segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ingleses na cidade de Pelotas


Entre as comunidades de estrangeiros em Pelotas, a de ingleses é das menos documentadas, talvez por dois motivos principais: porque estes foram relativamente poucos no início, ou por ter-se ligado sua vinda, já no século XX, aos frigoríficos: uma atividade industrial e radicada em zona urbana (por oposição ao trabalho artesanal e rural, como foi o da maioria dos colonos). Junto à abolição da escravatura, os frigoríficos contribuíram a sepultar a riqueza das charqueadas, que fundou o desenvolvimento da cidade. Fiquem estas reflexões para futuros estudos históricos.

De acordo a pesquisas do escritor Joaquim Moncks (leia artigo), sete famílias inglesas chegaram a Pelotas por volta de 1840: Sinott, Stone, Ward, Anderson, Laks ou Yacks, Yeats e Moncks. Os Sinott (pronunciado sínot) se estabeleceram no Monte Bonito, na zona hoje conhecida como "Represa do Sinott" (entre nós, a sílaba tônica deslocou-se para o "o", parecendo italiano: sinótti). Isto não significa que fossem os únicos nem os primeiros ingleses em chegar a Pelotas.

O Dicionário de História de Pelotas (organizado por Loner, Gill e Magalhães, UFPEL, 2010) não menciona imigrantes britânicos, exceto um grupo de 300 ou mais irlandeses provenientes de Liverpool, que ocuparam em 1850 a Colônia Dom Pedro II, no caminho para o Capão do Leão (p. 79). Teria sido nas proximidades do Clube Campestre ou country club?

Ainda no século XIX, o empresário Irineu Evangelista de Sousa (Barão de Mauá, 1813-1889), natural da Zona Sul do Estado, manteve excelentes relações com os banqueiros e a Coroa Inglesa, teve empresas nos Estados Unidos e na Europa, mas suas ações não incidiram em nossa economia local, pois seu fim era mais o lucro: para ele mesmo e, indiretamente, para o Império Brasileiro.

Na primeira década do século XX, chegaram a Pelotas famílias de origem anglo-judaica, provenientes da Argentina e da comunidade de Phillipson (Santa Maria, RS). Salomão Millman fundou a Casa Londres, de roupas masculinas, e Miguel Galanternick abriu uma filial da firma porto-alegrense "A Moda Inglesa", de móveis e tecidos, na rua General Osório 663 (informações do blogue Querendo Deus). Sobre judeus em Pelotas há mais dados no Dicionário de História de Pelotas.

Segundo um histórico da UFPel (leia a nota), no local do novo Campus Porto existiu até 1916 a charqueada de Brutus Almeida, posteriormente a Companhia Frigorífica Rio Grande, que foi vendida, em 1924, para a firma inglesa Westerns Brothers, que transformou o local em Frigorífico Anglo. Com o mesmo nome houve outros em Barretos, SP, e em Fray Bentos, Uruguai.

De acordo à professora Neuza Regina Janke, o Frigorífico Anglo S.A. começou a funcionar em Pelotas ao redor de 1940, e o Bairro da Balsa foi ocupado por operários que vinham até de outras cidades, para morar perto do trabalho. Os empresários se ocuparam dos lucros, sem se envolver com a situação social dos trabalhadores, quase todos brasileiros. Muito poucos teriam sido estrangeiros, segundo o artigo Frigorífico Anglo e Bairro da Balsa: histórias paralelas e tão diferentes (Janke, 2009).

Em 1998, um desses ingleses, o sr. Oliver Murray Cunningham, declarou à mesma pesquisadora que não havia sido preciso construir colônias de imigrantes, pois aqui já havia mão-de-obra (com experiência nas antigas charqueadas): Não precisava buscar em outros lugares. E não vamos esquecer que Pelotas tinha uma tradição de carne (Janke, link acima). Pode-se consultar também o artigo Vilas Operárias no Rio Grande do Sul, na Revista Dimensões, vol. 24 (Janke, 2010).

Ao parecer, então, os únicos ingleses chegados a Pelotas no século XX teriam sido alguns mecânicos e administradores do Frigorífico Anglo. Com o fechamento da empresa na década de 1990, os trabalhadores brasileiros ficaram morando no Bairro da Balsa (sem boas condições de saneamento e urbanização) e os estrangeiros tiveram a opção de retornar.

Consultado sobre este tema, o cronista Rubens Amador escreveu o seguinte, em email ao editor deste blogue:

O Frigorífico Anglo foi criado pelos britânicos na Segunda Guerra, aqui em Pelotas, com o principal objetivo de mandar carne enlatada para a Inglaterra, para os soldados no front. Em barcos afundados pelos nazistas, muitas vezes ia Corned Beef do Anglo, de Pelotas, e do Frigorífico Swift, da Argentina. Também era enviada carne congelada à Inglaterra e também à África.

Em Pelotas foi fundada uma colônia muito expressiva de ingleses, que moravam no início da rua Quinze de Novembro. A Casa chamava-se Clube dos Ingleses. Fui amigo de vários deles, falávamos em inglês e português, e com eles tomei muitos whiskies 12 anos, que recebiam constantemente de familiares da Europa. Saboreei muitas latas de corned beef, que ganhava de presente. O chefe do Clube dos Ingleses era o Mr. Allan, que usava monóculo, amigado e apaixonado por uma brasileira, bonita e gorda como ele.

Do time de ingleses que governava o Anglo, o gerente geral em Pelotas era o Mr. Cunningham. Havia o Mr. Kirby, o Mr. Tath, que era laboratorista e destilava o seu próprio gim, e o Mr. Grant, cujo filho hoje é Cônsul da Inglaterra na cidade de Rio Grande. Alguns brasileiros também desempenhavam altos cargos, como o Sr. Novaes (morava na Benjamin Constant, pai do hoje Coronel Novaes) e o Mr. Mendonça, filho de inglês com brasileira (de tradicional família em Pelotas), solteiro muito procurado pelas moças casadoiras de então, mas que acabou voltando para a Inglaterra.
Rubens Amador
Imagens: P. Momento (2), M. Ribeiro (3)

POST DATA
22-10-13
Fiz uma revisão deste artigo, publicada na Gigalista hoje como Britânicos em Pelotas.

139 comentários:

Joaquim Dias disse...

Os nomes de famílias que o senhor cita no início do artigo, referenciados por Joaquim Moncks, são dados como pertencentes à colônia de irlandeses. Isso consta nos documentos da Associação Colonizadora de 1851. Inclusive, Yeats pode ser um sobrenome inglês, porém quando veio para nossa região era de procedência irlandesa. Sou historiador em Capão do Leão e entrevistei um descendente dos Yeats, que hoje reside em Candiota, e ele me forneceu várias informações a respeito, segundo ele transmitidas por seu avô.
Parabéns pelo blog!

Anônimo disse...

A presença de britânicos em Pelotas (ingleses e irlandeses), entre outras manifestações, propiciou a fundação de um "country club", o Clube Campestre; e a comunidade Anglicana, a conhecida "igreja cabeluda".

Francisco Antônio Vidal disse...

Um estudo sobre a colônia Dom Pedro II foi publicado por Marcos Hallal dos Anjos:
http://gogobrazil.com/coloniadompedro.pdf

Anônimo disse...

Pelo visto, então, o comentário do articulista está bem equivocado e a crítica sutil que ele apresenta a historiadores, despropositada. Apenas confundiu ingleses e irlandeses. Talvez "britânicos" pudesse ser uma expressão mais procedente.

Francisco Antônio Vidal disse...

O Dicionário realmente tem verbetes para franceses, italianos, portugueses, judeus, pomeranos e alemães, mas não para ingleses, nem irlandeses nem britânicos; é inegavelmente um vazio.
Se essa fosse a "sutil crítica", tentei explicá-la no primeiro parágrafo com duas hipóteses. Se houver outra razão, o anônimo poderá dizê-la. O Dicionário pode não ser exaustivo, mas é um grande estudo sobre Pelotas, feito por uma boa e numerosa equipe.

A menção aos 300 irlandeses está no Dicionário, e provém do estudo de Hallal dos Anjos, citado por mim acima.

Quanto aos dados de J. Moncks, somente citei o que ele pesquisou; é mais provável que Joaquim Dias tenha razão, mas haveria que cotejar as fontes.

Não são muitos os estudos sobre britânicos em Pelotas, sejam ingleses ou irlandeses. Tanto uns como outros, segundo o que há publicado, chegavam da Inglaterra. Não se sabe muito sobre a origem exata dessas famílias (cidades e linhagens), mas outros estudiosos poderão pesquisar. Aqui não se trata de diferenciar essas nações. "Britânicos" seria um excelente verbete para o Dicionário.

O meu objetivo neste post foi buscar a presença somente de ingleses em Pelotas, apontando à presença do Frigorífico Anglo. Subjaz nisso uma crítica social aos capitalistas ingleses que apoiavam a Segunda Guerra.
Este post também desemboca em outro, que sairá amanhã, sobre a Batalha do Rio da Prata, ocorrida em 1939, não muito longe de Pelotas.

Mario Osorio Magalhães disse...

Apenas como colaboração, transcrevo a seguir um trecho do livro "Dez anos no Brasil", do militar alemão Carl Seidler, que esteve na Freguesia de São Francisco de Paula (atual Pelotas) no distante ano de 1827: "[...] a esperança de avistar em breve as torres de São Francisco de Paula sob as cálidas nuvens do meio dia apagava com seu hálito encantador a desagradável impressão da passada noite. Em poucas horas alcancei meu objetivo; a bela cidadezinha estava diante de mim, como um faisão dourado na bandeja de prata do rei.
Diante da casa dum negociante inglês apeei e, poucos minutos depois, do balcão da casa avistei de coração contente o lugar onde outrora vivera dias felizes. Já descrevi a região como extraordinariamente bela[...]".

Francisco Antônio Vidal disse...

Parece que havia estrangeiros desde o início da freguesia, o que implicava educação e certos luxos no ambiente da classe dominante.
Mas esse militar alemão e o comerciante inglês seriam residentes e não colonos, como os grupos de famílias que chegavam buscando uma vida melhor.
Se percebe na poesia desse texto o amor que o visitante sentia por esta terra, que chama de "cidadezinha" (nem Vila ainda era). Quais torres seriam as que menciona? Haveria casarões que não sobreviveram?

Mario Osorio Magalhães disse...

Suponho que seriam as torres da igreja matriz, atual Catedral. Foi inaugurada em 1813, mas como uma capela muito modesta, "ainda inacabada mas em estado de servir", como relata Vieira Pimenta. Em 1826 - um ano antes da visita de Seidler -, procedeu-se à primeira reforma, feita por fora da construção antiga, e o prédio foi acrescido de torres laterias.

Maria Fernanda Montagna disse...

Gostei muito do blog e gostaria de salientar que, ainda no século XIX, por volta de 1820, alguns ingleses se radicaram em Pelotas.Caso da família Vaughan, cujo nome foi adulterado gradativamente(temos de lembrar que os documentos eram escritos à mão)para Wanghon,Wanglon e Wonglon.
James Vaughan e Elisabeth Willis casaram-se em Hereford,na Inglaterra e batizaram o seu primeiro filho no Brasil, na Catedral São Francisco de Paula. Vale salientar que os padrinhos eram também ingleses: da família Brown.
Pelo que sei, eles vieram para a cidade por volta de 1825 e eram negociantes.
Encontra-se documentação no Bispado, em Pelotas.
Creio que faltam, de fato, maiores estudos a esse respeito.
A propósito, falo de alguns de meus antepassados: James e Elisabeth Vaughan - aqui denominados Diogo e Isabel, como era o costume da época.
A colônia irlandesa, de fato, foi fundada depois e muitos colonos não permaneceram na cidade.
Os ingleses não fundaram uma colônia, vieram para a cidade - o que facilita a assimilação e traz mais desafios aos estudiosos.

Francisco Antônio Vidal disse...

Parece provável que o negociante inglês aludido por Seidler em 1827 (comentário de Mário O. Magalhães) seja o James Vaughan que Maria F Montagna informa ter chegado a Pelotas em 1825.

Desde o início a cidade recebeu imigrantes que se inseriram na cultura local com autonomia, sem formar "colônias" (comunidades com costumes próprios de suas nações, conservados durante longo tempo). Nesses casos as tradições se diluíram e a reconstrução histórica se fez bem mais difícil.

Sobre os irlandeses no Capão do Leão, Joaquim Dias pesquisou ricos detalhes, em entrevista com um descendente (de sobrenome Yeats) que soube por seu avô o seguinte:
- A colônia irlandesa se localizava entre os arroios Fragata e Padre Doutor.
- Havia um cemitério "irlandês" próximo à colônia, pois desde o início muitas
crianças de colo morreram (não soube dizer o porquê).
- A colônia teve dificuldades financeiras pois, sendo a grande maioria protestante, a população católica de Pelotas boicotava os seus produtos.
- A produção era transportada via fluvial e muitas embarcações eram atacadas por bandidos no Canal São Gonçalo.
- Tentaram construir uma capela em honra a São Patrício (seriam então anglicanos), mas a intendência de Pelotas proibiu.
- A maioria não se adaptou à região e tinha um ódio à população, sobretudo aos negros.
- O que motivou sua vinda ao Brasil foi uma "grande fome" na Irlanda e a possibilidade de fazer fortuna.

Joaquim Dias disse...

Estas informações sobre os irlandeses tu vais gostar Vidal. Da fonte: MURRAY, Edmundo [sic].Brazil and Ireland.IN: Ireland and the Americas: Culture, Politics and History. Santa Barbara, CA, USA: Jim Byrne, Philip Coleman and Jason King Editors, 2006.
Os irlandeses da Colônia D. Pedro II eram procedentes da baronia de Forth, Condado de Wexford, no sudeste da Irlanda. Lembra que te falei que aquela senhora centenária, que encontrei no interior do Capão do Leão e ele me disse que eles eram uns "ruivos que falavam uma língua que ninguém entendia?" Pois é, a baronia de Forth não falava irlandês ou inglês, mas um dialeto chamado "Yola", que se extinguiu no século XIX.

Mario Osorio Magalhães disse...

Sobre a colônia irlandesa, é imprescindível destacar o depoimento de Michael George Mulhall, jornalista irlandês que visitou Pelotas em 1871: "Uma pequena carroça, dirigida por uma velha com um manto na cabeça, passou por nós vinda da cidade. Apontando para ela, o carroceiro nos informou:
—Essa mulher é uma conterrânea dos senhores.
Era a sra. Carpenter, uma das sobreviventes da colônia, abandonada nesta terra estranha há quinze anos, por ser uma viúva com várias crianças pequenas. Teria perecido de fome, se não fosse seu trabalho constante, sua confiança na Providência Divina e a bondosa ajuda de muitas damas brasileiras. Ainda é pobre, mas conseguiu criar uma respeitável família. Lá vai ela na sua carroça puxada a burros com o dinheiro da manteiga que vendeu na cidade! Pouca atenção dá ao calor tropical do dia, mas vai pensando na sua família e na casinha de Monte Bonito.
Há vinte anos que leva esta vida, com um grande desejo talvez de rever as colônias selvagens de Glengariff, onde nasceu; mas isso é impossível.
Os colonos de Monte Bonito, que foram para Buenos Aires e tentaram criar ovelhas, tiveram, na sua grande maioria, mais sucesso, e são agora ricos estancieiros".
Em relação aos ingleses, escreveu o mesmo autor: "
Ainda não estávamos nem sequer uma hora no hotel e já havíamos recebido três ou quatro convites. Aceitando o primeiro, fomos jantar com o principal farmacêutico, um jovem brasileiro que estudou na Inglaterra e tem o seu diploma de farmácia, de uma universidade de Londres, pendurado em cima da lareira.
Fala perfeitamente inglês, embora já esteja aqui há três anos, e nos informou que não há nenhum inglês na cidade, a não ser o sr. Stewart, um artista que está viajando por todo o Império de lápis na mão, fazendo pequenas paradas em cada cidade.

Joaquim Dias disse...

Glengariff ou Glengarriff (termo correto) é uma cidadela da Irlanda (800 hab.) localizada no outro extremo da baronia de Forth, isto é, no sudoeste da Irlanda. Talvez a Sra. Carpenter seja de lá. Só que há um detalhe, o termo "Glengarriff" designa também um tipo de floresta (vegetação) típica do litoral sul da Ilha da Irlanda. Neste caso, quando Mulhall se refere às "colônias selvagens de Glengarriff", ele pode estar se referindo genericamente. Tal como, denominamos "Pampa" uma vasta área de nosso estado.

Joaquim Dias disse...

Outro dadod interessante citado pelos estudos de Eduardo[sic] Murray é o fato do condado de Wexford e suas baronias (divisões administrativas presentes ainda hoje na Irlanda)terem sido fontes de emigrantes não só para o Brasil (Colônia Dom Pedro II, de Pelotas), como também para outras colônias no Uruguay e Argentina. Isso pode explicar porque este era o natural destino dos que fugiram da colônia, como explicitam os estudos de Marcos Hallal dos Anjos. Talvez por que nestes lugares, seja no Uruguay ou na Argentina, eles tivessem parentes ou amigos já lá estabelecidos - hipótese minha. Um dado curioso é que o "arregimentador" dos imigrantes irlandeses que vieram para Pelotas é indicado por Murray como o "Priest" (padre, reverendo?) Patrick Donovan, que aparece nos estudos de Hallal dos Anjos. Pois bem, Patrick Donovan já tinha feito o mesmo vezes antes. E realizado um trajeto que coincide com as informações históricas que dispomos. Ele reunia os grupos de irlandeses do Condado de Wexford e os levava para o porto de Liverpool (Inglaterra), dali onde saíam para a América.
Irlandeses foram levados por Donovan até a localidade de "Santa Catalina", nas proximidades da cidade uruguaia de Soriano. Bem como houve uma leva de irlandeses até Fray Bentos, também Uruguay, onde houve a constituição de um bairro denominado "Barrio Anglio". Todos na mesma época, da fundação da Colônia D. Pedro II.

Joaquim Dias disse...

Tem outro estudo que confirma os dados e é do irlandês Hugh F. Ryan, cujo título é "Ancestral Voices" (1996) que foi editado pela Dublin Company. Ela cita trechos de documentos e diários de seus tataravós ou bisavós(great-grandparents) que falam de suas experiências como imgrantes na América do Sul, mais especificamente no Uruguay e que, novamente, coincide com as informações históricas disponíveis acerca da Colônia D. Pedro II e os estudos de Murray. O trajeto Condado de Wexford - Porto de Liverpool - América do Sul é confirmado. Além disso, ele informa que os irlandeses, em sua grande maioria, sabiam e dominavam a língua inglesa, porém conservavam os dialetos nativos próprios da língua irlandesa (gaélica), em seu quotidiano. Isso fez lembrar o fato que Murray cita os irlandeses de Pelotas falando o "Yola" - dialeto hoje extinto. Os relatos também confirmam os dados que me foram passados oralmente pelo tal Yates que conversei: vieram diante da possibilidade de fazer fortuna (aliás o que não é nenhuma novidade em se falando de imigrantes europeus na América!) e por causa dos problemas que lá enfrentavam. No estudo de Ryan o seu parente cita "a turbulent life" que encontrava-se na Irlanda da época.

Mario Osorio Magalhães disse...

Possuo a seguinte documentação sobre a colônia irlandesa:Do relatório do Presidente Pimenta Bueno, em 1º/10/1850:

Colônia de D. Pedro 2º - Esta colônia teve seu nascimento por meio de uma associação que organizou-se nos últimos meses do ano próximo passado com a denominação de Sociedade Auxiliadora da Colonização Pelotas, onde tem sua sede.
A sociedade, que é presidida pelo cidadão João Rodrigues Ribas, homem de fortuna, e digno de toda a confiança, enviou à Presidência seus primeiros estatutos em ofício de 30 de novembro último, e também a cópia de seu regimento interno. Comprou um terreno de 3.045 braças de frente junto à estrada que vai ter ao Capão do Leão, com extenso fundo que chega até o arroio de São Tomé terreno que dividiu em datas.
Forma-se a mesma sociedade de 400 ações importantes em 40 contos; e já pediu sua incorporação ao governo em conformidade com a lei.
Abriu correspondência para a Inglaterra para haver colonos, e já tem mais de 50 em seu território.
Ela representou em 27 de maio último à Presidência, pedindo um empréstimo de 12 contos de réis em prestações mensais de 500$000, obrigando-se a devolvê-la dentro do sexto, sétimo e oitavo ano, por terças partes; sua representação ser-vos-á presente.
--------------------------------------------
Do relatório do presidente Sinimbu, em 6/10/1853:

A Colônia de Pedro 2º, no município de Pelotas, foi uma empresa mal concebida, e por isso mesmo malograda. Fundada a 2 léguas daquela bela e populosa cidade, e somente separada por uma planície de facílimo transporte, à desventurada colônia não faltava nem mercado, nem via de comunicação; faltava-lhe, porém, a condição primária, que é a terra. Quaisquer que sejam as consequências da franqueza com que vos falo, elas não poderão impedir-me de dizer a verdade. Respeito as boas intenções dos fundadores, estou mesmo persuadido que foram movidos nessa empresa por um sentimento de nobre patriotismo; mas preciso é confessar que se de propósito procurassem o pior terreno para inutilizar os esforço de uma colônia agrícola, não o achariam mais apropriado que esse em que fundaram a colônia de Pedro 2º. Percorri-a de um lado a outro, e não encontrei plantação alguma mais que alguns miseráveis pões de couve, arrancados pela força do estrume à esterilidade da terra. A associação despendeu de seus fundos 24:000$000 e a Província 14:000$000; aquela está ainda endividada e os colonos reduzidos à maior miséria.
--------------------------------------
Do relatório do Presidente Joaquim Antão Fernandes Leão, em 18959:
Colônia Pedro II – O seu estado é pouco lisonjeiro. A sua população que em o ano próximo passado se compunha de vinte e seis famílias com 137 indivíduos, está hoje reduzida a 16 famílias, ou 96 pessoas, havendo alguns emigrado para Montevidéu, outros para Buenos Aires, e poucos para as cidades de Pelotas e Jaguarão.
Produção: Batatas: 1200 sacos
Feijão: 100 sacos
Manteiga 3000 libras
Durante o ano passado, nasceram seis indivíduos e faleceram dois.

Joaquim Dias disse...

Creio que o texto do Prof. Mário Osório Magalhães não contradiz em nada os estudos de Murray e Ryan, bem como o fato de "Priest" Patrick Donovan ter sido uma espécie de "arregimentador" destes colonos na própria Irlanda. As informações são complementares e convergentes.

Joaquim Dias disse...

Os relatos do tal Yates que citei são verdadeiros, contudo, devemos, observar, óbvio, que fazem parte de uma experiência familiar individual transmitida oralmente. Quem me indicou o tal Yates foi um camarada que sequer sabia de irlandeses no Rio Grande do Sul e que ouviu da boca do próprio Yates estas informações que Vidal postou em 27/06, às 20;26 h.

Joaquim Dias disse...

Além disso, o tal Yates, bem como os "great-grandparents" de Ryan são categóricos em afirmar que os irlandeses saíram da Irlanda por causa de problemas sociais. Ora, o período coincide com a "Grande Fome na Irlanda" em meados do século XIX, veja a Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_fome_de_1845-1849_na_Irlanda
O próprio artigo da Wiki cita o fato que muitos camponeses foram "despejados" de seus lotes arrendados e a questão de como isso estimulou e amigração em massa. Irlandeses, sobretudo os mais jovens, vinham à América com o propósito de serem bem sucedidos, não somente por questão de enriquecimento pessoal, mas também para que enviassem dinheiro aos parentes que ficaram na Irlanda.
A Colônia D. Pedro II foi mal-sucedida do ponto de vista econômico e isso, de fato, determinou que houvesse fuga em massa dos colonos. Agora, o fato de eles terem procurado o Uruguay e a Argentina para migrarem novamente, pode estar relacionado à questão de já haver lá comunidades irlandesas estabelecidas.

Joaquim Dias disse...

Detalhe adicional, Hallal dos Anjos cita o fato de "um bom número de colonos eram artífices e não agricultores". Isso foi comum na imigração irlandesa em toda a América. Creio não se tratar de uma condicionante, porém diante dos problemas sociais na Irlanda da época, a opção da migração era vista como única opção para muitas famílias. Colônias irlandesas na Argentina também foram formadas por artífices e deram certo (Ver McKENNA. Demographic Profiles of the Irish Settlers in Argentina. Genealogical Society of Ireland, 1996).

Joaquim Dias disse...

Correção ao comentário anterior: McKENNA,Patrick.op.cit.,1996.

Joaquim Dias disse...

Sobre a aversão dos irlandeses (e porque não dizer da esmagadora maioria dos europeus do século XIX) aos negros, citada para mim por Yates. No site da "York Postal Historical Society" é possível ter acesso a alguns documentos originais em inglês e/ou transcrições de cartas e postais do Império Britânico do século XIX. Num deles o irlandês John James Murphy escreve a Martin Murphy descrevendo suas andanças pela América do Sul e descreve, em tom desdenhoso, à quantidade de negros que encontra ao desembarcar no Rio de Janeiro ( A carta data de 05 de Dezembro de 1863).

Joaquim Dias disse...

Uma das informações por mim postadas que, os irlandeses da Colônia Dom Pedro II são provenientes da Baronia de Forth, no Condado de Wexford, pode ser conferida no seguinte link:http://ics.leeds.ac.uk/papers/vp01.cfm?outfit=ids&folder=9&paper=22
O artigo de Hilary Murphy, "When Wexford farmers emigrated to Brazil", in Journal of the Irish Family History Society (1986), pp. 443, cita isso explicitamente. Tentei baixá-lo da Internet, mas eles cobram em euro...hehehehe...

Joaquim Dias disse...

No artigo de Hallal dos Anjos há sobrenomes citados que sugerem uma ascendência inglesa, como é o caso explícíto de "Staford" (Stafford), cujos descendentes ainda podem ser encontrados em Pelotas e Capão do Leão. Pois bem, Stafford é um condado situado no centro-oeste da Inglaterra.
A baronia de Forth, bem todo o Condado de Wexford, no sudeste da Irlanda recebeu migração massiva de ingleses durante o século XVII, principalmente do Oeste. Bem como de galeses. Por isso, talvez alguns sobrenomes listados por Hallal dos Anjos não indiquem necessariamente origens irlandesas/gaélico-hibernianas, porém ao fato da constante migração recíproca entre as duas ilhas.

Joaquim Dias disse...

No período 1841-1851,o Condado de Wexford sofreu com um declínio populacional intenso, seguindo-se por anos seguintes. É o que afirma FURLONG, Nicholas. History of County Wexford. Dublin, Ireland: Gill & MacMillian, 2003. p.116.
Em 1841, a população do condado era de 202.033 hab., enquanto em 1851 será de 180.158 hab.
A causa principal é a migração em razão da "Grande Fome". Dali sairam imigrantes para O Brasil, Argentina, Uruguay, Iowa, Canadá e Tasmânia.
O trajeto incluía, necessariamente, a ida até os portos ingleses de Liverpool ou Southampton, sendo daí que partiam - outra convergência histórica.

Joaquim Dias disse...

O que há de curioso no relatório do Presidente Sinimbu de 1853, citado pelo Prof. Mário Osório Magalhães é que, atribui-se a uma das causas do insucesso da Colônia Pedro II, a questão das más condições do solo. Entretanto, o Volume 63 da "House of Commons papers", de 1861, diz justamente o contrário: a fertilidade do solo foi um atrativo aos colonos. Eles teriam sido dispersos pela má gestão da própria Sociedade Colonizadora e por "other causes". Talvez seja uma visão "britânica" da situação. Todavia, as condições de solo na região, já que cita-se que as datas tinham como fundos o Arroio São Thomé, são controversas ao longo do tempo. Na primeira metade do século XX, esta mesma região destacar-se-á como produtora de frutas cítricas e aspargo. Apenas mais um detalhe para o debate.
Link: http://books.google.com.br/books?id=jtkSAAAAYAAJ&pg=PA477&dq=Irish+Colony+Pedro+II&hl=pt-BR&ei=Zm0LTqesB4HEgAfPg9WrAg&sa=X&oi=book_result&ct=book-thumbnail&resnum=1&ved=0CCwQ6wEwAA#v=onepage&q=Irish%20Colony%20Pedro%20II&f=false

Anônimo disse...

minha tataravo era inglesa,sobrenome Revel,algum dado sobre este sobrenome?

Francisco Antônio Vidal disse...

Revel é palavra francesa. É possível que tenha relação com judeus franceses que migraram para a Inglaterra. Poderia pesquisar-se pelos nomes das pessoas dessa família, quando e onde viveram.

Anônimo disse...

Muito interessante a manifestação de todos e esta recuperação dos dados da "colonia Inglesa" de Pelotas. Resta informar que meu pai Frank Percy Villiers Grantham, embora tenha tido a nacionalidade Britânica, nasceu em Rio Grande, já que meu avô era gerente da Western Telegraph na época. Ao deixar o Anglo, veio para Rio Grande, trabalhou na Rheigantz, Wigg e Lloyd Brasileiro criando a tradição de agentes maritimos na família, aonde me incluo. Richard J. Ruffier Grantham

Francisco Antônio Vidal disse...

Este post, atualmente um dos mais acessados do blogue, foi retirado ontem pelo Blogger, portal hospedeiro, por uma denúncia de suposta infração de direitos.
Busquei a postagem entre os blogues denunciados, e não constava.
Como editor, revisei o texto, decidi apagar uma palavra (alusiva à condição racial da companheira do Mr. Allan, penúltimo parágrafo) e recolocá-lo no ar.

Francisco Antônio Vidal disse...

Tratava-se de uma afrodescendente.

Este texto é hoje o 5º mais acessado entre os 900 posts do blogue.

Ricardo Yates disse...

Caro Francisco:
Com prazer novamente nos encontramos . . .
Nossa gente veio sim de Liverpool, arregimentados na Irlanda pelo Rev. Patrick Donuvon. A barcaça chamava-se "Irene". O Sinimbu, em suas justificativas, não foi de todo verdadeiro. . . O que de fato contribuiu para o "desmanche" da colonia foi o mesmo que ocorre agora. . . Promete-se "mundos e fundos" e joga-se pessoas e sonhos "ao Deus dará". Vejamos a situação dos colonos hoje acampados nos campos da Palma-Capão do Leão. . . A História se repete. . .
Um fraterno abraço.
Ricardo Yates

Anônimo disse...

Meu avô era de Pelotas, descendente de Escoceses/Ingleses. Sobrenome "Legg". Ele nasceu em 1882.

Anônimo disse...

Caro Vidal: Hoje,20.02.12, relendo as notas deorrentes de minhas linhas, só uma coisa eu rebato, com veêmencia.Nota que partiu de um "anônimo": Os ingleses fundaram o Country Clube (aqui até pode ser), e também a Catedral do Redentor...Essa não, porquanto quando o Clube dos Inglêses a que referi surgiu, há pelo menos quase um século a Catedral citada já existia. Rubens Amador.

Francisco Antônio Vidal disse...

Os comentários dos leitores decorrem do artigo inteiro, que fala da presença de ingleses desde o sèculo XIX (quando foi fundada aqui a Igreja do Redentor), enquanto o cronista Rubens Amador se refere só ao século XX (quando foi criado o Clube dos Ingleses).

Roderick Peter Clark disse...

Sou proprietario da Charqueada Santa Rita em Pelotas e a primeira geracao de uma familia escocesa por parte do pai...o meu avo gales...era um dos diretores do Frigorifico Anglo em Barretos e passou muito tempo aqui em Pelotas...por mera coicidencia, o antigo dono da Charqueada o qual sou proprietario era o falecido Murray Cunningham diretor do Frigorifico Anglo...parabens pelo detalhado trabalho dos Britanicos em Pelotas...acho q sou um dos poucos que restam.

Roderick P. Clark

Francisco Antônio Vidal disse...

Hoje, esta página é a 2ª mais visitada entre os 1015 posts publicados pelo blogue. Também a que já recebeu maior número de comentários.

Jessica Moura disse...

Olá, tudo bem?

Notei que vc tem grande ciência na cultura pelotense e acho que pode me ajudar. Tenho muito interesse na Colonia Dom Pedro II, lí à respeito, e quero muito conhecer. Se possivel, quero que vc me informe sobre turismo nessa colônia e se houver alguma festa tradicional, ou alguma data que vc me indique para a visita.. Aguardo sua resposta.. Muito obrigada e um grande abraço.

E-mail para contato: _jessica@live.com

Francisco Antônio Vidal disse...

Oi Jessica, o texto é baseado em estudos históricos, e se refere aos últimos 200 anos. A colônia D. Pedro II somente existiu no século XIX e não durou muito. Nâo há nada naquele lugar hoje, e somente historiadores falam daqueles colonos. Depois vieram outras levas de europeus chegando a esta zona, de diversas origens.

O turismo atual em Pelotas ocorre no que restou das antigas colônias alemãs e italianas, mas curiosamente, em Pelotas, os descendentes daqueles imigrantes são ainda chamados de colonos. Dos ingleses e irlandeses pouco ficou, pois se espalharam muito e a maioria preferiu morar na cidade.

Este post recorda uma pequena parte do passado e alguns dos comentários mostram que os descendentes de britânicos se espalharam muito e muitos nem sequer têm registro do que por aqui ocorreu no século XIX com os imigrantes.

Joaquim Dias disse...

Informação inédita da fonte: HOUSE OF COMMONS PAPERS. London,United Kingdom of Great Britain, Parliament House, 1861, p.446-447

Foram duas colônias com irlandeses na cidade de Pelotas. A maior, a colônia Dom Pedro II, na região do atual Capão do Leão, estabelecida entre 1852 e 1853. A outra, formada por colonos irlandeses e alemães, em Monte Bonito, em 1850. A fonte reconhece como duas iniciativas colonizadoras distintas!

Outra fonte, só que em alemão, também cita distintamente a colônia de Monte Bonito e subliminarmente informa que seriam alemães bávaros junto com os irlandeses: KÖNIGSHAUS VON BAYERN.Der offiziellen Geschichtsschreibung der Vereinigten Bayerischen. München, 1860, VIII buch.

Por enquanto são apenas retalhos de informações, mas deixo aqui minha contribução.

Francisco Antônio Vidal disse...

Joaquim, se usaste a internet seria interessante que pudesses fornecer o link ou site. Ou citar o texto encontrado, mesmo em outro idioma.

Por outro lado, tens algum registro que permita determinar o local preciso onde a colônia Dom Pedro II existiu?

Joaquim Dias disse...

"In addition to the foregoing, three foreign colonies were established by private enterprise, though with Government assistance, on the system of the purchase of land, and free possession of the soil two in the neighbourhood of Pelotas – Monte Bonito in 1850, with Germans and Irish; and Don Pedro II, with Irish alone, through the Colonisation Society of Pelotas. The fertility of the soil and the neighbourhood of the town of Pelotas seemed to offer every advantage; nevertheless through bad management and other causes, the colonists soon dispersed, and the colonies were completely broken up."

Link do texto: http://books.google.com.br/books?id=jtkSAAAAYAAJ&pg=PA477&dq=Irish+Colony+Pedro+II&hl=pt-BR&ei=Zm0LTqesB4HEgAfPg9WrAg&sa=X&oi=book_result&ct=book-thumbnail&resnum=1&ved=0CCwQ6wEwAA#v=onepage&q=Irish%20Colony%20Pedro%20II&f=false

Este é a fonte em inglês. Vai abrir na página 447, mas dá uma subida que pega o final da página 446.

Joaquim Dias disse...

"Du ausländischen Beamten in dem Bericht nach dem Herrn Bundeskanzler berichtete über die Situation unserer Landsleute in Südamerika (...), die Kolonie von Monte Bonito - Pelotas, 1850 gegründet, deren Lose wurden nicht gewährt brasilianische Reich dauerte aber das System der Erwerb von Grundstücken. Registriert ihnen ein paar Familien von der Insel Irland. (...) Sowohl in Monte Bonito in Virginia als die Ergebnisse enttäuschend waren."

Este é o texto em alemão, que tinha salvo em Word. O link, peço a gentileza que espere um pouco, pois achei-o num site alemão em que os documentos são gerados naquelas janelas menores - tipo um catálogo. Tentei agora há pouco e deu "404 not foud", mas logo acho.

Joaquim Dias disse...

"Colônia de D. Pedro 2º - Esta colônia teve seu nascimento por meio de uma associação que organizou-se nos últimos meses do ano próximo passado com a denominação de Sociedade Auxiliadora da Colonização Pelotas, onde tem sua sede.
A sociedade, que é presidida pelo cidadão João Rodrigues Ribas, homem de fortuna, e digno de toda a confiança, enviou à Presidência seus primeiros estatutos em ofício de 30 de novembro último, e também a cópia de seu regimento interno. Comprou um terreno de 3.045 braças de frente junto à estrada que vai ter ao Capão do Leão, com extenso fundo que chega até o arroio de São Tomé terreno que dividiu em datas."
(fonte citada logo acima pelo Professor Mário Osório Magalhães)

O arroio São Tomé situa-se inteiramente no município de Capão do Leão. No caso o documento cita que as datas tinham como fundo o dito arroio. Pelas informações citadas (como é o caso da estrada e a medida das braças), é possível deduzir que a colônia situava-se, senão inteiramente, ao menos 80% de sua área no território deste município.

A informação nova, que talvez contemple as dúvidas acerca da localização da colônia irlandesa, citada na fonte britânica é que foram duas e não uma colônia de irlandeses. Veja o caso do depoimento de Michael George Mulhall, jornalista irlandês que visitou Pelotas em 1871, citado acima pelo Prof. Magalhães, que encontra uma senhora irlandesa no Monte Bonito.

O que sempre considerei estranho e que parece óbvio para qualquer um é que, como a colônia pode ter sido fundada na "estrada que vai para Capão do Leão" e outras fontes darem conta ou informarem sobre Monte Bonito. Geograficamente, seria um contrassenso sair de Pelotas, ir até o Monte Bonito e depois rumar até Capão do Leão. Embora, a antiga estrada que ia até Capão do Leão não fosse a mesma dos tempos atuais, ela seguia a direção sudeste, isto é, longe de Monte Bonito.

Joaquim Dias disse...

Olha isso:

Fonte: GRANDO, Marinês Zandavalli. A Colonização Europeia não portuguesa no município de Pelotas. Ensaios FEE, Porto Alegre, n.5, v.2,p.48

"Em 1849, formou-se a Associação Auxiliadora da Colonização para a criação
da colônia D. Pedro II em terras de um de seus acionistas (Antônio Rafael dos
Angos), localizadas na estrada que da sede de Pelotas ia para o distrito de Capão do
Leão. Compunha-se de 48 lotes que foram entregues a um número aproximado de
300 colonos irlandeses, chegados de Liverpool. Pouco depois, essa sociedade forneceu
terras a ingleses para que se estabelecessem com recursos próprios. Nesse aspecto,
a sociedade foi inovadora, pois, até então, toda a colonização do Rio Grande
do Sul vinha sendo feita unicamente com imigrantes alemães.
Por volta desse mesmo período, o empresário Thomaz José dos Campos interessava-
se, também, por esse tipo de empreendimento. Pode-se ler no relatório
do presidente da Província (Relatório . . ., 18.50), que esse empresário foi pedir-Lhe
licença para contratar famílias de imigrantes, a fim de estabelecêlas em terras de
sua propriedade às margens do rio Pelotas, e financiamento do Governo para assentar
os colonos e subsidiá-los nos primeiros tempos. As condições oferecidas aos imigrantes
nessa colônia — denominada Monte Bonito e formada, também, por irlandeses
- eram as mesmas propostas pelo Governo Provincial^."

Esta é uma fonte em português que atesta também a existência de DUAS colônias de irlandeses em Pelotas.

Dedé disse...

Prezado professor Joaquim Dias. Sou descendente de irlandeses da colônia Dom Pedro, reunindo dados sobre esses imigrantes. Vou em agosto /2012 a Capão do Leão e gostaria de ter um contato com o senhor. Meu email: porto_50@hotmail.com. Adelia Porto.

Francisco Antônio Vidal disse...

Adélia Yates escreveu uma nota sobre os irlandeses em Pelotas, no Almanaque de Zero Hora de hoje.
http://wp.clicrbs.com.br/almanaquegaucho/2012/08/17/irlandeses-em-pelotas/?topo=13,1,1,,,13

Francisco Antônio Vidal disse...

No blogue do Almanaque Gaúcho, Joaquim Dias escreveu hoje o seguinte comentário:

Sou pesquisador em Capão do Leão, onde foi estabelecida a colônia Dom Pedro II, entre os arroios Fragata e São Thomé.
Aqui existem algumas famílias descendentes dos iralndeses. Todavia, muitas destas famílias julgam-se atualmente descendentes de alemães, outras nem sabem que são descendentes de irlandeses.
O fato talvez se explica pelo efemeridade da colônia.
Convém salientar também que tanto os núcleos de Capão do Leão (o maior) e os de Monte Bonito (menor) ainda permaneceram com algumas famílias até aproximadamente até a década de 1880.
No Centro de Doc. & Obras Valiosas da Bibliotheca Pública Pelotense é possível constatar em alguns documentos a venda de hortifrutigranjeiros produzidos pelos colonos ao Mercado Central em Pelotas, ainda em 1877.
Este o link de um trabalho que fiz sobre a origem dos sobrenomes dos colonos irlandeses da colônia Dom Pedro II:
http://capaodoleaohistoriaecultura.blogspot.com.br/2011/09/origem-dos-sobrenomes-listados-por.html

Ricardo Yates disse...

Caro Vidal:

O Arroio São Thome, a que te referes, não seria a Sanga do Padre Doutor? ou a Sanga do contrabandista? este dado é importante para a exata localização deste magnifico empreendimento que "desapareceu" sem que até hoje se saiba os reais motivos ( e me pareçe que os motivos foram mesmos "reais". . .e ainda engendrados por "interesses e forças ocultas". . .
Um forte abraço.

Ricardo Yates
Candiota-RS

Francisco Antônio Vidal disse...

A referência foi feita pelo pesquisador Joaquim Dias, esperemos a resposta dele.
A alusão a "reais" motivos pode entender-se como uma pressão do governo imperial? Mas não foi o mesmo governo brasileiro que permitiu a vinda dos imigrantes?
É claro, seria maravilhoso reconstituir essa parte de nossa história e talvez fazer um memorial no mesmo lugar.

LaLá disse...

Joaquim, deve ser o Ricardo Yates, meu pai... e na verdade é YATES e não Yeats!! o pai é de Pelotas, mas trabalha em Candiota...

Francisco Antônio Vidal disse...

Esta manhã Alberto Yates Moroni escreveu o comentário abaixo no post "Irlandeses em Pelotas", do Almanaque Gaúcho.
wp.clicrbs.com.br/almanaquegaucho/2012/08/17/irlandeses-em-pelotas/


Olá. A família da minha mãe diz que é descendente direto desses imigrantes irlandeses. Na verdade, depois dessa reportagem, conclui que meu tataravô (Richard Lloyd Yates), inglês veio de carona com os imigrantes irlandeses durante a fome das batatas na Irlanda e em Pelotas adquiriu vários hectares de terras, onde segundo a minha mãe, criava cavalos e tinha em torno de 60 escravos. Este foi assassinado por seu escravo de confiança, que ficou com toda a sua fortuna.

Algumas linhagens familiares também se originam de Colônia do Sacramento. è importante falar que o historiador Leandro Betemps fez brilhante levantamento sobre essas familias, em dissertação de mestrado.

A história de que a colônia se desfez rapidamente tem a ver, segundo a história oral, com a genialidade dos irlandeses, que se dispersaram rapidamente pelo estado, aliado a dificuldades econômicas, e que até hoje dificulta a localização de seus descendentes.

Na Biblioteca Publica Pelotense consta a ata de fundação da Sociedade Colonizadora, que foi uma instituição social criada pelos charqueadores da época, para trazer imigrantes irlandeses a Pelotas, a partir de 1849.

Joaquim Dias disse...

Esclarecendo alguns pontos: o Arroio São Thome também é chamado Padre Doutor. O Arroio Contrabandista é localizado próximo ao Canal São Gonçalo e situa-se mais a sul na área do Município de Capão do Leão.
De acordo, com os textos que consegui da Irlanda e da Inglaterra, são apontadas como causas do insucesso da colônia "a má gestão financeira" da Sociedade Colonizadora. No artigo "When Wexford Farmers Emigrated To Brazil" de Hilary Murphy, a pesquisadora cita alguns trechos de cartas dos colonos irlandeses, e na maioria das vezes, eles relatam estarem muito bem adaptados ao Brasil, ao clima e à terra. Outra informação importante é que eles foram selecionados lá na Irlanda justamente para virem para uma colônia agrícola. Em Liverpool, onde foram embarcados, eles responderam a um questionário.
Por fim, de acordo com minhas pesquisas, mesmo que tenha ocorrido uma grande dispersão dos colonos logo após o início da colônia, algumas famílias permaneceram ainda até pelo menos três décadas depois. Observe-se que os que ficaram (não sei porque razão) se dedicaram em particular ao fabrico de manteiga - produto que era vendido no Mercado Público. (Vide jornal "A Discussão" 1881)

Joaquim Dias disse...

Logo estarei postando no meu blog a tradução do artigo que citei.

Joaquim Dias disse...

O Arroio Padre Doutor é o mesmo Arroio São Thomé. O Arroio Contrabandista situa-se mais ao sul no território de Capão do Leão.

Joaquim Dias disse...

Informação adicional: enquanto os irlandeses da colônia Dom Pedro II eram provenientes da baronia de Forth, Condado de Wexford, sudoeste da Irlanda, o núcleo de Monte Bonito era proveniente do Condado de Cork, baronia de Glengarriff. Em ambos os casos eles foram embarcados em Liverpool, responderam a um questionário e são dados como "farmers", isto é, fazendeiros. Quem articulou a vinda dos irlandeses para nossa região foi o Almirante Grenfell, cônsul honorário do Império Brasileiro no Reino Unido.

Joaquim Dias disse...

Fonte: KEHOE, Patrick. Comparative Studies of Irish Immigration in the Americas. Ferns, Ireland, (data imprecisa, mas denota ser da década de 80 - nota minha).
Neste estudo uma breve menção à "Dom Pedro II" e uma importante anotação. O autor explica que houve uma dificuldade inicial na comercialização dos produtos agrícolas, o que causou o endividamento gradativo de alguns colonos. O porquê desta dificuldade as linhas se encerram e passam a outros casos. Seria, pois, então uma economia ainda dependente do trabalho escravo não estar "pronta" a receber o produto ou pagar o preço do trabalho livre? Divagação minha.

disse...

Olá, me desculpem a intromissão, sou nutricionista e estudante de gastronomia e preciso de informações sobre culinária irlandesa. Descobri o blog por acaso, e gostaria de saber se algum descendente de irlandês ou quem é mais entendido no assunto, poderiam me ajudar. Estou a procura de informações sobre o pão de soda irlandês, pois estou tentando faze-lo em casa, mas preciso de algo mais tangível para saber se estou fazendo certo. Uma das dificuldades é que as receitas pedem o buttermilk, que não temos por aqui no Brasil, claro que as possíveis substituições sempre acabam no bom e velho iogurte, mas eu gostaria de alguma descrição ou qualquer informação mais confiável (de quem realmente tem raízes nessas tradições) para saber se o meu pão está ficando parecido com o que deveria ser. Confesso que estou pesquisando bastante a respeito, e muito em termos de como funciona a "química" por trás desse pão, já que não é um pão como os outros, mas sem saber de quem realmente vivencia isso, fica complicado. Desde já, agradeço pela atenção.

Atenciosamente,
Dúnia Ilha Morel

Francisco Antônio Vidal disse...

Oi Dùnia, já tentou buscar ou perguntar no Yahoo Respostas britânico?
uk.answers.yahoo.com/

disse...

Obrigada, Francisco, dei uma olhada e já encontrei algumas informações úteis.

Anônimo disse...

Wilmis Short 2/01/2013
Há anos procuro, sem resultado, o local de chegada ao Brasil de meu bisavô ARTHUR SHORT, irlandês refugiado da "grande fome" de seu País. Tenho 73 anos e , angustiado, sempre desejei obter esta
informação que meu pai não soube responder. Os Srs. poderiam ajudar-me nesta, possivelmente, der-
radeira esperança?

Joaquim Dias disse...

Senhor Wilmis Short, o senhor saberia ao menos indicar em que porto o seu avô teria desembarcado? Essa informação seria fundamental para ao menos vincular em que ocasião ele teria vindo para o Brasil: se numa empreitada colonizadora oficial ou de modo individual.O sobrenome SHORT não se encontra entre as famílias da colônia Dom Pedro II.

Francisco Antônio Vidal disse...

Se o bisavô de Short foi refugiado de uma grande fome, deve ter vindo num grupo grande. O bisneto está justamente à procura do ponto de desembarque.

Seria útil mencionar o ano em que ele teria vindo, talvez alguma data de nascimento do pai e do avô. A Irlanda teve 3 grandes fomes: 1740, 1845 e 1879.
en.wikipedia.org/wiki/Irish_famines_(disambiguation)

Também seria útil saber em que cidades se radicaram o bisavô, o avô e o pai. Fazer um mapa dos ascendentes até onde for possível. Veio sozinho, com parentes ou com algum amigo? Conheceu outros descendentes de irlandeses aqui no Brasil?

Já pesquisou junto à Embaixada em Brasília e Consulado em São Paulo? Existirá algum Short atualmente na Irlanda? www.embassyofireland.org.br

Fábio disse...

Gostaria de saber a data exata de término do frigorífico Anglo. Entre 1990 1993. Obrigado

Francisco Antônio Vidal disse...

Fábio, não conheço a data exata, mas este documento diz que foi em 1991 (p. 50, último parágrafo).
www1.capes.gov.br/teses/pt/1999_mest_pucrs_Neusa_Regina_Janke_da_Silva.pdf

Anônimo disse...

Caro Vidal: Interessantíssimo o bate bola cultural que se configurou. Estou lendo repetidamente, a fim de me adonar das preciosas informações apresentadas pelos vários paricipantes. Pergunta: quantos alunos, de todos os níveis, têm ocasião de observar e participar, com seus professores, de tal situação cultural?!!! É possível imaginar a qualificação da educação no país se tal acontecesse? A chatice da sala de aula, a repetição de conteúdos inócuos culturalmente, matou a educação brasileira. Parabéns pelo blog, cada vez melhor. Os participantes aqui, excelentes.
É um desafio intelectual mágico. Abraço fraterno a todos. Prof.ª Loiva Hartmann

Francisco Antônio Vidal disse...

Cara Professora:
Por algum motivo esta nota se transformou na mais visitada dentro do blogue. Gerou um interesse bem amplo, não só em Pelotas. De um texto feito num dia saiu um diálogo cheio de detalhes dignos de uma tese de doutorado.
Hoje o mundo se comunica como numa aldeia, segundo profetizado bem antes de existir a internet. E estas notícias servem para estimular a pesquisa, a linguagem e o pensamento.

Creio que a decadência da educação no Brasil é um sintoma cultural nosso. Não nos interessamos muito por aprender e por melhorar, e preferimos nos divertir com superficialidades. A chatice da aula é porque nós mesmos nos achamos chatos e supervalorizamos o que é estrangeiro. Falta-nos saber o que é importante em nós e gostar disso. A tecnologia pode ajudar, mas somos nós que a usamos para nossos fins.

Realmente o desafio é mágico, pois permite a mudança social e a mudança pessoal interna.

Elisabeth Yates disse...

Estou acompanhando o blog somos descendentes de imigrantes irlandeses e ingleses meus antepassados vieram do porto de Liverpool com destino á colonia D.PEDRO II,nossos conhecimentos foram transmitidos oralmente pelos mais velhos da familia,inclusive algumas expressões arcaicas do YOLA eram citadas por eles. Ha que se declarar que quando se reuniam ,meu pai PATRICIO LUIZ STTAFORD YATES ,meus tios ALBERTO STTAFORD YATES, CATHARINA STTAFORD YATES LOUREIRO,DEOLINDA STTAFORD YATES,comunicavam-se entre si em em dialeto ingles. Minha avó ANNA STTAFORD YATES,segundo,meus pais nunca falou portugues, era Irlandesa, e meu avo EDWARD LLOYD YATES era ingles. Um ramo de nossa familia está recentemente estabelecida aqui no Paraná. Porém á distancia da terra natal , PELOTAS,acompanhamos o blog com maior interesse de reunir maiores informaçôes nossos antepassado. Um abraço Elisabeth Yates.

Richard John Ruffier Grantham disse...

O nome citado como Mr. Grant, é na verdade de Meu Pai, Frank Percy Villiers Grantham, vindo de Barretos trabalhar no Frigorifico Anglo em Pelotas. Era Tecnico Especialista em Métodos e Processos. Casou-se em Rio Grande com Denise Ruffier, de familia bastante conhecida nesta cidade. Em Pelotas estabeleceu nossa familia, criando tres filhos, Robert, Raymond e eu Richard. Velejador e escotista, fundou o Grupo Escoteiro Iguaçu. Com o falecimento de minha mãe, transferiu-se para Rio Grande aonde trabalhou na Rheigantz e no Wigg S.A. (posteriormente Agencia Maritima Wigg) e por fim no LLoyd Brasileiro. Casou-se em segundas nupcias coim Ruh GRantham tendo ainda mais duas filhas, nossas meio-irmãs Mônica e Patricia.
Durante quase toda a sua vida, aonde estivesse, esteve sempre envolvido com o Movimento Escoteiro e com o Esporte da Vela, incutindo em todos nós, seus filhos, o mesmo espirito.

Francisco Antônio Vidal disse...

Obrigado pelas informações. Algum de vocês chegou a ser cônsul em Rio Grande?

ELIZABETH SINNOTT TEIXEIRA disse...

É "SINNOTT" com dois "n" e dois "t"! Este nome é de origem irlandesa! SIN = pecar + NOTT = não; então, Sinnott significa "não pecar" ou "sem pecado"!

ELIZABETH SINNOTT TEIXEIRA disse...

Meu pai tinha muita coisa documentada, em cartas escrita à pena, fotos antigas, dos irlandeses "Sinnott" que vieram da Irlanda! Pena que com o falecimento dele em 04/05/2012, tudo ficou com a família do 2º casamento!!! Eu gostaria de juntar tudo: fotos, documentos, livros e cartas, toda a história antiga para montar um documentário sobre a nossa família!!! Sinto muito por ele não tenha me passado isso antes! Eu temo por tudo se perder.... ): !!!!!

Francisco Antônio Vidal disse...

Sobre o sobrenome Sinnott (e suas variações) o House of Names tem uma pesquisa ao longo de dois séculos: http://www.houseofnames.com/Sinnott-history?A=54323-292

Este outro artigo diz que a origem de Sinnott e suas variações foi rastreada até o século VII, quando iniciou sendo um prenome, do antigo inglês SIGENOTH (significando "victory-brave"). A partir do século XIII foi usado como sobrenome.
http://surnames.enacademic.com/40941/Sinott

Francisco Antônio Vidal disse...

Elizabeth, se souber os nomes e o endereço da segunda família de seu pai, escreva-lhe perguntando sobre os documentos, ou permita que eu escreva. Toda a comunidade de descendentes agradecerá.

Professor Pedro A. C. Teixeira disse...

Caríssimo Doutor Vidal.
Achei maravilhoso esse espaço. Parabéns, quantas coisas aprendi. Quanto ao Prof. Joaquim Dias com o qual já mantive outros contatos também meus cumprimentos pela propriedade de suas informações.
- Pelo ano de 1949, costumava ficar horas debruçado a janela de nossa casa assistindo as demoradas e não entendidas partidas de Golf praticadas por homens em suas roupas brancas aos sábados e domingos a tarde. Papai, na época Sargento do Exército dizia que eram ingleses, no que estava correto. Jogavam nos campos que iam da Rua Afonso Pena, rua em que morávamos até o Parque Souza Soares, hoje tudo ocupado por um bairro. Em 1950/51 estabeleceram-se na esquina da Avenida Daltro Filho, hoje Duque de Caxias com a Rua Afonso Pena, os irmão ingleses Power, com um grande armazém e uma bomba de gasolina. Guardo na memória esses detalhes porém careço de uma fonte documental, apenas a história oral, pois sou remanescente desta época, já que nasci no ano de 1946. Este meu relato fica por conta de não ter encontrado neste espaço alusão a família Power.
Prof Pedro - Canoas - RS

Francisco Antônio Vidal disse...

Obrigado pela contribuição, prof. Pedro Aurélio. Não tinha dados dessa família mas, agora que a menciona, achei uma pequena documentação.

Tenho em casa uma Lista Telefônica de 1957 onde consta o nome de Guilherme Ruas Power, que tinha um armazém de secos e molhados na então chamada Av. General Daltro Filho, nos números 710 e 572. A loja era conhecida como Power e Irmão.

Qualquer outro testemunho sobre a história pelotense será bem-vinda.

Professor Pedro A. C. Teixeira disse...

Caríssimo Doutor Vidal.
Há em meu blog "Eu sabia, e tu Sabias?" uma matéria com o título de "Cabungueiros e seus Cabungos", parte da história de Pelotas, hoje desconhecida da maioria de seu (nosso) povo. Quanto aos Irmãos Power, ou a essa família, há na Internet, coisa que somente ontem vi, várias páginas sobre tal, basicamente quanto a seus estabelecimentos comerciais.

Solange Ennes disse...

E quanto ao nome de Ennes, que vieram da Inglaterra , alguém sabe algo!

Evelise disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco Antônio Vidal disse...

Evelise, vc já se comunicou com a profª Teresinha Oxley, daqui de Pelotas? Conhece a data e lugar de nascimento de seu avô?

Evelise disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco Antônio Vidal disse...

Evelise, sabe a data e lugar de nascimento de sua mãe, com nome completo? Por aí podemos descobrir algo do avô materno.

Evelise disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Evelise disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco Antônio Vidal disse...

Evelise, comecemos por sua mãe, qual o nome completo dela, cidade de nascimento e data completa?

Ela ainda vive? Sabe quando e onde morreu ela?

Evelise disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco Antônio Vidal disse...

Vejo que vc não teve contato direto com ela. Sabe de mais alguém que possa tê-la conhecido pessoalmente? Vc tem tios ou tias?

Sabe de alguém que tenha conhecido Antonio Oxley? Quem lhe disse que ele seria uruguaio?

Já ouviu falar deste nome: Leda Idenise Oxley Treptow ?

Evelise disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Meu bisavô Thomaz wotter era ingles e se estabeleceu em Pelotas creio no final do século XIX e possuía uma granja e abatedouro de frangos no Sasso do Salso> pelo que contava minha avó ele abastecia o Mercado Público, armazéns e navios no porto de Pelotas. Com este nome Wotter existe um vilarejo em Devon.
Abraços
Edwin

Francisco Antônio Vidal disse...

Edwin, o nome da localidade é Passo do Salso, fica na periferia de Pelotas atualmente.
Num guia de telefones de 1957 consta o nome Willy Wolter, justamente no Passo do Salso.

Anônimo disse...

Sobre: "...A propósito, falo de alguns de meus antepassados: James e Elisabeth Vaughan - aqui denominados Diogo e Isabel, como era o costume da época..."

Em Rio Grande tinha um Filho de Diogo e Isabel Vaughan familia Inglesa como consta no documento de 1882. Chamado Daniel Vaughan.

Nao sou da familia Vaughan, mas tenho parentes ingleses que chegaram em Rio Grande por volta de 1854 e alguns foram para Pelotas.

Francisco Antônio Vidal disse...

O comentário acima se refere a uma frase de Maria Fernanda Montagna, escrito em 27-06-11.
Obrigado ao anônimo pelo novo detalhe. Seria bom saber qual seu sobrenome, também.

Sobre o primeiro comentário, devo apontar que no século XIX Pelotas ainda não tinha Catedral, pois não era Diocese. A igreja da freguesia era uma Matriz ou paróquia, na terminologia católica.

Anônimo disse...

Caro Francisco,

Meu sobrenome inglês e' Platt.

Infelizmente no nosso estado tem pouca informação sobre os imigrantes ingleses, que sua maioria foi para Pelotas. Então resolvi ajudar com a informação da origem de alguns sobrenomes que aparece nos comentários.

"Solange Ennes disse...
E quanto ao nome de Ennes, que vieram da Inglaterra , alguém sabe algo!..."

Em Rio Grande aparece nos livros de batismo, mas pelos registros de 1875 e 1877 a família Ennes são Irlandeses.
são eles: documentos de 1877 João Ennes e esposa Maria Murphy (os 2 Irlandeses), documento de 1875 Patricio Ennes e Constança Ennes (os 2 Irlandeses). Vale lembrar que nos registros eles tinham o costume de traduzir os nomes, como por exemplo: William era traduzido para Guilherme.

Anônimo disse...

Nos registros de 1873 também aparece: Percilianna Sinnott filha de James Sinnott e Marianna Sinnott, avos paternos Esteven Sinnott e de Margarita Sinnott e avos maternos Thomas Wall (ou Woll) e Mary Wall (ou Woll) todos os avos da Irlanda.

Francisco Antônio Vidal disse...

Obrigado pela valiosa ajuda. Então você está em Rio Grande? Outro leitor (comentário de 2-1-13) busca seu bisavô Arthur Short.

Saberia dizer se os registros originais identificam o país de origem dos imigrantes? Isso porque algumas famílias se definem como puramente irlandesas ou inglesas, enquanto outras se dizem "escocesas/inglesas" ou "irlandesas/inglesas", certamente por migrações internas na grande ilha britânica. Sabemos que existem nações diferentes, mas que para nós hoje se confundem, na distância (talvez como um europeu sem relação conosco poderia confundir uruguaios com brasileiros, ou como um brasileiro pode confundir uruguaios e paraguaios). Existe entre britânicos essa diferenciação pelo sobrenome?

Anônimo disse...

Sou natural de Rio Grande, mas vivo em São Paulo.

Nos documentos originais só aparecem o país de origem. Exemplo "... naturais da Inglaterra..." Se quiseres posso dar as imagens originais dos documentos que citei no post anterior.

Em 1899 tem um batismo de uma Short em Santa Catarina:
Hilda Short Filha do Capitão-Tenente Francisco José Vieira e D. Anna Short - neta materna de: Contra-Almirante Felippe Orlando Short e D. Lydia Augusta Short consta como naturais Cuiba - Mato Grosso *obs. acredito que os bisavós seriam Ingleses.

Tem outro batismo em São Paulo de uma filha do Tenente Guilherme Vicente Short em 1868. Também não aparece o pais de origem.

Mas Short é um sobrenome Sussex - England.
Como são muitos batismos antigos na Inglaterra da família Short, coloquei apenas alguns exemplos:
Dennys Short 03/01/1584 St Bartholomew, Chichester - Sussex
Joane Short 22/05/1603 St George, Eastergate - Sussex
Elizabeth Short 06/02/1605 St George, Eastergate - Sussex
Richard Short 10/08/1576 St margaret, Angmering - Sussex
Henry Short 13/08/1700 ( pais: John Short e Sarah Short) St Mary the Virgen, Aldingbourne - Sussex

*obs. Sussex corresponde ao antigo Reino Anglo-saxão.

Francisco Antônio Vidal disse...

Sim, seria interessante fazer uma nota especial para mostrar a chegada de ingleses no Rio Grande do Sul, se os documentos forem de Rio Grande. Sinnott é inglês ou irlandês? Há como saber a nação de origem só pelo sobrenome? Não sei se, antes do domínio inglês, Escócia, Gales e a Irlanda usavam idiomas e nomes próprios.

Anônimo disse...

No documento de Rio Grande aparece Sinnott como Irlandeses.

Há como saber a nação de origem só pelo sobrenome? Basta pesquisar nos arquivos nacionais da Irlanda e Inglaterra, eles sabem a origem de cada sobrenome. Claro, que alguns podem existir nos dois países. Mas basta ver a concentração do sobrenome em documentos mais antigos, por volta de 1500 a 1600.

Por isso, quero dar a sugestão para quem for pedir uma copia do documento na Inglaterra, que pesquise todos os dados possíveis aqui no brasil. Para saber o lugar, data ou o ano de nascimento do parente. Pois na Inglaterra o documento custa entorno de 3 a 5 euros, mas para eles pesquisarem eles cobram cerca de 50 euros por hora de pesquisa. A pesquisa pode demorar tanto 1 hora como como 1 mês.

Francisco, coloquei as imagens originais dos documentos que citei nos post acima. Eu criei este blog exclusivamente para vc ver as imagens. Depois que vc olhar, vou excluir as imagens, ok.
O endereco: ingleseseirlandeses.blogspot.com.br

Francisco Antônio Vidal disse...

Boa sugestão aos descendentes que queiram seguir a pesquisa no país de origem. Copiei as imagens e vou reproduzi-las, proximamente, em post separado. Agradeço pela contribuição ao sr. Platt.

Alcançando já uma centena de comentários, esta nota também é a mais visitada no último mês e na soma total do blog, passando de 6500 acessos desde sua publicação.

ricardo yates disse...

Caro Vidal:
Conheci Antônio Oxley. Era uruguaio de origem inglesa. Funcionário do Anglo e morador nas proximidades. Ainda existe prole. Era boxeador.
Parabéns pelo blog. Sucesso e vamos em frente. . .

Ricardo Yates
Candiota

Francisco Antônio Vidal disse...

Caro Ricardo, muito valioso esse dado. A leitora que perguntou por Antonio Oxley, identificada acima como Evelise, é neta materna dele, e nascida em Pelotas.
Ela acrescenta que o nome de sua mãe era Leda Oxley (falecida em 1998) e os pais desta eram Francisca Fernandes e Antonio Oxley. Este veio do Uruguai e trabalhou em Pelotas como engenheiro, mesmo sem ter o título ou a formação.
Nas mensagens deletadas ainda consta que Leda Idenise Oxley Treptow era sua irmã.
Se alguém mais puder contribuir com outros nomes, é bem-vindo.

Ricardo Yates disse...

Caro Vidal:

Conheci JOÃO SINNOTT em vida. Era proprietário de uma carpintaria na Av. Saldanha Marinho/Pelotas. Meu pai PATRICIO LUIZ YATES dizia que eram primos. . . Tempos depois conheci dois oficiais do exército,de sobrenome Sinnott Balbi, talvez filhos ou netos do segundo matrimonio de João Sinnott.

Ricardo Yates

Francisco Antônio Vidal disse...

A carpintaria de João W. Sinnott ficava na Saldanha Marinho nº 40. Perto dali Ricardo Yates Sinnott tinha outra loja, na Manduca Rodrigues 107. Informação consultada no guia de telefones de Pelotas de 1957.

Ricardo Yates disse...

Caro Vidal:

Quem seria RICARDO YATES SINNOTT ?

Conheci RICARDO MARIATH YATES, meu primo, acho que pai da ADÉLIA PORTO, e avó do atual Chefe da Polícia Civil do RS Del. Guilherme Yates Wondracek. Ricardinho (como era por nós tratado) possuía uma oficina de rebobinagem/concerto de motores marítimos na Av. João Pessoa, próximo ao Jornal do Comércio em POA.

Ricardo Yates
Candiota

Francisco Antônio Vidal disse...

Eu também não conhecia, mas a Lista Classificada de 1957 (mesmo volume que informei acima) informa que nesse endereço (nº 107) funcionava a Caieira Nova Aurora (fábrica de cal ou ladrilhos que devia pertencer a Ricardo Yates Sinnott).

A lista de assinantes por endereço ainda anota que na Manduca Rodrigues 107A morava Emilio Rychescki (além de Ricardo Y Sinott no nº 107, aqui com um só N).

Ricardo Yates disse...

Caro Vidal:

Na Manduca Rodrigues, onde ainda existe ruínas do forno para calcinar o calcário, residiu família de sobre-nome ANDERSON, de origem irlandesa, sendo que um deles (não sei o nome) era salva-vidas nos veraneios do Cassino. . .

Ricardo Yates
Candiota

Anônimo disse...

Francisco Antônio Vidal, descobri o primo Edwin Wotter Fickel em seu Blog histórico.
O sobrenome se escreve Wother com “TH”, originário do Old English, e pela internet constatei que o nosso nome de família está registrado num grande livro da história britânica do século 11 dC, como duas propriedades rurais. Os Wother imigraram para Pelotas durante a Guerra dos Farrapos e o meu falecido pai protegia um baú e documentações vindo com a família da Inglaterra, porém, o mesmo serviu o exército por 8 anos na 2ª Guerra Mundial e quando deu baixa em 1945 retornou para a casa e não havia nem vestígios daquelas relíquias. Conforme meu pai os referidos documentos Ingleses citava a aldeia Wother, local de moradia da nossa família na Inglaterra, que na realidade refere-se a uma das propriedades rurais citadas acima. Quanto ao nome Wotter, eu posso dizer que similar ao nome Wother, pois são da mesma família não obstante serem escrito com TH ou TT, que significam uma terra ou local arborizado em inglês.
O nome do vovô era “Thomas Wother”, mas a vovó e os conhecidos o chamavam por “Willy”, pode ser que este “Willy Wolter” citado por vós seja o meu vô. O meu avô não curtia a cultura inglesa, mas era um grande homem, tinha interesse só com os costumes brasileiros e não se importava como escreviam seu nome, dai ocorriam erros na grafia do nosso sobrenome. Quando eu tinha uns 6 anos de idade, lembro do telefone antigo com manivela, existente na chácara do vovô no Passo do Salso. Em outra oportunidade, contarei mais fatos como a ”banca do vovô no Mercado Público Pelotense” dos anos de 1900 a 1950.
Só para encerrar, sou um inventor e o meu sobrenome está registrado três vezes na biblioteca Pergamum do SENAI RS, sendo citado num dos registros como Wolter, mas graças a Deus nos outros dois consta, Wother, senão eu teria desaparecido da história das invenções.
e-mail: oscarwother@live.com ----------------------------------------Atenciosamente, Oscar Wother

Francisco Antônio Vidal disse...

Oscar e Edwin:
Que fantástico saber que vocês se encontraram por meio deste blog (v. comentário de Edwin em 9-4-14, acima). Se eram primos, por que não se conheciam?
Se fornecerem alguma foto, a história dará mais um post.

A advogada Ellen Wother, publicou em 2012 uma reportagem sobre as invenções de seu pai, o pelotense Oscar Wother:
ellenwother.blogspot.com.br/2012/07/o-nascido-em-04-de-julho-que-luta-por.html
Há vídeo da premiação que recebeu em 1987: http://youtu.be/awk2YdbHfBQ

A seguinte matéria tem um comentário anônimo (24-5-14) que explica as invenções de Wother.
maxmegacuriosidades.blogspot.com.br/2011/11/as-10-invencoes-brasileiras-mais.html

Oscar Wother disse...

Francisco Antônio Vidal
Pergunto se a família Sinnott imigrou em duas etapas para Pelotas, RS, anos 1840 e 1852?
Observei que na história da imigração britânica para o Brasil, no caso referente aos irlandeses de Pelotas, são citadas estas duas datas (1840 e 1852), daí eu gostaria que o senhor pudesse me dar algum esclarecimento sobre este detalhe e se trata de uma ou duas imigrações da família Sinnott para o Rio Grande do Sul.
Seu trabalho de pesquisador é maravilhoso e isto ajuda a mostrar que os britânicos por mais anônimos que pareçam na história do pampa gaúcho, este povo mantém-se presente na nossa terra através do sangue, sobrenomes e a cultura. O maior representante que considero do povo britânico aqui no Brasil é o cientista e inventor padre Landell, que era gaúcho e esta no Livro dos Heróis da nossa pátria . Outro exemplo grandioso foi o paulista Charles Miller, filho de ingleses que é considerado o pai do futebol do Brasil. Este esporte criado pelos ingleses mostra a cultura e costume britânico implantados na nação brasileira. Se isto não é uma grande contribuição do imigrante britânico a nossa nação, eu não sei mais o que dizer.
O seu comentário feito no dia 7 de agosto sobre o Pelotense Oscar Wother, o inventor, pai da advogada Ellen Wother, trata-se de mim mesmo. Desculpe se saliento isso, pois pode o pesquisador pensar que existe dois Oscars. Veja pela internet vídeo que mostra entrevista com Rui Carlos Ostermann-RBS TV, mostrando um pouco da história deste modesto inventor pelotense de ascendência inglesa. Site: www.youtube.com/watch?v=6xKiDr0XIak
Obrigado por permitir expor este assunto em seu blog e sempre que puder também colaborar, irei dar minha opinião e tentar passar-lhe alguma informação dos britânicos ao grande pesquisador. Parabéns e em breve voltarei a fazer outros comentários.
Atenciosamente, Oscar Wother

Gabi Power disse...

Sou descendente destes Irlandeses "Power" que vieram para Pelotas e Rosário do Sul. Meu avó veio pequeno com seus pais para Rosário.

Queria tanto saber mais coisas, como vieram, porque e para onde foram.

Ainda temos aqui em Pelotas um pouco da família.Meu tio-avô Jaime Power.

Bom ler um pouquinho que seja da história deles!

Obrigada!

Gabriela Power

Francisco Antônio Vidal disse...

Gabriela, o sobrenome Power foi citado num comentário acima (25/09/13) pelo prof.Pedro, de Canoas.
Eu respondi com a única informação que tinha no momento, sobre Guilherme Ruas Power, seria ele irmão de teu tio-avô de Jaime Power? A empresa que havia aqui era Power&Irmão.

Anônimo disse...

Gabi Power
A seguir um pouco da história do teu sobrenome, quando ele surgiu na Grã Bretanha e o condado Devon na Inglaterra, onde primeiramente os teus antepassados foram proprietários de terras.
Power é um sobrenome que fez parte da imigração britânica para Pelotas, RS, em 1852, onde com outras famílias irlandesas e inglesas formaram a Colônia D. Pedro II. A maioria dos imigrantes britânicos conforme os historiadores eram formados por irlandeses, sendo alguns ingleses, havendo um total de 300 pessoas. A colônia britânica se instalou em duas localidades, sendo uma em Monte Bonito, Pelotas e outra numa região hoje pertencente a Capão do Leão. Há muitos descendentes destes britânicos em Pelotas, onde podemos citar exemplos como os Sinnott, Yates, Staford, e os Carpenter. Existem os Lemons, Ness, Grill, Barnes e os Wother.
Um destes imigrantes britânicos da colônia D. Pedro chamava-se Patrício Power, 42 anos, carpinteiro e veio acompanhado pela mulher e quatro filhos. É o seu antepassado.
Power, conforme pesquisas, é um sobrenome britânico, usado por um homem celta que havia feito um voto de pobreza, o qual habitava o sul da ilha britânica até o 5º século d. C. e nesta época quando houve a invasão anglo-saxônica, este pessoa se mudou para a Bretanha na França. Uns seis séculos mais tarde, quando houve a invasão normanda da Inglaterra, os Powers voltaram a sua terra natal acompanhando o rei Guilherme e se destacaram na Batalha de Hastings, onde com isto ganharam terras do conquistador normando no condado de Devon.
Atenciosamente, Oscar Fernando Wother -------- e-mail: oscarwother@live.com

Anônimo disse...

Gabi Power,

O sobrenome Power aparece na Colonia Don Pedro II em 01/08/1850.
Um imigrante Inglês abandonou a colonia pelo motivo: ..." resolvi deixar aquela colonia no mês de janeiro próximo, e ser-me impossível (como homem de bem) contrair mais dividas com a mesma, duvidando então, como agora que me fosse possível, ou a qualquer outro, ali ficar, sem me ver envolvido em grandes dificuldades, em razão da ma qualidade da terra..." "...Depois tornei a colonia, e as trouxe, em consequência de ter dito o capataz do Sr. Rafael ao Sr. Parle, em presença de Catharina Muckley e de Thomas Power, que se eu as não levasse, seria obrigado a paga-las..."

Anônimo disse...

Cara Gabriela Power,
eu postei esse comentário acima que aparece Thomas Power. Aqui no Rio Grande do Sul existiu 3 Colonias Britânicas. Todas elas fundadas apos 1849. Vieram alguns ingleses e irlandeses antes dessa data, mas eram poucas pessoas, chegava em um navio com 1 ou 2 imigrantes britânicos, misturados aos Alemães e Franceses Todas as 3 Colonias foram um fracasso. Em razão da ma qualidade das terras. Esses ingleses e irlandeses se espalharam pelas cidades de Rio Grande e Pelotas, e também para o Uruguai e Argentina. Falo isso não baseado em historias, mas sim por documento verdadeiros. Os Britânicos faziam seus registros (casamento, nascimento e óbito) no Consulado, pois casavam com a licença da Igreja Inglesa e do Parlamento Inglês. Como pesquiso a muitos anos, vou dar uma ajuda para vc: Índice de Nascimentos:
Patrick Power - Rio Grande do Sul - Brasil - Livro 1860-1865 - Volume 3 - Pagina 357.

ana cristina disse...

Hoje tivemos um encontro da Familia Sinott e ler agora esse blog deu mais vontade ainda de desvendar as origens da familia

Lauro Dieckmann disse...

Lembro do "Clube dos Ingleses", que ficava na 15, quase Benjamin. Era um casarão de dois pisos. Na Benjamin, quase esquina 15, em frente à casa onde morávamos na época, residia o gerente do Anglo (ou um dos). Nesta época, não tinha nem cinco anos de idade. O casal tinha dois filhos, um menino e uma menina. A menina foi minha primeira paixão! A minha babá, depois que deixou de sê-lo, passou a trabalhar, na safra, de operária do Anglo. Quando vinha visitar minha mãe, ela, a babá, comentava que era melhor que não se soubesse como os enlatados do Anglo eram produzidos (como Bismark a propósito das charcutarias). Nunca cheguei a ir até o frigorífico. Tudo aquilo para lá do Pepino, para mim, era uma zona misteriosa. A esposa de um dos meus tios era Macarthy. Meus primos, filhos dela, eram Macarthy Abreu. Para mim, este nome Macarthy era outro mistério. De onde tinha saído? Até que fiquei sabendo desta colônia inglesa/irlandesa em Pelotas. E o Monks, mencionado em outros comentários, foi meu colega no primeiro ano do Científico do Assis Brasil (no ano seguinte ele veio para a Academia da Brigada em PoA).

Francisco Antônio Vidal disse...

Os sobrenomes iniciados com Mac são escoceses e em Pelotas houve uma família Macarthy. A grafia original é MacCarthy.

Joaquim Moncks aposentou-se da Brigada, foi deputado constituinte em 1989 e passou a dedicar-se à literatura poética.

Dedé disse...


Sobre os irlandeses em Pelotas: Eduardo Yates Fonseca encontrou este registro, com nomes de moradores da colônia irlandesa em Pelotas, em 1863.
http://imigrantesriogrande.blogspot.com.br/2015/03/colonia-irlandesa-de-pelotas-rs.html

Adelia Yates

Anônimo disse...

Dedé,

sou eu quem faz esse blog que vc cita acima. Quanto aos irlandeses na cidade de pelotas, esses nomes aparece numa carta enviada de Pelotas em 25/12/1865 para Igreja na Inglaterra.
Como seu sobrenome é "Yates", uma curiosidade, na Inglaterra aparece o casamento aqui no Rio Grande do Sul, de uma jovem moça Irlandesa Mary Monks com o ingles Richard Yates em 03/03/1860.

Abraços!

Anônimo disse...

em tempo, coloquei 25/12/1865, mas o correto é 25/12/1863.

Dedé disse...


Oi, Anônimo,

Gostaria muito de ter acesso a informações sobre o casamento da irlandesa Mary Monks com o Richard Yates. Esses dois são meus trisavós! É possível ter acesso a essa carta de 25/12/1963 e aos dados do casamento? Sobre o casamento deles, eu tinha a data de 15/05/1858, no registro da diocese de Pelotas, mas não bate com essa de março de 1860. Tenho pesquisado a história da família e já escrevi alguma coisa. Ficaria super agradecida por qualquer informação. Um abraço!

Dedé disse...


Caro Vidal,

Esse blog é de uma riqueza espetacular!Parabéns! Um abraço

Anônimo disse...

Oi Dedé,

desculpa, somente hoje olhei seu comentário. 03/03/1860 é a data da carta que fala do matrimonio, mas não é a data do matrimonio.
Parte da carta que fala do matrimonio de sua família:
"...Letter of the hon. H. P. Vereker. British Consulate, Rio Grande do Sul, 3rd march, 1860.
Rev. Sir - A young Irish girl named Mary Monks married to Richard Yates, an Engishman, having heard that you were collecting for the building of churches at Wexford (whence she came) has collected among her poor fellow country people here a small fund amounting to £4 6s, to assist you in your good work - you may permit me to add my mite to make the even £5, which I now enclose..."

A carta é de H. P. Vereker para o Rev. James Roche em Wexford - Irlanda.

A carta posso dar a imagem pra vc.

Anônimo disse...

H. P. Vereker, foi cônsul britânico no Rio Grande do sul, seu nome era: Henry Prendergast Vereker. Autor de "The British shipmaster´s handbook to Rio Grande do Sul", que descreve toda a costa gaúcha, especialmente a barra e o porto da cidade do Rio Grande.

Dedé disse...



Olá, Anônimo
Muito obrigada pelas informações! Vou incluí-las no texto que estou organizando. Seria maravilhoso ter acesso à imagem da carta da Mary Monks, se for possível. Se desejar, pode mandar para o email adeliayates4@gmail.com.
O livro do cônsul Vereker talvez não sirva para o meu escrito, mas deve ser um documento valioso para o RS.

Um abraço, muito obrigada.

Anônimo disse...

Olá, enviei a carta que fala de Mary Monks para seu email.

Anônimo disse...

Prezado Francisco Vidal, no dia 10 de abril de 2014, você escreveu que num guia de telefones de 1957 consta o nome Willy Wolter residente em Passo do Salso em Pelotas. Pensei muito e lembrei que garantidamente na década de 50 (1950-1959) o meu avô Thomaz Wotter (chamado também de Willy), tinha um telefone de parede na sala de sua casa no Passo do Salso em Pelotas, daqueles com manivela para a chamar a telefonista e fazer a ligação telefônica. Peço-vos que verifique se possível em guias de telefones dos anos anteriores, ao menos dos anos 1952 a 1956 para achar o nome do meu avô Wotter, pois garanto-lhe que o nome do mesmo tem de constar nestes documentos da central telefônica da época. E tinha uns 5 ou 6 ou 7 anos de idade e ia muito até a chácara dos meus avós Wotter. Favor verificar e confirmar isto, pois tenho certeza que você tem condições melhor que ninguém para descobrir este fato histórico da minha família. Abraço

Francisco Antônio Vidal disse...
Edwin, o nome da localidade é Passo do Salso, fica na periferia de Pelotas atualmente.
Num guia de telefones de 1957 consta o nome Willy Wolter, justamente no Passo do Salso.

10/04/14 00:48

Daniele Mesquita disse...

Minha bisavó Margarida Getens também era uma imigrantes inglesas. Nascida em 1895 e fugiu com a familia em um navio para o Brasil próximo da Primeira Guerra ou durante.Morou em Canguçu. Gostaria de saber se tem alguma informação sobre os imigrantes ingleses dessa época pra cá? Desde já agradeço.

Francisco Antônio Vidal disse...

Edwin, acredito que a informação de 1957 que possuo sobre "Willy Wolter" seja prova inegável de que seu avô Thomaz "Willy" Wotter residiu no Passo do Salso, e não seja necessário procurar dados de anos anteriores. Não disponho de outras guias da época, e creio que possa ter havido uma falha de transcrição, como é comum em registros aqui no Brasil (também é improvável que tenha havido dois Willy no Passo do Salso, um Wolter e um Wotter).

Daniele, não tenho detalhes sobre ingleses chegados a Pelotas no século XX, além dos citados no artigo em relação aos empresários do frigorífico Anglo. Mas, com certeza, aos genealogistas que puderem colaborar ajudaria saber a descendência de dona Margarida Getens (filhos, netos e bisnetos). Haveria relação com famílias judias?

Marcus Balbi disse...

Boa tarde!

Meu nome é Marcus Antonio Sinnott Balbi, sou natural de Pelotas, neto de João Walter Sinnott, que tinha uma carpintaria na Av. Saldanha Marinho 40. Meu avô, consideradas as idades de suas filhas (minha mãe e minhas duas tias maternas), só foi casado uma vez, com Olga Sacco Sinnott, minha avó.
Sempre ouvi de minha avó que o sobrenome completo de meu avô seria Yates Sinnott, mas que ele não usava o Yates porque não gostava.
Eu e meu irmão somos os dois oficiais do Exército de sobrenome Sinnott Balbi, a que se referiu o Sr. Ricardo Yates em 24/07/2014.
Parabéns pelo trabalho, Sr. Vidal. Os povos com maiores conquistas culturais e sociais são aqueles que não descuidam de suas origens.

Marcus A. S. Balbi

Anônimo disse...

Daniele Mesquita,

Qual o nome do pai? ou dos pais? Fica mais fácil procurar na Inglaterra e no Brasil, ou se tem algum registro "overseas" (geralmente os ingleses faziam registros nos consulados).

Anônimo disse...

Daniele Mesquita,

completando o comentário que escrevi acima:
Na inglaterra aparece varias "Margaret', exemplo:

Margaret Gittins nascida em março de 1895,
Margaret Gettens nascida em junho de 1898.

Procurar pelos pais ou avós fica mais fácil.

Anônimo disse...

Historiador Vidal, agradeço a gentileza de relatar sobre o meu avo Thomaz (Willy) Wotter e de seu telefone do Passo do Salso, Pelotas no ano de 1957, fato este que presenciei. Estou pesquisando sobre a grafia anglo-saxonica do meu sobrenome e no meu caso escreve-se Wother (com TH). Estes dias um Historiador da cidade de Rio Grande enviou-me um recorte de jornal do ano 1916, com a nota de falecimento de Osorio Wother (escrito com TH), meu bisavo, avo do meu pai Ataulpho Wother (escrito com TH) e o primeiro filho de Thomaz Willy Wotter ou Wother. Na Inglaterra existe o sobrenome Wother, registrado a dez seculos no Domesday book, indicando duas fazendas da familia Wother (Wotherton=fazenda dos Wother em Shropshire e Wothersome=Casas dos Wother em Yorkshire). A historia e longa e noutra oportunidade falarei mais sobre estes detalhes do meu sobrenome. Existiu entre a Escocia e a Inglaterra a uns dez seculos outra fazenda dos Wother, que eram criadores de ovelhas (Wotherspoons ou Wother spoons=terra existente em um vale de uma familia de criadores de ovelhas), mas estou pesquisando para confirmar outros detalhes. Quanto ao Wotter (escrito com TT) existe localidade em Devon fundada em 1906, mas no historico de sobrenomes britanicos nao achei nada ainda. Encerrando, um pequeno vocabulario: TON=fazenda (da palavra anglo-saxao TUN), SOME proveniente da palavra HUSUM do antigo ingles que significa CASA e SPOON=terra em um vale. O Wother na Inglaterra indica significar um local arborizado e na Escocia pode referir-se a criadores ou pastores de ovelhas. e-mail: oscarwother@live.com

L Silva disse...

A igreja "cabeluda" nao foi construida por que os ingleses estavam em Pelotas. Foi construida com suporte da Igreja Episcopal Americana que tinha enviado missionarios para estabelecer a igreja no Brasil e Pelotas foi uma das cidades.

Anônimo disse...

Os ingleses estavam presentes em Pelotas na época da fundação da igreja peluda Anglicana. Só para esclarecer, o exemplo é o sobrenome Yates, imigrante inglês que oficialmente veio com outros imigrantes britânicos (irlandeses) para formarem a Colônia D Pedro II em Monte Bonito e Capão do Leão em 1852 na cidade pelotense. VOU MOSTRAR ABAIXO COMO A IGREJA ANGLICANA VEIO PARA O BRASIL, SENDO ATÉ HOJE O SEU CHEFE SUPREMO (PAPA) A RAINHA (OU REI) DA INGLATERRA. CÓPIA FIEL do que é mostrado na WILKEPEDIA - A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) é uma província eclesiástica da Comunhão Anglicana que abrange todo o território do Brasil. É formada por nove dioceses e um distrito missionário, cada um deles dirigida por um bispo, dentre os quais um é eleito como primaz (superior). O atual bispo primaz é Dom Francisco de Assis da Silva, da Diocese Anglicana Sul-Ocidental, eleito em 2013. A IEAB é a mais antiga igreja não-católica romana do país,[1] tendo suas origens no Tratado de Comércio e Navegação firmado em 1810 entre Portugal e Inglaterra e que permitiu àIgreja da Inglaterra estabelecer capelanias no país. Em 1890, aportaram no país missionários da Igreja Episcopal dos Estados Unidos para realizar cultos em português e converter brasileiros. A IEAB foi um distrito missionário da Igreja Episcopal americana por 74 anos, obtendo sua autonomia eclesiástica em 1965, quando se tornou a décima-nona província da Comunhão Anglicana. Vinte anos depois, começou a ordenar mulheres. A igreja se destaca por seu compromisso em combater problemas que afetam a sociedade brasileira, tais como a desigualdade social, a concentração fundiária, a violência doméstica, o racismo, a homofobia e axenofobia. Sua postura inclusiva em relação às minorias tem provocado cismas, ao mesmo tempo em que atrai fiéis de outras denominações em busca de aceitação e acolhimento. COMO SE OBSERVA A IGREJA ANGLICANA INICIOU EM 1810 NO BRASIL. OBSERVO QUE quando se trata da igreja CATÓLICA, o PAPA, o chefe maior fica em Roma. ASSIM, o chefe maior da igreja anglicana mora na Inglaterra. A IGREJA ANGLICANA COMEÇOU EM 1810 NO BRASIL E A OS PASTORES US EM 1890 estavam a serviço da igreja inglesa, com seu chefe supremo, monarca da Inglaterra. Podem conferir na internet! Só quis contribuir.

Anônimo disse...

Acredito ou penso ter já escrito que discordo não haver o tal do verbete salientando a presença britânica em Pelotas e aproveitando na cidade de Rio Grande, pois esta muito bem documentado, tanto quanto a do imigrante francês. Fico a pensar se estou ficando maluco, ou se sou pouco informado, mas basta olhar o Castelo da Baronesa, um dos primeiros destaques da cidade de Pelotas, simplesmente pertencia a uma mulher de origem inglesa que casou com um Maciel de família pelotense, a senhora HARTLEY, sim este era o sobrenome da proprietária da referida maravilhosa construção no bairro Areal pelotense. A família HARTLEY Maciel começou na primeira metade do século XIX. A Estação de Tratamento de Água SINNOTT |(ETA) em Monte Bonito contém o sobrenome britânico (irlandês) provando a existência da imigração britânica em 1852 em Pelotas. Conheci um Técnico da CRT nas décadas de 70 e 80 um DOYLE, descendente do imigrante irlandês DOYLE, integrante da Colônia D Pedro II, ano 1852 em Pelotas. Em Capão do Leão existem os Yates, descendente do imigrante inglês YATES vindo em 1852 junto com 300 imigrantes britânicos (irlandeses e ingleses) Nos tempos do Anglo, no período da Guerra Mundial houve muitos ingleses em Pelotas e podemos citar a colonização britânica do século XIX na cidade de Rio Grande. No RS existem os SALTON, fabricantes de vinhos, que descendente de ingleses e escoceses, onde os próprios SALTON cotam sua imigração da Inglaterra no século XIX. O famoso inventor, o padre LANDELL Jjá é prova final da presença britânica aqui no RS. Eu, Oscar Wother sou descendente de ingleses vindoS de SHROPSHIRE, Inglaterra, mesmo condado da família YATES. Quero ressaltar a maravilhosa Caixa de Água em frente a Santa Casa de Misericórdia em Pelotas foi produzida na Escócia e instalada na praça em frente ao citado hospital por britânicos, sendo hoje um rico patrimônio histórico pelotense. A presença BRITÂNICA em PELOTAS, ou melhor no estado RS é bem documentada, tanto quanto a presença de outra etnias, sendo assim, acredito que os verbeteiros estão mal informados. Vamos corrigir esta injustiça e o que falei sobre a Caixa de Água em Pelotas, do Castelo da Baronesa e do Inventor pe LANDELL está na INTERNET para que quiser conferir.

Anônimo disse...

A maravilhosa Caixa de Água em frente a Santa Casa de Misericórdia em Pelotas foi produzida na Escócia e instalada na praça em frente ao citado hospital por britânicos. Sempre que leio sobre a origem desta caixa de água histórica vejo dúvidas, tipo que não havendo certeza que a produziu e instalou em Pelotas então é melhor dizer que é francesa. DESCULPEM-ME, MAS A CAIXA DE ÁGUA VEIO DA ESCÓCIA, PAÍS QUE FICA NA GRÃ-BRETANHA. Eu Oscar Wother sou descendente de britânico pelo lado paterno e nasci em Pelotas. São dezenas de sobrenomes britânicos de famílias pelotenses e a história foi bem registrada da chegada de seus antepassados. Os SINNOTT (reservatório de água - ETA Sinnott) e YATES são uma prova. A dona do Palácio da Baroneza tinha o sobrenome HARTLEY e casou com um pelotense da família MACIEL. Estes fatos são verídicos estão em livros e na Internet. Verdade é verdade e sobre a caixa de água pelotense existe a outra igual na cidade de Rio Grande e veio da Escócia no século XIX e instalada na mesma época que a de Pelotas. Na caixa da cidade de Rio Grande tem até a placa da empresa britânica instaladora, mas na caixa de Pelotas foi retirada. Os pelotenses são conservadores, mas infelizmente neste caso deixaram a desejar. Até a ETA Moreira, o seu equipamento tem a mão britânica e tem placa para garantir isto. Encerrando a ETA Moreira em Capão do Leão, no século XIX tinha encanamento ligando a mesma até caixa escocesa em Pelotas, afim de abastecer os pelotenses com água.

Anônimo disse...

Roderick Peter Clark, um descendente de britânicos que contribui com a cidade de Pelotas, influindo no patrimônio histórico e na história pelotense. Roderick Clark é o proprietário atual da Charqueada Santa Rita, que foi fundada por Inácio Barcellos em 1826, sendo esta vendida a família Mazza em 1960 e em 1988 foi comprada pela família Cunningham, também de origem inglesa, que restauraram tudo.
Abaixo cópia do histórico completo da Charqueada Santa Rita e a fonte de pesquisa.

Charqueada Santa Rita

A Charqueada Santa Rita, antiga Charqueada de Inácio Rodrigues Barcellos, construída em 1826 em estilo colonial, é parte importante da história da cidade de Pelotas, já que fez parte, segundo Gutierrez (2001), do Núcleo Charqueador Pelotense. Este Núcleo, de acordo com a autora, estendia-se, principalmente, entre as localidades do Retiro até a entrada do canal São Gonçalo, compreendendo o próprio Retiro, o Cotovelo, o Cascalho, a Boa Vista, a Costa, o Areal e o Atoladouro. A maior densidade de charqueadas e, conseqüentemente, de escravos, estava localizada entre a Boa Vista e o canal São Gonçalo: em torno de 15 estabelecimentos no Arroio Pelotas e oito no chamado sangradouro da Mirim.
A família Rodrigues Barcellos deteve o maior número de charqueadas, todas localizadas no final da descida do arroio Pelotas, entre a Costa e a Boca do Arroio, como conta Gutierrez (2001). A localização dos estabelecimentos da família Rodrigues Barcellos teve a seguinte ordem: nos dois terrenos iniciais da Costa, os empreendimentos de Boaventura Rodrigues Barcellos (atual Cabaña El Abolengo e arredores); na primeira parte do Areal, a charqueada de Inácio (atual Santa Rita) e uma das charqueadas de Cipriano Rodrigues Barcellos; nos Coqueiros, uma das charqueadas de Bernardino; na segunda parte do Areal, a outra propriedade do mesmo Bernardino; e, no Atoladouro, próximo ao Canal São Gonçalo, a segunda charqueada de Cipriano.
A Charqueada Santa Rita localizava-se entre as charqueadas de Antônio Gonçalves Chaves (atual São João) e a de Cipriano Rodrigues Barcellos. De acordo com Gutierrez (2001), nos inventários realizados em 1863, contavam-se, na Charqueada Santa Rita, 30 escravos, plantel mantido sem variações até a década de 80.
Foi na Charqueada Santa Rita que se instalou a primeira fábrica de enlatados de carne da cidade de Pelotas, denominada popularmente como Fábrica de Línguas. Tal empreendimento gerou o posterior desenvolvimento de frigoríficos na região, entre eles o Frigorífico Anglo, fundado por um grupo Britânico, o qual exportava carne enlatada para a Europa e outros mercados. Com o sucesso da Fábrica de Línguas, a Charqueada Santa Rita tornou-se talvez a única charqueada a manter atividade produtiva e lucrativa, enquanto o ciclo do charque decaía.
No começo dos anos 60 os herdeiros venderam a propriedade para Geraldo Mazza, o qual realizou benfeitorias, como o restauro do galpão à beira do Arroio Pelotas. Em 1988 foi adquirida pela família Cunningham, responsável pelo minucioso restauro da casa principal, entre várias outras melhorias na propriedade. A partir do ano de 2000 passa a ser propriedade da família Clark.
Por coincidência, Mr. Horace Griffiths, avô materno do atual proprietário, e Mr. Ernest Cunningham, avô paterno de Oliver Murray Cunningham, proprietário anterior, foram responsáveis pela instalação dos frigoríficos Anglo na América do Sul (mais especificamente na Argentina e Brasil) e, conseqüentemente, em Pelotas.
Hoje a Charqueada Santa Rita abriga o acervo do Museu do Charque e abre suas portas para visitação turística guiada, além de possuir uma charmosa e aconchegante pousada e um espaço amplo e diferenciado para a realização de eventos variados.
FONTE:
http://www.charqueadasantarita.com.br/PORcharqueadasantarita.htm

Adelia disse...



Gabi Power

Encontrei o nome de Thomaz Power entre os imigrantes que vieram povoar a Colônia Monte Bonito. Ele tinha 21 anos. Achei esse documento no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. É uma lista de nomes de colonos, mas nela não há datas. Está numa pasta de documentos de Thomas José de Campos,o proprietário da colônia. Um abraço