
A Direção de Artes Visuais reuniu dez artistas não selecionados no edital de 2010, considerando que suas obras mereciam um destaque honroso, e a mostra coletiva foi aberta na segunda-feira (9). A exposição segue até 31 de agosto, das 8h às 14h na Prefeitura e de 11h a 17h no Casarão nº 2.

Os anjos têm sido pintados com aparência humana e geralmente com detalhes raciais caucásicos, pelo etnocentrismo europeu (querendo sugerir que pessoas de outras raças não tivessem espiritualidade). Ainda vigente, essa descrição "branca" pretende a aproximação - por traços supostamente comuns - entre os anjos, seres espirituais, e os homens como seres biológicos.
Entretanto, o lado sobrenatural costuma ser apresentado pela ausência de sexo e por grandes asas avícolas (simplesmente sugestões de poder flutuar, sem ligação com a terra).
Congruente consigo mesma, a artista empresta ao anjo negro sua característica racial, mas - também reconhecendo sua própria espiritualidade - aproxima o menino e a entidade protetora usando a luz como dado visual, simbolizando a cura do psiquismo e a sanação do sofrimento.
Ao serviço da ideia sociopolítica implícita (não somente os de raça branca têm alma, mas cada ser humano tem seu espírito cuidador), a luminosidade está situada em dois focos: o mental humano, onde as mãos do anjo atuam, e o celestial natural, representado pelo luar e seu reflexo. A sutil e silenciosa relação das duas luzes revelam que o anjo - em última análise, o espírito humano - é representante divino para nosso bem, de acordo à origem da palavra (do grego angelos, mensageiro).

Algumas linhas curvas e sem ordem, além do jogo de cores e do claro-escuro, são fatores de mistério e atração que fazem o espectador ficar olhando, interessado e desorientado, esse ambiente caótico que é, no fundo, sua própria cidade e, geralmente também, sua própria vida pessoal. Uma ousada reflexão sobre o urbanismo, do ponto de vista mais subjetivo, como uma tentativa de ordenar e embelezar o caos humano.
Imagens: F. A. Vidal
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