segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Única esquina do mundo sem vértice

Em maio de 2008, Rubens Filho descobriu na rua Lobo da Costa uma esquina surrealista, talvez a única do mundo que ainda não foi dobrada.

Trata-se de um ponto de vendas da "Esquina da sorte", bem no meio da quadra entre Santa Tecla e Saldanha Marinho (veja o post). O pequeno espaço comporta um brechó de roupas - parecido aos do camelódromo que está justamente defronte - e funciona também como lotérica.

Quem observar com cuidado o mapa urbano de Pelotas encontrará o curioso paradoxo de que essa "esquina" está no lugar certo: bem nesse ponto, a Lobo da Costa deveria cruzar com a Santos Dumont, se esta se prolongasse ao sul da Praça Cipriano Barcelos.

De fato, a Santos Dumont começa na João Manoel e se interrompe na Uruguai. Reaparece aqui, de modo fictício, como se bordeasse o lado oeste da praça - a mesma que o povo conhece como Praça do Pavão ou dos Enforcados - e continua a partir da Marechal Floriano até entroncar com a Fernando Osório.

Dois anos depois, a simbólica esquina - entre duas garagens (esq.) - ainda não teve a sorte de ser dobrada, mas não perde a esperança. Aos poucos, nossas ruas serão recuperadas e a cidade perderá estas simpáticas contradições.
Fotos de Rubens Filho (1) e F.A. Vidal (2)

domingo, 17 de janeiro de 2010

Recital de graduação de Washington Rodrigues

Nesta sexta (15), Washington Rodrigues apresentou seu recital de graduação no Conservatório de Música. Ele começou seus estudos em Bagé, ingressou na UFPel em 2004 e participou, ainda estudante, em inúmeras iniciativas: ministrando oficinas de teclado, dirigindo corais, atuando em concertos (de música sacra, popular e jazz), em concursos e em recitais solo, em diversas cidades brasileiras.

Em 2007, obteve o 3º lugar em sua categoria no concurso nacional Orestes Farinello, em Anápolis (GO), e em 2008 foi premiado duas vezes num concurso em Osasco (SP): primeiro lugar em seu grupo e melhor intérprete de música brasileira.

Com perseverante esforço, Washington foi progredindo notoriamente, sob a orientação do professor Dr. Marcelo Cazarré. Mesmo dominando repertório clássico e romântico (com destaque ao Schubert mais livre dos Improvisos), seu espaço natural é a música brasileira, mostrando toda sua energia física - aliada ao temperamento sensível - nas "Manchas" do gaúcho Luiz Cosme.

Apesar de que o curso forma solistas, alguns pianistas atuam muito bem como acompanhadores. É o caso de Washington, que expressa um especial entusiasmo no papel secundário, mostrando em primeira importância o sentido da música, em apoio à expressão de um trecho coral spiritual ou de um solo das cantoras Raquel Pereira, Teresa Ferlauto e Luthiene Bittencourt.

Na formatura, os músicos devem cumprir repertório, mas podem evidenciar suas preferências; o conjunto do recital mostra o que o graduando sabe fazer nesse ponto da formação e configura as linhas futuras de sua carreira.

Foi o que se vislumbrou no programa desta noite: Sonata nº 15 em Ré, 4 movimentos ("Pastoral") de Beethoven, Prelúdio e Fuga XXIV de Bach, Improviso opus 90 nº 4 de Schubert, Seis Prelúdios de Francisco Mignone, Valsa do Fausto de Gounod, de Franz Liszt. Mesmo com uma boa capacidade de rendimento nos autores europeus, o pianista mostrou uma especial segurança nos trechos brasileiros, denotando seu perfil artístico. Em agradecimento aos entusiastas aplausos, Washington acrescentou a "Dança Ritual" de Joaquín Turina e um apaixonado "Como é grande o meu amor por você", cantado pelo tenor João Ferreira Filho.

Na falta de vídeos que ilustrem o desempenho do pianista, ouçamos um dos trechos escolhidos para este recital: o segundo movimento da Sonata "Pastoral", na interpretação do austríaco Friedrich Gulda (1930-2000).
Fotos: Divulgação UFPel (1) e F. A. Vidal (2-3)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Poesias de Manoel Magalhães

O formato eletrônico do blogue serve a um projeto poético do escritor local Manoel Soares Magalhães. Há um mês ele abriu um espaço de descanso literário, o blogue Palavras aladas, onde deixa ver, de novas formas, parte de seu rico mundo interno. A fala de Magalhães me soa nerudiana, mas um chileno a descreveria simplesmente como magallánica.



Metamorfoses


Quero reinventar meus passos
Reordenar meus voos
E quiçá possa meio as ondas do mar
Nadar além do horizonte que se faz céu
Em súbito escarcéu...
Quero reinventar meus olhos
E o invisível descobrir
A cirandar prados
Sonhados por um pássaro
A voar sozinho
No desesperado anseio de encontrar seu ninho...
Quero reinventar meu ser
E nele plasmar tua imagem
Guarida que encontro
Entre sorrisos e cantos
De luz que à minha alma conduz...


Experimente esta outra:
A vida só existe porque o beijo tem gosto de morango.

POST DATA
8-11-14
Confira A vida só existe porque o beijo tem gosto de morango.

O olho da Cotada

Pintura em parede, de Matheus Lanzetta (2009)
Para a megaexposição "Arte no Porto III", na antiga Cotada, em outubro de 2009, Matheus Lanzetta concebeu um olho de uns dois metros de altura (dir.). Usou uma chapa de metal como matriz em negativo, mediante a qual a tinta seria vertida sobre a parede.

Tratando-se de uma parte do corpo humano, o artista pensou em colocar o grande olho num ponto externo, em que pudesse integrar-se ao edifício e identificar-se com ele, dando-lhe um traço de personalidade e de vida própria.

Vários participantes criaram obras especialmente para a ocasião e o lugar da mostra, mas as decisões finais passaram pelo coordenador-curador José Pellegrin. Este achou conveniente deixar a obra no resguardo interno do prédio e a localizou num espaço do terceiro piso, onde conservou seus detalhes individuais, mas sem a conexão com o todo.

O título da obra, impresso em minúsculas letras, deixou bem claro o sentido pensado pelo autor:

Se esse prédio tivesse um olho, ele seria assim:

Foto de F. A. Vidal

POST DATA: Nos comentários, o autor faz uma pequena correção.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Violonista Gahuer Carrasco

Gahuer Carrasco Pereyra nasceu em Jaguarão, mas mora em Pelotas desde criança. Aos 15 anos pegou o violão e não somente não o deixou, mas também tem crescido como intérprete de música hispânica neste instrumento. Com outros músicos de Pelotas, formou o Quinteto Libertango, que durante uns anos difundiu a música de Astor Piazzolla. Hoje ele faz turnês internacionais como solista, especializando-se em ritmos flamencos e latinoamericanos.

Uma das peças preferidas de Gahuer é Asturias, composta originalmente para piano por Isaac Albéniz (1860-1909). O trecho é uma bela expressão de ritmos flamencos (andaluzes), denominada pelo compositor como "Leyenda", mais tarde rebatizada pelo editor da Suite Espanhola como "Asturias", zona da Espanha não relacionada com o flamenco. A transcrição para violão é atribuída ora a Francisco Tárrega, ora ao violonista Andrés Segovia, que a popularizou neste instrumento.

O vídeo acima pertence ao primeiro DVD de Gahuer, Pasión y Romance, gravado no Teatro Guarani em maio de 2008. O acompanhamento no cajón, de Lyber Bermúdez, é uma exclusividade desta apresentação, não repetida em outros shows de Gahuer. Compare a versão de John Williams, em solo de violão. Ouça também o texto original para piano na interpretação do espanhol Luis Fernando Pérez (abaixo).

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Conselho do Pelotas Mais

O sítio Pelotas Mais constituiu, nesta terça ao entardecer, seu Conselho de Colaboradores (veja nota), no salão de convivência da sede Pelotas da RBS (dir.), um mês depois de seu lançamento na internet.

Seguindo a segunda fase do projeto, 28 pessoas foram chamadas para ser a cara visível da comunidade de leitores-repórteres que alimentam o portal; dos 22 que chegaram ontem, somente quatro são mulheres.

Alguns já têm blogues próprios ou alguma experiência com jornalismo, oscilando entre os 20 e 50 anos de idade. Todos assinaram um contrato de colaboração, onde consta que não haverá remuneração nem vínculo de trabalho; os textos e fotos deverão ser inéditos e exclusivos do Pelotas Mais, mas poderão ser citados em outros sítios, posteriormente.

O grupo produzirá matérias mais qualificadas, ao conhecer as regras básicas do projeto, e os demais leitores seguirão colaborando como até agora (cada dia chega uma centena de colaborações, e nem todas cumprem requisitos de redação). Com repórteres mais conscientes e ativos, as matérias irão melhorando e poderão eventualmente ser usadas em outros meios, como a TV e o jornal Zero Hora.

Rosane Tremea (esq.), coordenadora de sítios hiperlocais da RBS, diz que em Porto Alegre os homens são minoria nos conselhos de bairros. A jornalista, que veio para supervisionar esta experiência inédita no interior do Estado, explicou os objetivos do projeto: fazer que a comunidade se aproprie deste instrumento mediante o compartilhamento de informações sobre a vida da cidade.

Bianca Zanella Ribeiro (dir.), coordenadora e responsável pela publicação de conteúdos, também motivou os colaboradores a melhorar o funcionamento do portal; quando buscar notícias, o repórter poderá e deverá identificar-se como representante do Pelotas Mais. O fotógrafo Nauro Jr., da Zero Hora, não se limitou a registrar o encontro em dezenas de imagens, mas também transmitiu com palavras seu entusiasmo com os progressos desta iniciativa.

Dia 14 de dezembro, o novo veículo foi anunciado ante representantes da sociedade pelotense, reunidos no mesmo salão (leia notícia da RBS, e nota neste blogue).

Minutos após as 18h, João Paulo Célia, gerente executivo, deu a palavra ao gerente de produto, Marcelo Rech, que explicou os objetivos do projeto, centrados em dar notícias da cidade e seus bairros, feitas pelos leitores. A filosofia é mais de colaboração do que de competição (apesar de que já existem projetos pelotenses parecidos, como o Diário Popular e o Amigos de Pelotas, portais jornalísticos locais e interativos).

Na mesma reunião, Marta Gleich, diretora de internet da empresa, descreveu o Pelotas Mais e as funções de sua "curadora de conteúdo", Bianca Zanella. Outro pelotense que trabalha na RBS, Eduardo Loréa, falou do blogue Desgarrados de Satolep, fundado por ele para enriquecer este sítio local, com jornalistas que moram fora daqui e sentem saudades da terrinha e dos tempos passados. Na foto (acima à esq.), Marcelo, Eduardo, Marta e Bianca.

Naquela noite, também Nauro Jr. testemunhou sua participação no projeto, em nota no seu blogue Retratos da Vida (v. dia 14-12-09).

Sintomaticamente, não havia jornalistas de fora da RBS, e no dia seguinte nenhum jornal impresso nem eletrônico deu a notícia.
Fotos de F. A. Vidal

POST DATA
Em maio, a empresa mudou o nome do sítio para ClicRBS Pelotas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Estampas hidráulicas, de Gracia Casaretto

Gracia Casaretto Calderón apresentou a uma centena e meia de pessoas o resultado de seu projeto prático de pesquisa no curso de Design Gráfico: estampas de roupa para o verão, estilizadas sobre o conceito dos ladrilhos hidráulicos, que tipicamente cobrem as calçadas em nossa cidade (veja o projeto).

A jovem pelotense investigou sobre a fabricação dos ladrilhos na Fábrica de Mosaicos, e desenhou umas 40 peças, que foram exibidas em público de uma forma original para um artista plástico: num desfile de moda, com modelos vestindo as criações.
Os mosaicos de piso ou "tijoletas", como as conhecemos em Pelotas, são hidráulicas por seu método de fabricação, cuidadoso e demorado, feito por pressão de água.
Além de desenhar as estampas ao modo dos ladrilhos - detalhe que não foi percebido pelo público - e logo mostrá-las como uma criação de moda, Gracia acrescentou a seu trabalho mais um toque pessoal ao organizar o grupo de modelos, colegas e amigos seus - entre eles sua irmã Papola (1ª foto acima) - que aceitaram vestir as roupas e desfilar com elas.
Essa ação unitária transmitiu um sentido de ousadia, amizade e sintonia grupal, revelando as capacidades de planejamento e gestão social da artista.
Os vinte jovens, homens e mulheres, desfilaram descalços, dando a cada roupa seus movimentos e atitudes pessoais, sorrindo ou sérios, relaxados ou levemente tensos, alguns mostrando que era sua primeira vez na passarela, outros parecendo profissionais.
A rapidez da apresentação sugeria um caráter de pressa (havia começado 40 minutos depois da hora, mas esse não seria um motivo para terminar em somente 30 minutos). O público estava deliciado e teria ficado mais uns minutos, mesmo com a luz natural diminuindo, para apreciar bem as cores e formas dos desenhos - afinal, esse era ou devia ser o centro das atenções.
Seguindo o estilo dos criadores de roupas, Gracia saiu no final e foi aplaudida e ovacionada (esq. e abaixo). Com mérito, pois estava integrando talentos como autora gráfica, diretora de produto, coordenadora cênica e preparadora da equipe humana. E ainda poderia ter sido uma das modelos, pois tem a figura esbelta e a elegância segura dos movimentos.
De família artística, ela também pinta, desenha (veja criações) e fotografa (veja Flickr). Mas seu centro está no desenho gráfico (cartazes, cartões de visita, logos, convites, infográficos, peças publicitárias).
A julgar pela idade dos modelos, poderia pensar-se que as roupas foram concebidas somente para jovens, mas esse detalhe somente se derivou do modo de conformar a equipe. Se houver um próximo desfile destas estampas, uma parte de crianças e uma de adultos mais maduros permitirá explorar as grandes potencialidades desta ideia.
Um lugar com mais natureza - ou com ladrilhos - também ajudará a valorizar o sentido urbano deste conceito milenar, e tão característico de Pelotas.
Fotos de F. A. Vidal (1-5 e 7) e Rafael Takaki (6)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Jornal na contramão: da ciclovia e da cibervia

Nada de estranho que um blogue ou um jornal eletrônico incorpore um vídeo - é um recurso muito usado, que pode enriquecer um texto, podendo até ser ele sozinho o conteúdo da nota. Há quem recomende vídeos mediante hiperlinks (com dois cliques as imagens são vistas), mas o mais comum é incorporá-los na postagem.

Foi o que fiz em nota anterior sobre ciclovias (veja), transcrição de artigo do prof. Aluísio Barros em que ele indicava dois vídeos.

Bem menos comum é que um jornal impresso informe por extenso um endereço de internet. Os meios não são compatíveis: se um leitor do jornal quisesse ver as imagens, teria que digitar o código no seu computador. Hoje, a regra é fazer tudo pelo caminho rápido, e esquecer as vias lentas. Asfaltam-se as ruas, e os engenheiros concebem ciclovias inúteis - estreitas demais ou cheias de voltas e paradas.

Imagina agora o leitor que um jornal de tendência conservadora, não muito acostumado com a internet, forneça um endereço de vídeo num artigo de sua edição impressa? Acredite se quiser: o nosso Diário Popular fez isso há poucos dias, terça 15 de dezembro, nessa nota que acabo de citar.

E o jornal - que tem portal na internet - reproduziu o texto na sua edição online? Inexplicavel e lamentavelmente, não! O veículo não se move na internet, nem quer destacar-se por isso. Os internautas não viram o artigo do professor, e os assinantes deixaram o complicado link na folha impressa.

Cinco dias antes, o Diário alfinetava o projeto municipal de ciclovias, magnificando artificialmente uma suposta oposição dos lojistas, na reportagem que o professor respondeu: Comerciantes reclamam de ciclovia na Andrade Neves (esta foi ao portal da internet).

Em agosto, outra matéria, meio alarmista, criticou a mesma ciclovia (leia), mas engana-se quem pensar que o Diário tenha algo contra o uso de bicicletas: em outubro, um editorial defendeu abertamente o ciclismo na cidade (leia) e, em dezembro, uma notícia mostrou o passeio solidário da Escola Hipólito Leite (veja aqui).

As críticas do decano se dirigem, consistentemente, contra as ações da prefeitura, seja pela falta de asfalto ou pelas supostas desvantagens das ciclovias. Não parece haver aí um conteúdo ideológico que separe o pensamento do jornal e do governo municipal, mas somente uma guerrinha de minúcias políticas.

Metrópoles brasileiras já descobriram que as ciclovias não solucionam o problema do transporte se não houver um entendimento entre os usuários do espaço urbano.

Pelotas se presta para as ciclovias, mas os cidadãos não estão acostumados a suas vantagens, mergulhados no egoísmo e na prepotência. Carros avançam sobre ciclistas, bicicletas avançam sobre pedestres nas calçadas, e até pedestres ocupam as ciclovias do Areal, do Fragata e da Dom Joaquim. Ao contrário, em Copacabana (esq.), as bicicletas vão pela ciclovia e as pessoas pelo calçadão.

O problema é complexo, mas tem solução pelo lado humano e social, não de simples engenharia.
Imagens da web
1-Passeio Ciclístico da ECOJUS Pelotas
2-Ciclovia da Andrade Neves

domingo, 10 de janeiro de 2010

Blogue inicia segundo ano

Ontem (9) o blogue completou um ano, com 390 notas publicadas. Como eu previa inicialmente, não conseguiria cobrir sozinho todos os acontecimentos da cidade. Já que não pretendo fazer noticiário, mas um mapeamento da cultura de Pelotas, vou informando no ritmo possível sobre "o que é que Pelotas tem" (como diria Dorival).

O "Pelotas, Capital Cultural" compila e gera documentação sobre Pelotas e os pelotenses - em arte, pesquisa e costumes nossos. O objetivo imediato não é anunciar acontecimentos, mas analisar o que já ocorreu, dando preferência a aspectos mais essenciais da cidade, que definam o que ela é. A longo prazo, a meta é que os pelotenses conheçam e renovem a sua cultura, vivendo-a mais e acreditando mais nas suas potencialidades.

Em novembro, o blogue participou numa espécie de experimento entre amigos, com um público de 5 pessoas: foi nosso primeiro evento próprio, que promoveu uma reunião entre blogueiros radicados na cidade (veja nota). Há mais ideias por ser executadas.

Com postagens diárias, o blogue conquistou leitores daqui e de fora de Pelotas. Foi aberto ao público em março, após dois meses funcionando para convidados, registrando então uns 300 acessos de página por semana. Hoje o ritmo oscila entre 700 e 900 semanais.

Em 2009, observamos diversos progressos em nosso meio: a Prefeitura iniciou a restauração do Grande Hotel e do Mercado Municipal, enquanto a UFPel desenvolve reformas e ampliações em todas suas unidades.

Na área privada, tivemos a criação do Instituto Leda Bacci para o Desenvolvimento (leia 2 notas), e do espaço Fábrica Cultural Música pela Música (veja nota); vimos a inserção da Fenadoce na agenda cultural e um aumento produtivo em diversas áreas (literatura, teatro, cinema, música contemporânea), com uma intensa atividade do Grupo Tholl e a criação do movimento Vigília Cultural. A organização da Feira do Livro passa por uma séria crise, e requer uma ampla reformulação. Já no meio virtual:

Mantendo os objetivos do blogue em 2010, tentarei publicar uma agenda para que os leitores de Pelotas possam saber previamente das atividades, presenciá-las e opinar com maior conhecimento.
Fotos de F. A. Vidal
1- quadro de Manoel Soares Magalhães: a Igreja Matriz de Pelotas, hoje Catedral
2-ao fundo o Mercado em reforma; em primeiro plano, aspecto de uma unidade da UFPel

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ciclovias como solução

A propósito de uma reportagem do Diário Popular sobre a ciclovia da Andrade Neves (leia parte), o professor da UFPel Aluísio Barros escreveu o seguinte artigo. O jornal o publicou dia 15 de dezembro passado, em sua edição impressa somente.
Os vídeos foram indicados pelo articulista no mesmo texto, um verdadeiro post de blogue.

Vi no jornal de quinta-feira, dia 10, extensa matéria sobre reclamações de comerciantes e motoristas que dizem que as ciclovias reduzem as vagas, espantam os consumidores. São capazes até de culpar a ciclovia pela recessão! As pessoas, infelizmente, ficam impregnadas de ideias antigas, de como um dia se imaginou a cidade - a cidade do carro, onde há ruas para todos os carros e, especialmente, vagas para todo mundo estacionar bem em frente do seu destino.

A cidade modelo de hoje é bem diferente. O carro, se descobriu, é barulhento, fumacento, entope todas as vias e causa grandes congestionamentos e enorme perda de tempo. Você já parou para pensar quantas horas de vida (ou quantas vidas) são desperdiçadas todos os anos no trânsito? Numa conta rápida, quem passa todo dia uma hora no trânsito gasta 200 h por ano, o que dá 8 dias inteiros de sua vida dentro do carro.

A cidade que se almeja hoje é uma cidade mais humana, onde o pedestre e o ciclista têm a preferência. Sem barulho, sem poluição, sem acidentes. As cidades de vanguarda na Europa estão bloqueando totalmente o acesso de carros ao centro - que voltou a ser um centro de vivência, de encontro humano. O carro fica longe. E as bicicletas é que circulam!

[O articulista sugere neste ponto o trailer abaixo, falado em inglês, e o filme acima, que tem legendas.

Em Pelotas, temos uma facilidade natural para a bicicleta: a cidade é plana e as distâncias não muito grandes. Investir em ciclovias significa mais bicicletas nas ruas e menos carros e motos. Isto é, menos necessidade de ruas, semáforos e vagas de estacionamento! [...]

O que nós precisamos é de mais ciclovias, com mais qualidade. Nossas ciclovias hoje são um tímido aproveitamento de ruas bem largas. A bicicleta não deveria pedir desculpa para circular. Nossas ciclovias são estreitas. Na própria Andrade Neves, eu tenho que sair da faixa quando vem alguém na direção oposta carregando alguma coisa.

E a ciclovia da Dom Joaquim? Do lado esquerdo e quase tendo que se equilibrar nela? Sem falar nos tachões que só servem para aumentar o risco de uma queda se a roda da frente da magrela pega num deles de mau jeito. Com boas ciclovias, quem sabe a gente acaba com a ideia de que o chique é andar de carro? Por que o chique mesmo é andar de bicicleta, e com segurança!

Para terminar, eu desafio qualquer comerciante da Andrade Neves a provar que não se consegue estacionar em alguma transversal, ainda a menos de uma quadra da sua loja.


Aluísio Barros
Centro de Pesquisas Epidemiológicas
abarros.epi@gmail.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Moda conceitual inspirada em Pelotas

Hoje às 19h, a formanda em Design Gráfico Gracia Casaretto Calderón apresenta no Casarão 2 mais uma de suas criações artísticas: a coleção ESTAMPAHIDRÁULICA. A entrada é franca, aberta a todos os visitantes (veja notícia).

Gracia fez seu projeto prático de pesquisa, como conclusão do curso na UFPel, sobre estampas para o verão, inspiradas numa realidade pelotense: os desenhos dos ladrilhos hidráulicos das calçadas.

A inovação da jovem artista plástica pelotense reúne dois elementos interessantes, além do sentido comercial: o desenho de roupas à base de um conceito de autoria, e a inspiração na cultura urbana, marcando a obra como local e valorizando a cidade no sentido turístico.

Nas fotografias de Gracia Casaretto, os modelos são Paula Curi Hallal (esq.) e Iuri Ramil (dir.).

Lembranças de Carmem Araújo

Após anos de exercício médico, desenvolvendo habilidades científicas de pesquisa e de cuidado, a ginecologista Carmem Araújo voltou-se ao interior e à capacidade autoexpressiva, transformando-se progressivamente numa artista plástica, cada vez mais definida, lúcida e ousada.
Com boa disciplina e produtividade, trabalha elementos como a autoestima e a sensibilidade feminina, primeiro associando-os às mulheres atendidas em seu consultório, logo a seu próprio corpo e alma e, mais recentemente, ligando esses conceitos à cidade de Pelotas.
No primeiro semestre de 2009, Carmem apresentou 30 quadros de mulheres nuas alusivos à Princesa do Sul, a maioria produções recentes (veja nota).
Ao finalizar o segundo semestre, de 9 a 21 de dezembro, trouxe nova amostra de telas em acrílica, desta vez à Galeria de Arte da Universidade Católica, totalizando 18 "Lembranças", a grande maioria recém criadas.
Algumas imagens contêm basicamente erotismo e sensualidade: o elemento corresponde a séries anteriores, em que a desinibição se relacionava com o autoconhecimento anímico e corporal. Quando os temas incluem figuras artísticas como os vitrais ou se baseiam em esculturas de casarões antigos ou do chafariz das nereidas, o mundo feminino anterior se entrelaça com a realidade pelotense, talvez necessitada de autoestimação e sensualidade amorosa, não destrutiva.
Nesta nova série, pelo menos duas figuras falam do tema do nascimento e do parto, formas de realização do ser feminino que se conhece e se ama a si mesmo (isto inclui o lado feminino de um homem). O uso do metal - como material de trabalho ou como suporte (abaixo à esq.) - também sugere um contraponto, em relação à fase anterior, mais cálida e flexível.
Outra possibilidade não resolvida é sobre o papel do homem na evolução feminina... objeto de percepção, de interação, de inclusão? Ainda não há respostas, mas as perguntas já parecem sugeridas.
A artista conserva e aprofunda suas motivações, progredindo como pesquisadora do espírito humano. Sua profissão permitiu-lhe operar com os misteriosos procedimentos de criação da vida e de regeneração biológica, a arte lhe faz reconstituir os modos em que uma alma se conhece a si mesma em busca da sanação interna. Mesmo que esses modos sigam parecendo indecifráveis, os espectadores e a própria "criadora-criatura" se beneficiam dessa progressiva consciência autoamorosa.
Imagens de F. A. Vidal

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Pensamento Ampliado, a fórmula de um escritor

Anderson de Mello Reichow nasceu em Canguçu há 23 anos e, aos poucos, tem-se feito pelotense. Trabalhou como bancário até 2007 e, coerente com sua busca pela justiça, passou a servir no Poder Judiciário e a estudar Direito.

Em 2008 Anderson abriu o blogue Defensores dos Direitos Animais, e teve uma coluna semanal por seis meses seguidos no Amigos de Pelotas (veja artigos). Também é colunista da ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais - , tido como o primeiro portal jornalístico do mundo voltado ao universo animal. Ainda neste mês de janeiro, Anderson (veja seus artigos) publicará um ensaio breve sobre a condição animal, numa coletânea de trabalhos dos 36 redatores da ANDA.

Há dois meses Anderson abriu o blogue Pensamento Ampliado, uma experiência para exercitar seus talentos, esforços e aprendizagens como escritor. Ali pratica gêneros como a crônica e o conto, aproveitando para esboçar partes de algum romance e dialogar com os leitores que já passam a conhecê-lo em seu crescimento literário. Paralelamente, se expressa e se compreende melhor a si mesmo, num exercício também psicológico.

Diz o blogueiro ter tomado a expressão do francês Luc Ferry. Para este filósofo (e educador da ala conservadora), "pensamento ampliado" é
colocar-se no lugar do outro não só para entendê-lo melhor, mas para tentar, num movimento de retorno do exterior para si mesmo, examinar os próprios julgamentos e valores do ponto vista que poderia ser aquele dos outros ["O que é uma vida bem-sucedida?", p. 340. Rio de Janeiro: Difel, 2004].
O novo escritor se vale dessa ideia de empatia (colocar-se no lugar do outro) e amplia ainda mais o conceito. Veja um exemplo dado por ele mesmo:
Meus textos, em geral, nascem de um desafio criativo. Para mim, amarrar os cadarços nunca foi algo especial. Sem ter eu nada em mente, meu irmão sugeriu que eu escrevesse um conto sobre "amarrar os cadarços", e assim o fiz. Depois de ter escrito "Gotas de infância" [leia a crônica], este ato passou a ter mais sentido para mim e, desde então, ampliei na minha existência a razão ou significado deste mero amarrar de cordéis.
20-11-15 Este post foi editado hoje.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Dueto dos gatos (humor)


O Dueto dos Gatos (Duetto buffo di due gatti, título original de 1825) é uma peça para dois sopranos, atribuída a Gioachino Rossini (1792 -1868). Trata-se, na verdade, de uma compilação de melodias suas, da ópera Otelo, de 1816. O inglês Robert Lucas Pearsall, sob o pseudônimo de G. Berthold (segundo a Wikipedia), aplicou aos trechos a onomatopeia "miau", usando o texto dramático para uma finalidade humorística. Desde então, o dueto vem sendo cantado em concertos líricos, como se fosse mais uma peça erudita.
No vídeo acima, o Dueto dos Gatos é cantado por solistas do coral Les Petits Chanteurs à La Croix de Bois, em Seul, Coreia, novembro de 1996. Há dezenas de versões no YouTube, mas esta tem a correção musical aliada à graça dos intérpretes - sem expressão cênica, somente vocal. Os cantores são Régis Mengus (o moreno) e Hyacinthe de Moulins, e o regente pianista é Rodolphe Pierrepont (veja discografia). Hoje, 13 anos depois, Régis (dir.) é cantor de ópera e ator.
Les Petits Chanteurs à La Croix de Bois é um coral de crianças, fundado em 1907, que pertence à Escola de Canto (veja o portal) da paróquia de Paris La Croix de Bois ("A Cruz de Madeira"). Além das tarefas escolares oficiais, os "Pequenos Cantores de Paris" - como são conhecidos - estudam música e canto, e viajam pelo mundo, apresentando-se ante um público de 50.000 espectadores a cada ano, sem contar os shows de TV. Seu repertório é totalmente sério, como toda a educação francesa (esta brincadeira só foi possível na Coreia, do outro lado do mundo).
Compare uma versão, bastante apegada à partitura, de dois tenores adultos, Rockwell Blake e Gérard Lesne (ouça vídeo), e - com o mesmo texto musical - a apresentação teatralmente dramatizada das inglesas Felicity Lott, soprano, e Ann Murray, mezzo-soprano, num bis após concerto em Londres, 1996 (veja vídeo).
Imagens da internet

domingo, 3 de janeiro de 2010

Retrospectiva de Madu Lopes

Entre novembro e dezembro de 2009, Madu Lopes expôs uma retrospectiva denominada "Bagagem Exposta", no Bar João Gilberto. Em ocasião anterior, mostrei alguns de seus quadros, em mostra realizada no mesmo lugar (veja nota).

A pintura de Madu se centra nas mulheres e seu mundo, caracterizado por gatos, luas, estrelas e objetos de uso feminino.

Num detalhe da tela "Morada da Lua" (dir.), a mulher tem refúgio em seu castelo mas não deixa de admirar o mundo externo, cada um com suas particularidades luminosidades.
Na "Cidadela de Alice" (esq., detalhe), variação do mesmo tema, a personagem é mais extrovertida e ativa, como se todo o mundo natural lhe pertencesse e as várias casas estivessem incluídas dentro dela, como as estrelas no selvático cabelo. Madu não aborda diretamente o erotismo da mulher - que é uma pequena parte de seu mundo interno - nem o espiritualiza em abstrações, mas o focaliza em elementos concretos e em sensações de movimento, profundidade e até odores, sutilmente sugeridos nas telas.
O "Rodopio" (abaixo à dir.) tem um estilo gráfico diferente, mais onírico, menos naïf, que parece anunciar um novo Madu, mantendo os traços característicos do artista que já conhecíamos - ou acreditávamos conhecer.
Excepcionalmente encontramos homens em sua obra, mas eles também têm traços carinhosos ou sonhadores, como um poeta ou um São Francisco. Pessoalmente, ele se define, muito simples e sinteticamente, como
um artista do sul que adora cheiro de alecrim e terra molhada...
Na última imagem (abaixo) o homem parece ser o próprio artista, navegando num mundo que é feminino em si mesmo. A pintura se encontra em seu blogue Estrelário de Madu Lopes, aberto em maio de 2009. Há mais imagens na galeria de Madu no Flickr.
Nesta exposição, pode-se ver que os quadros não foram simplesmente postos nas paredes do Bar João Gilberto, mas harmonizam com aspectos noturnos e festivos do restaurante (esq.). Em ocasiões anteriores, observei a falta de entrosamento entre as pinturas e o ambiente do local, o que parece ser um traço especial de cada artista.
A propósito desta exposição, o jornalista Carlos Cogoy escreveu:
Jovem talento que tem se destacado pela criatividade temática, Madu diversifica sua arte. O feminino tanto está em telas, quanto nas esculturas. E as imagens evocam aspectos como ternura, sensualidade e espiritualidade. Em destaque, as cores que compõem o apelo de cada obra (Cogoy – Diário da Manhã 19/11/09).
Imagens: F. A. Vidal (1-4) e Madu Lopes (5)

sábado, 2 de janeiro de 2010

O lusco-fusco e as árvores da praça

Entre o fim da tarde e o começo da noite, a iluminação das árvores da Praça Osório faz um jogo com a luz natural, que diminui lentamente.

Nesta transição entre os dois mundos incompatíveis, o da luz e o da escuridão, as fotografias no lusco-fusco registram um pouco de cada um. Dão a impressão de serem eles simultâneos, de poderem conviver normalmente, mas se trata somente de uma passagem entre esses mundos.

As pessoas vêm admirar as luzinhas que brilham como se fossem poderosas, remarcando as formas cilíndricas das árvores.

O próprio coronel Pedro Osório, cujo monumento de dia reina solenemente, fica na escuridão da praça a observar os galhos horizontais também adornados, como se agora fossem para demarcar sua figura.
Fotos de F. A. Vidal

SeCult instaura novo Conselho de Cultura

Há cinco anos, o meio cultural de Pelotas esperava por uma lei municipal que regulasse os incentivos às artes e à pesquisa histórica. Sem que se entenda ainda o porquê da demora, a SeCult liberou o texto diretamente para aprovação na Câmara, em regime de urgência, ignorando a existência do Conselho de Cultura, que funciona em Pelotas há uns 4 anos. O texto legal se denomina Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Procultura).
Quando as leis são aprovadas entre Natal e Ano Novo, pode-se deduzir que a autoridade quis evitar a discussão pública; os legisladores precisam de tempo para analisar as propostas e, como nestes casos, fecham os olhos e dão tudo por aprovado. Por seu lado, a imprensa informou sobre a primeira votação, dia 29, que foi aprobatória por unanimidade, com ressalvas de um vereador (leia notícia).
No mesmo dia, o sítio da Prefeitura deu alguns detalhes sobre a lei, incluindo declarações do prefeito Fetter. Entende-se que o texto foi redigido por dois secretários: Mogar Xavier, de Cultura, e Carlos Mário Santos, de Desenvolvimento Econômico (leia). Nesta notícia oficial, um ponto chama a atenção: para conceder os incentivos, a nova lei dispõe sobre a instituição do Conselho Municipal de Cultura. O texto jornalístico segue resumindo os procedimentos da lei:
Os membros do novo órgão [Conselho de Cultura] terão a incumbência de avaliar o mérito dos projetos selecionados pela Secult, seguindo os critérios estabelecidos no próprio ordenamento jurídico: facilitar à comunidade o acesso aos bens artísticos e culturais e incentivar a produção cultural em todo o município. Todas as decisões proferidas pelo Concult precisarão ser homologadas pelo chefe do Executivo pelotense.
No dia seguinte (30), o mesmo portal destaca que o projeto foi definitivamente aprovado - nesse último dia útil do plenário na Câmara -, devendo somente ser sancionado pelo prefeito nos dias seguintes. Para dissipar qualquer dúvida sobre a situação do Conselho de Cultura, o jornalista repete o publicado no dia anterior:
Sobre a concessão dos incentivos, a nova legislação permitirá a instituição do Conselho Municipal de Cultura (Concult). Os membros do novo órgão terão o encargo de avaliar o mérito dos projetos selecionados pela Secult... (leia)
Quem viu o Conselho de Cultura de Pelotas sendo instituído no Teatro Sete de Abril, sob o governo Bernardo, com representantes da Câmara e da comunidade cultural, agora se pergunta:
  • a SeCult não reconhece este órgão (por ter sido iniciado pela secretária Beatriz Araújo),
  • pretende legitimar o que atualmente existe (não seria legítimo?), independentemente de sua renovação para um novo período?
  • está fundando um conselho paralelo (há poucos meses, o mesmo secretário declarou uma Conferência Municipal de Cultura paralela à convocada pela Câmara) ? (leia nota neste blogue)
  • o Conselho que conhecíamos foi extinto, e não sabíamos?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Tholl alegra público

Na semana prévia ao Natal, o grupo Tholl voltou a apresentar-se no Teatro Sete de Abril, terça 22 com seu show original ("Tholl, imagem e sonho") e quarta 23 com o segundo, "Exotique", pocket show desenvolvido em 2009.
Nesta última ocasião, os artistas caracterizados começaram a animação meia hora antes, recebendo o público antes de entrar ao teatro (esq.). Na verdade, o espetáculo já estava começando, no meio do público.
Um quarteto musical estilizado bailava junto aos outros personagens. Com bom humor teatral, alguns deles conversavam com as pessoas que iam chegando. Quando fui fotografar um desses momentos (abaixo à esq.), o artista não quis ser destacado e aproveitou para elogiar a simpatia e beleza da mulher pelotense, com o gesto expressivo "elas é que merecem estar na capa da revista".
Como a imprensa não foi chamada especialmente, estas imagens espontâneas não aparecem em outros meios de comunicação.

A trupe nasceu em nossa cidade com o nome de Oficina Pelotense de Técnicas Circenses, e terminou adotando o nome de seu espetáculo, bastante mais breve e fácil de recordar.

O grupo se destaca por seu grande esforço num trabalho que é feito por amor à arte, sem buscar lucros. Adultos e crianças aprendem e ensinam, tanto em Pelotas como em outras cidades do Brasil.
Em 2009, o Tholl pediu a Luciano Huck o apoio ao lar de dona Conceição Teixeira, e o apresentador da Globo fez aqui em Pelotas o último programa do ano com os quadros do Caldeirão.
Mesmo assim, o fato de eles estarem cotidianamente em nossa convivência nos faz esquecer que é preciso apoio comunitário para que o grupo se mantenha (por exemplo, para ter uma sede própria, para financiar materiais e para remunerar alguns serviços).
O Tholl já tem alguns patrocínios, seu sítio na internet anuncia um terceiro show e este mês realiza-se o 5º Oficinão Caça-Talentos.
Fotos de F. A. Vidal