sábado, 26 de setembro de 2009

O Carnaval de 1895 em Pelotas

Éverton Lessa é estudante de História, ator e bailarino. Pesquisa sobre o carnaval pelotense e acaba de criar um blogue, chamado Um Capítulo à Parte.

Éverton participa do Projeto Unidos pelo Samba, uma iniciativa para recuperar as tradições carnavalescas em nossa cidade, integrando entidades de Porto Alegre, Pelotas e cidades vizinhas. Ele escreveu o seguinte texto, emitido pela assessoria de imprensa do projeto, o qual já está sendo posto em prática.

Inícios do confete e da serpentina em Pelotas
Saber o que era e o que é o carnaval é fundamental para os futuros passos da comunidade carnavalesca. Associá-lo somente a decadência é uma questão cultural...

Crescemos ouvindo que esta festa não é mais o apogeu de antigamente, mas o carnaval deste século XXI de maneira alguma pode ser comparado a folias passadas, uma vez que a cidade como um todo assumiu novas características. Um dos objetivos da união das escolas de Pelotas é buscar informações de carnavais passados, para, desta forma, ir encontrando os primeiros passos para a consolidação do seu memorial.
Os últimos carnavais que antecederam o ano 1895 enfrentavam uma forte decadência. O principal motivo para esta fase negativa da festa está ligado aos recursos financeiros. A ausência dos carros de ideias, hoje conhecidos como carros alegóricos, comprova esta teoria. Cabe ressaltar, que, nessa época, o carnaval ainda não era festejado como o atual. Apesar das dificuldades serem praticamente as mesmas.

Mas, independente dos altos e baixos da festa do Momo, o espírito carnavalesco sempre esteve presente nas ruas, nos prédios e no âmago dos pelotenses. Aprendemos com o tempo a driblar os empecilhos que vão surgindo no caminho.

A chegada do confete e da serpentina no carnaval de 1895 é um exemplo. Os comerciantes vão ganhar uma participação mais ativa na folia com as vendas desses novos artigos, trarão um novo ânimo para a festa. Esse ano foi uma das primeiras vezes que as ruas e lojas da cidade foram decoradas para receber a festa do Momo. A casa Colombo foi um dos estabelecimentos que apostou na divulgação e na venda de confetes e serpentinas. Mais tarde a venda destes produtos será motivo de disputas entre os comerciantes locais, que utilizarão os meios de comunicação para acirrar e garantir a venda em maior quantidade.

A Praça Regeneração (atual Praça Coronel Pedro Osório), durante a tarde e a noite de 26 de fevereiro de 1895, recebeu várias famílias de alto poder aquisitivo elevado. Algumas se aproximaram a pé e outras de carro, e todas eram saudadas por alegres rapazes com confetes e serpentinas. Os senhores saudavam a passagem das senhoras com esse precioso jogo, que era uma das últimas novidades em Paris [veja as pesquisas do paulista Luis Cézar e a de Laura Macedo sobre os primeiros corsos].

Essa batalha entre cavalheiros e damas – ora de confetes e serpentina, ora de pétalas de flores – ia em alguns momentos além da brincadeira: servia também como forma de cortejar e de conquistar um futuro relacionamento amoroso. Com o tempo, o jogo foi adquirindo características peculiares de conversação, e as cores do confeite ganham poder de comunicação, ou seja, atirar confete em uma pessoa podia significar uma clara mensagem.


Era um novo carnaval, em uma velha Pelotas.
Fotos da web (corsos no início do século XX)

Um comentário:

Anônimo disse...

Tem um livro sobre o carnaval pelotense, o qual abarca o período a que o texto se refere, chama-se "Dias de Folia - o carnaval pelotense de 1890 a 1937", acho que vai ajudar, pois muito do que eles querem descobrir já foi pesquisado e analisado.