domingo, 1 de março de 2009

As células de cor de Francis Silva

A artista plástica potiguar Francisca Alves da Silva está expondo 11 quadros seus em acrílica sobre papel, até 4 de março, no Corredor Arte do Hospital-Escola da UFPel. Ela veio em 1996 do Rio Grande do Norte a Pelotas, graduou-se em Artes Visuais e cursou, aqui também, um pós-graduação em Patrimônio Cultural.

Junto a uma criatividade mais abstrata e universal, onde a cor é a protagonista central, Francis Silva conserva o interesse pela temática nordestina e faz nesta ocasião algo nada comum: inclui em sua exposição cinco xilogravuras de outros artistas nordestinos, de seu acervo pessoal, feitas originalmente para capas de literatura de cordel.

Assim, nesta amostra dupla, além de seu trabalho pessoal, ela compartilha conosco algo de sua origem e de suas motivações.

O título que ela escolheu – “A sofisticação da cor e a paixão pela arte nordestina” – sugere de saída que o motivo central de sua obra seja a emoção profunda, o que confirmamos ao ver suas pinturas: a intensa afetividade se encontra livre e relaxada, mas é suavemente conduzida por um intelecto observador e analítico.

Seus quadros não têm título, como se não significassem algo específico ou como se deixassem ao espectador a liberdade de reinventar o que percebe – ou seja, como se fossem arte abstrata. No entanto, ninguém diria que eles fossem figurativos. Francis explica que sua pintura vai além das evidências, mostra algo que poucos conseguem enxergar o que de fato significa. Ela faz uma revelação inesperada: “Quem olha no primeiro momento não percebe, mas são todos detalhes de figuras”.

Nesse jogo visual-cognitivo, um verdadeiro jogo de cintura com a percepção, a artista se vale de um novo instrumento: as “células de cor”, umas profusas manchinhas multicolores, que formam conjuntos novos, com formas e movimentos próprios, a ser decifrados pelo espectador (acima, um detalhe do quadro abaixo). Ela complementa dizendo que o resultado “é um conjunto de elevações e deformações geográficas onde a questão principal é a cor e sua relação com as configurações espaciais”.

Com este conceito, Francis (dir.) obteve uma das seis premiações de nível regional, em dezembro de 2008, no 20º Prêmio Salão Jovem Artista, um concurso gaúcho, parceria entre RBS, Banrisul e o Governo do Estado.

A exposição pode ser visitada todos os dias das 8h às 22h, no corredor principal do Hospital-Escola UFPel/FAU (Rua Professor Araújo, 538).
Fotos à direita: Coord.de Comunicação do HE.
Fotos à esquerda: F. A. Vidal.

2 comentários:

Anne M. Moor disse...

Parabéns à Artista! Adorei os quadros aqui expostos. A cor em si conta histórias para quem quer ler...

Obrigada!
Abraços

manoel08magalhaes@gmail.com disse...

Belo trabalho,Francisca! E parabéns também ao Vidal pela perspicácia e, sobretudo, pelo domínio da escrita, demonstrando familiaridade com o fazer artístico. Sei não, mas desponta, na minha opinião, eficiente crítico de artes plásticas na cidade, preenchendo lacuna existente. Os artistas plásticos em geral, alvos de sua observação, deverão sentir-se recompensados com sua análise crítica, pois, seguramente, só têm a ganhar.