O Amigos de Pelotas registrou o fato naquela tarde; um cliente dizia só ter visto o Café fechado uma vez na vida (leia os comentários) - um modo de dizer, pois o lugar fecha todas as noites, às 22h (no horário de verão, às 23h).
No dia seguinte, Zero Hora noticiou: "Morre o dono do Café Aquários de Pelotas" (leia), com a foto de Nauro Jr. (abaixo). A imagem da loja fechada parece banal para alguém de fora, mas em nossa cidade é momento histórico e insólito.

O Aquários é um ponto de encontro - um lugar no sentido estrito - e não de passagem simplesmente. Marcos Macedo referiu-se numa crônica ao conceito de "lugar" (leia).
Nesta ocasião, os clientes habituais ficaram ali mesmo toda a manhã, mesmo sem tomar cafezinho (que no Aquários chega a ser um detalhe). A tristeza se focava na falta do seu espaço diário; se o Café tivesse seguido aberto, alguns deles não teriam percebido a morte de alguém. Os meios de comunicação sutilmente pareciam noticiar a provinciana frustração. Um cliente teria dito: "Com o Café fechado a cidade morre".
Que cidade pequena; só tem um café? Na verdade, o principal lugar de Pelotas não deixou de ser um lugar por ter fechado um dia, mas precisava das portas abertas. O lugar é feito pelas pessoas, mas requer referências físicas.
No dia seguinte, 27 de junho, o Aquários abriu e ZH também noticiou, aparentando que o foco era o vazio comercial; no entanto, o texto de Giacomo Bertinetti se refere às alterações emocionais (leia). Disso faz hoje seis meses e esperamos que a normalidade não mais se altere no nosso bastião de paz.
Foto: ZH (Nauro Jr)
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