quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Saquinho mundo (poema)

Boné branco
Jaqueta branca
Sorriso branco
– Um saquinho doce, por favor ... 
– Como vai?
E assim se passam os anos
Para mim e o pipoqueiro da Praça.

A pipoca é tão branquinha!
Que maravilha seria se as almas dos seres humanos
Fossem pipoca! Doces ou salgadas – mas alvas, 
Isentas de preconceitos ou rigidez
Estando em harmonia no saquinho mundo!

E o que nos uniria a todos seria tão profundo,
Que, finalmente, se poderia afirmar, sem errar,
“Os homens são todos iguais!”

E estão felizes, a pipocar.
Loiva Hartmann
Poetisa e patrona do blogue

Sr. Élbio Borges, há décadas na praça Coronel Pedro Osório,
é o pipoqueiro mais antigo da cidade.

Foto: Alisson Assumpção

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Satolep, noite

Marcelo Soares registrou um momento mágico do anoitecer de hoje, prévio à passagem de um pequeno dilúvio que durou uns minutos e serviu para baixar a temperatura de verão (34 graus à tarde).


Gala Lírica 2014

Os jornais atualmente limitam-se a anunciar os acontecimentos artísticos, priorizando sua função de antecipar os fatos da agenda e preterindo a missão de pesquisa e crítica da cultura local e de formação de público. Tal vem observando-se há décadas em nossa cidade, talvez acompanhando uma lamentável tendência nacional, o que contrasta com a história pelotense, rica em eventos e em publicações, e com a boa educação do público e a existência de especialistas universitários em arte e cultura. 

De longe em longe, jornalistas do Diário Popular comentam espetáculos, deixando de lado o valor educativo de tais especialistas. A falha se faz notar tristemente em megaeventos como o Festival SESC, onde inexiste a crítica, e o Pelotas Jazz Festival, relatado por especialistas de fora, que visitam Pelotas por primeira vez na vida. A TV local registra os fatos de modo fragmentado, sem o menor sentido crítico (v. exemplo de 5-12-2010).

Um exemplo desses ocorreu com a Gala Lírica 2014 da Sociedade Música pela Música, realizada em 13 de novembro passado, com duas amplas matérias anunciando o concerto (v. notícia de 28-10-14 e do dia 13-10-14) e nenhum comentário posterior. Isto vem mais pelo desinteresse do veículo da mídia do que pelo dos leitores ou dos artistas. 

Para compensar em parte esta omissão, este blogue tenta explorar, há seis anos completos, o texto analítico sobre a nossa cultura, e foi com essa intenção que em 2013 denominou dois patronos: a professora Loiva Hartmann, promotora cultural, e o cronista Francisco Dias da Costa Vidal, representante da crítica de arte desde 1953.

Coro e Orquestra da Sociedade Música pela Música se apresentam anualmente.

Clima e desempenho sinfônico em Pelotas

Mais precisamente, no Theatro Guarany e perante uma plateia muito atenta, os apreciadores da arte musical tivemos a feliz oportunidade de, na passada noite de 13 de novembro, usufruir de uma noitada magnífica, propiciada pela Sociedade Pelotense Música Pela Música, que comemorou grandiosamente seus 24 anos de denodado trabalho coral e os 10 anos de sua agrupação filarmônica.

Esta Gala Lírica teve o concurso magistral da soprano Elisa Machado, do barítono Fernando Montini e do tenor João Ferreira Filho, todos muito bem conduzidos pelo Maestro Sérgio Sisto, mobilizados: coro, solistas e a excelente orquestra da instituição, perfeitamente “em dia” com o desempenho instrumental e harmônico, deixando ali uma bela prova desse treinamento em conjunto, ao abordarem autores em nível de aprovação internacional.

O programa iniciou com a Abertura de “Orfeu no Inferno”, de Offenbach, seguindo-se um trecho do Fausto de Gounod. Logo, Verdi fez-se presente com os trechos “Sempre Libera” e “Un di felice”, de “La Traviata”. Puccini e Rossini tampouco podiam faltar, respectivamente na “Recondita Armonia” e no “Barbeiro de Sevilha”, cada qual uma carícia auditiva, encerrando-se esta primeira parte da programação em outro magnífico solo do “Fausto” de Gounod.

A segunda parte do programa trouxe mais sete belíssimos trechos, começando por clássicos do porte de Massenet (“Meditation”) e Offenbach (“Barcarolle”). Logo ouvimos o Coro dos Soldados, de Gounod, e o Coro dos Ferreiros, de Verdi, para continuar com “Udite o ristici”, do “Elisir”, de Donizzetti, e ”Si ridesta in ciel”, da Traviata de Verdi, autor que finalizou o programa com “Vieni o Guerrier” da “Aida".

Um Coro Sinfônico de sopranos, contraltos, tenores e baixos, mais uma Filarmônica completa, composta por cordas, sopros e percussão, assumindo cada qual seu papel, deixaram forte marca na memória dos apreciadores, neste encontro musical que ficará na história, no qual uma centena de músicos participaram, com classe e unidade, de uma noitada das mais belas que até hoje nos foi dado escutar e aplaudir, merecidamente!

Francisco Dias da Costa Vidal

João Ferreira Filho e Letizia Etcheverry interpretam "Lippen Schweigen", dueto da opereta "A Viúva Alegre" de Franz Lehár. Concerto Innamorato, da Sociedade Pelotense Música Pela Música, na XVII Fenadoce, 2009.

A ideia de criar o PT foi de um pelotense

O advogado pelotense Huberto Luiz Paiz Machado, atualmente com 68 anos e morando em Santa Maria, afirmou no Facebook que a ideia de fundar um partido do movimento sindicalista brasileiro surgiu das bases gaúchas em 1978, mais precisamente de um funcionário do BANRISUL em Porto Alegre: um pelotense, o sindicalista Felipão Nogueira, então colega de Huberto no Direito da UFRGS. E cita testemunhas ilustres.

Leia abaixo a nota de Machado, escrita esta semana (não pública), e outra sobre corrupção e pragmatismo na política, escrita em outubro passado, antes do Segundo Turno Aécio x Dilma (Facebook, 14-10-14).

Petismo é coletivismo

Lula não é o PT. Ele divulgou a ideia e deu a impressão que era o mentor dela. Eu testemunhei os fatos e um dia vou contar essa História em detalhes.

Sábados de outubro de 1978:  7, 14, 21 e 28.
A ideia de criar o PT foi do LUIZ FELIPE DA COSTA NOGUEIRA (nascido em Pelotas, funcionário do Banrisul e falecido em 2006).

No Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, ele propôs em reunião, num sábado – outubro de 1978 – para que se fundasse o Partido Sindicalista e se evitasse a manipulação do povo por Políticos Tradicionais, na reorganização partidária. Aprovamos a ideia, éramos uns 15 bancários.

Olívio Dutra, presidente do Sindicato, soube no sábado seguinte. Gostou da idéia e a levou para a INTERSINDICAL (Reunião de outros Sindicatos de Porto Alegre), onde foi aprovada. Logo surgiram os núcleos dos Jornalistas, Vigilantes, Pedreiros, Advogados, Estudantes, Tecelões...

Então, nos cotizamos para que Olívio levasse a ideia a uma reunião de Sindicalistas convocada por Almino Afonso (que voltara do exílio). Era início de 1979. Almino Afonso e os Sindicalistas Paulistas ouviram a idéia. No dia seguinte, Lula falou à mídia na primeira pessoa:

– Para mim, só se resolve a questão dos trabalhadores criando um partido semelhante ao Partido Trabalhista Inglês.

As TVs noticiaram que a idéia era do LULA , e o mito ficou até hoje.

Lembro Velhos Companheiros dessa época: Antônio Sanzi (v. reportagem), Nilton Azevedo, o escritor Airton Ortiz (Porto Alegre), o José Fortunati (ex-bancário e atual Prefeito de Porto Alegre, que hoje está no PDT). Eles confirmarão o que digo. Assim, Dilma faz bem em não render-se ao Culto à Personalidade do Lula, pois Petismo é Coletivismo e PT não é Lulismo.

Huberto Machado, 4-1-15
De acordo ao Sindicato dos Bancários, o pelotense Luiz Felipe Nogueira foi militante do movimento estudantil (na UFRGS), depois funcionário do BANRISUL e protagonista do sindicalismo bancário nacional. Desde os anos 70, ocupou cargos diretivos no Sindicato de Bancários de Porto Alegre e Região (foi presidente 1987-1990), na Federação dos Bancários (FEEB-RS) e na Confederação Nacional (CNB-CUT). Na greve nacional de 1979, foi preso e cassado, junto a Olívio Dutra e outros dirigentes bancários. Aposentou-se em 2004, e morreu em Porto Alegre aos 55 anos, de uma parada cardíaca, em 14 de janeiro de 2006.
Sobre a criação do Partido dos Trabalhadores, Marisa Z. Godoy (UFRGS, 2014, leia aqui) sustenta que o PT nasceu de três vertentes, sendo a primeira e mais forte "o grupo dos sindicalistas, articulado pela Intersindical, que toma a iniciativa de propor a criação de um Partido dos Trabalhadores e passa a aglutinar as outras duas vertentes" (p. 17). Isto ocorreu em janeiro de 1979, quando o IX Congresso dos Metalúrgicos de São Paulo aprovou a tese do Sindicato de Santo André (p. 23-24). A referência é a pesquisa de Marta Harnecker "O sonho era possível" (1994). A Wikipédia sintetiza que o PT "surgiu da organização sindical espontânea de operários paulistas".
Por outro lado, o Instituto Lula reconhece que a fundação do PT foi fruto de muitas ações coletivas ao longo do Brasil: « A legenda é resultado de dois anos de articulações, desde as greves de 1978, quando surgiu pela primeira vez a proposta de criar um partido do povo, e não apenas para o povo: "de baixo para cima", na definição de Lula » [clique em Leia Mais, em fevereiro de 1980]. 
Assim, se a ideia deu certo porque um líder (nordestino) a reconheceu e a levou à prática (em São Paulo), parece não mais importar onde nasceu a primeira proposta (no Sul), pois já teria nascido com o caráter de coletiva. O Brasil é uma construção coletiva, ainda no embrião.
Foto: Portal PT 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A Arte nos convida a recriar nosso Ser

A professora Loiva Hartmann, patrona deste blogue, nos envia uma mensagem de Ano Novo em forma de um miniensaio sobre o sentido existencial da literatura. Se descobrirmos que o roteiro de nossa vida pode ser desenhado e redesenhado como se faz com uma obra de arte, usaremos nossa criatividade, nossa capacidade de esperança e a virtude da solidariedade para fazer do mundo um lugar melhor para todos. 

Somos o que lemos, já disse um autor. Se algum dia abrimos os olhos para as coisas mais importantes da vida, é porque alguma ideia de um grande mestre chegou a nosso conhecimento, e nos fez depurar o que fazemos na vida. Se queremos um mundo melhor, comecemos por nós mesmos, por nossa inteligência e criatividade. Que este pensamento nos faça extrair do ano 2015 as máximas gratificações, para nós e nossos iguais.

A Ponte JK, sobre o Lago Paranoá em Brasília, é um arrojado projeto do arquiteto Alexandre Chan.
Seus arcos diagonais foram pensados para sugerir o movimento de uma pedra quicando n'água.

Pensar a arte é pensar a existência e a estrutura que a possibilita

A crise da modernidade é a consciência de que um único modelo filosófico não contempla todos os domínios do saber humano. Dá-se então a irredutível ruptura entre o conhecimento filosófico e o científico. Como diz o sociólogo alemão Jürgen Habermas (nascido em 1929),
"temos que perceber os sinais de um novo tempo, uma nova época, um novo princípio não organizador da história em períodos, de um novo princípio que nos faça perceber as coisas de outra maneira, em nível de razão, em nível de compreensão do ser humano na história" [citado do livro "Epistemologia e Crítica da Modernidade", do professor gaúcho Ernildo Stein, 1991, p. 23].

Pensar a arte é pensar o que somos

O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) vê a arte como uma forma de atingir a totalidade do real, de compreender a existência.

Recriar o real é ver o que está subjacente ou latente, é sentir ou pressentir a articulação primeira da obra. Na criação artística, para Aristóteles, a mimesis (imitação mimética do mundo real) instaura um valor que constitui um apelo a todos os homens, e a catarse (purificação emocional) é o grau mais acabado da libertação promovida pela arte, sendo que ambas se unem na tensão estrutural [conforme o acadêmico Eduardo Portella em "Teoria da Comunicação Literária", 1976, p. 46].

A vida humana é como uma amarelinha,
um perneta querendo chegar ao céu.
Para senti-lo, é preciso ler o livro de Cortázar.
Pensar nosso texto criativo

Na literatura, a criação apresenta várias faces: 1) o Tema, que é o impulso que leva o artista a criar certo conteúdo; 2) a Estrutura, que é a organização da obra em si; 3) o Modelo: este decifra a estrutura na medida que mostra sua dinâmica, indica uma direção de sentido e desencadeia a sensibilidade do leitor – ele se constrói com dados da época e da situação da obra lida ou investigada.

Há dois tipos de narrativas literárias: as de estrutura simples, de fácil compreensão, e as complexas, onde são introduzidos estranhamentos, alterações nos elementos convencionais até que eles se tornem polissêmicos, ampliando sua carga de informações. Estranhamento é desvio da norma, é uma expansão do significante na construção das frases, na articulação das personagens, é ruptura com o significado.

A complexidade do texto literário aparece em três níveis: da narrativa, das personagens e da língua. A obra de narrativa complexa não tem fim nem começo, e o início é uma continuação do final. Alguns exemplos são "Grande Sertão: Veredas" (Guimarães Rosa, 1956), "Rayuela" (J. Cortázar, 1963) e "Cien Años de Soledad" (G. García Márquez, 1967).

As personagens complexas rompem com a lógica do espaço e do tempo, são universais e atemporais. Poderiam ser outras: Cristo, Virgem Maria, El Cid [ver "Em memória de João Guimarães Rosa", de Carlos Drummond de Andrade, 1968, p. 15].

Sendo a linguagem literária imagem, está explicado por que as manifestações literárias complexas não se utilizam da linguagem – mas criam uma nova linguagem, um novo estilo, produzem palavras, significados e ordens gramaticais.

Com "A Mão e a Flor", escultura em aço, Oscar Niemeyer agradeceu à França por tê-lo acolhido.
"Desejo ver um mundo fraternal, em que as pessoas não queiram descobrir o defeito dos outros,
mas sim tenham prazer em ajudar o outro", disse o artista.
Analogamente à literatura, podemos descobrir que nosso Ser íntimo é como uma narrativa complexa que se desenvolve sem início nem fim, de modo repetitivo ou como continuação de nossos pais, avós e bisavós. Que dentro deste Ser local existem personagens arquetípicos da Humanidade, como vilões, sábios, heróis, bruxos, cuidadores. Ou que nossa lógica linguística pode ser usada e recriada de diversas formas.

Recriar a linguagem, em Rosa

A literatura de João Guimarães Rosa (1908-1967) é, no grau mais absoluto, instauradora, fundadora. Sua obra pode ser analisada por diversos prismas, tantas seriam os estranhamentos e as contradições. Mas é a partir delas que se vai esclarecer e divisar realmente seu alcance.

Rosa despertou as inusitadas palavras e fez com elas o que Lúcio Costa e Oscar Niemeyer fizeram com espaços e linhas, em Brasília e no mundo inteiro. Serviu-se de recursos que vão desde a criação linguística pessoal até a mistura, artisticamente dosada, de vocábulos arcaicos e modernos, nacionais e estrangeiros, eruditos e populares, ao jogo exótico das palavras na frase, obtendo efeitos surpreendentes, no ritmo e na sonoridade.

O vocábulo inédito leva ao âmago das coisas. É, em Rosa, uma necessidade temática profunda. Na gramática, seus gerúndios ou particípios equivalentes a orações, alguns até precedidos de conjunção, constituem tradição milenar da linguagem oral. Rosa sabe, como pesquisador devotado e profundo conhecedor de várias línguas, que linguagem é criação contínua, e, com seu temperamento de relojoeiro, deforma e remonta uma gramática e uma retórica que têm ignorado importantes possibilidades da língua portuguesa.

Em carta a seu tradutor alemão, Curt Meyer-Clason (1910-2012), referindo-se ao Quem de sua língua, Rosa afirmou:
“A língua para mim é instrumento: fino, hábil, abarcável, penetrável, sempre perfectível. Mas sempre a serviço do Homem e de Deus, da Transcendência” [tomado do livro "João Guimarães Rosa", vários autores, UFRGS, 1969, p. 132].
A obra de Rosa é eminentemente humanista, a exemplo dos alemães Thomas Mann (1875-1955) e Hermann Hesse (1877-1962). Contrapõe-se ao niilismo do irlandês James Joyce (1882-1941). A religiosidade de Rosa é vivencial, é intuição do universo, é o sentimento da radiosa aventura humana no mundo. Pelas falas de seus personagens, depreende-se que Deus é o sim, é a justiça, enquanto o Diabo é o não, é o mal, a guerra: é a desordem que se opõe à ordem. E nessa polaridade vive o homem.

A Santa Casa de Pelotas foi construída em partes, desde 1867 até 1934.
Por isso mostra notórias assimetrias e mesclas de estilos formais {foto H. de Borba].

Pensar-se a si mesmo é pensar o Ser

Pensar a arte é pensar a existência e a estrutura que a possibilita. Assim como o filósofo e o cientista buscam novos modelos e novos paradigmas, o artista busca novos temas, novos esquemas e novas linguagens para suas obras e projetos.

Os mais rupturistas e inovadores foram os que permaneceram na memória dos séculos e no registro das enciclopédias. Ao buscar novos caminhos, os revolucionários questionam a própria organização do que já existe, e assim fazem uma pequena e focada filosofia da existência.

Cada início de ano nos sugere: podemos reiniciar a vida, rompendo esquemas limitados de nossa estrutura, de nosso comportamento e de nosso Ser. Que este 1º de janeiro seja uma oportunidade para que, como os grandes escritores e os grandes sinfonistas, repensemos nosso roteiro de vida, para reinventar nossas personagens e readaptar nossas mimetizações no mundo real.

Loiva Hartmann
Academia Pelotense de Letras

A orquestra francesa Concert Spirituel recriou efeitos do séc. XVIII pedidos pelo rei George II
na "Música para os Fogos de Artifício", apropriada para celebrações como o Ano Novo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Patrulha Maria da Penha está em Pelotas

Brigada Militar ideou em 2012 a Patrulha de apoio à mulher agredida .
A Patrulha Maria da Penha é um novo método da Brigada Militar destinado a diminuir a violência doméstica contra a mulher (v. definição). Numa viatura especial, dois brigadianos visitam aquelas mulheres que já obtiveram medidas judiciais de proteção contra seus agressores, que geralmente são maridos ou ex-namorados, monitorando de modo ostensivo o andamento do caso e também explicando aos agressores que podem ser presos caso desobedeçam as medidas.

O projeto da Brigada Militar começou em 2012 e é pioneiro no Brasil. Como já mostrou resultados positivos (diminuição de femicídios, estupros e lesões, veja informação), está sendo replicado no interior gaúcho e em outros estados (Espírito Santo, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Paraná). Em Pernambuco surgiu em 2013 (v. notícia); em São Paulo o sistema se denominou "Guardiã Maria da Penha" (v. notícia).

Não é função da Patrulha Maria da Penha atender "ocorrências" (novas agressões ou novos casos, que a Polícia Civil deve registrar); isto é feito pelo serviço normal da Brigada. Tampouco aplicar castigos aos desobedientes. O objetivo é, em apoio à Lei Maria da Penha, de 2006 (leia o texto da Lei 11.340), refrear a violência contra a mulher que já foi ameaçada ou agredida, já denunciou e já foi favorecida com a ordem judicial de afastamento do denunciado. Como havia alta reincidência mesmo nestes casos favorecidos, devido à sensação de liberdade e impunidade dos agressores, viu-se que era preciso acompanhar os casos de modo visível e próximo. O sentido desta Lei é minimizar a violência de gênero, ou seja, proteger a mulher agredida ou humilhada por ser mulher, não importando de onde vier a violência (de um homem, de outra mulher, de um grupo, ou de algum agente do Estado).

Este serviço especializado começou em Porto Alegre e Canoas, nos assim chamados "territórios de paz", e deu resultados positivos. Ao longo de 2014, o governo estadual e os comandos regionais têm reeditado o mesmo trabalho em bairros de cidades com alto índice de violência à mulher, conseguindo diminuir notoriamente a reincidência. Uma vantagem paralela é que as patrulhas Maria da Penha têm ajudado a melhorar o diálogo entre a Polícia, o Judiciário e os serviços municipais.

Delegada Lisiane Mattarredona, titular da DEAM de Pelotas
Anunciou-se em 2013 que uma patrulha começaria a funcionar em Pelotas desde março de 2014, mas isto não foi possível. Devido à necessidade, o trabalho foi implementado em junho de modo precário, sem todos os elementos (por exemplo, sem tablet e sem armas de eletrochoque).

Nestes seis meses, o serviço já monitorou mais de uma centena de casos na cidade, e somente em pequena parte a agressão continuou ocorrendo, o que significa que o sistema está cumprindo seus objetivos.

Entre 100 e 200 estima-se o número de casos (num semestre) de mulheres com medidas protetivas autorizadas por um juiz. Pode parecer muito, mas na realidade isso representa baixa porção, ao redor de 10%, dos casos denunciados. De aproximadamente 200 denúncias mensais na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), umas 70 pedem protetiva e metade a obtêm. Estas últimas é que agora contam com o apoio especial de vigilância (de segunda a sexta) para verificar o distanciamento do agressor. Se, com tudo isso, este agressor se aproximar, ele é considerado infrator e pode ser preso, se o fato for denunciado na Polícia Civil. De noite e nos fins de semana, o monitoramento não é realizado, mas nas emergências existe o apoio habitual da Civil e da Brigada Militar.

Também de segunda a sexta, a mulher agredida pode buscar orientações e apoio psico-social no Centro da Mulher, aberto desde março de 2014 no prédio do CREAS (Barão de Itamaracá 690, Cruzeiro), próximo ao Foro de Pelotas e à DEAM. Confira entrevista com a Capitã Vanessa Wenitt, do 4º BPM, em agosto de 2014.


Fotos: Governo RS (1) e M. Vasconcellos (DP)

Cores que dão vida aos momentos de crise

O Corredor Arte, em sua exposição nº 289, está mostrando uma coletiva de telas de Elenise de Lamare, Alice Bender e Vera Souto, integrantes do MAPP (Movimento dos Artistas Plásticos de Pelotas). As três optaram pelas flores e suas cores vibrantes, tendo em vista colocar sinais de vida e alegria no espaço hospitalar – especialmente neste tempo de mudanças, crises e despedidas – e levar uma mensagem simbólica de conforto àqueles que sofrem ou estão próximos da doença e dos tratamentos médicos.

Um minipresépio também foi colocado junto à árvore natalina, como é costume cada fim de ano. O Corredor Arte do Hospital Escola UFPel pode ser visitado todos os dias, na Rua Professor Araújo, 538.

Fotos: Corredor Arte

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Projeto didático do Latino-América Duo

O Latino-América Duo publicou hoje (30-12) o vídeo de divulgação do projeto de concertos didáticos "Música sem Fronteiras", realizado em outubro de 2014, através da FUNARTE, nas cidades de Rio Grande, Bagé e Santana do Livramento. A agrupação é constituída, desde 2008, por José Daniel Telles dos Santos e Alexandre Simon, violonistas gaúchos formados no Conservatório de Música da UFPel, que também lecionam, pesquisam e compõem em seu instrumento.

Através deste projeto de extensão, o duo de músicos apresentou 12 recitais de música latino-americana, em somente nove dias, a alunos de escolas públicas da região sul (de nível fundamental, médio e superior). O programa incluiu milongas e tangos instrumentais, choros brasileiros e sambas-canções, transitando entre o popular e o erudito. O objetivo foi ampliar o conhecimento musical dos jovens, mediante música que representa a identidade cultural da região de fronteira.

Confira outros registros da agrupação no canal de vídeos de José Daniel.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Primeiro casamento no Café Aquários

No último sábado do ano (27-12), foi festejado um casamento no tradicional Café Aquários, local que já se prestou para filmagens, representações teatrais e até mesmo uma sessão de autógrafos, em 2012 (v. nota neste blogue). A notícia foi dada hoje duas vezes: pela edição estadual do Jornal do Almoço (v. vídeo no portal G1) e pelo programa local da RBS (v. nota Café em Pelotas recebe casamento).

Neste café, Fabrício e Mônica descobriram o amor, há 15 anos.
Fecharam o rito de compromisso hoje, no mesmo lugar.
Tratava-se de uma surpresa feita pelo noivo, o jornalista Fabrício Cardoso (v. blogue no Diário de São Paulo), a sua colega e companheira de 14 anos, Mônica dos Santos Torres (v. Facebook). O gerente Carlos Dias disse que era a primeira vez que ali se celebrava um casamento.

Fabrício organizou o encontro à distância, programado para as férias em Pelotas, e todos os convidados guardaram o segredo, para surpreender a noiva. O violinista Mauro Buss tocou "Como é grande o meu amor por você" e o amor ficou assinalado com flores, champanha e os anéis da aliança conjugal.

Para os dois pelotenses, que saíram daqui para Blumenau e hoje moram em São Paulo, foi mais importante assinalar a união neste local e numa lua-de-mel natalina num hotel-charqueada, do que num rito religioso. De acordo ao blogue Desgarrados de Satolep, ele é xavante e ela, áureo-cerúlea. Foi no Café Aquários que eles descobriram, há quinze anos, como era bom ficar juntos. Afinal, é o amor que faz do mundo um lugar bom para viver.
Foto: Facebook

Humanização do Hospital a través do amor

Asiladas do lar vicentino receberam a presença e os presentes do Papai Noel.
O Grupo de Humanização do Hospital Escola da UFPel informou no Facebook (24-12) sobre mais uma edição do Projeto Abraço de Natal, em visita às moradoras do asilo da Sociedade São Vicente de Paulo, na terça 16-12. Funcionários do Hospital levaram a alegria e a esperança ao lar feminino da rua Senador Mendonça, pela gratuidade da música, dos comes e bebes, sorrisos, conversa e gentileza.

Cada ano nesta época, os trabalhadores do Hospital Escola se organizam para comprar presentinhos para as senhoras da vila vicentina, a maioria idosas. A atividade é preparada pelo Grupo de Humanização e a Ouvidoria, e a entrega dos presentes é feita por um Papai Noel funcionário do Hospital.

A vibração rítmica do Grupo Medicação humaniza o trabalho do Hospital.
O encontro foi animado pelo Grupo Medicação, com a atuação do cantor Fábio Saraiva. O evento também teve a participação do personagem Don Juan, moço bem vestido e sedutor, que dançou com todas as senhoras. Foi uma tarde de abraços, animação e carinho, que emocionaram e gratificaram a todos os envolvidos.

O Hospital da UFPel (que já foi conhecido como "Hospital da FAU") contém diversos projetos permanentes, destinados a humanizar o ambiente médico, que habitualmente é preocupante, tanto para quem sofre a doença ou a cirurgia como para seus familiares.

Como todo problema de saúde também representa uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida, tanto do corpo como do espírito, o tratamento neste Hospital é oferecido num clima de carinho e expressão de sentimentos, o que se consegue por meio da música, das dinâmicas de grupo, da pet-terapia, de exposições de artes plásticas (o Corredor Arte, divulgado periodicamente neste blogue), de atividades de serviço e de encontro social, entre outras ideias criativas.
Voluntários do Hospital UFPel esbanjam carinho, dentro e fora da instituição.
Fotos: Facebook

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O lampião fazia o silêncio falar (crônica)

O silêncio é bom filósofo. E conselheiro. Em uma sociedade barulhenta como a nossa, a maioria das pessoas sentem-se desconfortáveis com ele. Geralmente deseja comunicar-se com nosso interior, com o intuito de ouvir-nos e recomendar-nos instantes de reflexão. Entretanto, fechamo-nos a ele, ouvidos atentos ou não aos ruídos característicos da vida contemporânea.

Confesso-lhe, amigo leitor, que gosto muito do silêncio e de estar em silêncio. Criei-me numa zona da cidade onde à noite ouvia-se claramente o coaxar dos sapos nos charcos, o estalar da madeira da casa, o piar da coruja, o vento confessando mistérios às árvores e outros fenômenos causados pela falta de barulho.

Tudo isso reforçado pela luz do lampião a querosene, aumentando o sossego e diminuindo a fronteira entre o visível e o invisível. À noite tudo me parecia mágico.

À cabeça do menino que fui, havia a certeza de que a quietude causava a magia que se desenrolava à minha volta. Sem pressa, quase como num ritual, pegava lápis e papel na tentativa de relatar as sensações oriundas do momento. O relato, em letras praticamente ilegíveis, ia brotando de meu interior, aquecendo-me o peito, tornando o silêncio absurdamente palpável.

Hoje, ao sentir-me sacudido pelas inquietações, fecho os olhos e tento materializar a mesma paz. Aos poucos sobrevém o sossego, o coração se desacelera e sou capaz de ouvir, de forma tímida inicialmente, a sinfonia dos sapos, o piar da coruja, o segredar do vento às árvores, o estalar de tábuas...

E no fundo dos olhos brilha a chama do lampião.
Manoel Soares Magalhães, 19-12-14


Tenho boas recordações do Natal, sobretudo os de minha infância. Tudo era muito simples, a começar pelo presépio, que à noite, iluminado pela chama do lampião a querosene, assumia proporções mágicas. Para tornar tudo ainda mais encantador, eu colocava as mãos à frente da trêmula chama, projetando na parede, perto do presépio, bizarras figuras, que voavam ao redor do berço onde o menino Jesus, recém-nascido, dormia. Eu as observava, dando-lhes estranhos nomes. Gifaboi, mistura de girafa com boi; formicão, cruza de formiga com cão; gapeixe, mescla de gato com peixe e tantas outras.

Na rua, os ruídos característicos da noite, enxameada pelos vaga-lumes. Eu adormecia na janela, vendo-os desenharem na escuridão exóticas geometrias. Triângulos, retângulos, hexágonos, pentágonos, losangos e heptágonos... Figuras que eu conhecera num velho livro de geometria.

À meia-noite, ou pouco antes, tomávamos Coca-Cola e comíamos sanduíche. Acaso estivesse quente, costumávamos ficar debaixo da parreira, em silêncio, ouvindo o escuro.

Para quem não sabe, o escuro fala, sim. Dava-nos conselhos e contava histórias... Narrativas antigas de heróis, santos e santas, reforçadas pelo murmúrio do vento na copa das árvores.

Às vezes o escuro se calava, levando-nos a escutar nossos corações, a perceber o marulho do sangue nas artérias... Se ele não voltasse a falar, íamos dormir. E tudo isso aconteceria no próximo Natal. E no seguinte.

Certa noite, porém, a luz elétrica inundou a casa, dissipando de vez as figuras das paredes, calando também o escuro. E o lampião, que tanta fantasia engendrara, ornando as noites, apagou-se para sempre.
Manoel Soares Magalhães, 24-12-14
Fonte: Facebook
Imagens da web

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

"Uma corte nos pampas", a burguesia monarquista

O Mercado Central de Pelotas era assim
no século XIX. Foi mandado construir
logo após a visita do Imperador em 1866.
Em seu mais recente livro, a pesquisadora Zênia de León relata o lado humano dos titulados da nobreza pelotense do século XIX. De acordo ao blogue da Academia Pelotense de Letras, a escritora apresentou em outubro passado "Uma Corte nos Pampas", em primeira mão, no Museu Imperial no Rio de Janeiro, e em Petrópolis, onde se encontrou com descendentes do Imperador.

Posteriormente a obra foi apresentada, na Feira do Livro de Pelotas, pela Livraria Mundial, que está reeditando alguns livros de Zênia. Leia abaixo trechos do Prefácio, escrito pela pelotense Arita Cheuiche Godoy.

O governo de Dom Pedro II designou como barões e viscondes alguns de seus fiéis seguidores no extremo sul, homens que atuaram como empresários e políticos, benfeitores do Império, especialmente entre 1845 e 1888. Por seu baixo número e por sua proximidade com o poder, esse grupo de milionários, muitos deles sem linhagem nobre, constituía uma verdadeira "corte real". A ausência de um rei ou rainha nesse ambiente de opulência permitiria denominar esse grupo como "corte irreal". Em linguagem de hoje, os chamaríamos jet set ou "classe A".


Prefácio

A autora Zênia de León já nos apresentou inúmeros trabalhos em algumas linhas de produção escrita. Entretanto, é na área da pesquisa histórica que reside todo um potencial importante. É o gosto que tem por descobrir novidades históricas, episódios. Como este que agora nos brinda: saber um pouco mais sobre a nobreza em Pelotas.

Porque a cidade teve tantos titulados do Império e que atuaram como economistas, industriais, guerreiros, beneméritos, políticos, que representaram uma parcela influente na comunidade, aqui está sua presença. O que mais destaca neste trabalho é a ideia de uma corte quase autêntica. Só não autêntica por não ser real no sentido de existir. Mas real pelos aspectos comuns a uma corte. Vejamos:

A formação social no sul da antiga província era diferenciada. Corria paralela à “grande corte”, no Rio. Era absurda, antagônica, servil. Pensava-se na liberdade escrava, mas tinham-se escravos. Dessa ambiguidade nasceu o apogeu financeiro, o progresso, o refinamento, e nasceu também o próprio desejo de liberdade do gentio. Se “o rei de Portugal se estabeleceu no país em 1808 para criar um poderoso império no Brasil”, poucos anos depois se estabeleceria uma “corte fictícia” em Pelotas.

A corte em Pelotas, embora fictícia, é reveladora, merece ser contada por ter feito parte de um ciclo importante, o das charqueadas, da opulência e da cultura, e seu legado está aqui para se ver. A opulência arquitetônica como um bem inigualável da monarquia, a fundação de liceus, fábricas de azulejos, vidros coloridos, chapéus, carruagens...

Aspecto interior do Solar do Barão de Três Serros,
hoje restaurado e conhecido como Museu da Baronesa.
Homens pardos e mucamas iam ao mercado fazer compras, mas sinhazinhas acompanhadas lá compareciam para dar um toque da presença de cortesãos ao local. No mais, a “corte dos Pampas vivia esquecida, tranqüila, escondendo nas senzalas por mais de setenta anos uma mercadoria encalhada a trabalhar sob a chibata.

E era no subsolo dos casarões que se escondiam os obreiros da cidade. Em cima, uma biblioteca de causar inveja. Na economia, o apogeu das charqueadas; nas senzalas, o cansaço do escravo; nos salões, as luzes dos lustres acesos e nos porões, a escuridão dos catres.

A escritora está sendo corajosa ao tratar de um sistema extinto e sumariamente desprezado. Mas a História precisa de um registro. Este registro está sendo marcante. Abrem-se novos horizontes e novos olhares depois da leitura deste livro, temos certeza.

Na verdade, o livro que a escritora e pesquisadora Zênia de León nos apresenta é um retrospecto de informações, com fatos históricos vistos por olhos perspicazes que analisam o lado humano de uma geração extinta, os monarquistas. Foram quase dois anos de investigação sobre o tema para resgatar de forma acessível o que se passou há duzentos anos, no papel de seus figurões, protagonistas de uma história ainda não de todo explorada.

A verdade é que dificilmente se poderá encontrar um escritor, sobretudo no século XXI, que não reflita sobre tudo no século XX, de maneira a julgar com justiça e parcimônia os prós e os contra de um sistema.
Arita Cheuiche Godoy

Casa 2: Barão de Butuí. - Casa 6: Barão de São Luís. - Casa 8:  2º Barão de Cacequi
Imagens: APEL (1), ASCOM (2), 19&20, fig.01 (3)

domingo, 21 de dezembro de 2014

"O Caminho da Verdade", um presente com Arte

O Caminho da Verdade é, ao mesmo tempo, uma instalação de arte visual, formada por objetos móveis, e um instrumento para trabalhar a visualização interior, que na área da Arteterapia, dá origem a uma oficina de autoconhecimento. A instalação artística, o instrumento e a oficina foram criadas em 2008 pela artista e arteterapeuta portuguesa Cristina Poppe.

Esperança, figura do Caminho da Verdade
A instalação

Criada para a 1ª Bienal Internacional de Artes Plásticas de Montijo (Portugal, 2008), a instalação foi montada em duas partes:
  • uma mandala em espiral centrípeta, com 37 pés esquerdos, esculpidos em gesso, formando uma trilha em direção ao interior de si mesmo (abaixo), e 
  • um caminho curvo, formado por 24 pares de pés (veja aqui), sugerindo um caminhar em grupo. 
Cada objeto traz um desenho e representa um símbolo, e o conjunto pode ser reorganizado à vontade. O trabalho foi premiado na Bienal com 7500 euros (v. notícia).

O instrumento

O material do jogo é uma "caixa de sentimentos", que consta de um baralho de 85 cartas impressas com os símbolos da instalação. Estes pés servem para caminhar em direção da verdade, e cada símbolo representa um aspecto subjetivo da pessoa (gratidão, dor, missão, espiritualidade, liberdade, aceitação, humildade).

O instrumento psicológico pode ativar memórias íntimas, despertar o sentido da autoestima e elevar a consciência de si mesmo. Aplicado em oficina de grupo, o jogo inicia uma viagem emocional que permitirá retratar a verdade e o momento existencial de cada pessoa (também pode aplicar-se coletivamente ao grupo).

O material, que está em inglês e em português, pode ser comprado em Lisboa ou diretamente com a autora. No Brasil, a exclusividade de venda é do Ágape Espaço de Arte, e tem o valor de R$ 150 (R$ 142 à vista). Veja detalhes na página The Truth Path.

A atividade é indicada para quem trabalha com pessoas: psicólogos, educadores, arteterapeutas, terapeutas ocupacionais, psiquiatras, artistas, musicoterapeutas, orientadores espirituais. No Brasil, a oficina ainda não foi aplicada e está em fase de divulgação.

Além do jogo "O Caminho da Verdade", a galeria de arte JM. Moraes está com mais uma edição do Bazart, que oferece obras artísticas produzidas em Pelotas, de vários estilos, temáticas e técnicas, e alguns kits de materiais de arte, separados por técnicas. Os preços são acessíveis, e servem como sugestões para presentear, e para incentivar a criação.

A instalação "O Caminho da Verdade", premiada em 2008, deu origem a um jogo de autoconhecimento.
Imagens: Facebook

sábado, 20 de dezembro de 2014

Rei do Quindim

O Doceria Rei do Quindim existe em Pelotas há um ano. A casa não tem balcão de atendimento, mas entrega com rapidez encomendas feitas por telefone ou pela página da comunidade no Facebook.

A loja fabrica minidoces, pudins, bolos e tortas doces, tanto de receitas tradicionais como novidades para agradar o público jovem. Alguns exemplos dessas novidades são o quindim de leite condensado - ainda pouco comum em Pelotas - e o Naked Cake de quatro níveis (v. foto aqui). Esse "bolo nu", sem cobertura, deixa o recheio à vista e seduz até os menos gulosos, numa sugestão de strip tease. Uma equipe carioca fez versão parecida, com frutas vermelhas, em julho de 2013 (v. foto)

O atraente Bolo Kit Kat (dir.) foi construído em dois andares, para deliciar os olhos e provocar o paladar. Como a equipe é criativa, seguirá reinventando as receitas clássicas e trazendo novas combinações.
Foto: Facebook

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Os rios de Fernando Leitzke


"Os Rios que Navego" é um projeto do pianista Fernando Leitzke que busca financiamento pelo método coletivo, no sítio Benfeitoria. O prazo limite é a próxima quinta (25-12). Se a meta for alcançada, os doadores ganharão diversos retornos; se não, o dinheiro inscrito será devolvido.

Quem antecipar 30 reais no financiamento, garante um exemplar do disco. Com 60, o participante ganha o CD autografado. Quem pagar 100, ganha 2 exemplares autografados mais um ingresso para o show& de lançamento. Maior colaboração dá direito a outras recompensas, como agradecimentos públicos, uma aula de piano, maior número de discos, maior número de ingressos e até shows particulares. Faltando uma semana, 130 colaboradores já reuniram 57% do valor do projeto.

O jovem pelotense inclui no trabalho composições próprias e obras de Tom Jobim, Radamés Gnatalli, Rubén González, todas para solo de piano, com apoio de cordas e percussão e a participação de grandes músicos cariocas e gaúchos. Ouça uma das músicas de autoria de Fernando, Chaleira Quente.

O projeto navega pelas águas do samba, do choro, do candombe uruguaio, da zamba argentina e afluentes de além-fronteira. Fernando navega pela música do nosso Rio do Sul e, subindo ao Rio de Janeiro, ganha os rios da música brasileira e universal (v. reportagem do Diário Popular).

Fernando estudou piano erudito no Conservatório de Música da UFPel dos 13 aos 17 anos e seguiu praticando o piano popular nas rodas de choro do Bar Liberdade, sob a liderança de Avendano Júnior e Possidônio Tavares. Tocou em bares e em recitais, como solista, em duos e trios e com o grupo Quebraceira. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se aperfeiçoa como pianista de samba instrumental (o que um americano chamaria de jazz bossa).

Confira abaixo seu trabalho como arranjador e como acompanhador de Michel Tasky, belga fã do Brasil, (leia entrevista) no samba "Cabrochinha", de Pinheiro e Carrilho.



Foto: Facebook

POST DATA
21-12-14
Faltando 4 dias para o fechamento do prazo, o projeto já recolheu 88% do dinheiro necessário.
22-12-14
A 3 dias do término do projeto, já foram levantados 91% dos fundos.
26-12-14
Encerrado o prazo, 101% do dinheiro necessário permitirá realizar o projeto de Fernando Leitzke..

sábado, 13 de dezembro de 2014

Pelotense é bicampeão nacional de Kung Fu

Aos 22 anos, o pelotense Breno Berny Vasconcelos venceu o 25º Campeonato Brasileiro de Kung Fu/Wushu, realizado na cidade de Leme (SP), na última semana de novembro, e no qual participaram mais de 700 atletas de vários estados do país. Não é a primeira vez que o atleta conquista o título. Em 2013, ele trouxe para Pelotas o primeiro título nacional de sua carreira.

Breno obteve medalhas de ouro e bronze em 2014.
O atleta pelotense, que - como tricampeão estadual - há três anos representa o Rio Grande do Sul na competição nacional, desta vez competiu na categoria principal da modalidade Taolu, na qual o atleta deve mostrar habilidade em coreografias, com as mãos livres ou com armas.

Breno enfrentou atletas do mais alto nível ao apresentar duas coreografias individuais: uma sem armas, que lhe garantiu uma medalha de bronze, e outra com a espada, onde conquistou a medalha de ouro e o bicampeonato.

Com o título, Breno entra na disputa por uma vaga para representar o Brasil nos campeonatos internacionais de 2015: o Campeonato Sul-Americano (no Paraguai, em julho) e o Mundial (na Indonésia, em novembro). Em março, viaja a Campinas, para participar do primeiro treino classificatório que formará a seleção brasileira.

Tricampeão gaúcho e bicampeão nacional, Breno entrará
na competição internacional. Mas requer apoio financeiro.
Ele agora busca apoio financeiro para custear os treinos em São Paulo e a sua possível participação em campeonatos internacionais (v. a página web de Breno Berny Vasconcelos). Seu preparador físico é Marcelo Zanusso Costa, da Academia Equilíbrio.

O Wushu, conhecido popularmente como Kung Fu (v. Wikipédia), é uma arte marcial com raízes na história milenar da China. Atualmente, o Kung Fu ganhou uma roupagem mais esportiva, não mais em nível de técnica para a guerra, estando entre os esportes mais cotados para virar modalidade olímpica.

Em nível de competição, o Kung Fu tem duas modalidades: o Sandá é a luta corpo-a-corpo (free sparring) entre duas pessoas, seguindo regras específicas da modalidade; o Taolu refere-se à demonstração de habilidade e destreza corporais em lutas pré-coreografadas, apresentadas em grupo, trios, duplas ou individualmente, com as mãos livres ou com armas, tais como espadas, bastões e lanças.



Fonte: ASCOM

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

As aventuras do avião vermelho (1936-2014)


Estreou hoje (11-12) o longa animado "As Aventuras do Avião Vermelho", que resgata a obra infantil homônima de Erico Verissimo (1905-1975), o máximo escritor gaúcho (v. Wikipédia). Confira horários no Cineflix do Shopping Pelotas.

Companhia das Letras, 2003
Precisamente no ano de publicação do livro "As Aventuras do Avião Vermelho", 1936, nascia Luís Fernando Verissimo, o único filho homem de Erico. Em 1933, o escritor havia publicado "Clarissa", e em 1935 nascia sua primeira filha, batizada como a personagem de seu primeiro romance (leia um testemunho dela em 2013).

A história conta como um menino de 8 anos (chamado Fernando) lida com a hiperatividade decorrente da falta da mãe e a consequente necessidade de se afirmar como homem, com apoio do pai, valorizando as ações construtivas, a força da imaginação e a superação dos medos. Quem faz a voz do avião é o consagrado ator Milton Gonçalves, hoje com 81 anos, que em seus inícios trabalhou como dublador.

A temática do avião vermelho tem evidente inspiração no piloto militar alemão Manfred von Richthofen (1892-1918), conhecido como Barão Vermelho, personagem histórico que já rendeu livros e filmes. O nome do personagem Capitão Tormenta, que aparece dentro da história de Erico Verissimo e no filme em estreia, é uma homenagem ao livro de aventuras fictícias do italiano Emilio Salgari (v. Wikipedia), Capitan Tempesta, publicado em 1905.

Assim como as movimentadas aventuras do avião de Fernando ao redor do mundo, o filme gaúcho passou por muitos anos de pré-produção, desde 2003 até chegar hoje às salas de cinema de todo o Brasil. Veja outros filmes da produtora gaúcha OKNA e os vídeos de produção do filme no canal Avião Vermelho.
Imagens: Blog MPC (1), Adoro Cinema (2)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Água, raios e trovões abrindo o verão


Na legenda da foto de Nauro Júnior, tomada dentro do Mercado Central em plena tormenta, o sítio de um jornal porto-alegrense informou o seguinte, às 22:10 de ontem (9-12):
No sul do RS, choveu quase 30 milímetros em apenas uma hora na noite desta terça-feira.
A nota informava sobre a previsão meteorológica para todo o Rio Grande do Sul, e a imagem pretendia mostrar o estado do tempo na Metade Sul, mas o leitor ficou desinformado sobre o lugar preciso da fotografia. O sul do Estado é bastante extenso. Quem conhece a região sabe que se trata da torre do Mercado de Pelotas, trazida da Alemanha há cem anos, mas nem todos os internautas têm obrigação de saber. Assim como é justo identificar o autor, a notícia não fica satisfatória com a omissão de um detalhe como o lugar do fato, erro de principiante.

Com a beleza da paisagem urbana noturna, o fotógrafo registrou uma cena que não é raro presenciar em Pelotas: o céu sendo cortado pelos raios, enquanto pequenas cascatas jorram pelos lados. No entanto, poucos fotografam a nossa onipresente umidade. Deve-se reconhecer que não é fácil registrar a fugacidade da água da chuva, mas ali estão as gotas caindo, diante dos coriscos.

O próprio Nauro obteve, há 17 anos, uma foto tão ou mais emblemática que esta do Mercado (v. a postagem Luzes de Deus) e em 2009 escreveu uma reflexão sobre suas fotos de raios (v. blogue Retratos da Vida). Sobre a imagem atual, publicada pela RBS primeiro e depois por Nauro, este disse que foi obra do acaso, pois ia fotografar as luzes de Natal na praça, quando a chuva o fez refugiar-se no Mercado (veja seu comentário no Facebook).

Como também é acostumado por aqui, a chuvarada durou somente uma hora, refrescou o abafamento que havia e desapareceu aos poucos, deixando um rasto de ruas alagadas, semáforos apagados, pontos de táxi vazios e a praça central sem os visitantes de dezembro. 
Fonte: ZH