quarta-feira, 1 de abril de 2009

A Mulher, o primeiro sexo

Este ano, a Sociedade Científica Sigmund Freud inicia o período de uma nova diretoria, presidida pela psicóloga Lauren Cavalheiro, empossada em dezembro passado. As atividades de 2009 foram inauguradas dia 11 de março, com um coquetel. Na semana seguinte, houve uma jornada sobre Psicossomática e o minicurso "Saúde integral com saúde bucal".
Desde que a Sociedade foi fundada, em 1981, o costume é seguir a tradição de Freud, que se reunia às quartas-feiras com seus primeiros amigos e discípulos, na Viena de 1902. Como Pelotas está um pouco longe dessa realidade, no tempo e no espaço, contamos com a inspiração do patrono, e seus discípulos (médicos ou psicanalistas) realizam palestras sobre temas científicos relacionados com a Psicanálise. Também se costuma deixar a última quarta do mês para uma palestra de tema cultural, a cargo de algum profissional da área artística.
Na última quarta-feira de março (25) realizou-se então a primeira reunião científica do ano. A nova secretária científica Camila Muswieck apresentou o psiquiatra Fábio de Alencar Braga (dir.), que exporia o tema “O primeiro sexo”, sobre a natureza da mulher. Na Sigmund Freud, o tema é lembrado pela proximidade com o dia 8 de março e por ser de alto interesse para a Psicologia, que estuda a natureza do masculino e do feminino, especialmente com as contribuições de Freud. No entanto, como não existe um dia internacional do homem ninguém aqui se lembra de completar estes conteúdos com o lado masculino.
Fábio Braga se referiu primeiro ao título da conferência: Simone de Beauvoir denominou a mulher como “o segundo sexo”, não sem alguma ironia, numa sociedade onde os homens pretendem ser primeiros em tudo. Mas biologicamente o gênero feminino é o que primeiro se define: na genética, se sabe que a dupla de cromossomos XX indica que o indivíduo é mulher, e se o 2º cromossomo X ficar como Y, a dupla XY determina que o bebê seja menino. O homem nesse sentido seria a segunda opção. Por outro lado, no âmbito social a antropologia e a psicologia dizem que as pessoas aprendem a ser mulher; ou seja, não se nasce na condição de "mulher", mas esta se aprende no ambiente cultural.
A História também mostra, segundo Braga, que a mulher foi, de início, mais importante que o homem na sobrevivência, pois com a aparição da agricultura ela deixou de fornecer 80% da alimentação, ficando o uso do arado para os mais musculosos. Com a agressividade reprimida, a mulher teria sido obrigada a dirigir seu erotismo à comunidade em geral, ao lar e à educação das crianças.
O palestrante seguiu surpreendendo, com sua ampla cultura e suas teorias do comportamento sexual, sempre do ponto de vista da Biologia Evolutiva. Com fluência e clareza, passou a falar como zoólogo da espécie humana: exemplificou a hipersexualização feminina (que na verdade é do ser humano), referiu-se às inconveniências da gestação e do incesto, ao mistério do hímen e ao favorecimento da reprodução no estupro.
No amor, os dois sexos buscam companheiros de mesma identidade cultural (crenças, objetivos) e diversa bioquímica (tamanhos, cheiros). Caindo em simplificações, mas sem perder de vista o alto interesse do assunto, Braga disse que os homens em geral preferem parceiras sexuais mais jovens, que por sua vez buscam “melhorar” sua aparência mediante cabelos loiros, depilações e cuidados de pele. Mas há linguagens diferentes, em que as mulheres gostam de discutir o relacionamento enquanto os homens são mais rápidos e práticos.
A comparação entre o masculino e o feminino é de permanente interesse na Psicanálise, mas desta vez a abordagem foi etológica. Convidado a nova palestra, desta vez sobre o outro sexo (o masculino), Braga gracejou meio atrapalhado, aduzindo que o sexo masculino não tinha graça e o interessante era falar das mulheres. Com isso marcou seu pensamento masculino, deixando de lado o interesse da maioria feminina presente. Mas como homem entendo o argumento: tudo o que foi dito nesta ocasião poderia simplesmente repetir-se em aplicação ao sexo oposto, pois na verdade a palestra foi sobre a sexualidade humana, independentemente do voyeurismo do palestrante.
Fotos da web (1 e 3) e F.A.Vidal (2).

Um comentário:

Teresinha Brandão disse...

Excelente matéria, Francisco! Parabéns!
Lamento não ter ido à palestra do Dr. Fábio. Adoro os textos que escreve, aliás, deveria publicá-los!
Além disso, a temática é muito interessante, portanto, parabéns também ao Dr. Fábio!
Bj!
Tê!