
Em visita ao Instituto, as ideias apareceram e foram feitos os projetos de acordo aos lugares da casa. Assim, a exposição "A casa, as estantes e os livros", com pouco mais de uma dúzia de surpreendentes trabalhos, foi aberta na quinta 22 de julho, e se prolongou até 30 de julho. Aqui vou me referir a metade deles.

Dê Duarte pensou "O livro como um corpo sedutor" (dir.), transpondo o texto a uma forma humanoide. A sedução estaria nas curvas, ou em certas zonas erógenas, ou na sugestão indireta de uma alma feminina. A palavra corpo foi aqui literal demais, pela eliminação de cabeça e membros.
Duas bíblias de bolso, cravadas com pregos de 20 cm, pareciam gritar que a Palavra de Deus fora crucificada ("Rompendo paradigmas", de Douglas Veiga). Os livros ficaram inutilizados, como uma pessoa condenada à morte por imobilidade. Seria possível uma ressuscitação, uma reutilização após a pena ser levantada?

O nome da obra também jogava - como um espelho - com a regência do verbo (sinônimo de "palavra"). Se lido como intransitivo, "você" seria sujeito. Sendo "ler" transitivo, "você" seria objeto direto. Em ambos casos, fosse sujeito ou objeto, o leitor leria a si mesmo. O livro também poderia chamar-se "Reflita você".

O livro com forma e funções de janela, além de ser parte da casa de um escritor, permite olhar o mundo lá fora, iluminar o interior, trocar de ar e escrever nos vidros.
As várias folhas podiam ser folheadas e lidas sem dificuldade, e em cada uma havia mensagens epigramáticas como esta (do poeta português Arlindo Mota):
Quem controla o desejo: a emoção ou a ternura?
- A paleta, responde o pintor.
- A palavra, atalha o poeta. Juntos, distribuem a luz que inunda de cor o planeta.
Fotos de F. A. Vidal
Um comentário:
Vidal
Muito boa essa matéria. Conforme Baudelaire: "Para ser justa, para ter razão de ser, a crítica deve ser parcial, apaixonada, política, isto é, feita de um ponto de vista que abra mais horizontes." Creio que vc teve sensibilidade para isso. Parabéns!
Adriane Hernandez
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