
Nenhum empregado se atreveu a levar o animal a cabresto cruzando toda a cidade, uns 6 km. Lino soube da oferta e — como tinha experiência na lavoura, quando criança — enfrentou o inusual desafio, para conseguir os trocados.
Foi buscar o bicho (que provavelmente era um touro), colocou-lhe o buçal e empreendeu a caminhada: Avenida Argentina (hoje, Fernando Osório) até a Curva da Morte, Avenida Bento Gonçalves e a longa Quinze de Novembro.
A insólita dupla passou tranquilamente pelo coração da cidade, inclusive ante o Café Aquários (ou talvez fosse na fase em que tinha o nome de Café Nacional), onde tempo depois Lino trabalharia como garçom, ainda naquele admirável esforço de ganhar a vida humilde e honestamente.
A Rua Quinze tinha já mão única, mas o jovem professor ignorou as normas de trânsito e fez o trajeto na contramão, chamando assim a atenção dos pelotenses duplamente: não se viam animais de grande porte sendo levados a cabresto (as pedras do calçamento eram as mesmas de hoje) e muito menos na contramão.
Fui assim cumprida a grande missão e o pagamento ajudou a engordar o magro salário daquele tempo de vacas magras.
Foto: W. Sanders, 1946 (LIFE)
Nenhum comentário:
Postar um comentário