quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Melhorar a leitura, em três níveis

Transformar o Brasil em uma sociedade leitora é condição fundamental para a qualificação da democracia e da relação com as artes, com o patrimônio histórico e cultural ("leitura" não somente de mensagens escritas, mas de todas as formas de comunicação).
Esta ideia - ambicioso objetivo - se encontra no Projeto Nacional de Cultura (PNC, 2ª ed.), do Ministério da Cultura (veja o texto, p. 45-46).
Diz o PNC que saber ler palavras é exercer a capacidade mental de compreensão do mundo.
  • Do ponto de vista social, quem aprende a interpretar o mundo se faz cidadão efetivo, vê soluções para os problemas da sociedade, ajuda na criação de uma cultura de paz e criatividade.

  • Do ponto de vista mental, quem decifra os signos escritos - e interpreta seus múltiplos significados - está pensando sobre a realidade, sobre si mesmo, sobre a vida e o ambiente. Quem pensa: ordena ideias, analisa e resume informações, relaciona dados de várias fontes, aplica o que sabe a diversas áreas, critica vantagens e desvantagens sob diferentes pontos de vista.
Analfabetismo absoluto (não soletrar)
Em 2006, calculou-se em 10,4% o analfabetismo absoluto dos brasileiros, equivalente à Europa do século XIX. Em 2005, o IBGE havia informado 11,1% entre os maiores de 15 anos. A diminuição num ano foi de 0,7%.

A queda do analfabetismo de 1996 a 2006 significa 29% de melhoria, mas isso ainda mantém o Brasil no incômodo penúltimo lugar no ranking de alfabetização na América do Sul: somente a Bolívia tem um índice maior de analfabetismo (absoluto): 11,7% (veja a notícia).
Analfabetismo funcional ( não compreender)
Não se trata simplesmente de erradicar o analfabetismo absoluto, o conhecimento mais básico das letras. Igualmente nefasto para a sociedade é o analfabetismo funcional, o de quem domina o alfabeto de modo precário: lê mas não compreende, junta letras mas não conhece palavras, decifra signos mas não capta significados.
Analfabetismo secundário (não ter o hábito)
O analfabetismo secundário é o daqueles que, tendo sido alfabetizados, não leem por uma desvalorização social da leitura e pelo pobre acesso a livros, revistas, jornais e internet.
O índice citado acima (10,4) sobe para 45% quando se avalia quantos brasileiros não são leitores.
O índice nacional de leitura é de 4,7 livros por pessoa ao ano - incluindo-se os livros indicados pela escola (sem eles, a média cai para 1,3). Um francês lê em média 7 livros ao ano; um colombiano, 2,4 (segundo pesquisas com métodos diferentes).

Alfabetizar em três níveis
Dessa visão triplamente negativa percebida pelos sociólogos e políticos, extraímos os três aspectos positivos da alfabetização, que são nossos recursos e nossos desafios:
  • 1. Alfabetização absoluta.
    Se 89,6% sabiam soletrar no Brasil em 2006 e a cada ano o índice pode subir 0,7 - então em 2010 (mais um semestre) 92,4% terão o alfabetismo mais básico.

  • 2. Alfabetização funcional.
    Boa parte dos já alfabetizados no sentido absoluto - talvez um terço - requer ajuda para superar este nível mais primário e poder compreender o que eventualmente lê.

  • 3. Alfabetização secundária.
    A porcentagem de 55% de brasileiros que costumam ler - apesar de nossa cultura não valorizar o estudo - precisa de apoio para não passar ao outro lado, e para sobrepor-se ao resto, com seus hábitos mentais positivos.

Saiba mais sobre o Movimento por um Brasil Literário, que busca difundir a leitura literária.
Imagens da web

Um comentário:

Teresinha Brandão disse...

Muito boa matéria! Aliás, se me permite uma sugestão, que tal colocar o link para os leitores acessar o Manifesto por um Brasil Literário? Não é muito mas ajuda...!
Limk: http://www.brasilliterario.org.br/