
Mas não bastava tal simplicidade. A gota devia refletir, de modo holográfico, todo o chafariz ao seu redor. O problema é que, além de serem mais rápidas que o olho (e o dedo) humano, elas não o focam com a precisão desejada.

É preciso observar outra coisa muito importante, para ver que se trata de uma foto artística (para uma antologia de obras-mestras), e não o mero resultado de esforço e paciência: a gota d'água não funciona aí como um espelho mas como uma lente, mostrando o lado de lá de quem a vê (não um reflexo do observador), e invertendo a imagem, como fazem as câmeras fotográficas (abaixo).
Portanto, esta homenagem à Fotografia nos mostra como a Natureza é uma organização viva que se observa a si mesma, sem fazer registro em películas e de modo holístico (cada molécula guarda uma imagem do todo). Também podemos dizer que nós, observadores dessa natureza, estamos sendo por ela fotografados em todo momento, nessas gotas d'água, talvez por um divino Observador.
Fotos: P. Rossi (1) e reproduções do Diário Popular impresso de 7-7-12 (2-3)

3 comentários:
Caríssimo, não sei se a intenção do fotógrafo foi essa, mas, tenho certeza, a foto foi captada no momento certo, mágico. Tua perspicácia, também, em observá-lo é dígna da maior atenção e dos maiores elogios. Abraços!
Ao parecer a intenção era essa mesmo, mas como não estava muito evidente na imagem, o editor de web do jornal fez um destaque ao esforço do fotógrafo:
"Foram cerca de mil cliques até atingir a perfeição. O foco foi direcionado à Fonte das Nereidas até que uma gotícula de água se ajustou milimetricamente ao reflexo do Chafariz" (contracapa do dia 10).
O comentário tirou parte da magia e do romantismo, mostrando a imagem como uma foto fabricada. Mas mesmo os trabalhos por encomenda podem ser muito bons se o artista se compromete com o conceito. E neste caso o próprio editor não viu a grandeza espiritual do efeito técnico. No que estamos de acordo é que o Paulo Rossi fez um belo trabalho.
Muito bonito!
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