quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Os antigos cinemas de Pelotas

Em julho de 2008, o documentário de média-metragem "Estacionamento", de Cíntia Langie e Daniela Pinheiro, mostrou uma pesquisa sobre 30 cinemas que haviam existido em Pelotas, detendo-se para mostrar imagens de 18 deles. A produção pertence à Moviola Filmes.

O cartaz não anunciava o lugar de exibição, mas o nome do filme.
Estacionada era a situação da cinematografia na cidade.
O filme foi apresentado no Projeto Sete Imagens, com uma frase publicitária que evocava o triste destino do Cine Capitólio, fechado em outubro de 2007:
O Sete de Abril vai virar estacionamento!
Na ocasião, um simples banner amarelo anunciando o filme parecia confirmar o terrível anúncio (dir.).

O ator Lori Nelson entrou caracterizado como um mestre de cerimônias dos anos 20 e com expressão melancólica leu o roteiro de Cíntia Langie. Foi proclamada a morte dos antigos cinemas de calçada, mas, para alívio de todos, o Sete de Abril não viraria estacionamento. Somente veria "Estacionamento". Veja o teaser.

Após a performance, houve um debate com um crítico de cinema, um cineasta e professores da área. Com a ausência dos empresários convidados - João e Geraldo Sica, do antigo Capitólio - foram convidados de improviso os donos dos cinemas de Rio Grande, que estavam na plateia pelo interesse que este trabalho havia suscitado.

Cíntia Langie
Estreado em maio de 2008, Sete Imagens é um projeto do Teatro Sete de Abril para promover a criação local em cinema e vídeo. Ele continua em 2009. Após cada filme, há um debate com especialistas.

Com os dados de cada cinema, começarei uma pesquisa sentimental, para ampliar o conhecimento histórico de nossa própria cidade.

Cine Capitólio. Virou estacionamento. Pe. Anchieta 2009.
Cine Rádio Pelotense. Virou supermercado. Andrade Neves 2330.
Theatro Guarany. Não é mais cinema. Lobo da Costa 849.
Theatro Sete de Abril. Não é mais cinema. Pç Cel. Pedro Osório 160.
Cine Rei. Virou magazine. Andrade Neves 1967.
Theatro Avenida. Abandonado. Av. Bento Gonçalves 3972.
Cine Fragata. Hoje é casa noturna. Av. Duque de Caxias 668.
Cine Garibaldi. Galpão da Embaixador. Garibaldi 660-A.
Cinema Praiano. Abandonado. Tuparandi 366 (Laranjal).
Theatro São Rafael. Em ruínas. Pç 20 de Setembro 846.

Foram demolidos e em seu lugar há novos prédios:
Cine-Theatro Apollo. Gomes Carneiro 1661.
Cine América. Quinze de Novembro 205.
Cinema Politeama. Pç Cel. Pedro Osório 51.
Cinema Coliseu. Pe. Anchieta 1346.
Cinema Ponto Chic. Quinze de Novembro 602.

Foram ocupados por igrejas evangélicas:
Cine Tabajara. General Osório 1094.
Cine Esmeralda. Av. Domingos de Almeida 2114.
Cine Glória. Av. Cidade de Lisboa 245.
Os nomes das ruas e a numeração corresponde aos endereços atuais.
Fotos: blog Moviola (1) e F. A. Vidal (2)

5 comentários:

teresinha brandão disse...

Francisco ... apresentas um "quadro trágico" desses _ mas real! _ e, depois, ainda não tenho razão quando digo que Pelotas NÃO é um pólo cultural ...? Ai ...
Bj! Tê!

Francisco Antônio Vidal disse...

O trágico está em nossa percepção. Eu vejo esse quadro como estimulante. Os cineastas fizeram um filme com isso, e o teatro lotou.
Pelotas é um pólo cultural adormecido - esse é o conceito central do blog. Estou ajudando a despertar um pouco os focos de criação.
Os cinemas de calçada desapareceram em todo o mundo moderno. Só ainda existem alguns em Cuba, onde o governo os mantém existindo, mesmo sem projetores. Uma vez que estive lá, ano 2001, usaram a sala para mostrar um vídeo num televisor.
Vamos nos modernizar usando nossos talentos de sempre. Nós somos o pólo.

teresinha brandão disse...

"O Sete de Abril vai virar estacionamento" ... Não!!!! A notícia é falsa? Aqui vocês "avisam" ... eh, eh!
Bj!

Francisco Antônio Vidal disse...

A informação que coloquei aqui é baseada no documentário, e ele tem realmente um tom de tragédia. Deixa a falsa impressão de que Pelotas já teve 30 cinemas ao mesmo tempo (talvez tenha tido 15). Não apresenta nem sugere soluções; cada um fará o que quiser, o filme funciona como uma provocação.

Aristeu Prestes disse...

Nos meados dos anos 1955 a 1957 tinha eu entre uns 09 a 10 anos de idade acompanhado por pai e mão, e estava se apresentando no Theatro Guarany a famosa cantora Angela Maria que se apresentou em um grande estilo de um vestido branco e bem rodado o que ocasionou em grande sucesso, no térreo frente ao palco nas cadeiras não havia vagas e o valor era muito caro, então fomos para a geral (Balcões ou galerias) e a entrada era dobrando a esquina por uma porta lateral que dava acesso a uma escada e nos conduzia as gerais, ás filas dobrava varias quadras ou quarteirões e além de um empurra empurra que iam ate a praça tomada pela a população. pra mim foi muito deslumbrante e maravilho, en tre esta e outras apresentações era assim o nosso famoso Theatro Guarany