quarta-feira, 10 de junho de 2009

Quiosque de Nelson Nobre

O poeta e pesquisador Nelson Nobre Magalhães faleceu há dois anos, numa noite muito fria, próxima do aniversário de Pelotas. A conjunção 07-07-07 não lhe foi favorável.

Seu material foi cedido à Universidade Católica, que já trabalhava em parceria com o preservador da memória da cidade. Desde então, esse acervo vem sendo digitalizado (veja o post neste blogue) e está à disposição de quem queira cópias.

Hoje, o projeto "Pelotas Memória" mantém o quiosque de Nelson Nobre e nele expõe partes de sua coleção. Esta semana, veem-se reclames antigos e fotos de ruas de Pelotas em diferentes épocas. Por exemplo: Quinze de Novembro esquina General Neto, em 1909 (esq.).

Na Sete de Setembro com Andrade Neves (dir.), via-se o anúncio do Bule Monstro, lado sul; nesse cruzamento, hoje está o Chafariz das Três Meninas.

Ontem (9), o estudante de jornalismo Bruno, a cargo do atendimento ao público no quiosque, explicou-me alguns detalhes das fotos expostas e da temática abordada na pequena exposição; nestes dias de Fenadoce, com mais turistas nas ruas, a ideia é renovar o material com mais frequência que de costume.

Mensalmente, um programa musical da Rádio Universidade é feito na rua, ao lado do quiosque, reproduzindo uma das iniciativas de Nelson Nobre, a de evocar a música popular do século XX.

A gentileza do atendente é algo importante na comunicação com qualquer interessado, seja turista ou pelotense, e neste caso do quiosque é um fator que contribui à valorização de Pelotas e sua imagem. O profissionalismo e a estabilidade do trabalho ao redor deste projeto de preservação ajudam a mostrar nossa cidade de forma positiva aos visitantes.

Aproveitando para recordar a pessoa de Nelson, posso comentar que seu entusiasmo pela nossa história e sua capacidade de contato pessoal eram tão grandes que ele passava todo o dia falando com quem passasse por ali, da forma mais amistosa e motivante, na linguagem mais apropriada a cada um. Aos turistas oferecia informação gentilmente, falando das características de Pelotas; os pelotenses, conhecia-os pelo nome e comentava detalhes mais próprios de nossa realidade.

Nem todos talvez entendessem essa paixão pela pesquisa; talvez muitos o vissem como simples saudosista - sintomas ambos de baixa autoestima do pelotense e falta de consciência social e histórica.

Lamentável amostra desses sintomas está também no vandalismo: à direita, atrás do anúncio, vê-se o toco que restou de um poste metálico decorativo, arrancado por algum antissocial ou perturbado.

Não quer dizer que a cidade tenha perdido sua cultura, mas que a pobreza e o autodesprezo têm ido crescendo em nosso povo. Chegam a roubar maçanetas das portas, e isso deve ser tratado como signo de uma decadência social importante, deve ser prevenido e subsanado.
Fotos de F. A. Vidal.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Empresa de ônibus promove cultura

Há poucos anos, os ônibus da empresa São Jorge fazem divulgação cultural, como se fossem folhetos ambulantes de informação turística. Mercado, Biblioteca, Paço Municipal ganham desenhos estilizados e um par de frases que resumem a história de alguns prédios mais emblemáticos. O projeto se chama "Pelotas: Cidade Histórica".

Na parada da General Neto próximo à Barão de Santa Tecla, encontrei ontem um veículo que apresentava o Theatro Sete de Abril (dir.). Na traseira (esq.), o texto dizia:

Inaugurado em 1833, hoje é o mais antigo Teatro brasileiro em funcionamento. Seu nome é uma homenagem ao dia em que D. Pedro I abdicou do trono em favor de seu filho. A configuração atual é resultado de total remodelação ocorrida em 1916. Situa-se na Pç Cel Pedro Osório, Zona Central de Pelotas.

Normalmente, os espaços vazios em paredes e veículos são vendidos para publicidade, mas neste caso o instrumento de transporte assimilou um valor cultural, especialmente no que se refere (valha o trocadilho) à autovalorização dos pelotenses.

A empresa São Jorge faz transportes urbanos e rurais, tanto de carga como de passageiros. Existe há trinta anos em Pelotas, e seus inícios foram com a linha - ainda em serviço - que unia a cidade à Colônia Maciel.
Fotos de F. A. Vidal.

domingo, 7 de junho de 2009

O calçadão é de todos e de ninguém

Num dia de calor que houve em maio, a lancheria e restaurante Ponto Chic aproveitou a oportunidade para atender fregueses ao ar livre e colocou uma dúzia de mesas no calçadão da Sete. Como os transeuntes são poucos e a mentalidade é provinciana, ninguém achou estranho que o comerciante ocupasse todo o setor central da rua, como se fosse parte do restaurante, até com um cartaz no lado oposto, deixando espaço para os passantes somente junto às lojas. Em cidade pequena, e não somente nos calçadões, o espaço público é usado sem limites, sem respeito e sem reclamações.
Foto de F. A. Vidal.

sábado, 6 de junho de 2009

Um encontro com Guimarães Rosa

Na reunião cultural de junho, nesta quarta-feira (3), o jornalista Pablo Rodrigues trouxe para debate "A terceira margem do rio", conto de João Guimarães Rosa (leia o texto) que faz parte do livro de 1962 "Primeiras Estórias", onde o autor escreve sobre personagens encardidos, órfãos e sujos, mostrando a beleza e a inocência da loucura e da miséria humana.
Após ser apresentado pela psicóloga Camila Muswieck, o palestrante falou sobre a história e obra do escritor mineiro, nascido em 1908 e falecido em 1967, três dias após assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Rosa formou-se médico aos 22 anos e entrou, aos 26, para o serviço diplomático. Mas sua verdadeira vocação era a literatura e os idiomas (leia sua biografia). "Grande Sertão: Veredas" (1956) é a grande obra da literatura brasileira e pode ser colocada entre as grandes obras da literatura universal.
Num segundo momento, Pablo propôs que os presentes - ele e mais 8 pessoas - lêssemos as 5 páginas do conto, e daria dois parágrafos para cada um. Otimista, ele trazia 20 cópias, mas mostrou preferência por um grupo menor, que favorecia o diálogo e o encontro pessoal. Assim, a discussão foi facilitada, tanto nas informações intelectuais quanto nas emoções que iam por trás da leitura.
No grupo, homens e mulheres acharam o texto inquietante e até angustiante, identificando-se com os filhos ou com a esposa do homem que abandonou sua família. A interpretação do sentido ficou aberta, em várias linhas possíveis: esquizofrenia, morte, memória e separação.
Não somente os leitores sofrem um choque ao aprofundar-se neste conto; o próprio autor ficou impressionado ao escrevê-lo, sentindo, de uma vez, que toda a ideia do texto já estava pronta em sua mente. Sentimental, Pablo confessou que, mesmo não podendo chegar aos pés de Guimarães Rosa, este era seu próprio modelo literário, que o havia tocado em todo sentido.
A palestra agradou muito aos presentes, tanto pela riqueza do assunto como pela possibilidade de participar ativamente. Também posso comentar que, sendo esta a terceira reunião organizada pela nova diretora cultural da Sociedade, a jornalista Inês Portugal, todos os convidados compartilham uma viva e profunda paixão pelo tema estudado, sempre na área da literatura (os anteriores foram José Volcato e Maristela Machado).
Fotos de F. A. Vidal.

Fotografias de Pelotas e Jaguarão

A Sociedade Científica Sigmund Freud é um centro de estudos na área psicológica que também funciona como espaço cultural e extensão à comunidade; além de uma palestra mensal sobre algum tema artístico ou humanístico, a sala de reuniões Sérgio Abuchaim acolhe amostras de artes plásticas. As fotos e quadros aqui expostos são vistos pelo público que assiste às palestras e aulas aqui ministradas.
Em junho, estão expostas neste auditório fotografias de Neusa Marilu Pérez Duarte: montagens de fotos de Pelotas e várias imagens dedicadas à Ponte Internacional Mauá, Brasil-Uruguai. Pela sua dimensão e pelo cuidado com que mostram esse verdadeiro símbolo da comunicação entre culturas, tentei reproduzir algumas delas até onde os reflexos permitem. Acima e abaixo, detalhes que me pareceram expressivos quanto à composição e ao simbolismo.

Cinema, gastronomia e educação

Na reunião cultural de maio, a Sociedade Científica Sigmund Freud convidou a professora de francês Maristela Gonçalves Sousa Machado, que expôs sobre as relações entre o cinema e a gastronomia, especialmente no filme "A Festa de Babette".
Mestre e Doutora em Letras pela UFRGS, Maristela começou falando sobre a importância do texto fílmico - que trabalha imagem, palavra e sonoridade - para a educação do pensamento. Segundo dados de 2007, 14% dos brasileiros vão ao cinema com alguma frequência, sendo que 60% nunca foram. Em Pelotas, sabe-se somente de uma escola que usa este recurso educativo, no Laranjal.
Relacionando imagem, palavra e sabor, a professora (dir.) trouxe uma lista de filmes e cenas famosas em relação com a cozinha e seus significados humanos (os presentes colaboraram, em diálogo com a expositora): "Como água para chocolate" (1992), "Comer, beber, viver" (1994), "A teia de chocolate" (2000), a comida chinesa em "Blade Runner" (1982), a refeição com a sola de sapato, em "Tempos Modernos" (1936), os pepinos em conserva de "Adeus, Lênin" (2003), o namoro com a garçonete em "Melhor Impossível" (1997).
"A festa de Babette" (1987) é um filme dinamarquês, dirigido por Gabriel Axel, baseado no livro da baronesa Karen Blixen (1885-1962). No original em dinamarquês e em todos os idiomas em que foi traduzido, o título traz a palavra "festim", no sentido de "banquete" - só em português ficou como "festa". A escritora (esq.) é mais conhecida pelo livro autobiográfico "A fazenda africana", também filmada ("Entre dois amores" ou Out of Africa, com Meryl Streep).
A comparação entre o livro e o filme é um verdadeiro festim para os sentidos e o espírito. Observa-se a concisão do texto escrito, numa aspereza que sintoniza com a aridez do ambiente rural onde se situa o banquete. Mas a riqueza de sabores, que é impossível mostrar no cinema, aparece na linguagem fílmica, como movimentos e pausas, cores e sombras, vozes e omissões.
A palestra teve que terminar deixando um gosto de querer mais; era somente um aperitivo para seguir pesquisando e desfrutando do cinema e suas delícias menos visíveis.
Um livro de referência é "O cinema vai à mesa - histórias e receitas", de Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert, que a professora trouxe para que ficássemos ainda com mais água na boca (dir.). Os autores entregam as receitas de pratos doces e salgados que aparecem em alguns filmes, como por exemplo "Maria Antonieta" (2006).
Fotos da web (1 e 3) e F.A. Vidal (2 e 4).

Orquestra Filarmônica na Fenadoce


A Feira Nacional do Doce 2009 começou nesta quarta-feira (3), e dentro dela três palcos de shows programam música, dança e teatro, além de festivais de cinema e de bandas musicais. São cerca de 200 apresentações, sendo impossível falar de todas num só meio de comunicação.

A Orquestra e Coro da Sociedade Música pela Música organizou um espetáculo popular com canções românticas, dia 12 de junho, dia dos namorados, às 21h. Para promovê-lo, este ano há um vídeo de provocação, criado pela Insight/Incomum, com edição da Zap Filmes. O próprio maestro Sérgio Sisto saiu às ruas com alguns músicos para seduzir o público da praça Osório com a canção Carinhoso.

Numa brincadeira assim, só pode predominar o bom humor, sem crítica. Para possíveis turistas interessados, quero frisar que a orquestra e os cantores fazem bem mais bonito do que se vê neste teaser comercial. Espera-se um show de uma hora, com algumas peças instrumentais, alguns solos de óperas, muita canção italiana e uma ou duas brasileiras.

Restaurante noturno expõe quadros

Há cerca de três anos, o pub João 100 Gilberto passou a receber exposições de quadros em seu recinto. Mesmo sendo um bar e restaurante com shows musicais, a casa inclui as artes plásticas em suas paredes, como uma forma de valorizar o espaço estética e socialmente.

A cada quatro ou cinco semanas, um grupo novo de obras é inaugurado, com os artistas presentes como se acostuma em vernissages, mais ou menos das 19h às 21h, quando começa a música ao vivo.

Nestes dias em que o MAPP comemora 9 anos de existência, seus integrantes expõem quadros, que podem ser vistos a partir das 15h, mesmo que o atendimento de bar só comece às 19h.

Muitos artistas preferem exibir seu trabalho em lugares pouco usuais, longe das galerias e museus. No entanto, as casas noturnas não são espaços culturais e sim lugares de diversão, onde se bebe, se fuma, se dança e se ouve música em alto volume. Além de deteriorar o estado das obras, o ambiente cheio de pessoas e ruído as deixa em último plano na percepção, geralmente mal iluminados ou mesmo na penumbra.

Uma das peças que nesta ocasião, antes das 18h, encontrei com bom destaque visual foi o mosaico de Raquel Grinberg, próximo da entrada aos banheiros, onde muitas pessoas ficam de pé e podem até ler o preço de venda.
Fotos de F. A. Vidal.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Anhangüera perde o trema mas não o U

O grupo de faculdades Anhanguera chegou a Pelotas pela compra da Faculdade Atlântico Sul, há dois anos. A organização paulista tem mais de 50 sedes em sete Estados, crescimento obtido em somente 14 anos de existência.

Com a abolição do trema, algumas pessoas que desconhecem a palavra tendem a não pronunciar o U - seguindo a regra de pronúncia do nosso idioma.

Segundo a Wikipédia, anhang-uea significa em tupi-guarani "alma antiga" ou "diabo velho", e o nome tem sido dado a instituições e logradouros em homenagem ao bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, assim apelidado pelos índios.

A Wikipedia em inglês traz mais informação sobre esta palavra, até incluindo a Anhanguera Educacional S.A., que a versão em português ignora. Mas ainda não descartou o trema.

No Brasil, pronuncia-se o U de "Anhanguera" desde que a palavra entrou em uso, no século XVI. A ausência do trema fará que alguns, por ignorância, digam ANHANG-ERA. Mas o certo sempre foi e será ANHANG-UERA.
Foto de F. A. Vidal.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Grupo pelotense faz indie rock


Hello! Does he feel the pain? / I know he's on his way / home, and I don't think he's gonna make it. / Get high, I know that he'll fake it.

Hey Mr. Rolling Stone, / you'll never find your home. / All memories are gone. / Please never be alone.

Hey now, he's leaving today / For another new place / Home, I don't think he's gonna make it / Get high, I know that he'll fake it.

A banda pelotense The Raves está formada pelos músicos (todos com 18 anos): Guilherme Castilhos (guitarra, voz, teclado, composição), Joaquim Mota (baixo, voz, composição), Matheus Costa (guitarra e voz) e César Gularte (bateria).

Eles fazem covers de pop-rock como Beatles e Queen, e o que se chama indie rock (rock independente) mas também escrevem suas próprias músicas - costumeiramente com influência britânica - como a do vídeo acima, Mr. Rolling Stone, gravada em 2007. No blog Amigos de Pelotas há um post com a música Carolline.

É inevitável a comparação com Oasis, mas também com quartetos dos anos 60. The Raves parece inglês, e respeita até o sotaque de Liverpool, mas o grupo já tem uma música composta em português. Eles já se apresentaram em bares de Pelotas e outras cidades, e têm apresentação marcada para 17 de junho no pub João 100 Gilberto.

Unidades da UFPel em reforma

A atual reitoria da UFPel tem feito investimentos importantes em prédios, está abrindo novos cursos e tem iniciado projetos ambiciosos, como a mudança do Campus Capão do Leão, criação de um centro de saúde e transformação do antigo Anglo em campus central, com shopping e cinemas. A compra do Teatro Guarani e a construção de um novo aeroporto são ideias ainda no ar. Paralelamente, faltam inversões maiores em pessoal e em serviços à comunidade.

Destaco dois exemplos de reformas inconclusas: o prédio da antiga Escola de Belas Artes, na Marechal Floriano com Barão de Santa Tecla, e o salão de concertos do Conservatório de Música, que apresentei num post anterior.

Em março, quando se completaram 60 anos de fundação da Escola, o reitor confirmou a continuação desta reforma e anunciou sua intenção de devolver à EBA (hoje Instituto de Artes e Design) o antigo nome de Carmen Trápaga Simões, que doou o prédio à Escola (veja histórico).

Atualmente, as obras avançam pelo lado da Floriano (acima), com notória diferença do aspecto pela rua transversal (dir.). Os pedestres se veem obrigados a mudar de calçada.

O prédio do Conservatório de Pelotas é emblemático por ser um casarão do século XIX e por um antigo enredo administrativo. O local físico depende da Prefeitura, a gestão educacional está ligada à UFPel, e as questões trabalhistas se resolvem em Brasília. Na sua fundação em 1918, o Conservatório foi uma entidade autônoma, passou depois à Prefeitura e desde 1969 é unidade universitária.

O Salão Milton de Lemos data de 1940, e seu mobiliário original foi conservado até 2008. No aniversário nº 90 da instituição, foi anunciada a compra de novas cadeiras. No verão passado, elas foram aposentadas para sempre. Hoje o espaço está limpo e vazio, à espera dos móveis (esq.). Em função disso não se realizam recitais desde dezembro, e possivelmente a burocracia nos faça esperar mais alguns meses.

Se há 70 anos, com a reforma do prédio, aulas e concertos se transferiram para a Biblioteca Pública, por que hoje não se faz algo parecido, para manter a produção e o estudo musical?
Fotos de F. A. Vidal.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Vida Norte, jornal pelotense

Na Cohabpel, um jornal é publicado mensalmente há 16 anos, e ainda tem aparência de novo. Quem deu a ideia foi Cláudio Montanelli, um dirigente visionário e empreendedor do Grêmio Esportivo Brasil. O esportista Airton Leite de Moraes (dir.), natural de São Leopoldo, encarregou-se da edição e produção, todo este tempo. Ele conta sobre as origens:

Era inicialmente um informativo para os condomínios do 2º e 3º Planos da Cohabpel, ao qual chamei de Habite-se (uma alusão à dignidade de morar, pois imóvel sem o "habite-se" sugere subcondição, coisa que o conjunto nunca teve). Sou editor de produção e ghost writer para o pensamento dos gestores e do mantenedor do jornal.

O diagramador, André Barbachan, está comigo desde o começo e praticamente cresceu com o Vida Norte. Recém havia chegado à cidade, oriundo do Herval. É hoje estudante da UCPEL em Artes Visuais.

Rodado desde o início na Gráfica Diário Popular, mudou de nome há cinco anos. Airton criou o nome e o design de capa: Vida Norte - alusão ao bairro pelotense (zona norte da cidade) e ao ponto cardeal da bússola, símbolo também de nossa orientação na vida. A Zona Norte é um excelente lugar para viver, e tem crescido mais rápido que o resto da cidade.

Fiquei sabendo da existência deste jornal em fevereiro passado, pedi informações e Airton deu o retorno. Mas, em vez de se deixar entrevistar primeiro - ao ver que eu havia começado este blogue - enviou-me uma lista de perguntas a modo de entrevista, e na edição de maio publicou minhas respostas, na contracapa.

O comunicador tem também um blog, sob o título Autor Próximo, onde veicula suas colunas que saem cada segunda-feira no Diário da Manhã. Dias após ele ter me deixado exemplares do nº 49 do Vida Norte no Café Aquários, nos encontramos ali mesmo e trocamos fotografias; novamente ele tomou a dianteira e me publicou em sua coluna, que saiu em seu blogue e no Diário da Manhã. Minha obrigação agora é repassar aos leitores a informação que ele me entregou sobre este jornalzinho de bairro, idealista e heroico.

Cada mês, os 2 mil exemplares do Vida Norte são distribuídos na Cohabpel, em restaurantes da cidade e no Quiosque de Nelson Nobre. Correspondência para vidanorte @ yahoo.com.br

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Pelotas e suas belezas


Saiu um clipe com gravação de estúdio para a música "Pelotas" de Kleiton e Kledir, interpretada já duas vezes em nossa cidade, como mencionei num post anterior. A vantagem é que o áudio permite entender a letra bem melhor que nas gravações até agora disponíveis.

Esta é uma das músicas mais ingênuas e simples da dupla, mas conseguiu a aprovação dos pelotenses, pois os irmãos Ramil conhecem bem nossos lugares e nossas preferências.

Já as imagens do clipe não refletem o mesmo conhecimento presencial de Pelotas; se baseiam no álbum pessoal dos cantores, acrescentando algumas escolhidas pela internet. O vazio se faz imperdoável quando a letra menciona as gurias lindas por metro quadrado.

Onde elas foram parar?

Para compensar essa baita falta, estão aqui algumas dessas lindas pelotenses:

Gabriele Rocha (acima, foto de Suzy Alam), Rainha da Fenadoce 2008, Miss Pelotas 2010, que nesta sexta-feira (29) recebe a faixa de sua antecessora Bruna Peter.

Taíse Rodrigues Dias (dir.), nossa Garota Verão 2005 e única pelotense a ganhar o concurso em todo o Estado - então aluna do Colégio Municipal Pelotense; pela agência pelotense Maxi Models já obteve colocações como bailarina e modelo internacional. Hoje está trabalhando como modelo na China.

Há milhares delas, e mereceriam várias canções de Kleiton, Kledir e outros.
Foto 1: Flickr.
Foto 2: site CMP.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Luminárias solitárias



As luminárias que estão sendo utilizadas em renovações urbanas em Pelotas são de um só modelo, mas, como é lógico, em cada lugar ganham aspecto e significado diferentes.

No Parque Dom Antônio Zattera (dir.), elas se misturam com as árvores e passam despercebidas durante o dia, especialmente com tempo nublado como foi neste domingo (24).

Sua forma parece desenhada para fazer parte de um bosque: talo alto e copa pequena, feita de luz em vez de folhas.

À noite é quando elas assumem sua função, enquanto as verdadeiras árvores dormem na sombra.

Já defronte ao Guarani (esq.), o mesmo tipo de objeto chama a atenção por seu contraste, parecendo um solitário visitante de um espaço estranho. Não que fique feio ou bonito, mas não consegue identificar-se com o ambiente.

Nesse trecho da Lobo da Costa, as árvores não existem nem serão colocadas, pois prejudicam a visão dos prédios. Entretanto, as luminárias antigas, bem mais altas e colocadas em postes, não foram retiradas; somente desativadas.

Nesse contexto, o desenho moderno mantém a funcionalidade à noite, mas de dia obtém um efeito de contraposição, e não de harmonia como no parque.
Fotos de F. A. Vidal.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Parceria entre pintor e escritor

Há uma semana, o pintor e escritor Manoel Soares Magalhães criou dois blogues : um literário, no qual reedita seu livro mais recente, e um sobre sua pintura naïve, que comentei aqui antes (veja o post).
Jornalista formado nos anos 70, Manoel desenvolve posteriormente uma vocação literária, começando por reportagens e contos, passando por uma peça de teatro e chegando ao romance, onde já publicou três títulos e prepara o quarto.
Há poucos anos, inicia silenciosamente um caminho nas artes plásticas, autônomo em relação a academias artísticas e em aparente desconexão com a literatura. Nesse caminho, o da pintura, seus resultados se podem perceber como mais expressivos e sugestivos, mais complexos e de mais longo alcance (no tempo e no espaço).
Os dois blogues de Manoel não têm relação entre si, mas o segundo é o que mais promete em termos da construção de um novo discurso (autêntico e também criativo em relação ao nosso contexto artístico). Se Manoel já surpreendia por sua inquieta e inquietante multiplicidade, agora nos mostra seu talento integrador.
Neste blogue-folhetim, ele divulga em trechos seu romance "Vampiros", relatos sobre o submundo marginal de Pelotas, escritos num estilo que também pode considerar-se, literariamente, marginal.
Ao entrar no endereço acima, aparece este aviso:
"O blog que você está prestes a abrir possui conteúdo adequado somente para adultos".
Imagens eróticas? Não; somente uma linguagem meio forte, própria da marginalidade social. Como exemplo, veja as primeiras linhas do livro (post de 21 de maio):
Gosto de gatos. Até bem pouco tempo atrás havia um cagando e mijando em meu apartamento. Pinguço era seu nome. Enorme e preto, pelo luzidio, extremamente preguiçoso. Gostava de vodca, o danado!

Com esse longo nome (tipo jornalístico), o autor apresenta seu ateliê virtual de arte naïve. Cada imagem vem acompanhada de um breve texto. Imaginamos que ele terá sido feito pelo escritor, mas não; eles respeitam o espaço um do outro. Cada qual no seu blogue. Aparece aqui um terceiro personagem, que faz a conexão entre os dois que conhecíamos, ou acreditávamos conhecer.

Eis aí a versatilidade de Magalhães para assumir um novo gênero: mais do que a simples soma de literatura e pintura, percebemos por primeira vez uma voz central que representa Manoel como um todo e o faz nos dois idiomas: o visual e o verbal. Quem fala não é um crítico nem um publicista, mas o artista propriamente; sua voz não explica nem elogia o que vemos, mas testemunha o que a pessoa nunca havia dito. A seguir o que ele postou dia 21 de maio último:

A pescaria de Deus

Minha mãe costumava dizer que Deus é um pescador. Comentava isso ao pé do fogão a lenha, olhos dançarinos, velado sorriso nos lábios. Fala mansa, recomendava-me ficar atento a Ele, pois seu "anzol" a qualquer momento poderia desabar diante de nosso nariz, tentando-nos.

Eu ficava muito sério, imaginando o que o Senhor haveria de querer conosco, grandes pecadores que éramos - no dizer do padre Agostinho no alto do púlpito, olhar de fogo. Experimentando abalos no corpo, às vezes eu corria em direção ao campo aberto e ficava olhando as alturas na expectativa de ver o tal "anzol".

Jamais ele balançou à minha frente como minha mãe argumentara, mas, claro, "ele" existe e se nós permitirmos seremos, sim, fisgados pelo Senhor que está sempre disposto para uma "conversinha" a sós conosco.

Duas sugestões formais para aprimorar o texto: revisar melhor acentuação e ortografia, e recordar a diferença entre naïf (masculino) e naïve (feminino).
Imagens de M.S.Magalhães.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Hotel Tower estreia com Rita Lee

Durante anos, as obras do hotel Jacques George Tower ocuparam a calçada da Almirante Barroso com Sete de Setembro, onde funcionou a antiga SMUMA (Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente). Somente uma passarela de madeira facilitava o trânsito de pedestres.

Em 2008, a passarela foi retirada e não foi mais possível caminhar por ali. A calçada ficou totalmente bloqueada (dir.). A paciência dos pedestres teve que acompanhar a demora das obras; quem quisesse passar, que caminhasse pela rua (abaixo).
Não houve fiscalização todo esse tempo, nem respeito por parte dos responsáveis. Nem lei, nem ética.
Dia 9 de maio, a passagem começou a ser liberada. Foi retirado o tapume - pois passarela já não havia - e a calçada ficou transitável.
Compare a foto acima com a de baixo; são exatamente do mesmo trecho.
O hotel estava finalmente pronto. Seria inaugurado o segundo Jacques George em Pelotas, com certeza agora para a última sexta-feira de maio (29). Em 2006, esperava-se que o hotel abrisse em 2007 (veja a notícia). Depois o anúncio foi para 2008.

O primeiro Jacques George funciona desde 2003, com 40 apartamentos, na Gonçalves Chaves.
O JG Tower, segundo hotel do Grupo Jacques Halal (dir.), tem o dobro da capacidade, e bastante mais luxo, com suites para hóspedes VIP, salão de convenções, piscina e sauna. A estreia das suites será antes da inauguração, nesta terça-feira (26), pela cantora Rita Lee e seu marido Roberto de Carvalho, que darão um show no Teatro Guarani na quarta (27).
Também há planos de um restaurante internacional neste hotel, com uma cafeteria na recepção e uma loja de venda de doces de Pelotas.

Também em 2008, a empresária Jacqueline Halal anunciou a construção de um terceiro hotel (veja a notícia), com a expectativa de que antes do fim desse ano as obras iniciassem. Um ano depois, somente se realizou o acabamento do Tower.
O terceiro JG, que terá outro nome, será mais popular, com 148 apartamentos, a preços de não mais de cem reais, sem frigobar, com ar condicionado, TV, telefone e cama-box. A localização será na Santa Cruz com Tiradentes, justamente atrás do primeiro JG.
Ainda não foi anunciado, mas fiquei sabendo que Jacques Halal já adquiriu todo o terreno e prédio do antigo Salis Goulart (defronte ao primeiro hotel da rede). Dizem os comentários que o novo estabelecimento será um hotel ainda mais barato e rotativo, mas, a julgar pelo ritmo já observado na construção, alguns anos mais se passarão (e bastante dinheiro rolará) até que o quarto hotel seja uma realidade.
Fotos de F. A. Vidal.

Homenagem à arte japonesa

O Ateliê Giane Casaretto preparou neste primeiro semestre uma forma de homenagear simultaneamente, com seu desempenho artístico e técnico, o centenário da imigração japonesa no Brasil e a pintura dessa cultura oriental.

No Corredor Arte do Hospital-Escola, 15 alunas de Giane e ela mesma expõem 25 telas nesta temática, até quarta-feira (27).

Em junho, o Ateliê comemora 18 anos de atividades, com sucesso crescente, sempre com muita capacidade de inovação e de inserção na comunidade.

Nesta escola, cada pintora tem ido encontrando suas linhas próprias e marcando estilos pessoais que gradualmente se fazem inconfundíveis. É a mão da mestra que convida os artistas a soltarem a imaginação e a autenticidade.

O grupo já se acostumou a homenagear datas importantes, grandes artistas e figuras da humanidade, em oportunidades que servem para ganhar conhecimentos e desenvolver novas técnicas.

O exercício consistiu em conhecer os modos em que o japonês retrata paisagens e detalhes da natureza. Traços simples, cores vivas, combinações sóbrias, poder de síntese - cada uma dessas maneiras peculiares do artista oriental foi tomada pelas pintoras dentro de seus estilos, já delineados no trabalho de vários anos (clique nas fotos para ampliar).

Lúcia Rizzolo obteve efeitos de textura áspera nos "Bambus", provocativos ao olhar e ao tato (foto 1).

As "Folhas" de Carla Borin são mais sutis e femininas, aproximando-se de um contexto orgânico e humano (foto 2).

Rosamélia Ruivo reproduz uma forma simples de ver um mundo natural, imenso e cheio de nuances (detalhe do "Díptico", foto 3).

Lilian Prates (abaixo) faz algo parecido, mediante uma linguagem abstrata de cores e vagas formas.

Todos os quadros se encontram à venda, a maioria por preços entre 80 e 120 reais. O mais caro neste grupo é a "Flor" (R$ 250), quase solene em sua simplicidade, de Maria Lúcia Drummond (foto 4).

Ante o trabalho que surgiu de uma inspiração comum, o espectador tende a maravilhar-se com a forma em que tal diversidade de resultados leva de volta à unidade original. Quando a percepção do espírito é profunda e a expressão é verdadeira, o efeito que se obtém é parecido à contemplação do Universo: cada detalhe é diferente do outro, mas se complementa com uma vibração unitária invísivel.
Fotos de F. A. Vidal (1-4).


domingo, 24 de maio de 2009

Dia do Café

A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) promove desde 2005 o Dia Nacional do Café, em 24 de Maio.

O dia celebra o início da colheita do café e homenageia esta bebida consumida por 93% da população brasileira. Em Santos, o Museu do Café registra a história desta riqueza nossa e divulga o consumo da bebida.

"A data comemora toda a cadeia produtiva, do grão à xícara, e enaltece todos os segmentos que investem continuamente para oferecer ao consumidor brasileiro um café de qualidade, com muito aroma e sabor", diz Guivan Bueno, presidente da ABIC.

O Brasil é o maior produtor (32,9 milhões de sacas na safra 2005/2006) e maior exportador (26,6 milhões sacas em 2005) de café do mundo (veja a notícia).

Em Pelotas, somente o Diário Popular (site não disponível) lembrou a data, mencionando o Café Aquários, principal e mais antigo café da cidade, cujas vendas de café são também as maiores no Estado, como loja individual. A maioria dos consumidores prefere o cafezinho, mas aqui também se prepara a bebida com sorvete, creme, merengue e diversos licores.

O Café Armazém (acima) hoje esteve fechado (esq.), como todo domingo, apesar de localizar-se num shopping, onde há fluxo de clientes para o cinema – no qual não se serve café.

Cafés de boa qualidade e diversas apresentações também são servidos na Feira (Quinze e Galeria Malcon), Croasonho, Confeitaria Otto, Doçaria Pelotense, Grão de Café, Isa Gastronomia, Pingo Doce, Café.com, Café Vitrô, Galeria Firenze, Galeria Central, Dom da Palavra, Márcia Aquino e Café Rivoli, entre outras doçarias e confeitarias.
Fotos 2-3: F. A. Vidal.