quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Superfície Sensível no Corredor

O Grupo Superfície e o Corredor Arte convidam os pelotenses a visitar a exposição "Superfície do Sensível", desde hoje (29) até dia 17 de setembro. Trata-se de quadros criados coletivamente pelas artistas plásticas Carla Borin, Carla Thiel, Daniela Moraes, Mariza Fernanda, Natália Hax e Paloma de Leon.

As gurias têm uma proposta original, ousada e esforçada, que começou como uma somatória de estilos abstratos, em que cada linguagem pessoal podia ser identificada em detalhes da obra coletiva. O grupo tem-se aperfeiçoado na sintonia e hoje consegue uma criação propriamente coletiva, onde os indivíduos estão ao serviço do grupo, de modo holístico.

Próximas a um sentido de composição musical, as artistas seguem carreira de solistas sem deixar de criar no modo da improvisação em conjunto. A produção é intensa e prolífica, com amostras já realizadas em Pelotas, Porto Alegre, Bagé e Bento Gonçalves, em somente dois anos de incessante trabalho. Apesar de ser inicialmente nove, o atual sexteto tem ganhado em afinação e feeling.

Veja mais imagens no blogue do grupo (link acima) e no Facebook. Há outras notas sobre o Superfície neste blogue.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O Liberdade, em Porto Alegre no feriadão

Na próxima terça (4), o documentário da Moviola Filmes "O Liberdade" (2011) entra em cartaz na Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Sempre às 19h, fica por 6 dias, com os preços seguintes: terças e quartas R$ 8; quinta-feira, R$ 5; sexta, domingo e feriados R$ 10.
Após receber três prêmios em festivais nacionais, é a primeira vez que o filme de 75 minutos será exibido numa sala de circuito comercial, uma grande vitória para seus realizadores, Cíntia Langie e Rafael Andreazza. Trata-se do primeiro longa-metragem da Moviola, que o produziu com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Pelotas. A história do Bar Liberdade e seus personagens já foi visto no Brasil, Uruguai e França, e tem apresentações marcadas na Bolívia, Argentina, Venezuela e Estados Unidos.
Em sua 2ª edição, de abril de 2012, o DVD traz legendas em espanhol e inglês, cenas deletadas e alguns extras. Está à venda na Livraria Mundial, Studio CDs e Bar Liberdade, por 20 reais (veja o trailer).

POST DATA
3-09-12 Leia reportagem de Zero Hora Filme narra história de tradicional bar de choro de Pelotas.

15-09-12 Veja a resenha de Anderson Santos, que viu o filme em Porto Alegre.

domingo, 26 de agosto de 2012

André Winn e suas séries à venda

Desde 2010 acompanhamos alguns dos trabalhos do artista André Winter Noble, que assina como André Winn (veja os posts neste blogue). Ele vem inovando em cada fase, seja cunhando conceitos como o Cubismo Urbano, seja variando técnicas e expressões plásticas.

Nestes poucos anos já expôs em salas da UFPel, UCPel, SECULT, Sociedade Sigmund Freud e Escola de Idiomas MAB, além de participar em amostra coletiva em Porto Alegre. Agora ele nos surpreende com um giro pessoal em sua vida: anunciado namoro em 2011 com a estudante JingFang Yu (chinesa residente em Pelotas), põe à venda seus quadros e marca viagem para a China (veja sua página no Facebook).

As obras que estão à venda foram por ele criadas nos últimos anos, desde que estuda Licenciatura em Artes Visuais na UFPel (veja seu currículo). Os quadros já vêm emoldurados, como saíram das exposições, algumas com vidro antirreflexo.

Os trabalhos pertencem às seguintes séries: Cubismo Urbano (esq., sem título), Pelotas 200 Anos, Zoomultiplicação Rarefeita (acima, "Girafas"), Caminhos e Gente. Veja outras criações dele no Flickr.

Apesar da ampla diversidade no uso de materiais, no estilo dos traços e no emprego das cores, vemos na sensibilidade do artista o interesse pelo humano, que o leva a conjugar manifestações da vida como fato biológico e da existência como questão filosófica.

Suas influências são mais internacionais do que regionais, o que nos faz vislumbrar em André um artista de tendências universais, que sempre saberá surpreender-nos com sua criatividade para retratar os aspectos complexos do ser humano.
Imagens: Facebook

sábado, 25 de agosto de 2012

A Rosa (conto)

Nosso cronista Rubens Amador traz um conto romântico, ambientado na década de 1940. Numa época altamente dramática, as relações virtuais — que hoje imaginamos que não existissem por falta de tecnologia — se revestiam de heroísmo e emoção, mediante cartas em papel, que demoravam mais que os atuais emails. A dificuldade para sair do virtual para o real era basicamente a mesma.

Durante a última Grande Guerra (1939-1945) era muito comum a correspondência epistolar entre moças que ficavam na pátria e soldados que lutavam no front — qualquer coisa como esses clubes de epistolografia de certas revistas.

Os correspondentes não se conheciam. Era uma forma de levar algo ameno, lúdico, e de estabelecer uma ponte entre a dura realidade das frentes de combate e a placidez da vida que o soldado deixara para trás. Dessas correspondências, muitos casos de amor epistolar apenas se esfumaram, enquanto outros se realizaram, depois de meses e até de anos.

Certo experiente e antigo militar, Capitão da Armada Britânica, servindo na Itália, e posteriormente na Alemanha, mantinha um já longo relacionamento epistolar com uma moça inglesa, que ficara na pátria. De início combinaram que jamais trocariam fotos enquanto durasse o conflito. Ambos estavam interessados apenas nos espíritos mútuos. Tudo correria por conta da imaginação deles. E estabeleceram um pacto: se aquela guerra terrível terminasse bem para ambos, então marcariam um encontro para finalmente se conhecerem.

Quatro anos durou aquela correspondência, que se tornara extremamente amorosa. Balsâmica, para o provecto militar que ansiava pela chegada do correio, a cada distribuição de correspondência no front. A moça, de muito preparo intelectual, culta, escrevia alentadoras e encorajadoras missivas, cheias de afeto e carinho, que muito ajudavam ao oficial enfrentar as duras adversidades a que estava submetido.

Deu-se o inevitável: ambos se apaixonaram, um... pelo espírito do outro! “Perdidamente”, diziam na troca de afagos epistolares.

Finalmente chegou aquele dia glorioso para a história da humanidade: foi o 8 de maio de 1945! A guerra terminara.

Ronald, o nosso herói, agora promovido, denotando pronunciadas cãs, recebe, dias depois, ainda a bordo, uma carta de sua correspondente, em quem sempre vivia pensando, principalmente nos últimos dias. Vinha de Tricia — este era seu nome, Patrícia — que lhe recordava aquele encontro marcado antes do fim da guerra.

Ela o estaria esperando em 16 de outubro daquele ano, no aeroporto, quando seguraria na mão direita uma rosa vermelha. Se por ventura ele, do meio da multidão, sentisse que seu tipo físico não correspondia às suas fantasias, que ele seguisse o seu destino e tudo acabaria ali, sem maiores implicações.

Ronald vibrou com a excelente idéia. Algo lhe dizia que ela seria a formosa moça que haveria de corresponder aos seus anseios amorosos, como já acontecia com os seus espíritos.

No dia 16 de outubro de 1945, pela manhã, o aeroporto de Londres fervilhava de gente — que chegava, sobretudo. Eram soldados e oficiais que começavam a ser desmobilizados e a voltar para casa. Dentre eles, descia, cabeça erguida na escada do possante avião militar, o grisalho Ronald, procurando localizar a mulher que ele idealizara durante quatro anos, e cujo espírito ele conhecia tão bem, a ponto de ter aprendido a amá-lo.

Sobre um pórtico, próximo a um restaurante de mesas ao ar livre, lá está uma mulher com uma rosa na mão direita. Ronald não demorou em localizá-la a uns dez metros de distância. Tratava-se de uma mulher comum, simples, sapatos baixos, óculos tartaruga, de quem um casacão modesto escondia um corpo de singelas formas.

O oficial amparou-se na parede, olhando fixamente àquela mulher que ele imaginara bela fisicamente, mas que sabia ter um espírito maravilhoso, generoso e bom. Mal podia esconder a sua frustração. Mesmo assim, resolveu caminhar até ela e falar-lhe. Afinal, aquela afeição não poderia terminar assim tão prosaicamente, num anonimato, depois de tudo que marcara tão fundo sua alma. E foi ao seu encontro.

Frente a frente com aquela mulher por quem ainda, apesar de tudo, sentia muita ternura, disse-lhe, estendendo sua mão direita:

— Tricia, eu sou Ronald!

A mulher, sempre ostentando aquela rosa vermelha e bonita em sua mão junto ao peito, olhar perdido, como se nada entendesse, respondeu-lhe:

— Aquela moça lá — apontando para uma mesa do café, na calçada fronteira — deu-me uma libra, para que eu ficasse segurando esta rosa vermelha aqui. E disse-me que se um homem a mim se apresentasse, eu poderia ir-me. Adeus.

Ronald voltou-se para onde uma linda mulher, elegantemente vestida, sorrindo, vinha ao seu encontro.
James Stewart (Hawkins)
Foto de Mohamad Itani
Desenho de Tony Duce

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sátira eleitoral começou há 30 anos

Quando o horário eleitoral gratuito começou, não entendíamos bem as regras impostas; só havia que aceitá-las e achar graça. Por exemplo, por que alguns candidatos tinham 10 minutos e outros somente 30 segundos?

Hoje que alguns deles somente podem ver seu nome mencionado por 1 segundo e nada mais, as sátiras do visionário Jô Soares ainda têm atualidade. O que nos perguntamos agora é por que o Jô ficou sério enquanto as campanhas viraram shows e os candidatos reais, atores cômicos. Em Pelotas, dois potenciais vereadores são palhaços por profissão (veja alguns brasileiros que querem ser políticos no sítio Candidatos Bizarros).


Semana de Psicanálise estuda a sexualidade

Hoje sexta (24) conclui a Semana de Psicanálise 2012 da Sociedade Científica Sigmund Freud, com o tema "Sexualidade, o ritmo que conduz a vida". Em quatro encontros, dois psicanalistas de Pelotas (Jorge Velasco e Hémerson Mendes) e dois vindos de Porto Alegre (Patrícia Rocha e Luís Marcírio Machado) falam sobre a sexualidade no homem, na mulher, no adolescente e na criança.

O cartaz de divulgação utilizou a imagem "Nascimento de Vênus", pintura de 1879 do francês William Adolphe Bouguereau (abaixo). Apesar do nome, a obra mostra a deusa do amor e da beleza feminina já adulta, em posição sedutora e envolvente, pronta para o sexo. Vênus (Afrodite é o equivalente grego) nasceu de uma concha de madrepérola, gerada pela espuma do mar. Utilizou seu filho Cupido (Eros) para prejudicar Psiquê, bela princesa mortal, que na tradição representa a alma humana (veja a história de Cupido e Psiquê). Na pintura, eles são as duas crianças sobre o golfinho que conduz Vênus.

O psicanalista Luís Marcírio Machado fecha a Semana de Psicanálise com a palestra sobre sexualidade infantil, um tema que hoje não escandaliza, mas que provocou brigas científicas quando de sua proposta por Freud em Viena, nos últimos anos do século XIX.

Marcírio fez sua formação na Sociedade Psicanalítica de Pelotas, entidade nascida nos anos 80, com forte ligação à Sociedade Sigmund Freud. O núcleo psicanalítico de Pelotas é ainda hoje o único no Brasil que existe em cidade do interior (todas as outras se encontram na capital de seu Estado), e segue formando psicanalistas, seguindo as linhas freudianas da IPA (Associação Psicanalítica Internacional).

Por sua parte, a Sigmund Freud oferece desde 1981 uma especialização em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica (pós-graduação lato sensu de 3 anos). O antigo nome do curso, modificado há dois anos, era "Teoria e Técnica Psicanalítica Aplicada à Psicoterapia". Seus requisitos essenciais são: presenciar seminários e supervisões, seguir psicoterapia pessoal e apresentar um trabalho escrito de conclusão.
Imagem: Wikipedia

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Frio e neve? Não parece o Brasil

Em cada inverno, os telejornais do centro do país mostram os signos do intenso frio que se vive no sul do Brasil. Em 2010, uma nota na TV repetiu aquela impressão, remarcando que o Brasil é quente por natureza e as zonas em que neva são como um apêndice europeu, de natureza estrangeira. O próprio repórter, impressionado com tanta neve, pretendeu exorcizar o frio dizendo que não parecia o Brasil, e um turista carioca chegou a brincar que parecia mais a Rússia.

Foi com uma reportagem como essa que, há dez anos, Vítor Ramil teve as primeiras ideias para sua proposta da Estética do Frio, apresentada em Genebra (Suíça), em junho de 2003 (texto editado em 2004 pela Satolep Livros). Após mostrar um trio elétrico animando a festa popular no Nordeste, o noticiário falava do inverno gaúcho como de um "clima europeu". No entanto, milhões de brasileiros sentem esse frio todo ano e se identificam com os costumes de inverno que o resto do Brasil desconhece. Daí nasce toda uma visão de mundo, mais lenta, sensível, introvertida e melancólica, segundo Vítor, e que temos em comum com os países do Prata.

Esta sexta (24-8), o Globo Repórter voltará a redescobrir esse Brasil subtropical (veja o anúncio), comprovando a novidade de que "existe um Brasil abaixo de zero grau". Quem serão esses pinguins?, pergunta-se o resto do país, em seu narcisismo tropical.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Desenhos que olham para o passado

A artista plástica Marina Guedes expõe no Corredor Arte a série "Violação do Retrato", desenhos em pequenas dimensões que representam atrizes do cinema antigo.

A artista utilizou lápis aquarelável, pastel oleoso e óleo sobre papel. As obras pertencem ao projeto final de sua graduação em pintura pela UFPel. Atualmente ela cursa mestrado em Poéticas Visuais na UFRGS.

Veja no Cult News um comentário mais amplo sobre o trabalho de Marina, porto-alegrense que iniciou sua formação em Pelotas. Ela participou na mostra "Arte Sul Contemporânea", realizada na Capital do Estado em julho (veja nota da UFPel), para homenagear os 200 anos de Pelotas.

"Violação do Retrato" pode ser visitada até 26 de agosto, no Corredor Arte (Professor Araújo, 538).

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Grandes ideias, pequenas mentiras, num minuto

O Festival do Minuto é um evento nacional que seleciona e premia vídeos em diversos formatos, sempre com um minuto de duração. Criado no Brasil em 1991, inspirou a reedição do mesmo em vários países, anualmente. Em 2007 passou a ser realizado de modo permanente, e somente pela internet.

No tema "A Grande Ideia", concorre nestes dias um representante da UFPel: Gilson José Fagundes Júnior, aluno do curso de Cinema e Audiovisual.

Ele apresentou um relato ultracurto de uma alucinação hipnopômpica (veja o que é isso), e precisa do voto dos internautas, até a próxima segunda-feira, 13 de agosto às 18h. No momento desta postagem, quarta (8), ele tem somente 222 votos. A música de fundo é Saturday (Sharing life with you), de Vampire Octopus.

Para participar na votação, cadastre-se no Festival do Minuto, com endereço e senha (ou mediante o Facebook), confirme o cadastro pelo seu e-mail, entre no sítio de novo, e finalmente, embaixo do vídeo Pequenas Mentiras, coloque 5 estrelas.

No Festival do Minuto, Gilson é o único representante de Pelotas na atual fase deste tema, e poderá ganhar o prêmio único de 5 mil reais se for o mais votado.
Fotos: Gilson Jr

POST DATA (15-08-12)
Gilson ganhou o prêmio do Público, com 304 votos. Veja a notícia com os nomes dos demais premiados.
O Diário Popular fez uma nota especial (leia).

terça-feira, 31 de julho de 2012

Oficina para iniciar: "Então eu posso tocar piano?"

Os pianistas Fernanda Castilho e Júlio Machado (dir.) apresentam, por primeira vez, a oficina Então eu posso tocar piano?, para iniciantes que desejem saber como se começa a fazer música com esse instrumento.

A atividade será realizada este sábado (4) na sede da Piano Class (Rua General Osório, 1005), escola particular de música, para 25 pessoas de diversas idades.

Esta oficina é uma de várias ações artísticas que se inserem no 1º Festival de Inverno de Pelotas, um grande evento que cobrirá diversas áreas artísticas em Pelotas e cidades vizinhas, de 3 a 12 de agosto.

De formas bem práticas, os professores mostrarão o que se deve saber para começar a tocar, que sons o piano produz, como estudar em casa, tendo ou não um piano. Segundo eles explicam, o aluno começa adquirindo as habilidades básicas no instrumento e logo a seguir é a imaginação e a capacidade de divertir-se que poderão trazer os melhores benefícios de se fazer música, na arte e no estudo.

Os participantes receberão todo o material necessário para acompanharem a oficina, inclusive poderão ver e tocar no piano de cauda em que se fazem as aulas e recitais da Piano Class (esq.).

Para inscrever-se na oficina (R$10), comunique-se com a escola: pianoclass@pianoclass.com ou 3227 0545.

Com os alunos desta oficina de iniciação, os professores oferecerão, também por primeira vez em Pelotas, uma nova modalidade de ensino do piano: aulas grupais, em turmas de 4 alunos de nível similar. Esta forma não tradicional será feita de modo experimental de agosto a dezembro, só com iniciantes.

Usualmente as aulas práticas são individuais (um professor e um aluno). Com esta novidade, estudantes sem experiência terão a primeira aproximação técnica ao piano, com professores altamente qualificados e por um preço menor, tendo em vista as futuras aulas individuais, mais intensas e exigentes.

Veja e ouça abaixo, a modo de ilustração e motivação, uma menina japonesa de 8 anos de idade, que começou a estudar aos três, interpretando o movimento final de uma sonatina de Anton Diabelli, identificada como do opus 151.
Fotos: Piano Class (1), F. A. Vidal (2)


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sarau na Biblioteca destaca Vítor Ramil

Poeta-letrista com uma obra consolidada ao longo de mais de três décadas, Vítor Ramil é o autor em destaque da XXIII edição do Sarau Poético-Musical da Biblioteca Pública Pelotense.

A reunião está marcada para a próxima terça (31) desde as 19h30min até 22h, aproximadamente.

A escolha do artista local foi feita em apoio ao Festival de Inverno de Pelotas, a ser realizado de 3 a 12 de agosto. O tema deste projeto do Teatro do Chapéu Azul é a proposta de Ramil sobre a Estética do Frio.

Gilnei Oleiro Correa é o convidado para falar sobre a obra do cantor, compositor e escritor pelotense, que tem sua produção reunida em nove discos e três livros, desde 1981 até hoje (veja na Wikipédia).

Nosso escritor já foi patrono na Feira do Livro do Cassino, mas na de Pelotas ainda não. Em 7 de julho de 2012, a cidade fez 200 anos e no dia 7 de abril Vítor completou 50. Terá ele aqui alguma homenagem, além deste Sarau?

Conforme modelo adotado desde a criação dos saraus na Biblioteca, em maio de 2010, os encontros incluem blocos de música ao vivo e de poesia recitada de autores da cidade e região.

Nesta que é a edição de julho, a convidada para a parte musical é a intérprete pelotense Xana Gallo. Os autores-poetas convidados a declamar são: Adriana Palma Geisler, Angélica Freitas, Lucas Langie Pacheco e Vinicius Kusma.

Os coordenadores do projetos dos Saraus na Biblioteca são: Daniela Pires de Castro, Getúlio Matos, Mara Agripina Ferreira e Pedro Moacyr Perez da Silveira.
Imagens: BPP

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Variantes do Caminho, em pastel seco

Até 6 de agosto Maria Lúcia Drummond expõe 15 quadros em pastel seco sob o título “Variantes do caminho”, no Corredor Arte do Hospital Escola UFPel/FAU (Rua Professor Araújo, 538).

A artista escolheu o título da mostra pois ela apresenta aqui parte das influências recebidas desde o início do percurso artístico, em 1999.

Entre as obras encontram-se cinco de uma série que retrata o ciclo de uma plantação de abóbora, da flor ao fruto (esq.).

Apesar de ter descoberto o dom pela pintura há pouco mais de dez anos, o currículo de exposições é grande, por convite e selecionada por editais: além do Rio Grande do Sul, em países como Espanha, Eslováquia, China, Tailândia e Uruguai.

Durante este período, Maria Lúcia utilizou diversos materiais, como acrílica, carvão, lápis e óleo, mas de todas as experiências a que mais lhe agradou é a que utiliza hoje, pastel seco sobre um papel importado especial.

Organizada e perfeccionista, ela conta que pensa muito antes de começar a pintar uma obra e não termina se não estiver exatamente como ela havia planejado.

— Gosto de fazer as coisas com profundidade, coisas mais superficiais não me agradam... não gosto de fazer "mais ou menos”.

A artista se considera uma eterna aprendiz, pois além de participar de cursos de extensão e de aulas de pintura, visita muitos museus para estar sempre em contato com a arte.

— Não considero a arte como hobby. Meu hobby é jardinagem. A arte eu levo muito a sério, me dedico, estudo, faço o melhor que posso. Continuo estudando e me informando. Estou sempre aberta para novos conhecimentos, novos desafios. Minha inspiração vem do cotidiano, que acredito ser uma fonte infinita.
Texto e fotos: Completa Comunicação

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Banheiros inacabados, máxima retenção

Os assim chamados "banheiros do Laranjal" tinham este aspecto de aquário flutuante, no entardecer deste domingo (22). De fato, o problema flutua desde abril de 2010, quando o Ministério Público denunciou a irregularidade da obra (leia a notícia no Amigos de Pelotas). A construção inconclusa, iniciada sobre a areia da praia no verão daquele ano, ainda não foi demolida, após a Prefeitura ter perdido a causa judicial, em abril de 2012 (veja a notícia).

A polêmica pública questionou, na época, o uso da areia para novas construções (já existem algumas ali, há décadas), o fator ecológico (do saneamento e da estética) e o uso político-administrativo da verba destinada aos banheiros.

Atualmente, os únicos banheiros disponíveis para o público são os das residências e dos restaurantes da orla; inclusive o mais usado desses toaletes é de um restaurante que está sobre a areia há uns 50 anos (dir.). Quando "a natureza chama", o faz com urgência e perdem força os valores sociais e espirituais, como a liberdade de espaço dos banhistas e a visão da paisagem.

A Justiça Federal (4ª Região) acolheu a denúncia mandando sustar a construção. Ficaram as paredes pela metade todo o verão seguinte (2010-2011), e alguns moradores de rua fizeram acampamento ali, em janeiro e fevereiro, como qualquer veraneante (veja a notícia).

Na época, artistas de rua também fizeram seu manifesto pacífico, dando beleza ao feio e chamando a atenção com fina ironia sobre estas manchas da cidade. Os peixes de cores parecem rir de nossas necessidades básicas e de nossas proibições moralistas (como dizendo "não urine em nosso aquário").

Em Pelotas, já foi interrompida a construção de uma dezena de centros comerciais nos últimos 20 anos, talvez por fatores econômicos ou culturais (mentalidade retentiva, diria um psicanalista). Aqui preservamos prédios velhos e abortamos novos. Mas este é o primeiro caso de um banheiro inacabado, e talvez seja o único no Estado ou no país. A tendência à retenção perdeu a elegância abstrata e direcionou-se aos instintos mais básicos.
Fotos: F. A. Vidal

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Palavras de presente para uma cidade balbuciante

A Professora Loiva Hartmann abriu com sucesso, na sexta 6 de julho, a exposição de poemas ilustrados "Somos a chave de tudo, ou não?". As palavras da poetisa, que mora na Princesa do Sul há muitos anos, são expressamente dedicadas aos 200 anos da cidade. Mostram que quem ama vê o coração mais profundo, e pode com razão criticar o defeito do ser amado, para vê-lo mais feliz e mais próximo de sua essência.

Na foto acima, tomada no Bistrô da SECULT, o poema "Caos" (clique nas imagens para ampliar), com o pátio do Casarão ao fundo. No desenho de Élbio Porcellis (1996), uma mulher nua se desfaz ante um relógio derretido: o tempo inclemente decepcionou as expectativas de um amor eterno. Mas a vida continua, com sua dureza e impiedade.

Os dois textos seguintes parecem contradizer-se, mas se referem a dois sentidos de uma palavra. O jogo verbal é válido para esclarecer falhas de nosso desenvolvimento como pessoas e como cidade (seja o crescimento ocorrido no passado ou o possível no futuro).

Ora somos cegos ante o próprio Eu espiritual (chave de tudo e caminho para a divindade), ora enxergamos nada mais que o Eu narcísico (por contraste com os demais seres humanos à nossa volta).

Somos a chave de tudo... ou não?

Este, chora o amor que perdeu.
Esse, o amor que não viveu...
Aquele, lamenta tudo o que não creu...


Estamos sempre a mendigar de Deus,
a pedir a Deus,
a esperar de Deus...

Só não olhamos o próprio eu.
Chave.


Dos Pronomes Pessoais

Eu
Tu
Ele
Nós
Vós
Eles

Tão simples e completo.
No entanto, ainda não passou de analfabeto
o ser humano: está ainda no "eu".


Vê pouco? Ouve mal?
Tem atrofiado o cérebro?

Ou está desregulado?

O que realmente aconteceu
para que o Homem, até hoje,
não conseguisse enxergar nada além do eu?

Desta atrofia é direta consequência
o mundo e sua violência.


Os poemas ficam expostos até 30 de julho. A inauguração foi comentada por outro escritor gaúcho, também radicado em Pelotas, o Professor Jandir Zanotelli. Leia abaixo um extrato de seu artigo, publicado no Diário da Manhã de segunda-feira (16).

Palavras Gagas

Noite fria. Chuva fina. Minuano. Inclemente. Mas lá estavam os amigos de Loiva, colegas, familiares e a Academia Sul-Brasileira de Letras: a presidente Maria Beatriz Mecking, a secretária Wilma Mello Cavalheiro, a tesoureira Marísia de Jesus Vieira e a presença marcante de Lígia Antunes. Dentro da briga por sua saúde, esta lutadora incansável e querida deu àquela festa o tom da profundidade literária e de amizade bem merecidas por Loiva.

De parabéns Loiva. De parabéns Pelotas. De parabéns a literatura costurada com nossas palavras gagas. A palavra do homem, a poesia do homem é sempre gaga, recordando a bela imagem de Moisés. Nunca sai limpa, pronta, acabada, nunca definitiva, absoluta, total. É sempre insuficiente para dar conta do sentido da vida e das coisas. Apenas prenúncio. Sempre ensaio, tentativa e tentação.

A narração da história de Pelotas, em seus duzentos anos, também é gaga. Que bom! Há espaços para múltiplas vozes, múltiplas escutas que nascem do silêncio de nosso deserto e da sarça que arde em seu seio sem jamais se confundir. Convocação, apelo, promessa, esperança para construir um novo mundo.

Jandir Zanotelli

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Turismo rural trilha "Caminho Pomerano"

A TerraSul Turismo é uma agência que promove o conhecimento cultural da Zona Sul, fazendo passeios pela região, pelo centro urbano e pelos distritos de Pelotas.

Dirigida há 19 anos por Andrea Chies e Josette Pereira, guias de turismo, a empresa também leva clientes gaúchos a viagens nacionais e internacionais, e promove o Turismo Receptivo, destinado a facilitar a vinda a nossa região de visitantes de outros lugares.

Nascida para que os pelotenses acreditem no valor histórico e nas belezas geográficas de sua cidade, a TerraSul segue o passeio "Do Sal ao Açúcar", o "Palmilhar Centro Histórico", a Rota das Charqueadas e mais 5 roteiros locais e 10 regionais.

Entre estes últimos, foi criado recentemente o Caminho Pomerano, uma jornada de meio dia entre Pelotas e São Lourenço do Sul que resgata a cultura da Pomerânia, antiga região europeia de onde vieram imigrantes no século XIX.
A próxima saída é este domingo (22) às 8h30min, com destino ao interior de São Lourenço. Pela manhã conta-se a história do Casamento Pomerano (foto inferior), visita-se as zonas rurais do Boqueirão e a Coxilha do Barão, onde se produzem queijos, linguiças e peito de ganso defumado. A aventura termina ao entardecer, com visita ao Museu Pomerano e o buffet colonial no Jeske Café (foto superior).
Todo o Caminho Pomerano custa R$ 125 por pessoa (preço à vista), sem incluir bebidas. A saída de cada miniônibus requer o mínimo de 22 passageiros inscritos.

I Festival de Inverno

Há exatamente um ano foi feito o lançamento do Festival de Inverno de Pelotas, com 70 atividades apresentadas em 5 dias (veja a programação 2011). O evento em si tinha realização anunciada para agosto de 2012, em comemoração dos 200 anos da cidade (veja o post neste blogue). Agora só faltam 15 dias.

O Festival de Inverno de Pelotas consiste numa série de espetáculos artísticos centrados nesta cidade sede, que buscam resgatar a cultura e a arte do Sul do Brasil e aproveitar o movimento turístico do inverno (veja a definição). Há uma programação temática, uma geral e uma paralela; também há ações especiais, ao mesmo tempo do Festival, e atividades prévias (uma destas foi o show do Sovaco de Cobra ontem quarta 18, no Bar Liberdade).

Pensando em que a iniciativa tenha o retorno esperado, já ficou este denominado como o Primeiro Festival de Inverno. Cada ano um autor local será homenageado, sendo Vítor Ramil o escolhido para começar. O lema do Festival 2012 está tomado de uma frase dele, na linha final do texto sobre a Estética do Frio, quando diz que o Sul "não está à margem do centro do Brasil, mas no centro de uma outra história". É nisso que o Festival acredita e pretende divulgar aos que conhecem o Frio de perto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Madre Mia

Madre Mia! é um novo espaço de arte e gastronomia que evoca em Pelotas a cultura hispânica, que os norte-americanos chamam de "latina". Com diversos artistas conseguiram abrir este pub em portunhol, destinado ao encontro de misturas e fusões.

A expressão equivale ao brasileiro "nossa!", santa exclamação que invoca a Mãe de Deus. Na cultura latina, todos usamos expressões de origem religiosa quando algo nos parece divino ou supino.
Dando apoio ao espaço internacional: a produtora Mundo Arte Global, o coletivo Invente Arte e dúzias de amigos de Pelotas, Porto Alegre e outras cidades latino-americanas. Fica na Rua Santa Cruz 2200. Veja mais no sítio Madre Mia! Fusão Latina e em sua página do Facebook.
Música do vídeo: Black Magic Woman (veja a letra de Peter Green), famosa em 1970 na versão de Santana, um modelo de fusões no hemisfério norte, mas ainda meio distante do Cone Sul. Aqui temos equivalentes como Pimenta Buena.


POST DATA 24-08-12
Veja a nota de Eliza Andrade O Inovador Madre Mia.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Cem anos de Carlos Reverbel

Carlos de Macedo Reverbel nasceu no dia 21 de julho de 1912, em Quaraí (RS). Aos 22 anos, logo após ter abandonado o ensino médio, iniciou-se no jornalismo (ocupação mal-vista para as "boas famílias", na época) e o fez em Florianópolis. Morou no Rio de Janeiro e em Paris, mas ficou estabelecido sempre em Porto Alegre.

Na segunda metade do século XX, dirigiu a principal seção de jornalismo cultural no antigo Correio do Povo, estimulando em leitores de todo o Estado a crítica, a criatividade e o amor pela literatura.

Como estudioso da cultura do Rio Grande do Sul, Reverbel escreveu a primeira biografia de João Simões Lopes Neto ("Um Capitão da Guarda Nacional", 1981), outra sobre Assis Brasil ("Diário de Cecília de Assis Brasil", 1983) e o ensaio histórico "Gaúcho" (1986).

José Antônio Mazza Leite, diretor do Museu do Charque, escreveu sobre Reverbel, que conheceu e visitou com frequência em Porto Alegre:
Reverbel, hospitaleiro e amável, conversava contando suas histórias de vida, sempre com muito humor. Contou-me que vinha a Pelotas e ficava hospedado no Hotel Rex.

Aqui pesquisava, escrevia e informava-se. Eram suas fontes José de Almeida Collares, doutor Luís Simões Lopes, Rui e o jovem Cláudio Simões Lopes. Muito papo foi trocado nos bares e nas praças de nossa cidade. O livro que daí teve origem, "Um capitão da Guarda Nacional", é leitura obrigatória para quem quer conhecer João Simões Lopes Neto e a vida de Pelotas na virada entre os séculos 19 e 20.

Mais de uma vez, Reverbel disse-me que gostaria de morar em Pelotas, mas a fragilidade de sua saúde não permitia esse luxo. Aqui tinha amigos e gostava de perambular pelas mesmas ruas do seu herói João Simões Lopes Neto (leia o artigo completo de Mazza Leite).

Em homenagem a quem resgatou Simões do esquecimento em que se encontrava, o Instituto batizou seu auditório com o nome de Carlos Reverbel, desde que estabeleceu sua sede na antiga casa do escritor pelotense (Rua Dom Pedro II nº 810). Veja mais informações nos blogues Vendaval das Letras e no do Instituto J. Simões Lopes Neto.

Hoje (17) às 19h, comemora o centenário de nascimento de Reverbel, primeiro simoniano, com a palestra da jornalista de ZH Cláudia Laitano e a presença de Beth Reverbel de Souza, filha do homenageado.
Fotos: Vendaval das Letras (1) e IJSLN (2)