
Entendidos e não entendidos opinaram livremente no Amigos de Pelotas, contra e a favor, e sobrou para as lixeiras (leia).
De acordo às normas modernas, elas vêm duplicadas, em verde e laranja, para separar o lixo orgânico do "seco". Mas o povo ainda não conhece as normas de reciclagem nem a diferença entre orgânico e seco, e usa as lixeiras sem distinção.

Algum demônio analfabeto teria tentado atacar a Feira e se viu intimidado pelos guardas noturnos? Após uma dessas noites, não havendo vigilância neste trecho, uma lixeira laranja desapareceu (1ª foto, 8 de novembro).
Uma semana depois, em outro arrastão noturno, a lixeira verde que havia sobrado foi arrancada (2ª foto, 15 de novembro). Não foi preciso muita força, pois as estruturas são frágeis.

Sociólogos e historiadores relacionarão o ressentimento dos pobres com a opressão dos ricos; iconoclastas e estetas dirão que tais lixeiras só podiam ter como destino o lixo; anarquistas defenderão esta ação popular espontânea... mas a linha cronológica não tem nada de lógica.
O próximo passo da sequência devia ser que levassem o poste, mas agora teríamos que pensar na devolução da lixeira laranja.
Quando deixaremos de ser tão permissivos com as explosões de instintos selvagens? Quando nossas energias sairão em forma de palavras e gestos civilizados que ajudem a construir nossa cultura, em vez de destruí-la?
Fotos de F. A. Vidal
3 comentários:
É evidente a inutilidade das lixeiras para guardar o lixo naquela via, uma vez que ele ganhou prestígio em forma de luminárias e destruição de patrimônio histórico.
A novela dos vândalos continua: hoje a lixeira verde estava acompanhada de uma laranja, que "viajou" de outro poste (o que está ao fundo na 2ª foto). A cidade da cultura também convive com os bárbaros.
Acredite se quiser: hoje a lixeira laranja foi trocada por uma verde. A dança das lixeiras está virando brincadeira.
Postar um comentário