

Na tela "Sustentando o Patrimônio" (acima), a mulher mostra prédios do século XIX, numa corda que serve de alegoria para a valorização afetiva da arquitetura herdada dos europeus. Mais perto da mão esquerda, o antigo Teatro Sete de Abril (dir.), que já passou por diversas reformas desde sua abertura oficial em 1834, e hoje se encontra fechado à espera de mais uma reparação.

Tanto na escultura como nas telas pintadas, Graça Antunes costuma apresentar mulheres como personagens, especialmente gordas, valorizando a sensualidade corporal e a delicadeza dos traços faciais. De diversas raças, estas mulheres dialogam com a cultura pelotense, seja como agentes ativas (no artesanato indígena ou na música africana), contemplativas ou como simples adornos.

Em nossa história, houve mulheres benfeitoras ao lado dos patrões e, do outro lado, escravas contribuindo com a vida e a arte. Mulheres plantaram e colheram, cantaram e esculpiram, construíram pelotas e tijoletas. Tais os atos valorizados pelos homens.

Os pêssegos e suas formas, texturas e colorações sensuais foram colocados aqui ao lado dos pés femininos (esq.). A pelota semelha um útero. A praia é a mãe-esposa que espera e acolhe os navegantes. O feminino é silencioso e está em tudo.
Fotos de F. A. Vidal
Referência de M.O.Magalhães: "Os passeios da cidade antiga" (2ª ed., 2000)

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