sábado, 19 de dezembro de 2009

O duo se despede por dois anos

O duo Kurtz-Morejano vem atuando com crescente sucesso: começou em Pelotas, em 2005, e já se apresentou em vários Estados brasileiros e na Argentina. Agora estará dois anos aperfeiçoando-se em mestrado no Conservatório Antonio Buzzolla, da cidade italiana de Adria.
Neste sábado (19), Luísa Kurtz, soprano, e Carlos Eduardo Morejano, pianista, fazem o recital de despedida em Pelotas, no Teatro Sete de Abril. O programa traz somente canções em italiano: árias antigas (Haendel e Mozart), canções de câmara e árias de óperas do século XIX (Rossini, Bellini, Donizetti e Puccini).
Segunda (21), a última das despedidas é em Porto Alegre, cidade natal de ambos, no palco do StudioClio, às 20h30.
Em 2009, um dos bons desempenhos de Luísa só pôde ser visto em Pelotas pela TV: sua participação na ópera Carmen, na personagem secundária de Frasquita (esq.). No vídeo abaixo, um trecho da apresentação no Teatro Guaíra de Curitiba, com Alessandro Sangiorgi regendo a Orquestra Sinfônica do Paraná, Luciana Bueno como Carmen, Tati Helene como Mercedes e Luísa como Frasquita.
Fotos de Luísa Kurtz


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Yellow Submarine - individual de Paula Battipaglia

Paula da Costa Battipaglia apresentou ontem sua primeira exposição individual como pintora, com uma dúzia de telas inspiradas no filme Yellow Submarine, de 1968. A vernissagem foi no João Gilberto, às 20h30, com um coquetel de autosserviço oferecido pelo restaurante.

Paula é professora e estuda Psicopedagogia, mas quando a genética e a formação familiar são fortes a arte termina por impor-se: sua mãe e sua avó são artistas plásticas (leia notícia).

Atendendo a um pedido do estúdio pelotense Submarino Amarelo, Paula fez um quadro que intitulou Sea of Holes (detalhe, dir.). Logo, foi inspirando-se no filme e pintou mais uma dezena de imagens, várias delas copiadas olhando para o televisor em pausa.

A estética psicodélica pretendia ser, nos anos 60, um protesto social que mostrasse o lado divertido das drogas alucinógenas. O desenho animado Yellow Submarine remarcou a ingenuidade desse manifesto e o aspecto naïf dessa estética. Hoje, a música "Submarino Amarelo" é cantada somente por crianças e, no Brasil, inspira muitas escolas e jardins de infância (veja exemplos no Rio de Janeiro e em São Paulo).

Exemplos desse estilo visual mais infantil do que adolescente são as árvores no quadro "Azuleza e Max" (detalhe, abaixo à esq.) e o violinista (detalhe, esq.) da tela "O Quarteto", ante a qual aparece Paula (acima à esq.). A intenção original, porém, sempre foi imitar a aparência das alucinações psicóticas, uma espécie de onirismo inconexo.

Nesta exposição, apreciou-se - excepcionalmente - uma confluência entre o conteúdo das obras visuais e a situação do restaurante, representada pelo ambiente de festa, dança e espetáculo musical, característico do Bar João Gilberto. Anteriores amostras de pintura ali realizadas não haviam conseguido nem buscado essa conjunção entre a plástica e a música. Se uma banda fizesse covers dos Beatles seria coisa normal, mas neste caso foi uma pintora que chegou com as melodias de Liverpool.

A dinâmica lúdica é outro aspecto que a artista traz da mão dos Beatles. A capacidade de ligar áreas diversas da sensorialidade e das vivências é considerada um dos elementos da criatividade.

Veja um trecho (vídeo abaixo) que inclui a música Lucy in the Skies with Diamonds, verdadeiro emblema psicodélico. Há alguns dados do filme nesta crítica e na Wikipédia.

A amostra pode ser visitada de terça a sábado até 13 de janeiro, a partir das 15h. Gonçalves Chaves 430.
Fotos de F. A. Vidal


Agenda musical sem coordenação

Hoje sexta-feira (18), simultaneamente ao recital de graduação de João Ferreira Filho, foram marcados outros três espetáculos musicais semelhantes. Se a agenda cultural pelotense tivesse uma coordenação central, isto não precisaria acontecer - os artistas não perderiam público e as pessoas poderiam assistir a todos os shows. Uma agenda organizada distribui os artistas em horários diferentes e informa ao público quanto dura cada apresentação. Neste caso, os espetáculos são gratuitos.

14h - Banda juvenil Filhos do Sol (popular): auditório do Colégio Gonzaga, Argolo com Anchieta.
16:30 - Matinê Alternativa (filmes fora do circuito comercial): auditório do IAD, Alberto Rosa 62.
20h - 11º Piano Class In Concert (piano e violão erudito): Fábrica Cultural, Félix com Argolo.
20:30 - 3º Concerto de Natal, com orquestra e coro da Igreja Anglicana, Catedral do Redentor.
20:30 - Orquestra de Câmara de Pelotas (erudito e popular), Praça Osório.
20:30 - Graduação de Tenor João F. Filho (canto erudito), Conservatório de Música.

Sábado (19), três apresentações musicais ocorrem no mesmo horário:
20h - Coral Cristo Redentor (música natalina e sacra): Av. Assis Brasil 350, Bairro Três Vendas. Dirigido por Washington Rodrigues (dir.).
20h - Recital de despedida do duo Kurtz-Morejano (erudito): Teatro Sete de Abril.
20:30 - Giamarê (cantora e compositora popular), Praça Osório.

Graduação do tenor João Ferreira Filho










O recital de graduação de João Ferreira Filho será realizado hoje (18) às 20h30min no Salão Milton de Lemos. O Conservatório de Música informou que na ocasião ele será acompanhado pelo pianista Carlos Morejano e por outros músicos convidados.

Há dez anos, o tenor entrou no coro da Sociedade Pelotense Música pela Música, aos 19 anos de idade. Começou aulas de canto em 2001, com o maestro Sérgio Sisto. Com sua voz já pronta para a lírica, passou a desempenhar-se como solista, em recitais e numa ópera (La Traviata, com a OSPA, em 2003). Paralelamente ao canto erudito, atua como solista vocal, tecladista e baixista em dois grupos católicos: o Eterna Aliança e o AlfaOmega.

Em 2004, iniciou o curso de Canto no Conservatório da UFPel, que agora termina, com vasta experiência prévia nos palcos e em estúdio. Tem-se destacado em zarzuelas, canzonettas e no papel de Tamino (A Flauta Mágica, de Mozart).
Em 2007 foi um dos tenores pré-selecionados para o papel de Alfredo (La Traviata, de Verdi), no concurso Aldo Baldin, em Florianópolis. Um dos trechos que ele apresentou na ocasião, O mio rimorso (abaixo), é uma cabaletta, solo mais acelerado e intenso após uma ária com o mesmo personagem.
Oh mio rimorso! Oh infamia! Io vissi in tale errore!
Ma il turpe sogno a frangere il ver mi balenò!
Per poco in seno acquetati, o grido o grido dell' onore;
m'avrai securo vindice; quest' onta laverò.
Oh mio rossor! Oh infamia! Ah, si, quest' onta laverò.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ambiente natalino no hospital

O Corredor Arte é um espaço destinado às artes plásticas como estímulo para a saúde mental, dentro do Hospital Escola da UFPel-FAU.

Com exposições dos mais diversos estilos, o ambiente é transformado, deixando de parecer uma simples passagem de pacientes, visitas e funcionários médicos, e passa a ser um ambiente que sugere novas cognições e tonalidades emocionais, sem negar o possível sofrimento ligado às doenças e às intervenções hospitalares.

Aproximando-se o Natal, o grupo de Humanização do Hospital Escola adorna o espaço com um pequeno presépio e coloca os tradicionais enfeites em todo o recinto. Quartos, enfermarias, laboratórios, setores administrativos e até as portas dos banheiros recordam com miniguirlandas o tempo de reflexão, amor e esperança, ligado à festa cristã.

Outras atividades de fim de ano são visitas de corais e grupos de dança, chegada do Papai Noel e o projeto Abraço de Natal, onde os funcionários adotaram as anciãs do lar da Sociedade São Vicente de Paulo (Senador Mendonça esquina Santos Dumont).

De acordo à tradição, a evocação natalina começa quatro domingos antes de 25 de dezembro e se prolonga até o Dia dos Reis.
Fotos de F. A. Vidal

Cores no Corredor prenunciam o Natal

Aproximando-se o Natal, o Corredor Arte reuniu quadros de duas pintoras, Zulma e Alessandra Moura (esq.). Elas são mãe e filha, começaram a pintar juntas há quatro anos no ateliê Dekorart, e até hoje estudam ali.
Entre as ideias que aparecem das colegas de pintura no ateliê, elas aprenderam que as cores têm um efeito psicológico e fisiológico sobre as pessoas.
As cores influem sobre as emoções, seja estimulando ou acalmando. Essa noção se nota bem nestas 30 obras, várias das quais foram sendo compradas, já no momento da montagem, por funcionários e pacientes. Além das instigantes formas e cores, a fórmula parece ter sido fixar um preço acessível (abaixo de R$ 50).
Zulma prefere imagens semifigurativas, como os instigantes "Rostos" (acima) e um "Nu" curiosamente assexuado (dir.).
Alessandra trabalha mais com abstrações puras (esq.) No quadro "Mundo" (abaixo), a sutil alusão parece ser ao planeta Terra, necessitado de nossos cuidados. No entanto, sem esse título o observador poderia fazer conexões mais livres.
“Esperamos que as pessoas que transitam pelo corredor tenham um pouco de alegria, pelo menos para os olhos, e se sintam em um ambiente agradável, que transmita alguma coisa boa”, explica Alessandra.

O Corredor Arte proporciona ao hospital um ambiente acolhedor e ao mesmo tempo em constante renovação e de grande diversidade de obras e artistas. As amostras estiveram mudando a cada quinze dias, desde o início do projeto no ano 2000, mas desde agora elas ficarão 3 semanas em exposição. Nem em fevereiro as exposições se interrompem, totalizando umas 22 mostras inscritas por ano (desde 2010, serão em torno de 18).
A presente série se encontra até hoje (16) no corredor principal do Hospital Escola, Rua Professor Araújo quase esquina General Neto.
Fotos: Corredor Arte (1-4) e F.A. Vidal (5)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Travessia reflexiva

A ponte sobre o São Gonçalo inspirou Helena Dias para compor uma fotografia com sentido local e universal. Ela chegou a Pelotas desde São Paulo há poucos anos e vê nossa cidade com olhos mais amplos.

Sabemos que pelo canal passavam, em outras épocas, indígenas, colonos portugueses e escravos. Somente no século XX foi construída a primeira ponte, que logo se fez estreita para o transporte de cargas pesadas. Nos anos 70 foi elevada outra mais segura, que com naturalidade permanece até hoje do lado da antiga, em abandono e deterioração.
Mas talvez nunca tivéssemos visto tantas contradições, neste simples ponto de vista: movimento e detenção, estreitamento e amplidão, obsessão e liberdade, luz e escuridão. Não há perigos aparentes, mas a imagem sugere dúvidas e ansiedades sem resolver. Uma possível claustrofobia se vê anulada pela grande amplidão na terra e no céu, mas o preto e branco espalha fortes sensações depressivas. Os elementos simétricos olham para o céu, como querendo ordená-lo obsessivamente.
Os aspectos aqui mesclados são os de uma transição vital, que uma ponte simboliza: ritmos e velocidades, esperanças e tristezas, libertações e asfixias. Para entender-nos melhor e mover-nos mais em nossas crises de mudança, precisamos de mais olhos fotografando pontes.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Arte contemporânea satirizada pela folclórica

Em março de 2007, dois estudantes da Licenciatura em Artes Visuais (UFPel) fizeram um trabalho para a disciplina "Multimeios", à base da música "Bienal", de Zeca Baleiro e Zé Ramalho (letra abaixo), que satiriza a arte contemporânea com rimas ao modo do repente nordestino.

Na origem, a arte criativa é uma brincadeira, um jogo mais ou menos ordenado, que como todo elemento da cultura precisa renovar-se e em parte conservar-se. Há quem prefira levá-la a sério, mas sempre o artista está rompendo com algo da tradição: divertindo-se ele e incomodando alguém - um pouco de cada coisa.

Hoje formados como artistas, Eloir Oliveira da Silva e Beatriz Saalfeld fizeram, na época, uma colagem audiovisual de meios e gêneros, imagens próprias e tiradas da internet, para transmitir uma mensagem só, mais ou menos esta: "Relaxa e te diverte, que a arte é uma brincadeira". Como diz a citação final, de outra canção popular:

Tudo é questão de manter a alma quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

Desmaterializando a obra de arte no fim do milênio,
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio,
Fios de pentelho de um velho armênio,
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta.

Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neoexpressionista,
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista,
Calcado da revalorização da natureza-morta.

Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria:
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone".

Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso: ler o Segundo Caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone.
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno.

Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto.
Reciclando o lixo lá do cesto,
Chego a um resultado estético bacana.

Com a graça de Deus e Basquiat,
Nova Iorque, me espere que eu vou já.
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana.

Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de Pepsi e Fanta Uva,
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina.

Desmaterializando a matéria,
Com a arte pulsando na artéria,
Boto fogo no gelo da Sibéria!
Faço até cair neve em Teresina!
Com o clarão do raio da silibrina,
Desintegro o poder da bactéria!

Mais Bianca, mais Pelotas

Quem lê jornal em Pelotas deve ter sentido a falta do nome de Bianca Zanella Ribeiro na área cultural, há algumas semanas. Sem que o Diário Popular explicasse nada, o leitor atento percebeu a ausência da jovem e talentosa jornalista, por ela confirmada somente mediante uma nota no seu blogue Portifólio Online, aquele mesmo que ela deixara de lado em julho. Há 9 meses fiz aqui uma história de seu trabalho (leia).

Bianca continua em Pelotas num novo projeto, o Pelotas Mais, no ar desde hoje às 18h (esq.). O sítio jornalístico foi criado pela RBS para competir com os jornais eletrônicos já existentes, ao mesmo tempo que o sistema de correspondentes de Zero Hora no interior do Estado começa a se reformular.
Na editoria de Cidades de ZH, já existia a seção "Mais Canoas", e agora a ideia é reaplicada em Pelotas como um experimento piloto: as notícias serão feitas por colaborações dos leitores e por contatos amistosos com outros sítios, sem mais jornalistas.
O trabalho profissional fica a cargo somente da jornalista administradora. Bianca tem um computador fixo no estúdio jornalístico da TV Tuiuti - Hipólito José da Costa 155, Areal (dir.) -, mas circulará pela cidade e editará as notícias desde qualquer ponto, dando preferência às fotos dos leitores. Como uma âncora do veículo, ela se fará presente em diversos pontos, estimulando a participação e a colaboração dos leitores, no centro e nos bairros.
Como se trata de um sítio "pelotense", com total autonomia de conteúdo em relação ao jornal, as notícias não irão às edições impressas da RBS nem ao portal da internet. Desde agora, as notícias de Pelotas para Zero Hora serão cobertas pelo correspondente em Rio Grande e pelo fotógrafo de ZH em Pelotas, Nauro Jr. (autor da foto principal acima), que também colabora com o Pelotas Mais.
A vantagem é que desde hoje, com o novo espaço virtual, todas as notícias geradas aqui serão aproveitadas para publicação, enquanto no sistema tradicional muitas notas escritas pelo correspondente eram descartadas pela central de Porto Alegre. Possíveis desvantagens: saturação informativa de muitos veículos para poucos leitores, excesso de trabalho para a única jornalista, menor valorização do trabalho jornalístico profissional. Se a nova mexida no espaço midiático der certo e melhorar a nossa cidade, o experimento será continuado em outras zonas gaúchas e, com certeza, a pioneira Bianca estará lá para supervisionar.
Fotos de Nauro Júnior (1-2) e F. A. Vidal (3)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Inflação da agenda

Ontem (10) passei pelo dia mais difícil deste ano no que toca aos objetivos do blogue: a agenda me chamava a cobrir oito atividades consecutivas, sem ter uma equipe de apoio. Mesmo que eu pudesse deslocar-me pela cidade, somente poderia estar um tempo limitado em cada reunião ou espetáculo. A seguir, precisaria de um tempo adicional para fazer as oito notas com suas imagens, ritmo que ainda não consigo alcançar. Em outubro, consegui ir a cinco atividades numa noite, resumindo-as numa nota só (leia). Mas, neste caso, compromissos pessoais me levaram a renunciar a toda a maratona.

14h - Palestra do escritor Caio Riter com a 1ª série da Escola Mário Quintana.
18h - "Literatura Natalina": encontro literário na Academia Pelotense de Letras.
18:30 - Sete Imagens, última edição do ano: vídeos e debate no Sete de Abril.
18:30 - Brigada Militar apresenta projeto de fim de ano, no Largo Edmar Fetter.
19h - Recital de piano no Conservatório de Música.
20h - Natal em Cordas: show musical no palco da Praça Osório (dir.).
20:30 - Natal na Santa Casa: chegada do Papai Noel e concerto coral.
20:30 - Natal na Catedral: grande concerto coral, com solistas e orquestra.

A imprensa em geral já se concentra em anunciar a agenda, postergando comentários e análises do que aconteceu. Dedico meus esforços a tentar preencher em parte esse vazio na cidade, mas ainda falta coordenar no meio eletrônico uma agenda cultural completa. A situação de hoje é ainda mais intensa:

14h - Brechó Jurídico, primeira iniciativa beneficente de um grupo de advogados e juízes, antigo Jockey Club.
14h - 6º Natal da Cidadania, prestação de serviços à comunidade, na Catedral do Redentor (Teles com Quinze).
15h - 1ª Feira do Livro do Morro Redondo, Centro de Eventos Av. Jacarandá.
16:30 - Filme "Bem-vindos à casa de bonecas", matinê alternativa no IAD, Alberto Rosa 62.
19h - "Pesquisando Pelotas em múltiplos planos", mesa redonda da 1ª Semana Acadêmica de Antropologia "Cultura e Alteridade", Instituto Simões Lopes Neto.
19h - Apresentação de alunos da Escola de Música RASS, na Fábrica Cultural (Félix com Argolo).
20h - Recital de piano no Conservatório de Música.
20h - Show do grupo Pimenta Buena, na Praça Osório.
21h - Jantar beneficente, canta Auildo Munhoz, Instituto São Benedito.
21h - Ricardo Olivera, desde Montevidéu, homenagem da Rádio Pelotense ao dia do Tango (natalício de Carlos Gardel): Teatro Guarani.
21h - Espetáculo de dança no Sete de Abril.
22h - Lançamento de primeiro CD da banda Seu Jack, no bar Rua XV.

Potenciais do Calçadão

Michel Constantino Figueira, quando estudante de Turismo na UFPel, mostrava preocupação pelo desenvolvimento de Pelotas, e redigiu ideias para melhorar os passeios públicos do centro. A matéria saiu no Diário Popular (leia), mas parece não ter tido repercussão. Aqueles trechos para pedestres das ruas Andrade Neves, Sete de Setembro e Quinze de Novembro ficaram parados no tempo, sem melhorias e até em deterioração.

Os pelotenses parecem ver o chamado Calçadão como um espaço a ser usado e exaurido, para um dia talvez ser refeito, e não como um recurso da cidade. Como se vê nas reações das pessoas - a protestar ou lamentar-se - quando se anunciam reformas e mudanças, faltam os conceitos de reciclagem e aperfeiçoamento.

O artigo, cujas ideias sintetizei abaixo, é de janeiro de 2005. Hoje, o autor faz mestrado na mesma área, e o conteúdo segue vigente. Todas as fotos foram tomadas no calçadão recentemente (referências no final).



Calçadão de Pelotas: atrativo ou repulsivo?

A vocação turística de Pelotas não se esgota nos campos da cultura e da ecologia. O município é o maior polo de atração geoeconômica do Sul do Estado.

Fundado no início dos anos 80 pelo prefeito Irajá, o calçadão da cidade tem um valioso potencial estratégico para o comércio e a integração regional, dando posição competitiva à cidade no que tange a produtividade mercadológica e o intercâmbio cultural.

O calçadão é espaço de lazer, encontros, cidadania e expressões artísticas, neste encontro cotidiano de diferentes tribos e vidas. Na Quinze, temos o quiosque Pelotas Memória projetado em molde francês. Na Sete com Andrade, o Chafariz das Três Meninas, vindo da França em 1874.

No entanto, por deficiências de planejamento urbano, o Calçadão sofre com problemas como: lixo exposto, cães à solta, poluição visual, becos perigosos, bicicletas escoradas em árvores, calçamento precário, ausência de proteção policial, afetando vários locais do centro. [Inclusive há uma galeria comercial abandonada, defronte ao shopping Calçadão].


Como o turismo gera empregos e divisas, e sendo o Calçadão uma das primeiras imagens que o turista tem da cidade, é necessário um comprometimento de todos.

Autoridades, políticos, empresários e comunidade, com o auxílio de arquitetos, urbanistas, geógrafos e turismólogos, devem traçar um plano de ação eficiente para revitalizar este espaço e fortalecer seu potencial turístico.

Algumas estratégias para diminuir os problemas do Calçadão seriam:

  • destino sustentável para o lixo,

  • um quiosque de informações turísticas,

  • telefones públicos em formato de doces (projeto conjunto com a Brasil Telecom),

  • melhorias no calçamento,

  • redução de poluição,

  • um espaço exclusivo, fora do Calçadão, para ambulantes,

  • treinamento especializado para o atendimento do comércio, o qual é precário, e

  • um painel ante o chafariz, com informações sobre o histórico do mesmo.
São estratégias integradoras que melhorarão a qualidade dos produtos e serviços do centro de Pelotas, gerando mais oportunidades, maior conscientização patrimonial e uma infraestrutura mais eficiente para o bem receber, devolvendo orgulho ao povo pelotense, que assim não mais verá o calçadão como uma via-crúcis cotidiana.

Os leitores têm mais sugestões?

1. Parar e passar, Sete de Setembro, maio 2009.
2. Coleta informal de lixo, esquina do Aquários, novembro 2009.
3. Poluição visual extrema, Andrade Neves, setembro 2009.
4. Calçadão arborizado, Sete de Setembro, novembro 2009.
5. Dúzia de árvores artificiais lembra o Natal, novembro 2009.
Fotos de F. A. Vidal

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Infância e trapiche

O trapiche do Valverde estava arruinando-se e ficou tão perigoso para caminhar que foi interditado pela prefeitura com uma rede de arame e a retirada da rampa de acesso. Agora ele segue deteriorando-se e ficou (só) como um monumento à decadência (veja).

Supostamente não oferece perigo, mas alguns jovens já romperam com esses obstáculos, abriram o arame e usam o trapiche como território de risco. Por exemplo, como trampolim clandestino (detalhe à dir.).

Do lado de cá, ilhados, os mais fracos percebem a impossibilidade total da aventura e do acesso a um caminho ao futuro. A infância costuma ter bastante de impotência, mas ela pode ser superada com vozes de ânimo e esperança. Quando somente a ousadia nos faz romper com o passado, não queremos mais voltar a ele.

Pelotas rompe suas pontes, se orgulha disso e não constrói novas. Mas alguns dos velhos fugitivos voltam e começam a falar sobre esse verdadeiro tabu, o nosso isolamento geográfico e mental.
Foto de F. A. Vidal


POST DATA: 31-05-2012
Em 2010 a SECULT premiou o vídeo Trapiche do Laranjal, de Paulo Luiz Souza, que denunciava a interdição e pedia socorro. No mesmo ano, a TV UCPel emitiu a reportagem abaixo.
Em 2011, dois anos após sua interdição, o Trapiche do Valverde estava em ruínas, ainda à espera do financiamento para uma reconstrução.
Em 2012 foram iniciadas as obras para sua reativação graças a uma iniciativa do SINDUSCON (veja notícia).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Raul anima Pelotas

Raul Seixas compôs esta música em 1975, em parceria com Paulo Coelho e Marcelo Motta. A ideia pode aplicar-se a alguém desanimado ou precisando de fé em si mesmo, seja um indivíduo ou uma comunidade.

O letrista se baseou em versículos do Evangelho de João (cap. 7, v. 37-38) e do Livro do Apocalipse (cap. 22, v. 17), sugerindo passos espirituais como o ver (consciência), beber (oração), querer (desejo) e tentar (iniciativa). É possível que eles tenham validade ainda e possamos usá-los para ser mais felizes.


Veja! Não diga que a canção está perdida.
Tenha em fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez!

Beba, pois a Água Viva ainda 'tá na fonte.
Você tem dois pés para cruzar a ponte. Nada acabou!

Tente! Levante sua mão sedenta e recomece a andar.
Não pense que a cabeça aguenta se você parar.
Há uma voz que canta,
uma voz que dança,
uma voz que gira, bailando no ar.

Queira! Basta ser sincero e desejar profundo.
Você será capaz de sacudir o mundo. Tente outra vez!

Tente! E não diga que a vitória está perdida.
Se é de batalhas que se vive a vida! Tente outra vez!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mezzanino do Jacques Georges

O mezzanino do Hotel Jacques Georges Tower é um espaço flexível que serve como palco de shows, galeria de arte, lançamento de livros e outras possibilidades. Não é o único espaço do hotel para encontros sociais mas é o primeiro que apresenta uma exposição artística, fotografias de Gilberto Perin.

Um mezzanino é uma sobreloja aberta, um andar entre pisos que serve como descanso, ponto de observação ou de reflexão. O lugar foi ponto de partida elegante da Noite Branca, recebendo artistas de Pelotas e de Porto Alegre interessados nesse novo conceito cultural.

Na imagem acima temos a visão de quem chega, somando-se transparências (mulher, atrás dos copos-de-leite) com reflexos verticais (lustres) e horizontais (à esquerda). O homem no reflexo é Alfredo Aquino, idealizador da atividade. O grupo ao fundo tem a visão oposta, que mostra a entrada como saída (abaixo).
Fotos de F. A. Vidal

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Os limites do impossível, contos gardelianos

Após duas aberturas de exposições, formou-se o triângulo da Noite Branca e o caudal de criatividade desembocou no Instituto João Simões Lopes Neto: uma terceira amostra artística, a apresentação do livro de Aldyr Garcia Schlee, música ao vivo (com José Luís Marasco Cavalheiro Leite), outro coquetel, e uma sessão de cinema tipo "madrugadão", com um curta e um longa-metragem. A maratona cultural durou sete horas.

Schlee começou a autografar minutos antes das 21h e não parou até 00h40min do outro dia. Não mostrou cansaço; ao contrário, parecia cada vez mais leve e contente. Escreveu uma centena de dedicatórias, cada uma delas pensada com manifesto carinho para seu destinatário.
"Os limites do impossível" são doze relatos que transcorrem no Uruguai de 1884. Cada conto se refere a uma mulher que teria contribuído ao nascimento de Carlos Gardel na cidade de Tacuarembó, por incesto violento.
O cantor se nacionalizou argentino em 1920 e não havia registro algum de seu nascimento, mas na Argentina se criou a hipótese de ele ter vindo da França (leia sobre a controvérsia).
Schlee começa o livro no momento da violenta morte de Gardel. O ídolo da música não podia morrer na plenitude da vida (perto dos 50 anos de idade, como outro ídolo nos EUA, em 2009). O sentimento dos fãs devia ser: "Não é possível, isto não pode estar acontecendo". O gênio, carbonizado! Entre seus restos mortais foram encontradas umas moedas e o passaporte chamuscado, onde ainda se lia "nacido en Tacuarembó, Uruguay". Até aí o relato de apresentação do livro.
Em vida, Gardel somente dissera sobre sua origem: Nací en Buenos Aires, a los dos años y medio. Se ele pudesse falar, suas últimas palavras em Medellín teriam sido sobre seu nascimento... inesperado, indesejado, errado, violento, horroroso, impossível. Dado esse final trágico, a única origem verossímil e concordante teria sido aquela que se negou sempre.

Com esses dois impossíveis, Schlee contrói fantasias possíveis, dentro de limites até bem reais, respeitando que toda ficção seria bem mais acanhada que a realidade que não se pôde falar. Aquela que com horror gritou ao mundo inteiro o que 50 anos antes teve que ser negado.
O livro é da editora porto-alegrense ARdo TEmpo, do artista plástico Alfredo Aquino. Houve um pré-lançamento na Feira do Livro de lá, na terça 10 de novembro (duas semanas antes de Schlee completar 75 anos).

Em Pelotas, o Instituto Simões Lopes Neto ficou lotado de artistas, historiadores, jornalistas e líderes culturais neste sábado (5), uma semana antes de mais um aniversário de nascimento de Gardel (o de nº 125, segundo a pesquisa do livro).
Da morte do Zorzal Criollo já fazem 74 anos, quase a idade deste "quase biógrafo", mas as repercussões continuarão por muito mais tempo.
Ainda se anuncia outra sessão de autógrafos em Porto Alegre, na Palavraria, dia 19 de dezembro.
Imagens do blog Ar do Tempo (2, 3, 6), e F. A. Vidal (1, 4, 5, 7)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Tripla mostra no MALG

Como segunda atividade da Noite Branca, o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo abriu três novas mostras nas duas salas do primeiro piso: pinturas de Alfredo Aquino, esculturas de Gonzaga e gravuras de vários artistas. Todas elas se encontram expostas até 27 de dezembro.
"Apenas Pintura" são óleos (dir.) do gaúcho Alfredo Aquino, que também idealizou o conceito da Noite Branca, para dar uma moldura artística e solene ao lançamento do mais recente livro de Aldyr G. Schlee.
As pinturas são de grande tamanho (100 x 130 cm) e contêm simbolizações de aspectos humanos, mesclando o figurativo e a abstração. Desejam fazer uma representação (imperceptível ao espectador) da pintura como um símbolo da vida humana, que demora um tempo em desenvolver-se e muitas vezes dela só vemos resultados parciais.
"Seminal" é o título de um pequeno grupo de esculturas (esq.) do também gaúcho Luiz Gonzaga Mello Gomes (veja biografia), que impressionam pela representação de forças que foram imprimidas contra a natureza. Ele percebe o realismo como metáfora do poder humano e defende o naturalismo representado na livre imaginação.
"Aula de gravura" reúne trabalhos de oito destacados gravadores, brasileiros e europeus, alguns já expostos em nossa cidade, outros nunca antes vistos. O título poderia estender-se aos outros dois grupos de criações.
As três séries têm em comum o seu grande peso intelectual, fruto de um trabalho acadêmico do mais alto nível, que olha mais para si mesmo do que para o mundo lá fora. Parecem nebulosas as conexões entre as três amostras, assim como sua possível relação com a Noite Branca.
Adicionalmente, as obras requerem explicações claras e didáticas para que uma pessoa sem estudos possa compreender o que há por trás delas. Como o museu da UFPel tem as melhores condições para a conservação das obras, também oferece mediadores para que o público se aproxime a estas técnicas especializadas, distantes do seu cotidiano, mas que vale a pena conhecer.
Fotos de F. A. Vidal

Fotos de Gilberto Perin

A Noite Branca, idealizada pelo editor Alfredo Aquino, começou ontem (5) às 18h no Hotel Jacques Georges Tower, com uma exposição de doze fotografias de Gilberto Perin, jornalista e cineasta gaúcho.

Perin compõe imagens como quem respira, mas seu trabalho é em cinema e TV. Foi Aquino quem percebeu o valor profissional das fotografias e as reuniu numa mostra, que em Porto Alegre esteve no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, em agosto e setembro deste ano (veja nota).

A série logo foi exposta com sucesso em Paris e de lá vem agora a Pelotas, onde estará até 27 de dezembro no mezzanino do Hotel Jacques Georges Tower.

O olho do fotógrafo foi descoberto pelo olho do curador e crítico, que descreveu formalmente a obra do primeiro como imagens de fina escolha, de sensibilidade, às vezes com um sutil toque de humor mas revestida sempre de um enquadramento original e sentido estético.

Também estava descoberto um conceito pessoal e temas bem definidos: as pessoas e seus mundos particulares, o inusitado das paisagens urbanas, um surpreendente fio condutor com o qual o olhar peculiar do fotógrafo unia os cenários mais díspares.

Não é arte abstrata nem publicitária; parece não ter pretensão alguma, mas registra situações inesperadas, aparentemente irreais, às vezes introduzindo intencionalmente um elemento de simples bom humor.

"Conexões infinitas" (acima à dir.) é o título de uma das fotos, que dá nome à série. A imagem sugere com delicadeza a complexidade de fatos aludidos no livro "Os limites do impossível". Boa escolha do nome para a foto, para a exposição e para o marco de acolhida do livro de Schlee, publicado pela editora Ar do Tempo, de Alfredo Aquino.

A primeira foto acima é "A mão e a cruz" e foi tomada em Siracusa, Itália. "Trilhos" (esq.) é em Lisboa.

"Noite branca" (dir.) é o nome de outra foto de Perin, que mostra uma roupa branca ao vento, no meio de uma escura noite porto-alegrense. Teria relação com a Nuit Blanche francesa? Alusão à Cidade Luz? Metáfora do espírito humano, de infinitas e "impossíveis" conexões?

Não importa em que cidade, o fotógrafo escolhe detalhes aparentemente inconexos, propondo talvez que alguns elos sejam feitos. As imagens são um mosaico de significados, que, como termina dizendo Aquino na apresentação da série, possuem os recortes precisos para que os observadores reconstruam, eles mesmos, os próprios puzzles individuais.
Imagens do blog Ar do Tempo (1, 3 e 4)

Vendo a vista

Na ocupação artística da antiga Cotada (Arte no Porto III, em outubro de 2009), Angela Pohlmann tomou uma expressão comercial cotidiana e a aplicou a um espaço do prédio.

Na forma, o edifício que seria um lugar para exposição passou a ser objeto - com duas frases escritas nele. No conteúdo, a expressão ficou como "vendo a vista" e "vende-se a vista" (esq.).

Também poderia dizer-se que, neste artifício linguístico, nenhum objeto de arte foi produzido - a percepção do espectador foi alterada somente com frases. No gênero "legenda de foto", elas respeitam a predominância da paisagem como figura. As palavras são imperceptíveis ao público da rua e, mesmo assim, não são muito chamativas a quem se situa dentro do edifício.

A intervenção verbal deixa à mostra a multiplicidade de sentidos de uma frase e faz o espectador pensar sobre o lugar, sobre a linguagem e sobre si mesmo.

  • Vendo do verbo "vender" pode sugerir a quem vê a vista a ideia de comprá-la. A quem pagar?
  • O inesperado verbo "vendar" é bem mais inquietante. Quem tapa ou tapará a vista: o leitor ou o autor da frase? Ao dizer "vende-se a vista", quem me ordena vendá-la?
  • A vista pode ser o panorama ou a capacidade de visão. Qual das duas será vista, vendida ou vendada?
  • Se esta vista sofre a ação destes verbos, a vista de outra janela... não? (dir.)
  • Um pagamento à vista é feito com todo o dinheiro visto de uma vez. Mas a nossa vida e nosso pensamento não são sempre feitos aos poucos, em curtos ou longos prazos?
  • O gerúndio de "ver" devolve ao espectador a solidão esperada numa mostra de arte ou na observação da natureza.
Não mais questionamentos filosóficos angustiantes.
Fotos de F. A. Vidal