segunda-feira, 15 de junho de 2015

Poemas dedicados a Pelotas

Pelotas, minha cidade, de Sérgio A. O. Siqueira (1968).
Canção de amor a uma cidade que é minha, de Joaquim Luís Duval (1980).
A flor do sal, de Mário Osório Magalhães (1999).
Um pouco de Pelotas (em mim!), de Fábio Gonçalves Zündler (2007).
Querido Laranjal!, de Beatriz Araújo (2010).
Princesa, de Manoel Soares Magalhães (2012).
Por uma tarde de julho, de Joaquim Moncks (2013).
Reflexão e cafeína, de Alexandre Vergara (2013).
Soneto para o Café Aquários, de Vilmar Gomes (2013).
Amor e ódio, de Nauro Júnior (2014).

Minha Terra
Lá, na minha terra, quando
O luar banha o potreiro,
Passa cantando o tropeiro,
Cantando, sempre cantando;
Depois, avista-se o bando
Do gado que muge, adiante;
E um cão ladra bem distante,
Lá, bem distante, na serra;
Nunca foste à minha terra?!

Enfrena, pois, teu cavalo,
Ferra a espora, alça o chicote
E caminha a trote, a trote,
Se não quiseres cansá-lo.
Ainda não canta o galo,
É tempo de viajares.
Deixarás estes lugares,
Irás vendo novas cenas
Sempre amenas, muito amenas.

O laranjal reverdece,
E ao disco argênteo da lua,
Logo os olhos te aparece
A estrela deserta e nua.
Francisco Lobo da Costa

domingo, 14 de junho de 2015

Recém-nascidos em fotos

Exposição no hospital é vista por pacientes e visitantes de todas as idades.
A médica obstetra e fotógrafa Sônia Simões de Almeida expõe o ensaio "Newborn", 17 fotografias de bebês, entre 5 e 12 dias de vida. A mostra pode ser visitada no Corredor Arte do Hospital Escola da UFPel até 30 de junho.

Nascida em Minas Gerais, Sônia formou-se em 1989 pela Faculdade de Medicina de Itajubá, graduou-se pela Escola Panamericana de Arte e Design e hoje reside em São Paulo (veja o sítio da artista).

A médica com 25 anos de experiência em ginecologia e obstetrícia transformou em arte seu amor pelos pequeninos e passou a ser também uma fotógrafa especializada em recém-nascidos.

Nas suas fotografias ela busca capturar a graça de cada bebê, num cenário especialmente preparado para cada um, e contar as histórias das crianças, em suas características únicas (um anjinho, um docinho, um filhotinho). Como ela mesma explica:

– Meu objetivo como fotógrafa vai além de capturar poses construídas, mas captar com muita sensibilidade imagens espontâneas, detalhes do corpo, dos movimentos e expressões dos bebês, tudo com muito conhecimento no manuseio, em como tranquilizar e mantê-lo em segurança.

Fotos de Sônia Almeida mostram a alma de pessoas recém-nascidas.
Fonte: HE-UFPel

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Poesia para namorados


Para lembrar o Dia dos Namorados, Nauro Júnior recordou no Facebook o poema "Briga", uma de suas "Andanças Imaginárias", com ilustração de sua jovem filha, Sofia Machado. O livro a quatro mãos apareceu na Feira do Livro de 2014 (v. nossa nota Nauro poetiza a vida).

Abaixo, a homenagem alusiva à modernidade: mesmo com a mais alta tecnologia, somada ao individualismo dos seus adeptos, o amor a dois sobrevive (no fundo musical, a primeira das Gimnopédias de Eric Satie, em tempo acelerado).


Nesta sexta (12-6), a Sociedade Música pela Música preparou um programa especial de música, luzes e cenografia, dedicado à paixão e aos namorados. O palco da Praça de Alimentação da Fenadoce 2015 se encheu de músicos que representaram o amor em diversos idiomas, apresentando canções de várias épocas e origens.

Segundo a notícia do evento artístico, que foi dirigido por Sérgio Sisto e Fernando Montini, "a criatividade foi a palavra-chave para o ambiente montado no palco: mesas de jantar, garçons, louças, roupas de gala" (v. texto completo com fotos de Marcel Streicher e clique nelas para ampliar).

PD 13 junho
Ainda na FENADOCE, uma declaração de amor foi feita em público, aproveitando a novidade e a notoriedade do recurso tecnológico "Realidade Aumentada" (v. notícia). O que deveria ser íntimo e real foi levado à publicidade e à virtualidade. Há um ano, mas não no Dia dos Namorados, outro jovem quis chamar a atenção no shopping pelo mesmo meio, sem tanto sucesso (v. nota neste blogue).

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Pelotas em inverno


Inspirado nos traços e na técnica do artista Leonid Afremov, o pelotense Mário Campello pintou uma vista da praça Coronel Pedro Osório. O ângulo é clássico para qualquer pessoa que conheça Pelotas, mas o olhar do pintor trouxe uma tonalidade europeia, talvez inusitada para quem fotografa nossas praças, a qual acentua e evidencia uma de nossas verdades locais: que nosso clima e nossa arquitetura têm algo a ver com a geografia e a cultura dos que nos colonizaram.

Enquanto os parapluies entristecidos mergulham no anoitecer, as árvores enrubescidas iluminam o Grande Hotel de Pelotas, este plantado aqui em 1928 para recordar a Europa do século XIX. Na época, os modelos e ideais urbanos eram esses prédios com sacadas, desvãos, sótãos e cúpulas. Contudo, nada tão pelotense como este jogo de lusco-fusco e umidade. Mesmo num conteúdo visual nada de surpreendente, o artista nos cativa com esses aspectos formais: viscerais, pegajosos e ancestrais.

De acordo à postagem consultada, a imagem está no Facebook desde setembro de 2012. No entanto, ela foi publicada em 26 de maio deste ano. Técnica: óleo espatulado sobre tela de 50x80 cm. Veja aqui o autor pintando, em março de 2015.
Imagem: Facebook

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Conservatório de Música 97 anos

Desde 1918, o Conservatório ocupou casarão do século XIX.
Reformado em 1940, ficou com o aspecto acima (foto dos anos 50).
A existência de um estabelecimento educacional não propicia apenas a habilitação aos instrumentos musicais, mas patrocina também o contexto cultural de uma comunidade, valorizando o que é planejado e realizado com muito esforço.

É o caso do Conservatório de Música de Pelotas, que, durante 97 anos de vida, tem sabido se manter e crescer, como exemplo de um trabalho entusiasta, digno de refinados valores, ali cultivados.

Como se sabe, foi em 4 de junho de 1918 que a decisão de fundar esta escola de arte ficou formalizada, numa reunião de egrégios pelotenses, por iniciativa de Alcides Costa e Francisco Simões. Três meses após, em 18 de setembro, realizou-se a cerimônia de inauguração da Casa. Naquele ano, nossa cidade, que já era um centro cultural e econômico regional, criou uma instituição à altura das grandes capitais, que até hoje nos alegra e orgulha.

Julgamo-nos aptos a falar desta história, devido a que vivemos boa parte desses anos em “carne própria”, desde a juventude, e por acompanharmos, por décadas, a tradicional e apreciável vida social e artística de um ambiente cultural prestigiado.

Em 1953 comecei a atuar como parte de uma equipe de amadores jornalísticos, ligada ao Diário Popular. O período me parece bastante longo, não extenuante, por sinal, muito importante, pois acrescentou, em minha vida e em minha formação cultural, gratos e belos momentos de crescimento. É possível comprovar o que aconteceu por mais de meio século, pois guardo com apreço e orgulho as dedicatórias obtidas dos artistas. Todos eles deixaram em nossa cidade valioso lastro cultural e inesquecível marca afetiva.

Dedicatória de Arthur Moreira Lima ao Conservatório
Fosse pelo patrocínio do Conservatório de Música ou da extinta Sociedade de Cultura Artística, eram acolhidos em Pelotas os mais diversos grupos, conjuntos, duos, trios e quartetos nacionais ou de outros países do continente. Tudo o qual dava admirável motivo para que “o lado cultural” da coletividade fosse merecida e devidamente divulgado, constituindo-se em admirável tradição esse verdadeiro “rastro de expressão sonora” de que o Conservatório se orgulha em possuir, criando em torno de si um halo de “sublimação cultural”.

Nomes importantes da História da Música como os pianistas Claudio Arrau (1940), Magdalena Tagliaferro (1944), Wilhelm Kempff (1949), Nelson Freire (1969) e Sebastian Benda (1953 e 1970), o violonista Andrés Segovia (1941), o compositor Francisco Mignone (1940 e 1968), o violonista e compositor Agustín Barrios (1929) se apresentaram no Salão do Conservatório, sendo que alguns os conhecemos em início de carreira, como Miguel Proença – que aqui realizou seu primeiro recital em 1962 –, Olinda Alessandrini, Eudóxia de Barros, Roberto Szidon, Cristina Ortiz, Daniel Wolff e muitos outros.

Também incontáveis intérpretes aqui se formaram e passaram a ser professores de seus instrumentos na mesma Casa de origem, assim como outros partiram da cidade e se transformaram em valores luminosos espalhados pelo mundo. Seria injusto mencionar algum e omitir tantos nomes, das centenas que nosso Conservatório formou ao longo do século.

Aproveito esta ocasião para festejar e aplaudir, junto à comunidade e o próprio Conservatório da UFPel, mais este aniversário que nos lembra a bela história da cidade de Pelotas e seu Conservatório de Música. Desejamos que estes 97 anos de vida artística e cultural continuem a ser de crescimento e força, como grande acervo que orgulhe o patrimônio cultural de nossa cidade!

Francisco Dias da Costa Vidal
Diário Popular impresso, 4-6-2015

Saudação especial de Olinda Alessandrini
a Francisco D. C. Vidal, cronista por 50 anos
Imagem 1 Tomada da p. 80 do livro "História Iconográfica do Conservatório de Música da UFPel", organizado por Isabel Nogueira. Porto Alegre: Pallotti, 2005.

Imagem 2 Ao Conservatório de Música, com os meus melhores agradecimentos pela cordial acolhida. Foi um prazer tocar para uma platéia tão distinta, calorosa e culta. Espero voltar ainda muitas e muitas vezes! Cordialmente, Arthur Moreira Lima. Pelotas, 21/IX/83 [História Iconográfica do Conservatório de Música da UFPel, p. 47]

Imagem 3 Para o querido amigo Francisco Vidal, sempre presente a todos os eventos culturais de Pelotas, e que representa para mim, além de um grande amigo, uma grande presença ao apoio e estímulo a todos os artistas. Fico sempre encantada com seu sorriso afável, seu aplauso caloroso e seu entusiasmo. Com grande afeto, Olinda Alessandrini. 24.09.2003 [do caderno de autógrafos de Francisco Dias da Costa Vidal]

terça-feira, 9 de junho de 2015

8ª FestiPOA homenageia Vítor Ramil


"Vitor Ramil: Nascer leva tempo" é um estudo de autoria do professor Luís Rubira sobre a obra musical de Vitor Ramil, que será lançado este mês, na FestiPoa Literária 2015. A obra tem o subtítulo "Identidade, autossuperação e criação, de Estrela, estrela a Longes" e é editada pela Pubblicato, que divulga a seguinte resenha.
Um livro sobre Vitor Ramil, artista cuja obra desloca-se como a linha do horizonte? Ou um esforço para compreender um processo artístico, um percurso interior e uma concepção de “identidade” que considera o sul do Brasil como um lugar que está “no centro de uma outra história”? 
O ensaio que agora vem a público graças ao apoio do Fumproarte não tem a pretensão de enclausurar Vitor Ramil em conceitos, mas busca mostrar uma parte do itinerário do músico, compositor e escritor cuja arte, nas palavras do prefácio de Luís Augusto Fischer, “o tempo vai consagrar como uma das maiores experiências estéticas que o Rio Grande do Sul já teve”.
A 8ª Festa Literária de Porto Alegre abre formalmente na próxima segunda (15-6) às 19h, no Bar Ocidente, destacando o escritor homenageado este ano, o pelotense Vítor Ramil, que fará show dia 16 no Teatro CIEE. O grande evento dura até o dia 23 de junho.

Luís Rubira é professor da UFPel e já publicou, como autor: "Nietzsche: do eterno retorno do mesmo à transvaloração de todos os valores" (2010), "Sepé Tiaraju e a Guerra Guaranítica" (2012) e, como organizador, os 3 volumes do Almanaque do Bicentenário de Pelotas (2012-2014).


Fonte: Facebook

domingo, 24 de maio de 2015

O grito de Tarzan, nosso herói ingênuo

Nos filmes, o amor e o heroísmo garantindo a felicidade.
No mundo real, a perigosa e implacável lei da selva.
Não faz muito, evocava com amigos os dias dourados de Johnny Weissmuller (1904-1984), o único e verdadeiro Tarzan das telas, que lotava os cinemas de Pelotas, como de resto os de todo o país.

Há muitos anos, guri ainda, lembro-me quão difícil era adquirir o ingresso para se assistir a mais uma aventura de Tarzan, Jane e Chita [1932-1948]. Pouco mais tarde, como convinha à lei da vida e da selva, a família se completou com a chegada de Boy (O Filho de Tarzan, 1939).

Foi na época em que não se havia descoberto a fila e a irracionalidade imperava: tirava primeiro o ingresso quem tinha mais força. Assim como na "lei da selva", as pessoas se empurravam, competindo, e ganhava o mais forte.

Só com a Segunda Guerra Mundial [1939-1945] as pessoas passaram a se organizar em filas: o último a chegar entrava na cauda. Assim os alimentos eram distribuídos nas zonas de conflitos. E o mundo passou a usar a fila como mais uma coisa da civilização.

Mas Tarzan valia esperar-se por longos minutos para se retirar o ingresso, na fila dos cinemas. Era quando aconteciam as "enchentes", como se dizia na época toda vez que surgia um grande filme, sucesso de bilheteria. E Tarzan e Jane eram sempre sucesso garantido.

O amor modelo de Tarzan e Jane (1934),
uma forma de driblar a tragédia social.
Me Tarzan, you Jane, balbuciava o Rei das Selvas com seu limitado vocabulário, apontando o dedo ora para si, ora para a mocinha. Foi o primeiro audiovisual das selvas. Tempos bons em que as pessoas se comoviam e vibravam com coisas simples. Criado por Edgar Rice Burroughs nos anos 1920, Tarzan representou toda uma época. Ainda não havia Superman, Hulk, Homem Aranha e muito menos a Mulher Maravilha.

Com profunda nostalgia evoquei aquele mito, que serviu de paradigma aos meninos de minha geração. Quem não subia nas árvores ou deixava de imitar o grito de guerra do inesquecível personagem?  Os meninos e o público de então "se amarravam" naquele homem destemido, de físico formidável (o ator era campeão olímpico de natação), que vencia os inimigos andando de cipó em cipó [v. filmografia de Weissmuller].

A família macaco nos cipós (1942):
na Guerra, os filmes de Tarzan eram anuais.
Tarzan era ingênuo e puro e assim amava sua Jane. Lutava contra os malfeitores que queriam destruir, aproveitando-se das riquezas naturais dos nativos, usando a sua ignorância. Bastava ele bradar seu grito que o tornou famoso e inigualável, e os animais da selva vinham correndo em seu socorro. Parece que podemos afirmar com tristeza: "Já não se fazem heróis como antigamente!".

Então evoquei o que alguns da roda também tinham assistido: certo dia, há alguns anos, a televisão apresentou Johnny Weissmuller, já velho, como recepcionista de um hotel famoso [trabalhou em 1973 e 1974 no Caesars Palace de Las Vegas; v. história completa, resumo no sítio DW, e vídeo abaixo de 1969, em inglês]. O repórter que o entrevistava pediu-lhe que repetisse o grito de guerra, que todos lembram, do personagem que encarnou como ninguém, desde os anos 30.

Solícito, o ex-ator resolveu atender o pedido e, num visível esforço, tentou repetir aquele grito cheio de vida, juventude e força que o fez único nas telas. Mas ouviu-se apenas um lamentável grunhido, que matou, naquele momento, desapiedadamente, dentro de muitos como eu, um herói que ainda estava vivo em minhas reminiscências. Nunca mais esqueci aquele grito triste e alquebrado que representou, para todos os saudosistas, o Canto do Cisne de um Herói, que levou consigo um tempo glorioso que não vai voltar nunca mais.
Rubens Amador
Diário da Manhã, 24-5-15

Brincando, Weissmuller tenta repetir o grito de Tarzan...
em vão, pois se tratava de um efeito de áudio, fabricado em estúdio.
Fotos: Pinterest

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Depois da chuva, as pessoas iam para o céu

Quando eu era criança, ao ouvir barulho nas alturas, entre carregadas e negras nuvens, minha mãe dizia: "Deus está arrumando a casa". Eu olhava para cima apurando o olhar, ansioso para ver alguma coisa se destacando no céu. 
Quando a tormenta passava, fixava-me nas nuvens brancas que se ofereciam à vontade de Deus. Meu pensamento nelas plasmava imagens de santos, anjos e de pessoas que, apressadas, punham escadas que se erguiam em direção às nuvens, nelas se perdendo.
Manoel Soares Magalhães
Facebook 30-1-15
Na ilustração (dir.), pintura naïve de autoria de Manoel, representando uma dessas visões do menino imaginativo que já pensava na vida e na morte, e no papel divino em relação às culpas e à dor humana. Como seria a casa de Deus? Quem estaria convidado a visitá-la?

O escritor e jornalista recorreu às artes plásticas como forma de narrar a história sentimental de Pelotas, que aos pesquisadores custa descrever. Há cerca de uma década, ele pinta, ao modo ingênuo, o lado escondido do sofrimento escravo no século XIX e o lado trágico da riqueza que deu fama à assim chamada Princesa do Sul.

Em 2015 Manoel se encontra em produção de novas pinturas, agora mostrando o universo literário simoneano, também alusivo a uma realidade social do século XIX pouco estudada pelos historiadores. Veja algumas de suas telas neste álbum de fotos, na Série Aparições, no álbum Obras à venda e em postagens deste blogue.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

IV Seminário sobre Fotografia

O programa do 4º seminário Fotógrafos Históricos aborda, além dos autores históricos (europeus, russos e norte-americanos), outras relações entre a história e a arte da fotografia. A primeira edição deste evento acadêmico realizou-se em junho de 2011 (v. cartaz). O segundo foi em julho de 2013 (v. programa) e o terceiro, em junho de 2014.

Um dos trabalhos de 2015 se refere à nossa cidade: "Fotografias dos Almanaques de Pelotas (1913-1935): indícios da condição feminina naquele contexto", de Paula Garcia Lima, professora da UFPel que publicou recentemente, na revista do Centro de Artes Paralelo 31, o artigo Memórias do gênero feminino e do trabalho a partir dos Almanachs de Pelotas 1913-1935 (clique no título para ler). Hoje mestre e doutoranda em Memória e Patrimônio, Paula já havia apresentado, no seminário de 2011, um estudo sobre fotografias do Parque Souza Soares.

Inscrições gratuitas no Centro de Artes (sala 301, Alberto Rosa 62) ou na hora do evento, 18h (Museu Leopoldo Gotuzzo, General Osório 725). O cartaz com o programa deste ano usou uma foto de 2009 da retratista americana Annie Leibovitz (v. Wikipédia).


Fonte: Facebook

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Veterano relembra guerra, 70 anos depois

O pelotense de 91 anos João Pereira da Silva é veterano do Exército brasileiro na Segunda Guerra Mundial. Em 1941, com 19 anos de idade, ele se inscreveu para o combate e foi enviado de trem para Rio Grande, de navio para o Rio de Janeiro e depois até a Itália. Diz que não matou ninguém, mas viu muita gente morta (v. reportagem de Diego Queijo para o Diário Popular, com fotos de Jô Folha; abaixo, vídeo de Leandro Lopes).

Dois conterrâneos nossos morreram nos combates de 1944, um dos quais foi homenageado com o nome da rua Pracinha Hortêncio Rosa, no bairro Areal (v. blogue da Academia Pelotense de Letras). De acordo ao jornal acima citado, Rosa era natural de Canguçu.


Na hierarquia militar, os "praças" são os suboficiais ou tropa sem graduação (v. Wikipédia); antigamente, a expressão se referia aos soldados que lutavam por contrato, fora da carreira militar (talvez por estarem ligados a uma zona ou "praça"). Os 25 mil brasileiros enviados à Segunda Guerra Mundial foram apelidados com o diminutivo "pracinha" (que fora daquele contexto poderia parecer pejorativo). A maioria eram simples recrutas, jovens, pobres e sem formação militar alguma.

Já finalizada a guerra, Vicente Celestino compôs a canzonetta romântica em dois idiomas "Mia Gioconda" (v. letra e música), dedicada aos pracinhas que haviam servido em território italiano, relatando o caso de um brasileiro que se apaixonou por uma loira da Toscana (e não napolitana como diz a letra). Em 1946 a música foi sucesso nacional, reeditado em 1996 como o tema de Jeremias (Raul Cortez) da novela "O Rei do Gado" (v. Wikipédia). Na vida real, o soldado apaixonado era o gaúcho João Pedro Paz, a noiva chamava-se Iole e o casamento já dura 70 anos (v. reportagem de Zero Hora em 2014).

A rendição da Alemanha em 8 de maio de 1945 nos lembra que o Brasil há 70 anos não participa em guerras com outros países. Desde então, só tem aumentado a violência interna, seja por motivos sociais, econômicos ou políticos.

POST DATA
29 maio 2015
O filme "Estrada 47", de Vicente Ferraz, tem como protagonistas (fictícios) alguns soldados brasileiros lutando na Itália, em episódio real nunca antes filmado. A estreia foi ontem (28-5) em Porto Alegre, no contexto dos 70 anos do fim da Guerra. Houve pré-estreia no Festival de Gramado 2014, onde obteve Kikito de melhor filme (v. nota de ZH).

terça-feira, 31 de março de 2015

Música pela Música celebra 25 anos

Detalhe de apresentação da Orquestra Filarmônica e Coro Música pela Música, dirigidos por Sérgio Sisto.
A Sociedade Pelotense Música pela Música apresentou, esta sexta (27-3), a programação para 2015, inaugurando as comemorações dos seus 25 anos. É a única entidade privada que difunde a música erudita em nossa região, mantendo para isso uma orquestra e um coro sinfônico.

A data precisa do aniversário da Sociedade é 30 de outubro, que marca a fundação em 1990. Nesse dia e no seguinte (sexta e sábado), no Teatro Guarani, a agrupação apresentará por primeira vez a ópera completa L'elisir d'amore. Confira no vídeo abaixo a interpretação de Luciano Pavarotti para Una furtiva lagrima, a ária mais famosa dessa ópera de Gaetano Donizetti, estreada em maio de 1832, em Milão, Itália.

A data tem uma curiosa aproximação com nossa cidade e com o Teatro Sete de Abril, pois justamente em 7 de abril de 1832 a Freguesia de São Francisco de Paula passou a denominar-se Vila de Pelotas, e o seu primeiro teatro já se encontrava em obras (seria oficialmente inaugurado em 1834). Confluem, portanto, três aniversários: do município de Pelotas, do seu teatro mais antigo e desta ópera italiana.

A maioria das seguintes 22 atividades da SPMM em 2015, ao ritmo de duas por mês, será realizada na Fábrica Cultural Música pela Música (Félix da Cunha 952, 3227 6601). Será um ano para estar atento e desfrutar da melhor música. Horários e locais serão anunciados pela imprensa.

Programação dos 25 Anos [links atualizados]

27-3 Lançamento para convidados (v. notícia oficial).

2-4  SESI Catedrais: Arroio Grande. No Centro Cultural Basílio Conceição, 19h (v. imagens)
25-4 Vozes Brasileiras: Elisa Machado (recital de canto).
26-4 Vozes Brasileiras: Elisa Machado (oficina de canto).

21-5 SESI Catedrais: Rio Grande.
24-5 Café com Arte.
30-5 Festival Doce Cultura (FENADOCE).

28-6 SESI Catedrais: Rio Grande.

12-7 SESI Catedrais: Canguçu.
18-7 Vozes Brasileiras: Juremir Vieira (recital de canto).
19-7 Vozes Brasileiras: Juremir Vieira (oficina de canto).
26-7 Almoço Musical.

10-8 SESI Catedrais: São Lourenço do Sul.
14-8 Clássicos Rio-Grandenses.
15-8 Clássicos Rio-Grandenses.

12-9 Vozes Brasileiras: Lício Bruno (recital de canto).
13-9 Vozes Brasileiras: Lício Bruno (oficina de canto).

30-10 Ópera L'Elisir d'Amore. Dia do aniversário da SPMM.
31-10 Ópera L'Elisir d'Amore.

14-11 SESI Catedrais: São Lourenço do Sul.
20-11 Recital de canto: Fernando Montini e Sérgio Sisto.

5-12  SESI Catedrais: Pelotas.
11-12 Concerto de Natal.

Para contato com a SPMM existe o sítio Música pela Música e uma página interna no Facebook (grupo para membros e amigos).

Atualização em 2 de abril:
Ontem foi criada no Facebook a página aberta Sociedade Pelotense Música pela Música, e já tem mais de 400 seguidores.


Foto: Facebook

segunda-feira, 30 de março de 2015

Pré-escola pode prevenir dificuldade de aprendizagem

Professor Antônio Correa Candiota
Cursando mestrado em desenvolvimento motor, o professor de Educação Física Antônio Ricardo Correa Candiota propõe que as habilidades motrizes e sensoriais das crianças, se fossem bem diagnosticadas e bem preparadas nos níveis da educação infantil, poderiam prevenir muitos dos posteriores fracassos escolares devidos a "dificuldades de aprendizagem".

A proposta pode significar, implicitamente, que a própria escola ocasiona alguns desses fracassos e não os soluciona nunca, antes responsabiliza o aluno, a família e a sociedade. Repetentes, desadaptados, "preguiçosos" e analfabetos funcionais poderiam ser grupos minoritários numa Pátria Educadora.


Revertendo o insucesso escolar
Reportagem de Carlos Cogoy

Entre 2013 e 2014, o professor Antônio Ricardo Correa Candiota testou 643 alunos entre 4 e 6 anos, na região de Pelotas. Cerca de 40% foram considerados dispráxicos (v. definição de dispraxia), ou seja, com sinais específicos de dificuldades de aprendizagem. Do grupo, 83% apresentaram problemas no fator estruturação espaço temporal (portanto, nas noções de simultaneidade, ordem, sequência, duração de intervalos e ritmo). Tal déficit compromete a futura alfabetização. Explica o pesquisador:
A defasagem nesse fator influencia diretamente no processo de alfabetização da criança, na sua locomoção espacial, bem como no domínio dos gestos. Aparecem dificuldades na movimentação, bem como na utilização de folhas e cadernos. Ainda, profunda desordenação no futuro, por exemplo ao utilizar as linhas nos cadernos. Em relação ao ritmo, pode levar a rapidez ou lentidão. Já com a dificuldade de memorização auditiva, não consegue absorver o que lhe é narrado. Sem diferenciar sons, dificuldade também no reconhecimento dos sons das palavras.  
Outro fator preocupante diz respeito à lateralidade. Muitas das crianças avaliadas apresentaram lateralidade cruzada, ou seja, dominâncias laterais em lados diferentes. Casos como a dominância da mão direita e dominância visual do olho esquerdo. É o que autores denominam "assimetria funcional", que afeta o processo de alfabetização, autonomia da leitura, escrita e cálculo, ordenação da informação codificada, confundindo entre soma e subtração ou entre multiplicação e divisão. A escrita e os números são invertidos e, em casos graves, como se estivessem refletidos num espelho.
No 1º Congresso de Negros e Negras de Pelotas, Candiota explanou sobre o programa que oferece, orientando educadores para detectar as dificuldades, bem como as dicas para instigar o desenvolvimento psicomotor. Em 2014, o professor ministrou edições – em Pelotas e Rio Grande – da Jornada Pedagógica de Educação Psicomotora, que terá sequência no segundo semestre de 2015.

As etapas do Programa de Testagem do Perfil Psicomotor e suas Interferências nas Aprendizagens são, de acordo ao professor:
  • Identificar crianças sem as competências psicomotoras necessárias à aprendizagem.
  • Analisar crianças com dificuldades psicomotoras, observando nelas os componentes do comportamento psicomotor, e identificando o grau de maturidade motora. 
  • Sugerir, a partir da identificação das dificuldades psicomotoras, a aplicação de tarefas que visem minimizá-las, alavancando o sucesso na aprendizagem.
No Facebook o professor Antônio Candiota coordena a página Desenvolvimento psicomotor na escola, onde ele informa um endereço de contato. Confira mais declarações do pesquisador e especialista:
O Programa aponta o déficit psicomotor, que entrava as aprendizagens e o processo de alfabetização, que é o início de tudo. Mas as principais causas dos entraves são a falta de trabalhos específicos, ou seja trabalhos psicomotores, por parte dos profissionais da educação infantil, até porque os procedimentos didático-pedagógicos privilegiam muito mais o cognitivo, e muito menos o psicomotor, quando deveria ser ao contrário. 
Por outro lado, os cursos de formação dos profissionais que trabalham com crianças na educação infantil, como a pedagogia, em geral não enfatizam o desenvolvimento psicomotor nos currículos. E o pior é que temos auxiliares, trabalhando com os professores, que têm pouco conhecimento. São cuidadores sem habilitação para promover trabalhos específicos. 
Alfabetização deficiente leva, com certeza, aos insucessos na vida escolar. Hoje não temos evasão, em razão das obrigatoriedades jurídicas, que pressionam os pais a manterem as crianças estudando, ou na escola, mas mesmo assim, os terceiro e quarto anos estão ficando lotados. As crianças estão parando nestes anos, por conta das alfabetizações deficientes. 
Outro aspecto é que os processos são muito arcaicos, salvo a boa performance de alguns abnegados e responsáveis professores, que sempre buscam subsídios para melhoras. Sinto isto pois tenho alguns alunos que me procuram, falam comigo, da graduação e mesmo da pós-graduação. Eles necessitam de informações e subsídios. Mas estes são pequena parcela de interessados. Infelizmente, a sociedade é que logo estará sentindo o resultado dessa grave questão.
Fotos: DM (1), MelhorAmiga (2), DesenvolvimentoMotor (3)
Texto: Diário da Manhã

domingo, 29 de março de 2015

De Rio Grande a Pelotas, voo em 10 minutos


O consultor em informática Rodolfo Nützmann veio de São Paulo a trabalho e, no retorno, filmou o voo de Rio Grande a Pelotas, pela empresa NHT, a bordo de um L 410 UVP-E20, da fábrica tcheca LET Aircraft Industries. O percurso por terra é de 57 km, feitos hoje em dia em 40 ou 50 minutos. Neste caso, o voo foi realizado em 15 minutos, no dia 24 de fevereiro de 2012, das 18h17 às 18h33, com velocidade média de 220 km/h. Coisa rotineira para viajantes, mas uma aventura inusual para quem conhece estas cidades somente no chão ou nas águas.

O autor do vídeo incluiu comentários explicativos, ao modo de um guia turístico; no entanto, é preciso dizer que Pelotas não data de 1758, pois a primeira urbanização da freguesia somente foi autorizada em 1812. O ano referido é o da concessão das terras locais ao sesmeiro Thomaz Luiz Osório (v. histórico de Pelotas e da cidade de Rio Grande).

O rio que se vê no minuto 10 é o Canal São Gonçalo (historicamente denominado Sangradouro da Mirim, pois se acreditava que fosse o escoadouro das águas da Lagoa Mirim em direção ao mar). Seu principal afluente, visível na filmagem, é o Arroio Pelotas, patrimônio natural e cultural da região, antigamente conhecido como Rio das Pelotas.

Em um minuto, o avião sobrevoa todo o centro urbano e entra a seguir no grande bairro das Três Vendas, contornado em mais 4 minutos. O pouso é feito no Aeroporto Internacional de Pelotas, extraoficialmente conhecido como Bartolomeu de Gusmão. Em março de 2015, está em processo de aprovação no governo federal o nome oficial de Aeroporto João Simões Lopes Neto. Justamente no presente ano comemora-se o sesquicentenário do nascimento do escritor pelotense (1865-1916) e o centenário de sua morte.

sábado, 28 de março de 2015

Assalto a automóvel foi repelido (1915)

Notícia publicada pelo Correio do Povo, de Porto Alegre, no domingo 28 de março de 1915 foi reeditada este sábado (28-3). O relato mostra que as más intenções de alguns e a tendência a fazer justiça com as próprias mãos são questões humanas ainda sem solução, especialmente num país que não dedica grandes investimentos nem à educação nem à justiça. A tecnologia pode e deve ser usada para o bem, não só por quem tenha dinheiro para comprá-la, mas por toda pessoa educada.
Os irmãos Dodge em seu primeiro carro, fabricado em 1914
(cidade de Detroit, estado de Michigan).
Em Pelotas, o automóvel nº 52, da Garagem São José, e de que é chauffeur [motorista] José Martins de Oliveira e ajudante Fructuoso Blasco, regressava de uma viagem ao Passo do Salso e, aquém da encruzilhada das estradas do Passo do Salso e dos Carros, foi intimado a parar por um grupo de três desconhecidos, armados de facão e revólveres.

Como não fossem atendidos, os desconhecidos resolveram assaltar o veículo, tendo [um deles] saltado no estribo do auto.

Oliveira e Blasco, que estavam armados, fizeram com que o ousado assaltante baixasse e assim viram-se livres do grupo. Travou-se tiroteio, não havendo porém nenhum ferimento.
Fonte: CP, 28-3-15.

Caminho interno na Granja Progresso, em 1915 (Cachoeirinha, RS).
Fotos: sítio Dodge, blogue de R.M.Bastos

sexta-feira, 27 de março de 2015

600 mil acessos

Este blogue alcançou os 600 mil acessos em 2 de março de 2015, perto das 20h. Esta quantidade é a soma de páginas visitadas em 5 anos e meio, desde janeiro de 2009 (aproximadamente 2 mil dias). Neste período foram publicadas cerca de 1700 notas.

O registro anterior foi feito aos 500 mil acessos, no dia 31 de julho de 2014 (v. postagem), ou seja, há menos de um ano, mostrando um aumento da visitação diária. Na época, contamos o número de visualizações das postagens preferidas dos leitores, e a seguir mostramos a situação atual, com a quantidade aproximada dos 10 mais visitados, de acordo à contagem interna do Google Blogger.

1 Ingleses na cidade de Pelotas ― 9300. Segue sendo o primeiro lugar em visualizações.

2 Casarão e senzalas ― 7700. Permanece em segundo lugar das preferências.

3 Corte da FENADOCE 2012 ― 6000. Superou levemente o post abaixo, que antes era o 3º.

4 Pôr do sol, agora sem hífen ― 5900. Segue sendo acessado, mas foi superado pelo post acima.

5 O historiador Alfredo Ferreira Rodrigues ― 4600. Neste período subiu muito no interesse dos internautas, ganhando mais do dobro de visitas e passando do 16º ao 5º lugar.

domingo, 8 de março de 2015

Infinita mulher (poema)

Desde que nasce preparada
Para os mais diversos papéis
Com muitas imposições,
O principal deles, ser mulher:
Feminina, magra de preferência,
Bem educada, com facilidade
Para aceitar hierarquia
Do pai, do marido, do chefe,
ter sempre um sorriso no rosto,
Delicadeza ao falar,
Ao homem não querer se igualar.
Mulher, rainha do lar,
Para o homem assessorar,
Mulher que aprendeu
A por sua liberdade lutar
E seu caminho foi buscar
Além de rainha do lar
Aprendeu a ser mãe,
Papel imensurável pelas alegrias
E pelas dores,
Desenvolveu-se profissional,
Foi para a rua trabalhar.
Pela ausência em casa
Carrega com dignidade
A pior das culpas
Por não ver os filhos crescerem,
Falar as primeiras palavras,
Dar os primeiros passos.

É sofredora como Maria,
Lutadora como Joana,
Pecadora como Madalena,
Milagrosa como Fátima,
De múltiplas facetas,
Todas merecendo o maior respeito.
Por isso, independente do nome, origem,
Credo, raça, profissão,
Merece todo respeito
Por desempenhar seus papéis
Com competência, bravura
E, acima de tudo,
Com muita doçura,
Marca indelével de toda mulher.

Isabel C. S. Vargas

Fonte: Diário da Manhã impresso, 3-1-15

segunda-feira, 2 de março de 2015

Lembrança dos mascarados

Seis artistas foram autorizados pela Prefeitura Municipal para pintar painéis de graffiti (2,2 x 2,2 m) em paredes da Passarela do Samba, para os desfiles de carnaval, este ano realizados fora de época. Os selecionados foram: Anderson Fim Treze, Guilherme Nunes da Rosa, Júnior Asnoum, Luiz Marcel Ferraz, Luiz Minduim e Gabriel Alves (v. fotos dos artistas pintando).

O resultado da seleção (v. notícia) foi publicado na terça (24-02) e os grafiteiros tiveram algumas horas para executar seus trabalhos, na quinta de noite (26). A Secretaria de Cultura forneceu o material (doze frascos de tinta colorida em spray) e um pagamento de 700 reais por pintura.

A figura escolhida por Luiz Minduim Vasconcelos mostrava um mascarado (esq.), um tipo simples de fantasia popular, muito usado no carnaval de rua em Pelotas, nas décadas de meados do século XX.

O painel de Minduim, pintado com spray e finalizado com pincel, se inspirou num desenho feito por ele mesmo nos anos 80, em nanquim e aquarela Ecoline. Naquela época os mascarados começaram a sumir, um dos sinais da decadência do antigo carnaval pelotense.

Em nossa cidade, hoje só resta o carnaval oficial dos desfiles e os bailes organizados por alguns clubes sociais. Os grupos carnavalescos sobrevivem mas o clima não é o mesmo. O único lugar de rua para viver o carnaval é uma passarela com entrada paga. Há menos turistas e nenhum mascarado.

As outrora famosas máscaras, usadas somente naquelas noites em que havia carnaval de rua, eram feitas de pano e cobriam toda a cabeça do folião, deixando três pequenos orifícios, para enxergar e respirar. Para comer, era preciso desapertar e levantar a máscara.

Quem quisesse fazer palhaçadas de modo anônimo vestia um macacão e uma máscara como estas e saía gritando com voz esganiçada. Ocultando a cara e mudando a voz, os mascarados dissimulavam idade, raça e sexo, mas se sabia que a maioria deles eram homens.

Outras características da festa popular nas ruas eram: desfiles pelo centro da cidade, bancas de churrasquinhos ao redor da praça, cadeiras no lugar de arquibancadas, homens travestidos de mulher, conjuntos instrumentais uniformizados e baixo índice de criminalidade. Jamais foi realizado depois da Quarta-Feira de Cinzas.
Imagens: ASCOM, Facebook (2-3)

domingo, 1 de março de 2015

Trabalhos recentes de Mariza Fernanda


“Algo do Fundo de Mim” é a mais recente mostra da artista plástica pelotense Mariza Fernanda Vargas de Souza, licenciada em Ciências, bacharel em Pintura, especialista em Artes Visuais, cursando o mestrado em Artes Visuais pela UFPel e integrante do Grupo Superfície. As 16 obras, todas utilizando tinta acrílica, estão expostas no Corredor Arte desde 25 de fevereiro e ficam até 17 de março.

Mariza Fernanda relatou à coordenação do Corredor Arte que ela se inspira em lembranças e objetos, e a partir daí cria um procedimento artístico que aplica à pintura, como o desenho e a impressão. Por exemplo, alguns procedimentos simples, muito usados na infância, são desenhar os contornos de objetos com o lápis sobre papel e imprimir a superfície de uma folha de planta mediante o carimbo.

Ainda conforme a informação divulgada pelo Hospital Escola, a artista utiliza um modo de impressão que denomina "rastros de cor". Ela explicou o seguinte:
Estes rastros de cor são contornados por linhas, formulando caminhos e traçados que parecem deslizar, como em um mapa. Margeiam, delimitam, contornam territórios, e originam a sintaxe do contato e, mais ainda, da pressão.
Mariza Fernanda (dir.) já participou em 16 exposições individuais e coletivas com o Grupo Superfície, em cidades do Rio Grande do Sul e em Montevidéu, Uruguai.


Imagens: Corredor Arte, Facebook