sábado, 13 de abril de 2013

Por uma SECULT estimulante e participativa

Movimento Vigília Cultural

Há três anos, Eduardo Leite era, entre os vereadores pelotenses, o mais interessado pela área cultural. Na época, o blogue Amigos de Pelotas abriu uma coluna política semanal para ele e para um vereador do PT, que optou por não participar. Hoje esses textos não estão mais disponíveis na internet.

Em 9 de outubro de 2009, Leite assinou um artigo exclusivo para o Amigos, referindo-se a uma política cultural de Pelotas. Naquele momento, a reestruturação das secretarias municipais considerava a aglutinação da SECULT com outros setores administrativos, como o Turismo (o que não ocorreu, graças à manifestação comunitária, ao movimento Vigília Cultural e ao apoio desse vereador)

Considerando a atualidade de seu conteúdo, neste início de seu período como prefeito, reproduzo o artigo, incluindo 14 dos 20 comentários dos leitores (o último deles profetizou a ascensão de Eduardo ao poder executivo).


Pelotas Cultural

Permitam-me a comparação: uma Secretaria Municipal de Cultura está para Pelotas como deve estar uma Secretaria da Indústria para São Paulo.

Trata-se, como quero expressar, de imperativos dos fatos. Pelotas é uma cidade de brilhante tradição cultural. Houve tempo, inclusive, que chegou a ser o mais importante centro artístico do Rio Grande do Sul. Há registros de que o palco do Teatro Sete de Abril acolheu os mais destacados corpos cênicos do país, que preferiam a plateia pelotense à da própria capital do estado. Sabe-se, também, que Pelotas era incluída no circuito de apresentação de grupos operísticos que provinham de Montevidéu ou de Buenos Aires.

Diversas iniciativas pioneiras aqui tiveram lugar: o Conservatório de Música Municipal, a Escola de Belas Artes, a Biblioteca Pública, o Teatro Escola, a Orquestra Sinfônica, o Ballet de Pelotas, faculdades, clubes carnavalescos, centros de cultura negra e tantas outras, que souberam extrair do apogeu econômico da cidade os meios financeiros para cultivar e difundir o gosto pelas manifestações culturais.

Tholl, Imagem e Sonho
Hoje, quando a pujança econômica do Município não é mais a mesma, vemos registros físicos daquela época nas casas de espetáculo que ainda são mantidas, nas escolas de formação de artistas que foram incorporadas à Universidade Federal, na imponência da Bibliotheca, no casario neoclássico no entorno da Praça Coronel Pedro Osório, no Grande Hotel, entre outros.

A recuperação física de prédios que se constituem em monumentos à memória da riqueza econômica e cultural de Pelotas é, obviamente, uma tarefa meritória a que muitos particulares, a Prefeitura e a Universidade Federal têm se dedicado.

Não é tudo, porém. Não se pode pensar que a isto se resuma a tarefa de revivescer culturalmente a cidade de Pelotas. Há muito mais a fazer e há muito mais a esperar.

Louvando o que já tem sido feito, penso que haja muito a fazer e muito a esperar, ainda, das autoridades públicas, particularmente em um momento tão especial, quando, orgulhosamente, os pelotenses têm podido exibir ao estado e ao país algumas manifestações artísticas de primeira grandeza, como as que se revelam nas apresentações do Grupo Tholl, do coral e da orquestra da Sociedade Música pela Música, dos grupos de ballet, e de outros.

A nossa rica arquitetura, que tem sido prestigiada por volumosos investimentos em restauração, cria uma atmosfera charmosa e se constitui no grande cenário de um espetáculo, o qual é promovido pelos talentosos artistas que possuímos

Sem eles, o cenário torna-se frio e vazio. Uma política cultural dinâmica, com objetivos claros e duradoura, é fundamental.

Assim, a existência em Pelotas de uma Secretaria de Cultura atuante, incentivadora, apoiadora, aglutinadora, participativa é, sim, um instrumento indispensável para que se possa extrair a maior potencialidade das iniciativas que se têm manifestado de forma tão positiva no mundo artístico e cultural da cidade. Não contar com ela seria o mesmo que abdicar definitivamente de um passado que enche a todos nós de orgulho e que deve servir de inspiração para nossas ações atuais e futuras.

Eduardo Leite
Bacharel em Direito e vereador (PSDB)


Leite visitou o teatro fechado por Fetter, 14 dias após assumir (foto ZH).

Anônimo 09 outubro, 2009 20:11
Sr. Vereador. Falar do passado em nossa cidade com tanta convicção e relatando que a memória deste tempo é representada pelos prédios agora recuperados é simples demais. Elencar estes poucos grupos como representativos da cultura local e dizer que isto por si só foi suficiente, também não concordo. Um processo de geração de cultura deve ser mais amplo. Deve atingir toda a sociedade massivamente. Não se tem no país um programa desta magnitude. Um choque cultural poderia atingir todas as pessoas, dando oportunidade de algum tipo de participação. Não podemos elitizar a cultura. Estes casarões que tanto se valoriza lá da época do charque relacionam-se também com a escravatura e a brutal concentração de terras em nossa região. Concordo em recuperar alguns prédios mas, entregá-los de imediato à comunidade a ocupá-los. Mas isto não é só. Precisamos viver nosso tempo, e construir prédios modernos para a cultura. Este debate no nível que hoje é feito em nossa cidade e, como o vereador relatou, não leva a lugar algum, é ineficiente. O recurso gasto nisto tudo é público, portanto é do POVO.
Anônimo 09 outubro, 2009 20:15
No Museu da Imagem e do Som, no Rio, na listagem dos primeiros filmes realizados no Brasil, aparecem alguns feitos em Pelotas. Entre eles "Os óculos do vovô" e "O crime dos banhados". Este último possivelmente o primeiro filme brasileiro de ficção, baseado em fato real. Foram filmados pela "Guarani filmes" de Francisco Santos, que se localizava em um casarão existente até hoje na rua Marechal Deodoro esquina Teles.
Anônimo 09 outubro, 2009 20:29
Concordo com o comentario que diz que cultura tem que ser um projeto para todos. Seria muito importante um projeto cultural acontecento la no bairro dunas com a juventude local. Deve o poder publico construir naquele local um prédio para acontecer aulas de dança, teatro, musica, coral, pintura etc... envolvendo nossos jovens e retirando-os da aridez das ruas. Assim em todos os bairros pobres da cidade. Façam o projeto, busquem verba estadual,federal ou internacional e façam uma revolução cultural no municipio. E preciso ter responsabilidade social e decisão politica. É muito comum vermos nossos politicos que ganham um bom salario, assistindo tango em Buenos Aires ou espetaculos de dança em Paris. É comum ver nossos jovens da periferia, jogados as drogas, sem perspectiva de vida. Politicos mediocres é que são estes que nos representam atualmente.
Anônimo 09 outubro, 2009 21:46
Concordo com o anônimo das 20:11. Falou tudo o que que queria ter falado. Projetos culturais vão mais além do que reviver um passado "glorioso" e restaurar predios antigos. Estimular novos tipos de "cultura", incentivar a todos a participar do processo, levar ou trazer a prática da cultura (entendida por todas as suas facetas: artes, literatura, música, dança, arquitetura) para toda a comunidade também é necessário. Uma secretaria de cultura é importante em qualquer governo, e desde o meu ponto de vista isso é indiscutível. O debate deve estar centrado nas atribuições, tarefas e obrigações desta secretaria, que como disse o anônimo, vão muito além do que vem sido feito hoje em Pelotas. Relembrar o passado e a história é válido e ao mesmo tempo simplista, já que temos tantas outras coisas a mais que devemos considerar...
Simone Petrucci 10 outubro, 2009 01:27
Historicamente pelotas possui sim uma tradição ligada a cultura,vê-se todos os saraus, os filmes pioneiros("Os óculos do vovô" e "O crime do banhado"),nos idos 1900 se optou por investir nossa riqueza em cultura e seria óbvio que tivéssemos continuado a preservar a cultura. Recentemente teve reconhecimento público por suas açoes na cultura em detrimento a Caxias.
Hoje, embora falemos na restauração, estremamente importante, dos prédios históricos, essa verba vem em parte do projeto Monumenta. Necessitamos sim, de açoes da secretaria da Cultura, que atua como um catalisador na cidade, é atraves dela que artistas e produtores culturais convergem na realização de projetos!!
Pelotas nos anos 80 tinha um enorme fluxo de arte, diversas galerias e exposiçoes importantes.. isso não faz assim tanto tempo!! Percebo que nos ultimos anos Pelotas novamente está lutando pela cultura. Através da Secretaria da Cultura, da UFPel, de açoes de professores do IAD como Pellegrin, que monta anualmente e praticamente "com as próprias mãos" exposiçoes como Arte no Porto, que convergem a produção artística contemporanea pelotense, ou, o diretor Lauer dos Santos que obteve recursos do projeto Monumenta para montar a exposição Interaçoes Urbanas que trouxe artistas de renome internacional em prol de uma mostra pública, pessoas como Daniel Amaro que perseveram, João Bachilli que por anos "sonhou sozinho" o grupo Tholl, e mais uma lista infindável de pelotenses que fazem pela cultura!! que lutam por ela!! e que precisam do apoio municipal! Todos os profissionais da arte e cultura estão engajados na luta pela permanencia da Secretaria de Cultura.. e acreditamos.. que todo o povo que carrega desde suas origens a cultura nas veias!!!!
Anônimo 10 outubro, 2009 07:49
Ter na Câmara de Vereadores alguém que está colocando a cultura em primeiro lugar é, no mínimo, estimulante. É como encontrar um oásis no deserto!!! E quem acredita que ainda se tem muito a fazer deve ir além dos comentários anônimos nos BLOGs e marcar presença na Conferência de Cultura. Lá é o forum legítimo para contestar, marcar território, conquistar...
Anônimo 10 outubro, 2009 10:18
Acho que o lance é ler de novo a segunda parte do texto, a partir de onde diz "Não é tudo, porém". Eduardo Leite vem trabalhando direitinho, busca atuar de forma séria. Não tem como desvincular a cultura do fator história, nosso passado é burguês, não acho que devamos ter problema com isso, problema é o presente pequeno-burguês!! Problema são as reivindicações feitas por gente que não tem legitimidade.
Talvez o Eduardo não tenha se expressado claramente, mas trago aqui uma frase bem legal dele: Não adianta prédios históricos reformados se não tivermos gente dentro deles.
Nós precisamos dessa ruptura, do lance de parar de reclamar e expor a situação, senão vira "vaia de bêbado" e como disse o João Gilberto naquele show antológico: Vaia de bêbado não vale.
Anônimo 10 outubro, 2009 10:20
Bem, parece que vou ser o primeiro a apoiar as palavras do vereador depois de vários partidários da prefeitura atual se pronunciarem de forma tão combativa, acho que os manos e as minas tem que ter seu espaço mas deveriam frequentar boas escolas para ao menos falarem direito e não se envolverem em drogas e bebidas, nada contra o hip hop! acho bem legal, mas virou antro, sei por que trabalho também com isso!!
Quero falar novamente os artistas de Pelotas que tem vergonha na cara e precisam de respeito e que são os verdadeiros artistas estarão na Conferência da Prefeitura onde todos os vereadores aprovaram!!!
Pensem bem queridos anonimos que me antecedem, será que se estes poucos grupos que voces devem odiar por estarem se opondo a bestialidade da atual adiministração tiverem condições de trabalhar eles vão multiplicar, vocês são o passado, o mofo, eles, os que estão levantando o estandarte da cultura, são os que vão deixar um legado para muitos outros! e aos amigos do blog parabéns se não fossem vocês... Corre a boca frouxa que foi criado um grupo de representantes do governo pra vigiar nosso blog amigos de pelotas!! e sempre se manifestarem a favor do governo.abraço amigos da cultura começo novamente a ter orgulho se ser pelotense!!! 
Anônimo 10 outubro, 2009 16:50
A prefeitura não tem política cultural e educacional. No quesito cultura, apenas aplica a verba federal para os prédios e nada mais, para a feira do livro foi um parto ter uma posição participativa, pois até então só lavou as mãos. Na educação que é outro braço importante da formação cultural e social da cidade, fica também a míngua, com professores mal pagos e desvalorizados. O norte dessa administração tem sido gastar as verbas que chegam que poucas prefeituras receberam como tal. O vereador vai na direção de uma das grandes necessidades da cidade que é uma das bases para fortalecer a cidade, pois por essas áreas passa segurança e trabalho e turismo! 
Anônimo 10 outubro, 2009 21:21
O Eduardo Leite, pelo que entendi, deixa o tema da cultura em aberto. Preocupa-se com a manutenção de uma Secretaria da Cultura que deve ser parceira do movimento cultural de Pelotas e que, obviamente, deve desenvolver uma política inclusiva, onde as diversas manifestações culturais tenham presença. Gostei do que li. O vereador fala bem e escreve bem. 
Anônimo 11 outubro, 2009 12:11
Parabéns Eduardo Leite, e parabéns a toda a câmara de vereadores, deveriam ter bom senso assim em outros âmbitos!!! 
Anônimo 11 outubro, 2009 18:03
Ler os comentários que os leitores do blog fazem é, para mim, interessante. Como as interpretações são divergentes! Como cada um vê no texto comentado o que bem quer! O primeiro comentário publicado, por exemplo, põe como escritas coisas que não estão no texto. Chega a dizer que o artigo do vereador fala de que a recuperação de alguns prédios representativos da memória de Pelotas é o suficiente!
Pois, na minha leitura, ele diz exatamente o contrário. Sou eu que não sabe ler ou o comentarista não entende o que leu? 
Anônimo 11 outubro, 2009 21:20
Anônimo das 18:03: não foste o único a ler o texto até o final.
Vereador Eduardo: parabéns pelo excelente trabalho de lembrar à prefeitura que restaurações são importantes, mas que não só de restaurações vive uma cidade. É importante que a comunidade cultural tenha uma voz na Câmara de Vereadores, já que a Prefeitura finge não escutar os trabalhadores da cultura. 
Anônimo 13 outubro, 2009 11:51
Parabéns vereador Eduardo Leite. Pelotas se orgulha de ter um representante como tu. Um rapaz tão jovem e tão responsável, pé no chão, coerente... não negas tuas raízes.
Segue sempre assim, meu rapaz e, quem sabe um dia, não teremos um prefeito decente como tu? Espero que sim, um dia te ver no executivo. Aí poderemos gritar aos quatro ventos: "Pelotas já tem jeito. O Eduardo é o prefeito". Um grande e respeitoso abraço!!! 

Nenhum comentário: