EPIGRAMA DE DOMINGO

A saudade é a cenestesia deixada no coração por uma situação vivida, ou por alguém que se afastou para sempre.

Rubens Amador

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Hotel já é Escola

Após reformas, o antigo Grande Hotel já é o novo local do curso de Hotelaria, um dos 94 em funcionamento na Universidade Federal de Pelotas (leia nota oficial). Trata-se de um curso novo (veja definição), ligado também ao Centro de Integração do MERCOSUL.

O prédio foi terminado em 1928, e recebeu visitas de políticos e artistas famosos; em 1950, de uma destas janelas, o ex-presidente Getúlio Vargas olhou para a praça e saudou o povo apostado à sua espera (leia a crônica Um encontro com Getúlio Vargas).
Foto: Facebook

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres inferiorizadas (crônica)

Desde os primórdios da humanidade, a mulher já tem o estigma da inferioridade. Sem voz e vontade própria, serva submissa, mero instrumento de satisfação, descartável, bem fungível, material e líquido, na medida em que os homens podiam ter tantas mulheres quanto desejassem ou fossem capazes de manter.

Agressões históricas

Constata-se que, desde as épocas bíblicas, nos casamentos, aquilo que concerne ao célebre “para sempre” é condição preponderantemente vinculada à vontade masculina. Isto advém do início da civilização, passando pelas sociedades tribais e pelos impérios orientais e ocidentais. Recordemos o caso de Henrique VIII, que legislou em causa própria e, não resolvendo seus problemas, mandou a mulher para a masmorra e, não satisfeito, que lhe cortassem a cabeça.

Crueldades contra a mulher foram sofisticando-se, aprimorando-se em várias culturas, como na China (dir.), onde as mulheres tinham os pés enfaixados e deformados pela deturpada estética da flor de lótus (pés de lótus), o que lhes impedia de fugir por ocasião das invasões, facilitando a sua captura e consequente violação.

Na África, por questões culturais e religiosas mutilam a genitália feminina por garantia de virgindade e por não lhe permitirem o prazer. Mais uma vez, mulher-instrumento, a serviço de seu amo e senhor ou para perpetuidade de dogmas. Ainda hoje cerca de 100 milhões de mulheres passam por esta prática, em cerca de mais de 26 países da África e da Arábia. E não esqueçamos aquelas que hoje devem se manter cobertas, invisíveis, à mercê de quem oferece mais nos contratos matrimoniais que são realizados quando meninas.

Apesar de 2000 anos passados desta Era denominada de Cristã e dos avanços sobre os quais poderemos discorrer (adiante), as mulheres correm o risco de serem trocadas por menos de meia dúzia de camelos, no norte da África, em países divulgados pela grande mídia por sua cultura e beleza, mas no qual os mais zelosos não se arriscam em largar sozinhas suas mulheres.

Exagero? Isto pode ser o que de mais agradável pode lhe acontecer, se compararmos àquelas que desaparecem, aqui em terra tupiniquim, vítimas da “paixão” – cujo nome correto é barbárie – de seus companheiros, e seus ossos jogados aos cães, eliminando provas, gastos com funerais, lápide e flores. Loucura? Sim, ainda mais se considerarmos que os homens começaram a ser civilizados, ao enterrarem seus mortos. Triste ironia.

Nesta trajetória de tempo e espaço não podemos esquecer aquelas tantas queimadas vivas, torturadas na época da Inquisição – afinal, quem sangra todo mês e não morre só pode ser mesmo uma bruxa –, e aquelas que, mais recentemente, foram queimadas por reivindicarem direitos trabalhistas.

Modernidade

Foi neste século 20 que começaram os tão afamados avanços: direito de voto-exercício de cidadania, desde que os pais ou maridos não determinassem imperiosamente em quem deveriam votar. Democratização da escola pública visando garantir o acesso à educação, embora isso seja um direito fundamental universal e, por conseguinte, não só para o gênero feminino.

Assim mesmo, ainda havia famílias que julgavam que as mulheres deveriam aprender as famosas prendas domésticas (lavar, passar, cozinhar, costurar, bordar) ao invés de aprenderem a ler e escrever.

Foi a partir deste evento, acesso à educação, que as mulheres passaram a ter condições efetivas de ingresso no mercado de trabalho. Maravilha! Graças a isso temos, além das domésticas, babás – consideradas as primeiras profissões junto com as lavadeiras, pois não pressupunham escolaridade.

Puderam as mulheres ascender às carreiras bem mais reconhecidas, aplaudidas e às quais a sociedade confere mais status: médicas, advogadas, dentistas, juízas, promotoras, desembargadoras, por antiguidade e merecimento.

A estas se somam, na atualidade, mulheres pesquisadoras, na política, carreira militar, aviação comercial e outras profissões, outrora inconcebíveis ou inexistentes para o sexo feminino.

Muito bem, as mulheres conquistaram com denodo e competência a possibilidade de disputar com os homens o acesso ao mercado de trabalho, mas em compensação conquistaram a dupla jornada e a culpa de deixarem seus filhos aos cuidados de outras pessoas.

Os salários, em geral, são menores, sofrem constrangimentos ainda hoje, pois apesar do amparo legal, têm que provar que não estão grávidas para serem admitidas no emprego, sofrem assédio psicológico, sexual e moral. Em alguns segmentos, são obrigadas a submeter-se à revista antes de deixarem o local de trabalho, para provar que não estão levando nada do patrão.

Como se toda a responsabilidade que carrega, com o peso histórico de ser a sofredora mártir mãe de Jesus, ou a discriminada Maria Madalena não bastassem, ainda tem de ser como Amélia – que é por quase unanimidade a "mulher de verdade" – e por exigência de mercado tem de ser bela, perfumada e gostosa, pois, como diz o poeta, “beleza é fundamental” (ouça a Receita de Mulher, de Vinícius).

Isabel Cristina Silva Vargas

O artigo acima foi destacado com o 1º lugar na categoria Crônicas, em novembro de 2011, no XVI Concurso Literário Internacional de Poesias, Contos e Crônicas (veja lista dos premiados).

Dia da Mulher

Neste 8 de março, a partir das 15h, a concessionária UVEL convida todas as mulheres da cidade a uma tarde feminina, com atividades de embelezamento, assessoria esotérica, moda e bate-papos sobre a vida da mulher moderna. O salão da empresa fica na Avenida Fernando Osório nº 1373.
No campus I da UCPel, das 9h às 21h, representantes da Avon, Mary Kay e Natura oferecem maquiagem e dicas de estética.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Pelotas quer o Sete de Abril aberto


Em 2012, bicentenário da Freguesia de São Francisco de Paula, Pelotas quer ver reaberto o seu Teatro Sete de Abril. Nosso símbolo cultural foi construído ainda em tempos da Vila de São Francisco de Paula, e esteve dez anos fechado desde 1835, logo após sua fundação. A Revolução Farroupilha parecia ser um forte motivo para a suspensão completa da vida artística na Província.

Novamente fechado por volta de 1980, o Teatro foi reaberto também por decisão política. Agora, interditado desde 15 de março de 2010 (leia a notícia oficial, redigida pelo próprio Secretário de Comunicação), o prédio espera por terceira vez que alguém faça o necessário para seu resgate. No entanto, permanecem desarticuladas as três principais forças que buscam sua recuperação: público, artistas e autoridades. Visite o evento facebook QUEREMOS NOSSO TEATRO SETE DE ABRIL DE VOLTA.
Arte de Neco Tavares

terça-feira, 6 de março de 2012

Débora e Esther, no Corredor

O Corredor Arte recebeu, até 5 de janeiro passado, uma nova exposição das irmãs Deborah Blank Mirenda e Esther Blank Schwonke (de preto na foto). Influenciadas pelos pais, elas despertaram já na infância o interesse pela pintura. Naturais de Erechim, estão radicadas em Pelotas há vários anos.

Deborah tem formação artística e décadas de atuação na área. Nessa ocasião, ela trouxe formas geométricas (dir.) da nova fase de seu trabalho, além de alguns de seus rostos de mulheres (veja uma nota deste blogue sobre suas pinturas em 2009).

Em caminho autodidático, Esther cultiva flores como hortências e girassóis, e as representa incansavelmente nos quadros. Ela observa a singularidade de cada flor, detendo-se na delicadeza das pétalas, e com esmero pinta aspectos tão detalhados como as colorações únicas e as texturas de superfície.

Apesar da notória diferença de conteúdo nas obras, é possível notar semelhanças no modo de pensamento e de trabalho das irmãs artistas. O jeito suave de aplicar a tinta e o interesse por temas naturais e ingênuos são fatores de aproximação entre as duas. Deborah desenvolveu mais a capacidade de explorar mudanças técnicas e de expressar sentimentos profundos, o que provavelmente influiu no processo pessoal e artístico de Esther.
Imagens: Completa Comunicação

Sereias da Lagoa

Na segunda-feira de Carnaval (20-02), já entrada a noite, a reportagem da Prefeitura fez uma nota interessante e ousada: sobre a saída anual do bloco Sereias da Lagoa (dir.), no balneário Santo Antônio (leia a matéria).

Apesar do elemento óbvio (carnaval em Pelotas), a matéria foi oportuna, pois esse bloco se reúne uma só vez por ano, não entra na programação oficial, fica longe das passarelas urbanas e marca uma distância, também no tempo, dos carnavais populares e multitudinários de nossa cidade.

O original dessa informação é que um veículo oficial estivesse noticiando sobre baixos costumes do povo (em vez de divulgar os serviços municipais) e, ainda mais, fora do horário normal de trabalho. Ousadias atribuíveis à irreverência dos tempos de Momo.

Sem chegar a ser um verdadeiro bloco, as Sereias da Lagoa têm a missão de seguir a tradição carnavalesca dos homens vestidos de mulher. O costume sempre foi mais forte em Pelotas que em outras cidades do sul do Brasil, e começou a decair na década de 1980, até restar este único foco de conservação (nascido na praia do Laranjal na década de 1990).

Este travestismo carnavalesco não equivale a um desfile gay nem a uma amostragem de drag queens, mas a uma antiga sátira do lado feminino (de mulheres e de homens) e da própria masculinidade. A julgar pela evolução dos carnavais, a brincadeira pública provavelmente surgiu no início do século XX ou fins do XIX, ou seja, em tempos vitorianos e tridentinos, bem moralistas e solenes. Hoje, a sátira ao homossexualismo é politicamente incorreta.

A espontaneidade semiclandestina deste grupo burlesco pelotense dificulta obter boas imagens do seu desfile, tanto pelo horário como pelo lugar. Após concentração no centro comercial Mar de Dentro, as Sereias têm o costume fixo (alusão sutil à prostituição) de sair no sábado ao entardecer, somente na praia, mas também brinca com o fator surpresa e com as emoções secretas do exibicionismo (veja uma nota pobre em texto e pobre em imagem, sobre este bloco no carnaval de 2011).

Em 2010, o jornalista Miguel Martins redigiu uma nota para o blogue Satolep na Rede, com excelentes imagens de Cláudia Pureza Duarte Boéssio. Entre os foliões, a fotógrafa captou o músico Sady Homrich, de branco na foto acima à esquerda. Leia sua confissão de amor pelo Laranjal (e por sua mulher) na Zero Hora de 1-2-12.

A maioria dos participantes - se não a totalidade - são homens masculinos e heterossexuais. Somente no carnaval eles ousam desfilar como algo que nunca foram nem serão, arremedando os traços mais histéricos do sexo oposto, com as melhores ou piores roupas de suas irmãs e namoradas. A intenção não é, portanto, a de tirar do armário lados ocultos e assumi-los seriamente. No vídeo abaixo, de 2008, uma gravação fora do desfile, que mostra bem o espírito da coisa.
Fotos: G. Xavier (1), C. P. D. Boéssio (2-3)


segunda-feira, 5 de março de 2012

Dia Nacional da Música Clássica

Desde 2009, marca-se o 5 de março como o Dia Nacional da Música Clássica (leia histórico). A data, escolhida em alusão ao nascimento de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), já era celebrada na cidade do Rio de Janeiro e ampliou o âmbito, com aprovação do governador do Estado do Rio e, posteriormente, da Presidência da República.

Hoje (5) o Google ilustrou sua página brasileira com a figura acima (veja nota), um novo doodle (esboço rabiscado) dedicado ao maestro que divulgou e enalteceu a brasilidade mediante a música erudita.

Compare (abaixo) duas interpretações da peça "A lenda do caboclo": com o pianista Nelson Freire (partitura original), em gravação na Embaixada Brasileira em Roma, em 29 de abril de 2011, e com o quarteto Kroma, em arranjo para guitarras elétricas, desempenho em Santo André (SP), janeiro de 2004.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

1ª mostra de criações em crochê


Amanhã (1) à noite, Giane Casaretto mostrará uma nova série de criações em crochê, numa apresentação múltipla, com modelos desfilando, música ao vivo e ambientação visual (clique no convite para ampliar).
Em ocasiões anteriores, Giane havia colaborado com peças de crochê em performances organizadas por Gracia Casaretto Calderón, além de suas participações em coletivas do Ateliê, mas não havia dedicado uma exposição exclusiva para suas criações. Agora é Gracia que apoia, na arte visual, o evento artístico de sua mãe, professora e inspiradora inicial.
Pode-se dizer, portanto, que esta Mostra Performática é uma obra a quatro mãos de duas colegas, com os produtos criados por Giane e o conceito expositivo trazido por Gracia, formando um conjunto de arte social contemporânea.
POST DATA (8 de março)
Na foto abaixo, um aspecto da Mostra Performática realizada há uma semana no Ateliê Giane Casaretto.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fragmentos, de Leyla Lopes

O mundo, tanto externo como interno, é vasto e dinâmico, bem como a materialização do mesmo numa tela, numa escultura, na música, na poesia, enfim... Somos uma espécie de ponte por onde o mundo passa, mistura-se conosco e é devolvido ao mundo através de nossas obras, como resultado dessa mistura do mundo, de nós, de nosso perceber, sentir e expressar. Somos na verdade decodificadores, comunicadores de sentimentos e razões através de cores e formas.

Sendo o mundo assim tão rico, torna-se difícil manter-se fiel a um único tema. Tudo que encanta o olhar e arrebata o coração é tema, a pessoa, o objeto, a situação, tudo é motivação pra ser metabolizada em nós e compartilhada de volta com o mundo.

A exposição "Fragmentos" (até 11 de março no Corredor Arte) são obras de várias épocas criativas, que reúnem em si vestígios de encantamento e inspiração, por isso sua diversidade temática. Posso dizer que seu tema são momentos diversos e sua síntese o coração e a mão que materializou cada tela. Compartilho com todos, esses fragmentos.

Leyla Lopes

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Casa do Torres, ainda de pé


Há três anos, vimos aqui no blogue a situação da casa mais antiga de Pelotas (leia a postagem), denunciada em 2004 por Mario Osorio Magalhães. Em setembro de 2011, o escritor confessou o que seria seu Sonho do Bicentenário: ver recuperada - fìsica e socialmente - esta construçâo colonial de 1808 (data aproximada, pelos cálculos do historiador pelotense).

A mesma informação já havia sido veiculada em forma de reportagem audiovisual por Júlio César Prestes (vídeo acima). As imagens mostram o mau aspecto externo da casa, que se deteriora lentamente mas está firme há pelo menos 200 anos, e o sobrevivente calçamento de pedra ainda existente no centro da cidade. É preciso notar também que a antiga Rua do Torres, hoje Major Cícero, nâo tem inclinaçâo alguma.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Retrospectiva de 2011 no Ágape

Em retrospectiva de 2011, o Ágape Espaço de Arte recorda as atividades de seu segundo ano de existência, com inovações bem aceitas pelo seu público, desejoso de reunir-se e de conhecer as diversas artes do espírito mediante todos os sentidos do corpo - visão, audição, movimento corporal, degustação - e pela participação ativa: falando, dançando, pintando, lendo, cantando.

Exposições mensais encheram as salas do centro, de janeiro a dezembro: Satolep de Olhos Cerrados (fotografias de Kelly Wendt), Lá da Rua (pinturas de Junior Asnoum e Felipe Povo), Imersões (pinturas de Roger Coutinho), Instáveis (Grupo Superfície), Os Sons da Cidade (fotos de Beatriz Rodrigues e música de Celso Krause), Arte de Arteterapeutas II, Objetos Sonoros (de Chico Machado), Coletiva Internacional Entrelínguas, Lúdico Cotidiano, e Inutilitários Bazart I e II.

Saborosa inovação foi temperar cada noite de vernissagem com um Jantar com Arte. Numa iniciativa única na cidade, a combinação trouxe gourmets e transformou o Ágape em restaurante familiar. Outras novidades mostraram em 2011 que a criatividade nâo tem limites: o filme "Entrevista com Jung" e palestra com Conceição Beltrão; o Seminário de Dançaterapia, com Sonia López; a Mesa de Debates sobre Arte, com Adriane Hernandez, André Loureiro, Roger Coutinho e Francis Silva; o Minicurso sobre Processos Criativos, com Angélica Shigihara; o Concerto Poético-Musical "Por tudo, gracias!", com Paulo Renato e Maurício Marques, e o lançamento do livro "É Coisa de Mãe", de Denise Viana.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Memórias do Sul, imagens no tempo e no espaço

O corredor do centro comercial Mar de Dentro, no Laranjal, está expondo, durante todo o mês de fevereiro, uma coleção de fotografias antigas, que pertenceram ao pelotense Jorge Duval (tio do artista plástico Fernando Duval).
A mostra é organizada pela Galeria Mirar, Arte Fotográfica, sediada no centro comercial Zona Norte. Além do objetivo sociocultural de resgatar a memória urbana de cidades gaúchas, a exposição tem caráter itinerante, visitando inicialmente as três cidades presentes nas imagens: Pelotas, Rio Grande e Santa Vitória do Palmar.
Desde o falecimento de Duval, há seis anos, a artista plástica Norma Alves guardava a coleção, presente de uma amiga, sem saber que ali se encontrava um tesouro. Trata-se de milhares de postais e imagens históricas recolhidas nas últimas décadas por todo o Brasil.
A Galeria Mirar busca reconhecer e divulgar a riqueza da produçâo fotográfica da nossa regiâo, abrindo seu espaço para artistas amadores e profissionais que queiram expor e comercializar suas obras (fotografias de qualquer tipo e conteúdo). Contatos: 8111 1949.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Modelo do futuro Shopping Pelotas


Há três meses (8-11-11) foi inaugurado em Rio Branco, capital do Acre, o Shopping Center Via Verde, que segue o mesmo modelo daquele que será inaugurado em Pelotas proximamente. É o primeiro shopping dos acreanos, da mesma forma que os habitantes da Metade Sul do Estado conhecem os centros comerciais mais modernos por Buenos Aires, Porto Alegre e outras capitais.

A notícia acima foi dada em duas páginas pelo Diário Popular (edição impressa, 14-11-11), destacando que a iniciativa caminha firme para sua realização, e transformará a vida dos pelotenses (leia a matéria Shopping semelhante ao de Pelotas é inaugurado). A comunidade anda ressabiada nos últimos anos, desde que uma dúzia de centros e galerias comerciais foi anunciada, mas sem conclusão dos projetos. A cidade de Rio Grande tem situação parecida, também com um grande shopping center em próxima construção, a ser terminado em 2013.

Em nossa cidade, funcionam hoje com relativo sucesso somente dois centros independentes, de tamanho médio (sem lojas-âncoras nem cinemas): o Zona Norte (Artes e Ofícios) e o Mar de Dentro. Além deles, temos outras galerias de lojas miúdas: as maiores são a da Estação Rodoviária e o chamado Shopping Calçadão (esta é uma galeria de 4 pisos, com 3 salas de cinema no último).

Um mês antes da inauguração do Via Verde, no Acre, a mídia falava da expectativa com o novo shopping (veja reportagem de 12 minutos) e deu destaque no dia da inauguração (veja reportagem do SBT).

O modelo (dir., clique para ampliar), que é exatamente o mesmo em Pelotas e em Rio Branco, inclui grandes e pequenas lojas, salas de cinema, praça de alimentação e outras instalações. O prédio é fechado e tem somente um piso, com possibilidades de ampliação futura.

No dia do Natal, o Diário Popular informou dos avanços nas obras do Shopping Pelotas, descrevendo-o já como uma realidade, não mais como projeto (Estrutura de concreto do shopping já pode ser vista). Agora se configura uma competição simbólica com a construção do Shopping Rio Grande, que incluirá 4 salas da rede Cine System (Diário Popular, edição impressa, 1-2-12).


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Angela (1951), longa-metragem rodado em Pelotas

Falando de cinema em Pelotas, o professor e crítico Joari Reis distingue três etapas históricas (veja reportagem de Carlos Cogoy):
  • uma fase de pioneirismo, nas primeiras décadas do século XX, quando se filmaram vários curtas e o primeiro longa-metragem de ficção brasileiro, "O crime dos banhados", de Francisco Santos;

  • o declínio criativo, tendo como referência o ano de 1937, quando morre Santos e está no início a Segunda Guerra Mundial (o período não produtivo se prolonga até o início do século XXI);

  • a recente retomada da produção de filmagens, com a fundação do curso de Cinema na UFPel, o surgimento de produtoras locais e de festivais de artes audiovisuais.
Na segunda etapa citada, Pelotas não teve criação própria (declínio produtivo até a virada do milênio) e serviu como locação para diversas produções do centro do país e até do exterior (desde 1951 até hoje).

O primeiro filme dessa fase foi Ângela (1951), terceiro longa-metragem da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, de São Paulo. Foi dirigido pelo argentino Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida, em preto e branco, com a duração de 95 minutos (veja uma ficha técnica).

Filmagens externas foram feitas no Rio de Janeiro e em Pelotas, na Chácara da Baronesa (atualmente Museu da Baronesa, sob administração municipal), na época ainda em mau estado de conservação (compare a foto acima e a foto abaixo). Cenas de interiores foram feitas nos estúdios de São Bernardo do Campo. Não parece claro por que uma produtora iniciante como a Vera Cruz teria escolhido uma cidade tão distante do centro do país (a estrada para Porto Alegre não era asfaltada).

O roteiro é uma adaptação de Neli Dutra para o conto "Sorte no Jogo" (Spielerglück, 1820), de Hoffmann. Na história adaptada, a jovem Ângela (atriz Eliane Lage), que teve um padrasto viciado em jogos de azar, vem a casar-se com um homem com o mesmo problema (o gaúcho Alberto Ruschel, o Teodoro de "O Cangaceiro"). Atuam também a cantora Inezita Barroso e a então estreante Ruth de Souza.

A dissertação O Momento Vera Cruz, de Valéria A. Hein (UNICAMP, 2003) descreve, entre diversos trabalhos cinematográficos, o filme Ângela (páginas 72-76).

A trilha sonora ficou a cargo do consagrado compositor e maestro Francisco Mignone, regendo a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo. Canções especiais para o filme: "Quem é", de Marcelo Tupinambá (cantada por Inesita), e "Enquanto houver", composta por Evaldo Ruy (cantada por Marisa Sá Earp).

Um documentário da TV Cultura de 2009 (vídeo abaixo) mostra o trecho do filme em que Inezita Barroso (como Vanju) - contracenando com Luciano Salce (Gennarino) e Ruth de Souza (Divina) - estreou no cinema brasileiro.
Foto 3: Cris Matte