Fotos de Luísa Kurtz
sábado, 19 de dezembro de 2009
O duo se despede por dois anos
Fotos de Luísa Kurtz
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Yellow Submarine - individual de Paula Battipaglia
Paula da Costa Battipaglia apresentou ontem sua primeira exposição individual como pintora, com uma dúzia de telas inspiradas no filme Yellow Submarine, de 1968. A vernissagem foi no João Gilberto, às 20h30, com um coquetel de autosserviço oferecido pelo restaurante.
Paula é professora e estuda Psicopedagogia, mas quando a genética e a formação familiar são fortes a arte termina por impor-se: sua mãe e sua avó são artistas plásticas (leia notícia).Atendendo a um pedido do estúdio pelotense Submarino Amarelo, Paula fez um quadro que intitulou Sea of Holes (detalhe, dir.). Logo, foi inspirando-se no filme e pintou mais uma dezena de imagens, várias delas copiadas olhando para o televisor em pausa.
A estética psicodélica pretendia ser, nos anos 60, um protesto social que mostrasse o lado divertido das drogas alucinógenas. O desenho animado Yellow Submarine remarcou a ingenuidade desse manifesto e o aspecto naïf dessa estética. Hoje, a música "Submarino Amarelo" é cantada somente por crianças e, no Brasil, inspira muitas escolas e jardins de infância (veja exemplos no Rio de Janeiro e em São Paulo).Exemplos desse estilo visual mais infantil do que adolescente são as árvores no quadro "Azuleza e Max" (detalhe, abaixo à esq.) e o violinista (detalhe, esq.) da tela "O Quarteto", ante a qual aparece Paula (acima à esq.). A intenção original, porém, sempre foi imitar a aparência das alucinações psicóticas, uma espécie de onirismo inconexo.
Nesta exposição, apreciou-se - excepcionalmente - uma confluência entre o conteúdo das obras visuais e a situação do restaurante, representada pelo ambiente de festa, dança e espetáculo musical, característico do Bar João Gilberto. Anteriores amostras de pintura ali realizadas não haviam conseguido nem buscado essa conjunção entre a plástica e a música. Se uma banda fizesse covers dos Beatles seria coisa normal, mas neste caso foi uma pintora que chegou com as melodias de Liverpool.
A dinâmica lúdica é outro aspecto que a artista traz da mão dos Beatles. A capacidade de ligar áreas diversas da sensorialidade e das vivências é considerada um dos elementos da criatividade.Veja um trecho (vídeo abaixo) que inclui a música Lucy in the Skies with Diamonds, verdadeiro emblema psicodélico. Há alguns dados do filme nesta crítica e na Wikipédia.
A amostra pode ser visitada de terça a sábado até 13 de janeiro, a partir das 15h. Gonçalves Chaves 430.
Fotos de F. A. Vidal
Agenda musical sem coordenação
14h - Banda juvenil Filhos do Sol (popular): auditório do Colégio Gonzaga, Argolo com Anchieta.16:30 - Matinê Alternativa (filmes fora do circuito comercial): auditório do IAD, Alberto Rosa 62.
20h - 11º Piano Class In Concert (piano e violão erudito): Fábrica Cultural, Félix com Argolo.
20:30 - 3º Concerto de Natal, com orquestra e coro da Igreja Anglicana, Catedral do Redentor.
20:30 - Orquestra de Câmara de Pelotas (erudito e popular), Praça Osório.
20:30 - Graduação de Tenor João F. Filho (canto erudito), Conservatório de Música.
Sábado (19), três apresentações musicais ocorrem no mesmo horário:
20h - Coral Cristo Redentor (música natalina e sacra): Av. Assis Brasil 350, Bairro Três Vendas. Dirigido por Washington Rodrigues (dir.).
20h - Recital de despedida do duo Kurtz-Morejano (erudito): Teatro Sete de Abril.
20:30 - Giamarê (cantora e compositora popular), Praça Osório.
Graduação do tenor João Ferreira Filho


Há dez anos, o tenor entrou no coro da Sociedade Pelotense Música pela Música, aos 19 anos de idade. Começou aulas de canto em 2001, com o maestro Sérgio Sisto. Com sua voz já pronta para a lírica, passou a desempenhar-se como solista, em recitais e numa ópera (La Traviata, com a OSPA, em 2003). Paralelamente ao canto erudito, atua como solista vocal, tecladista e baixista em dois grupos católicos: o Eterna Aliança e o AlfaOmega.
Em 2004, iniciou o curso de Canto no Conservatório da UFPel, que agora termina, com vasta experiência prévia nos palcos e em estúdio. Tem-se destacado em zarzuelas, canzonettas e no papel de Tamino (A Flauta Mágica, de Mozart).
Ma il turpe sogno a frangere il ver mi balenò!
Per poco in seno acquetati, o grido o grido dell' onore;
m'avrai securo vindice; quest' onta laverò.
Oh mio rossor! Oh infamia! Ah, si, quest' onta laverò.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Ambiente natalino no hospital
O Corredor Arte é um espaço destinado às artes plásticas como estímulo para a saúde mental, dentro do Hospital Escola da UFPel-FAU.Com exposições dos mais diversos estilos, o ambiente é transformado, deixando de parecer uma simples passagem de pacientes, visitas e funcionários médicos, e passa a ser um ambiente que sugere novas cognições e tonalidades emocionais, sem negar o possível sofrimento ligado às doenças e às intervenções hospitalares.
Aproximando-se o Natal, o grupo de Humanização do Hospital Escola adorna o espaço com um pequeno presépio e coloca os tradicionais enfeites em todo o recinto. Quartos, enfermarias, laboratórios, setores administrativos e até as portas dos banheiros recordam com miniguirlandas o tempo de reflexão, amor e esperança, ligado à festa cristã.Outras atividades de fim de ano são visitas de corais e grupos de dança, chegada do Papai Noel e o projeto Abraço de Natal, onde os funcionários adotaram as anciãs do lar da Sociedade São Vicente de Paulo (Senador Mendonça esquina Santos Dumont).
De acordo à tradição, a evocação natalina começa quatro domingos antes de 25 de dezembro e se prolonga até o Dia dos Reis.
Fotos de F. A. Vidal
Cores no Corredor prenunciam o Natal
Aproximando-se o Natal, o Corredor Arte reuniu quadros de duas pintoras, Zulma e Alessandra Moura (esq.). Elas são mãe e filha, começaram a pintar juntas há quatro anos no ateliê Dekorart, e até hoje estudam ali.
Entre as ideias que aparecem das colegas de pintura no ateliê, elas aprenderam que as cores têm um efeito psicológico e fisiológico sobre as pessoas.
Alessandra trabalha mais com abstrações puras (esq.) No quadro "Mundo" (abaixo), a sutil alusão parece ser ao planeta Terra, necessitado de nossos cuidados. No entanto, sem esse título o observador poderia fazer conexões mais livres.
O Corredor Arte proporciona ao hospital um ambiente acolhedor e ao mesmo tempo em constante renovação e de grande diversidade de obras e artistas. As amostras estiveram mudando a cada quinze dias, desde o início do projeto no ano 2000, mas desde agora elas ficarão 3 semanas em exposição. Nem em fevereiro as exposições se interrompem, totalizando umas 22 mostras inscritas por ano (desde 2010, serão em torno de 18).Fotos: Corredor Arte (1-4) e F.A. Vidal (5)
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Travessia reflexiva
A ponte sobre o São Gonçalo inspirou Helena Dias para compor uma fotografia com sentido local e universal. Ela chegou a Pelotas desde São Paulo há poucos anos e vê nossa cidade com olhos mais amplos.segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Arte contemporânea satirizada pela folclórica
Na origem, a arte criativa é uma brincadeira, um jogo mais ou menos ordenado, que como todo elemento da cultura precisa renovar-se e em parte conservar-se. Há quem prefira levá-la a sério, mas sempre o artista está rompendo com algo da tradição: divertindo-se ele e incomodando alguém - um pouco de cada coisa.
Hoje formados como artistas, Eloir Oliveira da Silva e Beatriz Saalfeld fizeram, na época, uma colagem audiovisual de meios e gêneros, imagens próprias e tiradas da internet, para transmitir uma mensagem só, mais ou menos esta: "Relaxa e te diverte, que a arte é uma brincadeira". Como diz a citação final, de outra canção popular:
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio,
Fios de pentelho de um velho armênio,
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta.
Meu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neoexpressionista,
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista,
Calcado da revalorização da natureza-morta.
Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria:
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopótamo insone".
Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso: ler o Segundo Caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone.
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno.
Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto.
Reciclando o lixo lá do cesto,
Chego a um resultado estético bacana.
Com a graça de Deus e Basquiat,
Nova Iorque, me espere que eu vou já.
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana.
Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de Pepsi e Fanta Uva,
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina.
Desmaterializando a matéria,
Com a arte pulsando na artéria,
Boto fogo no gelo da Sibéria!
Faço até cair neve em Teresina!
Com o clarão do raio da silibrina,
Desintegro o poder da bactéria!
Mais Bianca, mais Pelotas
O trabalho profissional fica a cargo somente da jornalista administradora. Bianca tem um computador fixo no estúdio jornalístico da TV Tuiuti - Hipólito José da Costa 155, Areal (dir.) -, mas circulará pela cidade e editará as notícias desde qualquer ponto, dando preferência às fotos dos leitores. Como uma âncora do veículo, ela se fará presente em diversos pontos, estimulando a participação e a colaboração dos leitores, no centro e nos bairros.Fotos de Nauro Júnior (1-2) e F. A. Vidal (3)
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Inflação da agenda
14h - Palestra do escritor Caio Riter com a 1ª série da Escola Mário Quintana.18h - "Literatura Natalina": encontro literário na Academia Pelotense de Letras.
18:30 - Sete Imagens, última edição do ano: vídeos e debate no Sete de Abril.
18:30 - Brigada Militar apresenta projeto de fim de ano, no Largo Edmar Fetter.
19h - Recital de piano no Conservatório de Música.
20h - Natal em Cordas: show musical no palco da Praça Osório (dir.).
20:30 - Natal na Santa Casa: chegada do Papai Noel e concerto coral.
20:30 - Natal na Catedral: grande concerto coral, com solistas e orquestra.
A imprensa em geral já se concentra em anunciar a agenda, postergando comentários e análises do que aconteceu. Dedico meus esforços a tentar preencher em parte esse vazio na cidade, mas ainda falta coordenar no meio eletrônico uma agenda cultural completa. A situação de hoje é ainda mais intensa:
14h - Brechó Jurídico, primeira iniciativa beneficente de um grupo de advogados e juízes, antigo Jockey Club.
14h - 6º Natal da Cidadania, prestação de serviços à comunidade, na Catedral do Redentor (Teles com Quinze).
15h - 1ª Feira do Livro do Morro Redondo, Centro de Eventos Av. Jacarandá.
16:30 - Filme "Bem-vindos à casa de bonecas", matinê alternativa no IAD, Alberto Rosa 62.
19h - "Pesquisando Pelotas em múltiplos planos", mesa redonda da 1ª Semana Acadêmica de Antropologia "Cultura e Alteridade", Instituto Simões Lopes Neto.
19h - Apresentação de alunos da Escola de Música RASS, na Fábrica Cultural (Félix com Argolo).
20h - Recital de piano no Conservatório de Música.
20h - Show do grupo Pimenta Buena, na Praça Osório.
21h - Jantar beneficente, canta Auildo Munhoz, Instituto São Benedito.
21h - Ricardo Olivera, desde Montevidéu, homenagem da Rádio Pelotense ao dia do Tango (natalício de Carlos Gardel): Teatro Guarani.
21h - Espetáculo de dança no Sete de Abril.
22h - Lançamento de primeiro CD da banda Seu Jack, no bar Rua XV.
Potenciais do Calçadão
Michel Constantino Figueira, quando estudante de Turismo na UFPel, mostrava preocupação pelo desenvolvimento de Pelotas, e redigiu ideias para melhorar os passeios públicos do centro. A matéria saiu no Diário Popular (leia), mas parece não ter tido repercussão. Aqueles trechos para pedestres das ruas Andrade Neves, Sete de Setembro e Quinze de Novembro ficaram parados no tempo, sem melhorias e até em deterioração.Os pelotenses parecem ver o chamado Calçadão como um espaço a ser usado e exaurido, para um dia talvez ser refeito, e não como um recurso da cidade. Como se vê nas reações das pessoas - a protestar ou lamentar-se - quando se anunciam reformas e mudanças, faltam os conceitos de reciclagem e aperfeiçoamento.
O artigo, cujas ideias sintetizei abaixo, é de janeiro de 2005. Hoje, o autor faz mestrado na mesma área, e o conteúdo segue vigente. Todas as fotos foram tomadas no calçadão recentemente (referências no final).
A vocação turística de Pelotas não se esgota nos campos da cultura e da ecologia. O município é o maior polo de atração geoeconômica do Sul do Estado.Fundado no início dos anos 80 pelo prefeito Irajá, o calçadão da cidade tem um valioso potencial estratégico para o comércio e a integração regional, dando posição competitiva à cidade no que tange a produtividade mercadológica e o intercâmbio cultural.
O calçadão é espaço de lazer, encontros, cidadania e expressões artísticas, neste encontro cotidiano de diferentes tribos e vidas. Na Quinze, temos o quiosque Pelotas Memória projetado em molde francês. Na Sete com Andrade, o Chafariz das Três Meninas, vindo da França em 1874.No entanto, por deficiências de planejamento urbano, o Calçadão sofre com problemas como: lixo exposto, cães à solta, poluição visual, becos perigosos, bicicletas escoradas em árvores, calçamento precário, ausência de proteção policial, afetando vários locais do centro. [Inclusive há uma galeria comercial abandonada, defronte ao shopping Calçadão].

Como o turismo gera empregos e divisas, e sendo o Calçadão uma das primeiras imagens que o turista tem da cidade, é necessário um comprometimento de todos.
Autoridades, políticos, empresários e comunidade, com o auxílio de arquitetos, urbanistas, geógrafos e turismólogos, devem traçar um plano de ação eficiente para revitalizar este espaço e fortalecer seu potencial turístico.
Algumas estratégias para diminuir os problemas do Calçadão seriam:
- destino sustentável para o lixo,
- um quiosque de informações turísticas,
- telefones públicos em formato de doces (projeto conjunto com a Brasil Telecom),
- melhorias no calçamento,
- redução de poluição,
- um espaço exclusivo, fora do Calçadão, para ambulantes,
treinamento especializado para o atendimento do comércio, o qual é precário, e - um painel ante o chafariz, com informações sobre o histórico do mesmo.
Os leitores têm mais sugestões?
1. Parar e passar, Sete de Setembro, maio 2009.
2. Coleta informal de lixo, esquina do Aquários, novembro 2009.
3. Poluição visual extrema, Andrade Neves, setembro 2009.
4. Calçadão arborizado, Sete de Setembro, novembro 2009.
5. Dúzia de árvores artificiais lembra o Natal, novembro 2009.
Fotos de F. A. Vidal
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Infância e trapiche
O trapiche do Valverde estava arruinando-se e ficou tão perigoso para caminhar que foi interditado pela prefeitura com uma rede de arame e a retirada da rampa de acesso. Agora ele segue deteriorando-se e ficou (só) como um monumento à decadência (veja).
Supostamente não oferece perigo, mas alguns jovens já romperam com esses obstáculos, abriram o arame e usam o trapiche como território de risco. Por exemplo, como trampolim clandestino (detalhe à dir.).Do lado de cá, ilhados, os mais fracos percebem a impossibilidade total da aventura e do acesso a um caminho ao futuro. A infância costuma ter bastante de impotência, mas ela pode ser superada com vozes de ânimo e esperança. Quando somente a ousadia nos faz romper com o passado, não queremos mais voltar a ele.
Pelotas rompe suas pontes, se orgulha disso e não constrói novas. Mas alguns dos velhos fugitivos voltam e começam a falar sobre esse verdadeiro tabu, o nosso isolamento geográfico e mental.
Foto de F. A. Vidal
POST DATA: 31-05-2012
Em 2010 a SECULT premiou o vídeo Trapiche do Laranjal, de Paulo Luiz Souza, que denunciava a interdição e pedia socorro. No mesmo ano, a TV UCPel emitiu a reportagem abaixo.
Em 2011, dois anos após sua interdição, o Trapiche do Valverde estava em ruínas, ainda à espera do financiamento para uma reconstrução.
Em 2012 foram iniciadas as obras para sua reativação graças a uma iniciativa do SINDUSCON (veja notícia).
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Raul anima Pelotas
Raul Seixas compôs esta música em 1975, em parceria com Paulo Coelho e Marcelo Motta. A ideia pode aplicar-se a alguém desanimado ou precisando de fé em si mesmo, seja um indivíduo ou uma comunidade.
O letrista se baseou em versículos do Evangelho de João (cap. 7, v. 37-38) e do Livro do Apocalipse (cap. 22, v. 17), sugerindo passos espirituais como o ver (consciência), beber (oração), querer (desejo) e tentar (iniciativa). É possível que eles tenham validade ainda e possamos usá-los para ser mais felizes.
Veja! Não diga que a canção está perdida.
Tenha em fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez!
Beba, pois a Água Viva ainda 'tá na fonte.
Você tem dois pés para cruzar a ponte. Nada acabou!
Tente! Levante sua mão sedenta e recomece a andar.
Não pense que a cabeça aguenta se você parar.
Há uma voz que canta,
uma voz que dança,
uma voz que gira, bailando no ar.
Queira! Basta ser sincero e desejar profundo.
Você será capaz de sacudir o mundo. Tente outra vez!
Tente! E não diga que a vitória está perdida.
Se é de batalhas que se vive a vida! Tente outra vez!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Mezzanino do Jacques Georges
O mezzanino do Hotel Jacques Georges Tower é um espaço flexível que serve como palco de shows, galeria de arte, lançamento de livros e outras possibilidades. Não é o único espaço do hotel para encontros sociais mas é o primeiro que apresenta uma exposição artística, fotografias de Gilberto Perin.
Um mezzanino é uma sobreloja aberta, um andar entre pisos que serve como descanso, ponto de observação ou de reflexão. O lugar foi ponto de partida elegante da Noite Branca, recebendo artistas de Pelotas e de Porto Alegre interessados nesse novo conceito cultural.
Na imagem acima temos a visão de quem chega, somando-se transparências (mulher, atrás dos copos-de-leite) com reflexos verticais (lustres) e horizontais (à esquerda). O homem no reflexo é Alfredo Aquino, idealizador da atividade. O grupo ao fundo tem a visão oposta, que mostra a entrada como saída (abaixo).
Fotos de F. A. Vidal
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Os limites do impossível, contos gardelianos
Após duas aberturas de exposições, formou-se o triângulo da Noite Branca e o caudal de criatividade desembocou no Instituto João Simões Lopes Neto: uma terceira amostra artística, a apresentação do livro de Aldyr Garcia Schlee, música ao vivo (com José Luís Marasco Cavalheiro Leite), outro coquetel, e uma sessão de cinema tipo "madrugadão", com um curta e um longa-metragem. A maratona cultural durou sete horas.
Schlee começa o livro no momento da violenta morte de Gardel. O ídolo da música não podia morrer na plenitude da vida (perto dos 50 anos de idade, como outro ídolo nos EUA, em 2009). O sentimento dos fãs devia ser: "Não é possível, isto não pode estar acontecendo". O gênio, carbonizado! Entre seus restos mortais foram encontradas umas moedas e o passaporte chamuscado, onde ainda se lia "nacido en Tacuarembó, Uruguay". Até aí o relato de apresentação do livro.
Dado esse final trágico, a única origem verossímil e concordante teria sido aquela que se negou sempre.
Com esses dois impossíveis, Schlee contrói fantasias possíveis, dentro de limites até bem reais, respeitando que toda ficção seria bem mais acanhada que a realidade que não se pôde falar. Aquela que com horror gritou ao mundo inteiro o que 50 anos antes teve que ser negado.
do artista plástico Alfredo Aquino. Houve um pré-lançamento na Feira do Livro de lá, na terça 10 de novembro (duas semanas antes de Schlee completar 75 anos).
Em Pelotas, o Instituto Simões Lopes Neto ficou lotado de artistas, historiadores, jornalistas e líderes culturais neste sábado (5), uma semana antes de mais um aniversário de nascimento de Gardel (o de nº 125, segundo a pesquisa do livro). Imagens do blog Ar do Tempo (2, 3, 6), e F. A. Vidal (1, 4, 5, 7)
domingo, 6 de dezembro de 2009
Tripla mostra no MALG
Como segunda atividade da Noite Branca, o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo abriu três novas mostras nas duas salas do primeiro piso: pinturas de Alfredo Aquino, esculturas de Gonzaga e gravuras de vários artistas. Todas elas se encontram expostas até 27 de dezembro.
"Seminal" é o título de um pequeno grupo de esculturas (esq.) do também gaúcho Luiz Gonzaga Mello Gomes (veja biografia), que impressionam pela representação de forças que foram imprimidas contra a natureza. Ele percebe o realismo como metáfora do poder humano e defende o naturalismo representado na livre imaginação.Fotos de F. A. Vidal
Fotos de Gilberto Perin
A Noite Branca, idealizada pelo editor Alfredo Aquino, começou ontem (5) às 18h no Hotel Jacques Georges Tower, com uma exposição de doze fotografias de Gilberto Perin, jornalista e cineasta gaúcho.Perin compõe imagens como quem respira, mas seu trabalho é em cinema e TV. Foi Aquino quem percebeu o valor profissional das fotografias e as reuniu numa mostra, que em Porto Alegre esteve no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, em agosto e setembro deste ano (veja nota).
A série logo foi exposta com sucesso em Paris e de lá vem agora a Pelotas, onde estará até 27 de dezembro no mezzanino do Hotel Jacques Georges Tower.
O olho do fotógrafo foi descoberto pelo olho do curador e crítico, que descreveu formalmente a obra do primeiro como imagens de fina escolha, de sensibilidade, às vezes com um sutil toque de humor mas revestida sempre de um enquadramento original e sentido estético.Também estava descoberto um conceito pessoal e temas bem definidos: as pessoas e seus mundos particulares, o inusitado das paisagens urbanas, um surpreendente fio condutor com o qual o olhar peculiar do fotógrafo unia os cenários mais díspares.
Não é arte abstrata nem publicitária; parece não ter pretensão alguma, mas registra situações inesperadas, aparentemente irreais, às vezes introduzindo intencionalmente um elemento de simples bom humor."Conexões infinitas" (acima à dir.) é o título de uma das fotos, que dá nome à série. A imagem sugere com delicadeza a complexidade de fatos aludidos no livro "Os limites do impossível". Boa escolha do nome para a foto, para a exposição e para o marco de acolhida do livro de Schlee, publicado pela editora Ar do Tempo, de Alfredo Aquino.
A primeira foto acima é "A mão e a cruz" e foi tomada em Siracusa, Itália. "Trilhos" (esq.) é em Lisboa.
"Noite branca" (dir.) é o nome de outra foto de Perin, que mostra uma roupa branca ao vento, no meio de uma escura noite porto-alegrense. Teria relação com a Nuit Blanche francesa? Alusão à Cidade Luz? Metáfora do espírito humano, de infinitas e "impossíveis" conexões?Não importa em que cidade, o fotógrafo escolhe detalhes aparentemente inconexos, propondo talvez que alguns elos sejam feitos. As imagens são um mosaico de significados, que, como termina dizendo Aquino na apresentação da série, possuem os recortes precisos para que os observadores reconstruam, eles mesmos, os próprios puzzles individuais.
Imagens do blog Ar do Tempo (1, 3 e 4)
Vendo a vista
Na ocupação artística da antiga Cotada (Arte no Porto III, em outubro de 2009), Angela Pohlmann tomou uma expressão comercial cotidiana e a aplicou a um espaço do prédio.Na forma, o edifício que seria um lugar para exposição passou a ser objeto - com duas frases escritas nele. No conteúdo, a expressão ficou como "vendo a vista" e "vende-se a vista" (esq.).
Também poderia dizer-se que, neste artifício linguístico, nenhum objeto de arte foi produzido - a percepção do espectador foi alterada somente com frases. No gênero "legenda de foto", elas respeitam a predominância da paisagem como figura. As palavras são imperceptíveis ao público da rua e, mesmo assim, não são muito chamativas a quem se situa dentro do edifício.
A intervenção verbal deixa à mostra a multiplicidade de sentidos de uma frase e faz o espectador pensar sobre o lugar, sobre a linguagem e sobre si mesmo.
Vendo do verbo "vender" pode sugerir a quem vê a vista a ideia de comprá-la. A quem pagar? - O inesperado verbo "vendar" é bem mais inquietante. Quem tapa ou tapará a vista: o leitor ou o autor da frase? Ao dizer "vende-se a vista", quem me ordena vendá-la?
- A vista pode ser o panorama ou a capacidade de visão. Qual das duas será vista, vendida ou vendada?
- Se esta vista sofre a ação destes verbos, a vista de outra janela... não? (dir.)
- Um pagamento à vista é feito com todo o dinheiro visto de uma vez. Mas a nossa vida e nosso pensamento não são sempre feitos aos poucos, em curtos ou longos prazos?
- O gerúndio de "ver" devolve ao espectador a solidão esperada numa mostra de arte ou na observação da natureza.
Fotos de F. A. Vidal