes: Brilhante, Caixeiral, Laranjal Praia Clube e a sede campestre do Centro Português;
  • 3 clubes esperam nova vistoria, pois foram reprovados na primeira (Diamantinos, 15 de Julho e Gonzaga), sendo ainda incerta a realização dos bailes;
  • a sede da Sociedade Libanesa ainda não foi vistoriada;
  • antecipando-se à fiscalização externa, o Fica Aí Pra Ir Dizendo (dir.) deu o melhor exemplo possível (único caso conhecido, até agora, de consciência de segurança): contratou um engenheiro para revisão da sede, fechou o clube e só reabrirá após cumprir todas as normas.
  • Piratini, Santa Vitória do Palmar, Arroio Grande e Pinheiro Machado fecharam a maioria dos clubes, bailões e CTG.
É preciso dizer que as autoridades estão cumprindo seu dever, apesar de incomodar a população menos consciente. A exigência das normas mínimas de segurança está ocasionando problemas e até mesmo prejuízos, mas ela não poderia ser de forma frouxa, pois os acidentes, quando ocorrem, não perdoam a cegueira e a imprevisão, castigando a justos e pecadores.

Quando inocentes morrem num incêndio, os legalmente responsáveis são os que não fiscalizaram corretamente, mas quando a fiscalização age com todo seu rigor somente os irresponsáveis ousam reclamar ou dar um "jeitinho". Para estes, é mais importante equilibrar o caixa ou divertir-se numa festa do que proteger a segurança das pessoas.

POST DATA
8-2-13 12h
A esta lista, o Diário da Manhã desta sexta (8) acrescenta 3 locais interditados pela fiscalização: a sede urbana do Centro Português 1º de Dezembro e os clubes praianos Valverde e Oásis. Outros 3 clubes não terão bailes, por decisão própria: Dunas, Libanesa e Parque Tênis. Portanto, a cidade não terá festas de carnaval, seja em respeito moral às vítimas de Santa Maria (ontem morreu a nº 238), seja porque a fiscalização aplicou muito rigor.
9-2-13 12h
O Diário Popular de hoje informa de mais 4 locais fechados, por falta de alvará e de prevenções contra incêndio: sede central do Centro Português e mais os clubes Gonzaga, Dunas e Parque Tênis.
O jornal reitera a informação de ontem sobre os primeiros 4 clubes interditados e acrescenta o Diamantinos.
Mais 4 casas noturnas lacradas: DC, Taí Bar, Serginho e Bar da Gorda.
Incrivelmente, até a programação oficial de shows no Laranjal foi suspensa, devido a irregularidades encontradas pelos Bombeiros (v. notícia de hoje).
Por seu lado, a Prefeitura informa de outros bares interditados esta noite: Arcobaleno, Liberdade (tradicional reduto do chorinho), O Sobrado (abaixo) e New York Irish Pub. Bem conhecidos do público pelotense, todos descumpriam medidas básicas de segurança (v. notícia com fotos).

Bombeiros e Brigada Militar têm instrução do Governador para aplicar normas de segurança com rigor.
Fotos: ASCOM (1, 3) e Fica Aí (2)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Homem cuida de 160 cães abandonados

A TV Nativa levou ao ar em dezembro de 2012 esta reportagem sobre Jaime Mendes, que por meios próprios cuida de quase 160 cães abandonados e pede ajuda da comunidade para continuar com o que ele chama de trabalho. Além de sentir compaixão pelos animais maltratados e tentar alimentá-los, ele se queixa e se defende de muitas críticas à sua atitude de excessiva dedicação.

Neste caso, a obsessiva acumulação de animais encontra-se ainda no início, pois o jovem tem um emprego próprio e consegue coletar alimentos mediante doações. No entanto, não tem conhecimentos nem recursos para organizar uma entidade beneficente, e já está entrando em conflito com pessoas (desinformadas e intolerantes) que o consideram fanático e pretendem corrigi-lo.

Para não perder o equilíbrio pessoal em casos assim, é conveniente reconhecer as próprias dificuldades emocionais, as quais podem levar uma pessoa a identificar-se com animais abandonados (leia sobre a síndrome dos acumuladores), e organizar o colecionismo de modo racional e eficiente (não caótico nem compulsivo). Se o cuidador não se cuida a si mesmo, os seres "cuidados" (sejam humanos ou animais) sofrem tanto como se estivessem sozinhos. Até mesmo uma pessoa com boas intenções pode ser denunciada por maus-tratos.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Reciclando materiais para estudar

O material é reciclado e organizado em kits.
A campanha “Reciclando Materiais” arrecada, durante as férias de verão, todo tipo de cadernos e blocos, lápis e canetinhas, pincéis, borrachas, estojos, tesouras, réguas, apontadores, mochilas, pastas e materiais de desenho e pintura.

Recebem-se também livros de literatura infantil e juvenil, mas não livros didáticos, que vêm pré-determinados para certos níveis e conteúdos.

Os materiais usados passam por uma recuperação, logo são organizados em kits (pacotes pessoais, como os da foto), distribuídos segundo faixa etária e educacional, e depois doados para escolas que os entregam a crianças e adultos carentes.

Em seu 5º ano, a campanha beneficente quer valorizar materiais que a maioria despreza. Um caderno pela metade, lápis de cor sem ponta, folhas soltas, uma tesoura sem fio são coisas de muita utilidade para quem deseja estudar mas não tem recursos para custear o material escolar. O que é lixo para uns, é luxo para outros, dizem as organizadoras Daniela Meine e Denise Viana.

Entrega até 1 de março: Espaço Ágape (Anchieta 4480, entre Dom Joaquim e Juscelino). Informações: 3303 2553, 3223 1631 e 3028 4480. Celulares 8416 6762, 8402 8878 e 8438 4480.

Doe o material que não mais lhe serve, até 1 de março.

Oficina com Carpinejar em Pelotas

Fabrício Carpinejar já esteve entre nós em 2012, como palestrante na 40ª Feira do Livro. O que fará por primeira vez em Pelotas, em 22 e23 fevereiro de 2013, é uma oficina literária intensiva, em duas sessões (sexta 18-22h e sábado 14-18h).

Há 30 vagas, com inscrições na Vanguarda de Pelotas e de Rio Grande. Custa R$ 400 por pessoa (10% de desconto para estudantes).

A amizade com Nauro Júnior é o grande causante deste evento relâmpago. Normalmente, Carpinejar faz oficinas em Porto Alegre, e por um preço maior. Autor prolífico e premiado, Fabrício escreveu a apresentação de "Náufrago de um Mar Doce", o segundo livro de Nauro.

A foto deste anúncio também ocorreu num piscar de olhos, em novembro passado. O escritor e o fotógrafo tinham compromissos literários em São Paulo e se encontraram de surpresa no corredor do avião. De brincadeira, o instinto registrou aquele momento único. O inesperado era ver Nauro saindo do Rio Grande do Sul.

Um diálogo fictício para inaugurar a oficina com bom humor: o que esses olhos arregalados parecem dizer?
– Nossa, tu também é escritor? Tu não era fotógrafo? 
– Sim, olha só, estou te fotografando. 
 – É que neste avião só viajam escritores que vão autografar em São Paulo. Tu vai me fotografar lá? 
– Não, eu vou autografar meu livro lá. Tu me fizeste o prefácio, lembra?
– Caramba, em Pelotas todos escrevem! Me organiza uma oficina lá, tenho que descobrir esse segredo!
POST DATA
Comentário de Carpinejar na Rádio Gaúcha, 5 - 2 - 2013, 8h


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Arquiteto opinou sobre pórtico grego

Antes da construção do pórtico grego defronte à sede da Academia Pelotense de Letras, o arquiteto Pedro Luís Marasco da Cunha escreveu O Portal da Discórdiaem agosto de 2012, opinando sobre argumentos contra e favor da colocação do monumento dentro do Parque. 

Pedro Marasco da Cunha
Sem se referir ao sentido do pórtico (homenagear a tradição cultural pelotense), Marasco da Cunha assegura que as colunas gregas têm tudo a ver com a arquitetura da cidade, mas não com o Parque. O mais adequado ali seria um projeto paisagístico. Ao longo desta postagem, transcrição de seu artigo, veja imagens de alguns pórticos gregos de prédios em Pelotas, construídos no século XIX e XX. 

Em novembro, o pórtico da Academia foi inaugurado (v. o post Um pórtico polêmico). Em dezembro, Marasco se elegeu membro do ConCult para o período 2013-14. 


O modelo é o mesmo desta fachada de 1887
 (Asilo de Mendigos, defronte à Academia)
Refleti, relutei antes de escrever, porém não me contive e aqui estou dando a minha opinião e, espero, contribuição para o polêmico tema. Como arquiteto e envolvido na cultura pelotense, sinto-me habilitado para tal.

Desde 2007 os membros da Academia Pelotense de Letras (APL) tentam homenagear, presentear Pelotas com uma obra – conhecida como Portal Grego – em frente à sede da entidade, cuja construção já foi iniciada, suscitando controvérsias e, mais uma vez, contestada pelo Conselho Municipal de Cultura (Concult).

Ironicamente, em Pelotas, orgulhosa de seus valores culturais, há uma falta de sintonia entre uma academia de intelectuais e um órgão municipal, ambos voltados à preservação e divulgação do nosso bem maior – a cultura – e que, por isso mesmo, deveriam trabalhar em perfeita harmonia.

Existem, a meu ver, equívocos dos dois lados, tanto dos defensores como dos contestadores do questionado pórtico ou portal.

Similar pórtico protege a entrada
da antiga Escola Eliseu Maciel (1883)
A imprecisão já começa pelo nome, visto que não aparenta se tratar de um simples portal, mas de uma construção arquitetônica de consideráveis dimensões, inclusive com estrutura de micro-estacas de concreto armado. Construção contígua à sede da APL que, se não altera as características daquele tradicional prédio, pode comprometer o visual e ser um elemento fora do contexto, segundo o Concult.

A argumentação para a não aprovação da obra, justificada por critérios tais como: "inadequada aos padrões da cidade" ou "não pertinência de um modelo com referencial exógeno e sem conexão com o padrão de nosso patrimônio histórico", soa como sentença surreal, fruto de um conceito (talvez preconceito) ou gosto pessoal dos membros do Concult e em desacordo com as evidências da realidade pelotense.

É óbvio que uma decisão de um conselho municipal responsável pela cultura não pode, singelamente, basear-se no que os seus membros – por mais qualificados que sejam – entendem por "bom gosto" ou "mau gosto", atitude mais condizente com o júri do Programa do Faustão. Imaginem se nós, arquitetos, ficássemos dependendo do gosto pessoal dos encarregados da aprovação dos nossos projetos na prefeitura, quantas e quantas obras espalhadas pela cidade não seriam construídas! Estaríamos à mercê dos humores dos burocratas de plantão; coisa de regimes totalitários.

No prédio moderno, o imenso e solene portal se inspira na Grécia Antiga.
Desta incoerência arquitetônica os pelotenses não reclamam.
Basta uma simples observação de qualquer leigo nas fachadas dos nossos prédios históricos – neoclássicos ou neorrenascentistas – para se constatar a presença de cariátides, frontões, arcos, colunas jônicas, dóricas, coríntias..., enfim, referências greco-romanas, nas quais não só a arquitetura, mas toda a nossa cultura ocidental tem origem.

Casa de loja maçônica
mescla diversos elementos
Portanto, o argumento de que o portal possui referencial "exógeno", desconexo com o padrão de nosso patrimônio histórico é algo absurdamente falso, além de ser uma afronta aos membros da APL, homens e mulheres cultos, professores, historiadores, escritores e poetas com obras publicadas, que muito contribuem à cultura de Pelotas.

Não simpatizo com a construção do portal da Academia, no entanto jamais utilizaria uma justificativa baseada numa argumentação inverídica e insustentável. Outros motivos poderiam ser apresentados, como o excesso de construções numa área onde deveria prevalecer o verde – no caso, o Parque Dom Antônio Zattera, antiga Praça Júlio de Castilhos (nome que, aliás, deveria ter sido preservado).

Minha sugestão seria, ao invés da APL gastar R$ 20 mil em mais uma construção no Parque, um projeto paisagístico no local com árvores e bancos. Uma iniciativa bem menos custosa, simpática e ecológica, evitando toda essa polêmica em torno de um portal, considerado por alguns como um "presente grego" à Princesa do Sul.

Pedro Luis Marasco da Cunha

Pórtico da Academia Pelotense de Letras, após a inauguração em novembro de 2012

Fotos: Facebook (1) e F. A. Vidal (2-6)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A escada que não quer calar

Esta foto apareceu no Facebook esta noite e em poucas horas conquistou os leitores. O Pop Center Pelotas, nome próprio do novo shopping popular (que tem um só andar), também tem conquistado a simpatia dos compradores. A pergunta despertou criativos comentários (selecionei metade).

Qual seria a intenção da pessoa que projetou esta escada no novo camelódromo?

Matheus: é pra quando dá enchente neguinhu se salva

Monica: Se o projeto incluir um segundo pavimento,ta explicado. A escada daria para um corredor/passarela.

Fabiane: eu já descobri...vc me deixou curiosa e eu fui la perguntar...kkkkk

João: Talvez está no papel ainda uma saída de emergência..

Felipe: Isto é uma plataforma para saltos ornamentais! Para pular na piscina que se forma ali quando chove. Jogos Olímpicos Pelotas 2050!

Gabriela: escada para o céu

Rosângela: levar um tombo.....kkkkk

Tania Nicolette: ficar alguem de guarda ? aahahahaha

Núbia: Tentar suicídio?!?

Lessandro: Simples!!! Na parte de cima vai ser futuramente um estacionamento (além do outro que será construído no antigo local onde eram as bancas). Assim sendo, ali na parede onde aparece os tijolos em cinza, será aberto e colocado a plataforma de concreto de acesso ao interior do estacionamento, bem como, por lógica, também será aberta a outra parede de tijolos cinzas na parte de baixo, e peloo visto a escadaria vai além, dando a opção das pessoas irem direto para a rua (pois podem apenas querer estacionar no local mas ñ irem ao camelódromo). Bem lógico quando se olha com atenção.

Ane E Carlos: Nada é por acaso!!! Mas aqui a primeira opção é sempre uma critica.

Fernanda: Deve ser sua tese de conclusão do curso de Engenharia...não, Desenho Técnico...não,brinquedo de construir casinhas....ops! aguardemos,vem mais construção do lado direito !!!

David: é uma escada de acesso ao segundo pavimento provavelmente é lógico

Vinicius: Claro, David, é uma escada de acesso sim, vem de brinde uma marreta para derrubar a parede do 2º pavimento para poder entrar, provavelmente, é lógico!

Othavio: pode ser que o estacionamento possua mais de um andar, e essa escada dê acesso à ele. Sabendo que o estacionamento será construido ao lado, essa é uma hipótese lógica. E sobre a parede fechada, pode ser que quando construirem o estacionamento, botem portas nas paredes.

Clovis: é escada para incêndio ou para enchente por ali tem ok

Liliane: A escada que vai pro nada...

Samuel: construções pelotenses

Tania: é para quando os funcionários estiverem estressados, subirão as escadas e ao chegar no ultimo degrau de joelhos levantam as mãos para o céu e pedirão perdão por todos os votos equivocados que deram ao longo de sua vida.

Anahí: a escada misteriosa FPDSLFJKLKSDJFLÇDJF impossível não rir disso... rir pra não chorar

Marlene: Mas bah tchê, o que é isto ?

Adilson: Gente, pode ser o que quiser, mas que ficou ridiculo antecipar esse trecho, isso ficou. kkkk