
Alheios e desinformados das intervenções que a Universidade Federal planeja para esta recente aquisição do patrimônio, os habitantes passeiam dia e noite, sem Deus nem lei, pelo palacete que há um século alojou senhores e escravos.
Sem saber ler as placas, eles não desconfiam que este mesmo prédio foi inaugurado há 130 anos, em 7 de setembro de 1880, para residência do Conselheiro Francisco Antunes Maciel, o Barão de Cacequi, primeiro diretor do Liceu de Agronomia ( fundado este em 1887 e depois batizado com o nome de Eliseu Antunes Maciel, pai de Francisco).
Os felinos do século XIX seriam mascotes dos dominadores, ou dos sofredores? Os gatos e gatas se aliavam a alguns somente, ou a todos sem distinção, ou a ninguém? Ou, muito pelo contrário, teriam espírito imparcial, observador das vicissitudes humanas?
A propriedade seguiu em mãos da família Maciel até dezembro de 2006, quando passou à UFPel, segundo anota o Dicionário de História de Pelotas (Loner, Gill e Magalhães, 2010). Desde então existe a ideia de ali se formar um centro cultural ou coisa parecida, mas a estrutura segue degradando-se, mesmo com uma restauração aprovada (leia).

Sobre a ocupação dos casarões pelos gatos, o escritor Manoel Magalhães escreveu em julho passado a crônica A nobreza que anda de quatro.
A foto desta nota foi tomada na tarde quente e úmida deste sábado (11). As hortênsias pareciam bem cuidadas, mas o preto guardião não soube o que pensar, pois ali já não se veem humanos, nem trabalhadores braçais, nem pesquisadores, nem amos senhoriais.
Foto de F. A. Vidal
Nenhum comentário:
Postar um comentário