
A polêmica pública questionou, na época, o uso da areia para novas construções (já existem algumas ali, há décadas), o fator ecológico (do saneamento e da estética) e o uso político-administrativo da verba destinada aos banheiros.

A Justiça Federal (4ª Região) acolheu a denúncia mandando sustar a construção. Ficaram as paredes pela metade todo o verão seguinte (2010-2011), e alguns moradores de rua fizeram acampamento ali, em janeiro e fevereiro, como qualquer veraneante (veja a notícia).
Na época, artistas de rua também fizeram seu manifesto pacífico, dando beleza ao feio e chamando a atenção com fina ironia sobre estas manchas da cidade. Os peixes de cores parecem rir de nossas necessidades básicas e de nossas proibições moralistas (como dizendo "não urine em nosso aquário").
Em Pelotas, já foi interrompida a construção de uma dezena de centros comerciais nos últimos 20 anos, talvez por fatores econômicos ou culturais (mentalidade retentiva, diria um psicanalista). Aqui preservamos prédios velhos e abortamos novos. Mas este é o primeiro caso de um banheiro inacabado, e talvez seja o único no Estado ou no país. A tendência à retenção perdeu a elegância abstrata e direcionou-se aos instintos mais básicos.
Fotos: F. A. Vidal
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