quarta-feira, 11 de março de 2009

Sul-Rio-Grandense, dois hífens e maiúsculas

Presidente assinou Acordo e falou aos escritores.
Um idioma moderno precisa de normas gráficas que sejam comuns aos países usuários. Isso não significa desfazer as idiossincrasias; somente se trata de concordar quanto à acentuação, hifenização e maiusculização. Todas as variações (regionais e pessoais) seguirão existindo e dando sabor às palavras.

Validando a visão globalizada, Lula visitou a Academia Brasileira de Letras (dir.). Não ia ensinar-lhes nada (nem perguntar); foi somente um encontro político, entre trabalhadores desse país: o companheiro Presidente e os companheiros escritores.

Sete nomes de uma escola
Não bastando as inovações do recente Acordo, ainda encontramos dúvidas nas regras clássicas do português. Um desses casos é o nome da instituição pelotense que mais tem passado por mudanças (no Brasil ou no mundo?):
- 1917: Escola de Artes e Officios,
- 1930: Escola Technico Profissional,
- 1933: Instituto Profissional Technico,
- 1942: Escola Técnica de Pelotas,
- 1965: Escola Técnica Federal de Pelotas,
- 1999: Centro Federal de Educação Tecnológica de Pelotas, e
- 2008: Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia Sul-Rio-Grandense.
Para complicar um pouco, a lei federal criou, entre outros IFETs, o Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Rio Grande do Sul, mas este último não tem o problema que veremos aqui.

Onde vão os hifens e as maiúsculas dentro da palavra composta? A forma que vale é a usada em documentos oficiais, ou a norma oficial da língua? (veja um exemplo dramático na imagem abaixo à direita). Documentos pode haver milhares, tantos quantos forem os autores e digitadores, mas a norma é uma só. 

O hífen em toponímicos
Os dicionários registram "sul-rio-grandense", da mesma forma como se constituem os adjetivos toponímicos de nomes compostos: quando o topônimo tem duas ou mais palavras, o adjetivo as incorpora e lhes conserva a independência mediante hifenização. A regra seria: se o nome do lugar tem mais de uma palavra, o adjetivo vai com um ou mais hifens.
  • América do Norte: norte-americano.
  • América Latina: latino-americano.
  • Mato Grosso: mato-grossense.
  • Porto Alegre: porto-alegrense.
  • Rio Grande do Norte: norte-rio-grandense ou rio-grandense-do-norte.
  • Três de Maio: três-maiense.
Um documento oficial pode ferir a língua
mas as normas é que predominam.
Ainda essa é a norma, até que os gramáticos decidam que se trata de "unidade de sentido inseparável". Assim está nos dicionários, que poderiam ser consultados pelos legisladores, em vez de decidir a grafia por conta própria. A ortografia da língua tem força de lei, e os redatores deveriam dar o exemplo.
As palavras compostas têm elementos independentes, cada um com acentuação própria (água-marinha, iê-iê-iê, pé-de-meia, toma-lá-dá-cá, zé-ninguém).

Iniciais em palavra composta
A mesma autonomia vale para colocar as maiúsculas em palavras compostas (quando são nomes próprios): Estado-Maior do Exército, Grã-Bretanha, Instituto Médico-Legal, Programa de Pós-Graduação, Pró-Reitoria de Extensão.
Quando deva usar-se maiúscula em nomes não próprios por ser início de frase, o indicado é não usar maiúsculas nos elementos internos da palavra composta (ou seja, diminui a independência das palavras):
Estados-membros estiveram representados.
Pró-reitores convocam funcionários.
Rio-grandinos festejam patrono.
O nosso idioma tem várias complicações como essa. Outra delas é que hífen tem acento mas hifens não.
Imagens da web.

2 comentários:

tecersentidos disse...

Tsi, tsi, ... que confusão mesmo!
Mas se, em janeiro de 2009, fizeram uma pesquisa e ficou demonstrado apenas o STF ter "preparado" seus funcionários para "colocar em prática" o Novo Acordo, que "Acordo" é este?
Um "acordo" (com minúscula!) em que o Legislativo aprova, o Executivo assina mas só o STF "faz vigorar"...?!
Muito boa matéria, Francisco!
Bj! Tê!

Francisco Antônio Vidal disse...

Os brasileiros desinformados do idioma (não somente do Acordo) são a maioria da população; além de empregados e alunos, inclui os próprios governantes, e até autoridades educacionais.
Se eu dirigisse uma instituição com um nome tão longo e complicado, faria uma campanha junto à imprensa para mostrar o certo.
Como há 3 IFETs no Estado, creio que já foi ou está sendo vista uma nova mudança nos nomes, mas não achei a informação na internet.